sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos


Sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Confiança

"Só por hoje terei fé em alguém de NA, que acredita em mim e quer ajudar na minha recuperação."
Texto Básico, pág. 101


Aprender a confiar é uma proposta arriscada. Nossa experiência no passado como adictos na ativa nos ensinou que nossas companhias não eram confiáveis. Acima de tudo não podíamos confiar em nós mesmos. Agora que estamos em recuperação é essencial. Precisamos de algo a que nos apegar, em que acreditar e que nos dê esperança em nossa recuperação. Para alguns de nós a primeira coisa em que podemos confiar são as palavras de outros membros partilhando nas reuniões; sentimos a verdade de suas palavras.

Quando encontramos alguém em quem podemos confiar, fica mais fácil pedir ajuda. Quando passamos a confiar em sua recuperação, aprendemos a confiar na nossa.

Só por Hoje eu decidirei confiar em alguém. Agirei nesta confiança.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos


QUARTA-FEIRA, 29 de janeiro de 2014

O Primeiro Passo – um passo de ação

"Compreendemos que não temos nenhum controle sobre as drogas?"
Texto Básico, pág. 20



A princípio muitos de nós pensaram que o Primeiro Passo não requeria ação – bastava nos rendermos e ir para o Segundo Passo. Mas o Passo Um requer ação, sim!

A ação que tomamos no Primeiro Passo ficará evidente na maneira como vivemos, desde nosso primeiro dia limpo. Se acreditarmos sinceramente que somos impotentes perante nossa adicção, não escolheremos ficar perto de drogas. Continuar a viver ou nos associarmos com adictos na ativa pode indicar uma restrição a nosso programa. Uma crença absoluta em que o Primeiro Passo diz respeito a nós irá assegurar que limpamos nossa casa de todas as drogas e objetos relacionados ao uso delas.

Com o passar do tempo, não somente continuaremos com as ações básicas, mas acrescentaremos novas ações a nosso repertório do Primeiro Passo. Aprenderemos a sentir nossos sentimentos em vez de controlá-los. Deixaremos de tentar ser nossos próprios e únicos guias em nossa jornada de recuperação; o apadrinhamento de si mesmo cessará. Começaremos a procurar mais e mais satisfação espiritual em um Poder maior do que nós em vez de tentar preencher aquele vazio com outra coisa qualquer. Rendição é apenas o começo. Uma vez rendidos, precisaremos aprender a viver na paz que encontramos.

Só por Hoje eu realizarei todas as ações necessárias à prática do Primeiro Passo. Acredito, sincerame- te, que isso diz respeito a mim.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Meditação do Dia, Narcóticos Anônimos


SEGUNDA-FEIRA, 27 DE JANEIRO DE 2014

Aprender a viver de novo

“Aprendemos novos modos de viver. Não mais estamos limitados às nossas velhas ideias. " 
Texto Básico, p. 64 

Quando éramos crianças, podem ter-nos ensinado, ou não, o que é certo e errado, a par de outras coisas básicas da vida. Seja como for, quando entramos em recuperação, a maioria de nós tinha apenas uma ideia vaga de como viver. 

O nosso isolamento do resto da sociedade levou-nos a ignorar as responsabilidades humanas básicas e a desenvolver capacidades estranhas de sobrevivência, para lidar com o mundo em que vivíamos. Alguns de nós não sabiam como dizer a verdade; outros eram tão francos, que magoavam todas as pessoas com quem falavam. Alguns de nós não conseguiam lidar com o mais simples dos problemas pessoais, enquanto que outros tentavam resolver os problemas do mundo inteiro. 

Alguns de nós nunca se irritavam, mesmo quando eram tratados injustamente; outros refilavam contra tudo e todos. Sejam quais forem os nossos problemas, seja qual for a sua gravidade, todos nós temos uma oportunidade em Narcóticos Anônimos para aprender como viver de novo. 

Talvez precisemos de aprender a ser generosos e a preocupar-nos com os outros. Talvez precisemos de aceitar responsabilidades pessoais. Ou se calhar precisamos de ultrapassar o medo e correr alguns riscos. Podemos estar certos de uma coisa: em cada dia, simplesmente por vivermos a vida, iremos aprender algo de novo. 

Só por hoje sei mais acerca da vida do que sabia ontem, mas não tanto como saberei amanhã. Hoje, vou aprender qualquer coisa nova.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Em ação surpresa, Polícia Civil reprime com bombas dependentes na Cracolândia

J F Diorio -  O Estado de S. Paulo - Homem dominado na Cracolandia
Por Bruno Ribeiro e Laura Maia de Castro - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Policiais do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil, fizeram uma operação nesta quinta-feira, 23, sem comunicar a Prefeitura nem a Polícia Militar, na Cracolândia, região central de São Paulo, palco da Operação Braços Abertos, aposta do prefeito Fernando Haddad para reabilitar os dependentes de crack.

Por volta de 16h, cerca de dez viaturas cercaram os dependentes de crack que não estão inseridos no programa assistencial e estavam concentrados na Rua Barão de Piracicaba. Os policiais civis atiraram balas de borracha e jogaram diversas bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo na multidão, que correu a esmo e revidou jogando pedras. O quarteirão estava lotado de dependentes.

Agentes da Secretaria de Saúde e de Assistência Social, que também não sabiam da ação, ficaram no fogo cruzado. A ação ocorreu pouco tempo depois de policiais civis à paisana terem feito uma prisão de um dependente no local. Nesta primeira ação, uma dependente acabou ferida na cabeça com bala de borracha.

Foto Jornal Estado de São Paulo

A reportagem apurou que a avaliação inicial da Prefeitura é que o programa Braços Abertos, que contava justamente com a ausência de repressão dos dependentes, foi prejudicada e terá dificuldades para prosseguir.

O Estado estava no local na hora da ação e viu a surpresa de guardas-civis, oficiais da PM e até do próprio secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto. Nesta quinta completa uma semana que os dependentes que aderiram ao programa começaram a trabalhar e a equipe estava fazendo um balanço do período.

Veja mais noticías e fotos no link : http://migre.me/hyXSg


Haddad repudia ação da Polícia na Cracolândia



JORNAL DO BRASIL

Sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT), emitiu uma nota oficial nesta quinta-feira (23) repudiando a ação da Polícia Civil e do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico) na região da Cracolândia. Na nota, a Prefeitura diz que “repudia esse tipo de intervenção” e afirma que “a administração municipal foi surpreendida pela ação policial repressiva realizada na região da Cracolândia”.  

A Prefeitura também afirma que bombas foram usadas contra agentes de saúde e funcionários municipais que trabalhavam no local. “A Operação de Braços Abertos é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não-violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força. A Prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química”, declara a administração municipal de São Paulo. 

A operação surpresa do Denarc na região aconteceu na tarde desta quinta, quando policiais civis prenderam vários usuários de drogas e utilizaram balas de borracha e spray de pimenta contra eles. A operação não havia sido informada para a Prefeitura, que trabalhava com agentes de saúde e assistentes sociais no local para cadastrá-los no programa "Operação Braços Abertos". 

A intervenção dos policiais civis surpreendeu até agentes da Guarda Civil Metropolitana e o secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto, que também estavam no local.  Na nota repúdio, a Prefeitura de SP esclarece que agentes da Prefeitura trabalham há seis meses para conquistar a confiança e obter a colaboração das pessoas atendidas e que a ação da Polícia Civil só tem a prejudicar os esforços de ajuda aos dependentes químicos da região.  

“A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa. E expressou essa posição diretamente ao Governo do Estado”, aponta o documento assinado pela Secretaria de Comunicação da Prefeitura de São Paulo. 

A chamada ‘Operação Braços Abertos’ é um projeto lançado há menos de quinze dias pela Prefeitura de São Paulo, que pretendia resgatar usuários de crack da rua através de ajuda assistencial. A ideia do prefeito Fernando Haddad era oferecer moradia, emprego e tratamento de saúde aos usuários de crack região da chamada “Nova Luz”, centro do perímetro chamado de Cracolândia.

Meditação do dia, Narcóticos Anônimos

Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014

Do isolamento à conexão

Nossa doença nos isolava... Hostis, ressentidos, egocêntricos e egoístas, nos isolávamos do mundo exterior.

A adicção é uma doença que leva ao isolamento, deixando-nos fora da sociedade, família e do eu. Escondemo-nos. Mentimos. Caçoávamos das vidas que víamos os outros viverem, certamente fora de nosso alcance. Pior de tudo, dizíamos a nós mesmos que não havia nada de errado conosco, mesmo sabendo do que estávamos desesperadamente doentes. Nossa conexão com o mundo e com a própria realidade ficou difícil. Nossas vidas perderam o significado, e nos afastamos cada vez mais da realidade.

