quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos, Os laços que nos unem

Quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

"Tudo estará bem enquanto os laços que nos unem forem mais fortes do que os que nos afastariam."
Texto Básico, p. 65


Muitos de nós sentiram que sem NA certamente teríamos morrido de nossa doença. Por isso sua existência é nossa única salvação. Entretanto, a desunião é um fato comum da vida em Narcóticos Anônimos; devemos aprender a responder de uma maneira construtiva às influências destrutivas que ocasionalmente surgem em nossa irmandade. Se decidirmos ser partes da solução em vez do problema, estaremos indo na direção certa.

Nossa recuperação individual e o crescimento de NA estão condicionados à manutenção de uma atmosfera de recuperação em nossas reuniões. Estamos dispostos a ajudar nosso grupo a lidar construtivamente com o conflito? Enquanto membros nos esforçamos para trabalhar nossas dificuldades abertamente, honestamente e com justiça? Colocamos o bem-estar comum de todos os nossos membros acima de nossos próprios interesses? E, enquanto servidores de confiança, consideramos o efeito que nossas ações podem causar aos recém-chegados?

O serviço pode trazer a tona o melhor e o pior de nós. Mas, durante o serviço, é frequente começarmos a entrar em contato com alguns de nossos mais prementes defeitos de caráter. Recuamos diante dos compromissos de serviço antes de encarar o que poderíamos descobrir sobre nós mesmos? Se temos em mente a força dos laços que nos mantém juntos – nossa recuperação da adicção ativa – tudo irá bem.

Só por Hoje eu vou me esforçar para ser útil para nossa irmandade. Serei destemido para descobrir que eu sou.

"Vivendo e aprendendo a viver"


Mensagem Desiderata

Siga tranquilamente, entre a inquietude e a pressa,
lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.

Tanto quanto possível, sem se humilhar,
mantenha boas relações com todas as pessoas.

Fale a sua verdade mansa e claramente e ouça a dos outros,
mesmo a dos insensatos e ignorantes,
pois também eles tem sua própria história.

Evite as pessoas escandalosas e agressivas;
elas afligem o nosso espírito.

Se você se comparar com os outros,
você se tornará presunçoso e magoado,
pois haverá sempre alguém superior 
e alguém inferior a você.

VOCÊ É FILHO DO UNIVERSO,
IRMÃO DAS ESTRELAS E ÁRVORES.
VOCÊ MERECE ESTAR AQUI.

E mesmo sem você perceber,
a Terra e o Universo vão cumprindo seu destino.

Desfrute das suas realizações, bem como dos seus planos.

Mantenha-se interessado em sua carreira,
ainda que humilde, pois ela é um ganho real
na fortuna cambiante do tempo.

Tenha cautela nos negócios,
pois o mundo está cheio de astúcia;
mas não se torne um cético, pois a virtude sempre existirá.

Muita gente luta por altos ideais
e em toda parte a vida está cheia de heroísmos.

Seja você mesmo.
Principalmente, não simule afeição,
nem seja descrente do amor,
porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto,
ele é tão perene quanto a relva.

Aceite com carinho o conselho dos mais velhos
e seja compreensivo com os
arroubos inovadores da juventude.

Alimente a força do espírito,
que o protegerá no infortúnio inesperado,
mas não se desespere com perigos imaginários.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão,
e, a despeito de uma disciplina rigorosa,
seja gentil para consigo mesmo.

Portanto, esteja em paz com Deus,
como quer que você O conceba.

E quaisquer que sejam seus trabalhos
e aspirações na fatigante confusão da vida,
mantenha-se em paz com sua alma.

APESAR DE TODAS AS FALSIDADES,
FADIGAS E DESENCANTOS,
O MUNDO AINDA É BONITO!

SEJA PRUDENTE: FAÇA TUDO PARA SER FELIZ !! 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sobre a Oração da Serenidade

A Oração da Serenidade foi escrita pelo teólogo protestante Reinhold Niebuhr que viveu de 1892 até 1971 e trabalhava no Union Theological Seminary, nos Estados Unidos da América.

É utilizada por grupos de ajuda mútua, tais como Alcoólicos Anônimos e Neuróticos Anônimos, representando uma síntese dos esforços que devemos desenvolver para vencermos a nós próprios e aprendermos a exercer nossa vontade.

Em sua parte básica, mais conhecida popularmente a oração diz assim:

Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma das outras.

Nessa oração podemos destacar quatro virtudes ou comportamentos básicos essenciais para a aquisição do equilíbrio e da harmonia com o mundo em que vivemos: serenidade, aceitação, coragem e sabedoria.

Serenidade significa Paz.

No Evangelho de João, capítulo 15, versículo 27 Jesus nos deixou sua paz dizendo:

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou, não vo-la dou como o mundo dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

Diante de sua realidade, o homem pode buscar duas situações: satisfazer suas necessidades considerando como valor as coisas do mundo material, ou colocando seu ponto de vista nos valores do espírito. Podemos então escolher entre buscar a paz do mundo ou construir a paz do Espírito, ou a paz que o Cristo nos deixou.

Ilude-se aquele que busca a paz pela aquisição das coisas materiais: apego, posse, poder, riqueza, prazer, sucesso... As coisas do mundo não estão nunca estiveram nem estarão sob o nosso controle. No mundo vive-se a ilusão do ganho e da perda, existe a necessidade de competir para sobreviver, as dores impõem sofrimentos, desequilíbrio e depressão. A felicidade consiste em breves momentos de trégua em que aparentemente nossos problemas estão resolvidos. Vive-se em contínua preocupação e medo pelo dia de amanhã. No mundo tudo passa.

