sexta-feira, 9 de julho de 2010

Livro Azul Capítulo 7, Alcoólicos Anônimos - Grupo 1 de maio



TRABALHANDO COM OS OUTROS

A experiência prática ensina-nos que não há nada que assegure tanto a imunidade à bebida como o trabalho intensivo com outros alcoólicos. Resulta quando todos os outros processos falham. Esta é a nossa décima segunda sugestão: levar esta mensagem a outros alcoólicos! Você pode ajudá-los quando mais ninguém consegue. Consegue ganhar-lhes a confiança quando os outros fracassam. Lembre-se que eles estão muito doentes.
A vida vai adquirir um novo sentido. Ver as pessoas recuperar, vê--las ajudar os outros, ver desaparecer a solidão, ver a fraternidade do grupo crescer à sua volta, ter uma quantidade de amigos - é uma experiência a não perder. O contacto frequente com recém-chegados e de uns com os outros é a faceta que ilumina as nossas vidas.
Talvez você não conheça nenhuns bebedores que se queiram recuperar. Não terá dificuldade em encontrar alguns se perguntar a uns tantos médicos, padres ou pastores e em hospitais. Eles terão muito prazer em ajudá-lo, mas não comece por querer pregar ou moralizar. Infelizmente há muitos preconceitos e, se os provocar, ficará em desvantagem. Padres e médicos são pessoas competentes e, se quiser, pode aprender muito com eles, mas acontece que, pela própria experiência de bebedor, você pode ser de uma utilidade única a outros alcoólicos. Portanto coopere; nunca critique. O nosso único objectivo é sermos úteis.
Quando descobrir um possível membro para Alcoólicos Anónimos, tente saber tudo a seu respeito. Se ele não quiser parar de beber, não perca tempo a tentar persuadi-lo. Pode estragar uma oportunidade futura. Este conselho também se aplica à família dele, que se deve mostrar paciente e perceber que está a lidar com uma pessoa doente.
Se houver algum indício de que ele queira parar, tenha uma longa conversa com a pessoa que está mais interessada nele - geralmente a mulher. Forme uma ideia sobre o seu comportamento, os seus problemas, o seu passado, a gravidade do seu estado e sobre as suas inclinações religiosas. Você precisa destas informações para se poder pôr no lugar dele e perceber como gostaria de ser abordado se a situação se invertesse.
Por vezes é aconselhável esperar por uma nova bebedeira. A família pode levantar objecções mas, a não ser que o seu estado de saúde seja muito grave, é melhor arriscar. Não tente lidar com ele enquanto estiver muito bêbedo, a não ser que ele se torne ameaçador e a família precise da sua ajuda. Espere pelo fim da bebedeira ou, pelo menos, por um intervalo de lucidez. A seguir, deixe que a família ou um amigo lhe pergunte se ele quer definitivamente parar de beber e se está disposto a fazer tudo o que for preciso para o conseguir. Se ele disser que sim, deve procurar fixar-se a atenção dele em si, como uma pessoa que recuperou. Deverá então falar de si como pertencendo a um grupo de pessoas, cujos membros tentam ajudar outros como parte da sua própria recuperação e que falará com ele de boa vontade, se ele quiser.
Se ele não o quiser ver, não force a situação. A família também não deve pedir-lhe insistentemente que ele faça o que quer que seja, nem tão--pouco falhar-lhe demasiado sobre si. Eles devem esperar que ele saia de uma nova bebedeira. Entretanto poderá deixar-lhe este livro ao seu alcance. Aqui não há regras específicas a indicar. Compete à família decidir sobre estas coisas, mas deve recomendar-lhes que não se angustiem excessivamente porque podem deitar tudo a perder.
Geralmente a família não deve tentar contar a sua história. Sempre que possível, evite conhecer um alcoólico através da família. Uma abordagem através de um médico ou de uma instituição tem melhores possibilidades. Se a pessoa em questão precisar de ser hospitalizada, deverá sê-lo, mas nunca à força, a não ser que se mostre violenta. Deixe que seja o médico, se ele concordar, a dizer-lhe que tem qualquer coisa para lhe oferecer com vista a uma solução.
Quando a pessoa se sentir melhor, o médico poderá sugerir-lhe que você a visite. Embora tenha falado com a família, não mencione isso no primeiro encontro. Deste modo, ela não se sentirá pressionada e perceberá que pode lidar consigo sem ser importunada pela família. Visite-a quando ela ainda estiver a tremer. Se ela estiver deprimida, pode ser que esteja mais receptiva.
Se possível, veja a pessoa a sós. De princípio, fale de generalidades. Ao fim de um certo tempo, encaminhe a conversa para uma fase qualquer do seu percurso alcoólico. Fale-lhe bastante dos seus hábitos de bebida, sintomas e experiências, até que ela se sinta com coragem para falar de si própria. Se ela quiser falar, deixe que o faça. Terá assim uma melhor ideia de como continuar. Se não for uma pessoa comunicativa, faça-lhe um resumo do seu percurso alcoólico até à altura em que deixou de beber. Mas ainda não diga nada sobre a maneira como o conseguiu. Se ela mostrar que quer falar a sério, fale-lhe demoradamente sobre os problemas que o álcool lhe causou, mas tenha sempre a preocupação de não moralizar nem dar lições. Se ela estiver de ânimo leve, conte-lhe histórias divertidas das suas aventuras e faça com que ela conte algumas das suas.
Quando ela perceber que você sabe tudo sobre a bebida e os seus segredos, comece a descrever-se a si mesmo como alcoólico. Diga-lhe como se sentiu desconcertado e como acabou por saber que estava doente. Faça-lhe uma descrição da sua luta para parar. Faça-lhe ver essa deformação mental que leva ao primeiro copo de uma bebedeira. Sugerimos que se proceda como fizemos no capítulo sobre alcoolismo. Se for alcoólico, irá compreendê-lo imediatamente. Ela irá comparar as suas próprias incongruências mentais com algumas das suas.
Se você estiver convencido de que se trata realmente de um alcoólico, comece a insistir no carácter incurável da doença. A partir da sua própria experiência mostre-lhe como essa estranha condição mental, que envolve a primeira bebida, impede o normal funcionamento da força de vontade. Por esta altura, não faça ainda referência a este livro, a não ser que ele o tenha visto e queira falar sobre ele. E tenha cuidado em não o rotular de alcoólico. Deixe-o tirar as suas próprias conclusões. Se ele se agarrar à ideia de que ainda consegue controlar a sua maneira de beber, diga-lhe que isso é realmente possível, se o seu alcoolismo não estiver ainda muito avançado. Insista porém, que se estiver seriamente afectado, ele terá poucas probabilidades de recuperar só por si.
Continue a falar do alcoolismo como uma doença, uma doença fatal. Fale-lhe das condições físicas e mentais que a acompanham. Mantenha a atenção dele centrada na sua própria experiência pessoal. Explique-lhe que muitos estão condenados sem nunca se darem conta da sua situação. Com razão, os médicos têm relutância em dizer aos seus pacientes alcoólicos a inteira verdade sobre os seus casos, a não ser que vejam alguma vantagem nisso. Mas você pode falar sobre o carácter irreversível do alcoolismo porque lhe apresenta uma solução. Em breve verá o seu amigo admitir que tem muitas, senão todas as características de um alcoólico. Se o seu próprio médico se dispuser a dizer-lhe que é alcoólico, tanto melhor. Mesmo que o seu protegido possa ainda não ter admitido inteiramente a sua condição, acabou por ficar com curiosidade em saber como você se recuperou. Deixe ser ele a fazer-lhe a pergunta, se ele quiser. Diga-lhe exactamente o que lhe aconteceu. Saliente à sua vontade o aspecto espiritual. Se se tratar de um agnóstico ou ateu, sublinhe fortemente que ele não tem de estar de acordo com a sua concepção de Deus. Ele pode optar pela concepção que quiser, desde que a ele lhe faça sentido. O importante é que esteja disposto a acreditar num Poder superior a ele próprio e que viva segundo princípios espirituais.
Ao lidar com uma tal pessoa, é preferível utilizar uma linguagem de todos os dias para descrever princípios espirituais. É inútil despertar-lhe qualquer preconceito que possa ter contra determinados termos e conceitos teológicos, já de si confusos para ela. Não provoque tais questões, quaisquer que sejam as suas convicções pessoais.
