domingo, 31 de março de 2013

Alcoólicos Anônimos - Reflexões Diárias

domingo, 31 março de 2013

Ninguém me negou amor


No calendário de A. A. corria o ano dois… Um estranho apareceu num desses Grupos… Em pouco tempo provou que seu caso era desesperador e que, acima de tudo, queria ficar bom… (ele disse) “Sou vítima de uma outra dependência ainda estigmatizante que o alcoolismo e o senhor poderá não me querer entre os seus.”
OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 127 e 128


Vim para vocês como uma esposa, uma mãe, uma mulher que tinha abandonado seu marido, seus filhos e sua família. Eu era uma bêbada, a cabeça cheia de pílulas, uma ninguém. Mesmo assim não foi me negado amor, carinho e o senso de pertencer.
Hoje, pela graça de Deus, de uma boa madrinha e de um Grupo base, posso dizer que – graças a vocês de Alcoólicos Anônimos – sou uma esposa, uma mãe, uma avó e uma mulher. Sóbria, livre das pílulas. Responsável. Sem um Poder Superior, que encontrei na Irmandade, minha vida não teria significado. Estou plena de gratidão por ser membro de Alcoólicos Anônimos.
REFLEXÕES DIÁRIAS, p. 99

Crédito : Alcoólicos Anônimos de Pernambuco 

Meditação Diária - Narcóticos Anônimo

31 de março de 2013


Interior e exterior

"Nosso verdadeiro valor reside em nós mesmos."
Texto Básico, p. 115

À medida que trabalhamos os passos, estamos no caminho da descoberta de algumas verdades básicas sobre nós mesmos. O processo de investigar nosso caráter, revelar e expor nossos segredos, mostra nossa verdadeira natureza. À medida que nos familiarizamos conosco, vamos precisar decidir ser exatamente o que somos.

Podemos querer dar uma olhada no que apresentamos para nossos companheiros adictos e para o mundo, e ver se corresponde ao que descobrimos em nosso interior. Fingimos que nada nos aborrece quando, na verdade, estamos muito sentidos? Encobrimos nossas inseguranças com piadas infames ou compartilhamos nossos medos com alguém? Vestimo-nos como um adolescente quando estamos nos aproximando dos 40 e somos basicamente conservadores?

Podemos querer dar uma olhada naquelas coisas que pensávamos “não sermos nós”. Talvez tenhamos evitado as atividades de NA porque “não gostamos de multidão”. Ou talvez tenhamos um sonho secreto de mudar de carreira, mas adiamos a ação porque nosso sonho “não era realmente correto” para nós. À medida que conseguimos uma nova compreensão de nós mesmos, vamos querer ajustar nosso comportamento de acordo. Queremos ser exemplos genuínos de quem somos.

Só por Hoje: Eu vou checar meu exterior para ter certeza de que ele combina com meu interior. Vou tentar agir no crescimento que tenho experimentado na recuperação.

sábado, 30 de março de 2013

Reflexão do dia - Alcoólicos Anônimos


Reflexão do dia 30 de Março de 2013

NOSSA CONSCIÊNCIA DE GRUPO

"... o bom é, às vezes, inimigo do melhor."
A.A. ATINGE A MAIORIDADE PG. 92

Penso que estas palavras se aplicam à todos os aspectos dos Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço! Quero-os gravados em minha mente e em minha vida quando passar "pelo caminho do Destino Feliz".
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS PG. 177


Crédito: Junta de Serviços Gerais de AA do Brasil

MEDITAÇÃO DIÁRIA - NARCÓTICOS ANÔNIMOS



30 de março DE 2013

"Gradualmente, à medida que nos centramos mais em Deus do que em nós mesmos, o nosso desespero se transforma em esperança."

Que coisa gloriosa é ter esperança! Antes de chegar a Narcóticos Anônimos, muitos de nós viveram vidas de absoluta falta de esperança. Acreditávamos que estávamos destinados a morrer de nossa doença.

Muitos membros falam de estar em uma “nuvem cor-de-rosa” em seus primeiros meses de programa. As coisas vão muito bem. Então a realidade se apresenta. Vida ainda é vida – ainda perdemos nossos empregos, nossos parceiros ainda nos abandonam, os amigos ainda morrem, ainda ficamos doentes. Abstinência não é uma garantia de que a vida vá ser sempre de nosso jeito.

Quando a realidade da vida em seus próprios termos se estabelece, nos viramos para nosso Poder Superior e lembramos que a vida acontece do jeito que acontece. Mas não importa o que ocorra em nossa recuperação, não precisamos nos desesperar, sempre há esperança. Esta esperança repousa em nosso relacionamento com nosso Poder Superior.

Este relacionamento, como é expresso pelo pensamento em nosso texto, se desenvolve ao longo do tempo: “Gradualmente nos tornamos mais centrados em Deus”. À medida que confiamos mais e mais na força de nosso Poder Superior, os conflitos da vida não têm que nos afastar para um mar de desespero. À medida que nos focalizamos mais em Deus, focalizamo-nos menos em nós mesmos.

Só por hoje: Eu vou confiar em meu Poder Superior. Eu vou aceitar que, independentemente do que aconteça, meu Poder Superior vai me prover de recursos para viver.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Meditação diária - Narcóticos Anônimos (NA)

A vontade de Deus



29 de março de 2013

"(...) a vontade de Deus em relação a nós consiste nas coisas que mais valorizamos.  para nós torna-se nossa própria verdadeira vontade.."

É da natureza humana querer as coisas de graça. Ficamos estáticos quando um caixa de loja nos dá um troco para dez quando pagamos com uma nota de cinco. Tendemos a pensar que, se ninguém souber, uma pequena trapaça não vai fazer nenhuma diferença. Mas alguém sabe – nós sabemos. E isso faz toda a diferença.

O que funcionava para nós, quando usávamos, freqüentemente não funciona mais em recuperação. À medida que progredimos espiritualmente ao trabalhar os Doze Passos, começamos a desenvolver valores e padrões novos. Começamos a nos sentir desconfortáveis se tirarmos vantagem de situações das quais, quando usávamos, teríamos nos vangloriado.

No passado, podemos ter vitimado outros. Entretanto, à medida que nos aproximamos de nosso Poder Superior, nossos valores mudam. A vontade de Deus torna-se mais importante do que a de tirar vantagem.

Quando nossos valores mudam, nossas vidas mudam também. Guiados por um conhecimento interior dado a nós por nosso Poder Superior, queremos viver o resto de nossos dias com os recém-descobertos valores. Temos interiorizado a vontade de nosso Poder Superior para conosco – de fato, a vontade de Deus tem-se tornado nossa verdadeira vontade.

Só por hoje: Pelo aperfeiçoamento de meu contato consciente com Deus, meus valores têm mudado. Hoje, eu vou praticar a vontade de Deus, minha própria e verdadeira vontade.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos

28 de março de 2013


Encarando os sentimentos

"Podemos temer que o contato com os nossos sentimentos vá detonar uma insuportável reação em cadeia de dor e pânico."
Texto Básico, p. 32

Enquanto estávamos usando, muito de nós eram incapazes ou relutantes em sentir muitas emoções. Se estávamos alegres, usávamos para ficarmos mais alegres; se estávamos irritados ou deprimidos, usávamos para mascarar estes sentimentos. Ao continuar estes padrões através de nossa adicção ativa, nos tornamos tão emocionalmente confusos que não estávamos mais certos de quais eram as emoções normais.

Depois de estar em recuperação por algum tempo, descobrimos que as emoções que tínhamos reprimido repentinamente começaram a vir à tona. Podemos descobrir que não sabemos como identificar nossos sentimentos. O que podemos estar sentindo como raiva pode ser simplesmente frustração. O que percebemos como depressão suicida pode ser simplesmente tristeza. Estes são momentos em que precisamos procurar a assistência de nosso padrinho/madrinha ou outros membros de NA. Ir à reunião e falar sobre o que está acontecendo em nossas vidas pode nos ajudar a encarar nossos sentimentos, em vez de fugir deles, com medo.

