quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Emiliano José

O diabo e as drogas

                                                           

A política de criminalização das drogas tem sido um rotundo fracasso. Esta foi uma das conclusões fundamentais do Seminário Internacional O uso e usuários do álcool e outras drogas na contemporaneidade, realizado em Salvador, entre os dias 3 e 6 de novembro, promovido pelo Núcleo de Estudos Avançados Sobre Álcool e outras Drogas e pelo Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD), vinculado à Universidade Federal da Bahia. Para mim, cuja iniciação nas drogas limita-se ao álcool, de preferência vinho, e uma iniciação que nunca extrapolou limites – de mim, dir-se-ia um careta – foi um impressionante aprendizado.

Disse, durante o seminário, que eu estava apenas costeando o alambrado, relembrando expressão muito a gosto do velho e saudoso Leonel Brizola. Estou começando a me aproximar do tema, embalado pelos conhecimentos da psicanalista Maria Luiza Mota Miranda, coordenadora do Núcleo de Estudos Avançados Sobre Álcool e outras Drogas, e do deputado Paulo Teixeira, amigo e companheiro, do PT de São Paulo, um dos conferencistas do encontro. Numa sociedade como a brasileira, dada a uma impressionante hipocrisia e farisaísmo, não é um tema simples de ser abordado.

É só lembrar o que foi a recente campanha presidencial para ver o quanto um tema como esse é explosivo. Afinal, o aborto, ao qual milhares de mulheres de classe média recorrem colocando-se sob cuidados médicos especializados e milhares de mulheres pobres morrem ou têm sequelas decorrentes de abortos realizados em condições ultrajantes, para compreender como alguns assuntos são tratados como tabus. Serra descarregou toda a sua carga de farisaísmo, de hipocrisia, e só foi constrangido a parar quando revelou-se que sua mulher, Mônica, havia feito um aborto. Se o aborto enfrenta clima tão adverso, imagine a discussão em torno das drogas, especialmente uma discussão que pretenda não deixar o tema vinculado exclusivamente à esfera policial, à repressão violenta, a tratamentos desumanos, à perspectiva pura e simples da proibição.

Disse, durante o seminário, que toda essa política proibitiva, repressiva, estava e está vinculada a uma visão imperial, e vem de longe. Os EUA de há muito trabalham com essa ideia de combate às drogas, e os resultados que colhem são extremamente precários – quase nenhum. Afinal, todos se lembram das conseqüências da Lei Seca, dos anos 30. A proibição do consumo do álcool resultou, a rigor, no fortalecimento da máfia, de métodos criminosos, e não resolveu, de modo nenhum, o problema. Assim, tem acontecido atualmente com as drogas em escala mundial. Se tomamos a América do Sul como exemplo, os EUA têm desenvolvido uma autêntica guerra contra as drogas, e essa guerra não tem implicado em diminuição da oferta da droga, a par de servir de pretexto para a instalação de bases militares no Continente.

A psicanalista Maria Luiza Mota Miranda, na fala de abertura do seminário, lembrava que não há notícias históricas de uma sociedade sem drogas. Parece chocante ouvir isso, mas é absolutamente verdadeiro. E as drogas, com suas propriedades psicoativas, revelaram-se sempre um potente recurso das pessoas para a sobrevivência, pois anestesiam dores das intempéries, da fome e do frio, e constituem solução para a angústia e a dor da existência, como solução momentânea. Como medicamento, alivia tensões, stress, dores, sofrimentos. E ela, provocando, pergunta: o que dizer do vinho, o maior dos afrodisíacos, símbolo do prazer, louvado pelos poetas? E a cocaína, desde há muito inscrita na cultura dos povos, em suas religiões, rituais e no auxílio à força produtiva?

As perguntas de Maria Luiza podem parecer impróprias ou revelar apenas tentações panfletárias, mas não é nem uma coisa, nem outra. Têm absoluta propriedade. Vem de uma especialista que trabalha com o assunto há muito tempo. Ao lado do CETAD, um centro que se dedica ao assunto há mais de 25 anos, sob a dedicada orientação do professor Antonio Nery Filho, que fez a conferência de abertura do seminário sob o título, também aparentemente provocante, O CETAD e sua trajetória de 25 anos no campo da invisibilidade social. E Maria Luiza, na sua postura de questionar, perguntou mais:

Se há tantos séculos e de tantas formas o álcool e as outras drogas perfilam na história dos homens por que o uso dessas substâncias ganha um destaque tão intenso em nossa cultura, transformando-se em fenômeno e em sintoma social contemporâneo, especialmente a partir da segunda metade do século XX?

Para Maria Luiza, a lógica capitalista atual, com o avanço da ciência e da tecnologia, possibilita a transformação de algumas substâncias em negócios de larga escala e de grande valor econômico, entre elas as substâncias psicoativas que hoje ocupam um dos primeiros lugares na economia mundial, junto com a indústria de armas.

Assim, considerar, ainda para acompanhar a palestra de Maria Luiza, os usos intensivos do álcool e outras drogas uma doença sem cura, um desvio de comportamento, uma perversão, transforma a substância em mito, reduz o problema à dimensão clínica, deixando ao indivíduo somente a condição de impotência, sem alternativa senão a da marginalização. E não falamos de alienígenas, de seres distantes de nós, mas de nossos filhos, de nossos amigos, das figuras mais queridas de nossas vidas. As drogas, em suas múltiplas manifestações, as legais, tantas, e as ilegais são parte inseparáveis da vida contemporânea, a par de ter sido parte, também, como já dito, de todos os períodos históricos. Baco nunca nos abandonou, foi sempre um deus generoso, pródigo.

Na sociedade do consumo desenfreado, do gozo sem limites prometido pelo capitalismo, império do valor de troca, para recuperar noção cara ao marxismo, o gozo da droga se adequa como uma luva às leis do mercado. Por tudo isso, a discussão sobre as drogas, sobre essa louca política simplesmente repressiva, precisa ser muito ampliada, e não pode vincular-se a um desespero apocalíptico que muitos querem divulgar, espécie de beco sem saída a que estaríamos condenados, especialmente com a emergência do crack, novo demônio dos nossos tempos.

O buraco é mais embaixo, a discussão tem ir até os fundamentos de nossa sociedade, pensar a própria lógica capitalista, que estimula profundamente o uso das drogas, tanto com a pletora das drogas legais, que vão do álcool à profusão de drogas medicamentosas, até as ilegais, cujo consumo cresce, cresce e cresce, salvo naqueles países onde o consumo foi legalizado ou ao menos uma política menos repressiva foi implantada, a exemplo da Holanda, Portugal e Espanha.

Como estou costeando o alambrado, reflito sobre uma passagem de um livro de Saramago, que li há muito tempo – o título, se me lembro bem é O Evangelho segundo Jesus Cristo. Numa conversa entre Deus, Jesus e Lúcifer, no meio de um lago, ou do mar, não me recordo bem, Lúcifer, diante do mundo de sofrimentos que viria à frente, e Deus podia saber o que viria de sofrimentos na esteira do cristianismo, Lúcifer propõe então a Deus, para evitar todas aquelas dores, que ele voltasse ao aprisco dele, já que antes fora um de seus anjos prediletos. Deus, então, reage: não, de jeito nenhum, eu sem você não sobrevivo. Como faz muito tempo que li, pode haver equívocos, mas é mais ou menos este o raciocínio.

Penso que hoje há um demônio, a necessidade de um demônio, e o demônio deve ter sempre um nome: drogas, drogas ilícitas. E para chegar ainda mais perto do diabo, para ter um alvo, melhor ter um nome mais específico, e aí encontraram o crack, que é dada como uma droga mortal, contra a qual nada se pode fazer. E o usuário vira um adereço, uma estatística. Deixa de ser uma pessoa, um ser humano.

Antes, durante décadas, o Império apresentou um demônio ao mundo: o comunismo. Comunista, todos se lembram, comia criancinhas, e agora Serra tentou ressuscitar até a frase pelas palavras de sua mulher. Acabou a guerra fria, e é sempre necessário ter um demônio, mesmo que seja só nas aparências, mesmo que contraditoriamente, seja a partir mesmo do Império que o consumo, o grande negócio das drogas, legais e ilegais, seja tão profundamente estimulado. O diabo necessário agora são as drogas.
É fundamental desmistificá-lo. Trazer o assunto para perto das pessoas. Humanizar o problema. Olhar para os usuários com o carinho necessário. Trabalhar sem preconceitos com a ideia da legalização ou, para dizer de outra forma, quem sabe menos assustadora, com outros paradigmas que não sejam apenas aqueles vinculados à repressão pura e simples.

