quinta-feira, 30 de junho de 2011

Autodestrutividade


O texto abaixo foi redigido faz um bom tempo. Não publiquei pois precisava retoca-lo em alguns aspectos, dando maior clareza ao mesmo e tentar sintetiza-lo. Acontece que ando avesso à escrita e resolvi posta-lo sem revisá-lo. Peço antecipadas desculpas. Vamos lá:
Dizem que se não provocarmos as pessoas a pensar elas continuarão agindo como automatos. Esta frase é bem interessante pois é assim que reparo muitas pessoas que passam a caminho do trabalho. Parecem tão mecânicos os movimentos e, até mesmo os sorrisos. Pelo menos, por serem automatos, não sofrem, eis uma vantagem de ser tal qual um robô. Mas vamos ao que escrevi sobre autodestrutividade sob inspiração freudiana:

Freud, em A Mente e seu Funcionamento, trata do aparelho psíquico e passa a denominar a energia total dispinível em EROS, como libido. Essa energia, presente no ego-id ainda indiferenciado "serve para neutralizar as tendências destrutivas que estão simultaneamente presentes. Confessa, Freud, não dispor de palavra análoga à libido para descrever a energia do instinto destrutivo, cujas vicissitudes são mais dificeis que as da libido. Mais tarde tal poder seria denominado Tanatos.

Este instinto destrutivo nada mais é do que o instinto da morte, que é silencioso e só desperta atenção quando se exterioriza. Esse desvio de dentro para fora tem componentes que parecem servir a nossa auto-preservação, também. Parece contraditório. O instinto da morte poderia ser denominado, no nosso entendimento, também, como instinto destrutivo de sobrevivência. No caso, poderiamos dizer que o estado de necessidade faz aflorar o instinto da morte determinando ao necessitado o componente de violência necessário para buscar sua preservação. A dosagem deste componente varia de individuo a individuo e depende das circunstâncias que envolve cada necessitado. O estado de necessidade não ficaria tão somente no campo das necessidades primárias humanas, mas no campo da alma. O desamor, a solidão, a indiferença, desprezo, horror, rejeição, exclusão e tantas coisas mais, afetam a psique individual. Quer objetiva, quer subjetivamente, despertando no ser o instinto de morte, que pode ser o da auto-preservação, como o da auto-destruição. Isso senti várias vezes no processo auto-destrutivo quando exposto a situações de risco de vida, sobrevindo minha auto-preservação instintiva. 

Baixa-auto-estima, falta de amor próprio, descuido e desprezo consigo mesmo são sinais evidentes da existência do instinto destrutivo que existe em cada ser vivo. As razões que levaram alguém a chegar a tal estado, não vem ao caso neste momento.

O despertar do superego despeja considerável quantidade de instinto agresssivo, que se fixa no interior do ego e, é nesta região do aparelho mental que tal instinto se opera de modo autodestrutivo. Não é pensamento meu, mas uma analise de Freud. Para ele "este é um dos perigos para a saúde com que os seres humanos se defrontam em seu caminho para o desenvolvimento cultural". Conter a agressividade, para Freud, é, de modo geral, "nocivo e conduz à doença (à mortificação)." Parece-nos bastante didático o pensamento do pai da psicánalise. Vejamos a razão:

"Uma pessoa num acesso de raiva, com frequência demonstra como a transição da agressividade, que foi impedida, para a autodestrutividade, é ocasionada pelo desvio da agressividade contra si própria: arranca os cabelos ou esmurra a face, embora, evidentemente, tivesse preferido aplicar esse tratamento a outrem.



Isso me faz indagar se minha auto-destrutividade seria uma forma de reprimir minha agressividade contra outras pessoas? Isto é, minha agressividade contra outrem é desviada para meu próprio ser!

É muito interessante ler e entender Freud, através de exemplos. Imagine a agressividade sendo impelida pela autodestrutividade, canalizada contra si mesmo. Deve ser muito doloroso este processo para quem o experimenta. Imagino usuários de drogas, pessoas que se auto-flagelam, relações sado-masoquistas, pessoas deprimidas, pessoas com acessos de raiva e, até mesmo, nas doenças auto-imunes e, por que não avançar e levantar a hipotese do surgimento de determinados tipos de câncer, mas, isto é uma hipotese, nada mais que uma hipotese minha, que deixo no ar para alguém que deseje explorar este terreno, desenvolver um trabalho bem sedimentado. Só por hoje!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ilusionistas e conselheiros aderentes

Não bastasse a relação complicada entre adictos e co-dependentes eis que surge uma terceira categoria de pessoas, que podemos classificar como não consanguíneos, aderentes, palpiteiros(as) e por ai vai. São pessoas que gostam de "cantarolar" a vida alheia, de se manifestarem "abatidas" e com a vida "atrapalhada" e desorganizada por conta do adicto. Colam em conjuges com o intuito de ajudar e acabam entrando na onda histérica e levando um codependente aos extremos da doença. São pessoas nefastas que os co-dependentes precisam reconhecer e evitar tratar determinadas questões, pois, se der trela, vai ajudar a desorganizar a família.
Estas pessoas, que prefiro chamar de aderentes, tornam-se pegajosas no afã de querer ajudar, adoram fazer companhia ao co-dependente. Segue na mesma esteira, como em um balão mágico, vai pra um montão de lugares, conversa com médicos, diagnostica o adicto, enfim, exerce o que regula o adagio popular que diz "de médico e louco todos tem um pouco". O aderente tem o lado feiticeiro, tem formulas de simpatias extravagantes, adora papos transcendentais e misticos, recomenda pai de santo e sessões espíritas, quiromancia, leitura do horoscopo do dia, chás alucinógenos, para expurgar maus fluidos.
Como os co-dependentes são vulneráveis é preciso que estes levem em conta esses personagens que passam à condição de assessores para o agravamento da co-dependência. São terríveis! chegam ao ponto de convencerem médicos sobre patologias, as mais variadas, para um adicto. Acabam convencendo o médico a pré-diagnosticar um paciente. Infelizmente ainda existem médicos que diagnosticam pacientes com base em informações que lhe são previamente passadas, não é mesmo?

Loucuras à parte, caso tenha aderentes na sua cola, veja se evita, como se deve evitar aquelas figuras que possuem formação televisiva e que são fãs de carteirinha de Datena e de outros programas jornalísticos de cunho sensacionalistas. Geralmente são pessoas que assistem trechos do Fantástico, o Show da Vida e, dai, julgam-se possuidores de notável saber cientifico. "Saiu no Fantástico" é verdade!

Se adictos e co-dependentes já sofrem com a falta de leitura, que dizer destas terceiras pessoas que surgem em nossas vidas como se familiares fossem? Paciência !

terça-feira, 28 de junho de 2011

SEPARAÇÃO



Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!

Um pouco da poesia do Blogue dos Poetas


DAS PEDRAS, Cora Coralina







DAS PEDRAS
Cora Coralina


Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.
Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.



