sábado, 15 de fevereiro de 2014

Drogas e os riscos da abstinência


Uma primeira autópsia no corpo de Amy Winehouse, cantora britânica falecida em julho deste ano, terminou inconclusiva, sem apontar as causas da morte. Mas uma hipótese levantada por parentes é de que ela teria sido vítima de uma crise de abstinência. A falta de drogas, depois de um longo período de excessos, poderia ter contribuído para o falecimento de Amy, que segundo seus familiares, não bebia há três semanas.

“A privação da substância ao dependente químico pode provocar uma série de reações físicas e psicológicas que resultam em grande mal-estar, o que se denomina crise de abstinência”, define o psiquiatra e coordenador do ambulatório de dependência química do Hospital das Clínicas, Valdir Ribeiro Campos.

Assim como o tempo e as chances de sucesso de um tratamento, os sintomas de abstinência variam de acordo com os pacientes e as drogas usadas.

A abstinência alcoólica, por exemplo, caracteriza-se por perda de sono, sintomas depressivos, tremores, náuseas, vômitos e dificuldade de alimentação. Pacientes graves podem apresentar convulsão e sensação de perseguição. “Cerca de 10% dos casos podem evoluir para um caso gravíssimo na medicina e que requer tratamento de urgência – o chamado delirium tremens – caracterizado por confusão mental, alucinações e febre”, alerta o médico. Esses sintomas duram entre uma e duas semanas.

No caso do crack, a abstinência dura cerca de dez semanas. Segundo o coordenador do ambulatório do HC, nos quatro primeiros dias o paciente se sente cansado e desestimulado, come muito e sofre alterações de humor. “Existe grande tendência de o dependente voltar a usar a droga caso a abstinência não seja tratada corretamente. Sem a medicação os sintomas continuam e, comumente, levam a um quadro de depressão, alterações no padrão de sono e desestímulo.” Na décima semana, aponta o médico, esses sintomas começam a desaparecer e o organismo começa a se recuperar.

No caso de drogas como maconha e LSD, a privação da substância resulta em “desestímulo e desinteresse, semelhante a um quadro depressivo”.

Abstinência pode levar à morte?

“Indiretamente sim”, responde Valdir Ribeiro Campos. De acordo com ele, no caso do dependente de crack, caso a abstinência não seja tratada corretamente, o usuário pode entrar em um ciclo que poderá resultar em desnutrição, desidratação, falência cardíaca, infarto agudo do miocárdio, derrame ou acidente vascular cerebral, por exemplo. Em alcoólatras podem acontecer picos hipertensivos, AVC ou convulsões.
“Essas complicações, típicas de abstinências gravíssimas, podem ser causadoras de morte”, completa.

Tratamento

O tratamento de usuários químicos em abstinência baseia-se em três pilares: motivação para largar a droga, desintoxicação – que é o tratamento propriamente dito – e ressocialização.

“Além da parte orgânica do tratamento, feita por meio de medicamentos capazes de diminuir os sintomas e auxiliar o paciente a suportar essas alterações, é muito importante o tratamento psicológico, de abordagem multiprofissional, visando recuperar as diversas áreas da vida afetadas pelo uso de droga”, esclarece Valdir.
Abandonar a droga sem ajuda médica é possível, mas muito difícil. É comum que o usuário não suporte e tenha recaídas, diz o médico. Ele destaca que o papel da família também é muito importante, no sentido de motivar a mudança de comportamento do paciente.


Atualizada em 08 de setembro de 2011
Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
jornalismo@medicina.ufmg.br
Crédito http://www.medicina.ufmg.br/noticias/?p=22469

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