O Programa de NA foi projetado especialmente para pessoas como nós. Ele nos ajuda a reconectar com a vida que nos era destinada, tirando-nos de nosso isolamento. Paramos de mentir a nós mesmos a respeito de nossa condição; admitimos nossa impotência e descontrole de nossas vidas. Desenvolvemos fé em que nossas vidas podem melhorar, a recuperação é possível e a felicidade não está permanentemente além de nosso alcance. Tornamo-nos honestos; paramos de nos esconder; “mostramos nossa cara e dizemos a verdade”, seja ela qual for. E, enquanto fazemos isso, estabelecemos os laços que conectam nossas vidas individuais à vida maior a nosso redor.

Nós, adictos, não precisamos viver isolados. Os Doze Passos podem restaurar nossa conexão com a vida e com o viver – se os praticarmos.

Só por hoje eu sou parte da vida a meu redor. Praticarei meu programa para reforçar minha conexão com meu mundo.


NASP-RGSP  http://www.nasp.org.br/meditacao-diaria

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Meitação diária, Narcóticos Anônimos

Uma promessa, muitas dádivas

Segunda-feira, 20 de Janeiro 2014

Narcóticos Anônimos nos promete apenas uma coisa: a libertação da adicção ativa...

Imaginem o que seria se chegássemos em NA desesperados, querendo parar de usar drogas, e encontrássemos somente uma conversa fiada do tipo: “Se trabalhar os passos e não usar drogas, você se casará, irá morar em algum lugar melhor, terá filhos e passará a se vestir bem. Você se tornará responsável, um membro produtivo da sociedade e será a companhia ideal de reis e presidentes. Você ficará rico e terá uma carreira dinâmica.” Muitos de nós, recebidos com um papo tão pesado, teriam gritado e saído fora.

Em vez de precisões assustadoras e pressões sem sentido, somos recebidos com uma promessa de esperança: libertação da adicção ativa. Sentimos um alívio abençoado sobre nós, quando ouvimos que nunca teremos de usar novamente. Não seremos forçados a nos tornar coisa alguma!

Claro que, depois de algum tempo em recuperação, começam a acontecer coisas boas em nossas vidas. Dádivas nos são oferecidas – dádivas espirituais, dádivas materiais, dádivas com que sempre sonhávamos, mas que sequer ousávamos esperar conseguir. No entanto, estas são dádivas de verdade – não são prometidas apenas porque nos tornamos membros de NA. Tudo que NA nos promete é a libertação da adicção ativa – e isto é mais do que suficiente!

Só por hoje foi-me prometida a libertação da adicção ativa. As dádivas que recebo são benefícios da recuperação.

Prólogo de Lobão


Colocamos a seguir o Prólogo do livro "50 anos a mil - Lobão. Reformatamos o texto adequando-o ao blog. Recomendamos a leitura do livro:

Prólogo

Rio, junho, 1984.

Quatro da manhã, cemitério do Caju... Madrugada fria e a gente não parava de chorar... Escondidos, perambulando feito fantasmas, arrastando corrente, pelos cantos do velório… almas penadas.

Àquela hora, não havia mais ninguém na sala com o Júlio, exceto eu e Cazuza, que, por todos os motivos do mundo, não conseguíamos parar de olhar para o caixão fechado, nem parar de chorar, nem deixar de ir ao banheiro cheirar mais, pra continuar chorando:

“Perder um cara como o Júlio é como uma decapitação… A gente ficou órfão do nosso irmão mais velho”, sussurrei para um Cazuza igualmente desmoronado, que me respondia: “Órfãos e fudidos,
você quer dizer”, e emendou: “Vão chupar a nossa carótida...”

Sim, essas visões sombrias já pairavam no ar o tempo todo. Não parávamos de imaginar as consequências daquela perda. A minha desolação era inédita; nunca estive me sentindo tão dentro do fim, tão nada e com a alma sangrando. Vomitava meus pavores: “Agora estamos à deriva. A gente naufraga aqui. Esse velório, esse cemitério, essa morte é como se estivéssemos chegando nas portas do inferno. A partir de agora, todas as nossas esperanças serão deixadas do lado de fora. Todas as esperanças de conquistarmos a nossa autonomia, a nossa estética. Perdemos o trem da história, Cazuza. Sem o Júlio nós não temos mais uma turma; agora somos um monte de ninguéns!... Chegou a hora dos nossos inimigos se  apoderarem da cena pra formar alianças, justamente com aqueles que mais queríamos ver longe. É a hora do pastiche e da indulgência… A hora do frenesi dos mesmos cadáveres insepultos de sempre, sugando a juventude dos que nada mais têm a oferecer, além do próprio sangue de barata. É a hora dos come-quieto nos fazerem de vilões. É a hora da morte da possibilidade da transformação, da morte da nossa ingênua esperança em querer mudar o mundo. É a hora da morte da liberdade do delírio... O Universo não conspira mais a nosso favor. O inferno é aqui e agora, e nossas esperanças ficaram num céu natimorto.”

Estava delirantemente transtornado pela dor e vagamente anestesiado pela cocaína; sem que necessariamente estivesse inteiramente fora do meu juízo. 

O Júlio era um homem-arquivo, um poço das mais variadas informações. Um ser de uma inteligência prodigiosa, de grande coragem e inspiração; um articulador.

Era um esteta, e perseguia obsessivamente a novidade, digerindotudo que estava ao seu alcance, sem barreiras, sem dogmas. Fora a sua alegria... O Júlio era um grande poeta, uma criatura engraçadíssima, uma aventura ambulante, um sexista, um sátiro e, antes de qualquer coisa, um amigo raro. 

Com tudo isso passando pela cabeça, naquele velório, suor e lágrimas se fundiam. O silêncio se desfazia com o cantar dos passarinhos, que despertavam com o dia a me causar calafrios. Na sala, o caixão fechado invocava toda uma angústia da incapacidade em não poder dar o último abraço, o último beijo. 

Daí pensei: “Cazuza, pensa bem: tá todo mundo dormindo, a gente tá aqui sozinho, com ele... Vamos sublimar a paradinha.

Vamo esticar duas carreironas em cima do caixão? Pelo menos essa kartirinha da Ordem dos Músicos vai servir pra alguma coisa. A gente não pode se negar a fazer isso, né?” Eu fungava, apalpando freneticamente os bolsos.

“Vai ser nossa última homenagem... Não tem ninguém olhando... Vamo nessa, rapá!”  “Lobãothinho”, Cazuza de vez em quando me chamava assim, ciciando, “tá bom, vamos nessa. Mas será que não vão pegar a gente com o canudo no nariz?”

“Claro que não, bobo. Tá todo mundo cansadão, dormindo pelos cantos. E se alguém nos flagrar, vai pensar que tá tendo um visual causado pela estafa e pelo sofrimento. Além do mais, isso aqui é uma licença poética!” Depois de algum tempo tremelicando, consegui tirar a tampa de Minalba do bolso, cheia de cocaína, despejar no verso da kartira azul e pousá-la em cima do caixão.

Estiquei diligentemente duas enormes lagartas que reluziam a brilhar naquela insólita superfície — que naquele instante, em todo o seu conjunto, mais parecia uma instalação de arte contemporânea —, e passei o canudo de caneta Bic pro Cazuza:

“Vai nessa, meu irmão. Pensa que é pro Júlio.” Ele me deu uma risada meio amarga, meio úmida, deu uma cafungada forte e, sem perder o fôlego, me passou o canudo secando a narina no antebraço, dizendo baixinho: “A gente é muito louco! A gente é maluco...” Pausa. Mais uma risadinha canalha e emenda: “Mas também, o que nos resta?!” Respirei um pouco pra pegar um ar depois do catranco e, me dirigindo a um Júlio que, nesse exato momento, parecia descer das nuvens, todo de branco, como
sempre gostava de se trajar, a nos abençoar, escancarando um sorriso de quem está pronto para gritar para seus irmãozinhos — “Aleluia, rapeizy!” —, contrito, lhe prometi: “Meu amigo, você vai sempre estar com a gente, você vai sempre estar vivendo dentro da gente, pode crer!”

Recebemos um fluxo de energia poderoso. Um momento ritual. A partir de então, a minha vida se resumiria em antes e depois daquele instante. A morte do Júlio Barroso foi um marco: existia o antes e o depois daquela perda. Não só para mim, mas para toda a história.E olhando pro Cazuza, inflado de amor, arrematei: “E tem outra, rapá, não vão derrubar a gente assim tão mole, não! Vamos em frente, mesmo porque a morte do Júlio não vai ser em vão. A nossa vida não pode ser em vão, e, se nada pode deter uma pessoa feliz, nada poderá nos deter, pois a nossa história vai ser cada vez mais... cada vez mais...” Chorava copiosamente. Diante daquele vazio, gaguejando mentalmente, tentando pinçar na cabeça o que poderia ser “cada vez mais”, arrematei: “INTENSA!!!!” E não satisfeito, prossegui: “e cada vez mais... DIVERTIDA!!!!” E concluí: “A nossa onda de amor não há quem corte!!”