Crédito da foto e da citação: @edjoow _ break

Prevenção ao Uso Indevido de Drogas


 Conheça mais sobre a Prevenção ao Uso Indevido de Drogas
     Prevenir é saúde     Existem muitas maneiras do jovem se prevenir do uso de drogas, e é desejável que ele assim o faça. O estágio de desenvolvimento físico e mental do jovem o torna especialmente vulnerável aos efeitos negativos e perigosos que o uso de drogas podem trazer. A melhor maneira de não vir a ser um usuário de qualquer tipo de droga, é não experimentá-la. Manter-se firme no propósito de cuidar da sua saúde e não colocá-la em risco em função da curiosidade.
     Para isso você precisa evitar o contato com a droga. Pesquisas mostram que jovens que usam drogas possuem mais amigos que também usam drogas dos que os jovens que não usam. 
     Isto é óbvio, pouca gente gosta de usar drogas sozinho.
      Atitude     Os que agem assim, muitas vezes estão passando por um processo depressivo, uma fase em que se sentem tristes e angustiados, ou que está com tanta vontade de usar que não quer repartir com ninguém, ou ainda, por que têm medo de que as pessoas saibam que usam drogas ou vergonha do estado em que ficam quando intoxicados. Nesses casos, o uso de drogas pode piorar ainda mais o estado dessa pessoa, levando à depressão e ao isolamento ou à restrição das amizades àquelas pessoas que também usam drogas. Juntamente com uma intensificação da freqüência do uso levando a uma dependência daquela droga que ele tanto gosta de usar.
     Dependência
  A dependência de drogas é um estado terrível. É aquela fase em que a alegria e excitação da curiosidade é substituída pela necessidade e pelo sofrimento pela falta da droga. Sim, por que por mais que a pessoa use, chega uma hora em que ela tem que parar, por que tem que estudar, trabalhar, dormir, sair de casa. E ela aos poucos vai deixando estas outras coisas, que antes eram o centro da vida dela, e vai se afastando da família e vai se isolando.  A vida deste jovem passa a ser conseguir dinheiro para comprar, depois arranjar um lugar para usar e curtir o barato e depois dormir para se recuperar e no dia seguinte começar tudo de novo.   Nestas horas ela está precisando de um tratamento para parar de usar a droga, pois ela perdeu o controle e precisa de ajuda para recuperá-lo.
SE ESSA JÁ NÃO FOSSE UMA RAZÃO SUFICIENTE PARA ALGUÉM EVITAR DROGAS, HÁ OUTRAS AINDA MAIS CONVINCENTES
      Intoxicação
     Grande parte dos problemas relacionados ao uso de drogas são conseqüências do estado de intoxicação. Isto inclui sofrer e provocar acidentes, quedas, afogamentos; ter seu rendimento na escola ou no trabalho diminuído, envolver-se em brigas e na prática de sexo inseguro, forçar ou ser forçado a manter relações sexuais, sofrer uma overdose, suicidar-se e assim vai, uma série enorme de problemas e riscos. Fora os problemas com a família e com a justiça ou com o traficante.

internação compulsória

Contra ou a favor da internação compulsória de viciados?

Essa é uma questão que divide opiniões.
Tudo bem: digamos que o indivíduo (adulto ou criança) fique numa instituição para desintoxicação e reintegração à sociedade (é o que dizem), será que quando ele sair vai estar curado de verdade? Numa sociedade em que o certo é errado e o errado parece ser o certo, será que o indivíduo vai sair melhor de lá? Tenho cá minhas dúvidas.
Não invalido, de forma alguma, as instituições criadas para ajudar às pessoas a deixarem seus vícios, sejam quais forem eles. Elas necessitam mesmo do nosso apoio e do apoio governamental. Muito lindo de se ler.
Mas, quando saem e são crianças? Qual o ambiente que encontrarão em casa com os pais (se os tiverem – casa e pais)?
Se são adultos, será que são encaminhados ao mercado de trabalho? Tem muito viciado com diploma (com louvor) debaixo do braço, mas por milhões de infelicidades desconhecidas deles mesmos, acabam se deixando levar por tudo quanto é bagulho viciante: álcool, sexo, carteado (estamos aqui falando de vícios, não de drogas  especificamente).
Tem muita gente que doa grana para programas de internação e recuperação de viciados que convive com o vício diariamente, sem que ninguém pergunte se ele quer ser ajudado. Às vezes falta se fazer esta pergunta.
Jesus se propôs a curar e a salvar a todos, que o aceitassem de todo o coração e lhe entregassem a vida e bebessem da água da vida que somente Ele dá.
Será que estamos oferecendo este Jesus de verdade ou as mentiras que o mundo aceita mais fácil?
Será que as famílias estão se unindo, pelo sangue de Jesus, buscando no Deus todo poderoso, a cura para todas as suas  mazelas?
Será que não estamos deixando a sociedade corrompida nos corromper cada vez mais, com a famosa e diabólica frase “não tem nada a ver?”.
Será que estamos conversando com nossos filhos, dizendo que os amamos e mostrando que este amor vem de Deus?
Será que quando aceitamos alguém novo no trabalho, sendo reintegrado, só vemos o rótulo de ex-alguma-coisa e não o profissional fulano-de-tal?
Eu sei, eu sei, eu sei, vocês podem dizer que tudo isso é utopia. Utopia é palavra que o diabo usa para a incompetência e para a inércia.
Eu também vou parar e pensar nestas perguntas que faço aqui, afinal, sou humana, falha e blá, blá, blá.
Creio no Deus, Pai Todo Poderoso que Ele há de nos fazer pensar e encontrar na Sua palavra, que é, e tão somente é, a Bíblia, todas as respostas para os nossos dilemas.
Acessem a reportagem mencionada no post clicando aqui.
Beijos no coração de todos.

Contra a internação compulsória


quinta-feira, 06 de maio de 2010

Ministro contra internação forçada

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sinalizou que o plano nacional interministerial de combate ao uso de drogas, solicitado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve se posicionar contra a internação compulsória. Ele esteve ontem no Congresso Nacional para o lançamento da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack.
“A legislação brasileira não permite a internação compulsória, o Ministério Público tem que ser avisado no caso dessas situações. Também não vejo com simpatia uma ideia meio mágica que é retirar da nossa frente o problema e trancá-lo em alguma sala, sem o olhar de frente. É claro que as pessoas em situação de risco – para si ou para outros – têm que ser tratadas, mas essa não é a solução dos problemas”, afirmou.

Segundo o ministro, não há um prazo para que o plano seja lançado, mas deve sair “o mais rápido possível”. O projeto está sendo elaborado por várias pastas, entre elas os ministérios da Saúde, Educação e Justiça. (Agência Brasil)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

FÓRUM GOIANO DE SAÚDE MENTAL MANIFESTA CONTRA CRIAÇÃO DE CREDEQ


NOTA DE REPÚDIO

Os participantes do Seminário “A Rede de Prevenção e Atenção aos Usuários de Alcool e Outras Drogas”, realizado nos dias 01 e 02 de Dezembro de 2010, no Auditório Jaime Câmara da Câmara de Vereadores de Goiânia, promovido pela Prefeitura de Goiânia por meio da Secretaria Municipal de Saúde representada pelos CAPSad Girassol e CASA, reafirmam os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde, da Política Nacional de Saúde Mental - Lei 10216/2001 – e do Plano Nacional de Direitos Humanos e repudiam veementemente a criação do CREDEQ (Centro de Recuperação do Dependente Químico). Dentro de uma visão reducionista e autoritária, vem sendo apresentada ao Estado de Goiás, proposta de criação de um “Centro de Referência Especializado em Dependência Química - CREDEQ” para internação de usuários de álcool e outras drogas. Estes “hospitais especializados” apresentam características de aprisionamento, criminalização, cerceamento à liberdade e aos direitos civis, excluindo as pessoas do convívio familiar e comunitário.  Mais de 450 pessoas, usuários do SUS, defensores dos direitos humanos e trabalhadores da saúde, educação, cultura, justiça, assistência social, entre outros, vindos de Goiânia, Trindade, Aparecida de Goiânia, Silvânia, Caldas Novas, Anápolis e Brasília participam da manifestação por entenderem que os documentos citados expressam a materialidade de uma luta histórica da sociedade no sentido de garantir à pessoa com transtorno mental e usuários de álcool e outras drogas o exercício de sua cidadania e o direito de ser tratada com humanidade e respeito, ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração, receber cuidados em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis e em liberdade. Em suma, o CREDEQ representa um retrocesso e retomada do modelo manicomial em Goiás. Assim, exigimos que o Estado faça investimentos orientados pelos princípios do modelo psicossocial conforme diretrizes do Ministério da Saúde.

