quarta-feira, 21 de setembro de 2011

" O QUE É SERENIDADE! ", Dr. Reinhold Niebuhr

O termo é definido de varias maneiras: a calma, o sossego, a paz, e tranqüilidade, a paz da mente, o equilíbrio emocional, o estado não perturbado, o sangue frio e o domínio de si mesmo. Contudo, do ponto de vista prático, talvez a melhor definição seria "a capacidade de viver em paz com os problemas não resolvidos".

A Oração da Serenidade fala em "aceitar as coisas que não podemos modificar". A ACEITAÇÃO não deve ser confundida com a concordância. Nem sempre concordamos, ou gostamos com o modo como as coisas acontecem ou são conduzidas a nossa volta, temos este direito. Temos o direito de escolher nossos gostos e opiniões, como todas as pessoas o têm; mas temos obrigação de respeitar quem é, sente e pensa diferente de nós outros e vice-versa.

Em muitos momentos é possível que seja verdade que estejamos coerentes e certos em nossas posições, mas muitas vezes isto contribui pouco ou quase em nada para mudar a realidade a nossa volta . O quê fazer então?

Entregar-se a sentimentos oriundos da contraridedade, como a raiva, a revolta e sentimentos de revanchismo?

Em A.A. nós entendemos que é nesse momento que devemos lançar mão da ORAÇÃO da SERENIDADE. Talvez possamos dizer que o resultado da prática da ORAÇÃO da SERENIDADE seja o DESLIGAMENTO EMOCIONAL dos fatos, coisas e pessoas que não podemos modificar.

Mas é preciso compreender que ACEITAÇÃO não é indiferença. A indiferença deixa de distinguir entre as coisas que podem e as que não podem ser mudadas. A indiferença paralisa a INICIATIVA para que modifiquemos as coisas que podemos.

A aceitação libera a iniciativa, aliviando-a das "cargas impossíveis", transferindo o foco da ação para o "possível".

A ACEITAÇÃO é um ato do LIVRE ARBÍTRIO, mas, para ser eficaz, requer a CORAGEM moral de se persistir apesar do problema imutável. A aceitação liberta o aceitante, rompendo-lhe as cadeias da auto piedade.

Uma vez que aceitamos o que não pode ser modificado, ficamos livres emocionalmente e psicologicamente para nos empenhar em novas atividades..

Foi dito que uma mente imatura procura um mundo idealístico. Queiramos ou não, precisamos encarar o mundo da realidade e aceitar a vida tal qual ela é, com todas as suas crueldades e inconsistências.

Talvez, em última análise, o inicio da SABEDORIA esteja na simples admissão de que as coisas nem sempre são como queríamos que fossem.

E que nós mesmos somos imperfeitos e não tão bondosos e trabalhadores quanto gostaríamos de ser.

Oração da Serenidade

Concedei-nos Senhor a Serenidade necessária,
para Aceitar as coisas que não podemos modificar;
Coragem para modificar aquelas que podemos;
e Sabedoria para distinguir umas das outras.



Dr. Reinhold Niebuhr
Vivência Nº 22 - Outubro/Novembro/Dezembro 1992
Que o PS conceda-nos infinitas 24 Horas. SÓ POR HOJE!
Luizsereno

Gratidão gera confiança

No livro Insights into excellence [Critérios de excelência], o palestrante norte-americano Charles Plumb conta uma história muito bonita.
Ele era piloto de bombardeiro na guerra do Vietnã. Depois de mais de 85 missões de combate, uma semana antes de voltar para casa, seu avião foi derrubado por um míssil. Plumb saltou de pára-quedas, foi capturado e passou seis anos numa prisão norte-vietnamita.
Ao retornar aos Estados Unidos, passou a dar palestras relatando sua odisséia e o que aprendera na prisão.
Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem:
- Olá, você é Charles Plumb, que era piloto no Vietnã e foi derrubado, não é mesmo?
- Sim, como sabe? Nós nos conhecemos? — pergun­tou Plumb.
— Sim e não... Era eu quem dobrava seu pára-quedas. E me parece que ele funcionou bem, não é verdade?
Plumb quase sufocou de surpresa. Com muita gratidão, respondeu:
— Claro que funcionou! Afinal, é por isso que estou aqui hoje.
Ao ficar sozinho naquela noite, Plumb não conseguiu dormir pensando no que ocorreria no restaurante e se perguntando: "Quantas vezes vi esse homem no porta-aviões e nunca lhe disse bom dia? Eu era um piloto arro­gante e ele um simples marinheiro".
Pensou também nas horas em que o marinheiro passara humildemente no barco, enrolando os fios de seda de vários pára-quedas, tendo nas mãos a vida de pessoas que nem ao menos conhecia.
Depois disso, Plumb passou a iniciar suas palestras per­guntando à platéia: "Você sabe quem dobrou seu pára-que­das hoje?"
Você já pensou em quantas pessoas trabalham para que você possa estar vivendo este momento de sua vida? Con­vido você a telefonar para uma dessas pessoas e simples­mente dizer a ela: "Obrigado por dobrar meu pára-quedas!"
Gratidão gera segurança. Um vínculo de gratidão cria confiança extra entre as pessoas envolvidas por esse sen­timento.
Infelizmente, muita gente hoje em dia tem o hábito de cuspir no prato em que comeu. Para elas, as pessoas são apenas degraus de uma escada que têm de subir para ga­nhar poder. Todos à sua volta são vistos como simples motoristas para levá-las ao sucesso. Jogam fora as pessoas de seu passado como se fossem lixo descartável.
As pessoas que descartam os outros, sem dor na cons­ciência, criam apenas relacionamentos de interesse. Aos poucos viverão a angústia de perceber que elas também se tornam descartáveis para os outros.
Mas sabemos que você é diferente, que tem o coração grande. Por isso, pegue o telefone agora mesmo e faça al­gumas ligações para essas pessoas que pavimentam as estradas em que você caminha. E, do fundo do coração, agradeça por tudo que elas têm feito por você.

