segunda-feira, 30 de junho de 2014

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos


Segunda-feira, 30 de Junho de 2014.


Mantendo os alicerces

A nossa fé recém-descoberta funciona como um alicerce firme para termos coragem no futuro. 

Construímos nossas vidas sobre alguns alicerces. Quando usávamos, era este o alicerce que afetava tudo que fazíamos. Quando decidimos que a recuperação era importante, começamos a empenhar nossa energia nela. Conseqüentemente, toda a nossa vida mudou. Para manter esta nova vida, devemos manter o seu alicerce: nosso programa de recuperação.

Quando permanecemos limpos e mudamos nosso estilo de vida, nossa nossas prioridades também mudam. Trabalho e estudo podem se tornar importantes porque melhoram nossa qualidade de vida. E nossos relacionamentos podem trazer estímulo e apoio mútuo. Mas precisamos lembrar que nosso programa de recuperação é o alicerce sobre o qual construímos nossa nova vida. Cada dia devemos renovar nosso compromisso com a recuperação, mantendo-a como nossa principal prioridade.

Só por hoje eu quero continuar aproveitando a vida que encontrei em recuperação. Hoje, seguirei os passos que mantêm este alicerce.


Fonte: NASP-RGSP http://www.nasp.org.br/meditacao-diaria

domingo, 29 de junho de 2014

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos

Domingo, 29 de Junho de 2014.

Mantendo o vigor da recuperação


A complacência é o inimigo de membros com substancial tempo limpo. Se permanecemos complacentes por muito tempo, o processo de recuperação cessa

Após alguns anos em recuperação, a maioria e nós começa a sentir que não há maiores desafios. Se fomos dedicados no trabalho dos passos, o passado está amplamente resolvido e temos alicerces sólidos para construir nosso futuro. Aprendemos a aceitar a vida quase que exatamente como ela é. A familiaridade com os passos nos permite resolver os problemas quase tão rapidamente quanto se apresentam.

Quando descobrimos este grau de conforto, tendemos a tratá-lo como uma “parada para descansar” no caminho da recuperação. Fazendo isso, no entanto, subestimamos a natureza de nossa doença. A adicção é paciente, sutil, progressiva e incurável. É também fatal – podemos morrer desta doença, a não ser que continuemos a tratá-la. O tratamento para a adicção é um programa vital e contínuo de recuperação.

Os Doze Passos são um processo, uma maneira de estar um passo à frente de nossa doença. Reuniões, apadrinhamento, serviço e os passos serão sempre essenciais à continuidade da recuperação. Embora, com 5 anos limpos, possamos praticar nosso programa um pouco diferente do que aos 5 meses, isto não significa que o programa mudou ou se tornou menos importante; apenas a nossa compreensão prática mudou e cresceu. 

Para manter nossa recuperação vigorosa e vital, devemos permanecer alerta para oportunidades de praticar o nosso programa.
Só por hoje
 
Enquanto continuar crescendo em minha recuperação, eu vou procurar novas maneiras de praticar o programa.


FONTE: NASP-RGSP

33 Celebridades e as Drogas


Joana: Ser uma celebridade talvez seja fácil, o complicado é quando o sucesso sobe à cabeça. O que leva uma celebridade a consumir drogas ? Talvez a pressão, a sensação de que a sua privacidade acabou e verem a sua vida totalmente exposta nas revistas e jornais (muitas vezes com noticias falsas), inspiração com novas sensações, etc.

Aqui estão alguns casos célebres de 33 famosos que se envolveram com as drogas e em muitas confusões:

1. Kareem Abdul-Jabbar
Quem: Ex-jogador de basket que jogou durante 20 anos na NBA.
Envolvimento: Em 1998, foi descoberto na posse de uma pequena quantidade de marijuana num aeroporto de Toronto. Em 2000 foi detido por dirigir sob a influência de marijuana. Quando foi interrogado, disse que usava a droga para ajudar a combater as náuseas causadas pela enxaqueca.

2. Louis Armstrong
Quem: Louis Armstrong é um dos maiores expoentes do Jazz tanto como cantor quanto por primeiro grande solista, com o seu trompete.
Envolvimento: Em 1931 foi preso por posse de marijuana, mas pagou a fiança e foi liberado.

3. Sebastian Bach
Quem: Vocalista da banda Skid Row
Envolvimento: Em 2002 Bach foi preso quando carregava dois sacos (cerca de 5 gramas) de marijuana e alguns papelotes.

4. Mischa Barton
Quem: Actriz que ficou conhecida pelo seu trabalho na série teen The OC.
Envolvimento: Barton foi presa em 2007. A polícia mandou parar o seu Range Rover, e foi presa por dirigir bêbada e estar em posse de narcóticos ilegais, além de não ter uma carteira de motorista válida.

5. David Bowie
Quem: Músico e actor, conhecido pelo seu trabalho musical dos anos 70 e 80 e pela sua alta influência no mundo da música, mais especificamente do rock
Envolvimento: Foi preso em 1976 por posse de marijuana. A pena máxima que ele teria que cumprir seria de 15 anos, mas as acusações foram posteriormente retiradas e Bowie foi liberado.

6. James Brown
Quem: Foi um cantor, compositor e produtor musical norte-americano reconhecido como uma das figuras mais influentes do século XX na música.
Envolvimento: Brown sempre foi uma figura polémica, as suas apresentações foram por vezes mais emocionantes do que a própria música.Com dezassete anos foi preso por roubo a mão armada e cumpriu mais de três anos de detenção num reformatório. Noutro episódio, ameaçou com uma arma um grupo de pessoas que invadiram a sua propriedade. O músico foi perseguido pela polícia por vários Estados, preso e condenado por porte ilegal de armas e drogas. Em 1988, Brown foi preso novamente, desta vez, por agredir a mulher, Adrienne, e por consumo de drogas. Condenado a seis anos de detenção, cumpriu metade da pena. Em 1991, depois de libertado, recomeçou a sua carreira artística.

7. Jennifer Capriati
Quem: Tenista. Foi número 1 do mundo no ranking da WTA e venceu 3 torneios de Grand Slam além da medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de 1992.
Envolvimento: O estrelato acarretou alguns problemas à tenista, que acabou po se envolver com marijuana e chegou a ser presa por roubar um anel antes de se recuperar e chegar ao topo do ranking em 2001.

8. Aaron Carter
Quem: Aaron tornou-se rapidamente um ídolo pop dos adolescentes aos 12 anos de idade. Em 2000 saiu o álbum “Aaron’s Party (Come Get It)”, pela Jive Records, que vendeu um milhão de cópias e abriu a turné internacional da Britney Spears. Fez também uma paragem no Brasil, no Rock in Rio 3
Envolvimento: Em Fevereiro de 2008 foi preso por excesso de velocidade. Na ocasião foram encontrados 50 g de marijuana no seu carro.

9. Ray Charles
Quem: Um dos mais importantes músicos do cenário internacional. Charles foi pioneiro e cantor de música soul que ajudou a definir o seu formato ainda no fim dos anos 50, além de um inovador interprete de R&B
Envolvimento: A carreira de Charles foi tão vencedora quanto conturbada. O lendário músico foi preso em 1958 e 1961 por porte de heroína e em 1964 por consumo de heroína e de marijuana, num aeroporto de Boston.

10. Adam Clayton
Quem: Baixista da banda irlandesa U2
Envolvimento: Em 1989, Adam começou a ver o reverso da medalha. Primeiro por ser detido em Dublin por posse de marijuana. Depois mais tarde, em 1993, o seu noivado com a top model Naomi Campbel parecia ir de vento em poupa, mas o seu término abrupto fez com que o baixista passasse a enfrentar sérios problemas com o álcool. A ponto de a 26 de Novembro de 1993 Adam ter faltado a um concerto, em Sydney (concerto esse que sería filmado) devido a uma enorme ressaca (Stuart, o seu técnico de som, acabou por substituí-lo nesse concerto). A partir desse momento, Adam abdicou do álcool.

11. Macaulay Culkin
Quem: Macaulay estourou no papel do pequeno rapaz hiperactivo que infernizava a vida dos adultos no filme Sozinho em Casa, em 1990
Envolvimento: O actor americano passou por uma rota da qual poucos actores infantis de Hollywood conseguiram escapar. Primeiro, a glória – ele inscreveu o seu nome na história do cinema como o mais bem-sucedido representante dessa categoria de actor em todos os tempos. Depois, o esquecimento – Macaulay desapareceu das telas a partir de 1994, enquanto os seus pais se engalfinhavam numa batalha pela sua fortuna de 17 milhões de dólares. Foi condenado a um ano de cadeia por posse de drogas. Em Setembro de 2004, a polícia apanhou-o com 10 gramas de marijuana e pacotes de Xanax, um remédio para tratar a depressão e o síndrome do pânico. Além da pena, o actor foi multado em 540 dólares.

12. DMX
Quem: Famoso rapper americano
Envolvimento: A lista de problemas com a justiça é extensa. Em 2002, DMX foi detido por posse de marijuana e agressão, mas foi condenado a fazer trabalhos comunitários. Novamente no início deste mês, DMX foi detido, desta vez, por posse de drogas, armas e maus tratos a 12 cães pitbull. Na sua ficha consta também detenção por agressão.