Só por Hoje: Eu não vou fugir das emoções desconfortáveis que eu possa experimentar. Vou usar o apoio de meus amigos em recuperação para ajudar a encarar minhas emoções.

terça-feira, 26 de março de 2013

Narcóticos Anônimos, Meditação Diária



26 de março de 2013.

"O padrinho é (...) alguém a quem confiamos nossas experiências boas e ruins."

A ideia de apadrinhamento pode ser nova para nós. Passamos muitos anos sem orientação, confiando somente no interesse pessoal, suspeitando de todo mundo, não confiando em ninguém. Agora que estamos aprendendo a viver em recuperação, descobrimos que precisamos de ajuda. Não podemos mais fazê-los sozinhos; temos que correr o risco de confiar em outro ser humano. Freqüentemente, a primeira pessoa com quem corremos esse risco é o nosso padrinho/madrinha – alguém a quem respeitamos, com quem nos identificamos, em quem temos razão de confiar.

À medida que nos abrimos com nosso padrinho, um laço se envolve entre nós. Revelamos nossos segredos e desenvolvemos confiança na discrição de nosso padrinho. Compartilhamos nossa dor e somos recebidos com empatia. Conseguimos conhecer um ao ouro, respeitar um ao outro, amar um ao outro. Quanto mais nós confiamos em nosso padrinho, mais aprendemos a confiar em nós mesmos.

A confiança ajuda a nos afastar de uma vida de medo, confusão, desconfiança e desonestidade. No começo, parece arriscado em confiar em outro adicto. Mas esta confiança é o mesmo princípio que aplicamos em nosso relacionamento com o Poder Superior – arriscada ou não, nossa experiência nos diz que não podemos viver sem ela. E quanto mais corremos o risco de confiar em nosso padrinho, mais aberto estaremos para experimentar nossas vidas.

Só por hoje: Eu quero crescer e mudar. Eu vou me arriscar a confiar em meu padrinho/madrinha e descobrir as recompensas de compartilhar.


Crédito: http://nasp.org.br/

segunda-feira, 25 de março de 2013

Mortes por doenças ligadas ao álcool crescem



DROGAS NA MÍDIA
Clipping diário.



Mídia do Dia: 22/03/2013
Data de Veiculação: 22/03/2013



Voz da Bahia


O brasileiro está bebendo cada vez mais. Prova disso é que o número de mortes por doenças relacionadas ao consumo de álcool não para de crescer.

Segundo levantamento feito pelo Ministério da Saúde, os óbitos associados à ingestão de bebidas alcoólicas saltaram de 11,7 mil no ano 2000, para 17,3 mil em 2010, ou seja, um aumento de 47% em uma década. No ano passado, a bebida foi responsável por 47 mortes diárias no país. Além das mortes, também cresce a quantidade de pessoas que sofrem com transtornos mentais em decorrência do consumo de álcool.  Em 2010, foram 6,8 mil casos, um aumento de 43% em relação a 2000. No Brasil, cerca de 19 milhões de pessoas são dependentes de álcool, segundo estimativa da Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas). O SUS gasta por ano mais de R$ 1 bilhão em tratamentos e internações. A cada mês, 3,5 mil pessoas são afastadas de seus empregos por causa do consumo de álcool e drogas. 

Para a psiquiatra Carla Bicca, da Abead, o  aumento da exposição das pessoas ao álcool é a principal causa do crescimento do consumo. “O maior problema é o fácil acesso à bebida. Quando uma atitude parece normal, ninguém a questiona”, critica a especialista da Abead. O estudo da associação mostra que a maior concentração de mortes - 5,1 mil, no ano passado – está em pessoas entre 40 e 49 anos de idade. Segundo Carla Bicca, as mortes nessa faixa etária estão relacionadas ao fato de os brasileiros começarem a beber cada vez mais cedo. “Hoje, as pessoas começam a beber por volta dos 13 anos. E os efeitos do uso compulsivo aparecem em no máximo duas décadas depois”.

domingo, 24 de março de 2013

Como falar sobre drogas com os filhos


A partir dos 7 anos os pais podem introduzir o assunto


Muitos pais sentem dificuldade em falar com os filhos sobre drogas e a falta de diálogo pode ser prejudicial ao desenvolvimento ético e psicológica da criança. Crianças a partir de 7 anos normalmente já possuem amadurecimento intelectual suficiente para conversar sobre o assunto, mas é importante que os pais estejam bem informados sobre o assunto.

Dr. Marcelo Reibscheid, pediatra do Hospital São Luiz, explica que o exemplo é o primeiro passo para o sucesso na formação da criança. “A influência dos pais desde cedo pode poupar o filho de experiências negativas associadas ao uso de drogas e pode até mesmo salvar a sua vida. Fazer uso de drogas, mesmo que cigarro ou álcool pode despertar o interesse da criança, entre outros malefícios”.

Uma das principais dificuldades dos pais está no diálogo. Ainda de acordo com o pediatra, antes da conversa os pais precisam se educar, se inteirar sobre as drogas mais comuns, os efeitos no cérebro e no corpo, os sintomas que provocam, as gírias e como são utilizadas.

“É importante lembrar os filhos que o perigo não está somente no uso constante de álcool e drogas. O ocasional também pode trazer consequências, como perder uma prova ou trabalhos escolares. Os conceitos de responsabilidade e a orientação para lidar com situações complicadas também ajudam no desenvolvimento ético do adolescente ou da criança e os afasta das más companhias e escolhas”, alerta o especialista.

Para Reibscheid, quando os pais agem pautados por essas instruções, aprendem a usar melhor sua força, seu amor e sua preocupação para ajudar o filho a se situar bem no mundo, promovendo seu bem-estar e o mantendo distante das drogas.

Fonte: Brasileiros Humanitários em Ação 

Publicado em 19/03/2013

sábado, 23 de março de 2013

É um deslize ou uma recaída?

É um deslize ou uma recaída?


De acordo com a abordagem terapêutica às dependências de substâncias psicoativas lícitas, vulgo drogas, incluindo o álcool, e as ilícitas, o tratamento deve contemplar a abstinência. É possível, para um individuo adicto ter um estilo de vida perfeitamente saudável abstinente de qualquer tipo de substâncias psicoativas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas, só com uma única exceção, salvo medicação sujeita a prescrição medica, acompanhamento profissional e responsabilidade do doente em seguir o plano de tratamento e a sua recuperação.

Círculo da adicção: A doença da adicção é influenciada por um conjunto complexo de fatores (neuro-biológicos-psico-sociais), não é um vício (designação moral), falta de força de vontade e/ou característica da personalidade e/ou um ato voluntario. Após décadas de investigação sobre a doença da adicção, não existe no mundo, um programa que garanta a prevenção da recaída, o tratamento ou a recuperação de uma forma totalmente eficaz.
Para todos os efeitos, a recaída ou o deslize, consiste na quebra da regra/princípio relativamente à abstinência. Ao contrário do que muita gente pensa, a recaída e/ou o deslize, não é um episódio isolado e na maioria dos casos não acontecem por acaso, é uma sucessão de acontecimentos críticos, conjunto de atitudes e comportamentos, que culminam com a ingestão do consumo de substâncias psicoactivas. Processo de recaída: começa em A - atitudes e comportamentos que conduzem o individuo a B – um episódio; ingestão/consumo da substância psicoativa.
Eis algumas perspectiva, de acordo com a minha experiencia profissional, sobre o que é recaída e o significado de deslize.

Qual é a diferença entre a recaída e deslize?