Pode dar-se o caso do seu interlocutor pertencer a uma confissão religiosa. A sua formação e conhecimentos religiosos podem ser muito superiores aos seus. Nesse caso, ele pode interrogar-se como é que é de algum modo possível você acrescentar algo ao que ele já sabe. Ficará porém intrigado por saber como é que as convicções dele não resultaram na prática e as suas parecem ter resultado com tanta eficácia. Ele pode ser um exemplo que demonstra que a fé só por si não é suficiente. Para ser vital, a fé tem de se fazer acompanhar pelo sacrifício pessoal e pela acção desinteressada e construtiva. Faça compreender bem que não tem nenhuma intenção de lhe ensinar religião. Admita que ele sabe possivelmente muito mais do que você nesse aspecto, mas chame-lhe a atenção para o facto de que, apesar da profundidade da sua fé e conhecimentos, ele não conseguiu pô-los em prática, porque senão não teria bebido. Talvez a sua história o ajude a perceber onde ele falhou ao aplicar esses mesmos preceitos que tão bem conhece. Nós não representamos nenhuma crença ou confissão específicas. Lidamos apenas com princípios gerais comuns à maioria das religiões.
Descreva em linhas gerais o programa de acção, explicando como fez a sua própria avaliação pessoal, como endireitou o seu passado e por que se empenha agora em ajudá-lo. É importante que ele se aperceba que o seu esforço para lhe transmitir isto desempenha um papel vital na sua própria recuperação. Com efeito, ele pode estar a ajudá-lo mais a si do que você a ele. Faça-lhe ver com clareza que ele não tem qualquer obrigação para consigo e só espera que ele tente ajudar outros alcoólicos quando sair das suas próprias dificuldades. Mostre-lhe a importância de colocar o bem-estar dos outros antes do seu próprio. Explique-lhe de um modo claro que ele não tem que se sentir pressionado e que, se quiser, ele não precisa de o voltar a ver. Não deve ficar ofendido se ele quiser desistir, porque ele ajudou-o mais a si do que você a ele. Se as suas palavras tiverem mostrado bom senso, calma e muita compreensão humana, talvez tenha feito um amigo. Talvez o tenha perturbado com a questão do alcoolismo. Tanto melhor. Quanto mais desesperado ele se sentir, melhor. Terá mais probabilidades de aceitar as suas sugestões.
O seu interlocutor pode dar-lhe razões pelas quais julgue não precisar de seguir todo o programa. Pode insurgir-se perante a perspectiva de uma revisão drástica do seu passado que implica falar com outra pessoa. Não contrarie os seus pontos de vista neste aspecto. Diga-lhe que já passou pelo mesmo mas que, sem dúvida, não teria feito qualquer progresso se não tivesse passado à acção. No primeiro encontro fale-lhe da Comunidade de Alcoólicos Anónimos. Se ele se mostrar interessado, empreste-lhe o seu exemplar deste livro.
A não ser que o seu amigo queira continuar a falar de si próprio, não estrague o bom acolhimento a que ele se dispôs. Dê-lhe uma oportunidade para ele reflectir mas, se ficar, deixe-o orientar a conversa como ele quiser. Às vezes a pessoa mostra-se impaciente por querer passar logo à acção e você pode sentir-se tentado a deixá-lo fazer isso. Por vezes é um erro. Se ele vier a ter problemas, é capaz de dizer que a precipitação foi sua. O seu sucesso com alcoólicos será muito maior se não se comportar apaixonadamente com um espírito de cruzada ou de reforma. Nunca fale a um alcoólico num tom de superioridade moral ou espiritual. Exponha-lhe simplesmente o conjunto de instrumentos espirituais para ele examinar. Mostre-lhe como resultaram para si. Ofereça-lhe amizade e camaradagem. Diga-lhe que, se ele se quiser recuperar, você fará tudo para o ajudar.
Se ele não se mostrar interessado na sua solução, se ele apenas esperar de si que lhe sirva de banqueiro para as suas dificuldades financeiras ou de enfermeiro nas suas bebedeiras, pode ter que o deixar até ele mudar de atitude. Talvez então ele lá chegue depois de sofrer um pouco mais.
Se ele estiver verdadeiramente interessado e o quiser voltar a ver, peça-lhe que entretanto leia este livro. Depois disso, terá que decidir por ele próprio se quer continuar ou não. Não deve ser empurrado nem espicaçado por si, pela mulher ou pelos amigos. Se ele tiver que encontrar Deus, a vontade deve vir-lhe de dentro.
Se ele achar que consegue resolver o assunto por um outro processo qualquer ou se preferir outra abordagem espiritual, encoraje-o a seguir a sua própria consciência. Nós não temos o monopólio de Deus; temos apenas uma via que resultou para nós. Indique porém, que nós, os alcoólicos, temos muito em comum e que gostaria de ficar amigo dele em qualquer dos casos. Deixe-se ficar por aí.
Não desanime se não obtiver um resultado imediato. Procure outro alcoólico e tente de novo. De certeza que encontrará alguém suficientemente desesperado para aceitar com avidez o que tem para oferecer. Consideramos uma perda de tempo andar atrás de uma pessoa que não consegue ou não quer colaborar. Se deixar essa pessoa entregue a si mesma, ela poderá em breve convencer-se de que não consegue recuperar sozinha. Gastar demasiado tempo num só caso é negar a outro alcoólico uma oportunidade de viver e de ser feliz. Um dos nossos membros falhou completamente com os primeiros cinco ou seis eventuais membros. Ele diz muitas vezes que, se tivesse persistido com eles, poderia ter negado a oportunidade a muitos outros que entretanto se recuperaram.
Admitamos agora que está a fazer a sua segunda visita a uma pessoa. Ela já leu este livro e diz estar preparada para fazer os Doze Passos do programa de recuperação. Em face da sua própria experiência pessoal, pode dar-lhe muitos conselhos práticos. Mostre-se disponível se ela se decidir a contar-lhe a sua história, mas não insista se ela preferir consultar outra pessoa.
Possivelmente estará sem dinheiro e sem casa. Se assim for, pode tentar ajudá-la a arranjar trabalho ou dar-lhe uma certa ajuda financeira, mas não deve com isso privar a família ou os credores do dinheiro que lhes é devido. Talvez queira levá-la para sua casa por uns dias, mas então seja discreto. Assegure-se de que será bem recebida pela sua família e que ela não está a tentar explorá-lo pelo seu dinheiro, pelas suas relações sociais ou pela sua casa. Permita isso, e só a vai prejudicar. Irá dar-lhe a possibilidade de não ser sincera e poderá estar a contribuir mais para a sua destruição do que para a sua recuperação.
Nunca evite estas responsabilidades, mas, se as assumir, certifique-se de que está no caminho certo. Ajudar os outros é a pedra fundamental da sua própria recuperação. Um acto de bondade ocasional não é suficiente. Tem que se fazer de Bom Samaritano todos os dias, se for necessário. Pode significar perder noites de sono, interferir grandemente com o que lhe dá prazer e interromper o seu trabalho. Pode significar partilhar o seu dinheiro e a sua casa, aconselhar mulheres e familiares desesperados, ter que ir inúmeras vezes a esquadras de polícia, casas de repouso, hospitais, prisões e asilos. O seu telefone pode tocar a qualquer hora do dia e da noite. A sua mulher pode sentir-se abandonada. Um bêbedo pode partir a mobília de sua casa ou queimar--lhe o colchão. Poderá ter que lutar com ele se for violento. Por vezes terá que chamar um médico e dar-lhe sedativos sob prescrição. Outras vezes terá que chamar a polícia ou uma ambulância. Ocasionalmente terá que enfrentar situações deste género.
Raramente permitimos que um alcoólico fique por muito tempo em nossas casas. Para ele não é bom e às vezes cria graves complicações para a família.
Mesmo que um alcoólico não colabore, não há razão para descuidar a família dele. Deve continuar-se a manifestar-lhe amizade e propor-lhe este modo de vida. Se aceitarem e praticarem os princípios espirituais, a probabilidade de recuperação para o chefe de família é muito maior. E, mesmo que continue a beber, a família achará a vida mais suportável.
Para o caso do alcoólico que pode e está disposto a recuperar-se, não é necessário nem desejável utilizar caridade, no sentido vulgar do termo. Os que anseiam logo por dinheiro e casa antes de vencerem o álcool, vão pelo caminho errado. Contudo, sempre que a situação se justifique, vamos até onde for preciso para assegurar isso mesmo. Isto pode parecer incongruente, mas nós achamos que não.
Não é a questão de dar que está em causa, mas sim quando e como fazê-lo. É isso que faz frequentemente a diferença entre o fracasso e o êxito. A partir do momento em que a nossa intervenção se situa ao nível da caridade, o alcoólico começa a depender mais da nossa ajuda do que de Deus. Exige isto e aquilo, alegando que não consegue vencer o álcool enquanto as suas necessidades materiais não forem satisfeitas. Disparate! Alguns de nós tivemos de aprender da maneira mais dura esta verdade: com trabalho ou sem trabalho, com mulher ou sem mulher, pura e simplesmente não deixamos de beber enquanto colocarmos a nossa dependência dos outros à frente da dependência de Deus.
É preciso gravar na consciência de cada pessoa que ela pode recuperar apesar dos outros. A única condição é confiar em Deus e reparar o mal causado.