13. Snoop Dogg
Quem: Famoso actor e rapper Americano
Envolvimento: A lista de problemas com a justiça é enorme. Em 1990 foi preso por porte de cocaína, em 1993 foi detido com armas de fogo, em 1996 foi acusado de matar o membro de um gang e em 2006 foi preso por porte de marijuana ao estacionar o seu carro num local proibido. 

14. Art Garfunkel
Quem: Músico da dupla Simon and Garfunkel
Envolvimento: Em 2004 o músico, viajava em pleno estado de Nova Iorque em alta velocidade quando foi parado pela polícia e apanhado com maconha, após ter sido revistado. Garfunkel foi indiciado por porte de drogas.

15. Boy George
Quem: Um dos cantores mais famosos e excêntricos da década de 80 , à frente do grupo Culture Club , grupo do movimento New Wave fundado em 1982. Envolvidos em escândalos e drogas , a banda desfez-se em 1987, quando Boy George iniciou a sua carreira a solo.
Envolvimento: Foi preso em 1986 por posse de marijuana e foi manchete em 2005, após mentir sobre um assalto na sua casa, quando os policias encontraram cocaína na sua residência. George foi condenado a cumprir serviços comunitários a limpar ruas.

16. Al Gore III
Quem: Filho do antigo vice-presidente dos EUA
Envolvimento: Foi parado pela polícia, após andar a mais de 160 km/h. Após pará-lo a polícia sentiu o cheiro da marijuana, revistou o carro e não só encontrou a maconha, como também Vicodin, Valium, Xantax e Adderal -drogas que exigem prescrição médica para tratamento psiquiátrico.

17. Woody Harrelson
Quem: Famoso actor norte-americano
Envolvimento: Em Junho de 1996, Harrelson convidou a imprensa para irem à Beattyville, Kentucky, vê-lo plantar 4 sementes da erva. O actor foi imediatamente preso pelo delito leve de posse de substância controlada (mais uma semente aumentaria a queixa de delito leve para crime), mas Harrelson foi liberado após ter pago uma fiança de US$2 mil. Ele tinha esperança de que o seu caso desafiaria a proibição do Estado que não permite o cultivo de pés de marijuana para qualquer objectivo. Harrelson, que é investidor numa companhia californiana que promove o uso de maconha industrial na fabricação de roupas e outras coisas, defende a legalização da maconha industrial como medida para ajudar a salvar florestas em perigo!

18. George Harrison
Quem: Músico de uma das mais famosas bandas de rock, The Beatles.
Envolvimento: No dia em que Paul McCartney se casou com Linda Eastman, em Londres, na Inglaterra, George Harrison e a sua esposa, Patti Boyd, foram presos e acusados por porte de marijuana.

19. Whitney Houston
Quem: Uma das mais populares e famosas artistas das décadas de 1980 e 1990, recebendo vários Grammy’s, American Music Awards, Billboard Music Awards, Emmys, um MTV Video Music Award, um MTV Movie Award, um MTV Europe Music Award, o prémio de Artist of the Decade (artista da década) e o especial Legend Award.
Envolvimento: Em 2000 a cantora reconheceu à imprensa que consumia cocaína, marijuana e outros tipos de drogas. O primeiro single do novo cd, “Whatchulookinat” foi um grande fracasso nos Estados Unidos talvez pelo seu tom meio agressivo onde Whitney critica a todos aqueles que falam que a sua carreira está terminada e sobre os relatos da sua dependência química. Depois disso mergulhou profundamente no mundo das drogas, chegando a abandonar a sua carreira.

20. Allen Iverson
Quem: Jogador de basket da NBA
Envolvimento: O jogador foi acusado por porte de marijuana, em 1997, e acabou por fazer serviços comunitários.

21. Mick Jagger
Quem: Líder da banda Rolling Stones
Envolvimento: Mick foi preso em 1967 e 1970 por porte de marijuana. Em 2005, após uma batida da polícia na sua casa, Jagger acusou a polícia de “plantar” droga na sua casa.

31. Charlie Sheen
Quem: Actor norte-americano
Envolvimento: Charlie faz jus à fama de problemático. Nos anos 90, o actor afundou-se no álcool e nas drogas. Foi preso e quase morreu de overdose. Era também um mulherengo da pior classe. Quando o escândalo que envolvia astros de Hollywood e a cafetina Heidi Fleiss veio à tona, soube-se que ele tinha dormido com 27 prostitutas agenciadas por ela.

32. Steve-O
Quem: Steve-O é dublê e conhecido pelas séries televisivas Jackass, Wildboyz, e Dr. Steve-O.
Envolvimento: Em 22 de Maio de 2003, Steve-O foi detido e preso na Suécia, devido a um comentário que ele fez durante uma entrevista sobre o contrabando de drogas para o país, ele disse que engoliu um preservativo contendo cannabis para passar com eles pela polícia. Steve-O foi preso e foi libertado em 27 de maio de 2003 após ter pago uma multa de 45.000 coroas (cerca de $ 6.700 dólares), e pagou essa multa, por terem achado um comprimido de ecstasy e cinco gramas de marijuana, embora ele alega-se que não tinha conhecimento do ecstasy.

33. Amy Winehouse
Quem: Considerada a maior revelação da música inglesa dos últimos tempos, vencedora de 5 Grammy Awards.
Envolvimento: Ultimamente tem-se debatido, juntamente com o seu marido, com problemas relacionados com drogas, tendo várias vezes tentado superar o vício em clínicas de desintoxicação. Os tablóides britânicos elegeram-na como alvo preferencial, destronando deste modo Pete Doherty ex-The Libertines e o actual líder dos Babyshambles, como junkie mais famoso da Grã-Bretanha.

O seu empresário abandonou-a ao descobrir que no autocarro da turné, Amy usava heroína.

No dia 22/01/08, um video de Amy a usar crack e outras drogas saiu no site de tabloides The Sun. Esse video podia mudar a vida de Winehouse, pois a sua familia e amigos não sabiam o que fazer com ela, mas a 25/01, foi internada numa clinica de reabilitação, sendo vigiada 24h horas por dia.

Em função das polémicas, o governo dos EUA negou ter visto a artista a cantar no Staples Center, sede da 50ª edição do Grammy, realizada em 10 de fevereiro em Los Angeles. A pedido dos organizadores, Winehouse deveria cantar numa performance em directo de Londres, onde mora e cumpre os seus tratamentos anti-drogas.
Foi apanhada com uma substância branca no seu nariz, como se fosse pó, alimentando os rumores de que ela não parou de se drogar.

Amy recentemente tatuou uma lágrima no canto do olho direito.             

Fonte:  PROJECTO AP 

domingo, 22 de junho de 2014

Levanta-te e resplandece!

Dalton era um sujeito de pouca conversa, introvertido e inteligente. Casado, três filhos e um trabalho estável.

Um dia, por qualquer razão, perdeu o prumo e consequentemente o rumo. Desencontrou-se e deu para beber, depois começou a usar outras drogas. Todo mundo sabe das coisas que acontecem na vida de uma pessoa desnorteada, sem bússola...

Há um chavão, relativo às drogas que diz: usar é perder!  Quem usa, ou usou, sabe muito bem que a afirmação corresponde a uma verdade, com raras exceções á regra. 

Havia em Dalton, após seu mundo ruir, pouco a pouco, progressivamente, como sua doença, a sensação de que era um perdedor, sempre nocauteado pelas drogas. Um fracassado!

Dentro dele havia uma inconformidade em aceitar as derrotas sucessivas e cumulativas infligidas pela insanidade. Ele que era um cara lutador. Não admitia ir à lona todas as vezes, numa sucessão de erros que lhe custou o rótulo de insano.

Inconformado com tantas derrotas, pois as drogas implicam em outros tipos de perda, também, tentou usar pela última vez, travando um duelo particular contra as drogas. Na verdade era ele lutando contra ele próprio.Um drama interior a ser resolvido.

Ninguém sabia em que consistia tal confronto, só ele sabia. Na cabeça de Dalton, era inconcebivel planejar algo e fazer tudo errado. Dessa inconformidade nasceu uma outra obssessão. Usar e sair sem perder, o que é uma ilusão, mas de ilusão também se vive e nem todas as ilusões são ruins. No plano das ideias estava estabelecido que só conseguiria deixar o uso, depois de nocautear a inumana droga que o escravizava pelo uso descontrolado e continuado.

Um dia, sem família, sem lar, cercado por sentimentos desconfortáveis, que só o levava a carregar a sensação de que era um naufrago na vida, resolveu partir para o tudo, ou nada.

Traçou seu plano e chegou o dia "D"!

Saiu resoluto do quartinho, em que morava, e foi até uma favela da cidade. Portava dinheiro. Fazia questão de estar com o bolso cheio de grana, pois queria ir até a boca como sempre foi à cata da droga. Deveria ser fiel em tudo que planejou, levando com ele as vestes da derrota, apenas as vestes. Ele sabia que para ganhar não poderia mais cometer os mesmos erros.

Era isso que procurava provar para ele mesmo, portanto, se auto impunha ir, como sempre foi para a biqueira. Ia mentalmente preparado para não cometer as repetidas insanidades. Dessa vez o resultado haveria de ser diferente. Um desafio louco!