Recaída é o individuo perder o controle do seu comportamento após a ingestão de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou lícitas; acontece quando é despoletada a compulsão pelo efeito da substância (sensação associada ao prazer). Este tipo de abuso de drogas visa somente a intoxicação e a alienação da realidade. Esta reação complexa, não se pode confundir com o controlo ou a falta dele. Não é o adicto que escolhe perder o controlo e/ou ser adito. Este mecanismo é uma reação da adicção após a ingestão das substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas, isto é, a ingestão da substancia afeta e compromete a forma como o individuo pensa, sente e age. Alguns indivíduos estão mais vulneráveis do que outros a este fenómeno.
No caso da recaída, após a compulsão ser despoletada, pelo efeito das substâncias psicoactivas, o adicto é incapaz de prever as consequências do seu comportamento (família, saúde, trabalho, justiça, dinheiro), nos dias, semanas ou meses seguintes, onde podemos incluir a recusa de ajuda de pessoas significativas a fim de retomar a abstinência
.
Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Recaída é:
Quando o individuo compreende, reconhece e aceita o conceito de doença (Adicção) e supostamente afirma "Sou um adicto em recuperação, preciso de me responsabilizar pela abstinência, pelo tratamento e recuperação da adicção através das minhas atitudes, comportamentos e caso seja necessário apoio profissional." A fim de um individuo atingir este grau de conhecimento sobre a sua condição (Adicção) são necessários, aproximadamente seis a doze meses, dependendo da motivação para a mudança, do estado clinico do individuo e danos colaterais provocados pela dependência das drogas. Para compreender a adicção, o individuo deve estar abstinente de substâncias psicoactivas, há pelo menos um ano ou mais, por exemplo cinco anos. 
Recaída significa quando o individuo, apos o consumo repetitivo, identifica o síndrome da abstinência, vulgo ressaca e necessita de apoio profissional para interromper a progressão da doença.
Podemos exemplificar através de outra doença cronica. Tal como acontece ao individuo diabético, após sintomas, sinais e exames médicos é-lhe diagnosticado diabetes. É informado sobre a doença, os cuidados, o estilo de vida saudável a fim de manter a doença estável e um estilo de vida saudavel, todavia, o doente decide o contrário, ignora e negligencia o tratamento, agravando o quadro clinico, a este comportamento também podemos considerar uma recaída.

Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Deslize é:
Após um período longo de abstinência, mais de doze meses, o individuo consome substâncias psicoactivas, durante um curto período de tempo (frequência e duração), após este episódio de consumo, consegue retomar a abstinência. Neste caso, podemos considerar que a compulsão não foi despoletada. O individuo conseguiu apoiar-se e fazer uso das suas competências cognitivas (auto critica, sentido de auto eficácia, gestão das emoções – vergonha, culpa, medo, frustração) e recursos (procurou ajuda e fim de interromper a ingestão das drogas). Mais uma vez, como a compulsão não foi despoletada, o deslize, tal como a recaída, não se pode confundir com o controlo ou a falta dele.

Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Deslize é: 
Quando o individuo não compreende e ou reconhece o conceito de doença (Adicção). Por exemplo, indivíduos resistentes à mudança de atitudes e comportamentos, que permanecem abstinentes durante um curto período de tempo (ex. menos de 6 meses), mas depois retomam os consumos e depois a abstinência.
Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Quando pensarmos recaída e ou deslize é preciso de avaliar a história (passado/presente) de vida dessa pessoa (o seu mundo).
Você sabia que a depressão e/ou a ansiedade e a adicção (co-morbilidade) podem afectar e comprometer as competências cognitivas individuais e sociais necessárias à manutenção da abstinência? Este individuo está mais exposto ao deslize e ou à recaída. Importante: Cada caso, um caso.

Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Não podemos determinar, segundo valores morais, vulgo vicio, o que é a adicção. O que é que significa recaída e ou deslize? Felizmente, hoje em dia, a medicina da adicção permite-nos entender melhor este fenómeno do ponto de vista neuro-biologico, psicológico e social. Faz parte do processo do tratamento da doença, da ocorrência de deslizes e/ou recaídas e recuperação. É normal, existem algumas pessoas vulneráveis e expostas à adicção, à recaída e/ou ao deslize, se for o seu caso, peça imediatamente ajuda, não se esconda atrás do silêncio da negação e ou da vergonha. Você não escolheu ser adicto/a.
Algumas pessoas conseguem permanecer abstinentes de substâncias, durante longos períodos de tempo abstinentes, por exemplo 20, 30, 40 anos e graças a elas podemos aprender com a sua experiência, todavia, a escolha do estilo de vida em recuperação depende da decisão de cada um.

Qual é a diferença entre a recaída e deslize. 
Conceito de doença da adicção (tradução). Segundo a Sociedade Americana da Medicina da Adicção a adicção é uma doença primária, crónica que interfere e afecta o sistema/estrutura do cérebro responsável pelo prazer, pela motivação e memoria e os circuitos neuronais adjacentes. Sabe-se que uma alteração e disfunção destes circuitos neuronais conduzem ao aparecimento de sintomas a nível biológico, psicológico, social e espiritual no indivíduo, que se refletem na busca e recompensa patológica do prazer e alivio, através do consumo de substâncias psicoactivas (lícitas e/ou ilícitas) e/ou outros comportamentos (exemplo, jogo). Por outras palavras, a Adicção funciona como uma “almofada” perante determinadas situações e adversidades ao longo da vida do indivíduo. A adicção não é um sintoma de outro tipo de patologia.

Qual é a diferença entre a recaída e deslize? 


Antes de respondermos a esta pergunta é preciso entender e aprofundar o conhecimento sobre o conceito de doença e de recuperação (ciência e experiencia empírica). É um esforço conjunto entre indivíduos adictos em recuperação, suas famílias e profissionais, e da sociedade em geral.
De acordo com a American Society of Addiction Medicine a adicção é uma doença.
Apesar do consumo de drogas ser um ato voluntário, ninguém escolhe ficar adicto. Apesar das substancias psicoactivas serem adictivas, geradoras de dependência física e/ou psicológica, porque é que umas pessoas consomem drogas/álcool e se tornam adictas e outras pessoas não? Siga o link
http://www.asam.org/research-treatment/definition-of-addiction
Visto a adicção ser uma doença cronica, progressiva e complexa no seu tratamento, qual é a motivação para o individuo recuperar da adicção? Como é que se ajuda um individuo adicto, dependente de drogas, incluindo o álcool, que recusa ajuda? Pela complexidade da adicção, o individuo e a sua família precisam de ajuda profissional.

Recuperação da adicção é um estilo de vida gerador de escolhas saudáveis (nível físico, mental e espiritual, sem dogmas e/ou divindades) integradoras e coerentes com os valores da família, da comunidade e da sociedade. Recuperação da adicção contempla a abstinência onde não existem consequências diretas dos comportamentos associados ao consumo, abuso e dependência de quaisquer substâncias psicoativas.
Se você se considera um adicto a drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas qual é o seu conceito de recuperação? Gostaria de contar com a sua participação para o debate sobre esta questão.


Crédito: Recuperar das Dependências http://recuperardasdependencias.blogs.sapo.pt/63412.html#cutid1


Deus me acompanha aonde quer que eu vá

Alcoólicos Anônimos, Reflexão diária


Reflexão do dia 23 de Março de 2013

E SEM MAIS RESERVA


Temos visto esta verdade mais de uma vez: “Uma vez alcoólico, sempre alcoólico” ... Se estamos dispostos a parar de beber, não podemos abrigar, de forma alguma, a esperança de que um dia seremos imunes ao álcool... Para ser gravemente afetado, não é necessário beber durante um longo período e nem tomar as quantidades que alguns de nós tomávamos. Isto aplica-se especialmente às mulheres. As alcoólicas em potencial, muitas vezes, tornam-se alcoólicas verdadeiras e chegam a ser casos desesperados em pouco tempo.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS PG. 55, 56


Estas palavras estão sublinhadas no meu livro. São verdadeiras para homens e mulheres alcoólicas. Em muitas ocasiões tenho aberto o livro nesta página, e refletido sobre esta passagem. Preciso nunca enganar a mim mesma, lembrando meus diferentes modos de beber, ou acreditando que estou “curada". Gosto de pensar que, se a sobriedade é um presente de Deus para mim, então minha vida sóbria é o meu presente para Deus. Espero que Deus esteja feliz com seu presente, como eu estou com o meu.