Conta uma lenda que um rei desejando saber qual era a receita da felicidade mandou chamar um sábio que lhe deu um livro com apenas duas páginas, dizendo:

- Neste livro está inserida toda a receita para a felicidade e o resumo de toda a sabedoria. Quando estiveres aflito, desesperado, pressionado pelo mundo, não encontrando o caminho a ser percorrido abre este livro e leia a primeira página apenas. Assim também, quando estiveres sentindo a necessidade de compartilhar sua alegria e felicidade com o mundo, em função de seus sucessos, abre o livro e lê a segunda página.

Assim foi feito. Certa ocasião, o rei encontrava-se encurralado em batalha com o país vizinho, prestes a perder tudo o que tinha, colocando em risco a sorte de seu povo. Não sabendo o que fazer, lembrou-se do sábio, pegou o livro e leu a primeira página. Lá estava escrito: "Isto passa!"

Enchendo-se de esperança, o rei conseguiu recuperar-se de seu estado depressivo, trabalhou com afinco, deu a volta por cima da adversidade e conseguiu superar a situação, voltando a trazer harmonia para seu povo.

Quando estava feliz por ter conseguido vencer e resgatar a prosperidade de seu povo, desejando compartilhar sua alegria com todos à sua volta, lembrou-se do sábio, pegou o livro e leu a segunda página. Lá estava escrito: "Isto também vai passar!"

Assim também são as coisas do mundo, não estão sob o controle ou domínio dos homens. Tristeza, felicidade, sucesso, fracasso, alegria, tudo passa, tudo se modifica.

Aquele, entretanto, que coloca seu ponto de vista nos valores espirituais, adquire a paz que o Cristo nos deixou. Isto porque, do ponto de vista espiritual não existem problemas, mas oportunidades de aprendizado e conquista. As coisas do Espírito estão sob o controle de cada um, sendo a vida um conjunto de lições a serem aprendidas.

As dores são conseqüências naturais de nossas escolhas atuais e pretéritas. Construímos hoje nosso dia de amanhã. A justiça Divina está presente em todas as coisas, sendo, pois, a resignação a postura mais recomendada. A luta do homem é para vencer a si próprio, domando suas más inclinações e suas tendências inferiores.

Não existem perdas, pois como o Espírito não regride, se ganha sempre.

Ao nos deixar sua paz Jesus nos aconselhou:

"Não vos ponhais inquietos pelo dia de amanhã. A cada dia basta o seu mal"(Mateus: 6-34).

A paz espiritual não significa a ausência de problemas ou de obstáculos, mas o reconhecimento de que esses são nossas oportunidades de aprendizado e de iluminação interior. Nesse sentido, a Oração da Serenidade nos apresenta a receita para a felicidade relativa, pois aponta o caminho da paz do Espírito ou da paz do Cristo.

Diante das adversidades, encontramos três tipos de situação: aquelas que não estão sob nosso controle e, portanto, não podem ser mudadas pelas nossas ações; aquelas que estão sob nosso controle e só dependem de nós para serem mudadas; e aquelas que, embora não possamos modificar diretamente, podemos tentar influenciar na mudança.

Do ponto de vista individual o Espírito deve passar por provas e expiações. Nas provas podemos escolher os caminhos, embora não consigamos nos afastar daquilo que nos está determinado experimentar. Nas expiações, nada podemos fazer, a não ser aceitar o que nos é dado viver. Do ponto de vista coletivo, tudo que é do mundo não depende só de nós e, portanto, ocorrem situações que não podemos mudar. Podemos, entretanto, agir de forma a modificar, por influência, comportamentos, leis e posturas coletivas.

Tudo começa, pois, pela aceitação de si mesmo, pelo conhecimento de si próprio, pela luta para vencer a ilusão do orgulho, a vaidade, o egoísmo, o apego e pela decisão de caminhar vivendo as experiências do mundo com sabedoria. A felicidade não é um ponto de chegada, não é um momento fugaz, mas a oportunidade de percorrer o caminho continuamente. Cada instante da vida é, pois um momento de felicidade quando trazemos a paz no Espírito. Nosso mundo é ainda de amor condicional, daí ser a felicidade, aos olhos dos homens, uma coisa passageira.

A paz do mundo é tida como ausência de guerra, ausência de conflitos, mas pelos olhos do mundo vivemos todos com medo. Medo de ser rejeitado, de não ser reconhecido, de errar, de fracassar, de ficar doente, de perder coisas e bens materiais, de perder pessoas amadas, de perder o emprego, de passar por dificuldades financeiras de perder a vida. O sentimento de perda é uma realidade.

Jesus, no entanto, nos deixou a paz, não como o mundo dá, recomendando que não deixássemos turbar o coração nem agasalhássemos o temor em nossas vidas. Todavia, a aceitação das coisas que não podemos mudar não pode ser entendida como um convite para a inércia, pois nosso Espírito está em contínua construção, requerendo as experiências do caminho para a aquisição da felicidade. A vida nos ensina. Vivendo aprendemos a distinguir, sem lamentações, as situações que enfrentamos. Compete-nos a aceitação serena, mas também a ação regeneradora.