Costuma-se dizer que o diabo, ele outra vez, mora nos detalhes. Um detalhe simples: como trabalhar contra as drogas, com tanta violência, numa sociedade que nos bombardeia, segundo a segundo, com a promessa do gozo incessante, que se afirma como a sociedade do gozo eterno? Não há possibilidade de discutir a droga sem discutir a permanente droga proposta pela sociedade capitalista, a promessa do gozo sem fim, só possível por minutos no delírio que as muitas drogas possibilitam.

Eliminar as drogas é impossível. Ter outra convivência com elas, não. Esse foi o ensinamento desse oportuno seminário. Agora, nem que a médio prazo, trata-se de tirar conseqüências políticas disso, na esteira do que vem sendo feito na Europa, ou continuar o banho de sangue, cujo exemplo mais próximo de nós, de conseqüências assustadoras, vem sendo dado pelo México, cuja guerra contra as drogas tem implicado num quase genocídio. 
      
*Jornalista, escritor. emiljose@uol.com.br
www.emilianojose.com.br

Crédito : Carta Capital

De amigo para amigo

Cara, gostaria de lhe dizer tantas coisas e a primeira delas é que gosto de você e não quero lhe ver sofrendo, embora você nos faça ver você chorar, sorrindo. Sei que seu mundo é marcado por muitas emoções, Suas experiências - antes consideradas boas - não lhe conduz a nada, salvo a auto destruição.
Recordo quando lhe via passando, muitas vezes sorrindo como uma criança, noutras sério como um adulto na estação da maturidade. Recordo aquele sentimento seu, de quando arrumou uma namorada. Você tinha por hábito partilhar suas alegrias e tristezas comigo. Foi um dia feliz, em que de felicidade cantou no banheiro como nunca havia acontecido. Depois vieram outras que, também, lhe fizeram feliz. Lembra daquela paixão que lhe enlouquecia de tanto ciúme? Das suas brigas, dos seus desencantos, amarguras e desgosto. Amores são assim, ora nos levam ao céu, noutras o purgatório e também no inferno. Era assim: alegre, triste, contente e descontente! Certa feita você caiu em uma depressão profunda. Deixou de se cuidar. deu pra se desprezar, perdeu a auto estima, tudo porque achava que no mundo só exista aquela mulher. Mas você, um dia, ganhou forças para superar e entender que ela não era a única capaz de lhe encher a vida de sonhos maravilhosos.

Sua vida é bonita, nunca se esqueça disso, apesar de todos os seus erros.  Porém, não posso deixar de destacar que seu mundo mudou e todos mudaram em torno de si. Você tornou-se diferente, passou a fazer voltas pelos caminhos, como quem busca se proteger dos olhares de censura, piedade, misericórdia, pena e compaixão. Evito falar no ódio que muita gente sente, isso porque entendo que tais criaturas lhe sentem como um espelho e abominam o que enxergam e observam. Significa dizer que o ódio sentido é uma manifestação de revolta por se enxergarem em você. É o ódio delas para elas, isso essa gente nunca reparou.

Hoje percebo sua tristeza, sinto o que sente quando já não lhe dão ouvidos. Transformaram, por falta de conhecimento e incompetência, em um vilão, Olham você com desdém típico de quem se acha superior e, neste aspecto, ninguém é melhor que ninguém. Sei separar criação e criatura. Não importa o que dizem,portanto não se importe tanto com as loucuras alheias, já lhe bastam as suas, não é mesmo?

Estou empenhado em mudar, porque todos nós devemos e precisamos mudar pois se não mudarmos nada sera significativo e a sua existência significa muito, ao menos perante meus cinco sentidos. Quero tentar lhe ajudar, mas preciso me ajudar antes, buscando compreender as entranhas do labirinto dos corações sujos por inequivocada ausência de amor. Sabe, nós, quando queremos, podemos mudar para melhor e para penetrar no seu mundo, lidar com seus problemas, precisamos ter auto conhecimento. Assim lhe reconheço como um ser humano que se desviou da rota principal e derivou. Hoje busca se encontrar e não tem a chave que lhe abra o maravilhoso mundo das auto descobertas, apenas por conta de nunca ter achado gente como a gente, capaz de nos conduzir ao mundo das revelações. Mas, companheiro, antes de tudo pense na possibilidade de aceitar e admitir que está se perdendo ao penetrar no mundo do desconhecido dos que estão perdidos no tempo e no espaço, como errantes navegantes.Pegue o leme da sua vida e coloque o mesmo nas mãos de Deus. Você vai sair dessa vida de hábitos e costumes em que se viciou, Existe jeito para tudo, menos para a morte; Vamos lá, vamos nessa: o tempo é de mudanças!

Forte abraço do amigo de sempre  

Carta de um viciado


15/08/2010
Texto - Carta de um viciado
Esta carta foi encontrada nos pertences de um viciado em drogas. Ele morreu cinco meses antes desta carta ter sido encontrada. Entretanto, ele havia parado com as drogas, depois de cinco anos de vício, mas seu corpo estava totalmente danificado. 

A carta a seguir serve de advertência para todos os jovens, que como ele, entregam-se as viagens imaginárias, as auto afirmações de machismo ou de feminismo e ao inferno dos tóxicos.  
Começa assim:

Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 1977.

" A quem encontrar"

Não tenho nada para fazer, não tenho nada de bom para oferecer a ninguém. De mim não resta mais nada - apenas um corpo idiota que pensou que a vida fosse só prazer. Uma mente vazia que se deixou levar por um papo furado sem nenhum fundamento.

Neste momento estou sentado, tenho em uma das mãos um revólver e  na outra uma caneta com a qual redijo esta carta  a quem encontrar.

Sou um viciado, um dependente químico. Comecei com maconha, depois passei para as drogas mais pesadas, hoje tomo picos.

Por maior que seja meu nojo por essas drogas, eu não consigo afastá-la de minha vida, pois a minha dependência é física. Quando os efeitos malditos passam, me sinto tão mal que o único recurso é tomar mais e mais.

Começo a lembrar neste momento tudo como começou: Andava com uns caras que me influenciavam e que diziam, que para ser respeitado como homem, eu tinha que entrar na deles. No entanto, não era nada disso, aquilo tudo era auto afirmação. Eles diziam que era uma boa, que eu iria curtir altas viagens, etc...  Mas, para onde? - Pergunto eu agora. Viajar para a sepultura? - Para longe dos meus verdadeiros amigos? - Para longe dos parentes? - Para longe de tudo?...

Muitos conselhos eu recebi, pessoas que me alertavam para a escravidão do vício. Mas eu afirmava que não era viciado, e a hora que eu quisesses deixar a maconha, eu deixaria. Todos dizem isso, mas dificilmente se consegue vencer o vício.

O tempo foi passando e a maconha já não mais me satisfazia e então comecei a experimenta a cocaína. Hoje em dia, sinto dificuldade em sentir até o cheiro das coisas. Já imaginaram um homem não sentir mais o cheiro das flores, dos perfumes, de nada? Pois é, cada vez  mais dependente, sempre mudando de tóxicos, sempre para o mais forte, sempre um que fizesse mais efeito.

Meus pais separaram-se por minha causa, porque eu causava brigas entres eles.

Saí de casa e fui bater a cabeça por esse mundo. Não havia dinheiro em meus bolsos, mais  eu tinha que manter o meu vício. Então comecei a roubar para comprar as malditas drogas, em vez de comprar alimentos. Enfraqueci tanto fisicamente que o sexo para mim era coisa ultrapassada, pois muitas vezes não sabia o que fazer diante de uma mulher. Tive uma garota que morreu ano passado, porque ela tinha tomado uma dose excessiva de LSD. E o pior de tudo, a dose foi aplicada por mim.

-Oh! Meu Deus! Como pode um homem chegar ao ponto que eu cheguei? - Como eu gostaria de deixar esse maldito vício, poder novamente unir meus pais e devolver a felicidade a muita gente que me conhece.

- Oh! Meu Deus! Se eu não apertar esse gatilho, eu terei que me aplicar nova, e talvez a dose igual a que dei a minha garota.

- Não quero ser covarde e fugir da salvação. Oh! Meu Deus! estou aflito, preciso urgente de uma solução.

- Oh! Meu Deus! Estou fazendo uma coisa que não fazia a muito tempo... e quem sabe... isso não é um bom começo?...