Narcóticos Anônimos, Meditação do Dia


SÁBADO, 23 DE MARÇO DE 2013

As dádivas de Deus
"Fazemos aquilo que é necessário e aceitamos o que nos é livremente dado em cada dia." 
 Texto Básico, p. 54 

A nossa relação com o nosso Poder Superior é uma via de dois sentidos. Ao rezarmos, falamos e Deus ouve. Quando meditamos damos o nosso melhor para ouvir a vontade do nosso Poder Superior. Sabemos que somos responsáveis pela nossa parte nessa relação. Se não rezarmos nem ouvirmos, estaremos a excluir o nosso Poder Superior das nossas vidas. Quando pensamos na nossa relação com o nosso Poder Superior, é importante lembrarmo-nos daquilo que somos: impotentes. Podemos pedir orientação; podemos pedir boa-vontade ou força; podemos pedir o conhecimento da vontade do nosso Poder Superior - mas não podemos fazer exigências. O Deus da nossa concepção - aquele que tem o poder - irá preencher a outra metade desta relação, dando-nos exatamente aquilo de que precisamos, quando precisamos. Precisamos de pôr ação todos os dias para manter viva a nossa relação com um Poder Superior. Uma forma de fazê-lo é aplicando o 11º Passo. Lembramo-nos então da nossa impotência e aceitamos a vontade de um Poder Superior a nós mesmos. 

Só por hoje: Na minha relação com o meu Poder Superior, sou eu o impotente. Hoje, lembrando-me de quem sou, vou aceitar humildemente as dádivas do Deus da minha concepção.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Narcóticos Anônimos, Meditação do dia

22 de março de 2013
  O princípio da auto-sustentação
"Na nossa adicção, éramos dependentes de pessoas, lugares e coisas. Procurávamos neles um apoio e achávamos que poderiam nos fornecer aquilo que não encontrávamos em nós mesmos."
Texto Básico, pág. 77
 
No reino animal há uma criatura que suga as outras. Ela é chamada de sanguessuga. Gruda nas pessoas e tira o que precisa. Quando uma vítima se livra da sanguessuga, esta simplesmente vai para a próxima vítima.
 
Em nossa adicção ativa, nos comportávamos similarmente. Exaurimos nossas famílias, nossos amigos e nossas comunidades. Consciente ou inconscientemente, procurávamos conseguir alguma coisa de graça de todos que encontrássemos.
 
Quando vimos a sacola passada em nossa primeira reunião, podemos ter pensado: “Auto-sustento!
 
Que idéia esquisita é essa agora?” À medida que assistimos à reunião, notamos alguma coisa. Estes adictos, auto-sustentados, estavam livres. Sustentando-se por seus próprios meios, eles tinham adquirido o privilégio de tomar suas próprias decisões.
 
Pela aplicação do princípio do auto-sustento em nossas vidas pessoais, ganhamos para nós a mesma espécie de liberdade. Ninguém mais tem o direito de nos dizer onde morar, porque pagamos nosso próprio aluguel. Podemos comer, vestir ou dirigir tudo o que escolhemos, porque nós mesmos nos suprimos.
 
Ao contrário da sanguessuga, não temos que depender dos outros para nossa manutenção. Quanto mais responsabilidade assumirmos, maior liberdade ganharemos.

Só por Hoje: Não há limites para a liberdade que eu possa adquirir ao me auto-sustentar. Eu vou aceitar responsabilidade pessoal e me sustentar por meus próprios meios hoje.

 
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domingo, 17 de março de 2013

Meditação do Dia, Narcóticos Anônimos


DOMINGO, 17 DE MARÇO DE 2013

A verdadeira coragem
"Aqueles que atravessam esses períodos com sucesso demonstram uma coragem que não é deles." 
Texto Básico, pp. 96-97 



Antes de chegarmos a NA, muitos de nós pensavam que eram corajosos simplesmente porque nunca tinham sentido medo. Tínhamos drogado todos os nossos sentimentos, incluindo o medo, até que nos convencemos de que éramos uns duros, pessoas corajosas que não quebrariam perante qualquer circunstância. Mas encontrar a nossa coragem nas drogas não tem nada a ver com a forma como vivemos as nossas vidas hoje em dia. Limpos e em recuperação, estamos sujeitos a, por vezes, sentir medo. Quando percebemos pela primeira vez que nos sentimos assustados, talvez pensemos que somos covardes. Temos medo de pegar no telefone porque a pessoa que está do outro lado pode não nos compreender. Temos medo de pedir a alguém que seja nosso padrinho ou madrinha porque ele pode dizer que não quer. Temos medo de procurar emprego. Temos medo de ser honestos com os nossos amigos. Mas todos estes medos são naturais, saudáveis até. O que não é saudável é permitir que o medo nos paralise. Quando permitimos que o nosso medo nos faça parar de crescer, estamos a ser derrotados. A verdadeira coragem não é a ausência de medo, mas sim a boa-vontade para ultrapassá-lo.




Só por hoje: Vou ser corajoso. Quando sentir medo, vou fazer o que for preciso para crescer em recuperação.

Alcoólicos Anônimos

Reflexões Diárias


17 de Março de 2013

MANEIRAS MISTERIOSAS

... nas épocas sofrimento e dor, quando a mão de Deus parecia ser pesada e até injusta, novas lições sobre a vida foram aprendidas, novas fontes de coragem foram descobertas e finalmente, de forma ineludível, chegou a convicção de que Deus, efetivamente, “age de maneira misteriosa na realização de Suas maravilhas”.
OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 93.


Após perder carreira, família e saúde, não tinha me convencido de que minha maneira de viver precisava ser vista de uma nova forma. A bebedeira e o uso de outras drogas estavam me matando, mas eu nunca tinha encontrado uma pessoa em recuperação ou um membro de A.A.

Pensava que meu destino era morrer sozinho e que eu merecia isso. No auge do meu desespero, meu filho menor adoeceu gravemente com uma rara enfermidade. Os esforços dos médicos para ajuda-lo provaram ser inúteis. Redobrei meus esforços para bloquear meus sentimentos, porém, agora o álcool havia deixado de surtir efeito. Estava só olhando fixamente os olhos de Deus, suplicando Sua ajuda. Em alguns dias, devido a uma estranha série de coincidências tive meu primeiro contato com A.A. e desde então tenho permanecido sóbrio. Meu filho sobreviveu e sua doença está em regressão. Todo o episódio me convenceu da minha impotência e da perda de controle da vida. Hoje meu filho e eu agradecemos a Deus por Sua intervenção.

REFLEXÕES DIÁRIAS, p. 85

sábado, 16 de março de 2013

Muito obrigado!

Quero agradecer a todos os seguidores deste blog. Sinto-me encorajado a prosseguir neste meu propósito de continuar com ele em franca atividade.
Comecei o mesmo com há alguns anos atrás. Imaginei que seria algo meu, dirigido a mim mesmo. Hoje verifico que estava enganado, graças a vocês que hoje fazem parte do mesmo, tanto quanto eu. 

Sei que muita gente tem as suas naturais inibições, como possuem, também, um olhar bondoso, generoso, mas eu estimaria muito contar com artigos e opiniões de todos vocês. Não desejo que ninguém comungue minhas ideias, meus pensamentos, meus juízos. Sou democrata por excelência.

Nosso intuito é levar a todos os que sofrem, ou já sofreram nas garras da adicção ativa e até mesmo depois de recuperados. Que falem os estigmas, as rejeições, até o dia em que conquistamos a confiança abalada, perdida e, diante das nossas atitudes venha o reconhecimento da superação. Não queremos troféu algum e o que fazemos é para o nosso próprio bem.