Mas ele queria provar que poderia vencer a si mesmo. Saberia manter o auto controle e dominar seu comportamento, de modo a não mais permitir que ninguém lhe roubasse nada. Estabeleceu regras particulares. Compraria a droga e não se deixaria levar pelo impulso de usar nada na biqueira, em qualquer barraco que fosse. Sabia que no mundo das drogas, não existe amizade certa. Nada de dar ouvidos a ninguém, era pegar e seguir o seu caminho, sem dar lugar para ninguém lhe apertar a mente. A meta que traçou era usar e um hotel e, depois do uso, regressar para seu quartinho.

Caso conseguisse voltar com a sensação de que não foi lesado, de que sua postura foi a de quem sabia dominar a droga, sem se deixar dominar por ela, sairia dali com o sentimento de vitória, de libertação, sem vontade de continuar no uso. Assim, de dominado passaria à condição de dominador. Inverteria os papéis e retomaria sua sanidade de volta. Muito louco o desafio a que se propunha. Acabando a droga ele voltaria para casa e não para a bocada. Acabou, acabou, tinha que aceitar isso de modo consciente, mesmo sob efeitodo uso. O fato de usar era imperativo e fazia parte da luta que enfrentaria.

Para Dalton, esta era a chave da vitória, um nocaute na droga que o impregnava e uma pancada no poder superior destrutivo, que o aniquilava. Seria diferente e, mais que isso, não daria chance a revanche.

Ele carregava em silêncio este seu plano. Na cabeça dele, derrotando a droga, do jeito dele, estaria livre para sempre da mesma. Tanatos daria lugar a Eros e sua vida reiniciaria do modo salutar.Voltaria a viver com sobriedade!

Fez o que tinha que fazer. Não aceitou ser importunado. Não deu dinheiro a ninguém, sequer teve pena de quem quer que fosse. Comprou e seguiu para um hotel, onde fez uso da droga adquirida, sozinho. Amanheceu, pagou as contas e foi para a rua. Pegou um táxi e tomou o rumo de casa.

Levou seu plano à execução, com rigor. Fez tudo como havia planejado. Voltou para seu aconchego feliz da vida. entrou, fechou a porta, bebeu bastante água, depois se ajoelhou e orou. Agradeceu a Deus, a quem pediu força para segura-lo, até o efeito da droga passar.

Dalton conseguiu!

Depois de vencido pelo cansaço, durmiu; Acordou com um sonho, do qual só recordava a última frase: "levanta-te e resplandesce". Não sabia de onde vinha esta frase curta e cheia de magia. Um dia, conversando com um amigo religioso, soube tal frase era bíblica e o amigo citou tudo que acompanhava a curta frase...

Desse dia em diante, como uma estrela, Dalton resplandecia.

Até hoje, decorridos 10 anos, ele se mantém limpo, como um vencedor. Constitui mais um exemplo dessas pessoas, que, por diferentes razões, abandonam as drogas da noite para o dia. 

Para ele era uma vez uma droga difícil, que ele, Dalton, venceu, levantou e resplandeceu. Dai em diante o mundo lhe sorria. Era alvo de admiração para muita gente. Ele mostrou que é possível libertar-se do vício de modo radical. 

Houve alguém que chamou isso de despertar espiritual, mas ele não conhecia nada de NA. Outros, até hoje, falam que ele é um milagre de Deus. Para Dalton, ele é um sobrevivente vencedor, agradecido a Deus. Nunca soube o que é adicção, nem lhe perguntem, pois ele ignora a existência da doença e da palavra.

sábado, 21 de junho de 2014

REFLEXÃO DIÁRIA - ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

MEDO E FÉ

21-06-2014

A conquista da libertação do medo é uma tarefa para toda a vida, é algo que nunca pode ficar completamente concluído.

Ao sermos duramente atacados, estarmos gravemente enfermos ou em qualquer situação de séria insegurança, todos nós vamos reagir a esta emoção de alguma maneira - bem ou mal - conforme o caso se apresente. Somente os que enganam a si mesmos alegam que estão totalmente livres do medo.
NA OPINIÃO DO BILL

O medo causou-me muito sofrimento, quando poderia ter tido mais fé. Há horas em que o medo subitamente me arrasa, justamente quando estou experimentando sentimentos de alegria, felicidade e leveza no coração. A fé - e um sentimento e valor próprio em relação ao Poder Superior - me ajudam a suportar a tragédia e o êxtase. Quando optar por entregar ao meu Poder Superior todos os meus medos, então eu serei livre.


Fonte:  AA-ÁREA 1 - RJ 

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos

Novos níveis de honestidade

Sábado, 21 de Junho de 2014.

Fomos mestres em auto-engano e racionalizações

Quando vamos a nossa primeira reunião e ouvimos que devemos ser honestos, podemos pensar: “Bem, isso não deve ser tão difícil. Tudo o que tenho que fazer é parar de mentir”. Para alguns de nós, isso acontece com facilidade. Não precisamos mais mentir para os nossos empregadores sobre a falta ao trabalho. Não precisamos mais mentir para os nossos familiares sobre onde estávamos na noite anterior. Quando não usamos mais drogas descobrimos que temos muito menos motivo para mentir. Alguns de nós podemos ter dificuldade até com esse tipo de honestidade, mas pelo menos aprender a não mentir é simples – você simplesmente não faz, não importa o quê. Com coragem, determinação e ajuda de nossos companheiros de NA e de um Poder Superior, a maioria de nós, afinal de contas, tem sucesso com esse tipo de honestidade.

Honestidade, no entanto, significa mais do que simplesmente não mentir. O tipo de honestidade que é verdadeiramente indispensável em recuperação é a consigo mesmo, que não é fácil nem simples de alcançar. Em nossa adicção, criávamos uma tempestade de auto-engano e racionalização, um furacão de mentiras no qual a pequena e quieta voz da honestidade não poderia ser ouvida. Para alcançar este tipo de honestidade, em primeiro lugar, precisamos parar de mentir para nós mesmos. Em nossas meditações de Décimo-Primeiro Passo, precisamos ficar calmos. Então, nesta tranqüilidade, buscamos escutar a verdade. Quando ficarmos calmos, a honestidade pessoal estará ao nosso alcance.

Só por hoje

Eu ficarei calmo e tranqüilo, escutando a verdade dentro de mim. Honrarei a verdade que encontrar.

Fonte: NASP - RGSP http://www.nasp.org.br/meditacao-diaria

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos


SEXTA-FEIRA, 20 DE JUNHO DE 2014.

Meditação para iniciados 
"Para alguns a prece é pedir a ajuda de Deus; a meditação é escutar a resposta de Deus... Quando acalmamos a mente através da meditação, sentimos uma paz interior que nos põe em contacto com o Deus dentro de nós." 
Texto Básico, p. 53 

A muitos de nós disseram, "Tem paciência quando estiveres a aprender a meditar. É preciso prática para se reconhecer aquilo que é preciso 'escutar'." É bom que nos tenham dito isto, ou muitos de nós teriam desistido após a primeira ou segunda semana de meditação. 

Ao longo das primeiras semanas, é provável que nos tenhamos sentado de manhã, acalmado os pensamentos, e "escutado", como diz o Texto Básico - mas sem "ouvir" nada. Poderão ter passado mais algumas semanas antes de algo realmente acontecer. 

Mesmo então, aquilo que aconteceu era por vezes dificilmente detectável. Acabávamos as nossas meditações matinais a sentir-nos um pouco melhor conosco próprios, a sentir um pouco mais de empatia por aqueles que íamos encontrando ao longo do dia, e um pouco mais em contato com o nosso Poder Superior. 

Para a maioria de nós não houve nada de dramático nessa consciencialização - não houve relâmpagos ou trovões. Em vez disso foi algo silencioso, mas com imenso poder. 

Estávamos a arranjar tempo para colocar os nossos egos e as nossas ideias fora do caminho. Nesse espaço de claridade, estávamos a melhorar o nosso contacto consciente com a fonte da nossa recuperação diária, o Deus da nossa concepção. A meditação era uma coisa nova, e exigia tempo e prática. Mas, como todos os passos, resultava - quando a praticávamos. 

Só por hoje vou praticar "escutar" o conhecimento da vontade de Deus para mim, mesmo que ainda não saiba aquilo que devo "escutar".


FONTE: http://www.na-pt.org/sph.php

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Reflexões Diárias - Alcoólicos Anônimos

 
Quinta-feira, 19 de Junho de 2014.

REGENERAÇÃO EM A.A.

Tal é o paradoxo da regeneração em A.A.: a força renascendo da fraqueza e da derrota completa; a perda de uma vida antiga como condição para encontrar uma nova.
A.A. ATINGE A MAIORIDADE, p. 41

Milhares de reveses por causa do álcool não me deram coragem de admitir minha derrota. Acreditava que era minha obrigação moral conquistar meu “inimigo-amigo”. Na minha primeira reunião de A.A., fui abençoado com um sentimento de que estava tudo bem admitir a derrota para uma doença que não tinha a ver com a minha “fibra moral”. Instintivamente soube que estava na presença de um grande amor, quando entrei pelas portas de A.A.. Sem nenhum esforço de minha parte, fiquei consciente de que amar a mim mesmo era bom e correto, como Deus pretendia. Meus sentimentos me libertaram, enquanto meus pensamentos tinham me mantido na escravidão. Eu sou grato.

REFLEXÕES DIÁRIAS, p. 179




Alcoólicos Anônimos - Área Piauí
http://www.aapiaui.org.br/reflexoes.php

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos


Quinta-feira, 19 de Junho de 2014.