Mensagem para os Pais

Antes de ser pai ou mãe, seja amigo de seu filho, ponha-se no lugar dele, afinal você também já teve suas dúvidas. Converse em vez de brigar, explique em vez de julgar. Lembre-se que você não é  dono de seus filhos, busque amparar, aconselhar e o mais importante, aprenda também a dizer  NÃO, dando disciplina sem sufocar, sem causar dor. Ame seus filhos, mas amor ou cuidado excessivo não nos deixa crescer, confie e desconfie,  mas seja firme em suas verdades, em suas atitudes diante deles. Liberdade também gera responsabilidade. A medida que crescemos precisamos buscar os desafios da vida, para poder nos firmar como uma pessoa segura de nossos atos. Todos erram, assim como você, pai ou mãe, já errou um dia. Por que ser duro e imaturo diante a uma dificuldade com seu filho?...  Veja esse problema  como uma oportunidade para crescer e aprender a amar e a perdoar. Use sua sabedoria de vida  para buscar uma saída, você tem uma missão para com seu filho, o amor incondicional. 

Você nunca estará sozinho, pois o SENHOR está presente em tudo que nos cerca. Nunca esqueça do amor que DEUS sente por todos os seus filhos, não é fácil amar alguém e ser esquecido por esse alguém, lembre-se você  também  é filho DELE. Hoje você já pediu Sua bênção?... Já compartilhou seus momentos com Ele?... Já pediu a Sua ajuda?... - Vamos experimente, ponha-se também no lugar de filho!  

Mensagem para os filhos
A vida não é feita de sonhos, nascemos para evoluirmos como pessoa, e aprender a ser feliz. O melhor caminho, é buscar o melhor das pessoas que nos cercam. Errar todos erram, mas é principalmente nos erros, onde podemos tirar várias lições. Nunca julgue uma pessoa pela aparência ou pelo que ela fez ou faz, pois sempre estamos mudando de opinião, do que é certo ou errado. 

Você não precisa provar nada a ninguém, você é o que é... e pronto, seja baixo ou alto, gordo ou magro, pobre ou rico, fraco ou forte, nada d´aquilo que falam de você é importante ou verdadeiro, pois assim como você, as pessoas, também mudam constantemente seus conceitos. Você é perante Deus, ÚNICO, está na humanidade por uma razão. Ouça aquele que fez e faz de tudo para te ver feliz, essa pessoa quer seu bem, normalmente, elas são nossos pais. Mas se por alguma razão, você estiver sozinho, sem alguém que cuide de você ou que te ame, em quem confiar?... Confie no amor de Deus, independente de religião, Ele vai lhe mostrar o caminho a seguir, busque sempre fazer o bem sem esperar recompensa alguma. E vá a  luta, segura com força todas as oportunidade que aparecer. E por mais difílcil que seja, nunca esqueça que o mais importante é estudar, estudar e estudar, o saber nos abre as portas para um horizonte melhor. Quando se sentir sozinho, busque um livro, mergulhe na história que estiver lendo, reze e confie em Deus. Acredite você nunca estará sozinho, você conseguirá, eu acredito em você, e você acredita?...


Sagrada Família
Que a Paz de Nosso Senhor 
esteja sempre presente nos nossos caminhos.

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos


31 de janeiro de 2013

Confiança

"Só por hoje terei fé em alguém de NA, que acredita em mim e quer ajudar na minha recuperação."
Texto Básico, pág. 101

Aprender a confiar é uma proposta arriscada. Nossa experiência no passado como adictos na ativa nos ensinou que nossas companhias não eram confiáveis. Acima de tudo não podíamos confiar em nós mesmos. Agora que estamos em recuperação é essencial. Precisamos de algo a que nos apegar, em que acreditar e que nos dê esperança em nossa recuperação. Para alguns de nós a primeira coisa em que podemos confiar são as palavras de outros membros partilhando nas reuniões; sentimos a verdade de suas palavras.

   Quando encontramos alguém em quem podemos confiar, fica mais fácil pedir ajuda. Quando passamos a confiar em sua recuperação, aprendemos a confiar na nossa.

Só por Hoje: Eu decidirei confiar em alguém. Agirei nesta confiança.

Crédito: Comitê de Serviço de Área - São Paulo 
FOTO: conectandoemdeus.blogspot.com

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Não à Internação Compulsória


Somos contrários à internação compulsória por inumeráveis razões. Para quem segue a programação espiritual dos doze passos um único argumento bastaria para ser suficiente. Os pilares básicos da recuperação, que são três:

Mente aberta; 
Boa vontade; 
Honestidade. 

Uma pessoa violentada jamais terá mente aberta para aceitar a violência praticada, salvo se sofrer de alguma demência, o que agrava a ação praticada por ter sido utilizado contra um ser humano totalmente indefeso. A metodologia empregada por equipes de resgate é violenta. Fere princípios, traumatiza, gera resistência e o cidadão(ã) gera forte oposição contra a própria recuperação. Neste caso a ação resulta em uma reação que fica latente. Finda a internação, vem a vingança e o agredido volta para o mundo das drogas, visto que não pode agredir ninguém, salvo a si próprio. A auto-agressão é uma resposta, um recado que ninguém compreende.

Vamos a outro pilar básico à recuperação: boa vontade! Quem é que aceita de boa vontade uma "camisa de força", ser algemado como um criminoso, ou ter uma arma apontada contra a cabeça? Qual é a boa vontade que um interno vai ter se foi levado à força? Então, qual será o compromisso que esta vítima vai ter com a honestidade, se o ato de internação, por si só, foi traiçoeiro e, portanto, desonesto?

Devemos levar em conta que em matéria de saúde pública a imensa maioria das autoridades públicas e a própria opinião pública são manipuladas pela grande mídia, que serve a empresários, que seivam verbas públicas para Hospitais, Centros, Clínicas e Projetos, ditos e tidos como terapêuticos. Sem falar em deputados lobistas, geralmente pastores, que procuram legislar em causa própria, compondo um triste quadro de um desavergonhado jogo sujo. Dai nascem as "faxinas" e "higienizações" de cunho nazi-fascista!

O que a grande mídia não revela são os inúmeros casos de reabilitação que ocorrem por uma vontade própria do usuário, depois de anos e anos de uso intensivo. A manipulação da opinião pública é vergonhosa para o jornalista que a pratica, mesmo quando sabemos que assim procedem para defender o emprego.  

Ninguém nasceu ruim. Pode nascer com problemas de saúde congênitos, pode desenvolver outras patologias, vez que é o ser social quem determina a consciência do ser. Em resumo: a soma das experiências sócio-existenciais vai moldando a consciência do ser. Não significa que o homem é produto do meio, pois até no "lodo nasce flor".

A droga pode desenvolver psicoses, pode levar à loucura, mas isso ocorre em quem já possui uma predisposição e a droga atua como um catalisador. A questão da violência deve ser enfocada de maneira honesta, com analises multidisciplinares. Nada de embromação. Precisamos acabar com esses arranjos de fachadas, feitos para "inglês ver" e o inglês vê e sabe que tudo não passa de uma grande mentira.

Entendemos que as internações compulsórias não retratam nenhuma eficiência, inexistem estatísticas, não há nada cientifico, são lugares sem estrutura, com metodologias medievais, com profissionais desqualificados, com o empregos de "meganhas" para servirem como monitores, ou GAPs. ninguém sabe o que ocorre de verdade nesses antros, que encerram seres humanos, para um pseudo-tratamento, o que se sabe e que, em tais locais, verdadeiros centros prisionais, acontecem abusos de toda sorte, com o agravante das violações dos direitos humanos.

O adicto não pode sequer denunciar, tais lugares, pois tem medo. Quando o Ministério Público vai apurar uma denúncia o interno é ameaçado, antes. Os donos desses antros são especialistas em manipular toda espécie de gente. Mentem, mentem e mentem e acusam os adictos como seres manipuladores, o que não constitui novidade.

Para finalizar, as instituições que aceitam internações involuntárias não passam de centros prisionais e é esta é a grande verdade que ocultam da sociedade. Inexiste qualquer paradigma de sucesso. Os que se apresentam como tal, decidiram por conta própria mudar de vida, mas carregam dentro de si, cicatrizes na alma. Podemos ouvir um, ou outro depondo, mas quem sabe sabe, conhece bem! 