Chacoalhando de emoção, abracei com toda a força o caixão. Talvez tenha sido ali, naquele momento surreal, que nasceu não só uma vontade, mas um compromisso tácito entre meus amigos de que, uma vez sobrevivendo, eu deveria contar toda a história. Uma saga à procura de um lugar a que se pertencer… Eu precisava, através de um juramento, me motivar o bastante para não ver nossos sonhos serem sepultados com meus amigos.

Preparem-se porque, a partir de agora, vou contar uma história de amor louca, insólita, humana, demasiadamente humana, imprevisível, improvável, mas bem real: a história da minha vida, que se mescla e se confunde com a da minha geração, do nosso país e de nosso tempo. Não se trata de uma simples narração de um passado longínquo, morto e enterrado, fruto de um devaneio nostálgico. É uma história cheia de vida, de intensidade e de revelações, que incide no presente e se projeta em direção ao futuro.Portanto, não se enganem: o melhor ainda está por vir, pois essa promessa eu fiz aos meus amigos, ao pé de suas lápides. E tenham a certeza absoluta de que a cumprirei à risca.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Meditação diária, Narcóticos Anônimos


Fazer da tempestade um copo d’água

Quando paramos de viver aqui e agora, nossos problemas são aumentados exageradamente. Alguns de nós parecem fazer tempestade de um copo d’água com nossos problemas. Mesmo aqueles de que encontram alguma serenidade, provavelmente, em algum momento de nossa recuperação, colocam algum problema totalmente fora de proporção e se ainda não o fizemos, provavelmente logo o faremos!

Quando nos vemos obcecados com alguma complicação em nossas vidas, é bom lembrar-nos precisamente de tudo o que está indo bem. Em vez de ficarmos sentados com a calculadora conferindo-as repetidamente, podemos concentrar nossos esforços em reduzir despesas. Seguindo este mini-inventário, continuamos com a tarefa à mão e nos lembramos que, desde que façamos o trabalho de base,  o poder Superior tomará conta de nossas vidas.

Problemas tempestuosos acontecem algumas vezes, mas não precisamos criá-los. A confiança num Deus amoroso de nossa compreensão colocará a maior parte de nossos problemas em sua perspectiva certa. Não precisamos mais criar um caos para nos sentirmos estimulados com nossas vidas. Nossa recuperação nos oferece, na vida real, incontáveis oportunidades de estímulo e drama.

Só por hoje eu terei uma visão realista de meus problemas e verei que em sua maioria são pequenos. Eu os deixarei assim e apreciarei minha recuperação.

Fonte RGSP

sábado, 18 de janeiro de 2014

Dependência e Personalidade - PsiqWeb

Gosto muito do site Psiqweb e resolvi publicar um artigo muito interessante e ao mesmo complicado para o leitor que possui pouca intimidade com o campo da psiquiatria. Talvez o tema e o texto, de cunho cientifico, atraia alguns leitores desejosos em conhecer um pouco mais sobre problemas pertinentes à dependência química e a adicção. Transcreverei na íntegra. Porém, terei que fragmenta-lo, visto que é um primor de texto, certamente alongado para os leitores apressados. Hoje em dia, as pessoas querem e buscam textos secos, enxutos, concisos, com um caráter solene, imposto, principalmente pelas regras do jornalismo.
Então vamos lá: 

Dependência e Personalidade

Traços da personalidade vêem de uma matriz de determinantes biológicos, somados a fatores ambientais.
Dependências | Personalidade |

Depois da década de 90, com a atualização dos manuais de classificação psiquiátrica (CID.10 e DSM.IV), todas as crianças, adolescentes e adultos que cronicamente ameaçam, intimidam, agridem e incomodam os outros, bem como aqueles que violam normas sociais recebem um diagnóstico psiquiátrico. As crianças e adolescentes recebem o diagnóstico de um dos Transtornos Disruptivos do Comportamento, enquanto os maiores de 18 anos recebem o diagnóstico de Transtornos Anti-Social da Personalidade.
Quando tentamos relacionar o abuso de substâncias ou dependência química comTranstornos de Personalidade, estamos pensando predominantemente no adolescente, no jovem e/ou no adulto jovem. A classificação correta para os tipos de comportamentos problemáticos, possivelmente decorrentes de Transtornos de Personalidade é:Transtornos Comportamentais Disruptivos. Entre esses estão o Transtorno Desafiador e de Oposição, o Transtorno de Conduta e o Personalidade Psicopática. Todos eles chamados de comportamentos anti-sociais.
Entretanto, conforme veremos aqui, uma consideração muitíssimo importante em relação à dependência química é a Alteração da Personalidade, um diagnóstico quase nuncao considerado e que fará uma brutal diferença no prognóstico dos dependentes. 
Não há dúvida de que as pessoas com Transtorno da Personalidade têm severos problemas no relacionamento social e correm riscos de outros problemas adicionais. A classificação atual de "mau" comportamento usando os diagnósticos do DSM.IV deTranstornos Disruptivos do Comportamento e Transtornos Anti-Social da Personalidade, tem certa dificuldade porque, nos casos decorrentes de Transtorno da Personalidade o prognóstico estaria "fechado", ou seja, com poucas ou nenhuma possibilidades de reversão, mas, nos pouco considerados casos de Alterações da Personalidadeocasionadas pelo uso abusivo de substâncias, o quadro é muitíssimo mais otimista.

Transtorno Disruptivo do Comportamento e Dependência
O termo adicção ainda não é reconhecido oficialmente pela psiquiatria (em português também é um neologismo, existindo o termo adição), mas ele define condutas com características de dependência. Essa noção de dependência química é originalmente aplicada ao uso de substâncias, mas a dependência em si tem sido relacionado ao jogo, televisão, sexo, alimentação, etc. São atividades que podem determinar uma necessidade imperiosa de continuá-las, convertendo-se nas chamadas adicções comportamentais.

Um ponto de partida na classificação e identificação desses comportamentos anti-sociais deveria levar em consideração o importante papel da agressividade mal adaptada ou do "mau" comportamento. Algumas vezes a agressividade não é francamente expressa, por questões de educação, por exemplo. Nesses casos de agressividade velada o que passa a contar é a impulsividade.
Alguns trabalhos sugerem que os traços de agressividade-impulsividade estejam presente em crianças, adolescentes e adultos com Transtornos Disruptivos do Comportamento e com Transtornos Anti-Social da Personalidade, resultando em comportamentos delinqüentes e, principalmente, favorecendo alguma ligação com adependência química.

Os desvios comportamentais com predileção para a agressividade, irritabilidade e oscilações do humor, tal como existem nos Transtornos Comportamentais Disruptivos têm uma forte ligação para o uso de drogas ilícitas.
No DSM-IV estão agrupados o Trastorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade eComportamento Disruptivo em um mesmo capítulo sobre Transtorno Diagnosticados na Infância e Adolescência.
Classifica entre os Transtornos do Comportamento Disruptivo o seguinte:
1 - Transtorno de Conduta e;
2 - Transtorno Desafiador Opositivo

Entre as dependências destacam-se, como paradigma, os chamados Transtornos por Consumo de Substâncias com Dependência, os quais produzem um grupo de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos. Essa dinâmica sintomática faz a pessoa continuar consumindo a substância, apesar da aparição de problemas significativos relacionados com ela. O diagnóstico de dependência de substâncias, segundo critériosDSM IV, pode ser aplicado a toda classe de substâncias, a exceção da cafeína. Auxiliando o diagnóstico de dependência ressalta-se uma necessidade irresistível de consumo, referida em inglês pelo termo craving, ou fissura em portugues, que se observa na maioria dos dependentes.
Entre os critérios de diagnóstico de dependência destacam-se a tolerância e aabstinência, sendo a primeira caracterizada pela perda progressiva dos efeitos obtidos, estimulando assim a necessidade de doses crescentes e, a segunda, pelo quadro clínico de extremo mal estar decorrente da interrupção do uso. Ainda que a tolerância e a abstinência não sejam condições suficientes para diagnosticar a dependência de substâncias, poderão sugerir também que a dependência tem um sólido componente fisiológico ou orgânico.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) através do Código Internacional de Doenças (CID-10), preconiza que a dependência química é uma enfermidade incurável e progressiva, apesar de poder ser estacionada pela abstinência. Na CID.10 a dependência é definida como um...
“Conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após repetido consumo de uma substância psicoativa, tipicamente associado ao desejo poderoso de tomar a droga, à dificuldade de controlar o consumo, à utilização persistente apesar das suas conseqüências nefastas, a uma maior prioridade dada ao uso da droga em detrimento de outras atividades e obrigações, a um aumento da tolerância pela droga e por vezes, a um estado de abstinência física. A síndrome de dependência pode dizer respeito a uma substância psicoativa específica (por exemplo, o fumo, o álcool ou o diazepam), a uma categoria de substâncias psicoativas (por exemplo, substâncias opiáceas) ou a um conjunto mais vasto de substâncias farmacologicamente diferentes.”
OMS traça também diretrizes para o diagnóstico que deve somente ser feito, casos três ou mais critérios descritos tenham sido preenchidos por algum tempo durante o último ano.
 Diretrizes da OMS para diagnóstico de Dependência
1 - Forte desejo ou compulsão para usar a substância.
2 - Dificuldade em controlar o consumo da substância, em termos de início, término e quantidade.
3 - Presença da síndrome de abstinência ou uso da substância para evitar o aparecimento da mesma.
4 - Presença de tolerância, evidenciada pela necessidade de aumentar a quantidade para obter o mesmo efeito anterior.
5 - Abandono progressivo de outros interesses ou prazeres em prol do uso da substância.
6 - Persistência no uso, apesar das diversas conseqüências danosas.