Vejamos agora o problema doméstico: pode tratar-se de divórcio, separação ou simplesmente de relações tensas. Quando o alcoólico tiver feito as reparações possíveis aos familiares e lhes tiver explicado os princípios pelos quais vive actualmente, ele deve passar a aplicar estes mesmos princípios em casa, isto é, se tiver a sorte de ter uma casa. Embora a família possa ter culpas em muitos aspectos, não é isto que o deve preocupar. Deve concentrar-se nas provas que deve dar de si mesmo no plano espiritual. As discussões e as buscas de quem tem ou não tem culpa devem evitar-se como a peste. Em muitos lares isto é extremamente difícil mas tem de se conseguir se se quiser obter resultados. Se se persistir nisto durante uns tantos meses, o efeito que causará na família será seguramente positivo. As pessoas mais incompatíveis descobrem que têm uma base comum. Pouco a pouco a família acaba por ver e admitir os seus próprios defeitos. Consegue-se então falar deles num clima de amizade e de ajuda recíproca.
Perante resultados concretos, a família quererá possivelmente colaborar. Estas coisas acontecerão naturalmente e a seu devido tempo, desde que o alcoólico continue a demonstrar que consegue manter-se sóbrio e a mostrar-se atencioso e útil, independentemente do que possam dizer ou fazer. É evidente que, muitas vezes ficamos muito longe disto, mas temos de tentar reparar logo os danos causados se não quisermos correr o risco de sermos punidos com uma bebedeira.
No caso de divórcio ou de separação, o casal não deve ter excessiva pressa em retomar a vida em comum. O marido deve assegurar a sua recuperação e a mulher deve compreender inteiramente o novo modo de vida dele. Se quiserem retomar a sua antiga relação, tem de ser numa base melhor, já que a anterior não resultou. Isto implica uma nova atitude e um novo espírito em todos os sentidos. Por vezes é melhor para todos os que estão envolvidos que o casal continue separado. É óbvio que não se pode estipular nenhuma regra. Há que deixar o alcoólico continuar o seu programa dia a dia. Quando chegar a altura de retomarem a vida em conjunto, isso será evidente para ambos.
Que nenhum alcoólico diga que não consegue recuperar a não ser que tenha a família de volta. Não é de todo assim. Nalguns casos, por uma razão ou outra, a mulher nunca mais volta. Lembre à pessoa em questão que a sua recuperação não depende dos outros, mas sim da sua relação com Deus. Temos visto pessoas recuperarem sem que as suas famílias jamais tenham voltado. Temos visto outras recaírem quando a família volta cedo demais.
Tanto você como o novo membro devem caminhar dia a dia na via do progresso espiritual. Se persistirem, acontecerão coisas extraordinárias. Ao olharmos para trás, percebemos que, quando nos pusemos nas mãos de Deus, as coisas que nos aconteceram foram muito melhores do que tudo aquilo que possamos ter planeado. Siga o que lhe dita um Poder Superior e viverá então num novo e maravilhoso mundo, seja quais forem as circunstâncias actuais da sua vida!
Ao tentar ajudar um alcoólico e a sua família, deve ter cuidado em não tomar parte nas suas discussões. Pode com isso estragar a oportunidade de ser útil. Insista porém com a família do alcoólico em que ele esteve muito doente e deve ser tratado em conformidade com isso. Deve preveni-los contra o ressentimento e o ciúme que vão surgir. Deve lembrar-lhes que os seus defeitos de carácter não vão desaparecer de um dia para o outro. Explique-lhes que ele entrou num período de crescimento. Nos momentos de impaciência, peça-lhes para se lembrarem da bênção que é o facto de ele estar sóbrio.
Se você tiver resolvido com êxito os seus próprios problemas domésticos, conte à família do recém-chegado como o conseguiu. Deste modo pode pô-los no caminho certo sem se tornar crítico. A história da reconciliação com a sua mulher vale mais do que qualquer crítica.
Partindo do princípio de que estamos espiritualmente preparados, podemos fazer toda a espécie de coisas que não é suposto os alcoólicos fazerem. Têm-nos dito que não devemos frequentar sítios onde se serve álcool; não devemos ter álcool em casa; devemos evitar as pessoas que bebem; devemos evitar ver filmes com cenas em que se bebe; não devemos ir a bares; os nossos amigos devem esconder as garrafas quando vamos a casa deles; não devemos pensar nem nunca nos devem fazer pensar em álcool. A nossa experiência demonstra que isto não é necessariamente assim.
Confrontamo-nos com estas situações todos os dias. Um alcoólico incapaz de encarar isto, tem ainda uma mentalidade alcoólica; há qualquer coisa que não está bem no plano espiritual. A sua única probabilidade de ficar sóbrio seria num lugar como um glaciar da Gronelândia e, mesmo aí, poderia aparecer um esquimó com uma garrafa de whisky e estragar tudo! Basta perguntar a qualquer mulher que tenha mandado o marido para lugares distantes pensando que, deste modo, ele escaparia ao problema de álcool.
Na nossa opinião, qualquer estratagema para combater o alcoolismo que se proponha proteger a pessoa doente da tentação, está condenado ao fracasso. O alcoólico que tenta proteger-se a si próprio, pode ter êxito durante um certo tempo, mas normalmente acaba com uma explosão mais violenta do que as antecedentes. Nós experimentámos estes métodos. As tentativas para fazer o impossível fracassaram sempre.
Por isso a nossa regra não é evitar um lugar onde se beba, se houver uma razão legítima para lá estar. Isto inclui bares, nightclubs, bailes, recepções, casamentos e mesmo festas informais. Para uma pessoa que tenha convivido de perto com um alcoólico, isto pode parecer-lhe que está a tentar a Providência, mas não é.
Verá que fizemos uma reserva importante. Pergunte-se a si mesmo em cada ocasião: "Tenho ou não uma boa razão para ir a este sítio por motivos sociais, de negócios ou pessoais? Ou espero tirar indirectamente uma certa satisfação do ambiente desses sítios?". Se responder satisfatoriamente a estas perguntas, não tem nada a recear. Vá ou não, conforme lhe parecer melhor. Mas antes de partir, assegure-se de que está a pisar um terreno espiritual firme e que o seu motivo para lá ir é inteiramente justificável. Não pense no que pode tirar da situação; pense sim no que lhe pode levar. Mas, se se sentir inseguro, o melhor é ir ter com outro alcoólico!
Para quê estar com ar de mártir em sítios, onde se bebe, a suspirar pelos bons velhos tempos. Se for uma festa alegre, tente contribuir para o prazer dos que estão presentes; se for uma reunião de negócios, vá e trate dos seus com entusiasmo. Se estiver com uma pessoa que quer ir comer a um bar, não hesite em fazer-lhe companhia. Dê a perceber aos seus amigos que eles não têm de mudar de hábitos por sua causa. Na altura e lugar próprios, explique aos seus amigos por que não lhe assenta bem o álcool. Se fizer isto com seriedade, poucas pessoas lhe oferecerão bebidas. Quando bebia, ia-se afastando progressivamente da vida. Agora está a regressar para a vida social do mundo. Não comece a afastar-se outra vez só porque os seus amigos bebem álcool.
A sua função agora é estar no lugar onde é de maior utilidade para os outros, de modo que nunca hesite em ir onde possa ser útil. Não deve hesitar em ir ao sítio mais sórdido deste mundo, tendo isto em vista. Mantenha-se por estas razões na linha de fogo da vida e Deus protegê-lo-á de todo o perigo.
Muitos de nós temos álcool em casa. Precisamos dele muitas vezes para ajudar novos membros ainda recentes a aguentar os efeitos de grandes ressacas. Alguns de nós servimos álcool aos amigos, desde que não sejam alcoólicos. Outros porém, pensam que não devíamos servir álcool a ninguém. Nunca discutimos esta questão. Achamos que cada família deve decidir por si à luz das suas próprias circunstâncias.
Temos cuidado em nunca mostrar intolerância ou ódio pela bebida como um facto social. A experiência mostra-nos que uma tal atitude não ajuda ninguém. Cada um dos recém-chegados está à espera de encontrar essa atitude entre nós e fica imensamente aliviado quando percebe que não andamos na caça às bruxas. Um espírito de intolerância poderia afastar alcoólicos, cujas vidas teriam sido salvas, se não fosse por esta estupidez. Nem tão-pouco ajudaríamos deste modo a causa da temperança, porque em cada mil bebedores não haveria um único que aceitasse ouvir falar de álcool por alguém que o odeia.
Esperamos que um dia os Alcoólicos Anónimos ajudem o público a melhor tomar consciência da gravidade do problema alcoólico, mas seremos de pouca utilidade se a nossa atitude for de rancor ou hostilidade. As pessoas que bebem não a suportariam.
No fundo, fomos nós que criámos os nossos próprios problemas. As garrafas eram apenas um símbolo. Além disso, deixámos de lutar contra todos e contra tudo. Tem de ser!