Senso de humor

Descobrimos que, quando perdemos a auto-estima, somos capazes de compreender o que significa ser feliz, alegre e livre.

As risadas em nossas reuniões geralmente surpreendem o recém-chegado. Em grupo, apreciamos o alívio que o riso saudável traz, mesmo quando estamos com graves problemas. A alegria que está presente nas salas de reunião nos permite, por alguns momentos, nos divertirmos um pouco, em recuperação. Através do humor nos livramos temporariamente de nossa auto-obsessão.

A vida em seus próprios termos não é diversão. Mas, se pudermos nos ver com um certo censo de humor, as coisas pequenas podem se tornar suportáveis. Quantas vezes nos permitimos perder a serenidade por incidentes que, se levados com um pouco de humor, não seriam tão toleráveis? Quando ficamos aborrecidos com pessoas ou acontecimentos, buscar o humor da situação pode colocar as coisas em uma perspectiva mais clara. A habilidade de encontrar humor em situações difíceis é uma dádiva a desenvolver.

Só por hoje eu vou procurar encontrar o humor na adversidade. Quando cometer erros, vou encontrar uma maneira de rir das minhas imperfeições.




Fonte: NASP-RGSP

Procurando Eu!: Hoje Cedo... Quando eu Acordei...

Procurando Eu!: Hoje Cedo... Quando eu Acordei...



Com a devida licença achei legal visitar o Blog da Cicie e, confesso, pela primeira vez ouvi Emicida e gostei. Mais ainda porque Pitti tem uma participação especial. Lembro dela na casa de Antunes, com aquela galera exótica... O sucesso bateu na porta daquela turma, felizmente. 

A letra e música me fizeram viajar e como eu viajo. Uma coisa me leva a outra, que se enrosca com outras tantas e me conduz a pensamentos e recordações, de coisas que passei e vivi, dos riscos e perigos, coisas que não posso publicar. Minhas melhores histórias são aquela que devemos sepultar. 

Confesso que vivi intensamente e a música me traduz tantas coisas. Quantos dramas, quantas aventuras. Cansado e com sono, achei de lembrar um cara que conheci e fiquei amigo e depois tive que me tornar distante... Ele me falou que eu sabia jogar com a minha própria vida, porque ele conhecia de longas datas o que é o mundão e via as loucuras que praticava e que no final me levava a dar nó em pingo d´água. Ele era o meu melhor analista e o cara mais culto que conheci no mundão. Um homem de coragem que me ensinou muitas coisas, principalmente como viver dentro de uma favela, onde a morte era uma constante, tanto quanto os tiroteios. Deixei as drogas, mas certas pessoas são especiais e delas não posso esquecer. Que onda este post da Cicie! 

Desculpe-me não lhe pedir licença é que sou tal qual um posseiro. Mil desculpas e grato pelo post!

domingo, 15 de junho de 2014

Meditação do Dia - Narcóticos Anônimos


DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014.

Resistência à mudança 

"Muitos de nós agarram-se aos nossos medos, dúvidas, baixa auto-estima ou ódio, pois há como que uma falsa segurança na dor que nos é familiar. Parece mais seguro abraçarmos aquilo que conhecemos, do que o largarmos e seguirmos em direção ao desconhecido." 
Texto Básico, p. 39 

Já tenho ouvido dizer que "quando a dor de permanecermos na mesma for maior do que a dor da mudança, iremos mudar." Os nossos medos podem impedir-nos de crescer, de pôr um fim a relações, de mudar de emprego, de ir a novas reuniões, de começar novas amizades, ou de tentar qualquer coisa fora do vulgar. Permanecemos, por muito mais tempo do que deveríamos, em situações que já não estão a resultar, apenas porque aquilo que é familiar é para nós mais seguro do que o desconhecido. Qualquer mudança implica ultrapassarmos os nossos medos. "E se eu ficar sozinho para sempre?", poderemos pensar, perante a hipótese de pormos fim a uma relação. "E se eu descobrir que sou incompetente?", pensaremos ao contemplar uma mudança de trabalho. Poderemos evitar ir a novas reuniões pois teremos de nos aproximar de outros. As nossas mentes produzem centenas de desculpas para nos deixarmos ficar onde estamos, com medo de tentarmos algo de novo. Descobrimos que a maior parte da nossa dor não advém da mudança, mas antes da resistência à mudança. Em NA aprendemos que a mudança é a forma de avançar nas nossas vidas. Novos amigos, novas relações, novos interesses e desafios, irão substituir tudo o que esteja velho. Com estas coisas novas nas nossas vidas, encontraremos novas alegrias e amores.

Só por hoje: Vou deixar ir o antigo e abraçar o novo, e assim crescer.

N.A. Portugal http://www.na-pt.org/sph.php

sábado, 14 de junho de 2014

PRIMEIRO PASSO do livro ISTO RESULTA - COMO E PORQUÊ


"Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção, que tínhamos perdido o domínio sobre as nossas vidas". Cada um de nós, como adicto, já passou pela dor, pela solidão e pelo desespero da adicção. Antes de chegarmos à NA, a maioria de nós tentou tudo aquilo que pode para controlar o nosso uso de drogas.

Tentamos mudar de droga, julgando que o nosso problema era uma droga específica. Tentamos limitar o nosso uso a certos momentos ou a certos lugares.

Até podemos ter chegado ao ponto de jurar que nunca mais voltaríamos a usar, ou dito a nós próprios que nunca faríamos as coisas que vimos outros adictos fazerem, acabando também por fazê-las. Nada do que tentamos teve algum efeito duradouro. A nossa adicção ativa continuou a progredir, levando consigo as nossas melhores intenções.

Sozinhos, com medo daquilo que o futuro poderia trazer-nos, encontramos a irmandade de Narcóticos Anônimos.

A nossa experiência como membros de Narcóticos Anônimos é a de que a adicção constitui uma doença progressiva. A sua progressão pode ser rápida ou lenta, mas é sempre para pior. Enquanto continuarmos a usar drogas, as nossas vidas nunca deixarão de piorar. Não é possível descrevermos a adicção de uma forma que nos agrade a todos. Contudo, a doença parece afetar-nos das seguintes maneiras:


A todos vocês que fazem este blog, minha gratidão!


Hoje, só por hoje, devo agradecer ao Deus da minha concepção, por mais um dia de vida. Ontem, é passado. Torci pelo Brasil e vencemos. A copa não deve servir, de modo oportunista, para que se intente buscar ganhar votos, no futuro, às custas da derrota da nossa seleção, que representa o Brasil e quem é brasileiro de verdade. O direito de se manifestar é algo compreensível, o de depredar é inconcebível. Os oportunista, aliados a baderneiros, procuram deslustrar o brilho dessa grande empreitada que foi trazer para o Brasil um evento esportivo que mexe com o mundo inteiro e que traz notoriedade para o nosso país. Mas em política existem os oportunistas de todo gênero, que se valem de inocentes úteis e, infelizmente, de gente que se infiltra para confrontar e afrontar a democracia, mediante atos violentos, como podemos observar pelas marcas deixadas por vândalos e um pequenino grupo de pessoas, que não sabem se organizar para reivindicar o que desejam. Escolheram o pior momento, pois ganham a antipatia geral do povo brasileiro, que deseja ardorosamente ver nossa seleção ganhar mais uma copa do mundo e, com fé em Deus, nós venceremos. 

Hoje, devo esclarecer que estou quase sem internet. Estou navegando como nos tempos do dial up. Chato, pra caramba! Mas, independentemente, estou trabalhando um texto que é do NA,  muito bom para quem está se iniciando no programa dos doze passos. Nunca achei tal texto na internet e desejo publicar o mesmo, amanhã. O ideal seria publica-lo pela manhã, porque todo mundo pode ler, copiar, imprimir, comentar e sobretudo adquirir algum conhecimento, aprendendo algo mais sobre o Primeiro Passo. Todos os passos são importantes, mas o primeiro é o começo do processo de recuperação. 

Mudando de assunto quero externar meus agradecimentos a todos que, de uma forma, ou de outra, ajudam a divulgar este blog, que só conta com este escrevinhador. Então quem faz este blog existir são vocês que o seguem, que curtem o mesmo, que o recomendam, não fosse isto seria uma mera terapia ocupacional para quem busca publicar algumas coisas que muitas vezes desconhecia e que julgo ótímo compartilhar. Quem quiser escrever algum texto é só mandar um e-mail. Os seguidores são membros deste blog e dele podem participar tranquilamente, sem preocupação alguma. 

Então, deixo aqui registrado o meu agradecimento à coletividade e, em especial, aos seguidores que
fortalecem o blog, enquanto formamos uma corrente do bem... Muito grato a todos vocês que me empurram a seguir em frente e a produzir algo que pode ajudar outras pessoas, que necessitam de ajuda. As vezes recebo pedidos de ajuda vindos de vários continentes e recordo que  o primeiro foi de um rapaz de moçambique que estava usando drogas, em um processo de recaída e, por lá, não havia NA e ele recorria a mim pedindo ajuda. Ele se sentia envergonhado e não queria decepcionar os pais. Creio que ele vai bem e torço por todos que desejam abandonar o vício, quanto torço pelos que estão em recuperação. Vocês todos são uma nova família que adotei no meu coração.

Muito agradecido.