Alcoólicos Anônimos - Reflexões Diárias

Sábado, 18 de Janeiro de 2014.

UMA BEBIDA AJUDARIA

Voltando atrás em nossas próprias historias de bebida, nós poderíamos mostrar que, anos antes de perceber, estávamos fora de controle, que nossa maneira de beber, mesmo naquela época, não era apenas hábito, mas era de fato o inicio da progressão fatal

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES.

...comentários de um membro...
Quando eu estava bebendo, não podia responder qualquer situação da vida como podiam outras pessoas mais saudáveis. O menor incidente desencadeava um estado de espírito que, acredite, eu tinha que beber para entorpecer meus sentimentos. Mas o entorpecimento não melhorava a situação, então procurava uma saída na garrafa. Hoje preciso estar consciente do meu alcoolismo. Não posso me permitir acreditar que ganhei o controle sobre minha maneira de beber – ou novamente pensarei que ganhei o controle sobre a minha vida. Tal sentimento de controle é fatal à minha recuperação.

Fonte: Alcoólicos Anônimos - Piauí 

Meditação do dia, Narcóticos Anônimos


Sábado, 18 de Janeiro de 2014

O simples inventário

Continuar fazendo o inventário pessoal significa que criamos o hábito de olhar regularmente para nós mesmos, nossas ações, atitudes e relacionamentos

O inventário diário é uma ferramenta que podemos usar para simplificar nossas vidas. O mais complicado em fazer um inventário regularmente é decidir como começar. Deveríamos escrevê-lo? O que deveríamos examinar? Em que nível de detalhes? E como sabemos que terminamos? Num instante, transformamos um exercício simples num projeto grandioso.

Aqui está uma simples abordagem para o inventário diário; reservamos alguns minutos no fim de cada dia, sentamos calmamente e examinamos nossos sentimentos. Existe um nó, pequeno ou grande dentro de nós? Sentimo-nos desconfortáveis com o dia que acabou de terminar? O que aconteceu? Qual foi nossa participação no que aconteceu? Devemos alguma reparação? Se pudéssemos fazer tudo de novo, o que faríamos diferente?

Também queremos observar os aspectos positivos de nossas vidas em nosso inventário diário. O que nos deu satisfação hoje? Fomos produtivos? Responsáveis? Gentis? Amoroso? Demos de nós desinteressadamente? Experimentamos plenamente o amor e a beleza que o dia nos ofereceu? O que fizemos hoje que gostaríamos de fazer novamente?

Nosso inventário diário não precisa ser complicado para ser eficiente. É uma ferramenta muito simples que usamos para permanecer em contato diário conosco.

Só por hoje eu  quero permanecer em contato com a maneira como me sinto vivendo esta vida que me foi concedida. No final deste dia, farei um breve e simples inventário.

Fonte: RGPS

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Visitando Blogs


Hoje resolvi voltar a visitar os blogs que considero  interessantes e importantes. Como se fosse um rápido passeio. Eles - os blogs - me acrescentam, sempre, alguma coisa a mais.  

A ideia, ou simbolo, de uma mochila, que Polyanna escolheu foi muito sugestiva. Ela me parece bem resolvida, determinada e, sobretudo, aceitando sua condição, com uma sensatez extraordinária. Está bem consciente sobre o seu papel, sobre omo deve proceder e se comportar diante de um problema tão aflitivo. Pareceu-me resignada, sem revolta, sem sofrimento aparente. 

É tão complicada essa situação, porque é muito difícil alguém conseguir se desvencilhar, totalmente, dos problemas que envolvem sua cara metade, numa boa. A maturidade que revela deve te-la conduzido a construir um estado especial de defesa e proteção, que ela própria edificou. Não é nenhuma  modalidade de prisão, que permanece nela, mas é como se tivesse desenvolvido um escudo protetor, assemelhado a um campo de força, que fortaleceu o seu mundo interior, fazendo-a domar e dominar sentimentos, que ainda estão sob prova de fogo. Ela deve ser suficientemente forte, acredito. Brilhante texto!

Emily partilha sua felicidade com a resso do filho e dos bons sinais que o mesmo reflete. Está bem com o esposo, fico feliz. Torço por todos, dependentes e codependentes. Desejo êxito para a família, especialmente para o filho.  Tem tudo para vencer !

O Júnior, do blog Limpo, Só por Hoje, tem 16 dias que não posta nada, mas, pelo visto, anda animado e firme em seus propósitos. TAMUJUNTU companheiro!

Beatriz não foi tão feliz, mas deve seguir o o rumo do perfil que traçou para si mesma: 

"Não me dêem fórmulas certas, Porque eu não espero acertar sempre... Não me mostre o que esperam de mim, Porque vou seguir meu coração!... Não me façam ser o que eu não sou, Não me convidem a ser igual, Porque sinceramente sou diferente!... Não sei amar pela metade, Não sei viver de mentiras, Não sei voar com os pés no chão... Sou sempre eu mesma, Mas com certeza não serei a mesma para sempre."  Texto de Clarice Lispector.

Sucesso, Beatriz, o mundo não se acabou!

Cicie, faz algum tempo que não escreve. O teclado deve estar de férias e ela deve estar encapsulada em algum cruzamento do destino. Ela não é do tipo que fica sentada na beira do caminho, para saber que ainda existe. Seu último post traduz algo do tipo "decifra-me ou devoro-te". Vou esperar ela voltar das férias prolongadas.  Tomara que dê notícias!

Giulliana faz um convite: "quero convidar vocês para conhecer o meu outro blog: Entre o Caos e a Ordem e também para conhecerem o meu livro, cujo a versão impressa e e-book está disponível no Clube de autores e....tchan tchan tchan, a Saraiva também está vendendo o e-book". Mais uma escritora rumo ao sucesso!

Tudo parece tranquilo, abaixo da linha do Equador, não fosse a ausência de notícias de tantos(as) blogueiros(as). No Brasil, ausência de notícias não é bom sinal. Na Europa é diferente!

Falando a mesma língua

valcabral.blogspot.com
Combater o crack sem imposição, falando a língua dos dependentes?

Do Blog de Leonardo Sakamoto, publicado em  06/02/2013:

Marcos Lopes é ex-usuário e ex-traficante. Abandonou o tráfico em 2002, segundo ele, graças ao estudo. Formou-se em Letras e escreveu o livro Zona de Guerra (publicado em 2009 pela Matrix Editora) no qual narra sua trajetória. É fundador do Projeto Sonhar e, aos 29 anos, se dedica a apresentar portas de saída da dependência química e do mundo do crime a outros jovens em bairros da Zona Sul de São Paulo.

Marcos escreveu um artigo para este blog sobre a internação compulsória, política que foi adotada recentemente em São Paulo e tem gerado polêmica. Segundo ele, é possível convencer dependentes do crack a buscarem tratamento sem usar da violência, falando a mesma língua que eles.

Por que a internação compulsória de usuários não é a melhor solução para lidar com a droga
por Marcos Lopes

Os veículos de comunicação e redes sociais tem nos bombardeado com a discussão sobre a internação compulsória de dependentes químicos. Fazem parecer algo simples e banal definir o destino de pessoas que vivem às margens de uma sociedade caótica, de uma educação falida e de uma saúde precária. Mas tirá-los à força das ruas e trancafiá-los num hospital, sob efeito de remédios, só causará ao usuário mais indignação, revolta e até uma posterior recaída.