Sei que muitos dos seguidores têm contribuições a oferecer, então que escrevam sem medo, não precisa se expor, aqui o anonimato é uma regra ético-moral. Não significa dizer que quem quiser expor seu nome não o faça. 

Mas, enfim, sinto-me feliz em ver tanta gente boa participando, ajudando, dando força e, em suma, dizendo que TAMOS JUNTOS nessa luta que é de toda sociedade. Vocês que seguem o SPH e outros blogs são seres iluminados, evoluídos e aqui estão, no mínimo, para nos incentivar. 

Sinceramente, nunca esperei chegar aonde estou chegando. Foi uma idéia que nasceu dentro da Vila Serena. Ao sair de lá criei o blog. Eu sai de lá tão bem e, não fossem as armadilhas da doença, não estaria aqui na condição em que me acho. Meus sonhos eram muitos e, de imediato, sem entender nada de blog, criei onze. Uma irmã me alertou: irmão, é complicado manter tantos blogs, pprenda-se a um ou dois que é de bom tamanho e eu insisti. Queria ocupar meu tempo. Tantas coisas se sucederam e sucedem comigo que um dia recai, levantava e recaia. Mas o que me importa é estar vivo e dizer que não pretendo desistir de mim. Sempre fui um cara lutador, sem grandes ambições, sem apego a bens materiais. Um cara simples que não gosta de julgar ninguém e quando julga, se julgou mal, pede desculpas ou perdão, humildemente.

Bem, escrevo muito e era meu propósito agradecer e pedir, agora, aos mais encorajados, que escrevam no blog e façam dele um  espaço de vocês que o seguem. Sinceramente, seria uma honra e ao mesmo tempo uma grande alegria, além do alento de prosseguir,mesmo sabendo que o que ganho é o carinho e a amizade de todos vocês e dos leitores.

Muito obrigado de coração!

Reflexões Diárias de A.A


16 MARÇO DE 2013

 COMO NÓS O ENTENDEMOS

Meu amigo, então, sugeriu o que me pareceu uma ideia original... “Por que não escolhes teu próprio conceito de Deus?” Esta pergunta atingiu-me fortemente. Derreteu a montanha de gelo intelectual, à sombra da qual eu havia vivido durante muitos anos. Enfim, ergueria o rosto para o sol! Era só me dispor a crer em um Poder Superior a mim. Para começar, aquilo bastava. 
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p.35 ou p.42

Lembro-me das vezes que olhava para o céu e refletia sobre quem começou tudo isso, e como. Quando cheguei em A.A., um entendimento da dimensão espiritual tornou-se um auxiliar necessário para uma sobriedade estável. Após ler uma variedade de teorias, incluindo a científica, sobre uma grande explosão, optei para a simplicidade e supondo que o Deus do meu entendimento foi o Grande Poder que tornou a explosão possível. Com a vastidão do universo sob Seu comando, Ele seria, sem dúvida, capaz de guiar meu pensamento e ações se eu estivesse preparado para aceitar a Sua orientação. Mas não posso esperar ajuda, se virar as costas a esta ajuda e continuar à minha própria maneira. Tornei-me disposto a acreditar e já tenho 26 anos de sobriedade estável e satisfatória.
______

Meditação Diária, Narcóticos Anônimos


16 de março de 2013

Inventário

"O propósito de um profundo e destemido inventário moral é arrumar a confusão e a contradição de nossas vidas, para que posamos descobrir quem realmente somos."
Texto Básico, pág. 29

Adictos na ativa é um confuso e desconcertante grupo de pessoas. É difícil dizer de um minuto para o outro o que eles vão fazer ou quem vão ser. Geralmente o adicto fica tão surpreso como qualquer um.

Quando usávamos, nosso comportamento era ditado pelas necessidades de nossa adicção. Muitos de nós ainda identificamos nossas personalidades muito próximas ao comportamento que tínhamos ao usar, nos levando a sentir vergonha e desespero. Hoje não temos que ser as pessoas que fomos em tempos passados, moldadas por nossa adicção; a recuperação tem-nos permitido mudar.

Podemos usar o inventário do Quarto Passo para ultrapassar as necessidades da antiga vida de ativa e descobrir quem queremos ser hoje. Escrever sobre nosso comportamento e perceber como nos sentimos em relação a ele nos ajudam a compreender que m queremos ser. Nosso inventário nos ajuda a ver além das exigências da adicção ativa, além de nossos desejos de sermos amados e aceitos – descobrimos quem somos na origem. Começamos a compreender o que é apropriado para nós e como queremos que sejam nossas vidas. Assim começamos a nos transformar em quem realmente somos.

Só por Hoje: Se eu quero descobrir quem sou, olharei para quem tenho sido e quem quero ser.

Crédito: Comitê de Serviço de Área • São Paulo

sexta-feira, 15 de março de 2013

Pense ao menos uma vez. Vamos refletir?

Quem cheira cocaína é responsável pelo tráfico. Quem compra carro é responsável pelos engarrafamentos. Quem deposita dinheiro em banco é responsável pela riqueza dos banqueiros. É assim?

A mídia brasileira  apresenta  as drogas ilícitas quase sempre através de números. Números relacionados com toneladas de maconha e cocaína apreendidas regularmente pela polícia. Mais recentemente a mídia passou a referir-se à quantidade de pedras de crack encontradas com este ou aquele traficante ou usuário-quase-traficante. Quando não é assim, mostra em reportagens pseudoinformativas, excluídos, miseráveis, moradores de rua, pessoas fracassadas na dura experiência de viver em sociedade, e suas relações com as drogas, como se isto fosse o banal, o comum, quando na verdade é a excessão ou, ainda,  como se o consumo de drogas ilícitas fosse um destino inelutável  estampado em abomináveis  outdoors e busdoors em Salvador, onde se via pés de mortos e se podia ler:  “Crack:  é cadeia ou caixão”, felizmente  retiradas   dos nossos olhos pela força do bom senso de muitos baianos. O sofrimento é  condição fundamental da existência  humana, o fracasso na vida em sociedade, não. Agora, mais recentemente,  a mídia passou a sugerir que a responsabilidade pelo tráfico é do consumidor: “sem consumidor o tráfico não se sustenta” ou, como sugeriu a Revista Isto É em dezembro de 2010: “Consumo:  a parte mais difícil da luta contra as drogas”, além de atribuir aos consumidores de cocaína e maconha em baladas  e o uso de entorpecentes nas praias e nos mais diversos lugares, a responsabilidade pela força econômica do tráfico.  É inacreditável como na maioria dos textos em nossos jornais e revista não se faz a necessária distinção entre os consumidores e os modos de consumo, nem se indica as diferentes possibilidades das substâncias, quer quanto  a capacidade de produzir dependência, quer quanto a capacidade de produzir morte por intoxicação aguda (overdose). Aliás,  já é tempo das pessoas saberem que nem toda droga é entorpecente. Entorpecente, é aquilo que entorpece, produz sono, seda. O melhor exemplo entre nós é a morfina; a cocaína é um estimulante, o oposto da morfina,  assim como o é a anfetamina, todas com grande possibilidade química de produzir morte por parada cárdio-respiratória ou  psicoses e hipertensão.  Lembrar que o crack e o oxi  são a mesma coisa: cocaína impura, básica, associada a produtos  danosos  à saúde física,  como carbonatos,  e supostamente portadores de resíduos de  gasolina ou querosene, sem qualquer comprovação.    A maconha, por sua vez,  é um sedativo com alguma capacidade de produzir transtornos psíquicos relacionados com a concentração de seu princípio ativo o THC (tetrahidrocanabinol), sem qualquer possibilidade de causar morte por intoxicação aguda. Contudo, há indícios de risco relacionado à condução de veículos sob efeito deste produto, tanto quanto alguma  perda da motivação, sobretudo entre usuários de longo curso. Entretanto, este efeito é uma possibilidade, nunca uma determinação e está relacionada ao patrimônio biológico e psíquico de cada um e às  vicissitudes do meio (sócio-cultural)  no qual usuário e substâncias se encontram,  devendo-se considerar, ainda, o estado geral de saúde,  estado nutricional,  e os muitos estados emocionais.  Destas circunstâncias e da ordem subjetiva construída a partir da história de cada um, resulta o imponderável-do-ser-humano,   significado pelo desejo.