Goiânia, 02 de Dezembro de 2010


Rita Lee - Minha vida

domingo, 26 de junho de 2011

Meditação do Dia





DOMINGO, 26 DE JUNHO DE 2011

Entregar a vontade própria



"Serão menos os medos, e a fé começará a aumentar, à medida que aprendemos o verdadeiro significado da entrega. Já não estamos mais a lutar contra o medo, a raiva, os sentimentos de culpa, a auto piedade ou a depressão." Texto Básico, p. 31

A rendição é o começo de um novo modo de vida. Quando éramos motivados principalmente pela vontade própria, estávamos sempre a ver se tínhamos coberto todas as hipóteses, se tínhamos manipulado determinadas pessoas da forma certa para alcançarmos os nossos fins, se nos tinha faltado algum pormenor importante nos nossos esforços para controlar o mundo. Sentíamos medo, receando que os nossos esquemas falhassem; sentíamos raiva ou autopiedade quando eles falhavam; ou sentíamos culpa quando eles resultavam. Era difícil viver em vontade própria, mas não sabíamos viver de outro modo. A verdade é que a rendição não é sempre fácil. Pelo contrário, a rendição pode ser difícil, especialmente no início. Mesmo assim, é mais fácil confiar em Deus, um Poder capaz de gerir as nossas vidas, do que confiarmos unicamente em nós próprios, com as nossas vidas desgovemadas. E quanto mais entregarmos, mais fáceis as coisas se tornarão. Quando entregamos a nossa vontade e as nossas vidas aos cuidados do nosso Poder Superior, basta-nos cumprir a nossa parte, o mais responsável e conscientemente possível. Podemos então deixar os resultados ao nosso Poder Superior. Ao rendermo-nos, actuando na fé, e vivendo as nossas vidas de acordo com os simples princípios espirituais deste programa, podemos deixar de nos preocupar e começar a viver.

Só por hoje: Vou entregar a minha vontade própria. Vou procurar conhecer a vontade de Deus para mim e as forças para realizá-la. Vou deixar os resultados ao cuidado do meu Poder Superior.

sábado, 25 de junho de 2011

Caio Fernando Abreu, Caio 3D anos 80

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez' "

Miguel Torga


Pareço uma dessas árvores que se transplantam, que têm má saúde no país novo, mas que morrem se voltam à terra natal.
Miguel Torga, Diário I,
5 de março de 1934

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Compreensão





Posted by Picasa

André Luis Lenz, compartilha de experiência


OS PRINCÍPIOS ESPIRITUAIS DE NARCÓTICOS ANÔNIMOS

"Há uma coisa que, mais do que qualquer outra coisa, pode derrotar a nossa recuperação: uma  de indiferença ou intolerância em relação à princípios espirituais."

Nossa recuperação depende do despertar e do crescimento da nossa espiritualidade, e as nossas vidas dependem de nossa relação com o que acreditamos ser nossa fonte. Os princípios espirituais expressam algumas de nossas idéias mais básicas sobre a espiritualidade em Narcóticos Anônimos. Eles são o alicerce sobre o qual os nossos passos, tradições e conceitos de serviço são construídos. Eles tornam possível a nossa rendição individual e coletiva e nossa dependência de um Deus amoroso da nossa própria compreensão. Eles são as chaves para a nossa liberdade.

1. Não existem “bons dias” e “maus dias”, há apenas dias. Em Narcóticos Anônimos vivemos "Só por Hoje"; nós reconhecemos, e deixamos, nosso passado doloroso e nossa confiança no futuro, aos cuidados de um Deus amoroso. Em recuperação, os absolutos perdem o seu significado; nós cremos que tudo na vida é uma combinação de bem e de mau, de positivo e de negativo. 

Começamos a olhar para os acontecimentos e situações em nossas vidas como oportunidades ou como dons de Deus, cada coisa tem seu valor e nos provê uma oportunidade, para aprender e para crescer.

Acreditamos que cada dia nos é dado um indulto de nossa adicção ativa, e que é somente nossas atitudes e ações que limitam a nossa recuperação.

Fechamento de clínicas

Após denúncia de tortura, CNJ pede fechamento de clínicas em SC


Em fiscalização, Conselho ouviu queixas de agressões, humilhações e maus tratos em duas unidades de internação de jovens
iG São Paulo | 19/11/2010 A decisão partiu após inspeção nessas duas unidades, realizadas no mês de agosto, quando a equipe do Programa Medida Justa, do CNJ, ouviu queixas de agressões, tortura, humilhação e outros tipos de maus tratos. Segundo os internos, os monitores fazem dos castigos físicos uma rotina, com o uso de armas de fogo e algemas de pulso e de tornozelos.


O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai recomendar ao governador do Estado de Santa Catarina, Leonel Pavan, o fechamento das unidades de internação de jovens Pliat, em Florianópolis, e a São Lucas, no município de São José, região metropolitana da capital catarinense.


O Programa Medida Justa realiza inspeções em unidades de internação de todo o país para traçar um diagnóstico da situação dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas. Com base nos problemas detectados, o CNJ cobra das autoridades estaduais melhorias na atenção aos internos, como é o caso de Santa Catarina, onde foram inspecionadas 20 unidades em 16 municípios.


De acordo com o relatório gerado a partir da inspeção, grande parte das unidades possui arquitetura prisional, sem condições de propiciar aos adolescentes atividades lúdicas, esportivas, de lazer e profissionalizantes. “O que se pode perceber é que os gestores do sistema não estão preocupados com o cumprimento da lei e o respeito à dignidade dos adolescentes internados”, informa o relatório.


A fiscalização do Judiciário local junto ao sistema de internação também mereceu críticas. Por isso, o CNJ recomendará ao presidente do Tribunal de Justiça e ao corregedor uma melhor capacitação e atualização dos magistrados e servidores das varas da Infância e da Juventude.

A cultura do terror




A extorsão, o insulto, a ameaça o cascudo, a bofetada, a surra,o açoite,o quarto escuro,a ducha gelada, o jejum obrigatório,a comida obrigatória,a proibição de sair,a proibição de se dizer o que se pensa, a proibição de fazer o que se sente,e a humilhação públicasão alguns dos métodos de penitência e tortura tradicionais na vida da família. Para castigo à desobediência e exemplo de liberdade, a tradição familiar perpetua uma cultura do terror que humilha a mulher, ensina os filhos a mentir e contagia tudo com a peste do medo. 

— Os direitos humanos deveriam começar em casa — comenta comigo, no Chile, Andrés Domínguez.

Eduardo Galeano
Crédito: Era uma Vez

quarta-feira, 22 de junho de 2011

LIBERDADE

Ainda tinhamos mais algumas cartas a publicar quando resolvemos anunciar que o denunciante, autor das cartas, já se encontra fora da malfadada clínica. Regressou a sua cidade libertado por seu pai. Seus filhos, contrariados, não deram mais noticias. O que investiu dinheiro, ao invés de recuperar o dinheiro aplicado das mãos do dono da clínica, pois motivos para tanto não falta, achou de investir contra o próprio pai que ao mesmo deu uma procuração para que o mesmo obtivesse cerca de 5 vezes mais o que investiu. A mulher do mesmo não foi visita-lo preferindo passar o São João fora, em uma cidade do interior, junto com a família e perto da mãe que acha-se adoentada. O recuperando acha-se deprimido, acamado mas reage bem e está disposto a levar seu tratamento adiante, independentemente do abandono dos seus familiares. Conta com o apoio dos irmãos, sobrinhos e, o que é mais importante, dos seus pais. Deixou de fumar, sente fissura em relação ao cigarro e o que ainda não absorveu bem foi o tratamento dispensado pela esposa e filhos. Assim, sendo, julgamos por bem por fim a publicação das cartas. Apenas recomendamos a quem tem parentes internados que vigiem o tratamento que estão dispensando aos mesmos.
VITÓRIA !