O Alvorecer visto do Espaço - Conselhos

Quando a família quer ajudar e só faz atrapalhar a recuperação do dependente químico, é fundamental, para o dependente, saber lidar com tal situação. Existem famílias que mantém o dependente em regime de carcere privado, ou sob tutela absoluta, sem que se dêem conta de que estão seriamente doentes.
Quando a família se torna grosseira, ríspida, desestimulante, o codependente deve ter a mente em perfeito equilibrio para notar que seus familiares estão doentes e precisam de ajuda.
Quando seus familiares não lhe estimulam e só lhe tratam como um mero objeto, como um serviçal, escravo dos desiginios do clã, é preciso ter calma e compreender que a doença dos familiares foi adquirida de você.
Quando você nota que trancam as portas e que o regime é de inteira desconfiança, não se abale, a doença é uma preocupaçlão constante na cabeça dos que lhe cercam, portanto, evite agravar a questão e, lembre-se, tudo que você falar vai ser encarado como manipulação e você sabe que o verbo manipular tem várias conjugações e várias pessoas, tanto no singular, quanto no plural. Evite manipular e perceba quando estão lhe manipulando com tranquilidade. Não se deixe aborrecer. Releve as manipulações de terceiros. Faz parte da doença.
Não espere que confiem em você, nem espere que haja desligamento com amor e não se decepcione quando você descobre que sua vida não está mais em suas mãos e que seu destino está sendo conduzido pelos seus familiares.
Lembre-se de que você está em recuperação e que só com ajuda psicológica sua família poderá lhe ajudar. Não ache que será fácil seus familiares aceitarem que estão doentes, pois foi dificil você aceitar sua própria impotência e descontrole da sua vida.
Aos familiares caberia enxergar o que ela tem feito com você e você deve comprender o que fará qom aquilo que fazem com você.
Retomar as redeas da sua vida e voltar a geri-la vai ser um passo complicado se a família não estiver preparada para compreender que a vida de de um familiar é do familiar em recuperação.
Existem grupos e irmandades que podem ajudar a família a melhorar a questão da codependência, mas este é um processo que nem todas as famílias aceitam e desejam. Não fique como um pinguim no meio de outros dois a lhe prensarem, busque ajuda especializada e desabafe.


Se sua família foi desestruturada, sua mulher e filhos estão de um lado e você em outro, como se estivesse cumprindo pena em prisão domiciliar, não espere que os familiares reconheçam este erro, busque ajuda especializada, afinal, você não cometeu nenhum crime para viver sem liberdade, mas não espere que sua família entenda o que é a liberdade, pois, para eles, sua liberdade é usar drogas, por maior que seja o seu esforço em demonstrar o contrário. Não fique triste, nem se decepcione. Tudo se resolverá.


Quando pra você águas passadas não movem moinho, compreenda que pra seus familiares, seu passado continuará movendo-os. Essa relação é complicadissima, pois exige muito de cada uma das partes. Se ninguém compreeder que cada qual deve fazer a sua parte, a recuperação torna-se tarefa árdua.
Muitas vezes os pais, irmãos, tios e tias, preocupam-se mais com a própria vaidade e não percebem isso. Converse com seu especialista e busque o melhor conselho. Afinal, a única pessoa que você pode mudar é você mesmo.

Você entregou sua vida a um poder maior que você, entregou sua vida a Deus, conforme você o concebe. Junte isso ao seu poder superior horizontal e continue a viver só por hoje, um dia de cada vez, sempre com sobriedade. Não fuja, nem se desespere. Deus tudo proverá.
SPH
"Não desanime se todos os seus esforços forem vistos com indiferença,lembre-se que o sol ao nascer
dá um lindo espetáculo enquanto a maioria da da platéia dorme"

"Só quem sonha acordado vê o sol nascer"

Não desanime de você, ainda que a colheita de hoje não seja muito feliz.Não coloque um ponto final nas suas esperanças.Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida.Ao invés de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente, e veja o que ainda pode ser feito...A vida ainda não terminou. E já dizia o poeta "que os sonhos não envelhecem...
Vai em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões"

Não desanime jamais. Buscai entender o funcionamento da emoção e do pensamento. Seja um cientista do seu temor. Observe as forças que tendem a ti lançar contra o amor,o perdão e a auto-estima. Apavore-as com cores. Surpreenda-as da mesma forma que um maestro arranca lágrimas de Deus, pelo exemplo da compreensão.
Augusto Vicente

Quando nada mais fizer sentido, quando nada mais tiver valor para você, nao desanime, existe um DEUS la em cima que quer seu bem. E nao se deixe levar por uma tristeza, nao deixe que a raiva tome o lugar da compreenção, quando um sentimento ruim bater em você, apenas lembre que há muitas coisas boas, e que voce nao precisa ser mais um idiota, você pode ser diferente, você pode fazer a diferença.
Deborah Penido
                                                

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Deixe o passado no lugar dele

“Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...”

Minha sábia e experiente Mãe, sempre que cabe na ocasião, me repassa alguns conselhos, e dentre muitos, lembrei de um deles nesta sábado cedo. Pois todo sábado vou à feira para minha mãe, antes das oito da manhã.