Basta de internações compulsórias! Elas só agravam e não resolvem nada. Quem delas sai, carrega o sentimento de que durante certos tempo foi um sepultado vivo. Chega desses cemitérios de vivos. Chega de utilizarem estes locais para se livrarem de familiares doentes, com transtornos mentais. Chega de olhar estes locais e saber que famílias abandonam inválidos e os sepultam para o resto da vida, onde a lei não entra, como certa feita escutei de um proprietário dessas clausuras. 

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Antonio Nery Filho

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POR QUE ESTOU SILENCIOSO HÁ TANTO TEMPO?


Dr. Antonio Nery Filho

Não olhei a data do meu último post, mas sei que foi há muito tempo. Tenho pensado nisto e tentado compreender esta resistência comigo mesmo e buscado as razões que  tornaram minha alma indisposta.
A mais fácil resposta vem do tempo: estou envelhecendo e já vivo trabalhando, dias mais, dias menos, desde 1980 – trinta e dois anos – com pessoas envolvidas direta ou indiretamente com o consumo de álcool ou outro tipo de droga.
Não me convenço disto porque continuo pensando, e agindo, propondo inovações como foi o caso, recentemente, do Ponto de Encontro, atividade inspirada na experiência européia e que consiste em um serviço de baixa exigência, voltado para o acolhimento de pessoas fortemente marcadas pela exclusão de qualquer possibilidade que não seja  experimentar a fome, o medo, a violência física e psíquica e a morte.
Neste Ponto de Encontro, estas pessoas encontram mãos dispostas  a tocá-las, encontram um café, um banho, encontram ouvidos sensíveis e muita, muita consideração pelo fracasso, numa sociedade cada vez mais exigente, competitiva e orientada pelo ter em lugar do ser, como já foi dito e escrito por muitos. Também ajudei a nascer o Saúde (de Cara) na Rua, atividade voltada para a informação da comunidade sobre as substâncias psicoativas, de modo lúdico, com alegria e seriedade.
Envelhecer não me fez mal; por que, então, meu silêncio? Será porque a comunidade do bairro onde está localizado o Ponto de Encontro em Salvador luta, desesperadamente, para expulsá-lo de lá, sob a justificativa de que os usuários do Serviço são bandidos, drogados, ameaçadores e que devem ser internados (ou encarcerados), longe dali?
Será que meu silêncio tem a ver com o Parlamento Brasileiro que deixou de fora da proibição de propaganda na mídia a cerveja, porque esta bebida tem teor alcoólico abaixo de 12 graus Gay Lussac, mesmo sendo o produto psicoativo mais consumido e que mais contribui para as mortes no trânsito – cidades e estradas – todos os dias, anos a fio?
Ou será que meu silêncio tem a ver com as insistentes tentativas, apoiadas por deputados estaduais e federais, de tornar empresas particulares – Comunidades Terapêuticas – beneficiárias de recursos do SUS?
Ou, será que pesa mais sobre mim as brutais intervenções dos Governos Municipais do Rio de Janeiro e São Paulo, os dois faróis que iluminam o Brasil, com a ajuda das polícias locais, recolhendo moradores de rua sob o pretexto de que são usuários do temível crack, como se fosse a droga a causa de violência e não a violência a causa de consumo do crack e outras drogas.
Pior, a Presidente da República e o Ministro da Justiça acreditam – ou dizem acreditar – na internação compulsória como solução. Aliás, devo ser justo: o Ministério da Saúde , historicamente, trata mal, muito mal a saúde mental e, por extensão, os usuários de drogas legais e ilegais e participa destas intervenções.
Li, ontem, e fiquei sem fala, um e-mail dando conta que o Governo de São Paulo não financiará mais os serviços que tenham como norte técnico a psicanálise, “porque os resultados são demorados e sem demonstração de que sejam eficazes”, isto relacionado aos portadores de autismo e outras patologias mentais. O que posso dizer? Talvez ficar em silêncio, inundado de vergonha e pensando: o que dirão meus colegas argentinos, chilenos, espanhóis, italianos e franceses sobre isto.
Há algo melhor do que a palavra para dar conta de nossa condição humana?
Será que meu silêncio tem a ver com uma mídia nacional que se interessa mais pelo horror disfarçado em reportagens pseudocientíficas, do que pela informação técnica, honesta?
Devo silenciar novamente: acabo de falar longamente com a Coordenadora do Ponto de Encontro; fico sabendo que pouco mais de uma dezena de pessoas, aquelas que não têm mais do que a violência para lidar com o mundo, apareceu no serviço, alguns alcoolizados, provocadores, outros, mais cordatos, querendo “encarar os problemáticos” fisicamente; os moradores convocaram a polícia; um proprietário queixou-se que sua família estava refém daquelas pessoas e se fazia porta-voz da insatisfação pela convivência com uma gente meio-animal, meio-bandida, meio-drogada e, só um pouco, ainda gente.
Na voz de minha colega Diretora, um quase desespero, um quase pedido de socorro, um quase sofrimento explícito, mas, e isto foi o que me animou, havia também em sua voz uma forte determinação de continuar buscando soluções técnicas “de lutar a boa luta”. Decidi que vou ficar menos silencioso.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Dependência e Codependência

Comece por aqui: Conhece-te a ti mesmo

Buenas Galera

Um ponto que nós codependentes temos dificuldade, pelo menos eu tenho muito...é a famosa questão QUEM SOU EU SOZINHA?

Vejo que muitas de nós quando entramos em recuperação depois de viver um tempo a adicção ativa de nossos entes queridos, questionamos isso.

Quem sou eu?

As vezes não sabemos nem por onde começar, por vezes até temos algumas respostas mais bem superficiais do tipo: Há eu gosto de dançar, de ler, de assistir filmes, etc, etc.

Ou algumas respostas que temos plena convicção e nos aprecem obvias do tipo, sou solidaria, paciente ou nervosa.

Mais mesmo assim ainda nos perdemos quando sentimos um vazio  mesmo sabendo das coisas que relacionei acima e ai bate o desanimo...a tristeza....

Em uma das leituras espirituais que tenho feito, tem um exercicio muito bom que nos ajuda com o nosso autoconhecimento, e ontem quando cheguei em casa conhecidentemente ao pegar o livro eu abri nessa página, e resolvi postar aqui pra vcs.

Fica a Dica.

919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?
“Um sábio da antigüidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”
a) - Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?
“Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: “Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?”
“Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.
“O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhosos julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na poderia ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca a vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida.
“Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços?

Fiquem com Deus...bjuu

Crédito: 
http://dependenciaecodependencia.blogspot.com.br/2013/01/comece-por-aqui-conhece-te-ti-mesmo.html

Mais uma "MARIA"...

Levando a vida!!!
Boa tarde, amores...

Dei uma pequena sumidinha, mas vim contar os últimos acontecidos...
Por aqui está tudo bem, graças a Deus!
Falar que não penso no "João" seria mentira, ele ainda é o meu primeiro e ultimo pensamento do dia...
Essa noite tive um sonho ruim com ele, a gente tava no aptº dos pais dele, aí ele queria usar de todo jeito, pegou a chave abriu a porta e começou a descer as escadas, eu puxei ele pelo braço, fiz ele voltar tranquei a porta, e fiquei com a chave... fiquei conversando com ele pra acalma-lo e ele concordou em não usar... depois a gente tava de carro andando na rua... ele querendo usar de novo... Depois não me lembro muito bem o que aconteceu, só lembro que eu já estava sozinha sem ele... acho que ele já tava internado... sei-lá... só sei que foi horrível o sonho!

Aqui, na vida real.. como disse está tudo bem. Estou levando tudo numa boa. Penso muito nele, as vezes penso até que um dia ele pode mudar e que Deus vai nos colocar um na vida do outro e vamos conseguir finalmente ser feliz... As vezes já penso, que realmente é o fim, fico olhando os caras na rua, e pensando: Tem tanta gente no mundo, eu posso muito bem conhecer um cara bacana, que vai me fazer bem, e que vai chegar na hora certa, que não vai sumir sem me dar notícias e me deixar igual louca rezando pra ele aparecer.