Fonte: ROBERTO SHINYASHIKI, Trecho do livro "A CORAGEM DE CONFIAR, O MEDO É O SEU PIOR INIMIGO". Editora Gente

"Só sei que nada sei"

Li, faz algum tempo, que muitas vezes imaginamos conhecer todas as respostas, ai vem a vida e muda todas as perguntas. Quem sabe tudo não sabe nada. Talvez o fato de sermos eternos aprendizes tenha levado Sócrates àquela sentença que reza "só sei que nada sei". Verificando dados estatísticos parece que os adictos vivem numa roda-gigante, num eterno sobe e desce, girando até chegar o momento de pegar a pista. Os ensinamentos de Alcoólicos Anônimos, da sua literatura, que serviu de espelho para o NA, contem muita sapiência. O despertar espiritual parece algo simples e é mas não chega num simples estalar de dedos. 
Literatura é sempre uma surpresa. Com uma certa idade um simples conto de fadas nos revela uma mensagem superficial, mas, com o passar dos anos, relendo o que julgamos ser "água com açúcar" verificamos muito mais coisas. Tenho uma amiga, Dorothy, cuja história de vida se encaixa na história do mágico de Oz por isso é que a chamo de Dorothy. Na vida real existem tantas gatas borralheiras, tantas cinderelas, bruxas, mulheres invejosas, um lobo mau, uma inocente chapeuzinho, uma Rapunzel, dificil é arrumar sete anões, mas até estes seres podem ter uma outra significação. Muitas vezes é necessário transceder, ir além, viajar na estória e verificar o quanto guardam em sabedoria que desdenhamos. 
Há, em o Pequeno Príncipe, muitos lances adultos, muitas analogias, alegorias, relações de dependência e até codependência. A Bíblia não canso de ler e cada vez que leio há novos ensinamentos a extrair da leitura. As leituras da literatura do AA e do NA é assim, sempre trazem algo novo que julgávamos compreender. Pura ilusão. Tenho que ter a mente aberta, humildade para reconhecer isto com boa vontade. Antes dessa minha recaída, que considerei muito mais uma queda moral do que qualquer outra coisa eu escrevi coisas que indicavam exatamente a possibilidade de recaída e fiquei preso à síndrome do confinamento. Fui descuidado, desprezei leituras, achei que sabia demais. Enfim, errei. Agora é prosseguir minha jornada diária procedendo revisões e, ainda assim, sei que não estou livre de recaídas.
Tenho que aceitar as agressões de presunçosos, analfabetos em adicção e em codependencia, porque acham que sabem tudo e acham que adicção é descaração. Hoje compreendo muito mais o amor e a vaidade humana e sei que, muitas vezes, a vaidade se sobrepõe ao amor e passa a ditar absurdos.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Audiência, preferências do leitor

Estive examinando as estatísticas do blogger para este blog e pude verificar que a maioria absoluta dos leitores do mesmo estão inclinadas à leitura de textos de AA e bem menos de NA. Refiro-me ao que notei de relevante para análise. Pelo google analytics só há uma taxa de rejeição que considero alta e que os blogueiros mais experientes dizem que chegar a uma taxa de 56% de rejeição está bom demais. Entretanto, os detalhes desta rejeição relacionam-se a atividades comerciais, que este blog não possui. Aquele lance de colocar links que retiram o leitor do blog, não deve ser bom e, para mim, isso importaria para ampliar a taxa de rejeição. O Estado de São Paulo é campeão em acessos. O blog alcançou todos os estados nacionais. Outros dados relevantes é que, o perfil do frequentador do blog é o do adicto em busca de informação. Eles não buscam relatos pessoais. Salvo uma "Carta de um ex-drogado" que entra na parada de sucesso, com grande audiência. Nesta semana, isto é, nestes últimos 7 dias, os artigos mais lidos, por ordem, foram: "A mudança, viver SÓBRIO", "Do Livro Viver Sóbrio", "Vá com Calma", "Reflexão Diária de AA" e "Meditação Diária de NA". Isso me faz crer que a presença dos Alcoólicos, no blog, é muito significativa. Durante o ano vence a "Carta de um ex-drogado", seguido, por ordem decrescente dos artigos: "Como é o Crack"; "Nova Droga Produzida na Russia"; Qual a droga mais perigosa do mundo" e "Reflexão do dia" dos Alcoólicos anônimos. Há uma certa curiosidade sobre drogas e se eu fosse um sujeito interessado em mudar de linha, só para obter mais audiência, cairia no sensacionalismo e, buscaria atender à demanda dos alcoólicos e familiares destes. A grande surpresa de hoje foi o artigo "Gilbert, um Bullying" que entrou no top de leitura. Trata-se de um excepcional que era muito massacrado pelo falso machismo de muita gente e pela agressividade consentida de um Pastor contra o pobre excepcional. Aliás, eu deveria denunciar este caso a APAE para as devidas providências. O caso também merecia enquadramentos outros vinculados ao mundo dos gays, vez que o Gilbert era vítima de homofobia, o que é considerado crime. Sei que parece burrice, mas não irei mudar a linha do blog. Sei que muita gente gostaria de saber muitas coisas de ordem pessoal, mas nem tudo pode ser dito. É complicado falar a verdade e, ao final das contas, drogas, consumo de drogas, leva ao tráfico e não convém entrar no terreno policial. Chego até onde posso chegar. Poderia alertar os pais com relação aos seus filhos, de ambos os sexos. Poderia falar sobre a exploração sexual, a promiscuidade e outras coisas mais, a razão dos pés doloridos, do corpo moído, do sono restaurador. De como é a noite, mas tudo esbarra em entraves éticos. Seria bom, mas não posso fazer isso. Escrevo de improviso, numa penada só, de modo que muitas vezes eu perco o freio e isso não é nada bom. Cometo desatinos. Minha autenticidade me põe, muitas vezes, numa posição pouco inteligente. Mas, enfim, rendo-me as evidências e sinto-me ligeiramente frustrado.

" O EGO E SUAS MANIFESTAÇÕES "


No Quinto Passo de A.A. encontramos um componente essencial do Programa de Recuperação, ele nos alerta para o fato de que: "todos os Doze Passos nos pedem para atuar em sentido contrário aos desejos naturais, todos desinflam nosso ego" . 

Uma profunda deflação do ego foi o caminho indicado ainda no final dos anos 20 pelo eminente Dr. Carl Jung a um alcoólico que o procurou buscando solução para o seu gravíssimo problema. Dizia esse médico "...reconheça a sua impotência pessoal e que se entregue ao Deus que você pensa existir. Terá que tentar isso, é a sua única saída" . Essa deflação do ego é atualmente a pedra angular dos princípios de A.A. 

Nesse mesmo sentido o Dr. Tiebout destaca dois fatores essenciais à manutenção da sobriedade, ambos emanados do anonimato conforme suas palavras, duas faces da mesma moeda: primeiro a preservação de um ego reduzido, segundo a presença contínua de humildade ou simplicidade.

Com efeito a Tradição de A.A. coloca o anonimato como "o alicerce espiritual das nossas Tradições" vindo daí a inevitável conclusão de que é preciso "colocar os princípios acima das personalidades" .

Segundo o autor esse ego não é um conceito intelectual, mas sim um estado de sentimento ? uma sensação de importância ? diríamos uma necessidade de ser especial . Vemos hoje por aí afora pessoas tentando ser especiais, e mesmo em nossa irmandade quantas vezes queremos ser especiais pelos mais variados motivos. Aprendemos em A.A. sobre o risco de bajular um alcoólico com honrarias e louvores e por isto evitamos o culto à personalidade. A realimentação do ego é fatal para nós bebedores em recuperação. 

A Segunda Tradição traz em seu enunciado um antídoto para essa ameaça ao definir que os nossos líderes são apenas servidores de confiança, não tendo poderes para governar.