Em sua segunda parte, menos conhecida, a Oração da Serenidade nos aponta o caminho, nos aconselha o comportamento para melhor enfrentarmos as situações da vida. Como atingir a serenidade para aceitar, a coragem para agir e a sabedoria para discernir. A oração como um todo nos diz assim:

Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma da outra – vivendo um dia de cada vez, desfrutando um momento de cada vez, aceitando as dificuldades como um caminho para alcançar a paz, considerando o mundo pecador como ele é, e não como gostaria que ele fosse, confiando em Deus para endireitar todas as coisas para que eu possa ser moderadamente feliz nesta vida e sumamente feliz contigo na eternidade.


A PRÁTICA DA ORAÇÃO DA SERENIDADE


Nas paredes de milhares de salas de reuniões de A.A., pode-se ver em pelo menos cinco idiomas, a seguinte invocação:

Concedei-nos Senhor, a serenidade necessária.
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir uma das outras.

Não foi o A.A. que a criou. Diferentes versões têm sido empregadas através dos séculos por várias crenças, e esta é de uso corrente hoje em dia tanto fora do A.A. como dentro da irmandade. Quer pertençamos a esta ou àquela igreja, quer sejamos humanistas, agnósticos ou ateus, a maioria de nós achou nestas palavras um guia maravilhoso para alcançar a sobriedade, continuar sóbrio e desfrutar de uma vivência sóbria. Quer consideremos a Oração da Serenidade uma verdadeira prece ou apenas um desejo fervoroso, ela oferece uma receita simples para uma vida emocional saudável.

Pusemos uma coisa no alto da lista das coisas “que não podemos modificar”; nosso alcoolismo. Independentemente do que façamos, sabemos que amanhã não deixaremos, de repente, de ser alcoólicos, como não teremos menos 10 anos de idade ou mais 15 centímetros de altura.

Não pudemos mudar nosso alcoolismo. Mas não dizemos docilmente: “Esta bem, sou um alcoólico. Acho que tenho de beber até morrer”. Havia alguma coisa que podíamos mudar. Não tínhamos de ser bêbados. Podíamos vir a ser sóbrios. Certamente isso exigia coragem. E foi necessário um lampejo de sabedoria para ver que isso era possível, que podíamos ser outros.

Para nós este foi o primeiro e o mais óbvio emprego da Oração da serenidade. Quanto mais nos distanciamos do último gole, mais bonitas e mais carregadas de sentido estas poucas linhas se tornaram. Podemos aplicá-las a todas as situações cotidianas das quais costumávamos fugir direto para a garrafa.

Tomemos um exemplo: “Odeio o meu trabalho. Tenho de ficar nele ou posso deixá-lo?” Entra em cena um pouco de sabedoria. “Bem, se eu sair desta firma, as próximas semanas ou os próximos meses poderão ser difíceis, porém acabarei num lugar melhor”.

Mas a resposta pode ser: “Enfrentemos a verdade. Os tempos não estão para procurar emprego, tendo uma família para sustentar. Além disso, estou sóbrio há seis semanas apenas, e meus amigos do A.A. dizem que é melhor não começar a fazer mudanças drásticas ainda – devo, é melhor, concentrar-me em não tomar o primeiro gole e esperar até que minha mente se abra. Ora bem, não posso mudar de serviço agora mesmo. Mas talvez possa mudar minha atitude. Vejamos: como posso aprender a aceitar serenamente o emprego?”

Essa palavra “serenidade” parecia quase um objetivo impossível na primeira vez que vimos a oração. De fato, se serenidade significasse apatia, amarga resignação ou resistência impossível, então nem iríamos tentar atingi-la. Descobrimos, porém, que não significava isso. 

Quando a vemos agora, é mais como plena aceitação, uma maneira nítida e realista de ver o mundo, acompanhada de paz e força interior. A serenidade é como um giroscópio que nos permite conservar o equilíbrio, a despeito da turbulência que nos assalta. É um estado de espírito que vale a pena buscar.

Do livro Viver Sóbrio !

"É que narciso acha feio o que não é espelho"


O adicto escolado aprende a reconhecer seus sentimentos e procura domar as emoções, logo quando começa a seguir os doze passos da programação de AA e de NA. 

Mas nem todo adicto consegue definir seus próprios sentimentos de forma correta. Muitas vezes sente uma coisa que significa outra. Quando digo que não confundam egoísmo com egocentrismo, religião com espiritualidade e assim por diante, muita gente acha complicado distinguir uma coisa da outra e considera de somenos importância tais filigranas. 

Recordo o tempo em que, todas as manhãs, tinha que repetir meu nome, dizer que era adicto em recuperação, falar qual era meu sentimento, naquele dado momento, e qual a minha meta naquele amanhecer do dia. 

Como escrevo com certo atraso, devo falar que ontem meu sentimento matinal era de esperança e a minha meta era resolver algumas pendências. No final da noite meu sentimento era de alegria, acho que por ter resolvido tudo da melhor maneira possível e por estar limpo há tanto tempo. Mas vamos ao que interessa. 

Não escrevo para a intelectualidade, mas para aquelas pessoas que carecem de um olhar mais atento sobre o significado que certas palavras encerram. 

Noto, com frequência, que muita gente acha que egoísmo e egocentrismo significam a  mesma coisa. Então vou tentar bagunçar o coreto tentando encontrar certas nuances capaz de melhor ajudar, a quem interessar possa, a compreender estas palavras, tão corriqueiramente usadas no mundo da adicção, embora não se restrinjam a este universo. São tão abrangentes...

Penso em escrever, um dia qualquer, algo sobre algo sobre a Inveja (que presunção!), porque noto que muita gente não consegue notar, em si mesmo, este sentimento e só enxerga os defeitos alheios. Advirto, logo, de imediato, que não sou e nem quero ser professor, ótima profissão, mas um eterno aprendiz.