SPH

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Prece da Serenidade


Concedei-me, Senhor, 
a serenidade necessária 
para aceitar as coisas que não posso modificar, 
coragem para modificar aquelas que posso 
e sabedoria para distinguir umas das outras, 
vivendo um dia de cada vez, 
desfrutando um momento de cada vez, 
aceitando as dificuldades 
como um caminho para alcançar a paz, 
considerando o mundo como ele é
e não como eu gostaria que ele fosse,
confiando em ti, meu Deus, 
para endireitar todas as coisas 
para que eu possa ser 
moderadamente feliz nesta vida 
e sumamente feliz contigo na eternidade.

Reinhold niebuhR 
Teólogo americano, 1892-1971

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Salve, BRASIL!


O coração bate mais forte... está chegando a hora do BRASIL mostrar a nossa cara, representando todos nós, brasileiros de rocha.


Só por hoje, BRASIL!

Overdose: quando o organismo não é capaz de se livrar dos exageros


"Há venenos em todas as coisas. Não existe nada sem veneno. Todas as substâncias são tóxicas. A dose correta é que diferencia um veneno de um remédio." Esta frase é de Paracelso, filósofo, médico, alquimista, que viveu por volta de 1.500 e é considerado o pai da Toxicologia Moderna.




O organismo tem um limite em sua capacidade de metabolizar a substância ingerida e, quando esta é consumida em quantidade e velocidade maior do que a possibilidade de metabolização, acontecem as overdoses.

A overdose se dá quando o indivíduo consome determinado tipo de substância num volume maior do que o organismo pode suportar, e isso pode ter consequências graves e até levar à morte.

O que ocorre com um organismo em overdose?

O fígado é o órgão responsável por metabolizar (eliminar) as substâncias químicas ingeridas pelo corpo e converter essas substâncias em novos compostos, mais simples e menos tóxicos ao nosso organismo. Entretanto, quando ocorre o alto consumo dessas substâncias químicas, como drogas e álcool, o fígado não consegue eliminar esses compostos na mesma velocidade em que são ingeridos, causando intoxicação do organismo. Quando a intoxicação é severa, como nos casos de overdose, pode ocorrer depressão do sistema nervoso central e parada cardiorrespiratória, ou seja, o coração e os pulmões param de funcionar, levando o indivíduo à morte.

De acordo com o psiquiatra do Einstein, Dr. Sérgio Nicastri, existem dois tipos de overdose, a intencional – na maioria das vezes promovida pelo abuso de drogas –, é quando a pessoa sabe que o consumo excessivo de determinada substância irá fazer mal, mas continua a ingerir a droga e/ou a bebida alcoólica. E a não-intencional que, na maioria das vezes, se dá em função da dosagem indevida de algum medicamento. A maior parte dos casos de intoxicação por medicamentos acontece pela automedicação.

O que faz um indivíduo entrar num estado de overdose?

"São vários os comportamentos entre as pessoas que são viciadas em substâncias psicotrópicas – aquelas que atuam diretamente sobre o cérebro – e que podem ter uma overdose. Existem as pessoas que consomem cada vez mais pela busca do prazer, as que consomem drogas "não confiáveis" e as que abusam de remédios, sejam eles manipulados ou não", explica o psiquiatra.

Algumas substâncias podem provocar intoxicações acidentais e também levar à morte, mesmo a pessoa não tendo consumido doses muito elevadas. É o caso de barbitúricos, codeína, morfina e inalantes.

Não há uma quantidade "segura" para o consumo deste tipo de substância, pois cada indivíduo possui níveis de tolerância diferentes. Mas algumas drogas têm maior potencial para provocar overdose, como a heroína, o crack e a cocaína, que possuem alto risco, pois provocam grandes alterações no sistema nervoso central, podendo levar à morte de forma muito rápida, por depressão respiratória (heroína) ou ataque cardíaco (cocaína e crack).

Pessoas que são viciadas em álcool – embora, se comparado com cocaína ou heroína, este apresente menor possibilidade de provocar overdose –, quando o consomem em doses elevadas podem sofrer coma alcoólico e morrer se não forem tratadas a tempo. Este risco aumenta muito quando o consumo de bebida alcoólica é associado a outras drogas, principalmente tranquilizantes.

A maconha oferece menor risco de overdose. Contudo, seu consumo excessivo pode provocar constantes distorções da percepção. Já o tabaco tem risco praticamente zero, considerando sua forma de absorção (fumado), mas a ingestão oral de um maço de cigarros poderia ser fatal.

Efeitos da overdose

Os efeitos variam de indivíduo para indivíduo e dependem muito do tipo de substância ingerida, da quantidade e da forma de uso (oral, venosa, subcutânea). Podem ser agudos ou crônicos e incluem tanto os riscos associados à droga propriamente dita quanto à via de administração utilizada pelo usuário. Alguns exemplos dos sintomas de uma overdose são agitação, sudorese, delírios, taquicardia hipertensão arterial, arritmia cardíaca, febre extrema, convulsões, dor no peito e infarto do miocárdio.

Quanto mais jovem, mais abuso

É claro que nunca podemos generalizar, mas é sabido pelo inconsciente coletivo que a adolescência é o período das experimentações, dos testes de limites. "Os jovens abusam de tudo, para eles não existe meio termo. E, na maioria das vezes, começam a usar alguma substância, influenciados pelo grupo de amigos, por precisarem ser aceitos dentro do grupo, afirma o Dr. Sergio Nicastri.

Robert T. Brown, pediatra e membro da Academia Americana de Pediatria, em um artigo publicado na Pediatric Clinics of North America, diz que o consumo de drogas se inicia principalmente na adolescência. Sendo o álcool a substância mais consumida pelos jovens, seguido de tabaco, maconha e estimulantes. Estes últimos ganharam destaque nos anos oitenta, com o ressurgimento do consumo da cocaína e o aparecimento do crack, bem como na última década, com a popularização do ecstasy.

"O adolescente não possui ainda a habilidade para prever os riscos de um comportamento habitual. Tal aptidão começa a se manifestar por volta dos doze anos e se torna mais presente a partir dos quinze. Desse modo, adolescentes mais assertivos e agressivos (assim como os mais impulsivos) se envolvem em comportamentos de risco com mais facilidade. Tais comportamentos podem tanto advir, quanto causar trauma e estresse", explica Dr. Robert Brown.

Do uso esporádico à dependência química

O uso de substâncias psicotrópicas por muito tempo e de forma regular faz com que o individuo comece a perder o controle sobre o seu consumo. Ele perde a condição de escolher e se torna dependente da droga.

Alguns sinais indicam a dependência química, como compulsão ou perda do controle, tolerância do organismo e a necessidade de doses cada vez maiores da substância para se obter os mesmos efeitos de antes; sintomas de abstinência; valorização da droga em detrimento do dinheiro e da vida social, entre outros.

O uso da droga passa a ser uma necessidade e não mais um ato que está ligado a uma ocasião social. O viciado em álcool, por exemplo, passa a beber não mais para relaxar, para curtir uma ocasião especial com os amigos, ele passa a beber para aliviar os sintomas da abstinência.

O viciado tem controle apenas sobre o primeiro ato. "Por exemplo, o viciado em álcool só sabe que ele não pode ingerir o primeiro gole, porém, se isso acontece, ele já não terá mais a capacidade de controlar", explica o psiquiatra do Einstein.

Como tratar um paciente em overdose?

Em casos de overdose, um bom tratamento de suporte continua sendo a melhor conduta. "O médico do atendimento de emergência deverá obter a maior quantidade possível de detalhes da história de vida do paciente, mantendo as vias aéreas, respiratórias e circulatórias monitoradas e funcionando. Passado este primeiro momento de urgência, é preciso que o paciente seja tratado por uma combinação de terapias farmacológicas, terapias psicodinâmicas e/ou cognitivo-comportamentais", finaliza o Dr. Sérgio Nicastri.

Fonte:   

EXPERIMENTANDO AUASCA - CAETANO VELOSO



Agora eu estava ali, diante do único copo de auasca que não fora esvaziado. Tinha ouvido a argumentação de Gil para me convencer: diferentemente da maconha, o auasca não produzia queda de percepção da luz, dormências, embriaguez ou taquicardia. A gente ficava lúcido e aos poucos começava a perceber as coisas com mais intensidade, as cores, as texturas, as relações entre as formas, e às vezes víamos coisas que sabíamos não serem "reais", embora as víssemos com nitidez. Por um desejo de libertar-me do medo, por curiosidade, por necessidade de compartilhar, peguei o copo e engoli todo o conteúdo que me era destinado.

A beberagem espessa e amarelada tinha gosto de vômito, mas não me causou náuseas. Fiquei tranqüilo esperando. De fato, nada aconteceu de comparável ao tapa da maconha. Apenas comecei a achar cômica a música do Pink Floyd que Gil pusera no toca-discos. Ela me soava superficial e gaiata e eu ria entendendo muito bem por que ela me soava assim. Logo o carpete de náilon do quarto do som apresentou seu modo peculiar de ser: cada tom de cor neutra - palha, areia, gelo, cinza e mil sub-brancos - dizia de si muitas coisas, fosse sobre a velocidade das vibrações que produziam sua aparência, fosse sobre a tolice dos homens que buscavam fingir beleza, fosse sobre a unicidade do momento em que estávamos nos encarando.