Portanto, a nossa experiência demonstra que em todos os aspectos da recuperação precisamos manter uma atitude de permanente defesa contra a exacerbação do ego e o serviço em A.A. deve ser uma forma de crescimento espiritual, jamais meio de afirmação pessoal.

Outro aspecto preocupante nos dias atuais foi abordado pelo Dr. Tibeout no artigo que ora compartilhamos. Trata-se da prática infelizmente ainda hoje existente de comemorar-se tempo de sobriedade com bolos e acrescentaríamos, festas. Tomemos as palavras do eminente médico sobre esses episódios acontecidos, segundo ele, nos primeiros dias de nossa então florescente irmandade:

"Uma olhada ao que aconteceu nos mostra o egoísmo, como eu o vejo, em ação. Em primeiro lugar, a pessoa que esteve sóbria por um ano inteiro, tornou-se um exemplo, algo para se admirar. Seu ego naturalmente se expandiu, seu orgulho floresceu e qualquer diminuição de egoísmo, obtida anteriormente, desapareceu. Tendo sua confiança renovada, acabou por tomar um drinque. Tinha sido considerada especial, e reagiu de acordo. Depois, essa parte especial se esvaiu. Nenhum ego é alimentado, estando na condição de lugar comum, e desse modo, o problema de ego desaparece.
Hoje A.A., na prática, está bem consciente do perigo de se bajular alguém com honrarias e louvores. Os riscos da realimentação do ego são reconhecidos. A frase `servidor de confiança constitui-se num esforço para manter baixo o nível do egoísmo, embora alguns servidores tenham problema nesse particular" 

Definido como um estado da mente, o egoísmo tira o indivíduo da sua condição de mero participante do contingente da humanidade para alçá-lo à condição de ser especial, conseqüentemente, diferente. A insistência de A.A. no princípio do anonimato individual, tem fundamental importância como antídoto natural para a forte tendência dos alcoólicos em sentirem-se especiais, levando-os para uma região distante da verdadeira humildade, por conseguinte, colocando-os muito próximo da perigosa zona de hiperinflação do ego.

Por outro lado o ego pode levar o indivíduo ao extremo oposto do "sentir-se especial", mergulhando no pântano da autopiedade por não conseguir suportar ou admitir as suas falhas, fraquezas e impotências. O sentimento de inferioridade dele se apossa fazendo-o sentir-se inferior, o último dos mortais, incapaz de alçar seus vôos de grandeza e superioridade.

Em nossa Sexta Tradição encontramos a síntese desses dois aspectos ao lembrar-nos que: "...a maioria dos alcoólicos não passa de idealistas falidos. Quase todos dentre nós tínhamos desejado fazer um grande bem, praticar atos, personificar grandes ideais. Somos todos perfeccionistas que, à falta da perfeição, nos bandeamos para o extremo oposto e aderimos à garrafa e à escuridão". 

Aceitar ser o "nada", caminhar no sentido contrário aos desejos naturais, eis o problema de muitas pessoas. Porém, aprender a agir como um nada é entender a importância de ser um simples indivíduo, cidadão do dia-a-dia, integrado à raça humana e fundamentalmente anônimo. Atingir esse nível de compreensão permite desenvolver, aí sim, a verdadeira individualidade, que permite viver uma vida não circunscrita a fatos e circunstâncias, mas estar pronto para aceitar as adversidades como oportunidade para crescimento. Vivendo e deixando viver, livre das injunções do perfeccionismo e das auto-cobranças. Vivendo o hoje intensamente com alegria, plena satisfação consigo mesmo e a certeza de que é capaz de viver um dia por vez. Em A.A. conhecemos esse programa como o plano das vinte e quatro horas, que nos permite construir hoje o nosso amanhã, portanto, sem nos preocuparmos com ele.

Que o anonimato continue sendo o manto protetor de nossa irmandade, proteção contra o ego e suas devastadoras manifestações, permitindo que em A.A. cada indivíduo sinta-se apenas mais um, assimilando o sentimento de "eu não sou nada de especial", assim buscando a verdadeira humildade, salvaguarda contra futuros problemas com relação ao álcool.


"Compreendo o motivo pelo qual você se espanta ao ouvir alguns oradores de A.A. dizerem: `Nosso programa é um programa egoísta. A palavra egoísta geralmente significa que se é ambicioso, exigente e indiferente ao bem-estar dos outros. Claro que o modo de vida de A.A. não apresenta esses traços indesejáveis.

O que querem dizer esses oradores? Bem, qualquer teólogo lhe dirá que a salvação de sua própria alma é a mais alta aspiração que um homem pode ter. Logo, sem salvação – podemos definir assim - ele terá pouco ou nada. Para nós de A.A. a urgência é ainda maior.

Se não podemos ou não queremos alcançar a sobriedade, então estamos desde já verdadeiramente perdidos. Não temos valor para ninguém, nem para nós mesmos, até nos libertar do álcool. Logo, nossa própria recuperação e crescimento espiritual têm que vir em primeiro lugar – uma justa e necessária espécie de preocupação com nós mesmos." 

Carta de 1966

Crédito: Entre sem Bater
Literatura Oficial de Alcoólicos Anônimos 
FONTE:- ALCOÒLICOS ANÔNIMOS ATINGE


Meu nome é Esperança !



UMA PERSPECTIVA DE VIDA PARA SI 

Para a maior parte das pessoas normais, beber significa sociabilidade, camaradagem e uma imaginação viva. Quer dizer libertação de cuidados, do tédio e de preocupações. É a intimidade alegre com amigos e o sentimento de que a vida é boa. Mas não era assim para nós nos últimos tempos em que bebíamos em excesso. Os antigos prazeres tinham desaparecido. Já não eram senão recordações. Nunca conseguíamos reencontrar os grandes momentos do passado. Havia um desejo persistente de gozar a vida como a tínhamos conhecido e uma confrangedora obsessão de que um novo milagre de controle tornaria isso possível. Havia sempre mais uma tentativa e um novo fracasso. 

Quanto menos os outros nos toleravam, mais nos afastávamos da sociedade, da própria vida. À medida que nos tornávamos súbditos do Rei Álcool, habitantes trêmulos do seu reinado demente, o nevoeiro gelado que é a solidão abatia-se sobre nós, tornando-se cada vez mais espesso e sempre mais escuro.

Alguns de nós procurávamos lugares sórdidos, na esperança de encontrar companhia compreensiva e aprovação. Por momentos conseguíamos - depois vinha o esquecimento total e o horrível despertar para defrontar os terríveis Quatro Cavaleiros do Apocalipse: o Terror, a Confusão, a Frustração e o Desespero. Os bebedores infelizes que leiam estas linhas e eles vão compreender! 