Ah, nesse meio tempo tive duas notícias dele: eu falei com a mãe dele domingo passado e ela disse que tinha conversado com o psicologo dele (não se comentei, mas o psicologo lá da comunidade, vai atender ele particular agora uma vez na semana... além de 1 atendimento que ele tem direito pela comunidade). O psicologo, disse que vai trabalhar bem a fundo, pegou um histórico da vida dele com a mãe dele pra poder trabalhar o passado do "João" e assim cuidar da doença dele desde o começo. O psicologo falou que achou  que o "João" está mais perto da recuperação dele, pois dessa vez ele voltou rápido pra casa, não ficou dias sumido como das outras vezes... Falou também, que ele tava chorando muito, lamentando ter jogado tudo pro alto e por ter me perdido...
Quando foi na quarta, eu fui lá na casa da mãe dele pra devolver um livro que ela tinha me emprestado. Foi a conta de eu sentar, o telefone tocou... Era ele... - Imaginem meu coraçãozinho!!!! -
A mãe dele, conversou com ele na minha frente, ele tinha direito a 5 min., mas pareceu tudo muito rápido.A mãe dele, perguntou se ele estava aproveitando o tempo pra pensar, deu uns conselhos, disse que se ele tem que acordar pra vida, pois se não ele vai perder tudo de bom que ele tem e q se ele não mudar, que ele vai voltar a ser internado.. Mas a maior parte da conversa, girou em torno dele falar que precisa de dinheiro pra comprar cigarro e pra comprar umas coisas pra higiene pessoal... A mãe dele tinha dito que o pai dele tinha deposita já 50 numa semana atrás e 50 no dia anterior... Aí ele ficou falando que ia precisar de mais, pois isso não ia dá, pois ele já tava devendo cigarro pra não sei quem... e tinha as coisas da higiene pessoal... e tals... A mãe dele, falou pra ele resolver isso com o dono da comunidade, que era pra ele conversar com ele... pedir pra ele ver quanto vai ficar e depois o dono de lá liga pro pai dele... E vê como que fica tudo...

Confesso que essa situação me deixou um pouco chateada, 1º porque ele nem perguntou por mim... talvez um pouco seja até por orgulho, talvez o monitor tenha dado o recado pra ele, de que eu não quero mais saber dele e não quero que ele me ligue ou mande recado... Ou talvez seja por que, ele simplesmente tava apenas preocupado com o cigarro dele e com o dinheiro que ele precisava... que foi o 2º motivo que me deixou chateada... ao ver a mãe dele conversando com ele, parecia que ele tinha ligado só pra pedir dinheiro...

Ontem foi legal, teve uma festa de família depois da festa que terminou quase meia noite, os primos resolveram sair... Aí eu fui pra um barzinho, encontrei com um amigo meu da época do colégio .. Ficamos lembrando do passado e rindo do tanto que a gente aprontava... Era umas 3 e pouco, meus primos quiseram ir embora, e meu amigo disse pra eu ficar que depois ele me levava... Fiquei, pois tava legal conversar com ele e ainda não tava com vontade de ir pra casa... Ficamos lá mais um pouco, depois fomos embora... paramos numa parte alta da cidade e ficamos trocando ideia... Devia ser quase umas 5, começou a me dar sono e ele me trouxe pra casa...
Foi bem bacana a noite... me diverti... Me alivia sabe gente, saber que eu tô conseguindo sair e me divertir mesmo sabendo que não tenho mais ele (por mais que pensei nele algumas vezes.... ahahahhah)

Bom fico por aqui!!!
Beijos... TMJ

Crédito: http://maisumamariaco-dependente.blogspot.com.br/

Sozinho não consigo

Eu me abraço a você 

E uno meu coração ao seu 

Para que juntos possamos fazer 

Tudo aquilo que sozinho eu não consigo 

Tudo estará bem 

Enquanto os laços que nos unem 

Forem mais fortes 

Do que aqueles que nos afastariam

PARTILHA DE JIMMY K. NO JANTAR DO 20º ANIVERSÁRIO DE N.A.

Partilha de Jimmy K.
QUEM FOI JIMMY K.?

Juntamente com Frank e Doris C, Guildia K, Paul R, Steve R e outros, Jimmy K fundou Narcóticos Anónimos, no sul da Califórnia. A partir de 17 de agosto de 1953, esses companheiros realizaram uma série se reuniões, a fim de organizar o que se chamava então de "Narcóticos Anónimos e Alcoólicos Anónimos do Vale de San Fernando". A primeira reunião de recuperação documentada aconteceu no sul da Califórnia, a 5 de outubro de 1953. 

Por diversas razões, Jimmy K é considerado uma figura chave da história de NA. Escreveu diversas partes do Livreto Branco, sendo a mais famosa o "Fim da Linha". Desenhou o logotipo de NA (mais tarde modificado pela WSC). Prestou serviço como gerente voluntário do WSO, desde os seus primórdios até 1983. 

Jimmy K viveu de 1911 a 1985. Os últimos 36 anos da sua vida ele viveu como membro de Narcóticos Anónimos, limpo e em recuperação. 

PARTILHA DE JIMMY K. NO JANTAR DO 20º ANIVERSÁRIO DE N.A.
Los Angeles, 18 de Agosto de 1973

O meu nome é Jimmy Kinnon, sou um adicto e um alcoólico. Há já uma hora que estou à beira das lágrimas. Mas hoje já não envergonho de chorar, desde que sejam vertidas por algo que valha a pena. Já nem me lembro do que queria dizer. Na nossa irmandade não podemos, todavia, perder de vista o nosso principal propósito: quer estejamos num ambiente social em nossas próprias casas, ou num encontro como este. Aquilo de que tenho de lembrar-me, pessoalmente, é de que estou aqui graças a pessoas que nunca aqui estarão. O recém-chegado constitui o sangue vital desta organização; sempre o foi, sempre o será. Aqueles a quem chamamos Servidores de Confiança de Narcóticos Anónimos, alguém que aceita um cargo (quer seja secretário de um grupo, representante de um grupo, "trustee", ou qualquer outra coisa) deve preparar-se para bastante trabalho, muitas críticas, e muito daquilo que acontece sempre. Mas nós temos de crescer, e os nossos ombros ficam suficientemente largos para aguentarem estas coisas, pois a vida que nos é dada faz com que tudo valha a pena. Se não tivesse sentido e não valesse a pena, eu não estaria aqui esta noite. Se este programa não me elevasse, não me levasse mais longe, e não me fizesse sentir melhor do que alguma coisa alguma vez conseguiu na minha vida, eu não estaria aqui. Tenho a certeza disso! Estou aqui sentado nesta cadeira - sempre admirei estas cadeiras e nunca pensei poder vir a sentar-me numa. 

Mas primeiro as primeiras coisas, dizem - sabem, isto é parte de um sonho tornado realidade; e um sonho prenuncia grandes mudanças, mas o progresso requer pequenas acções. Um sonho não se torna realidade devido a um grupo de pessoas, ou a um homem, ou a dois homens, ou a três homens. Torna-se realidade porque nele trabalham muitas pessoas, porque muitas pessoas põem nele esforço, porque muitas pessoas compram a ideia e levam-na por diante. Essa é uma das razões porque estamos aqui. 