CONTINUAÇÃO DE CARTA DE UM ADICTO DENUNCIANDO CLÍNICA

(...)
Minha saúde reclama cuidados e tratamento urgente. Isto, querida esposa, queridos filhos, vocês não levaram em conta, nem eu, em minha euforia para me internar com tamanha boa fé, acreditando em todos vocês e julgando que me amam e só me querem bem. O frio - a estação invernosa que se aproxima, me apavora. O outono está se finando e, com ele, neste lugar, temo o que será o inverno. Este município, em que esta clínica de araque se encontra, parece ser mais frio que a cidade de São Paulo. Fica perto de São Roque onde existe uma estação artificial para quem deseja esquiar... Minha dentição reclama tratamento. Tenho plano odontológico e vocês não precisam gastar um centavo comigo. Basta que estejam jogando dinheiro fora nesta clínica que merece ser fiscalizada, com pente fino, pelos poderes públicos competentes. Minha adaptação vai de mal a pior. A pressão arterial subiu, outro dia tive uma infecção dentaria e, após uma sessão de tosse escarrei sangue. Isso me preocupou, até porque aqui - quando faltam copos plásticos - colocam um copo para toda a coletividade e quando este falta, internos recorrem aos copos postos no cesto de lixo. Horrivel, não é mesmo. É a realidade daqui, da má administração. Outro dia cortaram a SKY por falta de pagamento. Não há algo de estranho nessa clínica?
Mas falemos de saúde: se algo de mal me ocorre como serei socorrido se na casa inexiste profissionais de saúde habilitados. Soube, por internos, que o dono prescreve medicamento para internos como pratico em medicina. Isto, em centros civilizados é reconhecido como exercício ilegal da medicina. Pior é que os medicamentos são colocados em copinhos por um interno, que era usuario de crack e, tais medicamentos são conduzidos até a sala, onde será ministrado em clima de balburdia, por um GAP, interno e que usava crack. Eles usam uma colherinha para fazer o coquetel de remédios e a colherinha é a mesma para todos os copinhos. Imagine a beleza com que são ministrados os medicamentos. Enquanto isso, no recinto, há briga para saber que deixou no ar o mau cheiro de uma "bufa" não identificada. O monitor diz que aplicará castigo caso descubra donde saiu a bufa. Rídiculo este estabelecimento. 
De tudo o que mais me impressiona é a prepotência do dono (cujo nome omito sistemáticamente) que adquiriu poderes sobrehumanos junto às famílias dos internos e como consegue manobralas com seu papo digno do melhor charlatão. Sujeito maquiavélico que não oculta isto dos internos. Preocupa-me o fato dele poder, arbitrariamente, me deixar em regime de incomunicabilidade com meus familiares alegando que tal medida faz parte do tratamento que ele aplica. O sujeito é um louco que diz que para sair da clínica dele tem que ser superior a ele 4 vezes mais. Converso com poucos colegas e todos são concordes em dizer que o cara é louco. Todos já sofreram nas mãos dele. Tem um baiano, lá jogado porque fumava maconha, que ele chama de "gazelinha" em franco desrespeito ao mesmo, que, de certo modo, é alienado. Recolho-me, face o frio, logo após tomar o medicamento. Tem uma TV no quartinho de passagem e vejo o jornal nacional. Fixo-me no quadro que informa sobre o tempo. 
Muito tenho a lhes revelar, filhos, mas nesta carta mal redigida, feita clandestinamente, mal redigida, não me permite contar tudo. Aqui inexiste critério de justiça e o que funciona, já disse, é a lei do talião. São muitas as tentativas de fuga deste inferno e ninguém consegue êxito. Recapturados são punidos com torturas físicas dentro do chamado quartinho do pânico.O dono obriga todos a dizerem que são bem tratados. Se nos telefonemas alguém pede ajuda, logo tem a ligação cortada e sofre sanções. Bem, filhos, iniciei esta cara falando da história que meus pais me contavam quando garoto do menino que brincava de mentir e finalizo do modo como iniciei a mesma. Sou um ex-usuário de drogas que, mediante carta, como se estivesse diante de vocês, postado de joelhos e implorando socorro, pedindo socorro qual o garoto que morreu afogado face a descrença. Estou em apuros aqui dentro face minha natureza e procuro a todo custo ser disciplinado e tenho engolido sapos. Caso seja real o desejo de vocês buscarem me tratar de modo correto, este não é o lugar. Estou disposto em continuar em recuperação, largando inclusive o cigarro, caso ponha meus pés fora desta clínica que merecia estar fechada. Imploro a vocês minha saída daqui; peço-lhes perdão e espero que me libertem deste lugar demoniaco com a mesma confiança que lhes creditei ao entregar meu destino a vocês. Espero apenas a reciprocidade e que não me deixem afogar em meu pedido de socorro.
Do pai e esposo que muito lhe quer,

Nova Carta denúncia sobre clínica de internação em São Paulo, interior

São Paulo...

A minha esposa E. e aos filhos L, C. e P.:

Meu pai e minha mãe contavam, durante minha infância, a história de um garoto que gostava de brincar de mentir, sempre que ia à praia com a família. Brincava de pedir socorro simulando estar sendo afogado. De tanto brincar de mentir, lá um dia solicitou por muito tempo socorro e ninguém mais o socorreu julgando que o mesmo mentia. Quanta ironia o destino nos prega, pondo-me, diante de vocês, como um mentiroso em apuros.

Antes que o descaso e insensibilidade se revelem, reclamo seriedade e honestidade quanto a leitura do que escrevo. Adianto-lhes que não pretendo lhes decepcionar fugindo de me cuidar e escrevo estas linhas para lhes revelar meus temores e alfição que não saem de mim.

Não sei se vocês sabem, mas eu e E. temos um plano de saúde com cobertura nacional, portanto posso internar-me em qualquer clínica que aceite meu plano. Porquê lhes digo isto? Talvez não saibam que me internaram em um modelo de clínica errado. Não vim para esta clínica, trazido por vocês, à força, mas de modo voluntário, acreditando no que me diziam e julgo que foram honestos comigo, do contrario o que imaginar de vocês caso não tenham sido honestos comigo? prefiro supor que foram, pois não mereço de vocês nada que não seja condizente com a boa educação que receberam, inclusive para respeitar os direitos fundamentais do ser humano. Pois vocês me colocaram em uma clínica fechada e sinto-me preso, pois a mesma lembra o sistema prisional. Somos tratado como prisioneiros e temos GAP´s (internos, em tratamento, cooptados pelo dono) que se comportam como carcereiros. Rídiculo, mas eles personificam tal entidade. Vivo por mais de 20 horas por dia confinado em uma casa superlotada de homens e apenas duas mulheres. Há um avarandado por onde ficamos em momentos de "folga" para fumar, enquanto outros residentes jogam cartas apostando cigarro, numa medida pouco condizente para quem se propõe recuperar seres humanos do vício. Mas o jogo vicia e é permitido.
Não há terapia salvo a leitura dos 12 passos por um terapeuta competente, mas sem recursos pedagógicos, obedecendo a filosofia da casa de não gastar e de não investir, em resumo, em não gastar dinheiro com nada, nem mesmo com contratação de funcionários.
A ausência de liberdade  me causa mal estar. Logo que cheguei, dois senhores se aproximaram e puxaram conversa e não custou para me orientarem a "não discordar de nada" que o dono dissesse em umas reuniões que costumava fazer sempre que algo o incomodava. Certa dia, após receber telefonema dos filhos, em que disse ter urgência em falar com eles, tive o segundo telefonema interrompido, antes porém, o dono queria que eu contasse a ele o que eu queria falar, isto de forma ríspida e pouco civilizada, com um rosto assemelhado ao de um ratinho faminto. Pois não satisfeito disse que não permitiria o acesso de meus filhos à clínica dele em evidente sinal de abuso de autoridade e manifesta prepotência. Aqui pacientes que chegam agitado são sossegados com um "mata-leão" que os deixam desmaiados. Já vi o monitor, sem motivo que justificasse, estrangulando, com raiva, um paciente de 47 anos, descendente de espanhois. Justificou o ato alegando que o paciente tinha lhe apontado o dedo contra o rosto dele. Aqui é assim: metodologia da violência. Em uma reunião o dono praticou uma sessão de auto-afirmação sexual dele, perante a mulher, enquanto, com palavrões proferidos contra um excepcional (G.) praticava a homofobia. O pior é que, o mesmo, mercê de tudo quanto disse e fez, tem um jeitinho delicado, perto do ser feminino. Mas foi uma sessão homofoba violenta contra um garoto indefeso que acabou esbofeteado. Nessas reuniões a falta de ética impera. Nomes de famílias e de ex-pacientes são citados em flagrante desrespeito com tais ausentes. Agride os presentes e desmoraliza seus recuperandos. Já fui vitima de uma dessas reuniões por ter reclamado da comida, que era feita pelos internos, pois aqui não se contrata funcionários, o regime é de usar a mão de obra gratuita dos internos, como mão de obra escrava.
Escrevo às escondidas e faço isso com dificuldade. Depois escrevo sobre a rotina diária, no que consiste a terapia e falarei sobre o tempo de internação. Não dou esta carta por acabada, continuarei a mesma pois o que almejo é mostrar a vocês o erro que cometeram. Isso não trata de ninguém, apenas acode o bolso do dono.