E entre uma compra e outra, nas dezenas de barracas, não tinha outro assunto sem ser o jogo do Brasil que o desclassificou desta Copa do Mundo.

E foi ai que me lembrei de um dos muitos conselhos e ditos da minha Mãe, que ela diz assim: Filho, Não adianta chorar pelo leite derramado!

Se o Dunga tivesse tirado este e colocado aquele... Se tivesse posicionado este aqui e aquele ali... Se tivesse feito assim e assado... Etc...

Gente! A seleção brasileira de futebol já perdeu, já esta fora, desclassificada, já veio embora... Lamentar em troca de que? Para que? Em 2014 tem mais...

Existe um velho ditado que diz: Águas passadas não roda moinho... Outro ditado diz: Gritar por São Bento depois que a cobra morder não adianta mais... E ainda outro que diz: Quem vive de passado é museu!

Do passado podemos tirar apenas lições. Temos sempre que viver no presente construindo o futuro. É pra frente que se anda!

Lamentar o passado é perca de energia...

Relembrar o passado é sofrer duas vezes...

Tudo que é passado na nossa vida é assim... Ficamos lamentando, lamentando, lamentando, e não se ligamos que temos um futuro inteiro pela frente... Nossa vida não acabou porque algo não deu certo (ainda)...

Nem a morte nos impede de vivermos, mesmo em outro plano!

O problema é que queremos ganhar todas. Mas para ser merecedor de ganhos e méritos, temos que saber perder para valorizar o quanto vale o esforço da vitória. Nada cai do céu por nos colocarmos na qualidade de vítimas e coitadinhos do mundo!

Temos que fazer a diferença! Em tudo na vida temos que fazer a diferença... Tudo na vida é assim... Se trilharmos o mesmo caminho todos os dias, veremos as mesmas paisagens todos os dias e chegaremos ao mesmo lugar todos os dias. É fato, simples e natural!

Na Bíblia, em Mateus Cap. 08 Vers. 22 Jesus diz: Deixe os mortos enterrarem os mortos! Ou seja, passado é passado, para frente é que se anda...

Querer segurar o passado porque o passado foi bom, é viver do próprio passado. Aliás, acho que isto nem é viver, é sobreviver!

Pessoas engravidam para segurar o namorado, o noivo ou marido (Isto ainda existe...). Outros que já tem um filho e quer outro ou outros, porque com dois filhos ou mais, tem como ele segurar a esposa para ela ser eternamente dele (isto também existe...) para segura-la e não separar-se dele, pelas burradas que ele cometeu, e vai continuar cometendo, pois as atitudes equivocadas de como ele quer segurar o casamento, já dizem tudo!

Enquanto escrevia este texto, uma nobre amiga, que me tornou cara ao longo do papo, me perguntou o que eu achava do divórcio... E no mesmo instante lembrei-me do Codificador da doutrina Consoladora que nos comenta no E.S.E. XXII - "O divórcio é uma lei humana cuja finalidade é separar legalmente o que já está separado de fato. Não é contrária a Lei Natural, pois só virá reformar o que os homens já fizeram."

Viver um casamento (de aparência) em nome de um passado, é sofrimento e desgaste para ambos... A não ser que: Um resolva cuidar do outro como irmãos fraternos, até o fim de suas existências terrenas.

O passado já se foi, o amanhã é uma incerteza, então, viva o presente construindo o futuro. A maior das árvores, no passado era apenas uma minúscula semente que foi obedecendo a Lei natural de Deus!

Se entregue ao presente e faça como a árvore que produz frutos e fornece sombra de graça.

Se ficar presa no passado, será eternamente semente... E perderá a oportunidade do progresso, e de auxiliar a muitos com seus prósperos frutos e boa sombra junto ao ribeiro de águas límpidas, que poderá ser um descanso para o viajor das buscas para o alimento da alma.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... E o desfazer-se, é abrir espaço para que outras oportunidades tomem o lugar. Deixe ir embora. Solte. Desprende-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto, às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

E nosso último conselho... Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado! Se entregue 100% ao presente, deixando o passado no lugar dele... No passado!

E vamos em frente...

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Leonísio Antônio

terça-feira, 29 de junho de 2010

AA e NA pela internet

Algumas pessoas indagam: Qual é o melhor AA ou NA? eu respondo que os dois são excelentes. Quando o problema é só com o  uso de bebidas alcoólicas, evidente que Alcoólicos Anônimos é o recomendado. Quando o alcoólico é "cruzado", isto é, faz uso do álcool com adição de outro tipo de químico, o AA, ainda, no meu entendimento, é o recomendável. Contudo, nada obsta que o Alcoólico cruzado frequente o Narcóticos Anônimos. Quando o problema não envolve bebidas alcólicas, o Narcótico Anônimos é o recomendado.  
As duas irmandades existem em todo mundo e, em qualquer lugar suas portas estarão abertas para quem precisa de ajuda.  
Hoje, entretanto, atendendo a uma indagação feita por um adicto "cruzado", que não se sente seguro em sair de casa sozinho, devido sua instabilidade, informo que através da internet existem diversos grupos de AA e NA, ALANON e NARANON, com reuniões online, seja via e-mail, salas de bate-papo (chat), todas  focadas no tema especifico, ou salas de audio e video. A opção escolha depende de cada um. Cito, no momento informação que tenho sobre Alcoólicos Anônimos do Brasil, conforme dados transcritos abaixo:
"Que tal trocarmos experiências em tempo real?
Conheçam nossas Salas!
O endereço da Sala de Texto é:


Se tiver dificuldade para acessar a sala, acesse o tutorial através do link http://www.aabr-online.com.br/index.php/Informacao/sala-de-chat-texto.html e leia as orientações. Em seguida, é só clicar no botão vermelho "Entrar na sala de chat texto" e esperar a sala carregar.

O endereço da Sala de Voz é:

Deverá ser baixado o programa e na página existe um tutorial que facilitará o acesso à Sala de Voz.
As Reuniões acontecem às 22:00 horas(horário de Brasília). Durante o dia existem Plantões. A grade de horários é divulgada nesta Lista."

Boa sorte!

Caso deseje solicitar alguma informação escreva para luzdosol1900@gmail.com que a sua resposta será dada mediante post, neste Blog.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

AS 12 PROMESSAS DE Alcoólicos. Anônimos.- AABR

AS 12 PROMESSAS DE A.A.

Tema abordado na XV CONVENÇÃO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS.

1) VAMOS CONHECER UMA NOVA LIBERDADE E ALEGRIA

Esta primeira promessa se realizará para todos os membros da irmandade que seguirem os 12 Passos sugeridos para Alcoólicos Anônimos. Isto porque com a prática de tais passos, sofreremos uma verdadeira transformação em nossas vidas, deixando para trás todo o sofrimento do alcoolismo ativo. Se formos laboriosos, honestos, humildes, receberemos a graça de conhecer e vivenciar a verdadeira liberdade e a verdadeira alegria.

2) NÃO IREMOS ARREPENDER-NOS PELO PASSADO, NEM QUEIRAMOS ESQUECÊ-LO POR COMPLETO.

Mesmo que quiséssemos, não poderíamos modificar o nosso passado alcoólico, pois não nos é dado o poder de modificá-lo. Não deveremos, porém, arrepender-nos, pois será dele que tiraremos todas as lições para vivenciarmos uma vida melhor, utilizando para tanto os instrumentos que nos é facilitado pela nossa irmandade.
O passado servirá para nós como um ponto de referência para não errarmos mais. Henry Ford, certa vez observou com sabedoria que a experiência é o maior valor que a vida pode nos oferecer se estivermos dispostos a aproveitar a mesma para o nosso autocrescimento.
Cresceremos graças à disposição de encarar e retificar nossos erros, convertendo-os em vantagens. Este passado doloroso poderá ser de infinita valia para outras famílias que ainda lutam com o problema do alcoolismo.
Apeguemo-nos a este pensamento: “ Nas mãos de Deus, o passado escuro é a maior riqueza e a chave para a vida e alegria dos outros. Com ele, você poderá evitar-lhes a miséria e a morte”.