Outra ideia que me vem à cabeça é tecer algum comentário sobre o caráter e a perfeição, mas não devo prometer nada e, só por hoje, buscarei me fixar na significado das palavras egocêntrico e  egoísmo. Que não sejam minhas as distinções, é o que espero.

Conforme dicionário Houaiss o egoísmo é um substantivo masculino com as seguintes definições:

1 amor exagerado aos próprios interesses a despeito dos de outrem
2 exclusivismo que leva uma pessoa a se tomar como referência a tudo; orgulho, presunção
3 Rubrica: ética.
no kantismo, submissão do dever ao interesse particular, em detrimento da obediência à lei moral
4 Rubrica: ética.
no nietzchianismo, sentimento restrito a homem nobre e incomum, capaz de compreender o mundo do ponto de vista exclusivo de seu próprio interesse
5 Rubrica: psicologia.
atitude ética ou social que parte do princípio de que o fundamento de todo pensamento ou ação é a defesa dos próprios interesses

O Aurélio no diz que egoísmo é:

1.Amor excessivo ao bem próprio, sem consideração aos interesses alheios. 
2.Exclusivismo que faz o indivíduo referir tudo a si próprio (v. egocentrismo). [Antôn., nessas acepç.: altruísmo (1 e 2).] 
3.Filáucia, orgulho, presunção. 
4.Ét. Doutrina que considera como princípio explicativo dos preceitos morais, e como princípio diretor da conduta humana moral, o interesse individual. 
5.Ét. Amor exclusivo e excessivo de si, implicado na subordinação do interesse de outrem ao seu próprio. [Cf., na acepç. 5, amor-próprio e, nas acepç. 4 e 5, abnegação (2) e altruísmo (3).]

Agora vamos ver o significado de egocêntrico: 

O Houaiss diz que egocêntrico é adjetivo e substantivo masculino
Rubrica: psicologia. Que ou quem exibe atitudes ou comportamentos voltados para si mesmo, de modo relativamente insensível às preocupações dos outros.

No Aurélio achamos: egocêntrico
[De ego-1 + -centr(o)- + -ico2.] 
Adjetivo. 
1.Diz-se daquele que refere tudo ao próprio eu, tomado como centro de todo o interesse; personalista. 
2.Antrop. Egocentrado. 
Substantivo masculino. 
3.Indivíduo egocêntrico (1); personalista.

Complicado não é mesmo? Então busquei uma explicação aceitável, para marcar a diferença, entre uma coisa e outra, numa explicação dada por Ernesto von Rückert, Professor universitário aposentado de Física: 

"Egocentrismo é considerar que se seja o centro do Universo e que tudo existe para sua satisfação. Egoísmo é, mesmo não considerando isso, querer que tudo aconteça para seu benefício. O egoísta manipula as ações dos outros para beneficiá-lo. O egocêntrico acha que elas se darão naturalmente nesse sentido e considera que, se não se deram, é porque alguém agiu de modo incorreto e deve ser admoestado. O egocêntrico pensa que tudo "tem" que beneficiá-lo. O egoísta "quer" que tudo o beneficie, mesmo que não ache que tenha. O egocêntrico é um tolo. O egoísta é um malvado. Mas um egocêntrico também pode ser um egoísta."

Será que vai dar para compreender as distinções? Engraçado, agora me ocorreu uma outra questão, quando digo: eu fiz, eu isso, eu aquilo, eu sou melhor e etc, não estaria manifestando um sentimento típico dos Narcisos? "É que narciso acha feio o que não é espelho"!

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos


Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

Vivendo o momento

"Lamentávamos o passado, temíamos o futuro e não sentíamos grande entusiasmo pelo presente"
Texto básico p.8

Até experimentarmos a melhora que acontece quando trabalhamos os Doze Passos, sem dúvida não poderíamos encontrar uma situação tão verdadeira quanto a citada acima. A maioria de nós chegou a NA de cabeça baixa, com vergonha, pensando no passado e desejando voltar atrás e mudá-lo. Nossas fantasias e expectativas sobre o futuro podem ser tão extremas que, em nosso primeiro encontro amoroso com alguém, já estamos pensando no advogado que vamos contratar para o divórcio. Quase todas as nossas experiências nos levam a lembrar o passado ou começam a projetar o futuro.

No começo é difícil viver o momento. Parece impossível que nossas mentes possam parar. Temos dificuldade em divertir-n. A cada momento percebemos que nossos pensamentos não estão focalizados no que está acontecendo agora. Podemos orar e pedir a um Deus amoroso que nos ajude a sair de nós mesmos. Se lamentamos o passado, fazemos reparações vivendo diferentemente hoje: se tememos o futuro, trabalhamos para viver responsavelmente hoje.

Quando trabalhamos os passos e rezamos cada vez que descobrimos que não estamos vivendo o presente, vamos notar que esses momentos não estão ocorrendo tão frequentemente como costumavam acontecer. Nossa fé vai nos ajudar a viver só por hoje. Teremos horas, até mesmo dias, quando nossa total atenção estará focalizada no momento presente, não no passado que lamentávamos ou no futuro que temíamos.

Só por hoje quando eu vivo plenamente cada momento, eu me abro para as alegrias que, de outra maneira, poderiam me escapar. Se eu estou tendo problemas, eu vou pedir ajuda a um Deus amoroso.

Reflexões Diárias - Alcoólicos Anônimos


Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

A FONTE DE NOSSOS PROBLEMAS

Egoísmo, egocentrismo! Acreditamos que esta é a fonte de fonte de nossos problemas.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Comentários de um membro...