Dizer apenas que alguém é “toxicômano” sem uma contextualização “bio-psico-social”,  não deveria ter qualquer valor porque não faz sentido, tanto quanto não faz sentido designar todas as substâncias como  entorpecentes. Creio que estes conhecimentos aliados a uma condição não  pré-conceituosa são fundamentais para a informação.


Talvez, se nossa mídia se (in)formasse melhor poderia ter a coragem de escrever à semelhança do Presidente Fernando Henrique Cardoso, referindo-se à maconha: “antes eu não tinha conhecimento, agora estou melhor informado e por isso reconheço o fracasso da guerra às drogas”,  e pedisse desculpas pelo ignorância que ajudou e ajuda a perpetuar .


Beth Carvalho - Tristeza-Madureira Chorou-Barracão-Firme e Forte

http://youtu.be/CUPB0wb_WDA

ESPIRITUALIDADE E ALCOÓLICOS ANÔNIMOS


1. Inicialmente a pessoa terá que admitir a impotência diante da droga e que perdeu o domínio sobre a própria vida. (*)

O homem que deseja ardentemente a renovação deverá cumprir a lei de justiça e de amor, na sua maior pureza. São leis divinas ou naturais.

Certa vez um centurião se viu impotente diante do tormento de seu criado. Nesse dia, ele verificou que havia possibilidade de recuperação, mesmo sem o deslocamento de Jesus ao local para fazer a imposição de mãos. (Mateus 8:5-8).

“E, chegando o sábado, Jesus começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: de onde lhe vêm estas coisas?” (Marcos 6: 2-3).

2. Você pode espernear, no entanto, acreditar que um Poder Superior pode nos devolver à sanidade é parte da libertação. A pessoa deverá refletir sobre uma Inteligência Suprema, uma causa primária para todas as coisas; nela depositar fé acreditando na Sua bondade, justiça e sabedoria. Deverá aprender a ter fé no futuro e a colocar os bens espirituais acima dos temporais.

“Perguntaram a Jesus: Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mateus 22: 36-39).

Jesus não era profissional “da religião”, mas de carpintaria. No entanto, deixava o povo estupefato.

3. Percebendo uma Inteligência Suprema, que fez surgir galáxias, a pessoa tomará a decisão de entregar sua vontade e sua vida aos cuidados de Deus, na forma em que O possa conceber. Unirá razão e fé. “Olhará para as aves do céu, que nem semeiam, nem ajuntam em celeiros, e compreenderá que o Pai celestial as alimenta.” Usando a razão responderá: “Não tendes vós muito mais valor do que elas?” (Mateus 6: 26). Valorizará assim os que estão com ela na lida e aproveitará todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso e de valor encontrado nelas.

4. Corajosos sairão vencedores, assim fará minucioso e destemido inventário moral de si próprio. O homem novo será reconhecido pela sua transformação em termos de valores ético-morais.  Jesus enfatizou a necessidade do progresso, não poderá negligenciar deveres, mas cumpri-los conscienciosamente. “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 5: 16).

5. Teremos que admitir perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas. Isso nos ensinará também a ser indulgente diante das fraquezas alheias, porque sabemos que também necessitamos de indulgência. Saber conviver é aquisição preciosa. Jesus não disse que a prática seria fácil. “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede vós prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. (Mateus 10: 16).

6.  Cheios de fé e de coragem haveremos de nos prontificar a deixar que Deus remova todos os nossos defeitos de caráter. Um defeito que Jesus combateu foi o desejo de vingança, isso porque o homem novo, possuído de amor ao seu semelhante fará o bem pelo bem, sem esperar recompensas; retribuirá o mal com o bem, tomará a defesa do fraco contra o forte, e sacrificará seus interesses à justiça. “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.” (5 João 14:1-3). Jesus é excelente guia.

7.  Deveremos então rogar humildemente a Deus que Ele que nos livre de nossas imperfeições. Só os corajosos e lúcidos percebem e enfrentam a própria prepotência. Outra imperfeição é o desejo de obter privilégios. Como homem liberto, teremos que ser bons e benevolentes para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças. Jesus disse que “o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.” (Mateus 16:27) .

8. Importante fazer uma relação de todas as pessoas que tenhamos prejudicado e procurar, com todas as forças, reparar os danos que lhes causamos. Mesmo que guardemos alguma mágoa, por nos terem anteriormente repreendido. A reparação é fundamental. “Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele…”. “Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.” (2 Mateus 5:23-26). O homem renovado perdoará e esquecerá as ofensas e só dos benefícios se lembrará, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.

9. Enfatizamos que é urgente fazer reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando isso signifique prejudicá-las ou a outrem. A reparação direta esta contida no segundo grande mandamento. “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?  E Jesus disse-lhe: (…) E o segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (1 Mateus 22:36-39).
Realmente o novo homem será altruísta e encontrará satisfação nos benefícios que espalhar, nos serviços que prestar.
10.  A renovação será diária e sempre se terá que fazer inventário pessoal. Quando se achar em erro devera admiti-lo prontamente. Nesse sentido, estudará suas próprias imperfeições e trabalhará incessantemente em combatê-las. Entenderá, finalmente, a mudança de paradigma – “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.  Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus.” (3 MT 5: 43-44).
11. Por meio da prece e da meditação, procurará melhorar o contato consciente com Deus, na forma em que O concebe, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade e forças para realizar essa vontade.
“Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente”. (Mateus 6:6-9). Poderá dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz agora de melhor do que na véspera.

12. Finalmente, tendo experimentado este despertar da consciência (**), agora lúcida, graças aos “12 Passos”, deverá procurar transmitir essa mensagem aos companheiros “dependentes químicos” e praticar esses princípios em todas as suas atividades.O aumento de nível da inteligência espiritual (**) é sinal de progresso. “Resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras. (6. Mateus 5: 11). “Curai os enfermos (…); de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8).


(*) ALCOOLICOS ANÔNIMOS
http://www.alcoolicosanonimos.org.br/
(**) CONSCIÊNCIA NA SECRETARIA DE SAÚDE
http://sinapseslinks.wordpress.com/2012/01/28/consciencia-na-secretaria-de-saude/
Endereços úteis
NARCÓTICOS ANÔNIMOS
http://www.na.org.br/portal/
ABEAD
http://www.abead.com.br/
UNIAD
http://www.uniad.org.br/
Enviado por nosso amigo e leitor Luiz Carlos Formiga.

Fonte: http://visaoespiritabr.com.br/cura/12-passos e

Só Por Hoje

Sou responsável


E você o que faria diante de uma mão estendida na sua frente? 

Alcoólicos Anônimos, Reflexão do dia

 15 de Março 2013

A IDEIA DE DEUS

Quando vimos os outros resolverem seus problemas através de uma simples confiança no Espírito do Universo, tivemos que deixar de continuar duvidando do poder de Deus. Nossas idéias eram infelizes. Porém, a idéia de Deus surtia efeito.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS PG. 74

Como um homem cego recuperando gradualmente a visão, lentamente tateei o meu caminho no Terceiro Passo. Percebendo que somente um Poder Superior a mim mesmo poderia me socorrer do abismo sem esperança onde eu estava, soube que este era um Poder em que eu tinha que me agarrar e que seria minha âncora no meio de um mar de desgraças. Muito embora minha fé naquela hora fosse minúscula, foi grande o bastante para me fazer ver que era hora de me livrar de minha confiança no meu orgulhoso ego, e colocá-la na fortaleza segura que somente pode vir de um Poder muito Superior a mim mesmo.