3) COMEÇAREMOS A COMPREENDER A PALAVRA “SERENIDADE” E CONHECEREMOS A “PAZ”.

Encontramos muitas pessoas em A.A., que antes pensavam como nós, que humildade era sinônimo de fraqueza. Eles nos ajudaram a nos reduzir ao nosso verdadeiro tamanho. Com seu exemplo, nos mostraram que a humildade e o intelecto poderiam ser compatíveis, contanto que colocássemos a humildade em primeiro lugar.
Quando um bêbado está com uma terrível ressaca, porque bebeu em excesso ontem, ele não pode viver bem hoje. Mas existe outro tipo de ressaca que todos nós experimentamos, bebendo ou não. É a ressaca emocional, resultado direto do acúmulo de emoções negativas de ontem e, às vezes, de hoje - raiva, medo, ciúme e outras semelhantes.
Se quisermos viver serenamente o hoje e o amanhã, sem dúvida precisaremos eliminar essas ressacas. Isso não quer dizer que precisemos perambular morbidamente pelo passado. Requer, isso sim, uma admissão e correção dos erros cometidos agora. Só assim, conheceremos a serenidade e atingiremos a paz.

4) NÃO IMPORTA QUANTO DESCEMOS NA ESCADA, POIS PODEREMOS VER O QUANTO NOSSA EXPERIÊNCIA BENEFICIARÁ A OUTROS.

Todos nós sabemos que durante a nossa atividade alcoólica, decaímos bastante na escala moral, social, financeira, familiar, etc. Contudo, atualmente, para nós, isso pouco importa, pois o que nos interessa atualmente é sabermos que a nossa experiência passada servirá para que outros não cometam os mesmos erros e consequentemente, não trilhem a mesma jornada de sofrimentos.
Nossa descida na escada servirá como farol luminoso para que outros barcos não naufraguem na mesma noite de tempestade.

5) AS SENSAÇÕES DE INUTILIDADE E AUTO PIEDADE DESAPARECERÃO.

Todo alcoólico, pela própria natureza e progressão da doença, sente-se um inútil na família, no trabalho, quando ainda o tem, e na sociedade em que vive. Dele se apodera o sentimento da autopiedade tão conhecido de todos nós. Somos os incompreendidos, as vítimas, os parias da sociedade e honestamente acreditamos que somos injustiçados, pois nada fizemos para merecer este destino.
Com o conhecimento e principalmente a prática criteriosa dos 12 Passos, com um destemido inventário moral, com a reparação dos erros cometidos, certamente deixaremos de ser inúteis e a autopiedade desaparecerá. Voltamos a ser úteis e integrados às nossas famílias, nossos trabalhos e na sociedade em que vivemos.

6) PERDEREMOS O INTERESSE PELAS COISAS EGOÍSTAS.

Egoísmo-egocentrismo. Todo alcoólico sofre este defeito de caráter. Achamos que essa é a causa de nossas dificuldades. Impulsionados por uma centena de formas de medo, auto-ilusão, interesse próprio e autopiedade, pisamos em nossos semelhantes e eles revidam. Aí descobrimos que nossas atitudes e decisões são baseadas no egocentrismo, daí o revide dessas pessoas.
Geralmente somos ambiciosos, exigentes e indiferentes ao bem estar dos outros. Se quisermos alcançar a sobriedade e combater tal defeito de caráter, nossa própria recuperação e crescimento espiritual terão que vir em primeiro lugar. Entre nós, membros de A.A. existe ainda uma grande confusão a respeito de que é material e do que é espiritual. Tudo depende de uma questão de motivo. Se usarmos nossos bens materiais de forma egoísta, então estaremos sendo materialistas.
Mas, se usarmos para ajudar os outros, então o material ajuda o espiritual. Havendo discernimento quanto a tudo isso, deixaremos de lado o egoísmo e passaremos a dar a nossos atos a amplitude de atos altruístas, sempre visando o bem do próximo e conseqüentemente o bem comum.

7) GANHAREMOS INTERESSE PELOS NOSSOS SEMELHANTES.

A.A. é mais que um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação. Precisaremos levar a mensagem, caso contrário, nós mesmos poderemos recair e aqueles, a quem não foi dada a verdade podem perecer. Deveremos compartilhar a Fé
reencontrada com outros. O que se pode dizer de muitos membros de A.A. que, por muitas razões, não podem constituir família?
No inicio muitos deles se sentem sozinhos, magoados e abandonados, quando vêem tanta felicidade conjugal ao seu redor.
Se não pode ter este tipo de felicidade, A.A. pode lhes oferecer satisfações igualmente válidas e duradouras. Basta tentar arduamente procurá-las.
Cercados de tantos amigos A.As., os chamados "solitários" não se sentirão mais sós. Em companhia de outros homens e mulheres, podem se dedicar a inúmeros ideais, pessoas e projetos construtivos. Todos os dias vemos esses membros que ganharam interesses pelos seus semelhantes prestarem relevantes serviços e receberem, de volta grandes alegrias.
À medida que progredimos espiritualmente e nos sentimos emocionalmente seguros passaremos a desenvolver o hábito de viver em sociedade ou fraternidade com todos os que nos cercam. Quando passarmos a dar de nós mesmos, sem esperar nada em troca, descobriremos que as pessoas serão atraídas para nós como nunca foram antes.

8) VAI MUDAR NOSSA ATITUDE E NOSSO MODO DE ENFRENTAR A VIDA.

Com o nosso progresso advindo da prática criteriosa dos 12 PASSOS, sentiremos as mudanças acontecerem em nossa vida como que por milagre. As atitudes negativas, ou defeitos de caráter que tanto nos caracterizaram no passado serão substituídos por atitudes positivas, revitalização de vida, prática de virtudes antes impensadas. Com relação ao nosso alcoolismo, se vier alguma tentação, dela nos afastaremos como se fosse uma chama quente. Reagiremos com inteligência e constataremos que isto acontece automaticamente. Veremos que nossa atitude face ao álcool nos foi dada sem ter que pensar ou fazer qualquer esforço. Simplesmente, veio! Aí está o milagre.
Não estamos lutando contra o álcool, nem evitando a tentação. Fomos colocados, seguros e protegidos, numa posição de neutralidade. O problema foi simplesmente resolvido.

9) MEDO DE GENTE E A INSEGURANÇA FINANCEIRA NOS DEIXARÁ.

No alcoolismo ativo nos embriagávamos para afogar nossos sentimentos de medo, frustração e depressão. Sem dúvida, o depressivo e o arrogante são personalidades que A.A. e o mundo possuem em abundância.
Nós de A.A. vivemos num mundo caracterizado por medos destrutivos, como nunca houve na história. Em seu inventário praticado constantemente o alcoólico deverá tentar corrigir suas principais falhas humanas ou defeitos de caráter: orgulho, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Aos poucos e com muita paciência, vai conseguindo êxito em sua empreitada.
Cada vez mais perderemos o medo de gente, voltaremos a nos socializar; nossa vida financeira voltará a se organizar, como conseqüência de nossa mudança e de nosso progresso dentro da irmandade. Ao sentirmos a força da espiritualidade apoderar-se de nós, ao desfrutar da paz de espírito, ao descobrir que poderíamos enfrentar a vida com êxito, ao ficar conscientes da presença de Deus, começamos a perder o medo do hoje, do amanhã e do futuro. Nascemos de novo.

10) INTUITIVAMENTE, SABEREMOS CONTORNAR AS SITUAÇÕES QUE ANTES NOS DEIXAVAM PERPLEXOS.