A maioria de vocês repararam numas fotos ali penduradas. São algumas das fotografias dos nossos primórdios. Nós começamos muito antes de NA se tornar uma realidade, mesmo em nome. Surgimos de uma necessidade. Aqueles de nós que eram membros, tinham vindo para o AA - e descobrimos que podíamos recuperar. Em AA descobrimos que muitos adictos continuavam a seguir o trilho da degradação e da morte. E achamos que deveríamos fazer algo. Mas, sabem, nós somos pessoas engraçadas, quanto mais coisas tentamos fazer juntos, mais lutamos uns com os outros e mais nos magoamos uns aos outros, destruindo justamente aquilo que tentamos construir. E essa tem sido a história de Narcóticos Anônimos até há bem poucos anos. Destruíamos ao mesmo ritmo a que construíamos. Nós somos pessoas assim e precisamos de reconhecer isso para podermos recuperar. Todos nós devemos conhecer a natureza da doença, a natureza do adicto, e a natureza da recuperação. Todas essas coisas são necessárias para crescer, e para viver, e para mudar. E nós começamos com ressentimentos; os ressentimentos fizeram-nos crescer. Antes de NA havia os GDFH, os Grupos de Drogas Formadoras de Habituação. Estes eram clandestinos, havia duas ou três pessoas que se reuniam em apartamentos, aqui e ali. Ninguém sabia onde ficavam, e eram dominados por uma ou duas pessoas. Nós não apreciamos grandemente a autoridade, não gostamos dela. Algumas das pessoas que eu conhecia da rua, da parte oriental de NA, formaram um outro grupo conhecido por Adictos Anônimos. Infringiram no nome de AA e morreram muito depressa pois estavam demasiado dominados por um só indivíduo. Um outro grupo começou no vale (San Fernando Valley) que também se chamava GDFH e era dominado por um indivíduo. Por isso descobrimos muito cedo, e a nossa experiência ensinou-nos que não podemos ter pessoas a mandarem, tipos importantes em Narcóticos Anônimos. Durante uns tempos depois de nos formarmos - há muita coisa que se passou de que não vou falar esta noite - mas devido a algumas coisas que aconteceram, e à natureza do adicto, a natureza da nossa doença, algumas pessoas foram colocadas numa posição em que voltaram a ser líderes, o Grande Pai Branco. Sabem, nós não podemos ter um Grande Pai Branco ou uma Grande Mãe, isso não funciona nesta organização. E NA morreu mais uma vez, e os nossos amigos em AA ajudaram-nos a levantar-nos, e disseram-nos, "Não deixem que isso vos incomode." Esses eram os nossos verdadeiros amigos no início; membros de AA que acreditavam em nós, membros de AA que tinham também um duplo problema e reconheciam isso - vieram e ajudaram-nos a começar de novo. Mas isso voltou a acontecer. Uma pessoa tentava dominar todo o movimento. E sempre que acontecia nós começávamos a morrer. Porque as Tradições vão pelo cano abaixo quando tentamos isso. E uma das primeiras coisas que dissemos quando nos reunimos como grupo naquela casa, a prioridade número um, era que acreditávamos que este programa de 12 passos iria funcionar para adictos bem como para alcoólicos. Em segundo lugar, as Tradições deverão ser observadas se quisermos crescer, crescer como irmandade que se mantém de pé sozinha, sem a ajuda de Alcoólicos Anônimos. Podíamos tomar o nosso lugar enquanto irmandade, e não sermos dominados ou afiliados a nada nem a ninguém. E dissemos que iríamos manter uma sala aberta durante pelo menos 2 anos, e se nesse período um ou dois adictos mostrassem que este programa resultava para eles, teríamos achado que havia valido a pena. Foi basicamente assim que começamos. Mas discutimos durante cerca de seis semanas antes de pôr aquelas orientações no papel, e depois não as quisemos. Eu achei que quanto mais cedo nos víssemos livres das orientações, tanto melhor; pois as orientações contidas nas Tradições são suficientes para aquilo que precisamos de fazer. As Tradições irão salvar-nos de nós próprios. E é isso que é tão necessário para uma irmandade como a nossa. Deste lado fica a vida - o outro caminho é a morte, tal como a conhecemos. Mas como é difícil não voltarmos atrás! Tão difícil que é!!! 

O primeiro assunto pendente que tínhamos quando nos juntamos era o nome. Eu fui o primeiro Coordenador daquilo que então se chamava - uh - nada. A.A. - N.A., era assim que se chamava, e eu disse, "Não podemos fazer isso". Vocês elegeram-me vosso coordenador, temos de arranjar outro nome, não podemos chamar-nos AA-NA ou NA-AA. E o Comité que me elegeu coordenador vetou imediatamente aquilo que eu disse. Bem, é uma boa maneira de se começar. Na primeira noite vetaram tudo aquilo que eu disse, por isso eu achei que tinha começado muito bem. Eu não ia aturar chatices deste tipos. Eles iam acabar por descobrir aquilo que estava certo. E por isso o primeiro assunto pendente foi contactar Alcoólicos Anônimos para ver se podíamos usar o seu nome; e assim descobrimos que não podíamos. Por isso eu obtive, pelo menos, a satisfação de estar certo quanto à primeira coisa que foi vetada. Isso fez-me sentir um pouco melhor, porque vos digo, eu consigo as coisas à minha maneira a maior parte das vezes. Sei que vocês reconhecem isso, porque o mesmo se passa convosco. Somos assim. Mas tivemos muitos problemas da primeira vez que nos juntamos; porque eu sou como vocês e vocês são como eu. Vocês vão ter de me mostrar que aquilo de que falam irá funcionar, ou eu não vos apoiarei. E graças a Deus que somos assim. Acho que é isso que acaba por fazer este programa resultar. Foi muito difícil encontrar um local para nos reunirmos; depois de nos juntarmos e de decidirmos o que fazer. Não conseguíamos encontrar uma sala para nos reunirmos. Ninguém nos queria. Não confiavam em nós de nenhuma forma. E é triste irmos de um sítio para outro quando se tem algo de real a construir e ninguém nos deixa usar uma sala. Por fim acabamos por encontrar uma sala do Exército de Salvação e eles deixaram-nos utilizá-la por cinco dólares por mês. Isso foi bastante bom, mas não havia lá mais nada. Havia uma pia e um lavatório, e era tudo. Não havia uma cozinha, por isso tivemos de ir comprar um pequeno fogão eléctrico e uma cafeteira, e algumas canecas - que eu ainda guardo em casa. Encontrei-as esta semana - tive-as ao longo de todos estes anos. Costumávamos dá-las uns aos outros, pois numa semana podíamos reunir-mo-nos lá em casa, e na semana seguinte noutra casa. Por isso levávamos as canecas para podermos beber café. Nessa altura, éramos poucos a ter mais do que duas canecas em casa; na verdade, éramos poucos a trabalhar. As coisas eram assim. Aqui, vêem um recorte do anúncio que publicamos num jornal a informar da nossa existência. Tínhamos uma sala, tínhamos um conjunto de orientações, e tínhamos um propósito. 

Aquele primeiro grupo pode já não existir, mas nós ainda estamos vivos. A sala do Exército de Salvação ainda está lá - é agora uma igreja espanhola. Depois tivemos aquilo que chamávamos "reuniões coelho", pois nunca sabíamos onde iriam ter lugar. Se hoje havia 5 ou 6 de nós numa reunião, decidíamos em casa de quem iríamos ter a reunião seguinte. E levávamos as canecas e as tigelas de açúcar e as leituras e reuniamo-nos lá. Não era que nós temêssemos as autoridades, mas os recém-chegados temiam. Fiz um cartaz e afixei-o na porta da igreja, dizia reunião de NA hoje às 20h30. E depois abríamos as portas e tínhamos uma dúzia de alcoólicos que vinham ajudar-nos. E depois havia um carro que se aproximava devagar e olhavam para o cartaz e fugiam. Ninguém confiava em ninguém - eles achavam que estávamos sob vigilância. Não acreditavam quando lhes dizíamos que não. E nós próprios acabávamos por não estar muito seguros de não estarmos. Pois como grupo decidimos que não iríamos ter problema com as autoridades e fomos até à Divisão de Narcóticos e dissemos-lhes, não lhes perguntamos, dissemos-lhes que íamos realizar uma reunião de adictos. E eles levantaram as sobrancelhas, mas nós éramos cinco. Um tipo lá, já não me lembro se era tenente ou capitão, ouviu-nos e disse, "Já não era sem tempo que isto acontecesse. Há anos que tento ajudar adictos, sem conseguir. Eu não consigo ajudar ninguém" E ele chamou um outro tenente para nos ouvir. E ele era um pouco antiquado que tinha a certeza que nenhum de nós conseguia recuperar. E ele ouvia o outro dizer, "Gosto desta ideia.", "Apoio esta iniciativa.", "Farei tudo o que possa para vos apoiar." Todo ele era apoio. E acabou por manter a sua palavra. E perguntou a este tenente o que achava, ao que ele respondeu, "Isso não vai resultar, uma vez drogado, sempre drogado. Nunca houve nenhum a ficar melhor. Não me importa o que digas, não me importa o que estas pessoas digam, isto não vai resultar." Por isso olhou para nós e eu não sabia o que dizer. Olhei para os outros, ninguém sabia o que dizer, até que o Pat, que estivera sempre calado, abriu a boca e disse, "Tenente, o meu nome é fulano de tal, nasci e cresci em tal sítio, fui pela primeira vez preso em tal sítio, e fui condenado a tantos anos. E gostaria, por isso, que fosse confirmar o meu cadastro. Já estive em todas as penitenciárias federais do país, excepto uma. E não uso drogas há 18 anos. Há 18 anos que não conheço as cadeias. E este programa resulta para mim. Agora o senhor vá confirmar isso, pois eu nunca estive fora da prisão desde miúdo até ter encontrado este programa.." E o tipo não sabia o que dizer. Não sei se o tipo foi confirmar tudo isto, mas a verdade é que o departamento da polícia e a Divisão de Narcóticos mantiveram a sua palavra. E nunca nos vigiaram, nunca fizeram nenhuma rusga, nunca nos apanharam a ir ou a vir de reuniões. E, pelo nosso lado, mantivemos a nossa palavra, tomamos conta de nós próprios e seguimos as Tradições o melhor que pudemos. E foi basicamente isso que nos fez crescer nos últimos doze anos. Foi em 1960 que voltamos a nascer, com cerca de quatro pessoas. E começamos o grupo de novo de acordo com o conceito original; os Passos para o indivíduo e as Tradições para os grupos. E desde então temos crescido devagar mas consistentemente. Acho que temos crescido principalmente porque não temos sido dominados por nenhum grupo de pessoas. Essa é a principal razão para a grande diferença. Mais o facto de cada vez mais adictos conhecerem o valor da prática dos 12 Passos. Costumávamos não ter adictos para responderem a chamadas de ajuda. Aconteciam coisas estranhas, quando 8 a 10 adictos num grupo caíam sobre um pobre drogado que estava a morrer num quarto dos fundos em casa da sua mãe. E caíamos sobre ele como vespas. Toda a gente apanhava um susto - tínhamos de ir em grupos porque ninguém ia sozinho ou aos pares. Tínhamos todos medo de ir usar se fossemos ter com outro adicto. Esse era outro dos mitos que havia sobre nós - que não podíamos ir ter com outra pessoa que estivesse a usar, sem que usássemos também. Uma das maiores mentiras de todos os tempos. Sabem que não tem uma ponta de verdade. E essa é uma das razões porque crescemos. Mais o fato de nós seguirmos, possivelmente, a melhor coisa que qualquer um de nós sabe fazer, estarmos dispostos a ouvir. 