De vez em quando, uma pessoa que beba muito, mas esteja sem beber na altura, dirá: "Não me faz falta nenhuma. Sinto-me melhor. Trabalho melhor e divirto-me mais". Como ex-bebedores problema que somos, esta saída faz-nos sorrir. Sabemos que essa pessoa é como uma criança a assobiar no escuro para afugentar o medo. Só se ilude a si própria. No fundo, daria tudo por beber meia dúzia de copos e ficar na mesma. Vai pôr de novo à prova o velho jogo, porque não está feliz com a sobriedade que tem. Não consegue imaginar a vida sem álcool. Chegará o dia em que não vai ser capaz de conceber a vida nem com álcool nem sem álcool. Conhecerá então como poucos a solidão. Estará no momento de saltar para o vazio. Vai então querer que chegue o fim. 

Já mostramos como saímos do fundo. Poderá dizer: "Sim, estou disposto. Mas terei que ficar condenado a uma vida em que me sentirei estúpido, aborrecido e triste, como a de certas pessoas "virtuosas" que conheço? Eu sei que tenho de passar sem álcool, mas como é que é possível? Você tem algum substituto adequado?" 

Sim, há um substituto e é muito mais do que isso. É pertencer a Alcoólicos Anônimos. Aí vai encontrar a libertação da inquietude, do tédio e da preocupação. A sua imaginação vai ser estimulada. A vida terá finalmente um significado. Os melhores anos da sua vida estão para vir. Foi isso que encontramos nesta comunidade e assim será para si também.

"Como é que isso me poderá acontecer?", pergunta. "Onde posso encontrar essas pessoas?" 

Você vai encontrar esses novos amigos no sítio onde vive. Perto de si, há alcoólicos a morrer sem nenhum auxílio, como náufragos de um barco que se afunda. Se vive numa grande cidade, há centenas deles. Da classe alta e da classe baixa, ricos e pobres; estes são os futuros membros dos Alcoólicos Anônimos. Entre eles encontrará amigos para toda a vida. Vai ficar ligado a eles por novos e maravilhosos laços, porque terão escapado juntos do desastre e, lado a lado, irão começar uma caminhada em conjunto. Então perceberá o que significa dar de si próprio para que os outros possam sobreviver e redescobrir a vida. Aprenderá o pleno significado de "Ama o teu próximo como a ti mesmo". 

Pode parecer incrível que estas pessoas venham a ser felizes, respeitadas e de novo úteis. Como podem sair de uma tal infelicidade, má reputação e desesperança? A resposta concreta é que, se estas coisas aconteceram entre nós, elas também podem acontecer consigo. Se o quiser acima de tudo e estiver disposto a utilizar a nossa experiência, estamos certos de que lhe acontecerá também o mesmo. Ainda estamos na era dos milagres. A nossa própria recuperação é testemunho disso. 

A nossa esperança é de que este modesto livro, uma vez lançado na onda mundial do alcoolismo, seja agarrado pelos bebedores derrotados que seguirão as nossas sugestões. Estamos certos de que muitos se porão de pé para empreender a caminhada. Eles encontrarão outros, ainda doentes, e assim, poderão formar-se grupos de Alcoólicos Anônimos em todas as cidades e aldeias, que serão verdadeiros abrigos para aqueles que precisam de encontrar uma solução. 

No capítulo "Trabalhando com os outros" você ficou com uma idéia de como abordamos e ajudamos os outros a recuperar a saúde. Suponha agora que, por seu intermédio, várias famílias adotaram este modo de vida. Você vai querer saber algo mais acerca de como proceder a partir daí. Para lhe dar uma idéia do que o espera, talvez o melhor seja descrever como cresceu a Comunidade entre nós, o que a seguir descrevemos em poucas palavras: Há anos, em 1935, um dos nossos membros fez uma viagem a uma certa cidade do oeste do país. Do ponto de vista de negócios, a viagem correu mal. Se ele tivesse obtido êxito, o seu empreendimento ter-se-ia podido recompor financeiramente, o que na altura, parecia ser de uma importância vital. Mas o negócio terminou em litígio e fracassou por completo. O processo foi acompanhado de muito rancor e controvérsia.

Com amargura e desencorajado, ele viu-se desacreditado e praticamente falido, num sítio desconhecido. Ainda fisicamente debilitado e sóbrio apenas há alguns meses, viu bem que a sua situação era perigosa. Queria muito falar com alguém, mas com quem? 

Numa tarde sombria, ele andava de um lado para o outro no hall do hotel a pensar como iria pagar a sua conta. Num canto da sala havia uma vitrina com uma lista das igrejas locais. Ao fundo, uma porta dava para um bar sedutor. Lá dentro, ele podia ver gente bem disposta. Aí, ele poderia encontrar companhia e descontração mas, a não ser que bebesse uns copos, ele não iria possivelmente ter coragem para meter conversa e passaria um fim de semana solitário. 

É claro que não podia beber, mas nada o impedia de se sentar a uma mesa com um refresco. Afinal de contas, não estava ele sóbrio há já seis meses? Talvez se pudesse permitir beber sem perigo, digamos, três copos - e nem mais um! O medo apoderou-se dele. A situação era perigosíssima. Era outra vez a velha e insidiosa loucura do primeiro copo. Com um arrepio, deu meia volta e dirigiu-se para onde estava a lista das igrejas. A música e a conversa alegre do bar ainda lhe chegavam aos ouvidos. 

Pensou nas suas responsabilidades - na sua família e em todos aqueles que morreriam sem saber que havia uma saída para a recuperação; sim, todos aqueles alcoólicos! Devia haver muitos naquela cidade. Telefonaria a um clérigo. Voltou-lhe a razão e deu graças a Deus. Escolheu uma igreja ao acaso na lista telefônica, entrou numa cabina e pegou no auscultador. 

A chamada ao clérigo conduziu-o a um habitante da cidade que, embora tivesse sido um homem competente e respeitado, estava então no auge do desespero alcoólico. Era a mesma situação de sempre: o lar ameaçado, a mulher doente, os filhos perturbados, contas por pagar e a reputação desfeita. Ele tinha uma vontade desesperada de deixar de beber, mas não via saída, pois tinha tentado seriamente muitas formas de escape. Dolorosamente consciente de que havia algo em si de anormal, o homem não compreendia inteiramente o que significava ser alcoólico. * 

Quando o nosso amigo lhe descreveu a sua experiência, ele concordou que, mesmo com toda a sua força de vontade, nunca tinha conseguido parar de beber por muito tempo. Admitiu que uma experiência espiritual era absolutamente necessária, mas o preço parecia--lhe muito elevado com base no que lhe era proposto. Contou como vivia numa aflição constante de que descobrissem o seu alcoolismo. Tinha naturalmente a obsessão, comum a muitos alcoólicos, de que só poucas pessoas sabiam do seu problema. Por que razão, argumentava ele, deveria perder o que lhe restava ainda do seu trabalho, só para afligir a família ainda mais, ao admitir estupidamente a sua grave condição a pessoas de quem dependia para ganhar a vida? Disse que faria tudo, mas isso não. 

Intrigado, contudo, convidou o nosso amigo para sua casa. Algum tempo depois, justamente quando estava convencido de que já dominava o seu problema de álcool, apanhou uma tremenda bebedeira. Para ele, foi a bebedeira que pôs fim a todas as bebedeiras. Percebeu que tinha de enfrentar honestamente os seus problemas para que Deus lhe concedesse ajuda.