Meditação Diária, Narcóticos Anônimos


15 de março de 2013
Sentindo-se “parte de”

"Os momentos em que estamos juntos, depois das reuniões, são boas oportunidades para partilharmos coisas que não chegamos a falar durante a reunião."
Texto Básico, pág. 107

A adicção ativa nos coloca à parte da sociedade, nos isolando. O medo estava no âmago dessa alienação. Acreditávamos que, se deixássemos que os outros nos conhecessem, eles somente descobririam nossa terrível imperfeição. A rejeição estaria somente um passo adiante.

Quando vamos a nossa primeira reunião de NA, normalmente ficamos impressionados com a familiaridade e amizade compartilhadas com outros adictos em recuperação. Se nos permitirmos, também podemos rapidamente nos tornar parte dessa Irmandade. Uma maneira de começar é ir junto com os companheiros para a lanchonete local, depois da reunião.

Nesses encontros podemos derrubar as paredes que nos separam dos outros e descobrir coisas sobre nós mesmos e outros membros de NA. Uma a uma, podemos às vezes revelar coisas que talvez estejamos relutantes em compartilhar no grupo. Aprendemos, nestes encontros, a ter conversas triviais até tarde da noite e também a formar profundas e fortes amizades.

Com nossos recém-descobertos amigos de NA, não temos mais que viver em isolamento. Podemos nos tornar parte de um todo maior, a Irmandade de Narcóticos Anônimos.

Só por Hoje: Eu me libertarei do isolamento. Lutarei para me sentir parte da Irmandade de NA.


Crédito: CSA-SP

quarta-feira, 13 de março de 2013

Alcoólicos Anônimos -

Reflexões Diárias

 
13 de Março de 2013

UM MUNDO DO ESPÍRITO

Entramos no mundo do Espírito. Nossa próxima função é crescer em compreensão e valor. Isso não acontece de um dia para o outro. Deverá continuar durante toda a vida.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 104


 A palavra “entramos”...e a frase “entramos no mundo do Espírito” são muito significativas. Implicam em ação, um começo, uma entrada, um pré-requisito para manter meu crescimento espiritual, sendo o “Espírito” a parte invisível do meu ser. As barreiras do meu crescimento espiritual são o egocentrismo e um enfoque materialista das coisas terrenas. Espiritualidade significa devoção para o espiritual ao invés das coisas mundanas; significa obediência à vontade de Deus para mim. Entendendo ser coisas espirituais: amor incondicional, alegria, paciência, amabilidade, bondade,  sinceridade, auto-controle e humildade. Em qualquer hora que eu permita que o egoísmo, a desonestidade, ressentimentos e medo sejam parte de mim, estou bloqueando as coisas espirituais. Quando mantenho minha sobriedade, o crescimento espiritual torna-se um processo para toda vida. Meu objetivo é o crescimento espiritual; aceitando que nunca terei perfeição espiritual.

REFLEXÕES DIÁRIAS, p. 81

terça-feira, 12 de março de 2013

Narcóticos Anônimos, MEDITAÇÃO DIÁRIA

12 de março de 2013

"Muitas vezes, em nossa recuperação, os velhos fantasmas ainda nos perseguem. A vida pode voltar a ser monótona, aborrecida e sem sentido."

Às vezes parece que nada muda. Levantamo-nos e vamos para o mesmo emprego todos os dias. Jantamos à mesma hora todas as noites. Assistimos às mesmas reuniões toda semana. Os rituais da manhã são idênticos aos que desempenhamos ontem, na véspera e na antevéspera. Depois do inferno de nossa adicção e da loucura da montanha russa do princípio da recuperação, a vida estável pode ser atraente – por um tempo. Mas, eventualmente, compreendemos que queremos algo mais. Mais cedo ou mais tarde, nos deixamos abater pelo tédio e pela monotonia progressiva em nossas vidas.

Com certeza, há tempos em que nos sentimos vagamente insatisfeitos com nossa recuperação. Nos sentimos como se estivéssemos, por alguma razão, perdendo alguma coisa, mas não sabemos o quê ou porquê. Escrevemos nossa lista de gratidão e achamos literalmente centenas de coisas pelas quais somos gratos. Todas as nossas necessidades têm sido atendidas; nossas vidas estão mais preenchidas do que jamais esperamos que pudessem estar. Então o que está acontecendo?

Talvez seja a hora de desenvolver nosso potencial até sua plenitude. Nossas possibilidades são somente determinadas pelo que podemos sonhar. Podemos aprender algo novo, traçar uma nova meta, ajudar outro recém-chegado ou fazer um novo amigo. Com certeza, encontramos estímulo se procurarmos atentamente, e a vida novamente se tornará cheia de significado, variada e plena.

Só por hoje eu vou quebrar a rotina e desenvolver meu potencial até sua plenitude.

Quase conversando com Deus

Tenho sonhos incríveis. Parecem tão reais e são bonitos em todos os aspectos. Houve uma época, não muito distante, em que os sonhos se transformaram em um martírio. Não sou chegado a ter pesadelos, mas eles me ocorreram. Possivelmente, os momentos de dificuldade motivaram a aparição dos mesmos. É chato, tanto quanto, em noites de insônia, ficar relembrando coisas desagradáveis. É desconfortável. Mas, lendo o blog de uma inteligente amiga, parece que ela sabe bater papos, muito legais, com Deus, conforme ela o concebe.O Deus da minha concepção é Nosso Senhor Jesus Cristo devido minha formação católica, da qual não abro mão. Respeito todas as religiões, é bom ressalvar. Mas os pesadelos me fizeram lembrar composições de Chico Buarque, como "Não Sonho Mais", da qual destaco o seguinte verso:
                                             

"Quanto mais tu corria
Mais tu ficava, mais atolava,
Mais te sujava. Amor, tu fedia,
Empesteava o ar."



A outra composição foi "Pelas Tabelas", cujo verso guarda identidade com outro pesadelo, em que minha cabeça rolava, como uma bola de futebol:

"Quando vi um bocado de gente descendo as favelas
Eu achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça de um homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no Maracanã"


Bem, nesse quadro louco, que não consta no livro ´A Interpretação dos Sonhos´, lembrei de Deus e de que, desde muito cedo, converso com Jesus. Na infância, em minha santa inocência, era muito comum pensar nele e em sua bela história de vida. Um homem exemplar, enquanto esteve entre os vivos. Sei que ele está entre nós, que junto ao Pai e o Espírito Santo, constituem uma única pessoa. Não quero entender mas que isso. 

Ontem me ocorreu a ideia de bater uma papo com Deus, de modo diferente. Nada igual ao jeito e maneira que Cicie descreveu. Pensei em minha vida e me veio à mente uma poesia sacra de Gregório de Matos, que publiquei em um blog dedicado a quem gosta de literatura. Nessa poesia sacra, dedicada a Nosso Senhor Jesus Cristo, Gregório de Matos, com muita elegância, traduz algo que já me ocorreu pensar. Reproduzo, pois, a poesia, para quem quiser conhece-la e interpreta-la.  Ela diz, pela via obliqua, através do poeta morto, o que gostaria de transmitir a Jesus Cristo, Nosso Senhor:


Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque, quanto mais tenho delinquido,
Vós tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História,

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, Pastor Divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

É de uma beleza rara, impressionante, feita por uma inteligência iluminada. Destaco dois versos da poesia, muito sugestivos, que ajudam a me enxergar como sendo uma manifestação da obra de Deus.
São estes:
            ..."quanto mais tenho delinquido,
                Vós tenho a perdoar mais empenhado."

O outro é :

                "Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
                 Cobrai-a; e não queirais, Pastor Divino,
                 Perder na vossa ovelha a vossa glória."