Uma vez demiti-me de coordenador de NA por não estarmos a seguir as Tradições. É uma coisa estranha. Não queria falar disto esta noite, mas vou mesmo falar. Pois embora passados quatro anos com reuniões, Narcóticos Anônimos ainda não existia. Como tínhamos dito que nos chamaríamos NA enquanto usássemos os Passos e as Tradições, quando isto se tornou na coutada de um só indivíduo, na realidade deixou de haver NA. Digo isto por duas razões; porque as coisas morreram e só ficaram alguns de nós, mas também porque mostra que este programa, quando começamos a vivê-lo, não podemos largá-lo, pois ele volta a crescer. Este programa não vai morrer, mesmo que todos nós nesta sala falhássemos, pois essa é a própria natureza da recuperação: que uma vez plantada a semente do conhecimento de que algo pode resultar, essa semente nunca mais irá perder-se. Alguém pegará nela e continuará o caminho. O nosso percurso já é longo. Como diz aquele anúncio de cigarros, "O teu caminho já é longo, querida, para teres chegado onde chegaste." 

E acho que vou ficar por aqui, pois já estou a levitar, estou quase a bater no tecto. Nós estamos a crescer mais depressa do que nunca. Estamos em mais estados, em mais países, e existem mais oportunidades para cada um de nós encontrar o seu lugar em Narcóticos Anônimos e transmitir a mensagem de recuperação a adictos em todo o mundo. Já não é possível restringirmo-nos à Califórnia ou aos Estados Unidos. Mas são precisas todas as nossas forças para nos mantermos neste programa. Não é um programa para quem desista logo. Mas se formos adictos nós não desistiremos assim sem mais nem menos, sem não estaríamos aqui. Vamos pegar naquilo que temos e tornarmo-nos pessoas melhores. Tenho dito muitas vezes que um homem sem um sonho é só metade de um homem, e uma irmandade sem uma visão é uma farsa. E ainda acredito que podemos realizarmo-nos vivendo um dia de cada vez. E um dia de cada vez a nossa visão e a nossa Irmandade podem tornar-se uma realidade maior. São aquilo por que ainda me interesso. Há dois anos, numa convenção, disse que enquanto fosse vivo usaria a minha voz e todas as minhas forças para prosseguir os objetivos de Narcóticos Anônimos e dessa outra irmandade maravilhosa a que pertenço, Alcoólicos Anônimos. E tenciono fazer isso. Mas vai exigir tudo de mim, e vai exigir tudo de vocês, e de todos aqueles com quem falarem e de todos aqueles a quem transmitirem a mensagem, para tornar isto uma realidade maior. Há pessoas por todo o mundo a morrerem da nossa doença e, quer acreditemos ou não, somos os únicos que podem verdadeiramente ajudá-los. Não nos esqueçamos disso. Através da nossa doença foi-nos dado - através do sofrimento - um talento para ajudar outros seres humanos como nós. Não nos esqueçamos que a temos e que somos responsáveis perante outros. Mas devemos principalmente ser responsáveis perante nós próprios e - eu raramente falo sobre Poderes Superiores, o conceito particular que eu tenho de um Poder Superior, mas acreditem que tenho um. E não sei quantas pessoas estão aqui hoje, 100, 110, 112, mas acima de todos nós, e através de todos nós, existe um poder que não há em mais nenhum lugar do mundo. É disso que se trata Narcóticos AnÔnimos. É disso que sempre irá tratar-se. E não estou a brincar - este é um programa de vida e de viver. Mas já estou sério há demasiado tempo e espero que nos divirtamos todos esta noite, pois é disso que se trata viver. Muito obrigado. 

(Obrigado J.O. pela tradução)

CRÉDITO: http://www.na-pt.org/arquivo/jimmyk.php

Uma convivência em amor


NÃO SOU CRENTE, MAS CATÓLICO. O MEU PODER SUPERIOR, CONFORME O CONCEBO, CHAMA-SE JESUS CRISTO. NÃO GOSTO DE MISTURAR RELIGIÃO COM ESPIRITUALIDADE. VALE DIZER QUE RESPEITO TODAS AS RELIGIÕES. ENVIARAM-ME UM TEXTO E PEDIRAM SUA PUBLICAÇÃO. ATENDENDO O PEDIDO, TRANSCREVO O TEXTO PARA REFLEXÃO!


"Paulo com muita propriedade nos aponta para os cuidados que devemos ter em nossos relacionamentos como crentes. Dos versículos 5.22 a 6.9, ele como que expõe todas as formas de relacionamento que podemos ter, e de como devemos cuidar para que o nome de Cristo seja honrado e preservado em meio a esses contatos em que nos inserimos como pais, cônjuges, filhos, irmãos, servos, empregados e senhores, de forma a não macular o nome da igreja. Na leitura de hoje, vamos ver a primeira parte destas recomendações encerrando o capítulo 5: "Vós mulheres, sujeitaivos... Vós, maridos, amai..."

Nos três primeiros versículos do texto ele aborda um texto de muita contradição hoje. Infelizmente, a sociedade distorceu durante muitos séculos o real valor da presença feminina na família. Este desvio fez com que, agora, quando a sociedade muito por influência do cristianismo passou a dar o devido preito de honra e dignidade à mulher no lar, a mídia exagerou e extrapolou e a mulher que ganhou proeminência nas artes, na cultura, na empresa, no governo, está deixando de ter a verdadeira proeminência que deveria ter no lar.

Paulo sabia da importância disto e nos versículos 22 a 24, pontua aquilo que
no relacionamento conjugal deve existir em fraterna e respeitosa convivência. Depois, nos versículos seguintes e até ao fim do capítulo no versículo 33, o apóstolo enumera a responsabilidade do homem para a perfeita convivência conjugal. A comparação que faz é belíssima e perfeita. Cristo e a igreja, numa linguagem simbólica e de grande significado são o exemplo do casamento perfeito entre o homem e a mulher. Observem que o desafio ao homem é muito mais profundo e significativo do que o feito à mulher. Dadas as contingências da época, ele escreve que a mulher deveria "respeitar", o marido, enquanto ao homem, ele ordena em voz imperativa que deveria "amar" a sua mulher.

Sabem porque é maior o desafio ao homem? Porque quem respeita, apenas acata, compreende, submete-se... Agora quem ama, respeita, acolhe, serve, promove, ajuda, exalta, preserva, guarda, compreende, perdoa, enfim, tudo faz em prol do objeto do seu amor, no caso, a esposa.

Oração para o dia: Molda-me, Senhor, a ser um fator de comunhão em amor e compreensão no meu lar, fazendo-me um cônjuge que age em prol da harmonia na família."

As cartas de Paulo (III) - Gl / Ef / Fp / Cl
Aos Efésios (4) - A conduta do crente no mundo
Leitura diária: Efésios 5.22-33
Leitura da Bíblia em um ano: 2 Crônicas, capítulos 3, 4 e 5

CRÉDITO:http://tibi-itaperuna.blogspot.com.br/2012_05_01_archive.html

MEDITAÇÃO DIÁRIA, NARCÓTICOS ANÔNIMOS

28 DE JANEIRO DE 2013

 Saindo da rotina

"Nunca poderemos nos recuperar completamente, não importa há quanto tempo estejamos limpos."