Um dia, pegou o touro pelos cornos, e dispôs-se a dizer àqueles de quem tinha medo qual tinha sido o seu problema. Para sua surpresa, verificou que era bem aceite e que muitos estavam a par do seu alcoolismo. Pegou no carro e fez a ronda das pessoas a quem tinha prejudicado. Visitou-as uma a uma a tremer, porque isso poderia significar a sua ruína, muito em particular para uma pessoa com a sua profissão. 

À meia noite voltou para casa, exausto mas muito contente. Desde esse dia nunca mais voltou a beber. Como se verá mais adiante, este homem representa atualmente muito para a sua comunidade, e em quatro anos, reparou os maiores danos causados em trinta anos de alcoolismo. 

A vida porém não foi fácil para estes dois amigos. Defrontaram-se com muitos problemas. Aperceberam-se ambos de que tinham de se manter ativos espiritualmente. Um dia telefonaram para a enfermeira chefe de um hospital local. Explicaram-lhe o que precisavam e perguntaram-lhe se tinha um paciente alcoólico de primeira classe. 

"Sim", respondeu ela, "Temos um que é um caso muito sério. Acabou de bater numas enfermeiras. Fica completamente doido quando está a beber, mas é uma ótima pessoa quando está sóbrio, embora tenha cá estado oito vezes nos últimos seis meses. Parece que foi um advogado muito conhecido na cidade, mas neste momento está atado à cama". ** 

Tratava-se realmente de um candidato mas, pela descrição, não parecia muito prometedor. Nessa altura, a aplicação de princípios espirituais em tais casos não era tão bem aceite como é agora. Mas um dos amigos disse: "Ponha-o num quarto privado. Vamos vê-lo". 

Dois dias depois, o futuro membro dos Alcoólicos Anônimos olhava com um ar vidrado para os dois à beira da sua cama: "Quem são vocês e porque estou neste quarto privado? Estive sempre numa enfermaria". 

Um dos visitantes disse: "Viemos dar-lhe um tratamento para o alcoolismo". 

O desespero estava estampado na cara do homem ao dizer: "Oh! é inútil. Não há nada que me valha. Sou um homem perdido. As últimas três vezes, embebedei-me ao voltar para casa. Tenho medo de sair da porta. Não consigo compreender isto". 

Durante uma hora, os dois amigos contaram-lhe as suas experiências com o álcool. Repetidamente ele dizia: "Sou eu. Sou assim mesmo. Bebo tal e qual como vocês". 

Explicaram ao doente que ele sofria de uma intoxicação aguda, que degradava o organismo do alcoólico e lhe destorcia o espírito. Falou-se muito sobre o estado mental que antecede o primeiro copo. 

"Sim, sou tal e qual", disse o doente, "é o meu retrato. Vocês sabem realmente do que estão a falar, mas não vejo de que é que isso me pode servir. Vocês são pessoas de respeito. Eu também fui, mas agora já não sou nada. Pelo que me dizem, sei melhor do que nunca, que não consigo parar de beber". Ao ouvir isto, os dois visitantes desataram a rir. "Não vejo onde é que está a graça", disse o futuro membro dos Alcoólicos Anônimos. 

Os dois amigos falaram da sua experiência espiritual e explicaram--lhe o plano de ação que tinham posto em prática. 

Ele interrompeu-os: "Já fui um praticante muito convicto, mas neste caso, não me serviu de nada. Nas manhãs de ressaca rezava a Deus e jurava que nunca mais bebia uma gota de álcool, mas às nove da manhã já estava bêbedo que nem um cacho". 

No dia seguinte, encontramos o candidato mais receptivo. Tinha estado a pensar no caso. "Talvez vocês tenham razão," disse ele. "É possível que Deus consiga tudo". E acrescentou, "Apesar de Ele ter feito pouco por mim quando lutava sozinho contra o álcool". 

Ao terceiro dia, o advogado entregou a sua vida aos cuidados e orientação do seu Criador e declarou-se inteiramente disposto a fazer o que fosse preciso. A sua mulher foi vê-lo, mal se atrevendo a ter esperança, embora tivesse notado já alguma diferença no seu marido. Ele tinha começado a viver uma experiência espiritual. 

Nessa mesma tarde, ele vestiu-se e saiu do hospital convertido num homem livre. Tomou parte numa campanha política, fez discursos, frequentou centros de reunião de todos os gêneros, passando muitas vezes as noites em claro. Perdeu por pouco a eleição a que se candidatou e não foi eleito. Tinha porém encontrado Deus e, ao encontrar Deus, encontrou-se a si próprio. 

Isto foi em Junho de 1935. Nunca mais voltou a beber. Também ele se tornou um membro respeitado e útil na sua comunidade. Ele tem ajudado outros a recuperarem-se e desempenha um papel importante na igreja, da qual esteve afastado muito tempo. 

Assim, como se viu, havia naquela cidade três alcoólicos que sentiam que tinham de dar aos outros o que tinham encontrado, ou se afundariam de novo. Depois de vários fracassos para encontrar outros, apareceu o quarto. Veio por intermédio dum conhecido que tinha ouvido a boa notícia. Tratava-se de um jovem irresponsável, cujos pais não conseguiam perceber se ele queria ou não deixar de beber. Eram pessoas profundamente religiosas e muito abaladas pela obstinação do filho em não querer nada com a igreja. Sofria terrivelmente com as suas bebedeiras, mas parecia não se poder fazer nada por ele. Consentiu, no entanto, em ir para o hospital, onde lhe deram precisamente o mesmo quarto recentemente desocupado pelo advogado. 

Recebeu três visitantes. Ao fim de pouco tempo disse: "Faz sentido a maneira como vocês apresentam a questão espiritual. Estou pronto para pôr mãos à obra. Ao fim e ao cabo, acho que os meus velhotes tinham razão". E assim, se juntou mais um à Comunidade. 

Durante este tempo, o nosso amigo do incidente do hotel ficou nessa cidade mais três meses. Quando regressou a casa, deixou lá o seu primeiro conhecimento, o advogado e o jovem irresponsável. Estes homens tinham descoberto algo de completamente novo na vida. Embora soubessem que tinham de ajudar outros alcoólicos para eles próprios se manterem sóbrios, esse motivo em si mesmo tornou-se secundário. Era superado pela felicidade que descobriram em se darem aos outros. Eles partilhavam as suas casas, os seus escassos recursos e dedicavam de boa vontade as horas livres aos companheiros que sofriam. Dia e noite, estavam dispostos a levar um novo homem para o hospital e a visitá-lo em seguida. O número deles aumentou. Passaram por uns quantos fracassos dolorosos, mas nesses casos esforçavam-se por introduzir os familiares num modo de vida espiritual, trazendo deste modo conforto a muita inquietação e sofrimento. 