Clínicas, Adicção e recuperação,, Valor Terapêutico

Compreendemos que os adictos de modo quase universal são acusados de manipuladores, mas, em se tratando de eventos que adquirem notável consistência e compreendendo que muitas clínicas não passam de empresas com fins lucrativos e, não obstante isto, muitas são clandestinas e outras tantas são desprovidas de eficácia, decidimos dar crédito a quem  precisa.  Acresço que em matéria de adicção o verbo manipular é conjugado por todos, sempre no modo do presente do indicativo, embora pouca gente perceba quem manipula quem. Salientamos ainda que, clínicas ajudam na desintoxicação e na aquisição de conhecimentos de valor terapêutico, mas não são determinantes para o bom sucesso de uma recuperação.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Sobre Clínicas de Recuperação

UTI espiritual
O fechamento, na semana passada, da instituição Abrigando, Recuperando e Convertendo Almas (Arca), na Fazenda São Domingos, na Região Noroeste de Goiânia, chamou a atenção para os métodos adotados pela instituição para a terapia dos dependentes químicos. Ela foi fechada pela Vigilância Sanitária Municipal e pela Delegacia do Consumidor (Decon), atendendo pedido de investigação do Ministério Público (MP) estadual.

No local, policiais e fiscais encontraram dependentes químicos e pacientes psiquiátricos juntos, submetidos a "tratamento espiritual", sem orientação médica. Pacientes relataram que eram mantidos acorrentados em uma cela conhecida como "corró", mas que, segundo os responsáveis pela instituição, indiciados pela polícia por vários crimes, era a "unidade de terapia intensiva (UTI) espiritual". O delegado Edemundo Dias de Oliveira Filho investiga notícias de outras "UTIs espirituais".

Fonte: O Popular

Recuperação e recaída

Muita gente pensa que a recuperação é apenas uma questão de não usar drogas. Consideram a recaída um sinal de fracasso completo e os longos períodos de abstinência um sucesso total. Nós do programa de recuperação de Narcóticos Anônimos achamos essa idéia demasiado simplista. 
Depois de um membro ter tido algum envolvimento com nossa Irmandade, uma recaída pode ser uma experiência impressionante e provocar uma aplicação mais rigorosa do programa. Da mesma forma observamos alguns membros que se mantêm abstinentes durante longos períodos, mas cuja desonestidade e auto‐engano os impedem de desfrutar completamente a recuperação e a aceitação na sociedade. A melhor base para o crescimento, no entanto, ainda é a completa e contínua abstinência, o trabalho conjunto e a identificação com outros adictos nas reuniões de NA.
Embora todos os adictos sejam basicamente do mesmo tipo, o grau da doença e o ritmo da recuperação diferem de indivíduo para indivíduo. Às vezes uma recaída pode estabelecer a base para uma completa liberdade. Outras vezes só é possível alcançar essa liberdade através de uma vontade inflexível e obstinada de ficar limpo, aconteça o que acontecer, até passar a crise. Um adicto que por qualquer meio consegue superar pelo menos por um tempo a necessidade ou o desejo de usar drogas, tem livre escolha sobre seus pensamentos impulsivos e ações compulsivas.

Quantas Clínicas procedem de modo ilegal?

A  RDC  ANV I  S A   1 0 1 /  0 1   r e f  o r  ç  a   o s   d i r e i t  o s   h uma n o s   e   g a r  a n t  i a s  
estabelecidas pela Constituição Federal de 1988, promovendo a cidadania das pessoas que buscam tratamento. 

Algumas das garantias fundamentais dos pacientes e de seus familiares são: Não se deve impor crenças religiosas ou ideológicas ao paciente. A permanência de qualquer pessoa deve ser voluntária. Deve ser possível interromper o tratamento a qualquer  momento, a não ser que haja intoxicação ou que o paciente coloque sua vida – ou a de terceiros – em risco. Tem que haver compromisso com o sigilo, seguindo-se normas éticas e legais, e garantia do anonimato. Qualquer divulgação de informação a respeito da pessoa, 
Imagem ou outra forma de exposição só poderá ocorrer com Autorização prévia, por escrito, da mesma e/ou familiares. Deve-se manter o respeito á pessoa, á família e á coletividade. É preciso observar o direito do usuário à cidadania. Todas as informações e orientações, sobre direitos e deveres do usuário e de seus familiares ou responsáveis, devem ser  fornecidas antecipadamente e por escrito. Os regulamentos e normas da instituição devem ser informações previamente ao paciente, que declarará sua concordância por escrito na admissão. 40 É preciso garantir cuidados com o bem-estar físico e psíquico do  paciente, proporcionando um ambiente livre de álcool, outras  drogas e violência. Além disso, é preciso lembrar que: 
Está resguardado o direito de o serviço estabelecer atividades  relativas à espiritualidade. A alimentação deve ser nutritiva e o paciente deverá receber  cuidados de higiene e alojamentos adequadosSão proibidos os castigos, físicos, psiquiátricos ou morais, devendo-se respeitar a dignidade e a integridade do paciente, independente de etnia, credo religioso, ideologias, nacionalidade, preferência sexual, antecedentes criminais ou situação financeira. Deve-se garantir o acompanhamento de recomendações médicas e/ou utilização de medicamentos. É preciso haver registro, no mínimo três vezes por semana, dos cuidados dispensados às pessoas em tratamento. É de responsabilidade da instituição o encaminhamento do paciente à rede de saúde, no caso de surgirem doenças decorrentes ou associadas ao uso ou privação de álcool e  outras drogas ou quando surgirem outros agravos à saúde. A aceitação da pessoa encaminhada por meio de mandado judicial pressupõe a aceitação das normas e do programa  terapêutico dos serviços por parte do paciente. A instituição deve acompanhar cada caso tratado, pelo período mínimo de um ano após a alta. 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Querida irmã, mais um trecho de carta de um interno denunciando mazelas dentro de uma clínica


Minha irmã,
Fiquei feliz ao ser notificado que você desejava falar comigo por telefone. Sabia, de antemão, que pouco poderia lhe transmitir quanto minha aflição. Mesmo assim fui com a intenção de lhe sinalizar o meu desconforto e mal estar, pra não dizer do desespero que já me afligia. 
Fui conduzido ao escritório da clínica, que fica em área aberta. Lá chegando, uma nova pessoa estava substituindo um ex-usuário de crack, ainda entusiasmado pelas suas recordações da ativa.

Só por hoje, Meditação para iniciantes


Só por hoje

20 de junho de 2011

Meditação para iniciantes

"Para alguns, a oração é pedir a ajuda de Deus; meditação é escutar a resposta de Deus ... Acalmar a mente através da meditação traz uma paz interior que nos coloca em contato com o Deus dentro de nós."

Os 12 passos - AA

Os Doze Passos


Primeiro Passo
1. ADMITIMOS QUE ÉRAMOS IMPOTENTES PERANTE O ÁLCOOL - QUE TÍNHAMOS PERDIDO O DOMÍNIO SOBRE NOSSAS VIDAS.