De dentro de suas salas com ar-condicionado, médicos e representantes do governo traçam políticas públicas para consertar uma realidade da qual eles não têm a menor noção porque nunca a vivenciaram. Por alguns anos, usei cocaína e fui traficante e afirmo que ninguém entra nesse mundo simplesmente porque quer virar “noia” ou se tornar andarilho. Há todo um contexto que deve ser levado em consideração. O histórico de vida do dependente: quem é ele, de onde veio, quem são seus pais, irmãos e principalmente: qual é o sonho desse indivíduo. Muitas vezes ele quer deixar aquele mundo, trabalhar e reconstruir sua família, mas o vício é algo incontrolável que nos tira o raciocínio e a sanidade.

Por isso, mais do que simplesmente tirá-los das ruas, é preciso oferecer-lhes ferramentas para ajudá-los a reconstruir outra vida pós-crack. E o usuário precisa se convencer de que alcançará esses objetivos depois de largar o vício. Como dizia Nietzsche: “detesto quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia”. O poder público quer tirar os dependentes de seu uso solitário da droga, mas o que pretende oferecer depois às pessoas que tem o centro da cidade como casa, o lixo como refeição, as ruas como escola e a sociedade como inimiga? Retirá-los à força das cracolândias do país é simplista. O difícil é mostrar-lhes um caminho alternativo depois do tratamento. E para isso o governo ainda não ofereceu respostas ou alternativas.

O tratamento compulsório é ineficiente, pois o usuário ficará afastado do vício somente por um período. Depois ele voltará às ruas, encontrará as mesmas pessoas, o mesmo ponto de tráfico e não necessariamente deixará de usar cocaína ou crack. Compulsoriamente, ele também tomará os remédios exigidos pelos médicos da instituição pela qual passará. Só mudará o tipo da droga e da dependência.

Já convencer o dependente a largar o vício é oferecer-lhe, em parceria com ele, uma nova opção de vida. Trata-se de resgatar sua autoestima e apontar como ele pode fazer efetivamente parte da sociedade. É fazê-lo deixar a clínica de cabeça erguida e mostrar que ele é digno de viver por si próprio e não sobreviver de comportamentos perversos para conseguir a droga. E disso depende o tipo de abordagem do técnico e sua maneira de falar, olhar, tocar e gesticular. O dependente deve sentir que a pessoa que o aborda sabe do que está falando, que é conhecedor do problema dele não porque simplesmente viu pela TV, mas por já ter vivido situação semelhante ou já ter ajudado pessoas assim.

Em vez de usar da força, o educador tem de ser persuasivo, afetivo e emotivo. Deve-se insistir de acordo com o espaço que o usuário lhe dá e isso acontecerá ora sim ora não. Quando não houver diálogo e uma aproximação, o melhor é voltar outro dia. E quantos outros forem necessários. Quem usa crack não confia em qualquer pessoa. Quantos não passaram na vida dele fazendo promessas e depois foram embora sem sequer dizer adeus? O vínculo afetivo é extremamente importante, senão a principal arma para se aproximar do usuário, uma vez que ele é arisco, desconfiado e dificilmente deixa pessoas de outras “tribos'' e realidades chegarem perto dele.

Convencê-lo a deixar esse mundo de exclusão em troca da realização de um sonho é o que Projeto Sonhar vem fazendo no Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo. Por meio do vínculo afetivo e recuperação da autoestima, o programa tem como finalidade orientar e resgatar toda a pessoa em situação de vulnerabilidade decorrente do contato com as drogas. Somos facilitadores de ações educativas que possibilitem criação de oportunidades ao usuário. Desde 2008, 30 garotos foram retirados do tráfico e do vício e hoje estão a caminho de realizar suas aspirações, sem recaídas.

É o caso, por exemplo, de Anderson, de 22 anos, morador do Parque Santo Antônio. Ele usava drogas, principalmente crack, com sua mãe desde os nove anos de idade. Foi numa abordagem direta e verdadeira que ele aceitou nossa proposta de tratamento. No primeiro contato, ele só disse que era usuário. Na segunda abordagem, o levamos para almoçar e ele se abriu. Contou-nos que queria parar de usar drogas para poder cuidar da mãe e dos irmãos. Tinha o sonho de se sentar à mesa de refeições pela primeira vez com outras pessoas e comer como gente. Também queria aprender a ler, a escrever e tentar um emprego com carteira assinada. Anderson topou se internar após saber que este educador já havia passado pela mesma situação que ele. E havia saído dela vitorioso.

Foram estabelecidos alguns acordos, como em qualquer parceria. Anderson cumpriria seu tratamento e eu levaria utensílios, mantimentos, medicamentos, material higiênico à sua família durante os meses que ele ficasse em recuperação. Após visitá-lo na clínica, a mãe também decidiu se tratar. Diagnosticada com um câncer, porém, ela faleceu tempos depois. Mas não sem antes ter realizado o sonho do filho que era ouvir dela: “Filho, vá comprar o pão”, ao invés de “Anderson, vá buscar a pedra''.

Hoje Anderson Odorico trabalha, estuda, cuida dos irmãos mais novos e é membro do Projeto Sonhar. Assim como Anderson, Edcarlos, Guilherme e Genildo também eram viciados. Perderam empregos, se afastaram da escola e da família. Hoje cada um deles se dedica a ajudar pessoas com o mesmo problema e com o mesmo sonho que um dia eles tiveram e que viram se tornar realidade tempos depois.

Nossa metodologia funciona pelo fato de falarmos a mesma língua dos usuários e por estarmos constantemente presentes em suas vidas. Todas as pessoas de sua convivência, como familiares e vizinhos, têm o telefone do projeto e podem recorrer a nós sempre que precisam. Isso lhes transmite confiança e nos dá credibilidade para continuar o trabalho.

Para fazer esse serviço funcionar como uma política pública é preciso estabelecer parcerias com comunidades terapêuticas para onde seriam encaminhados os usuários que aceitassem o tratamento por livre e espontânea vontade. Educadores que conheçam a área de atuação e, de preferência, tenham vivenciado aquela realidade também são peças fundamentais nesse processo. Ex-usuários poderiam ser recrutados para fazer esse trabalho. Outra medida essencial é o atendimento às famílias dos dependentes. Elas precisam saber como lidar com os novos hábitos, valores e costumes do indivíduo depois que ele deixar a clínica. Também é necessário se criar uma rede de apoio para que ele não tenha recaídas e continue a viver abstinente. Além de escolas e unidades básicas de saúde (UBS) locais, seria importante contar com a retaguarda de centros de atendimento ao trabalhador (CATs), agências de emprego, e cursos profissionalizantes para recolocá-los de volta ao mercado.

Só assim eles se sentirão importantes à sociedade.

Fonte:Blog do SAKAMOTO



Meditação Diária, Narcóticos Anônimos

Sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

PERDÃO
"Quando percebemos a nossa necessidade de sermos perdoados, temos a tendência de perdoar mais. Pelo menos sabemos que não estamos mais magoando os outros intencionalmente"
Texto Básico, p. 43

Em nossa adicção, frequentemente tratávamos mal os outros. Algumas vezes, deliberadamente, encontrávamos meios de magoá-los. Em nossa recuperação, podemos ainda ter a tendência de julgar as ações dos outros porque pensamos saber como essa pessoa deveria se comportar. Mas, ao progredir em nossa recuperação, frequentemente descobrimos que, para nos aceitarmos, teremos que aceitar os outros à nossa volta.

Pode ser difícil assistir a insanidade de alguém se manifestando. Mas, se nos desligarmos do problema, podemos começar a viver a solução. E, se nos sentirmos afetados pelas ações de alguém, podemos aplicar o princípio do perdão.

Só por Hoje: Eu vou me empenhar para perdoar mais do que ser perdoado. Tentarei agir de tal maneira que me sinta merecedor de meu próprio amor.

Convalescendo e me recuperando


Poucas são as pessoas que procuram saber de mim, da minha vida, da minha saúde, do meu estado físico, psíquico e espiritual.

Algumas poucas pessoas buscam informações pela via oblíqua, cheias de artimanhas que são, mas estou acordado para os treiteiros.  Essa gente, medíocre, que parece ter o carimbo da hipocrisia estampado na face consegue, infelizmente, enganar incautos, gente sincera que em tudo crê.

Vivem falando da vida de Quelé. Me lixo para este tipo de gente de pouca educação e grau de instrução. 

Detesto gente que vive de tricas e futricas, que falseiam a realidade, que inventam estorinhas e que se dizem solidários, mas não valem um tostão pois não nasceram pra dez réis. 