Como surpreende a revelação de que o mundo e tudo que contem, pode continuar muito bem com ou sem a minha participação! Que alivio saber que as pessoas, lugares e coisas estarão muito bem sem meu controle e direção. E como é inexplicavelmente maravilhoso vir a acreditar que existe um Poder Superior em  mim, separado e independentemente de mim mesmo. Acredito que o sentimento de separação que experimento entre eu e Deus um dia desaparecerá. Enquanto isso, a fé deve servir como estrada para o centro de minha vida.

FONTE E CRÉDITO: http://www.aapiaui.org.br/reflexoes.php

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

"Ninguém morou, na dor que era o seu mal. A dor da gente não sai no jornal"


Na ressocialização, dei uma saída. Passava por um local em que os párias da sociedade se juntam..

Interessante observar que os grupos de adictos se formam conforme as drogas que utilizam. Os estigmas existem entre eles próprios, além dos que são oriundos do meio social, ou da sociedade. Isso os conduz  a se juntarem, pois assim sentem-se melhor ambientados e protegidos. Em "casa"!

É chato observar que os estigmas existem entre os próprios usuários. Isso mesmo, o alcoólico tolera o adicto cruzado, mas não o aceita; o pessoal do "branco" discrimina canabianos, que por sua vez rotulam os craqueiros e por ai eles caminham. São tortos falando de aleijados.

Mas eu passava exatamente por um local em que os craqueiros batiam papos "eloquentes", "filosóficos". Tinha um cara com uma garrafa de cachaça na mão e uma mulher desgrenhada, que brigava com ele para tomar a tal garrafa. Ela gritava: mê dê essa porra logo, vamos! Intimava.  Ele, naquela desconjunção típica dos aflitos, não reagia, apenas segurava a caninha dele que ela queria tomar na marra. Parecia que iriam entrar em luta corporal. O cara apanhava e eu dizia comigo mesmo, que mulher drogada corajosa, apesar de muito barraqueira e escandalosa! Será que não tem medo de tomar um chega pra lá? Qual nada, ela sabia o que estava fazendo e os outros adictos eram meros espectadores, unidos na fraqueza

Olhava a mulher e dizia comigo mesmo: como é deprimente estas situações pelas quais já passei. É tão parecido, ou são tão parecidas as mulheres em desespero de causa, com suas respectivas insanidades. 

"Loucas, pelas ruas da cidade elas andavam" e eles também, ou melhor, nós, também!

Só que aquela mulher que agredia o homem, sem ser agredida, que rasgava a camisa dele e o esganava e demonstrava uma valentia fora do normal, parecia uma craqueira. Confesso que pensei que fosse, mas não era. Percebi isso quando ela disse: - ou você larga esta merda, ou não entra mais lá (no lar, evidentemente). 

E aos gritos histérios dizia: - Nem pense mais em voltar ! 

Pensei: só poderia ser a louca de uma esposa possuída e surtada. Naquela cena ela era como minha mulher, de tão parecidas que eram. Ele desajeitado, resistia perante os companheiros de copo e de cruz. Mantinha-se altivo, mas era indisfarçável o constrangimento dele, o abatimento moral que ele buscava disfarçar. 

Aquela mulher, que parecia estar drogada, era a esposa do sujeito que não largava a garrafa. Ele só se defendia o protegia a droga dele, que naquele momento era o álcool. Ela só queria o bem dele! 

Olhei aquela mulher e vi a minha, cometendo as mesmas loucuras. Elas até se pareciam fisicamente. Estava descuidada, descabelada, com seus cabelos lisos. A fisionomia revelava uma beleza castigada pelas amarguras e decepções e, creio, foi isso que me levou a querer ver o desfecho final da cena. Ela era uma esposa como outra qualquer, de um adicto.

Era apenas uma esposa, codependente que, perdoem-me, me fez rir da cena tragí-cômica. Aquilo era a representação do mundo cão de ambos os lados da insanidade do casal desajustado pela droga. Perdoem-me, mas tive que rir, ao lembrar que passei por semelhantes situações e porque via  nela a minha própria mulher, que continua fera e é muito louca. Não tá sarada não. Me aprontou uma muito louca em local fortemente movimentado. Eu morria de vergonha. Ela surtou, por um pequeno aborrecimento. E eu absolutamente sóbrio. 

Codependente que não se cuida é capaz de ver droga até em muriçoca perdida na noite. Uma picada desses pernilongos pode dar a impressão de  "pico" na veia e dai nasce uma nova cantilena dolorosa.

Deus nos acuda a todos! 



Meditação Diária - Narcóticos Anônimos


Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2014


De uma maldição a uma bênção



"Nós nos tornamos muito gratos ao longo de nossa recuperação... Temos uma doença, mas nós nos recuperamos"

A adicção ativa não foi um piquenique; muitos de nós raramente saímos dela vivos. Mas vociferando contra a doença, lamentando o que ela nos fez, tendo pena de nós mesmos pela condição em que ela nos deixou – essas coisas só podem nos manter presos ao estado de espírito de amargura e ressentimento. O caminho para a liberdade e o crescimento espiritual começa quando a amargura acaba, com aceitação.