Quem se dispõe a admitir a derrota completa? Quase ninguém, é claro.

Todos os instintos naturais gritam contra a idéia da impotência pessoal. É verdadeiramente terrível admitir que, com o copo na mão, temos convertido nossas mentes numa tal obsessão pelo beber destrutivo, que somente um ato da Providência pode removê-la.

Nenhuma outra forma de falência é igual a esta. O álcool, transformado em voraz credor, nos esvazia de toda auto-suficiência e toda vontade de resistir às suas exigências. Uma vez que aceitamos este fato, nu e cru, nossa falência como seres humanos está completa.

Porém, ao ingressar em A.A., logo encaramos essa humilhação absoluta de uma maneira bem diferente. Percebemos que somente através da derrota total é que somos capazes de dar os primeiros passos em direção à libertação e ao poder. Nossa admissão de impotência pessoal acaba por tornar-se o leito de rocha firme sobre o qual poderão ser construídas vidas felizes e significativas.

Sabemos que pouca coisa de bom advirá a qualquer alcoólico que se torne membro de A.A. sem aceitar sua devastadora debilidade e todas as suas conseqüências. Até que se humilhe desta forma, sua sobriedade - se a tiver - será precária.

Amando um Dependente Químico



domingo, 19 de junho de 2011

Internação - Carta de um interno aos filhos


Interior de São Paulo...

Queridos filhos,

Antes de tudo deixo claro que não fujo, nem me furto em continuar me tratando. Sinto-me recuperado e estou certo de que o amor que vocês têm por mim é um fator a mais que me proporciona melhoras, em meu estado de saúde. O amor ,quando verdadeiro, é um santo remédio.

Quando estive internado em VS, em 05/01/2010, onde permaneci por 45 dias. Sai e fiquei limpo por quase um ano. Fui tratado da maneira mais civilizada possível, sem qualquer ato de violência física, ou psicológica. O tratamento lá obedece ao modelo do Minnesota (EUA) e até existe um filme, 28 dias, estrelado por Sandra Bullock, que retrata tal modelo. Refiro-me a VS para que se recordem que em momento algum pedi para sair de lá, tentei fugir, ou manifestei qualquer tipo de insatisfação. Esta internação foi voluntária. Infelizmente recaí... Com tal recaída vocês acabaram descobrindo, em São Paulo, uma clínica que para vocês era seria fantástica. 

Como minha boa fé e a minha confiança em vocês é irrestrita, logo que L. veio me falar em me internar, topei de imediato, sem qui-pro-có algum. Confiança ilimitada. Pegamos o avião e tomamos o rumo de Guarulhos e, após tomarmos o avião da AVIANCA, horrível, mas o único que atenderia a urgência que me foi sugerida... Chegamos em Guarulhos por volta das 17 horas e, logo em seguida, L. e E. quiseram me "empacotar" e "despachar" direto para a clínica, que fica no interior de São Paulo, em uma região muito fria. 

Estávamos no final do outono e sou super friorento. Pedi que ao menos me deixassem ver o filho C., que reside em São Paulo, no que fui atendido, apesar da relutância. Confraternizamos juntos e eu era só sorriso. Estava feliz, imaginando estar indo para uma clínica de verdade. Nos perdemos na Raposo Tavares e eu ria muito e me divertia bastante. Estava feliz com vocês e sua mãe. 

Manhã seguinte, em viagem alegre e descontraída, fomos juntos para a clínica que imaginei ser um sonho, face ao que me disseram. Olhe que eu acreditei até o momento em que me vi dentro de uma gaiola, preso e detrás de grades. Senti o sabor amargo do que considerei uma regressão aos tempos medievais e, ainda assim, cria que aquilo nada significaria e o que me foi prometido, logo se concretizaria. Fui de modo voluntário  movido pela boa fé, mas qual nada, as coisas foram se revelando o contrario de tudo quanto me foi dito ou prometido. 

Será que vocês tinham conhecimento de que estavam me "depositando" dentro de uma clínica prisional, fechada, com a liberdade restrita e submetido a um regime louco, onde bíblia e pornografia se combinavam, em um pseudo-tratamento, que mais caracteriza a loucura do proprietário, deste lugar ordinário em que me enfiaram.

Logo notei que todos eram tratados como prisioneiros e o modo em que, os "vigias" (GAP´s), falavam, como, por exemplo: - "onde está a chave da carceragem?", não me deixava dúvida de que estava enjaulado, no inferno, sem ter lido uma tabuleta com os dizeres de Dante Aligheri: "Ó vós que entrais, perdei toda esperança". 

No terceiro dia, um interno tentou fugir, foi capturado, apanhou e foi levado a um quartinho, onde foi amarrado e imobilizado. Este interno já estava acostumado com maus tratos, mas aquela violência e a naturalidade de tal pratica violenta, me preocupou, afinal estou acima dos 50 anos, fragilizado e morrendo de frio e sem estar adaptado ao regime insano da casa. 

Os GAP´s não passam de INTERNOS, em tratamento, desviados de uma terapia inexistente, para servirem a casa, como agentes repressores e o fazem de graça, como escravos, pois trabalham de graça; há quem diga que no final de tudo, teriam um pró-labore. Será? Estes GAP´s, todos ex-usuários de drogas, especialmente, crack, abusam dos companheiros e pegam roupas para troca, tirando vantagem dos indefesos. São subornáveis e, de tal sorte, podem até facilitar o acesso de drogas na clínica. Houve um suborno de um interno para poder ficar 10 minutos em um quarto com uma garota. 

Ai se iniciava meu pesadelo e decidi lhe escrever, escondido, esta cartinha, tentando lhe revelar o erro que cometeram me trazendo para uma clínica, sem pé nem cabeça e que considero muito louca. Vocês me puseram em local errado. Não creio que me enganaram, creio que fomos todos enganados. Não sou marginal para viver confinado. Vivo com minha movimentação restrita ao interior de uma casa, de fachada exterior bonita, mas, cujo interior, deixa a desejar. Em momentos de "folga" chego até um avarandado em redor da casa, para espichar as pernas, mas é impossível efetuar uma caminhada. 

Durmo na parte baixa de um beliche, que denominei "balança mas não cai" e o "meu" quarto é chamado de "passagem", sem privacidade alguma e por onde todos os internos circulam. Dá pra entender um quarto destes?

O frio e o vento gélido, associados, me deixam em apuros. Não tenho roupas adequadas e o frio dói no osso. Sou um baiano que adora o clima baiano e agora estou só e impotente, dentro de uma clínica que considero demoníaca. 

O outono, ainda não é inverno, tem sido torturante e tudo se agrava com as frentes frias sucessivas. Uso todas as minhas camisas, uma por cima da outra, quatro meias e uma calça de tergal e gemo de frio, a mão parece ter saído de um congelador e dói... Terrível este fim de mundo para onde me trouxeram, como se eu estivesse vindo pra um pedaço do paraíso. Será que sabiam disso e me enganaram? custo acreditar!

Perdoem minha caligrafia, escrevo com pressa. Aqui vivo em um regime totalitário, medieval, onde prevalece a lei do talião (lembrar o tapa na cara dado em Gilbert, um excepcional). 

Bem, tentarei resumir o que se passa aqui: tortura física e moral...reuniões onde o dono agride, com palavrões, os internos recuperandos, que pagam para serem tratados condignamente, creio. Não sei o que consta no contrato que L.L.N. assinou com a clínica.

Aqui ocorrem reuniões para que o proprietário agrida pacientes, com tapas, puxões de cabelo, ofensas morais, além de expor pacientes a execração de todos, proferindo impróperios e isto, não tem quem me convença, não faz parte de qualquer terapia. 

Será que as famílias sabem o que este louco faz com seus familiares, humilhando-os e destratando-os, além de submeter alguns a torturas físicas e psiquicas?