Passado ano e meio, estes três homens obtiveram êxito com mais sete. Como se viam frequentemente, era rara a noite em que não houvesse um pequeno grupo de homens e mulheres que se encontravam em casa de um deles, felizes pela sua libertação e sempre a pensarem como encontrar um meio de levar a sua descoberta a recém-chegados. Para além destes encontros informais, estabeleceu-se em breve o costume de se reservar uma noite por semana para uma reunião, a que poderiam assistir todos os interessados num modo de vida espiritual. Além da camaradagem e sociabilidade, o objetivo fundamental era o de proporcionar a ocasião e lugar para os novos interessados falarem dos seus problemas. 

Pessoas de fora começaram a interessar-se. Um homem e a sua mulher puseram a sua casa, que era grande, à disposição deste conjunto de pessoas tão estranhamente diverso. Este casal tornou-se desde então tão entusiasta com a idéia que dedicou a sua casa a esta obra. Muitas mulheres em estado de confusão vieram a esta casa para encontrar companhia carinhosa e compreensiva entre outras mulheres que conheciam o problema, para ouvir da boca dos maridos alcoólicos o que lhes tinha acontecido, para serem aconselhadas sobre a maneira como hospitalizar e tratar os seus obstinados maridos quando tropeçassem de novo. 

Muitos homens, ainda atordoados pela sua experiência no hospital, transpuseram o limiar dessa casa para a liberdade. Muitos alcoólicos que ali entraram, saíram com uma resposta. Eles ficavam rendidos perante essa gente alegre que ria das suas próprias desgraças e compreendia as deles. Impressionados por aqueles que os visitavam no hospital, capitulavam mais tarde por completo ao ouvirem num quarto dessa casa, a história dum homem, cuja experiência se assemelhava à deles. A expressão na cara das mulheres, esse algo indefinível no olhar dos homens, a atmosfera estimulante e eletrizante do lugar, conjugavam-se para lhes fazer perceber que tinham encontrado o seu abrigo.

O modo prático de abordar os problemas, a ausência de qualquer forma de intolerância, a informalidade, a genuína democracia, a fantástica compreensão dessas pessoas, eram irresistíveis. Eles e as suas mulheres saiam animados com a idéia do que poderiam agora fazer por um amigo doente e pela sua família. Sabiam que tinham um grande número de novos amigos e era como se conhecessem estes estranhos desde sempre. Tinham presenciado milagres e certamente que um milagre também lhes iria acontecer. Eles tinham-se apercebido da Grande Realidade: o seu Deus de Amor e Criador Todo Poderoso. 

Atualmente, esta casa já é pequena para os seus visitantes semanais, cujo número atinge em regra os sessenta ou oitenta. Os alcoólicos vêm de longe e de perto. Famílias percorrem longas distâncias, vindas de cidades vizinhas, para participarem nestas reuniões. Numa localidade situada a trinta milhas há quinze membros dos Alcoólicos Anônimos. Tratando-se de uma cidade grande, pensamos que um dia o número de membros será da ordem das centenas. *** 

Mas a vida entre os Alcoólicos Anônimos não se limita à participação em reuniões e a visitas a hospitais. No dia a dia, procura-se resolver questões antigas, ajudar a restabelecer divergências familiares, advogar filhos deserdados perante pais ainda furiosos, emprestar dinheiro e procurar emprego a membros, nos casos em que as circunstâncias o justifiquem. As boas-vindas e a cordialidade são extensivas a todos, por mais desacreditados que estejam ou por mais baixo que tenham caído - desde que a sua intenção seja séria. Distinções sociais, rivalidades e invejas triviais não se levam a sério e são motivo para rir. Como náufragos do mesmo navio, salvos e unidos por um mesmo Deus, com o coração e o espírito atentos ao bem-estar dos outros, as coisas que têm grande importância para outros, deixam de ter grande significado para eles. E como é que poderiam tê-lo? 

Em circunstâncias não muito diferentes, está a acontecer o mesmo em muitas cidades do Leste. Numa delas há um hospital muito conhecido para tratamento da adicção ao álcool e drogas. Há seis anos um dos nossos membros esteve lá internado. Muitos de nós sentimos, pela primeira vez, a Presença e o Poder de Deus dentro destas paredes. Temos uma grande dívida de gratidão para com o médico de serviço, porque pondo inclusivamente em risco o seu trabalho, expressou a sua confiança no nosso. 

Quase todos os dias, este médico sugere a um dos seus pacientes que receba a nossa visita. Como compreende o nosso trabalho, seleciona com intuição os que estão dispostos e prontos para recuperar numa base espiritual. Muitos de nós, que somos antigos pacientes desse hospital, vamos lá para dar ajuda. Para além disso, nesta mesma cidade do Leste, há reuniões informais, como as que descrevemos, e onde se podem agora ver dezenas de membros. Tal como acontece com os nossos amigos do Oeste, criam-se amizades com a mesma facilidade e encontra--se o mesmo espírito de ajuda mútua. Viaja-se muito entre Leste e Oeste, o que nos faz prever um grande crescimento com este útil intercâmbio. 

Esperamos que um dia todo o alcoólico em viagem possa encontrar um grupo de Alcoólicos Anônimos no seu destino. Até certo ponto isto já se tornou uma realidade. Alguns de nós somos vendedores e viajamos de um lado para o outro. Grupos de dois, três e cinco de nós surgiram noutros sítios através do contacto com os nossos dois maiores centros. Aqueles de nós que viajam visitam-nos com a maior frequência possível. Esta prática permite-nos ajudá-los e, ao mesmo tempo, evitar certas distrações sedutoras pelo caminho, que qualquer homem que viaje pode testemunhar. **** 

Assim crescemos e, você também pode "crescer", ainda que seja apenas com este livro para o ajudar. Acreditamos e temos esperança de que ele contenha tudo o que precisa para começar. 
Sabemos no que está a pensar. Diz para si mesmo: "Estou nervoso e sozinho. Eu não vou conseguir". Mas consegue. Esquece-se de que acaba de encontrar uma fonte de energia muito maior do que a sua própria. Com um tal recurso, conseguir o que nós conseguimos, é só uma questão de boa vontade, paciência e trabalho. 

Conhecemos um membro de A.A. que vive numa grande cidade. Estava lá apenas há umas semanas, quando descobriu que aí havia uma maior percentagem de alcoólicos do que em qualquer outra cidade do país. Isto passou-se apenas alguns dias antes de se escreverem estas palavras (1939). As autoridades mostravam-se apreensivas com o problema. Ele entrou em contacto com um eminente psiquiatra, que tinha assumido determinadas iniciativas para cuidar da saúde mental na comunidade. O médico era muito competente e mostrava-se extremamente interessado em adotar qualquer método de trabalho que tratasse o problema. Perguntou então ao nosso amigo o que ele tinha para oferecer. 