Não há como negar o sofrimento trazido pela adicção. Entretanto, foi a adicção que nos trouxe para Narcóticos Anônimos; sem ela, nós nem ao menos teríamos procurado e encontrado a bênção da recuperação. O isolamento nos forçou a procurar o companheirismo. Ao nos causar sofrimento, adquirimos a experiência necessária para ajudar os outros, e ajudar o outro era nossa única possibilidade. Ao quebrar nosso orgulho, a adicção nos deu a oportunidade de nos rendermos aos cuidados de um Poder Superior amoroso.

Não desejaríamos a doença da adicção para ninguém. Mas o que permanece é que nós, adictos, continuamos com essa doença – e, além disso, sem essa doença talvez nunca tivéssemos embarcado nessa nossa jornada espiritual. Milhares de pessoas procuram a vida toda pelo que achamos em Narcóticos Anônimos: companheirismo, propósito de vida e contato consciente com o Poder Superior. Hoje somos gratos por tudo que nos trouxe essa bênção.

Só por hoje eu aceitarei minha doença como um fato e procurarei a bênção de minha recuperação.

http://www.nasp.org.br/meditacao-diaria

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

ABUSO DE DROGAS: PROBLEMA PESSOAL OU SOCIAL?

Por Edward MacRae*

Ao pensar em responder á pergunta acima, constatamos que ela é mal formulada por enfatizar excessivamente a dicotomia pessoal/social em relação á questão das granas. Seria melhor pensar nesses termos como extremidades de um continuo e não como entidades distintas. Em outras palavras, aquilo que afeta a sociedade inevitavelmente tem suas repercussões a nível individual e vice-versa. Da mesma forma que o individuo deve apoiar, respeitar, defender e se empenhar pelo aprimoramento da organização social da qual participa, esta também tem a responsabilidade de zelar pelo seu bem-estar, sempre cuidando de proteger a sua liberdade.

No que se refere ao uso de substâncias psicoativas ocorre que, atualmente, a sociedade como um todo vem enfrentando a questão de maneira contraditória, adotando políticas ineficazes que muitas vezes acabam por
confundir os individuos e ao ignorar certos aspectos pode até agudizar as suas consequências negativas.

Ao escolher a repressáo como o principal método de abordar o problema comete-se de início um erro grave. Apesar de se criminalizar a produção, comércio e uso de um longo elenco de substâncias, devido a uma série de razões históricas, políticas e econômicas acaba-se de fato, abdicando de qualquer controle sobre os que mais malefícios causam: o tabaco e o álcool.

Estes tém seu uso francamente promovido através de caríssimas campanhas publicitárias e, em muitos casos, até de incentivos fiscais dados á sua produção. Apesar de se tratar de substâncias cujo uso pouco criterioso pode acarretar sérios danos á saúde do consumidor e perturbações, prejuízos á sociedade como um todo, são poucos os esforços sérios feitos para disciplinar a sua oferta e nem mermo se respeita a tímida legislação vigente sobre o assunto. Como ilustração da gravidade da situação vale lembrar que o "abuso de álcool" seria responsável por 32% dos leitos hospitalares em psiquiatria e 40% das consultas médico-psiquiátricas e que 75% dos acidentes fatais e 39% das ocorrências policiais estariam associadas ao uso de bebidas  alcoólicas (Brasil - 1990). 

Os malefícios do tabaco são também conhecidos: prejuízos aos sistemas respiratório, digestivo, circulatório, causando entre outros males, cânceres, enfartes e úlceras - além de sofrimento pessoal devido aos custos de tratamentos médicos e hospitalares, assim como através da perda da produtividade econômica dos doentes.

Uma das razões para a falta de interesse em controlar essas drogas é que proscrever e estigmatizar socialmente certas substâncias, de uso relativamente restrito, dá-se a falsa impressão de que álcool e tabaco pertencem a outra categoria moral de pertinência exclusiva á esfera da vida privada do individuo. O que se deixa de levar em conta é o fato, já conhecido dos gregos antigos, que não existem drogas boas ou más, que seus efeitos são determinados pelos modos de uso e pela dosagem.

Assim como outras atividades realizadas por seres humanos vivendo em sociedade, o uso de substâncias psicoativas é regido por controles sociais não só formais (as leis) mas também informais. Estes são escalas de valores e regras de conduta que definem se e como determinada substância deve ser usada. Além destas há também o que o psiquiatra americano Norman Einberg chamou de "rituais sociais" (Zinberg - 1984). Estes são padrões de comportamento prescrito em torno do uso da substâncias em relação á:

• Métodos de aquisição e consumo;

• Escolha do meio físico e social para o uso;

• Atividades relacionadas ao uso;

• Maneira de lidar com os efeitos negativos.

Estes "rituais sociais" servem também para reforçar e simbolizar os valores e regras de conduta. O funcionamento desses controles sociais informais é um fator preponderante na distinção entre o que Zinberg chama de "uso controlado" e "uso compulsivo", o primeiro com baixos custos sociais enquanto o segundo, disfuncional e intenso, tem efeito contrário. Os controles sociais atuam de quatro maneiras:

• Definindo o que é uso aceitável e condenando as que fogem a esse padrão;

• Limitando o uso a meios físicos e sociais que propiciem experiências positivas e seguras;

• Identificando efeitos potencialmente negativos. Os padrões de comportamento ditam precauções a serem tomadas antes, durante e de pois do uso;

• Distinguindo os diferentes tipos de uso das substâncias: respaldando as obrigações e relações que os usuários mantém em esferas não diretamente associados aos psicoativos (Zinberg 1984-17).