Há, na parte avarandada, um garrafão de água mineral, nunca lavado, que os internos enchem com água de torneira e colocam sobre o bebedouro. A casa coloca poucos copos plásticos, de modo que logo acabam e, no lugar destes, é posto um único copo plástico para todos da casa. Muitas vezes, na falta de copos, os internos pegam copos usados no lixo, infelizmente tive que me incluir neste rol. 

Ninguém faz exames, inexiste enfermeira e médico. Em 30 dias apareceu um médico psiquiatra que me prescreveu, em rápida consulta, vitamina do complexo B. Por aqui aparece uma psicóloga que se limita a ouvir e pelo que ouve, caso fosse reclamar do dono, perderia o dinheirinho que deve receber para executar seus serviços. 

Como ninguém faz exames, ninguém sabe se é, ou não, portador de doenças infecto-contagiosas. A comida era feita por internos, não havia cozinheira e fiz uma reclamação que me custou uma sessão pública de humilhação. Os horários da casa são loucos, como o proprietário da mesma. Acordamos às 7 e só tomamos o nescau matinal, agora morno, às 9 horas. O pão é da pior qualidade. No ínicio o nescau era servido frio. O horário de almoço nunca é exato. 

No escritório há apenas um contratado: um ex usuário de crack que vive eletrizado e que faz apologia a cocaína e ao crack, sempre lembrando seu tempo de ativa. Era o único funcionário do escritório. Na casa existem outros três. O cunhado do dono, um monitor da casa e um terapeuta. 

Houve uma briga (com socos) entre o monitor e o terapeuta, sendo demitido o monitor. O resto é mão de obra gratuita. Como denominar o trabalho habitual gratuito? 

A casa é regida pelos adictos que tomam conta dos adictos, isto é, internos cuidando de internos enjaulados. Nossos familiares pagam para trabalharmos na casa do dono da clínica, todos os dias. O mesmo não dispões de funcionários para qualquer tipo de serviço. Apenas verifico um sujeito estranho que, vez em quando, aparece e joga cloro na piscina, que é mal limpa e quase ninguém usa devido ao tempo gélido. 

Imagine o lucro que o dono tem em não contratar ninguém, usando os serviçõs dos internos, como laborterapia? encargos sociais, necas ! 

A administração de remédios é muito louca e há casos de internos que além do seu medicamento, tomam o medicamento de outro interno, como ocorreu com Iraild... Certa feita me obrigaram a tomar um medicamento diferente...

Os telefonemas recebidos podem ser arbitrariamente cortados e ninguém pode contar, ou falar nada, que deponha mal contra a pseudo clínica. Não pude concluir minha conversa com L. Do mesmo modo não pude terminar outras ligações tendo sido punido após uma destas ligações.

Quanto ao quarto que durmo, na verdade, é mais uma passagem de internos e dos vigias GAP´s, todos adictos. 

Aqui nada é como anunciado pela Internet. Peço-lhes que me tirem daqui, deste inferno, e podem me levar para outra clínica de verdade, onde inexistam algozes e a cultura não seja a da violência. É um pedido de socorro, de pai e esposo. Nunca pedi socorro a vocês na vida como peço agora. Por favor me atendam.
Beijos do pai e esposo,
L.

A carta não foi lida, a esposa não apareceu na visita e os filhos foram na conversa fiada do dono da espelunca luxuosa. Não fosse a presença amadurecida do pai da vítima, o remetente da carta estaria sendo submetido a toda sorte de maus tratos e não estaria sendo objeto de recuperação alguma. São cerca de 50 internos submetidos a tratamento desumano. Até quando familiares vão ignorar familiares adictos, jogando-os em clínicas desta natureza? Este lugar infernal acabou sendo denunciado pelo autor desta carta, ao Ministério Público, OAB, ANVISA... Depois de severa investigação, a casa dos horrores foi fechada. Os filhos e esposa compactuavam com o dono do lugar, acreditando no que o mesmo dizia. Contudo, na saída do queixoso, houve um conluiu dos filhos com o "pastor", para manterem o pai preso, mesmo cientes de tudo o que lhe foi relatado, em um tete a tete com o pastor. Deus é justo e verdadeiro e a verdade foi restabelecida por ação da justiça. 

CRIME EM FAMÍLIA, Clínicas do terror - Internações, pense duas vezes antes de internar!

Depois da publicação do tópico referente aos cuidados que as pessoas devem ter antes de internar seu familiar em uma clínica, notadamente aquelas que atendem a tratamentos involuntários, recebemos alguns e-mails que robustecem nossa orientação. Algumas pessoas descrevem que foram internadas involuntariamente, sem laudo médico, sem serem interditadas, sem o aval do Ministério Público e, ao mesmo tempo recebemos informações de que o Estado de São Paulo permite estes tipos de internações e isto não nos foi possível verificar. Parece-nos um ato de violência, onde pessoas podem terminar sendo sepultadas vivas e o Ministério Público, Secretarias de Saúde, Ministério da Saúde, irmanados, precisam coibir abusos cometidos nestas clínicas. Temos, em mãos, cartas em que internos denunciam arbitrariedades cometidas pelos proprietários de clínicas que oferecem uma fachada bela e, no interior destas, pratica-se tudo, do cárcere privado a diversas modalidades de tortura. Estamos meditando sobre se publicamos, ou não, estas cartas. O que é mais grave são denuncias de trabalho escravo e trabalhos forçados. Uma ironia, certamente, pois os pacientes pagam para serem mal tratados. São Paulo, São Paulo, que Deus não permita tamanhas atrocidades em teu santo solo, eu tuas santas cidades.


Hoje o mundo moderno tende a tratar enfermos adictos através do tratamento ambulatorial. Infelizmente há muitos casos em que familiares procuram se livrar do seu familiar abandanondo-o em outro Estado Federativo do Brasil e São Paulo está servindo como bola da vez. Até quando as autoridades vão ficar de braços cruzados? Religião com drogadição também não nos parece uma boa combinação, quando imposta. O respeito a Deus, conforme cada qual o concebe é muito importante.
Outro detalhe que vem chamando a atenção são a quantidade de meses que certas clínicas estão oferecendo como se o tempo largo tivesse valor terapêutico. Vale ressaltar que existem centenas de casos de usuários que pareciam não ter retorno à sobriedade e este retorno ocorreu sem internamento, sem igreja, salvo pela disposição particular destes felizardos que conseguiram sair do mundo das drogas, na raça e pela força de vontade. De resto, quase todas as clínicas apontam que sem AA e NA dificilmente alguém consegue manter-se em recuperação. Vale observar que nenhuma clínica vai oferecer CERTIFICADO DE GARANTIA a quem quer que seja, de modo que é muito bom pensar duas vezes antes de ir no embalo da onda de internações. Há quem pregue internações caseiras, mas isto é outro assunto que merece atenção. Chega de dogmatismos e viva aos que conseguem se libertar e aos médicos, psicólogos e demais profissionais que cuidam do tratamento de seus pacientes na modalidade ambulatorial. Ai está, senhor MINISTRO DA SAÚDE DO GOVERNO DO BRASIL, algumas informações que merecem apreciação.

Caio Fernando Abreu




Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? 
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!

De volta pra casa



Depois de algum tempo ausente, estamos voltando com o mesmo ânimo e propósito. Esperamos que continue participando e nos dando o privilégio da sua companhia. Alguns companheiros se foram e para eles deixamos consignada nossa eterna gratidão.

Recuperação e recaída


Página 1
Recuperação e recaída 

Reproduzido do Narcóticos Anônimos Livreto Branco Tradução de literatura aprovada pela Irmandade de. Copyright © 1976, 1986 por Serviços Mundiais de Narcóticos Anônimos, Inc. Todos os direitos reservados. 


