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segunda-feira, 12 de março de 2012

Quase uma partilha

Não tive o impulso necessário para escrever em alguns blogs que acompanho mais de perto. Talvez o problema não fosse propriamente impulso, mas falta de inspiração. Li a carta de um adicto, que reflete o medo de quase todos os adictos; li os posts que relatam a vida de um dependente químico que voltou para casa, senti a alegria e, ao mesmo tempo, a manifestação da codependência, a alternância natural do humor de um adicto em recuperação e torço por todos os que enfrentam a luta para se manterem limpos; acompanhei o retorno da fenix;  voltei a ler sobre a ibogaína; fui ao "Tamo Junto"; visitei outros blogs, alguns, notei, não estavam no rol dos blogs que acompanho de perto... Na verdade gostaria de acompanhar todos os blogs que cuidam da adicção e seus reflexos, de todos os que relatam experiências e vivências com e sobre drogas, mas fica humanamente difícil cumprir esta tarefa.  Buscarei esforçar-me. Preciso ler muito, pois só sei que nada sei. Preciso aprender e reaprender tudo de novo. Reconhecer-me nos outros...

Dito isto eu gostaria apenas de consignar algo que me ocorre nas minhas recaídas e que, talvez, possa interessar algum médico, ou terapeuta, ou algum profissional do ramo. Sou um depressivo crônico antes de ser considerado um adicto. Faz alguns anos que tomo um medicamento chamado ZETRON e, desde o começo da minha adicção a ausência do uso do mesmo me leva às garras da adicção. Minha "iniciação" ocorreu quando estava sem usar este medicamento e todas as minhas recaídas tem a ver com a falta de uso deste medicamento que muita gente prefere chamar de BUP. 

De resto, vi e ouvi o Fantástico. Do que pude avaliar é que Narcóticos Anônimos é mesmo uma irmandade necessária à nossa recuperação. Este é um pensamento que quase todos já conhecíamos. Aquela visão que tenho contra internações involuntárias adquiriu força. 

Bem, por mais que eu tente transmitir alguma coisa a familiares, noto que eles preferem ignorar-me. Fazer o que ? Inexiste mediação, ou conciliadores. Não pretendo levar a vida me auto-flagelando, repetindo que sou culpado por tudo. Não sou adepto desta tese, me desculpem. Ontem recebi a ligação de uma irmã e ela me falava que eu devia reconquistar minha família. Ela está certa, porém, neste meu estágio de vida, creio, o mais importante é me reencontrar comigo mesmo. Já fiz da mais amarga das minhas horas o meu melhor momento e não pretendo repetir isso outra vez.

O fato é que cansei de recair. De levantar e recair. Cansei. Estou farto de drogas. Cansado delas. Cansado de tudo que a envolve e cerca. Cansado de bocas. Cansado do medo, seja de bandidos, seja de policiais, ou dos dois em um só. Cansei de ser furtado, ludibriado. Estou farto de insanidades, minhas e de terceiros.

Sei que sozinho não consigo e tem momentos que me sinto só, contudo, posso sentir que, por mais que me sinta só, nunca estou de verdade; sinto a presença do Deus da minha concepção convergindo para Jesus Cristo que é a verdade, o caminho e a vida e, para chegar a Deus pai, devo segui-lo. Não me vejam como se eu fosse um beato, um fanático, destes que andam com a Bíblia debaixo do braço, pregando nas estações de transbordo.

Quero luz, cansei das trevas, mas sei que ainda não acabou e sei que posso por um fim nisso tudo que me consome e consome quem me rodeia. Ainda tenho que vencer um obstáculo e com fé em Deus vencerei. Dai em diante espero sentir o alivio que a sobriedade e a serenidade irão me proporcionar. Tenho algo a corrigir, a reparar, e preciso de inteligência. Vou na fé, vou com Deus e com ele vencerei. Vou limpo e voltarei limpo.

Recordando a composição de um companheiro de internação: "Deus me castigou severamente, mas não me entregou à morte"
(sem revisão)


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