O nosso amigo descreveu-lhe o nosso método e o efeito foi tão positivo que o médico concordou em experimentá-lo nos seus pacientes e noutros alcoólicos de uma clínica onde trabalha. Foram igualmente tomadas disposições junto do psiquiatra chefe de um grande hospital público para escolher ainda outros casos que faziam parte do contínuo fluxo de miséria que passava regularmente por essa instituição. 

Deste modo o nosso diligente companheiro terá em breve muitos amigos. Alguns deles poderão cair para talvez nunca mais se levantarem, mas se a nossa experiência pode servir de critério, mais de metade dos que foram abordados tornar-se-ão membros dos Alcoólicos Anônimos. Quando uns quantos homens nesta cidade se tiverem encontrado a si próprios e descoberto a alegria de ajudar outros a enfrentarem de novo a vida, o processo não parará, enquanto todo o alcoólico dessa cidade não tiver a sua oportunidade de recuperação - se ele puder e quiser. 

"Mas", pode ainda dizer: "Não terei o benefício de entrar em contacto com os que escreveram este livro". Quem sabe! Só Deus pode decidir isso, de modo que tem de se lembrar que você depende realmente é Dele. Ele mostrar-lhe-á como criar o grupo de que tanto precisa. ***** 

É intenção do nosso livro oferecer apenas sugestões. Temos consciência do pouco que sabemos. Tanto a si como a nós, Deus fará constantemente revelações. Peça-Lhe na sua meditação da manhã o que pode fazer em cada dia por aquele que ainda sofre. 

As respostas virão se estiver tudo em ordem consigo próprio. Mas é óbvio que não pode transmitir aos outros aquilo que não tem. Empenhe-se para que a sua relação com Ele seja boa e acontecer-lhe-ão coisas extraordinárias a si e a muitos outros. Isto é para nós a Grande Realidade. 

Abandone-se a Deus como O concebe. Admita os seus erros perante Ele e perante os seus semelhantes. Limpe os destroços do passado. Dê livremente do que encontrar e junte-se a nós. Estaremos consigo na Comunidade do Espírito e, ao percorrer a Estrada de um Destino Feliz, encontrará seguramente alguns de nós.

Que Deus o abençoe e o guarde - até lá.



Crack - solução é acolher e reconstruir vidas


Alexandre Padilha e Roberto Tykanori - O Estado de S.Paulo

No início dos anos 1980, quando os primeiros casos de HIV foram registrados no País, a comunidade médica e as estruturas de saúde desconheciam a forma mais eficaz de tratar os pacientes, cujo número crescia em progressão geométrica. O dedo foi posto na ferida. Assim, apesar de todos os avanços ainda necessários, demos passos para começar a enfrentar essa epidemia mundial.
Hoje é mais do que evidente que o abuso e a dependência de drogas no Brasil - em especial do álcool e do crack - se transformaram numa nova chaga social. As vítimas acumulam-se, com graves repercussões na ocupação do espaço urbano, na exclusão econômica e social, na rede de saúde e na vida das famílias. Dados de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo evidenciaram a complexidade que é tratar esses pacientes. Durante 12 anos acompanharam 107 dependentes do crack. Após esse período, 32,8% estavam abstinentes, 20,6% haviam morrido (a maioria, pela violência), 10% encontravam-se presos, 16,8% continuavam usando crack e cerca de 20% estavam desaparecidos, num destino incerto para quem esbarra em algum momento da vida com essa realidade.
A dependência, inclusive do crack, reúne situações sociais muito diversas: desde recursos para suportar a exclusão até estratégias para se sentir incluído. Nas estatísticas estão crianças na rua que se iniciaram nas drogas para suportar a fome e o frio, os trabalhadores rurais que acreditam que a pedra lhes pode fazer suportar toneladas a mais de cana-de-açúcar, profissionais liberais pressionados pelo desempenho no trabalho e jovens que querem alcançar, cada vez mais rapidamente, a inserção na turma. Para todos é crucial construir novos projetos e redescobrir sentido para a vida.
As raízes do problema são externas ao campo da saúde pública, mas sabemos que a rede de ambulatórios, de hospitais e de profissionais pode interferir no curso da dependência. Estamos convencidos de que uma abordagem bem-sucedida está relacionada a uma reestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) que possibilite aos Estados, aos municípios, à sociedade civil atuar em conjunto com o Ministério da Saúde, de forma articulada, no enfrentamento do crack e de outras drogas. O SUS, pela sua capilaridade e pelo seu compromisso com a defesa da vida, deve estar mais presente junto aos indivíduos, grupos e no ambiente social onde se inicia ou se perpetua a dependência de drogas.
Para uma ação eficaz é preciso distinguir o que precisa ser distinto: por um lado, reprimir e criminalizar, de forma vigorosa, o tráfico de drogas e o contrabando; por outro, acolher de forma humanizada e possibilitar o acesso dos usuários às diversas terapias, salvando vidas e evitando mortes precoces. Uma resposta da área de saúde poderá prevenir sofrimento pessoal, conflitos familiares, violência e acidentes urbanos.
Somente com a estruturação de uma rede de serviços que ofereça abordagens diferentes para diferentes indivíduos é que será possível aumentar as chances dos dependentes de reconquistarem sua vida e de a sociedade ganhar de volta seus cidadãos. Para ter sucesso o tratamento deve considerar e se adequar a necessidades distintas. Qualquer proposta que se paute em apenas uma forma de ação ou um tipo de serviço está fadada ao fracasso. Ou seja, não pode ser só ambulatorial, nem somente clínicas de internação ou apenas espaços de internação prolongada.
Por isso o Ministério da Saúde propôs uma parceria à sociedade com Estados e municípios para uma nova rede de serviços. Num mesmo território serão ofertados unidades básicas/Programas de Saúde da Família, consultórios volantes para abordagem e cuidado das pessoas em situação de rua, enfermarias especializadas em pacientes dependentes de álcool e drogas, unidades de acolhimento para pessoas que necessitem de internação prolongada, parcerias com entidades do terceiro setor e com comunidades terapêuticas. Além disso, vai capacitar os serviços de urgência e emergência como portas de entrada possíveis. E também ampliar para 24 horas o funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas.
O tema é polêmico, mas não nos devemos paralisar diante de dúvidas. Toda iniciativa que se paute pelo respeito aos direitos individuais e pela proteção à vida deve ser defendida, até mesmo com o recurso à internação involuntária, na forma da lei. Mas nem ela - muito menos o uso da força - pode ser o centro da estruturação dos serviços de saúde e da estratégia de saúde. Nesse sentido, saudamos o recente protocolo organizado pelo Conselho Federal de Medicina, que apresenta uma abordagem contemporânea e equilibrada do tema.
A qualificação profissional e o uso de tratamentos bem estruturados são fundamentais, mas uma abordagem multissetorial será decisiva para o sucesso desta empreitada. Nós, profissionais de saúde, precisamos estar cada vez mais preparados para proporcionar os cuidados necessários, porém sabemos que é imprescindível o envolvimento da sociedade e de outras políticas públicas - como educação, qualificação profissional, moradia, esportes e convívio comunitário - para produzir resultados duradouros.
Essa não é uma tarefa nova. Ao longo dos seus 22 anos, o SUS enfrentou vários desafios que também exigiram abordagem multissetorial. E mostrou-se capaz de enfrentá-los quando uniu a capacidade de quem sofre e agregou quem estava disposto a se mobilizar.
Este é o desafio: criar uma grande frente de saúde pública, comprometida com o tratamento, a recuperação e a reinserção dos milhares de crianças, jovens e adultos machucados pelo crack e outras drogas. Estamos prontos para pôr o dedo nessa ferida e começar a cicatrizá-la. Dessa forma estaremos cumprindo nossa missão.
RESPECTIVAMENTE, MINISTRO DA SAÚDE E COORDENADOR DE SAÚDE MENTAL DO MINISTÉRIO DA SAÚDE 