Muitas pessoas pensam que a recuperação é apenas uma questão de não usar drogas. Eles consideram uma recaída um sinal de fracasso completo, e longos períodos de abstinência um sinal de sucesso total. Nós nos programa de recuperação de Narcóticos Anônimos descobriram que essa percepção é simplista demais. Depois um membro tiver tido algum envolvimento com a nossa comunhão, uma recaída pode ser uma experiência impressionante que traz uma aplicação mais rigorosa do programa. Da mesma forma que temos observamos alguns membros que se mantêm abstinentes por longos períodos de tempo, cuja desonestidade e auto-engano que os impedem de desfrutar completamente a recuperação e aceitação no seio da sociedade.

Reflexão do dia 19 de Junho REGENERAÇÃO EM A.A.


Tal é o paradoxo da regeneração em A.A.; a força nascendo da fraqueza e da derrota completa; a perda de um vida antiga como condição para encontrar uma nova.
A.A. ATINGE A MAIORIDADE PG. 41
Milhares de reveses por causa do álcool não me dera coragem de admitir minha derrota. Acreditava que era minha obrigação moral conquistar meu ïnimigo-amigo". Na minha primeira reunião de A.A., fui abençoado com um sentimento de que estava tudo bem admitir a derrota para uma doença que não tinha nada a ver com a minha "fibra moral"/ Instintivamente soube que estava na presença de um grande amor, quando entrei pelas portas de A.A. Sem nenhum esforço de minha parte, fiquei consciente de que amar a mim mesmo era bom e correto, como Deus pretendia. Meus sentimentos me libertaram, enquanto meus pensamentos tinham me mantido na escravidão. Eu sou grato.


sábado, 18 de junho de 2011

A Dor crónica, a Culpa e a Adicção: Uma triangulação indesejada





Na maioria dos casos, quando uma família ou relacionamento de intimidade romântico (casal/parceiros) é afectado, pelas consequências negativas da Adicção activa, sejam substancias psicoactivas licitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas, jogo, sexo, distúrbio alimentar, shoplifting, codependência, ocorrem dinâmicas (atitudes e comportamentos) disfuncionais, entre os seus membros, que afectam o equilibro da relação, dos limites, dos papeis e dos afectos. Todos, sem excepção, são afectados pela dor aguda e adoptam uma postura defensiva no relacionamento uns aos outros, por ex. através da culpa. Procura-se um culpado pelo problema. Por ex. alguém na hierarquia famíliar é culpado. Um mais do que outro, alguém tem de ser culpado e “castigado” pela causa do problema e pelas suas consequências. É perfeitamente legítima esta turbulência.


Sabemos que a dor é comum a todos os seres vivos. É um mecanismo de sobrevivência. Funciona como um sistema de alerta que é accionado quando algo está errado e possa comprometer a integridade física e/ou emocional. Se não sentíssemos dor não estaríamos vivos. Podemos classificar a dor em duas categorias1Dor Aguda é consequência do trauma, do ferimento, do insulto e pode ser reciclada, de duração limitada, através de um efeito curativo e transformador de competências (experiencia empírica). Aprende-se com isso, a vida continua 2.Dor Crónica persiste no tempo para além do fortuito produzindo sofrimento frequentemente intolerável capaz de assumir diversos tipo de manifestações físicas e/ou psicológicas. A Dor Crónica compromete seriamente a qualidade de vida.

E quando a Adicção activa persiste, no seio das relações entre as pessoas, apesar dos esforços em contrário? Quando a dor aguda se transforma em dor crónica? O papel da dor crónica é insidioso no círculo familiar ou na relação de intimidade romântica, é uma componente central do relacionamento, fazendo uma analogia com um filme de longa-metragem ou peça dramática. A dor crónica revela-se mais difusa para os indivíduos não adictos que apresentam os seus próprios sintomas e mecanismos disfuncionais. A preocupação fulcral é atenuar a dor e/ou encontrar curas. Existe um infindável numero de emoções na família ou parceiro/a, dependendo do papel e do relacionamento. Estas emoções controlam as atitudes e os comportamentos por ex. através da frustração, do ressentimento, autopiedade, vergonha e do isolamento social.

Todos se culpam pela causa do problema, mas adoptando perspectivas diferentes, seja individualmente ou em subgrupos. Adopta-se a atitude de “braço de ferro” onde cada um procura “lançar culpas” para controlar a situação e aliviar-se do peso da dor, com as melhores das intenções evocando valores morais e as mais variadas soluções.

A Dra Claudia Black refere que “ A família é um organismo complexo composto por diversas partes que compõem o todo”. Este todo, complexo, funciona quando as partes estão sintonizadas. Nos comportamentos adictivos activos a dor crónica exige alterações e adaptações, em muitos casos radicais, sacrificando o equilíbrio das relações. Conheço uma família desesperada que pensou que resolvia o problema de adicção do filho se fossem morar para outra zona do país, um caso de um casal que decidiu casar, com a aprovação dos pais, pensando que resolviam o problema da adicção de um deles. Este tipo de “soluções mágicas” e ineficazes fazem parte do imaginário, das fantasias e são uma consequência da dor crónica. A solução/cura a qualquer custo.

Os culpados e a dor crónica
A culpa saudável está relacionada com a quebra de regras, limites, papeis, afectos e valores morais impostos pelos tais organismos complexos; família e/ou relação romântica de forma funcionar em equilíbrio. De forma implícita e ou explicita todos são responsáveis por manter esse equilíbrio, caso contrario aquele que quebrar as regras pode ser imediatamente acusado, com afirmações do tipo “Porque é que fizeste isso? A culpa é tua.” Ou “Como foste capaz de fazer uma coisa destas? Magoaste-me…” “ Achas que aquilo que fizeste está certo? Nunca mais te vou perdoar…”

Parece existir uma tendência generalizada e uma predisposição moral para culparmos os outros. Acreditamos que se encontrarmos o culpado os problemas serão resolvidos e estaremos a controlar a situação. Na Adicção, a minha experiencia profissional diz que não é bem assim. E quando o suposto culpado não o único responsável e pode estar a ser o “bode expiatório”? Quando o culpado não assume a culpa e nega as evidências? Quando o suposto culpado não consegue resolver o problema em questão, pelo contrário ainda o piora? Estão criadas as condições para a dor crónica e a culpa generalizada.

Nos comportamentos adictivos existem situações particulares onde a dor crónica e a culpa podem assumir uma proporção desmesurada e disfuncional, capaz de interferir e usurpar todas as referências positivas e talentos nas relações (ex. desconfiança, codependência, ressentimento, violência). Chamo de culpa generalizada, quando as pessoas se centram somente no(s) problema(s), e atacam as pessoas, em vez de se centrarem nas soluções e nas responsabilidades de cada um. A culpa generalizada está presente na dor crónica e pode revelar-se um entrave à recuperação, em vez de ser uma ferramenta para a mudança, é uma arma de acusação, humilhação e controlo. Porque é que se culpa de uma forma excessiva, mesmo quando o resultado não surte o efeito desejado? Será que a responsabilização, ao invés da culpa generalizada e do facilitismo, controlo será o veículo para a mudança? Ao culpar estaremos a purgar a pena, em nós mesmos, e desejamos ouvir promessas que suavizem a dor crónica?

A Recuperação da culpa generalizada
Defina o seu papel na relação e a responsabilidade de cada um. A relação é um trabalho de equipa. Qual o limite da culpa saudável?

Na Adicção não existem culpados e a culpa não é a solução.

Quebre a Regra do Silêncio (não fala, não sente e não confia). Procure verbalizar e esclarecer melhor o seu problema, com objectividade e com pessoas significativas. Não ataque as pessoas.

Oiça (activo) a experiencia e a perspectiva dos outros. Evite ficar defensiva/o e o isolamento social. Você não é um caso único.

Assuma que precisa de fazer adaptações na relação, nos papéis e limites. Seja honesta/o com os seus sentimentos, por ex utiliza esta expressão com frequencia “Se realmente gostasse de mim, nunca farias uma coisa destas”.

Não minimize ou maximize. Monitorize a autopiedade e o ressentimento.

Recue perante a irresistível tentação para controlar o outro. Estará a agir nos seus sentimentos de inadequação, rejeição, baixa auto estima.



LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...