Eu me demorava observando os objetos e me maravilhava de quão fundo os podia entender. Sabia tudo sobre aquele pedaço de madeira que aparecia sob o tapete. Captava o sentido das variações de densidade, entendia a história de cada pedaço de matéria. Comovia-me com o drama de cada ser inanimado que se me apresentava: não era como se eles tivessem consciência, antes era como se eu fosse uma consciência que tudo atravessa, sendo inclusive consciência profunda dos entes sem consciência. As vezes me parecia possível perceber como é que as moléculas se juntavam para resultar nessa ou naquela manifestação perceptível: pano, plástico, papel. Eu acompanhava o trabalho dos átomos, do acaso e das convenções na criação dos seres reconhecíveis. E não me sentia mal. Pelo contrário. Consciente de que já estava sob a ação da droga, eu simplesmente observava com uma curiosidade quase alegre as mudanças que minha gradativa mudança impunha ao mundo. 

As outras pessoas começaram a se mover de modo a me chamar a atenção. Por algum motivo, eu me isolara inicialmente e não tivera vontade de nada dizer nem perguntar a ninguém. Sandra entrava e saia do quarto do som com os olhos duros e o rosto sério. Ela estava assustada. Eu a achava parecida com um índio. Gil estava com lágrimas nos olhos e falava alguma coisa sobre morrer, ter morrido, não sei. Dedé circulava pela sala dizendo que se via a si mesma em outro lugar. Eu fiquei muito feliz de observar que as pessoas eram tão nitidamente elas mesmas. Fechei os olhos. Uns pontos de luz coloridos surgiram no espaço ilimitado da escuridão. 

Eles se organizavam em formas agradáveis. Eu disse a Gil: "É tão bonitinho! É tudo simétrico!". E eu mesmo achava graça nas palavras escolhidas. E mais ainda: entendia que esse "é tudo" se referia àquilo que de fato é. Eu não estava dizendo "o que eu vejo é bonitinho e é simétrico", mas "o que é é bonitinho e simétrico". Eu tinha toda a calma do mundo para interpretar nesses termos o que eu mesmo dizia. Voltava então a fechar os olhos. Os pontos estavam mais e mais ricamente organizados. Eram luzes concentradas de cores gostosamente definidas. O modo como eles se organizavam parecia ao mesmo tempo inevitável e livremente decidido por mim. 

Eu queria o que acontecia: eu desejava tal ou qual movimento e isso era imediatamente fatal. Formas circulares eram compostas por lindos pontos luminosos dançantes. Aos poucos eu sabia quem era cada um desses pontos. E em breve eles de fato se mostravam como seres humanos. Eram muitos, de ambos os sexos, todos estavam nus e tinham aspecto de indianos. Essas pessoas dançavam em círculos de desenhos complicados, mas eu não só podia entender todas as sutilezas dessa complicação como tinha tranqüila capacidade de concentração para saber sobre cada uma das pessoas tanto quanto eu sei de mim mesmo ou de meus próximos mais amados. 

CAETANO VELOSO - O PRIMEIRO TAPA

Gil, Dedé, Sandra, Péricles Cavalcanti, Rosa Maria Dias, então mulher de Péricles, Waly, Duda e eu, cada um tinha sua dose de auasca. Todos tomaram. Menos eu, que, anos depois dessa experiência com o lança-perfume - e pouco mais de um ano antes dessa noite -, tivera um sofrimento igualmente infernal por causa de maconha. 

Tinha sido uma negra americana que vivia em Salvador - ou ali tinha um apartamento alugado aonde vinha de Nova York para passar semanas -, uma mulher muito interessante cujas atividades na cidade nunca conseguimos precisar, quem nos iniciara, a mim e a um grupo de amigos baianos, na marijuana. Ela tinha grandes quantidades de erva de primeiríssima qualidade - "cabeça de negro" – e deu um cigarro a cada um. Sem saber que isso era muito, fumei o cigarro inteiro puxando com força e segurando a fumaça no pulmão, como ela ensinava. Como eu nada sentisse, procurei seguir suas instruções à risca. Depois de findo o cigarro, ainda dizendo que não sentia nada, levantei-me para ir até a janela. De vez, a luz caiu (era dia), meu coração disparou, minha boca secou e meu corpo ficou dormente - sobretudo as pernas. 

O susto foi muito grande e cheguei à janela esperando que aquilo passasse logo. Vi as pedras do calçamento como que coladas ao parapeito do terceiro (ou quarto) andar em que estávamos. Percebi que aquilo estava apenas começando. Nenhum dos meus amigos igualmente iniciantes teve reação parecida. Imediatamente demonstrei meu desespero e eles, a partir daí, passaram a se concentrar em cuidar de mim. Eu me sentia longe e tinha uma saudade enorme das mesmíssimas pessoas que estavam ali comigo. 

Sentia uma saudade desesperada, da Bahia, de mim mesmo, de Dedé, da vida. Me deram doce, leite, laranjada. Nada me fazia melhorar. Por umas cinco horas sofri como louco. Quando comecei a perceber que voltava, um amor (não há outra palavra) muito intenso tomou conta de mim, tendo como objeto as pessoas que estavam ali - todas e cada uma -, as paredes, os móveis, o chão da casa, depois, o bairro da Barra, o mundo. Não era apenas a felicidade de recuperar em mim essas coisas: eu sabia que o sentimento também era sublinhado pelo tipo de embriaguez produzido pela droga. Mas as horas intermináveis de angústia - e a modificada sensação do tempo fez com que elas parecessem milênios - me deixaram traumatizado e eu me prometi que nunca mais fumaria aquilo outra vez. Essa sessão de maconha me trouxera à memória com vivacidade o horror vivido com o lança-perfume. 

CAETANO VELOSO, LIVRO VERDADE TROPICAL

CAETANO VELOSO - LANÇA PERFUME


VERDADE TROPICAL, CAETANO VELOSO:

Minha primeira experiência com uma droga que não fosse álcool ou tabaco tinha sido uma catástrofe. Aos catorze anos, no primeiro Carnaval que passei em Santo Amaro depois de voltar do meu ano no Rio, Luis César, um companheiro do ginásio que já fora meu colega no curso primário, propôs que tomássemos um porre de lança-perfume juntos. O lança-perfume era um sinônimo de felicidade para mim. Vendido em garrafinhas de metal dourado ou de vidro com um dispositivo para fazer, com uma pressão do polegar, esguichar um jato fino de perfume que gelava a pele que tocasse, esvanecendo-se em segundos, ele era um elemento que ampliava a magia do Carnaval, porque trazia antevivências de paixões amorosas (em princípio, ele existia para ser apontado por nós para meninas que se sentiriam fugazmente geladas, perfumadas e lisonjeadas - ou assim esperávamos) e uma sugestão olfativa de sonho. Meu pai comprava uma garrafinha para cada um de nós (que respeito ele tinha pelo Carnaval!), mas diversas vezes o ouvi recriminar o uso que se fazia do seu conteúdo como entorpecente e frisar que podia causar uma parada cardíaca. Sem embargo, eu ouvia de alguns conhecidos mais velhos (inclusive meus irmãos) elogios à maravilhosa sensação do "porre". Assim, quando Luis César me propôs a experiência, embora eu resistisse por muito tempo, chegou um ponto em que a curiosidade foi maior que o medo. 

Aspirei o lenço embebido no líquido e, em um segundo, era a pessoa mais infeliz sobre a face da terra. Toda a praça iluminada mergulhou numa escuridão que se originava em mim, e um zumbido em meus ouvidos, de intensidade regularmente oscilante mas também regularmente crescente, me levava a sentir-me perdendo o mundo - e perdendo-me para o mundo. O mais feroz pavor infantil de aniquilamento tomou conta de mim nesses segundos que pareceram durar uma eternidade, pois, à medida que eu afundava mais e mais na escuridão e na zoeira, eu era como que gradualmente desfeito de tudo, menos da lucidez para observar, dilacerado, o horror que estava me acontecendo. Luís César foi e voltou de seu mergulho sem demonstrar grande gozo ou grande sofrimento. Suas primeiras palavras denotavam um mero aumento da curiosidade a respeito do que se podia extrair de interessante do lança-perfume como droga. A imensurável alegria que ia se apossando de mim, à medida que eu percebia que estava voltando à vida, não foi bastante para impedir que, imediatamente depois de refeito, eu entrasse numa espécie de depressão que estragou meu Carnaval de 57 - e, em certa medida, todos os meus dias dali em diante. Eu visitara um inferno onde o absurdo insuportável de uma alma sem corpo - e de uma consciência sem objeto - se me apresentara como uma evidência terrível: odiei para sempre a idéia de que possamos seguir sendo nós mesmos depois da morte. Ainda hoje, cada vez que ouço alguém falar de espíritos de parentes ou conhecidos mortos que tentam se comunicar com os vivos, me angustio só de imaginar a situação. Sinto pena dos mortos e raiva dos vivos que aventam com leviandade uma possibilidade tão horrorosa. 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

RAUL SEIXAS EM NOITES TROPICAIS - NELSON MOTTA


Raul Seixas se afirmava como um rebelde independente e libertário, se tornando ao mesmo tempo um ídolo popular nas favelas e um admirado ponta-de-lança da contracultura. Com ironia debochada e grande sentido crítico, num canto quase falado, à maneira de Bob Dylan, ele transformou “Ouro de tolo” num dos maiores sucessos do ano, fustigando os sonhos da classe média e o “milagre brasileiro”: 

“Eu é que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar / Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais no cume calmo de meu olho que vê assenta a sombra sonora dum disco voador.” 