No caso das drogas lícitas, especialmente do álcool, cujos efeitos psicoativos sáo mais óbvios que os do tabaco, os controles sociais informais sáo bastante desenvolvidos e gratas a eles grande parte da populacáo se utiliza de maneiras relativamente inócuas de beber, reservando para esse costume determinados momentos, geralmente de lazer. Os dados, citados acima, como aqueles sobre internaróes psiquiátricas e acidentes causados por motoristas ou pedestres alcoolizados, mostrara que mesmo nesse caso ternos ainda muito a aprender e que ainda se permite a veiculacáo de mensagens publicitárias que confunden o público levando-o a adotar práticas imprudentes em relacáo tanto á bebida quanto ao fumo.

Além disso, dá-se pouca importáncia á implementacáo de dispositivos legais que visam disciplinar o uso dos psicoativos lícitos, permitindo-se, por exemplo, a venda indiscriminada de álcool e tabaco a menores e tole-
rando-se o costume de motoristas dirigirem alcoolizados.

Mas, apesar de todas essas dificuldades, a maneira como a maioria consegue conviver com substâncias potencialmente tão perigosas e criadoras de dependência como o álcool, é que comprova a eficácia dos controles sociais informais.

Aqueles que ainda argumentam que o álcool é um problema seríssimo da atualidade obviamente tem razão, mas poucos hoje defenderiam a ideia de que os controles sociais informais seriam mais eficazmente substituídos pela introdução de controles legais que visassem a erradicação do costume de beber. O desastre social que foi a experiência americana da Lei Seca ainda está presente na lembrança de todos que se interessam pelo assunto, pois a proibição da produção e comercialização de bebidas alcoólicas só serviu para incentivar o gangsterismo, piorar a qualidade do produto e reduzir a eficácia dos controles informais que incidiam sobre o seu uso.

Geralmente os controles sociais informais são, como sugere o termo, desenvolvidos, veiculados e reproduzidos de maneira pouco sistemática ao longo do tempo. Embora seu surgimento se dê espontaneamente, o processo pode ser aperfeiçoado e, até certo ponto, moldado por políticas oficiais compreensivas e cuidadosas. Tal é o caso dos programas de redução de danos que visam diminuir a contaminação pelo HIV entre os usuários de drogas injetáveis. Seus promotores, descartando a prioridade normalmente atribuída á erradicação desse uso, concentram-se na tarefa de promover o uso mais asséptico da injeção. Para tanto, utilizam agentes de saúde tolerantes e compreensivos com as necessidades e ideais de vida dessa população.

Frequentemente são os próprios usuários que são capacitados para realizar essa tarefa devido ao seu maior acesso ao "mundo da droga", onde suas palavras são frequentemente mais convenientes que aquelas de técnicos oficiais "caretas".

Enquanto o indivíduo deve buscar manter-se sempre em condicóes psíquicas compatíveis com a possibilidade de assumir responsabilidade por seus atos e suas conseqüéncias, cabe á sociedade o dever de estimular e difundir práticas que levem ao resguardo da saúde de seus integrantes. Porém, nunca se deve esquecer que o bem-estar dos indivíduos transcende meras questões sanitárias e que a sociedade não pode ser concebida em seu todo, nos moldes de uma instituição hospitalar onde, em troca do zelo pela sua saúde, o individuo deve submeter-se a severas restrições á sua liberdade pessoal.

*Edward MacRae* Doutor em Antropologia (USP), Professor Adjunto da Faculdade de Filósofía e Ciências Humanas/UFBA, pesquisador associado do CETAD/UFBA.

BIBLIOGRAFIA

Brasil - Ministério da Educacáo e Cultura; Fundacáo Maurício Sirotsky; FNE/ABEAD,

Programa Valorizacáo da Vida. Brasília, 1990.

Zinberg N. Drug, Set and Setting. New Haven, Yale University Press, 1984.

Meditação Diária, Narcóticos Anônimos


Quinta-feira, 06 de fevereiro de 2014

Eu não posso – nós podemos


"Tínhamos nos convencidos de que podíamos resolver tudo sozinhos e continuamos vivendo desse jeito. Os resultados foram desastrosos e, por fim, cada um de nós teve que admitir que a auto-suficiência era uma mentira"
Texto Básico, p. 68

“Eu não posso, mas nós podemos”. Esta simples mas profunda verdade aplica-se inicialmente para nossa primeira necessidade como membros de NA: juntos, podemos ficar limpos, mas quando nos isolamos, estamos em má companhia. Para nos recuperarmos precisamos do apoio de outros adictos.

A auto-suficiência não dificulta apenas nossa habilidade em ficar limpo. Com ou sem drogas, viver com vontade egocêntrica inevitavelmente conduz ao desastre. Dependemos de outras pessoas para tudo, desde bens e serviços até amor e companheirismo, e a vontade egocêntrica nos coloca em constante conflito com essas mesmas pessoas. Para viver uma vida plena, precisamos de harmonia com os outros.

Não dependemos apenas de adictos e de outras pessoas de nossa comunidade. Poder não é um atributo humano, contudo precisamos dele para viver. Encontramos isto em um Poder maior do que nós mesmos, o qual nos proporciona a orientação e a força que nos falta. Quando temos a pretensão de ser auto-suficiente, nos isolamos de uma fonte de poder que é suficiente para guiar-nos efetivamente através da vida: nosso Poder Superior.

Auto-suficiência não funciona. Precisamos de outros adictos, precisamos de outras pessoas e, para viver plenamente, precisamos de um Poder maior que nós mesmos.

Só por Hoje eu procurarei o apoio de outros adictos em recuperação, harmonia com os outros na minha comunidade e a proteção de meu Poder Superior. Eu não posso, mas nós podemos.