Com a prática dos passos veremos que temos que dar continuidade ao inventário pessoal e corrigir novos erros por ventura cometidos. Entramos no mundo do Espírito. Nossa próxima função é crescer em compreensão e valor. Isto não acontece de um dia para outro.
Deverá continuar para toda vida. Se os defeitos de caráter por ventura insistirem em voltar, pediremos imediatamente a Deus que os remova. Discutiremos tais problemas com outras pessoas e se causamos danos vamos repará-los na hora.
Aí está o milagre. Não estaremos lutando contra nada, nem evitando a tentação, fomos colocados em uma posição de neutralidade, seguros e protegidos. Os problemas foram simplesmente removidos. Não existem para nós. Não estaremos nem orgulhosos, nem medrosos.
Assim reagiremos enquanto nos mantivermos em boas condições espirituais. Contornaremos com intuição as situações que antes nos deixavam absortos e perplexos.

11) DE REPENTE, RECONHECEREMOS QUE DEUS ESTÁ FAZENDO POR NÓS O QUE NÃO PODÍAMOS FAZER SOZINHOS.

Descobriremos que temos uma prorrogação diária do nosso problema e esta prorrogação depende da manutenção de nossa condição espiritual. Cada dia é um dia em que devemos levar a visão da vontade de Deus a todas as nossas atividades. "Como posso servi-lo melhor? Sua vontade e não a minha seja feita". Estes são os pensamentos que devem nos acompanhar constantemente. Podemos exercer nossa força de vontade nestes termos.
O 11° Passo nos sugere a meditação e a oração. Homens melhores que nós as utilizaram constantemente. E funciona, sempre que tenhamos a atitude correta.
Agindo assim, de repente reconheceremos que Deus suprirá nossas deficiências e fará por nós aquilo que não podemos fazer sozinhos.

12) ESTAS PROMESSAS SÃO EXTRAVAGANTES? ACHAMOS QUE NÃO. ESTÃO SENDO REALIZADAS ENTRE NÓS, ÀS VEZES RAPIDAMENTE, E OUTRAS MAIS DEVAGAR, MAS SEMPRE SE REALIZARÃO SE TRABALHARMOS POR ELAS.

Praticando conscientemente os Passos chegaremos à hora que teremos que transmitir a mensagem e praticarmos os princípios neles contidos em todas as nossas atividades. O prazer de viver será o nosso tema e a Ação será a palavra chave. Teremos que experimentar o dar pelo dar, isto é, nada pedindo em troca.
Teremos que levar nossa mensagem ao alcoólico ainda sofredor. Agindo assim estaremos contribuindo para que todas as promessas, aqui enunciadas, deixem de ser meras promessas e se transforme na mais concreta realidade. Concluímos dizendo que a chave para a concretização das 12 Promessas, é a prática ininterrupta dos 12 Passos. Estes realizam aqueles. (Fim)

Fontes:
- AABR
- Livro Alcoólicos Anônimos
- Livro 12 Passos
- Livro Na Opinião de Bill.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Dilma contra o crack

Revista Época divulga:


Na sua primeira entrevista como candidada oficial do PT à presidência, em fevereiro, Dilma Rousseff falou à revista ÉPOCA sobre sua grande preocupação com o crack, droga que se alastra pelo país: “Não acho que podemos tratar da droga com descriminalização. Estou muito preocupada com o crack. Crack mata, é muito barato e está entrando em toda periferia e nas pequenas cidades”, disse.
Em entrevistas para outros veículos impressos, no rádio e na TV, como na conversa com o apresentador José Luiz Datena, Dilma voltou a falar sobre crack. Seu posicionamento, a promessa de “enfrentar essa ameaça com autoridade, carinho e apoio”, também aparece no site da candidata. E agora, reaparece constantemente na TV, numa propaganda política veiculada desde o Dia das Mães. Cercada por outras mulheres, Dilma convoca a sociedade para “vencer a luta” contra o crack (assista ao vídeo abaixo)



Dilma e as Mulheres no combate as drogas




Candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, apontou ontem (8) a necessidade de uma mobilização nacional contra as drogas, para impedir que a juventude seja destruída, e conclamou as mulheres a liderarem esse movimento.
Ao discursar durante o encontro nacional em que o PCdoB ratificou apoio à sua candidatura, Dilma se posicionou contra a descriminalização das drogas, defendida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, entre outros, e atribuiu essa proposta ao que chamou de falso liberalismo. ”Não há lugar mais para o charme traiçoeiro de um falso liberalismo que se contenta com a pregação da descriminalização da droga diante do crack”.
Para Dilma, o Brasil precisa combater firmemente, com repressão, terapia e prevenção, o tráfico e o consumo de drogas, porque ameaçam a juventude.“Esse é um pesadelo que a sociedade brasileira tem que afastar. Vejam o caso do crack, que é inimigo número 1 da sociedade. Não podemos, não devemos e não vamos permitir que nossa juventude seja destruída. Precisamos mobilizar o país nessa luta”, afirmou a pré-candidata petista para, logo, conclamar as mulheres a esse movimento.
“Nós mulheres temos que assumir a liderança desse processo. Precisamos estar no centro do movimento nacional contra a destruição da nossa juventude pelas drogas”. No pronunciamento que dirigiu especialmente às mulheres e aos jovens, que formam parte expressiva da militância do PCdoB, a pré-candidata petista criticou o uso de forças policiais, pelo Governo José Serra (PSDB), contra os professores paulistas.
“Temos que continuar melhorando a qualificação e remuneração dos professores, ampliando as conquistas trazidas por este governo e, sobretudo, jamais saindo às ruas ou colocando a polícia nas ruas para bater em professores”.
Sem medo de debate

O encontro nacional do PCdoB foi aberto, em Brasília, com o anúncio do presidente do partido, Renato Rabelo, de que o comitê central decidiu, por unanimidade, apoiar a candidatura de Dilma.
“Anuncio entusiasticamente que, em votação unânime do principal órgão do PCdoB, seu comitê central, decidimos pelo apoio à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República”.
Em seu discurso, o dirigente comunista acentuou as diferenças entre o projeto representado pela candidatura de Dilma e o da oposição liderada pelo ex-ministro do Governo Fernando Henrique e ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB).
 “O Brasil, sob a liderança do tucanato, estava inadimplente, quebrou três vezes, tivemos um racionamento de energia por longo tempo. Era um país tutelado de forma draconiana pelo FMI. Não é por acaso que a oposição foge, como o diabo foge da cruz, de apresentar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”.
O presidente Lula também atacou as oposições. Mas, sobretudo, instigou e encorajou a militância do PCdoB a debater o projeto de seu governo.   “Se depender dos times que estão em campo, nunca tivemos uma campanha tão fácil. Não é porque nossos adversários são fracos. É porque somos mais fortes. Não temos que ter medo de debater nada”.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Leia por favor essa matéria!


Dilma, leia por favor essa matéria! Salvemos nossas crianças!