Lançada em compacto, a música não aconteceu no Rio, mas foi muito bem recebida em São Paulo. 

Por sugestão de Paulo, Raul, de terno, gravata e violão, convocou a imprensa e provocou grande tumulto na Avenida Rio Branco, juntando uma multidão à sua volta, cantando e promovendo ao vivo, direto ao consumidor, a sua nova música. 

Apareceu até no “Jornal nacional”. A música era irresistível: estourou no país inteiro. 

Logo depois, Paulo e Raul enfrentaram pela primeira vez problemas com a Censura, que exigiu a modificação de dois versos de “Como vovó já dizia”: “quem não tem papel dá recado pelo muro/ quem não tem presente se conforma com o futuro” foi mudado para “quem não tem filé come pão e osso duro/ quem não tem visão bate a cara contra o muro”. Mas liberou o debochado refrão, que pulsava hipnoticamente e levou a música ao sucesso popular: 

“Quem não tem colírio usa óculos escuros...” 

Empapuçados de maconha e ácido, Paulo e Raul se tornavam cada vez mais audaciosos. 

Imaginavam, ingenuamente, que suas músicas anárquicas e sua contraditória tentativa de “organização” da “Sociedade Alternativa” não eram levadas a sério pelo sistema repressivo, que eram vistas como coisa de “roqueiros americanizados”e não de “subversão política”. Mas foram presos, apertados em longos depoimentos e finalmente libertados, assustadíssimos. Mudaram o jogo e abriram o leque para o misticismo oriental. Feita em dez minutos, “Gîtã” foi um dos maiores sucessos de 1974, gravada por Raul e depois por uma poderosa Maria Bethânia, num dos maiores sucessos populares de sua carreira. Assim, os brasileiros conheceram uma versão tropicalizada das milhares de páginas em sânscrito do Bhaghawad-Gitâ, condensadas por Paulo Coelho e Raul Seixas num sucesso popular. Parecia mágica. 

Talvez fosse algo além do talento e oportunismo da dupla, que andava enfiada até o pescoço no mundo da magia e do ocultismo, eram estudiosos e seguidores do mago e satanista inglês Aliester Crowley, de quem me falavam com grande entusiasmo e devoção: o homem era o “cão”. 

Também gostavam muito de Thomas De Quincey e suas Memórias de um comedor de ópio, gostavam de tudo que era proibido, pecaminoso, secreto e misterioso. E diziam que detestavam política. 

Raul, além de magro e abusado, fumava, bebia e cheirava cada vez mais, embora a cocaína apenas começasse a aparecer no meio musical carioca, basicamente alcoólico, canábico e lisérgico. Os hippies maconheiros e viajandões, místicos e pacifistas, eram radicalmente contra o pó: era coisa “dele”, do “cão”. Tim Maia detestava. Envolvido com a seita “Universo em desencanto”, do pai de santo “Seu Manuel” de Belford Roxo, ele tentava converter os amigos ao naturalismo. 

Uma tarde, no apartamento de Raul na Rua Figueiredo Magalhães, testemunhei uma acalorada discussão entre o gordo e o magro sobre as grandezas e misérias da cocaína e da maconha. Raul falava mal da maconha, dizendo que ela deixa as pessoas prostradas e ; sem vontade de nada, que a cocaína dava força e velocidade. Tim contradizia dizendo que a planta era santa, dava paz e inspiração. A coisa foi esquentando e quando Raul começou a debochar do “pacifismo naturalista” de Tim, os ânimos se exaltaram e Tim encerrou a discussão advertindo o machista Raul para tomar cuidado porque a cocaína, além de impotência, provoca no usuário uma irresistível vontade de ser sodomizado. Ou, em suas palavras imortais, “afrouxa o brioco”. Discussão encerrada. Tim acendeu mais um e Raul esticou mais uma e quase fizeram uma música juntos. 

Depois da prisão, assustados, Paulo e Raul viajaram para os Estados Unidos no início de 1974. Raul pela primeira vez, Paulo já tinha feito, um ano antes, de mochila nas costas e de carona, uma road trip de Nova York à Califórnia. Com Raul pagando tudo, os dois parceiros e respectivas mulheres desembarcaram em Los Angeles para a primeira etapa da viagem, exigência do satânico Raulzito: a Disneylândia. 

No desembarque, um pequeno suspense. Sem saber da fartura californiana e correndo graves riscos, Raul tinha levado um cinto recheado de maconha, convenientemente envolvida em panos encharcados de perfume. Passou incólume pelos cachorros e pela alfândega mas, quando chegou ao hotel, se decepcionou: a preciosa carga estava inutilizada pelo perfume. Em Los Angeles, Raul ficou maravilhado com as “head shops”, lojinhas hippies que vendiam tudo que servia para usar (e para esconder) maconha e cocaína. 

Uma imensa variedade de papéis para enrolar (em vários sabores), cachimbos, narguilês, vidros, canudos, trituradores, pilões, filtros, vaporizadores, sprays desodorizantes com vários aromas, embalagens com fundos falsos, toda uma parafernália de artigos para drogados e farta literatura sobre maconha, ácido e cocaína. 

Nas “head shops” só não se vendiam os próprios. 

Da Disneylandia, doidões, eles foram para New Orleans e de lá para Memphis, em peregrinação ao santuário de Elvis Presley, Graceland. Em Nova York, por dias cercaram o Edifício Dakota, no Central Park, onde moravam John Lennon e Yoko Ono, em busca de um encontro. Em vão: nunca foram recebidos, mas na volta ao Brasil deram longas e detalhadas entrevistas sobre as idéias que trocaram com o famoso casal. 

Em seguida, Raul lançou o Lp Novo Aeon, completamente ideológico, com músicas como “A maçã”, que pregava a liberdade sexual e o casamento aberto, “Rock do diabo” (“enquanto Freud explica as coisas o diabo fica dando o toque/ O diabo é o pai do rock”) e a bela balada “Tente outra vez”, uma das melhores da dupla. Sucesso relativo mas muito abaixo do padrão de Raul e nenhum hit popular. 

Entupidos de cocaína e cada vez mais paranóicos, no fim do ano Paulo e Raul foram outra vez para os Estados Unidos, de novo bancados por Raul, mas dessa vez com o objetivo de ficar morando e trabalhando. Fizeram letras em inglês para as músicas, iam procurar empresários, produtores e gravadoras, começar tudo de novo nos Estados Unidos. Não procuraram ninguém. Paulo ficou em Nova York e Raul em Atlanta, com a família de Gloria, e dois meses depois voltaram ao Brasil de rabo entre as pernas. Brigaram, se separaram, e Paulo começou a fazer letras para Rita Lee. 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Crack - uma droga mutante e de fundo de quintal, atualmente

Na foto o uso feito não é do crack, mas de haxixe

Atualmente é complicado alguém dizer que fumou ou usou crack, isto porque esta droga vem sendo fabricada em fundos de quintais, sem conhecimento algum, de modo empírico, na base da tentativa e erro. Dificilmente alguém acerta. Depois, como já abordamos, é outra droga que vem sendo adulterada. Um risco para a saúde dos usuários que usam sem se dar conta de muita coisa. O que dizem ser crack, hoje em dia, parece ser uma combinação de parafina, ou vela, com outras maluquices. 

Quando queimado o crack crepitava. Hoje em dia já não mais faz aquele efeito sonoro que deu nome à droga. Simplesmente queima. Noutras fica acesso como uma chama de vela. O cheiro não é mais o mesmo. O pior de tudo é que essas experiências e o modo de produção podem ser muito mais danosos à saúde que o próprio crack. É uma loucura !

Para que algumas pessoas possam se situar posto um link em que um sujeito faz o crack caseiro, com técnica. Como está em outro idioma e por ser trabalho do National Geografic, posto o link, desaconselhando qualquer leitor a tentar efetuar qualquer tipo de experiência e muito menos ensinar a quem quer que seja como se dá tal processo. 

Eis o link que aborda outras questões pertinentes às drogas:

http://www.natgeotv.com/pt/o-negocio-da-droga/videos/como-fazer-crack

Outro link desaconselhável é:

http://saude.hsw.uol.com.br/crack2.htm


Drogas adulteradas - Muito cuidado!

A você, camarada, que não tem muito tempo para pensar na droga que está comprando, pois a pressa em obtê-la e usa-la o impede de raciocinar, tanto no que concerne a procedência desconhecida, que é segredo, quanto a manipulação tóxica, para torna-la mais rentável. 

Muita gente não sabe, por exemplo, que andam misturando maconha com o crack (= craconha). Você, usuário, muitas vezes no afã de usar esquece pormenores e no final das contas paga um elevado preço, que pode até mesmo custar sua vida. Além de contrair um novo vício.

Quem está na ativa é afoito e não acredita muito em conselhos, muito menos no que diz  respeito a sua droga de preferência, que adquire contornos de uma "Deusa". No mercado de drogas todo mundo se diz esperto, mas quem compra é um "mané" em potencial. 

Dai resolvi escrever este artigo para quem acredita nessas "misturas" e busque revelar aos desavisados que tenha muito cuidado antes de usar qualquer droga. Existe uma cartilha muito boa, que se acha disponibilizada no link :   

          http://www.psicotropicus.org/pdf/livreto_web.pdf

É interessante pois trata do tema em pauta. Seria muito bom que este trabalho fosse lido por todos, não apenas por quem faz uso. Assim  os detentores do conhecimento podem revelar a quem está nas trevas da adicção ativa, certas falcatruas, levando usuários a tomar ciência do que estão fazendo com ele ao venderem drogas "batizadas". 