Após um pequeno tempo de permanência no programa, alguns de nós começam a pensar que estão curados. Aprendemos tudo que NA tem a nos ensinar; ficamos entediados com as reuniões; e o nosso padrinho continua a nos repetir o mesmo e velho refrão: “Os passos – os passos – os passos!” Decidimos que é tempo de dar continuidade a nossas vidas, parar com as reuniões e tentar recuperar os anos perdidos com a adicção ativa.Fazemos isto, no entanto, colocando em perigo nossa recuperação.

Aqueles de nós que recaem, depois de tal episódio, quase sempre tentam comparecer ao maior número de reuniões que puderem – alguns de nós vão a uma reunião todos os dias, durante anos. Pode levar bastante tempo para compreender que sempre seremos adictos. Podemos nos sentir bem por alguns dias e doentes em outros, mas somos adictos todos os dias. A qualquer hora, estamos sujeitos à ilusão, negação, racionalização, justificação, insanidade – todas as características típicas da maneira de pensar do adicto. Se queremos continuar vivendo e desfrutando a vida sem drogas, temos que praticar um programa ativo de recuperação a cada dia.

Só por hoje: Eu sou um adicto todos os dias, mas hoje posso escolher ser um adicto em recuperação. Farei esta escolha, colocando em prática meu programa.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Alcoólicos Anônimos, Reflexões Diárias

 
26 de Janeiro de 2013

HONESTIDADE RIGOROSA

Quem se dispõe a ser rigorosamente honesto e tolerante?
Quem se dispõe a confessar suas falhas a outra pessoa e a fazer reparações pelos danos causados?
Quem se interessa, ao mínimo por um Deus Superior, e ainda pela meditação e a oração? Quem se dispõe a sacrificar seu tempo e sua energia tentando levar a mensagem de AA ao próximo ? – Não o alcoólico típico, egoísta ao extremo, pouco se interessa por estas medidas, a não ser que tenha de tomá-las para sobreviver.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES.


Eu sou um alcoólico. Se eu beber eu morrerei. Meu Deus, que poder, energia e emoção esta simples declaração gera em mim! Mas, verdadeiramente, é tudo que preciso saber por hoje. Estou disposto a ficar vivo hoje? Estou disposto a ficar sóbrio hoje? Estou disposto a pedir ajuda e estou disposto a ajudar outro alcoólico que ainda sofre hoje? Descobri a natureza fatal de minha situação? O que devo fazer hoje, para permanecer sóbrio? 

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos


26 de janeiro de 2013
Egocentrismo

"A parte espiritual da nossa doença é o total egocentrismo."
Texto Básico, pág. 22

O que é egocentrismo? É a crença de que o mundo gira a nosso redor. Nossos desejos, nossas exigências são as únicas que merecem consideração. Nossas mentes egocêntricas acreditam ser capazes de conseguir tudo o que querem, simplesmente lançando mão de seus próprios truques. O egocentrismo presume total auto-suficiência.

Dizemos que o egocentrismo é a parte espiritual de nossa doença, porque uma mente egocêntrica não pode conceber nada maior ou mais importante do que ela própria. Mas existe uma solução espiritual para nossa doença espiritual: os Doze Passos de Narcóticos Anônimos. Os passos nos afastam do egocentrismo, centrando-nos em Deus.

Despimos nossa ilusão de auto-suficiência, admitindo nossa impotência e buscando a ajuda de um Poder maior do que nós mesmos. Reconhecemos a falência de nossa hipocrisia no admitir que erramos, fazendo reparações e buscando, no Deus de nossa compreensão, o conhecimento do que é certo. Esvaziamos nosso exacerbado senso de importância própria procurando servir aos outros, não apenas a nós mesmos.

O egocentrismo que aflige o espírito pose ser tratado com uma solução espiritual: os Doze Passos.

Só por Hoje: Minha orientação e minha força vêm de um Poder Superior, não de mim mesmo. Praticarei os Doze Passos para me tornar mais centrado em Deus e menos egocêntrico.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Meditação Diária, Narcóticos Anônimos


25 de janeiro de 2013
Um presente a mais

"Vemos isso acontecer, entre nós, todos os dias. Esta virada milagrosa é a evidência de um despertar espiritual."
Texto Básico, p. 55

Nós os observamos quando chegam para sua primeira reunião, derrotados, seus espíritos partidos. É evidente seu sofrimento e, ainda mais aparente, seu desejo de ser ajudado. Recebem uma ficha de boas-vindas e voltam a seus lugares, estremecidos pelo esforço.

Nós os vemos novamente e eles parecem um pouco mais à vontade. Encontraram um padrinho e frequentam as reuniões todas as noites. Ainda não encontram nosso olhar, mas balançam suas cabeças em sinal de reconhecimento, enquanto partilhamos. Notamos uma centelha de esperança em seus olhos, e eles sorriem sem muita certeza quando os encorajamos a continuar voltando.

Alguns meses mais tarde, eles se ergueram. Aprenderam a fazer contato com os olhos. Estão trabalhando os passos com seus padrinhos e, como resultado, estão se restabelecendo. Nós os ouvimos partilhando nas reuniões. Depois, arrumamos as cadeiras com eles.

Alguns anos mais tarde, estão falando numa oficina de convenção. Eles têm uma personalidade maravilhosa e bem humorada. Sorriem quando nos vêem, nos abraçam e nos dizem que jamais teriam conseguido sem nós. E entendem quando dizemos: “Também não conseguiríamos sem você”.

Só por Hoje: Eu encontrarei alegria ao testemunhar a recuperação do outro.


Crédito: CSA-SP

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Reflexões Diárias, Alcoólicos Anônimos


  24 de Janeiro de 2013

CONSEGUINDO SE ENVOLVER

É preciso ação e ainda mais ação. “A fé sem obras é morta.“ ... nossa única meta é sermos úteis.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Entendo que o serviço é uma parte vital da recuperação mas muitas vezes imagino, O que eu posso fazer? Simplesmente começar com o que tenho hoje. Olho em volta para ver onde há necessidade. Os cinzeiros estão cheios? Tenho mãos e pés para limpá-los? Subitamente, estou envolvido! O melhor orador pode fazer o pior café o membro que é o melhor com os novatos pode ser incapaz de ler; o único disposto a fazer a limpeza pode fazer a maior confusão com a conta do banco – mas, cada uma dessas pessoas são essenciais para um Grupo ativo. O milagre do serviço é este:quando uso o que tenho, descubro que há mais disponível para mim do que eu percebia antes.

Meditação do Dia, Narcóticos Anônimos


Quinta feira, 24 de janeiro de 2013

Do isolamento ao envolvimento 

“A nossa doença isolava-nos... Hostis, ressentidos, egocêntricos e egoístas, afastavam-nos do mundo e da sociedade. " 
Texto Básico, p. 4 

A adicção é uma doença que nos isola, que nos separa da sociedade, da família, e de nós mesmos. Escondemo-nos. Mentimos. Desprezamos as vidas que víamos os outros a viver, certamente fora do nosso alcance. Pior que tudo, dizíamos a nós mesmos que não havia nada de errado connosco, mesmo sabendo que estávamos desesperadamente doentes. O nosso contacto com o mundo, e com a realidade em si, estava quebrado. As nossas vidas tinham perdido o sentido, e nós afastamo-nos cada vez mais da realidade. O programa de NA foi especialmente concebido para pessoas como nós. Ajuda-nos a retomarmos o contacto com a vida que era suposto vivermos, tirando-nos do nosso isolamento. Paramos de mentir a nós mesmos sobre a nossa condição; admitimos a nossa impotência e o desgoverno das nossas vidas. Desenvolvemos a fé de que as nossas vidas podem melhorar, de que a recuperação é possível, e de que a felicidade não está permanentemente fora do nosso alcance. Tornamo-nos honestos; paramos de nos esconder; "aparecemos e dizemos a verdade", aconteça o que acontecer. E à medida que o fazemos, estabelecemos os laços que ligam as nossas vidas individuais à vida maior que nos rodeia. Nós, adictos, não precisamos de viver vidas de isolamento. Os Doze Passos podem restituir-nos o contacto com a vida - se nós os trabalharmos. 

Só por hoje: Eu sou parte da vida que me rodeia. Vou praticar o meu programa para fortalecer o meu contacto com o meu mundo.

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