Não há heresia alguma se olharmos a história de vida de Jesus Cristo, que, por antecipação, sabia qual seria seu final. Um quadro de predestinados pela obra divina.

Não é necessário uma interpretação minha, esta poesia traduz meus sentimentos e gostaria de deixar de ser esta ovelha desgarrada do rebanho, por Deus Nosso Senhor !Este aventureiro errante já não pode mais sofrer nas garras da drogadição e aguarda pelo seu divinal parecer, augusto e  favorável.

Sinceramente eu não compreendo a razão pela qual ingressei em um mundo que repudiava, em minha santa ignorância, que mereço perdão. É um mundo com o qual não me identifico e, no entanto, vira e mexe, regresso e volto para usar. 

Hoje entendo muitas outras coisas que me ocorreram quando perdia dinheiro, era furtado, minhas drogas eram carpeadas...

Ali, por mais absurdo que possa parecer, Deus estava presente a me proteger e a me punir, sem me deixar no desamparo. Quando estas "maldades" me aconteciam, sofria resignadamente. Não era para sofrer, mas para agradecer. Ele, Deus, em sua Santíssima Trindade, estava me livrando do uso das drogas e isso reduzia muito o meu consumo. Mesmo com essas perdas financeiras, devo agradecer a Deus pela sua intercessão.

Estou vivo. Se tivesse consumido o volume de drogas que o dinheiro, perdido, permitia, provavelmente não mais estaria aqui para contar qualquer acontecimento que me tenha ocorrido. 

Já tive muito mal pelo uso abusivo de álcool, droga nefasta. Foi a primeira das drogas que utilizei, depois veio o tabaco, a maconha e, nos anos setenta, barbitúricos e psicotrópicos. Carnaval cheirava loló e lança-perfume, da melhor qualidade, e o pior é que sabia usar. Usei LSD e muitas drogas sintéticas. Acho que só não usei êxtase. Imaginava-me acelerado de tal forma que mas parecia uma um grão de milho quando pipoca. Um mal exemplo, que ninguém deve seguir, porque é um atraso de vida e não conduz a lugar algo, salvo ao mundo dos pesadelos.

Cheirava cocaína quando um amigo de infância aparecia e fazia uma "presença". Por temer joga-la nos canos, nunca a utilizei por via endovenosa. Mas tinha muitos amigos que faziam tal uso. Utilizei outros tipos de drogas, muito mais brandas, sob a forma de pico. Felizmente, com o advento do HIV, estava fora de tudo, bem careta. Todo certinho!.

No ano de 1977 me aconteceu um fato bastante desagradável e até mesmo chato de contar, posto que ainda me causa incomodo. Esta ocorrência me fez despertar para a vida e acabei deixando a drogadição de uma vez por todas.

Entrei na onda da geração saúde, casei, me tornei pai e assumi minhas responsabilidades. Ah, vale dizer que a minha droga preferencial era a marijuana. Que enjoei...

É raro enjoar, mas enjoei e me libertei. Também deixei de fumar por 30 anos e, por um desses desastres que ocorrem na vida de qualquer um, voltei a usar drogas, desta feita passei a usar cocaína, misturando-a com bebidas alcoólicas.

Em toda minha vida de drogadição o álcool esteve presente, tanto quanto o tabaco. Pois bem, passados trinta anos, fui direto para a cocaína. Usei muitas daquelas consideradas puras, "escama de peixe" e a "nine-nine", da embromação. Mas ai o mercado deu para transformar a cocaína em porcaína, com tanta mistura. Chegou um dado momento que usar essas porcaínas começou a me fazer muito mal. Era um usuário que cheirava muito mesmo. Tive dois episódios de overdose, que eu mesmo tratei. Depois me ocorreu mudar de endereço e fui morar em outro bairro. Sabe, pelo tempo de uso e pelo alto consumo, era de se esperar que a falta da droga me causasse abstinência, mas isso não aconteceu. Passei um bom tempo sem sentir a menor falta.

Voltei a ser careta, até que um dia, numa crise conjugal, a esposa me deixou (nada por conta de drogas) e partiu para a casa da mãe. Dei para beber e, na rotina dos bares, encontrei um velho conhecido que me falou do crack. Como estava levemente embriagado, resolvi experimentar, ai´começou outro capitulo dessa minha vida agitada. Desorganizei-me totalmente. Começou outro pesadelo!

O crack é uma droga amaldiçoada e o que foi um mundo dantesco, em que habitavam almas penadas de todas as classes sociais, fazendo uso desta droga, "demonizada"pela mídia, de tal modo que a transformou no fim do mundo, em franca campanha de terror, levando a população a ver fantasma e a crer em mitos.

Infelizmente eu entrei no uso. Contudo, sem melodramas, sempre tive fé em Deus e muita fé em mim e na minha capacidade de superação. Mas a vida da gente muda, a família entra em parafuso e pira; a razão some e a loucura ocupa o espaço vazio. E a coisa fica parecida como nessas casas em que, ao faltar comida, todo mundo briga e ninguém tem razão. 

Sem delongas, volto-me a nosso senhor Jesus Cristo pedindo, como se numa conversa estivéssemos, que recupere esta ovelha negra, que hoje represento, e a resgate de volta ao seu rebanho. Estou vivo e o fato de estar vivo constitui um milagre, pelo qual agradeço ao Senhor. 

Não sou pessimista e sei que tenho capacidade de vencer, mas é preciso que a família entenda que careço vibrações positivas e não dessa carga de negativismo com que me fuzilam e outras coisas mais, como papos desaforados e a falta de dialogo e entendimento. Que sejam otimistas e acreditem na minha recuperação e é isso que peço a Deus, que me ajude a vencer, vez que estou disposto a superar este capitulo infeliz da minha vida, e que a minha família permita  me reencontrar com a ajuda deles e o divinal querer. 

Reconheço, Nosso Senhor que tenho delinquido e aceite a poesia de Gregório como um pedido meu, ainda que recaia sobre o Senhor, este meu desvio de conduta. Como ovelha, fora do rebanho, peço-lhe que não perca, nesta sua ovelha, a vossa glória.

Obrigado senhor!




segunda-feira, 11 de março de 2013

Meditação Diária Narcóticos Anônimos • Comitê de Serviço de Área • São Paulo • 2013

11 de março de 2013
Aliviando a carga

"Não nos tornamos pessoas melhores, julgando os erros dos outros. O que nos fará sentir melhor é limpar nossas vidas."
Texto Básico, p.. 41

Algumas vezes precisamos de algo para nos ajudar a compreender o quanto guardar um ressentimento está nos fazendo mal. Podemos não estar atento a como os ressentimentos são destrutivos. Pensamos: “E daí, eu tenho direito de estar com raiva”. Ou: “Eu posso estar nutrindo um rancor ou dois, mas não vejo nenhum mal”.

Para ver mais claramente o efeito que guardar ressentimentos tem em nossas vidas, poderíamos tentar imaginar que estamos carregando uma pedra por cada ressentimento. Um pequeno rancor, tal como a raiva por alguém dirigir mal, poderia ser representada por uma pedrinha. Nutrir má vontade em relação a um grupo inteiro de pessoas poderia ser representado por um enorme pedregulho. Se, de fato, verdadeiramente tivéssemos que carregar pedras por cada ressentimento, seguramente nos esgotaríamos com o peso. Na verdade, quanto mais incômoda nossa carga, mais sinceros nossos esforços para descarregá-la.

O peso de nossos ressentimentos impede nosso desenvolvimento espiritual. Se verdadeiramente desejamos liberdade, vamos procurar nos livrar do máximo de peso extra que for possível. À medida que nos aliviamos, vamos notar uma maior habilidade para perdoar nossos companheiros seres humanos pelos seus erros, e nos perdoarmos pelos nossos. Vamos alimentar nossos espíritos com bons pensamentos, palavras gentis e ajuda aos outros.

Só por Hoje: Eu vou procurar remover a carga de ressentimentos de meu espírito.

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