Pessoas secas e amarguradas, exageradas, fantasiosas, insensatas e descomedidos, que chegam ao cúmulo de, perante um familiar, dizer que torce por mim. São seres amargos, tanto quanto a ironia que destilam. Quem não os conhecem, que os comprem. Dotados de uma ironia tão rasteira, que os vejo como repteis, em pântanos enlodaçados... Esta gente compõe o quadro cômico e destoante, da sociedade composta por seres inteligentes. 

Abstraindo estas ignóbeis criaturas, do presente texto, devo dizer que o universo do adicto é muito complexo, antes, durante e após o seu rompimento com o mundo das drogas. Quem vivenciou, ou vivencia este problema, sabe muito bem o que quero dizer. Nem tudo são flores!

Não estou com a saúde plenamente restabelecida. Preciso me cuidar. Mas, o que me satisfaz é saber que estou limpo faz um bocado de tempo.

Fugi de uma "clínica" por duas vezes, correndo risco de vida, usando "Teresas" (um lençol amarrado em outros, formando uma espécie de corda), para descer do alto em que me encontrava, até chegar ao plano da rua.

A minha segunda fuga me fez ver que algumas coisas que não tinha pensado: fugi e ninguém conseguiu me encontrar, de lugar em lugar, ia me escondendo e ninguém conseguiu me pegar, então me veio à mente que, caso regressasse, para dar desintoxicar-me por um tempo, não seria mal e estaria dentro os meus planos. Se voltasse, faria isto de modo voluntário e, sendo voluntário, com certeza , conseguiria me reencontrar e dar inicio a minha volta ao mundo da sobriedade.  Então decidi voltar. Não sabia como seria recebido. Mas voltei. Bati, insistentemente na porta do local em que fiquei. Apareceu o dono, que cumprimentei e disse a ele: - estou voltando! Só isso e algumas poucas palavras a mais. 

Fui bem recebido. Tomei café. Vi alguns companheiros assustados e incrédulos com meu regresso. Voltei ao quarto que ocupava e dei começo a uma recuperação minha, que eu próprio cuidei de delinear. Lia muito, mas o tempo vai nos consumindo até, que mercê de todo esforço, chega um momento de exaustão. Um longo período de tempo pode conduzir à regressão e a pessoa recai, antes mesmo de sair. Vem o tédio, o cotidiano enfadonho...Percebi que era hora de partir, de sair da gaiola e alçar voo. Tive sorte, neste aspecto. Agora era continuar meu próprio tratamento, com base nas ferramentas que já conheço. É um estado de convalescença. de recuperação e ressocialização. 

Reconheço que foi uma luta, porque lá dentro rolava drogas e eu me recusava usar. Um filho e uma filha me apoiavam, telefonavam e me mandavam material de leitura. Minha filha e filho pegaram aviões distintos e foram me visitar. Logo partiram e deixaram muita saudade. Adicto tem bons sentimentos e não é o que a mídia sensacionalista transforma em lugar comum. Ainda se fossemos, seríamos, do mesmo modo, seres humanos inseridos em meios sociais doentes.

É bom para um adicto sentir apoio, sentir que não foi totalmente desumanizado, quer pelos estigmas quer por rotulações, ou, ainda, pela ignorância que versa sobre a doença, quer pelo preconceito e vergonha de familiares pequeno burgueses. Sentir-se apoiado dá ânimo e força para lutar. Cria motivação e restabelece laços afetivos. Mas o apoio é restrito a poucas pessoas. A maioria cumpre a mera formalidade, que a consciência do dever obriga, mas o adicto sente a segregação, o afastamento e a exclusão, a falta de calor humano, ausência de noticias. Enfim, percebe que uma parte da família resolveu sepulta-lo de seus corações. Não vai haver mais aquele "alô, como vai"...

Sentir-se apoiado é saber que nem tudo acabou, que a sensação de abandono não é total e, assim sendo a esperança dentro do adicto se fortalece, mas aos poucos ele vai verificando que dentro dele algumas pessoas se deixaram sepultar pela ausência... Ninguém se recupera sozinho e pessoas precisam de pessoas. Não se sentir sozinho e abandonado é uma força que impulsiona afirmativamente. Eram dois filhos e nada mais, além de um, ou outro telefonema. Eles dois era o que me restava, naqueles momentos difíceis.

Achei tão bonito o gesto deles de saírem das suas respectivas zonas de conforto para me visitarem.

Bem, das minhas tristezas recordo uma: tinha uma bíblia, que me furtaram em minha segunda fuga e, de tudo que perdi, foi a perda que mais me chocou. Que o bom ladrão faça bom uso dela!

Mas voltando a minha saúde, tenho que cuidar dela direitinho para me considerar quase 100% saudável.  Mesmo assim, no plano físico, espiritual e mental, sinto-me bem. Vez por outra acontece uma quebra de harmonia e isso gera pequenas discussões e algumas escaramuças. Todas controláveis e contornáveis. Coisas que antes me impulsionariam para sair do ambiente desarmonizado, para por meus pés na rua e, daí, cair nas garras da adicção ativa. Devo dizer que não sei para onde estou indo, mas sei que não estou perdido. Penso e oro por muita gente e minha vida está nas mãos do meu poder superior, conforme o concebo.

Não posso ainda dizer que me sinto feliz, porque, por mais que eu tente viver na base do só por hoje, vivendo um dia de cada vez, esquecendo o passado e o futuro, volta e meia emergem situações que me são desagradáveis, do passado amargurado. Também pintam preocupações com o futuro, com o refazimento da minha vida. Por vezes sinto uma bipolaridade e reajo.

Hoje sinto a falta de um blog que muito estimava e percebi que a perda dele me deixou abatido. Então digo a mim mesmo que é necessário reagir e reajo. Não vou me entregar!

Existem tantas coisas que gostaria de escrever, talvez em tom de desabafo, pondo em prática minha honestidade comigo mesmo, mas sinto-me amarrado pela consciência, que me obriga o comedimento de tantas coisas e, assim procedendo, evito as más interpretações do que teria a escrever, de verdades que silencio. Também gostaria de falar de infâmias e injúrias. De mentiras ditas a meu respeito. De imputações falsas, de coisas atribuídas a mim. Como disse, no mundo da drogadição, tudo é muito complexo e eu precisaria ter em meu derredor, um circulo íntimo, capaz de compreender que tenho reparações a fazer, com toda humildade, mas sinto dizer que reparações e defeitos de caráter, imperfeições e muitos tipos de mazelas, não são marcas apenas de adictos, vez que acomete a todos, indistintamente.

Os mais puros, são os que foram se auto lapidando, corrigindo imperfeições, é o que faço e é o que gostaria que todos fizessem, que fossem humildes, sinceros e honestos consigo mesmo, como busco ser de igual modo. 

Então o que tenho a dizer é que vou muito bem, obrigado a todos os que me apoiaram e me deram a mão e que me sinto com a alma mais leve, mais purificado, e que a sobriedade me traz de volta um outro cara e é esse cara que pretendo ser, com as novas lições aprendidas na vida cotidiana e prática. 

De resto, aquele abraço de um cara que sabe que a felicidade mora dentro dele.  Sigo limpo, esta é a meta que defendo!

SPH

sábado, 11 de janeiro de 2014

Alcoólicos Anônimos - Reflexões Diárias


Sábado, 11 de Janeiro de 2014

PASSO 100%

Somente o Primeiro Passo, onde admitimos inteiramente que somos impotentes perante o álcool, pode ser praticado com absoluta perfeição.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES

...comentários de um membro...

Muito antes de conseguir alcançar a sobriedade em A. A. eu sabia, sem nenhuma dúvida, que o álcool estava me matando mas mesmo com esse conhecimento, fui incapaz de parar de beber. Assim, quando encarei o Primeiro Passo, foi fácil admitir que me faltava força para não beber. Mas, que tinha pedido o domínio de minha vida? Nunca. Cinco meses após ter chegado em A. A. estava bebendo novamente e imaginando por quê.

Mais tarde, de volta a A. A. e sentindo a dor de minhas feridas, aprendi que o Primeiro Passo é o único que pode ser praticado 100%. E que a única maneira para praticá-lo é aceitar esse Passo 100%. Desde então , já se passaram muitas 24 horas e não precisei praticar novamente o Primeiro Passo.

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos


Sábado, 11 de janeiro de 2014


"À medida que desenvolvemos a fé nas nossas vidas cotidianas, descobrimos que o nosso Poder Superior nos dá a força e a orientação que precisamos."
Texto Básico, pág. 102

Alguns de nós chegam à recuperação muito assustados e inseguros. Sentimo-nos fracos e  sozinhos. Não estávamos certos de nossa direção e não sabíamos onde procurar as respostas. Diziam que, se encontrássemos alguma fé em um Poder maior do que nós, encontraríamos segurança e orientação. Queríamos aquele sentimento de proteção e a força. Mas a fé não vem da noite para o dia. É preciso tempo e esforço para ela crescer.