O pessoal do Psicoblog (Blog do Centro Brasileiro de Política de Drogas - Psicotropicus) que é muito acreditado, além de polêmico e que realizou um trabalho criterioso sobre o tema. Não é trabalho feito por amadores e precisa ser levado a sério. 

Relembro de duas personalidades do mundo do rock que usaram heroína misturada com estricnina e o resultado foi quase mortal. Uma delas foi Keith Richards e a outra o falecido Jonh Lennon. Portanto estas misturas são bastante antigas.  

Não pretendemos que ninguém continue no uso, pelo contrario, queremos desestimular pessoas que usam a permanecerem no erro, pois cada vez mais estas misturas se revelam perigosas. Quem visa o lucro parece não estar nem ai. Então, usuário, se cuide e não compre mais gato por lebre. 

Fique esperto!

Além da CRACONHA (maconha+crack) existe o Ecstasy, o selo de LSD e a Cocaína, dentre outras drogas. Seria prudente, baixe a cartilha, leia e passar adiante. 

No que concerne a cocaína é bom ressaltar que também usam crack na mistura, dentre outras substâncias reveladas na cartilha, disponibilizada no link

 http://www.psicotropicus.org/pdf/livreto_web.pdf 

Chegou o momento de quem está na ativa repensar o seu uso e não se deixar levar mais pela fissura ou por outros estímulos e impulsos e pare de ser um "otário" lucrativo.

Pare e pense e veja se não é hora de proceder uma mudança radical em sua vida, procurando ajuda e deixando o vício de lado. 

Não há neste artigo nenhuma dose de alarmismo, nem pretendemos infundir medo na cabeça de ninguém, apenas buscamos conscientizar pessoas, para evitar tragédias.

Infelizmente não postarei outras misturas que são levadas a efeito, apenas deixarei um pequeno dado, para você que é usuário, repensar seu uso.

A cocaína, por exemplo, tem propriedades químicas: não tem cheiro (é inodora) e mesmo assim você compra cocaína com cheiro, não é mesmo? Ela também é cintilante, por isso brilha, mas você compra mesmo assim. Outra qualidade que diz respeito é a cor do pó que é branco. Mas você compra coca psicodélica, não é verdade? Pois é, ainda tem uma galera persuasiva que vai querer lhe vender dizendo que a cor significa que ela é sintética e vão até chama-la de "pink" e outros nomes, atraentes. "Nine-Nine" é outra mentira. Você pode descobrir isto esticando uma carreira em um prato e, depois, é só coloca-la em local úmido. Depois de certo tempo o percentual minimo e ínfimo de cocaína vai se revelar diante dos seus olhos, que constatará que comprou 90% de adulterantes e 10% de cocaína. Na cartilha não consta isto... Vale ressalvar que também compra-se em farmácias, grandes quantidades de Ácido Bórico, nos mercadinhos, fermento em pó Royal, goma e o restante que muita gente já conhece, por ouvir falar. 

Não vá mais nessa onda e corte o barato de quem quer lhe trapacear e colocar sua vida e sua saúde em risco! 

Visite o psicoblog ( http://psicotropicus-blog.blogspot.com.br/2013/07/drogas-adulteradas.html ) e fique esperto! Agora não esqueça de baixar a cartilha e  boa leitura. 



domingo, 8 de junho de 2014

Jim Morrison


por BEN FONG-TORRES

Jim Morrison, um homem que cantou, compôs e bebeu excessivamente quando era vocalista do The Doors, morreu - em paz - aos 27 anos, em Paris.

A morte de Morrison, apesar (e por causa de) esforços estratégicos de sua esposa, Pamela Courson, e dos amigos, foi coberta de mistério. Ele morreu na madrugada de sábado, 3 de julho, mas só em 9 de julho, dois dias depois de ser enterrado em Paris, seu empresário divulgou a notícia à imprensa norte-americana.

Bill Siddons, 23 anos, empresário do The Doors, explicou em uma declaração: "A notícia inicial de sua morte e do funeral foi mantida em segredo porque aqueles de nós que o conhecíamos intimamente e o amávamos queríamos evitar toda a notoriedade e a atmosfera de circo que cercou a morte de Janis Joplin e Jimi Hendrix".

Siddons fez a declaração após voltar de Paris, onde ele, Pamela e três amigos foram ao enterro, no célebre cemitério Père Lachaise, onde estão enterrados nomes famosos das artes e das letras como Honoré de Balzac, Oscar Wilde, Molieri e Edith Piaf. Siddons afirmou que não haveria missas em Los Angeles, cidade onde Morrison frequentou por um tempo a UCLA (Universidade da Califórnia) e começou a cantar com o The Doors em 1965.

Segundo Siddons: "Jim foi para lá para escrever e descansar. Em Paris, encontrou alguma paz e felicidade e tirou Los Angeles de seu sistema. Pode ser difícil de entender, mas era difícil morar aqui [em Los Angeles] e viver o que todos pensavam que ele era. Não houve velório, o que deixou tudo melhor. Só jogamos algumas flores e terra e dissemos adeus." Sobre a falta de uma autópsia, Siddons justificou: "Simplesmente porque não queríamos fazer desse jeito. Queríamos deixá-lo em paz. Ele morreu em paz e com dignidade".

Mesmo assim, alguém estragou as coisas. Boatos vazaram de Paris a Londres naquele fim de semana dizendo que Morrison havia morrido, mas quando repórteres ligaram para o apartamento de Jim e Pam, perto da Bastilha, ouviram que Morrison "não estava morto, e sim muito cansado e descansando em um hospital". Em 8 de julho, depois do enterro do cantor-compositor-poeta, a redação da United Press International em Paris noticiou que Morrison estava "se recuperando e sendo tratado em um hospital ou clínica". Um jornal pop de Paris publicou uma foto de Morrison com a manchete: JIM MORRISON NÃO MORREU, novamente divulgando que ele estava "cansado" devido a "uma doença simples".

A Morte de Jimi Hendrix

A exata causa da morte ainda é vaga e uma autópsia deverá ser realizada em Londres em 30 de setembro. Para a polícia, foi uma overdose de drogas, já que, segundo as autoridades, Jimi teria tomado nove tipos de soníferos, morrendo asfixiado em seu próprio vômito, em 18 de Setembro.

De acordo com o cantor Eric Burdon, Hendrix, que morreu no apartamento da namorada, Monika Dannemann, deixou um "bilhete de suicídio", um poema de várias páginas, que agora está em sua posse. Burdon foi o último músico com quem Hendrix tocou antes de morrer.

Burdon fala: "O poema tem coisas que Hendrix já vinha dizendo, mas que ninguém escutava. Foi um bilhete de 'adeus' e um de 'olá'. Não acho que Jimi tenha cometido suicídio do jeito convencional, só decidiu ir embora quando quis."

Burdon apareceu no canal BBC em 21 de setembro - três dias depois da morte de Hendrix - dizendo que Jimi "se matou". Naquele dia, não mencionou o poema que informou à Rolling Stone dois dias antes. A autópsia deveria ter sido feita em 23 de setembro, mas no dia seguinte à aparição de Burdon na TV foi adiada em uma semana (Burdon se recusa a mostrar o poema).

"Não acredito que tenha sido suicídio", afirma Michael Jeffery, empresário pessoal de Jimi. "Simplesmente não acredito que Jimi Hendrix tenha deixado seu legado para Eric Burdon continuar. Ele era uma pessoa muito peculiar."

Hendrix passou a noite de quinta-feira, 17 de setembro, no quarto de Monika Dannemann, uma pintora alemã, no Samarkand Hotel. Ela o encontrou em coma na manhã de sexta-feira e chamou uma ambulância, que chegou ao hotel na Landsdowne Crescent, no bairro de Notinghill Gate, e o levou para o Hospital St. Mary Abbot's, onde foi pronunciado morto na chegada, às 11h45, horário de Londres. A polícia afirma que estavam faltando soníferos em um frasco no quarto de Monika, alugado por ela em meados de agosto por seis semanas e que Hendrix havia tomado algumas pílulas antes de dormir na noite anterior. O restante foi levado como evidência.

Hendrix estava na Europa desde que tocou no Festival da Ilha de Wight, em 30 de agosto. Foi seu primeiro show britânico em dois anos, e a Jimi Hendrix Experience (com Billy Cox no baixo e Mitch Mitchell na bateria) começou quase imediatamente uma turnê no continente. A turnê deveria terminar em Roterdã em 14 de setembro, mas essa data foi cancelada quando Cox sofreu um colapso nervoso e teve de voltar para os Estados Unidos. Noel Redding, baixista original da Experience, estava para sair de Nova York e se juntar ao grupo em Londres quando soube da morte do guitarrista.

Jimi estava hospedado no Hotel Cumberland ao lado da Park Lane desde sua chegada, no mês passado. Deveria ter feito checkout depois da noite de quarta-feira, mas pediu para o gerente lhe reservar mais uma noite. No entanto, não voltou ao hotel na quinta-feira à noite. A última vez em que Hendrix apareceu em público foi na quarta-feira, quando se juntou a Burdon e ao War no palco do Ronnie Scott's Club, em Londres.


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