sábado, 27 de agosto de 2011

Clínica Palet é denunciada por eventuais maus tratos contra dependentes químicos



Outra clínica administrada por pastor. Afinal, que igreja é esta que crucifica tanta gente que reclama tratamento e só recebe tortura e maus tratos?

Em 20 DE JULHO DE 2011 o Jornal JOGO SÉRIO publicou a seguinte matéria sobre clínica que deveria cuidar de tratar e recuperar dependentes químicos:

"Dirigente desmentiu todas as acusações, mas inquérito policial já foi instaurado.

A Clínica Palet, de recuperação a dependentes químicos, foi denunciada na semana passada por supostamente cometer maus tratos a internos. Situado num imóvel anexo ao Lar São Vicente de Guaxupé, o local é administrado pelo pastor evangélico Luiz Carlos Evangelista Júnior, o qual foi acusado por Diego Henrique Pedretti, enfermeiro que trabalhou na entidade por três meses, mas se demitiu no dia de uma rebelião (também na última semana) e registrou boletim de ocorrência contra o responsável pelo lugar. O caso está sendo investigado pelo delegado José Tadeu Batistucci.

As acusações foram feitas depois que Diego presenciara situações que considerava como más práticas aos pacientes, que geralmente são presos num quarto, chamado de sala de contenção, onde passam por vários tipos de humilhação. “Não há respeito para com eles, que sofrem com o tratamento subumano do pastor, um ex-policial da ROTA paulista, que intimida a quem não ‘rezar sob sua cartilha’. Esta, diga-se de passagem, é composta por uma filosofia que não melhora a ninguém, mas sim os prejudica”, disse o rapaz, em entrevista ao Jornal, em frente à delegacia, onde narrou os fatos e tentou proteção, já que teme represálias pelas denúncias feitas.

Diego procurou o jornal acompanhado de sua mãe e membros da família de um interno de Guaranésia, Eliseu (sobrenome preservado), o qual teria ficado por vários dias na contenção, em situações constrangedoras. “Eu tinha que fazer as necessidade fisiológicas em garrafas pet, era obrigado a conviver com o mal cheiro da urina de um outro interno, deficiente mental, que fazia tudo pelo chão mesmo. Não tinha privacidade para falar com minha família no telefone, pois me comunicava de um celular da clínica, que era colocado no modo vivavoz, para monitorarem o que conversávamos. A comida é de péssima qualidade e o tratamento se diferencia de um para outro interno, de acordo com a preferência da administração”, afirmou Eliseu, que pagou R$ 730,00 por um mês de tratamento.

O OUTRO LADO

O Jornal foi até aquela unidade, ainda na semana passada, onde falou com o pastor Luiz Carlos, o qual negou as más condições do quarto de contenção, assim como as demais acusações. “Isto faz parte do procedimento, pois eles sofrem o que chamamos de período de abstinência e ficam incontroláveis, vindo a atacar quem estiver pela frente! Mas, não é verdade que tratamos os pacientes mal, pois eles ficam em colchões, recebem cobertores, travesseiro... têm a hora do banho, o acompanhamento de enfermeiros e eles contam ainda com outras assistências”, defendeu-se o diretor.

Sobre a rebelião, Luiz Carlos admitiu ter havido um tumulto no local, mas prefere definir a ocasião como uma pequena revolta, desencadeada por baderneiros, já expulsos de lá. “Realmente, houve um princípio de tensão, mas nós contivemos a indisciplina, apesar de que alguns usaram até armas brancas, feitas à base de madeira. Pior do que isto, eles queriam atear fogo na Clínica e não poderíamos permitir. Contudo, a situação logo foi normalizada, nós expulsamos dois dos infratores e retomamos a paz aqui dentro”, informou o pastor, que preferiu não acionar a Polícia Militar, embora os internos tenham quebrado vidros e tentaram incendiar o local.

Segundo Luiz Carlos, o enfermeiro Diego não se demitiu, mas foi dispensado no mesmo dia da confusão. “O Diego se envolveu emocionalmente com os pacientes dele e isto foi muito prejudicial para todos nós. Não sei de onde ele ‘pintou’ esta má imagem de nossa clínica, pois isto não corresponde à verdade. Infelizmente, tivemos que mandá-lo embora, pois sua presença aqui era negativa ao tratamento de nossos internos”, disse o administrador.

Também a psicóloga da Palet, Suene Reis, alegou surpresa pelas declarações do enfermeiro e do ex-interno Eliseu. “Eu já fiz várias pesquisas científicas e, sinceramente, não encontrei outra alternativa, pois as crises no estado de abstinência são horríveis”, disse a profissional, que apresentou o interno Rodrigo A. D. S., de 28 anos, que desmentiu o colega de internato, sobre os maus tratos. “Não concordo com nada disto, pois aqui é um clima de plena paz. Infelizmente, é preciso usar a contenção, pois todos nós sabemos que a dependência deixa a pessoa enlouquecida. Estamos aqui dentro por opções erradas tomadas lá fora. Então, devemos agradecer por haverem pessoas interessadas em nos recuperar”, refletiu o rapaz.

O INQUÉRITO

Dadas as versões, a direção da Clínica Palet agora responderá a inquérito policial na delegacia de maus tratos. “A denúncia do enfermeiro Diego será juntada numa instrução já instaurada contra aquela clínica, que há três meses foi acusada por um ex-interno, que falou ao programa Comando Geral, da TV Sul Educativa. Por hora, nada posso dizer a respeito das acusações, pois eu mesmo já estive na clínica e não encontrei nada de errado. Contudo, continuaremos ouvindo as pessoas, com o objetivo de concluir este inquérito”, finalizou o delegado.

A CLÍNICA

A Palet iniciou-se em Guaxupé em setembro de 2010, tendo vindo de São Bernardo do Campo, no Estado de São Paulo, onde encerrou as atividades após três anos de atuação. Atualmente, o local conta com sessenta internos, que são submetidos a tratamentos como a laboterapia (trabalho na lavoura), palestras sobre ética e moral, cultos evangélicos e outras temáticas conduzidas pelo pastor Luiz Carlos e voluntários. Na parte clínica, os pacientes contam com assistências internas nas áreas de psicologia, enfermagem e recebem ainda o apoio de universidades da região. A clínica não conta com recursos dos governos municipal, estadual e federal, mas ganha ajuda da iniciativa privada para auxiliar na alimentação dos internos. Seu caráter particular consta da cobrança de mensalidades, cujos valores se iniciam com um salário mínimo. No entanto, entre os internos há alguns que são tratados gratuitamente, em tom de apoio social."

Crédito: Jogo Sério


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