A semente é plantada quando pedimos ajuda ao nosso Poder Superior, e, então, reconhecemos a fonte dessa ajuda quando ela chega. Nutrimos, a cada dia, a sementinha da fé com a luz solar de nossas preces. Nossa fé cresce: uma recompensa por viver a vida como ela é. Um dia, percebemos que nossa fé veio a ser como uma enorme árvore que se expande. Ela não impede as tempestades da vida, mas sabemos que estaremos a salvo em seu abrigo.

Só por Hoje: Eu sei que a fé em meu Poder Superior não acalmará as tempestades da vida, mas aclamará meu coração. Deixarei que minha fé me abrigue em tempos difíceis.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

QUESTIONAMENTO

Era diferente dos demais locais em que minha liberdade foi tomada de assalto. Esses sequestros que a sociedade acha justo, são ilegais. O resgate é o que a família paga mensalmente. Mas poucos são os que se insurgem contra tal pratica. Há um descaso e um desrespeito tácito. Uma conivência que mereceria, ao menos, na consciência dos magistrados, uma repulsa, vez que a lei magna desta nação é clara... mas ai entram os poréns, as ressalvas e racionalizações de quem manipula até mesmo o nosso ordenamento jurídico. 

Adianto que no Brasil, tais praticas podem culminar em formação de quadrilhas de "resgatadores" e é importante lembrar que neste imenso país, essas coisas tendem a degeneração, aos velhos vícios e deformações intrigantes que se repetem, insistentemente, em todos os planos. 

É uma prática violenta e o Estado deveria coibir tais abusos, ao invés de silenciar. Com este silêncio estão dando margem à institucionalização da indústria do sequestro e do carcere privado. Neste aspecto, até mesmo os médicos, deveriam se insurgir. Até porque estão usando clínicas para dependentes químicos, como depósito de pacientes psiquiátricos, portadores de deficiências mentais, o que não deveria se aplicar, mas que familiares se servem para se sentirem aliviados. São inválidos em estado de abandono e de não aceitação familiar e tal abandono constitui crime. UM ABSURDO!

Depois tem a questão do tempo alongado, da renovação de contratos, que transformam tais locais em verdadeiros cemitérios de humanos indefesos, desprotegidos e desamparados. São condenados a cumprir uma "sentença" louca, determinada e acordada entre a família e donos desses pontos tidos como de recuperação. Tudo parece correr na base da impunidade. Quem vai pagar por tais crimes?

Tais práticas depõem contra a humanidade, contra a civilização, é um retrocesso. Será que a inteligência humana, capaz de tantas proezas, não consegue humanizar o modo de tratar portadores da adicção? 

Vou lhes contar algo que pode não ter a menor importância para quem lê este tópico. Estive em um local para, pretensamente, tratar-me. E em que consiste o tratamento? no come e dorme? na inexistência de médicos plantonistas? Na ausência de requisitos para que tais estabelecimentos possam funcionem como manda o figurino?

Então vamos a algo que me deixou apavorado e entristecido. Apavorado porque tais instituições permitem que seres humanos sejam sepultados vivos, sem que lhes sejam ministrado qualquer tipo de tratamento. 

Nesta última casa em que estive usava-se drogas, a contragosto do proprietário, e meus familiares foram alertados, bem como os familiares de outros dependentes. Mas ai nasce um questionamento: me puseram aqui para eu deixasse de usar drogas, ou, face o silencio, estão me induzindo a crer que devo usar rogas? Não queriam me proteger do uso? e porque aceitam e silenciam? Não há algo de podre nessa droga?

Familiares, adoecidos, para não falar dos espertos, carregam em suas cabecinhas, sentimentos de amor e ódio, crença e descrença, além da vergonha pequeno burguesa que carregam na consciência e que os conduz a esconder parentes "problemáticos". Defendem seus próprios egos, mediante de mecanismos de defesa por demais conhecidos, aplacando os dramas de consciência. Eles, os familiares dizem: bem, fulano agora está a salvo, tem comida e dormida, além de roupa lavada e não observam que o "ente querido" foi arrancado do lar e apartado da vida, da sua liberdade, de poder de ver o sol nascer e se por, de respirar a brisa do mar, de passear, de ir a uma praia, de frequentar uma igreja, de ir a uma reunião de AA, ou NA... Não podem, eles usam drogas e nos envergonham e precisamos tomar uma atitude, mesmo que seja algo do tipo nazi-fascista, vez que já não sabemos lidar com o problema... Não temos tempo de nos dedicar a ele(a), melhor será coloca-lo em algum lugar de onde não possam fugir.

Internos são todos cativos, com almas doloridas, engaiolados, ou enjaulados, e esta gente oprimida, entre feras, também, (parafraseando o poeta) também sente a inevitável vontade de ser fera. O adicto torna-se um "elemento ativo, feroz e nocivo ao bem estar comum" e vivem uma modalidade de ditadura, que é a ditadura familiar.

Aqui traço um libelo acusatório contra famílias que não ousam pensar, que não demonstram afeição e quaisquer sentimentos nobres, salvo raras exceções.

Essa gente reúne-se, delibera e determinam como é que o familiar em desvio deverá viver o resto da vida.

Lá dentro, nesses locais em que somos levados, por familiares, de modo involuntário, tornam-se centros de revolta interior.

Ninguém conhece as nossas dores do adicto, das nossas angústias e aflições; ninguém ouve nossos clamores, pois somos rotulados e estigmatizados, também, como manipuladores. Nestes carceres desumanizados, homens, guerreiros, choram de dor. Sofrem calados, resignados, acordam sobressaltados, outros ficam insones, sem acreditar no que fizeram da vida dele.

Aquele advogado que tinha uma clientela e processos a defender, não foi respeitado e foi levado para aquele local, para pagar "seus pecados", conforme disse o seu irmão em minha presença.

Outros se queixam, se revoltam, rebelam-se e não conseguem compreender seus familiares. Esperam por visitas que nunca chegam. Aguardam telefonemas que nunca acontecem. O sujeito sente-se um lixo e cai na real: -era esse o amor que nutriam por mim!

Essa gente ama mãe, pai, irmãos, tios, avós e até os falecidos parentes. Para aplacar a dor, cantam músicas tristes e revelam talentos vários.

Enquanto isso a família, marcada por valores sentimentais, pequeno burgueses, na grande maioria, buscam  livrar-se de seus estorvos, de carne e osso. São seres humanos que precisam de atenção e sofrem com tanta desatenção. Esposas, são raras. Quando visitam querem procurações, cartões de crédito... Também acreditam, também, nas mentiras dos que lhes venderam a ilusão de um "tratamento" fictício.

As famílias, tornam-se cegas, surdas e mudas e, nada fazem...E este nada faz, voltando ao consumo de drogas, dentro do local em que estive, os familiares minimizam e se limitam a dizer: não use, não, viu?
Na verdade querem descanso e se o familiar vai usar, ou não, é um problema dele. A família agora está tranquila e o desamor dela se revela, mostra a cara e cai a máscara. Entrou no caçuá, companheiro adicto, é como ser um personagem da Divina Comédia, de Dante. Triste constatação, mas você entrou em outro tipo de inferno: o do embuste!  

E, então, fica claro que o verdadeiro propósito familiar não é, nestes casos, o de recuperar ninguém, mas o de assegurar a paz, o sossego e a tranquilidade do lar, doce lar, das famílias dos residentes. O consentimento e a conivência, significa aceitação do uso de drogas. Longe das vistas e longe dos corações.  

Se quisessem recuperar o seu familiar, verdadeiramente, não aceitariam tal contradição e isso me leva a crer que existem famílias sem moral, sem ética, sem nada que dignifique seus atos insanos, sem respeito e desmerecedoras do respeito geral. Prisões nada soluciona, só agrava, enquanto detém...

Jogar, lançar e depositar seres humanos, como embrulhos e pacotes, almejando ficar livre do incomodo problema, abusando da legislação, burlando a medicina, para alcançar uma zona sua conforto, também  gera desconforto, suplicio, amargura, aflição, desgosto, tristeza, depressão e tantos outros sentimentos malignos, a um ente "querido" e tal comportamento é uma nódoa nojenta e indelével que fica guardada na consciência do adicto e  serve para esclarece-lo a respeito de muitas coisas, de novas revelações, além de evidenciar a mentalidade mesquinha que rege este mercado funesto. 

Senhores e senhoras embusteiros, deixem de enganar famílias inteiras. Tomem vergonha e escolham uma forma honesta de ganhar dinheiro. Examinem suas consciências doentias e não queiram edificar suas respectivas felicidades com a infelicidade do próximo, a quem vocês deveriam amar como a si mesmos.
É preciso que alguém alteia a voz e abrace a causa dos indefesos, dos desvalidos e vitimas da violência familiar. Não é concebível aceitar tamanhas atrocidades.