Psicóloga conta dia a dia do crack
RIO - M.S.,12 anos. Na busca pelo crack, foi violentada por seis homens e teve de fazer cirurgia para reconstituir a genitália.
P.F., 15 anos. Com baixa imunidade por fumar crack, contraiu tuberculose.
V.S., 17 anos. Contaminada pelo vírus HIV na rotina de trocar o corpo por uma pedra da droga.
Histórias chocantes como essas fazem parte do cotidiano profissional da psicóloga Marise Ramôa, supervisora da Embaixada da Liberdade, em Manguinhos – da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) –, que atende jovens viciados em crack.
Há 16 anos fazendo um trabalho de assistência à crianças e adolescentes dependentes de drogas, ela se sente uma espécie de ‘mãezona’ dessa nova geração de viciados, em crack. Rotina que incorporou à vida particular.
– Estou muito implicada nessa causa. São histórias que mexem com a gente. O caso dessa menina de 12 anos me chocou muito – admite Marise, que tem duas filhas. – Faço esse trabalho com amor, como se fossem meus filhos, também.
A supervisora da Embaixada assiste a jovens dependentes desde 1994, até assumir a função na entidade da SMAS.
– Tenho prazer de estar com eles, que buscam a mão amiga, um horizonte para se livrarem do vício.
Marise faz questão de mergulhar na intimidade dos jovens, atendidos diariamente pela instituição, em Manguinhos.
– Essa epidemia de crack, que se alastra pelo Brasil, é retrato do descaso da sociedade, que produz o abandono desses jovens – entende a psicóloga do Núcleo de Direitos Humanos da Subsecretaria de Proteção Especial da SMAS.
Segundo ela, os jovens fazem uso de crack como forma de autoafirmação, por carência afetiva junto à família e até como uma atitude de autodefesa por causa da exclusão social.
– Mas, no fundo, é demonstração de que estão sofrendo porque as consequências são sempre danosas para usuários de crack, principalmente, os menores – explica a psicóloga.
Em apenas cinco meses, 698 menores assistidos
A epidemia de crack no Brasil começou em 2000. Uma bola de neve que cresce a cada mês. A maior prova disso é o constante aumento de atendimentos feitos pela Embaixada da Liberdade.
Criada em 21 de dezembro de 2009, a entidade já acolheu quase 700 jovens dependentes de crack. De janeiro a maio, foram 698 os casos: janeiro (85), fevereiro (114), março (159), abril (187) e maio (153).
Além de profissionais especializados, a entidade dispõe de alojamentos, oficinas de artesanato, pintura, desenho, grafite, salão e oficina de beleza.
– Muitos batem à nossa porta – lembra Marise Ramôa. – Lá, vivem uma rotina de prazer com atividades lúdicas e lazer. Se comportam como crianças e adolescentes . José Luiz de Pinho, Jornal do Brasil,21:13 - 13/06/2010, Postado por Kelly Girão

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Autodestrutividade, Eros, Libido, Instinto de morte


Dizem que se não provocarmos as pessoas a pensar elas continuarão agindo como autômatos. Esta frase é bem interessante pois é assim que reparo muitas pessoas que passam a caminho do trabalho. Parecem tão mecânicos os movimentos e, até mesmo os sorrisos. Pelo menos, por serem automatos, não sofrem, eis uma vantagem de ser tal qual um robô. Mas vamos ao que escrevi sobre autodestrutividade sob inspiração freudiana:


Freud, em A Mente e seu Funcionamento, trata do aparelho psíquico, e passa a denominar a energia total disponível em EROS, como libido. Essa energia, presente no ego-id, ainda indiferenciado, "serve para neutralizar as tendências destrutivas que estão simultaneamente presentes".  Freud, diz não dispor de palavra análoga à libido para descrever a energia do instinto destrutivo, cujas vicissitudes são mais difíceis que as da libido.

Este instinto destrutivo nada mais é do que o instinto da morte, que é silencioso e só desperta atenção quando se exterioriza. Esse desvio de dentro para fora tem componentes que parecem servir a auto-preservação e, como toda moeda tem dois lados, podemos ter o instinto auto-destrutivo. O instinto da morte poderia ser denominado, em alguns casos, como instinto de sobrevivência, o que parece  contraditório. No caso, poderíamos dizer que o estado de necessidade existente em um individuo qualquer pode aflorar o instinto da morte, determinando ao necessitado o componente de violência necessário para buscar sua preservação. A dosagem, adequação e inadequação deste componente varia de individuo a individuo e depende das circunstâncias que envolve cada necessitado. O estado de necessidade não ficaria tão somente no campo das necessidades primárias humanas, mas se estenderia ao campo da alma. O desamor, a solidão, a indiferença, desprezo, horror, rejeição, exclusão, impotência, isolamento e tantas coisas mais, afetam a psique individual. Quer objetiva, quer subjetivamente, despertando no ser o instinto de morte, que pode ser o da auto-preservação, como da auto-destruição.

Baixa-auto-estima, falta de amor próprio, descuido e desprezo consigo mesmo são sinais evidentes da exteriorização do instinto destrutivo que existe em cada ser vivo. As razões que levaram alguém a chegar a tal estado, não vem ao caso, neste momento.

O despertar do superego despeja considerável quantidade de instinto agressivo, que se fixa no interior do ego e, é nesta região do aparelho mental que tal instinto se opera de modo autodestrutivo.

Para Freud "este é um dos perigos para a saúde com que os seres humanos se defrontam em seu caminho para o desenvolvimento cultural". Conter a agressividade é, de modo geral, "nocivo e conduz à doença (à mortificação)."  Vejamos a razão:

"Uma pessoa num acesso de raiva, com frequência demonstra como a transição da agressividade, que foi impedida, para a autodestrutividade, é ocasionada pelo desvio da agressividade contra si própria: arranca os cabelos ou esmurra a face, embora, evidentemente, tivesse preferido aplicar esse tratamento a outrem."

É muito interessante ler e entender Freud, através de exemplos. Imagine a agressividade reprimida transformando-se em autodestrutividade.

Aquele cabelo arrancado da própria cabeça era o cabelo de uma outra pessoa que deveria ter sido arrancado? Como a pessoa não pode e não deve arrancar o cabelo de outrem, que lhe causou algum mal, canaliza a agressividade contra si mesmo, sob a forma autodestrutiva.

Deve ser muito doloroso este processo para quem o experimenta. Imagino usuários de drogas, pessoas que se auto-flagelam, relações sado-masoquistas, pessoas deprimidas, a mulher raivosa e, até mesmo, o aparecimento de doenças auto-imunes, além de  predispor o organismo ao surgimento de determinados tipos de tumor; mas isto é apenas uma hipótese, nada mais que uma hipótese, minha, que deixo no ar para que alguém,  com deseje de explorar este terreno, desenvolvendo-o, transforme este rascunho em um trabalho alicerçado científicamente. 

Só por hoje!

OBS.: Mais tarde o Instinto da morte passaria a ser denominado como .tanatos - Med. Em psicanálise significa instinto de morte, postulado por Sigmund Freud, em oposição a Eros, ou instinto de vida; o termo adv...

Eros
s.m. Psicanálise Conjunto das tendências sexuais e dos desejos delas resultantes: o eros individual fornece muitas vezes a explicação dos sonhos. &151; Divindade do amor, entre os gregos. Representado com traços de uma criança. (V. PSIQUE.)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Lema do Psicodrama, Jacob Levy Moreno

LEMA DO PSICODRAMA
Jacob Levy Moreno
"Um Encontro de dois:
olhos nos olhos,
 face a face.

 E quando estiveres perto,
arrancar-te-ei os olhos e
 colocá-los-ei no lugar dos meus;

 E arrancarei meus olhos
 para colocá-los no lugar dos teus;

 Então ver-te-ei com os teus olhos
 e tu ver-me-ás com os meus"

Este famoso lema do psicodrama foi publicado no Jornal Tribuna da Bahia, em Setembro de 1977 e ficou guardado na memória durante 33 anos. Entretanto, pouco sei do seu autor. 
O arrancar e trocar de olhos parece ser de extrema rudez, mas é exatamente isso que o autor busca transmitir de modo enfático. 
Julgar o próximo parece ser algo fácil, lugar comum, hoje em dia. Ponha-se diante de um espelho e se olhe com seus próprios olhos. A biblia reza que os olhos são a lâmpada do corpo. Será? Não tenho dúvida quanto a esta assertiva divina.

Parece tarefa dificil enxergar o semelhante com outros olhos, que não aqueles, impregnados por sentimentos, igualmente rudes, cheios de regras, sentenças, conceitos, preconceitos, opiniões formadas, valores e juízos. È por isso que ao ver alguém incidindo no que considero um erro, penso e digo pra mim mesmo: é um erro humano, como permanecer no erro também o é. Não nasci pra julgar ninguém.

Dizem que é no silêncio das nossas consciências que Deus nos espera. Enquanto isso, espero novos olhares, mais humanos e menos rudes. Não preciso me olhar no espelho, no espelho da vida quem eu vejo, com seus olhos, é você amigo(a) leitor(a).

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