CSASP

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Reflexão Diária de Alcoólicos Anônimos

Quarta-feira, 05 de fevereiro de 2014

LIBERTAÇÃO GLORIOSA 

"A partir do momento em que desisti de argumentar, comecei a ver e a sentir."

Nesse instante, o Segundo Passo, sutil e gradualmente, começou a se infiltrar em minha vida. Não posso dizer a ocasião e a data em que vim a acreditar num Poder Superior a mim, mas, certamente, tenho esta crença agora. Para adquiri-la bastou-me parar de lutar e praticar o restante do programa de A.A. com o maior entusiasmo de que dispunha". 
OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 23

Depois de anos satisfazendo a uma "desenfreada obstinação", o Segundo Passo tornou-se para mim uma libertação gloriosa de ficar sozinho. Nada agora é mais doloroso ou intransponível na minha jornada. Alguém está sempre aqui para compartilhar comigo as cargas da vida. O Segundo Passo tornou-se uma forma de reforçar minha relação com Deus, e agora percebo que minha insanidade e meu ego estavam curiosamente ligados. Para livrar-me do anterior, devo entregar este a alguém com os ombros muito mais largos que os meus.

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos

Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014

Continue voltando!

Somos gratos por termos sido tão bem recebidos nas reuniões, a ponto de nos sentirmos à vontade

Lembra como tínhamos medo quando entramos pela primeira vez numa reunião de NA? Mesmo que tenhamos ido com um amigo, a maioria de nós se lembra como foi difícil assistir àquela reunião. O que foi que nos levou a voltar? A maioria de nós recorda com gratidão as boas-vindas que recebemos e como isto nos deixou à vontade. Quando levantamos a mão como recém-chegados, abrimos a porta para outros membros se aproximarem e nos receberem.

Às vezes, a diferença entre aqueles adictos que saem de sua primeira reunião para nunca mais voltar a NA e os adictos que ficam para procurar recuperação, é um simples abraço de um membro de NA. Quando já estamos limpos a algum tempo, é fácil nos afastarmos daquela procissão de recém-chegados... Afinal de contas, já vimos tantas pessoas indo e vindo. Mas membros limpos há algum tempo podem fazer a diferença entre o adicto que não volta e o adicto que continua voltando. Ao oferecer nosso número de telefone, um abraço ou simplesmente um “bem-vindo” caloroso, estendemos a mão de NA ao adicto que ainda sofre.

Só por hoje eu me lembro das boas-vindas que recebi quando cheguei pela primeira vez a NA. Hoje expressarei minha gratidão oferecendo um abraço para um recém-chegado.

NASP-RGSP

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Reflexões Diárias de Alcoólicos Anônimos

Terça-feira, 04 de fevereiro de 2014

QUANDO A FÉ ESTÁ PERDIDA

“Às vezes A.A. é aceito com maior dificuldade pelos que perderam ou rejeitaram a fé do que pelos que nunca a tiveram, pois acham que já experimentaram a fé e esta não lhes serviu. Experimentaram viver com fé e sem fé.”
OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p.24

Tão convencido estava de que Deus tinha me abandonado que ao final tornei-me provocador, embora soubesse que não devia agir assim, e mergulhei numa última bebedeira. Minha fé tornou-se amarga e não foi por coincidência. Aqueles que já tiveram uma grande fé atingem o fundo com mais dificuldade.

Levou muito tempo para que minha fé reacendesse, mesmo tendo vindo para A.A. Estava intelectualmente agradecido por sobreviver a queda tão vertiginosa, mas meu coração sentia-se endurecido. Ainda assim, persisti com o programa de A.A.; as alternativas eram muito tristes! Continuei assistindo as reuniões e, aos poucos, minha fé foi ressurgindo.


Meditação do dia:
“Na vida diária ficamos surpresos ao descobrir o quanto somos realmente dependentes e quão inconscientes somos dessa dependência. (...) A força corre exatamente para onde é necessária.”
(Na Opinião do Bill, p.26)

GRUPO CARMO SION

Meditação Diária - Narcóticos Anônimo

Terça-feira, 04 de fevereiro de 2014

Sentir-se bem não é a questão

"Para nós, a recuperação é mais do que apenas prazer."
Texto Básico, pág. 47

 Em nossa adicção ativa, a maioria de nós sabia exatamente como iríamos nos sentir de um dia para o outro. Tudo o que tínhamos que fazer era ler o rótulo de uma garrafa ou saber o que havia na bolsa. Planejávamos nossos sentimentos e nossa meta para nos sentir bem em cada dia.

Em recuperação estamos sujeitos a sentir qualquer coisa de um dia para o outro, ou mesmo de um minuto para o outro. Podemos nos sentir energizados e felizes pela manhã, então estranhamente nos desapontamos e ficamos tristes à tarde. Porque a cada manhã nós não mais planejamos nossos sentimentos para o dia, podemos terminar tendo sentimentos que são de certa forma inconvenientes, como sentirmo-nos cansados pela manhã e bem despertos na hora de dormir.

É claro que há sempre a possibilidade de nos sentirmos bem, mas essa não é a questão. Hoje, nossa maior preocupação não é nos sentirmos bem, mas aprender a compreender e lidar com nossos sentimentos, não importando quais sejam. Fazemos isso trabalhando os passos e compartilhando nossos sentimentos com outros.

Só por Hoje eu aceitarei meus sentimentos, sejam eles quais forem, exatamente como são. Praticarei o programa e aprenderei a viver com meus sentimentos.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...