Em nome do que permitem esta embromação? Das drogas e da nova droga, o crack? A  maconha foi o crack dos anos 70 e agora o crack é a droga que pastores do inferno, em campanhas sensacionalistas usam como um bicho de sete cabeças, enquanto induzem e massificam a ideia de internações involuntárias. A verdade que conheço é outra que a mídia não divulga e digo isso porque conheço mesmo numerosos casos de pessoas que, após longos anos de uso, deixaram de usar, da noite para o dia, sem ajuda alguma, principalmente de pastores apocalípticos, que desservem a sociedade com suas falsidades de todos os tipos, com raras exceções. Então chega de mistificações!

Não é difícil recuperar um usuário, difícil e fazer a família aceitar que está doente e, enquanto a família não for tratada, vai ficar nessa ciranda-cirandinha louca de internações que nada resolvem e quanto mais internam, pior o adicto retorna; quando saem, recaem, caso não tenham decidido, por conta própria, largar o uso de uma vez por todas. E as recaídas, que antes eram brisas suaves, viram tempestades.

Será que a lei, o direito e a justiça são letras mortas diante de desavergonhada situação? E o que dizer de organizações que dizem defender os direitos humanos, enquanto vimos que os animais possuem uma proteção mais eficaz.

Que contradição é esta? É um foda-se socialmente aceito?

E o que dizer de governos que se deixam levar pelo peso de uma bancada evangélica, comprometida com essa proliferação do mercado de clínicas que nada mais são que cemitérios de vivos, de emparedados, presos sem julgamento e sem o sagrado direito de defesa; Onde está a justiça?

Estes centros de concentrações de desprotegidos e desassistidos pela lei, não merecem um exame mais detido da questão, longe do sentimentalismo piegas e do sensacionalismo midiático? Evidente que sim. 

Será que o governo vai fazer vistas grossas sobre este absurdo, na hora que tiver que negociar com pastores para que os mesmos votem favoravelmente, nisso e/ou naquilo, enquanto, em contrapartida, recebem benesses loucas? 

Não acredito que nossa presidenta aceite tal jogo, porque ninguém merece tratamento desumano, cruel, degradante e incoerente e despudorado. Essa  é uma questão humana e cultua-la representa um acinte para quem possui consciência. Nossa presidenta não seguirá o rumo contrario ao da roda da história.

Creio que vai chegar o momento de evoluirmos e de fortalecermos tudo que for projetado para uma recuperação salutar de dependentes químicos; que os governos se recusem a repassar verbas para financiar absurdos, que depõem contra a humanidade.  Será que não é chegado o momento de mudar essas mazelas que a mídia esconde?  Que nos respondam as autoridades competentes, com ações concretas.

         

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O que foi que me aconteceu ?


Estava cuidando da minha internação junto com uma filha, a quem prometia me internar. Estava decidido a cessar o uso de modo definitivo. Esta filha, devo contar, certa feita, entrou no meu quarto para dialogar comigo e eu estava muito louco. Apesar do meu estado, nunca fui agressivo e esta foi uma marca registrada durante todo o período de minha drogadição. Fui muito receptivo e tentei alegra-la, em vão.

Minha índole é pacífica. Na juventude, era diferente. Amadureci, só isso. Aprendi que quem briga não tem nada na cabeça. 

Voltemos a minha filha. Ela entra no quarto e me diz: - você não acha que está na hora de procurar ajuda? respondi : - claro que sim!  Ela disse: - então vou adiantar sua internação. Ponderei: - Filha, quero que me ouça. estou em uma situação delicada, que preciso resolver para depois internar-me em uma clínica voluntária. 

Existiam algumas opções boas, com ótimas referências. Não acredito na involuntariedade, principalmente no meu caso. Mas, em minha conversação com ela, percebi que ela me olhava de uma forma tristonha  e afetuosa. Brinquei com ela. Tentei disfarçar o indisfarçavel. Minha cara não me permitia mentir. Estava em uso! 

Os olhos dela me comoveram e prometi que tão logo tudo fosse solucionado, ligaria para ela, sem embromação. Selamos o pacto. Tinha que solucionar uns débitos contraídos em mãos de pessoas que não tem vinculação alguma com o tráfico e estava certo de que o empréstimo, que solicitei a uma instituição financeira, me seria creditado, em tempo. Não sabia que corretores brigavam pela obtenção de comissões e, sem saber, nesta briga do mundo da corretagem, fui sendo enrolado enquanto brigavam e assim foram protelando o deposito da importância solicitada. 

O tempo ia passando e minha palavra empenhada estava sendo posta em duvida. As pessoas a quem devia deram para buscar receber o que eu devia, sem entrar no mérito desses débitos. Não irei  julgar ninguém! 

Envergonhado evitava atender telefonemas. Enquanto isso já haviam se passado doze dias, quando uma senhora me ligou. Era uma corretora informando que meu crédito seria depositado dia seguinte. Pouco depois uma pessoa me ligou para cobrar e atendi e transmiti a noticia. Sentia-me aliviado. Pouco depois uma irmã apareceu, em casa, e fiquei conversando com ela por algum tempo. Contudo, temia que alguém quisesse me pegar à força para cobrar o que eu devia. Era uma premonição!

Meu estado era de apreensão. Andava preocupado e atento a tudo. Agora restava pouco. Era uma questão de esperar o dia amanhecer. 

Sem que eu soubesse, outras pessoas da família, ignorando o acordo feito com minha filha, haviam providenciado uma equipe de resgate para me apanhar. Quando saia do sanitario, após o banho, dois sujeitos me pegaram e me imobilizaram. Eu disse, assustado:-esperem ai, já consegui a grana, vamos conversar! Os caras, com pinta de matadores, não me davam ouvidos e foram me arrastando até me colocarem dentro de um carro preto. 

O carro arrastou e eu disse, agora é encarar a morte de cabeça erguida e silenciei. De repente o cara que ia no fundo, que me assombrava, disse, em tom de pergunta: -o que foi que você andou aprontando?  respondi com uma pergunta: -para onde estão me levando? e o cara falou em um local de desova. A pergunta dele me deixou entender que eles eram policiais, mas não sabia de que nível. O carro que eles usavam era um mercedes preto. tudo indicava que iriam me conduzir para um local de extermínio. Mas o que eles estavam fazendo, na realidade, era um sequestro-resgate e, desse modo me conduziam a uma clínica involuntária.

Que horror! Também pensava: e agora, como quitarei meus débitos? Quanto tempo terei que ficar aqui e isso ninguém dizia.. Era coisa entre seis meses a um ano, de cativeiro. 

Interiormente vivia um drama particular intenso e todos se lixavam pra mim. Dizia comigo mesmo, puta que pariu, fizeram uma merda comigo! O pior é que, quando vi a quantidade de grades, disse a mim mesmo:-estou em uma Alcatraz; Tô fodido! 

Sobre a clínica penso em falar depois. Fui conduzido a dormir em um local, dormitório coletivo, que depois fiquei sabendo, era denominado como "favela", ou "carandirú". Depois de comer alguma coisa, deram-me um remédio, indicaram-me a cama e, como quem tem que aceitar aquilo, deitei e dormi. 

Cedo todos acordam para o café. Antes, porém, as celas são abertas, retiram os cadeados e descemos para o café. Eu era o estranho no ninho. 

Logo fui procurado pelos "donos do pedaço". Queriam dinheiro para aqisição de drogas. "Aqui é como nos presidios", disseram-me. Nenhum conhecido! 

Depois de algum tempo, o proprietário me falou que existia um outro quarto, melhor e se eu quisesse mudar era só falar com o monitor(GAP). Na mesma hora pedi para examinar. Vi e gostei. Apressei-me e pedi a mudança imediatamente. No quarto apenas um senhor magérrimo, com lapsos de memória impressionantes. Antes nesse quarto do que no carandiru. Fiquei aliviado! 

Sem me dar conta, no segundo dia, os caras do "carandiru" estavam em festa. Não sabia, ainda ,que haviam me furtado quatro camisas de marca e com a venda delas, compraram drogas. Como conseguiam sair e comprar? essa é outra conversa que deixo pra depois. Foram os caras mais barra-pesada que já conheci. Periculosos, mas todos, no fundo, no fundo, sofredores e com uma alma boa. Ali, para eles era uma cadeia, lá fora era a liberdade e não a droga. Muitos, contudo, não tinham mais opção, senão viver em cativeiro por imposição familiar. Viraram pássaros engaiolados, com um canto dolorido de um sofrê...

Volto quando for possível e permitido!


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