Colegiado de Saúde Mental reprova medida de Internação Compulsória

A internação compulsória de usuários de drogas em situação de rua não é um método eficaz de tratamento. Este é o parecer do Colegiado de Coordenadores de Saúde Mental do SUS que, em reunião realizada em agosto, decidiu manifestar-se contra a medida adotada pela cidade do Rio de Janeiro e aprovada por outras capitais como Belo Horizonte e São Paulo.

“Entendemos que este método de sequestrar pessoas com o argumento de tratar de sua saúde representa uma atitude incompatível com a sociedade desenvolvida e democrática”, critica o Colegiado, que é composto por coordenadores de saúde mental dos governos federal, estaduais e das 27 capitais brasileiras, entre outros representantes.


O Conselho Federal de Psicologia também se posicionou frente à internação involuntária, comparando a medida à prática de segregação em manicômios.

“Desde a década de 40, no século XX, há denúncias da ineficácia da segregação em asilos e em equipamentos sociais de fechamento, que acabavam funcionando como espaços de reclusão da miséria e da produção de estigmas e violência”, relembra o CFP.

Abaixo, a íntegra da moção de repúdio publicada pelo Colegiado de Coordenadores de Saúde Mental do SUS:

“Os participantes da XIII Reunião do Colegiado de Coordenadores de Saúde Mental do Sistema Único de Saúde vem manifestar de forma veemente seu integral repúdio à política higienista e de desrespeito aos direitos fundamentais da pessoa humana, que está sendo urdida por setores comprometidos com o insucesso das políticas de equiparação social do nosso país e perpetrada pela prefeitura do município do rio de janeiro com o nome de ‘internação compulsória’.

Entendemos que este método de sequestrar pessoas com o argumento de tratar de sua saúde representa uma atitude incompatível com a sociedade desenvolvida e democrática.

Além disso, esclarecemos que essa formulação truculenta e imperativa não é oriunda do campo da saúde e alertamos a população sobre a destruição de todo o trabalho de convencimento e adesão que vem sendo proposto e executado pelas nossas equipes. Essa prática não apresenta efetividade quanto à recuperação de usuários de drogas.

Lutamos pela afirmação e construção do Sistema Único de Saúde; pela consolidação da vitoriosa e reconhecida política nacional de Saúde Mental; por uma atenção aos usuários de drogas baseada em uma política intersetorial com cuidados psicossociais intensivos; por serviços de saúde mental integrados à rede de saúde; pelas ações de redução de danos e pelo estado democrático de direitos.

Dessa maneira, frente ao povo brasileiro, nos posicionamos como contrários a esse tipo de procedimento.

BRASÍLIA (DF), 10 DE AGOSTO DE 2011. PLENÁRIA DA XIII REUNIÃO DO COLEGIADO DE COORDENADORES DE SAÚDE MENTAL


Caio Fernando Abreu

"Muita coisa que ontem parecia importante ou significativa amanhã 
virará pó no filtro da memória. 
Mas o sorriso (...) 
ah, esse resistirá a todas as ciladas do tempo."


GILBERT, UM Bullying !

ESTE ESPAÇO É PARA LEMBRAR DO MAL QUE FIZERAM A GILBERT, UM POBRE RAPAZ, CUJA IDADE MENTAL VARIAVA ENTRE 12 E 14 ANOS. ERA UM EXCEPCIONAL. MALTRATADO, CHAMADO REPETIDAMENTE DE BICHA, AGREDIDO, DESTRATADO E QUE UM PASTOR, DONO DE UM CACETE ARMADO DIZIA SER "O ÚLTIMO A FALAR E O PRIMEIRO A APANHAR". ESTA FRASE RESUME A ESSÊNCIA DA PSEUDO "CLÍNICA" EM QUE UM DIA FUI PARAR.

CERTA FEITA, EM UMA DAS REUNIÕES QUE O PASTOR REALIZAVA PARA AVACALHAR E DESMORALIZAR UM DOS RECLUSOS, ELE MANDOU QUE UM INTERNO, COLOCADO COMO G.A.P. , DESSE UM TAPA NA CARA DO MESMO, O QUE FOI FEITO NA PRESENÇA DE MAIS DE 50 PESSOAS. O PASTOR RIA E OUTRAS PESSOAS RIAM TAMBÉM. O AMBIENTE ERA LOUCO. 

O QUE GILBERT FAZIA NAQUELE LUGAR? O QUE SOUBE É QUE ELE ERA CRIADO PELA AVÓ, QUE VENDO  O NETO COM TREJEITOS DE EFEMINADO PROCUROU O PASTOR PARA CONSERTA-LO (PODE?!) E ESTE SE PRONTIFICOU A MODIFICAR O POBRE COITADO. PARA O TAL PASTOR, LEVANDO EM CONTA O CASO GILBERT, ELE "CURARIA" O HOMOSSEXUALISMO. A AVÓ DO RAPAZ, TUDO BEM QUE ELA IMAGINASSE O QUE QUISESSE E ACREDITASSE EM TAL POSSIBILIDADE. O FATO É QUE ELE FOI PARA EM UM LOCAL QUE DIZIA ESTAR VOLTADO PARA TRATAMENTO DE DEPENDÊNCIA QUÍMICA. HAVIAM OUTRAS PESSOAS RECLUSAS, LÁ JOGADAS POR PARENTES, SEM QUE EU CONHEÇA A RAZÃO. 
POBRE SENHORA QUE FOI ENGANADA, LESADA EM SUA BOA FÉ. GILBERT ATÉ O MOMENTO QUE SAI DAQUELE INFERNO CONTINUAVA POR LÁ. NÃO ERA USUÁRIO DE DROGAS, MAS ERA VÍTIMA DA USURA, DE FALSA PROMESSA, DE PROPAGANDA ENGANOSA. IMAGINAR QUE EXISTEM LUGARES IGUAIS A ESTE E IMAGINAR QUE ESTÃO DEIXANDO ESTES LUGARES FUNCIONAREM, SEM A DEVIDA E MERECIDA PUNIÇÃO, COM A PROIBIÇÃO DE NÃO MAIS PODER ABRIR NADA IGUAL, É UM DESASTRE.

MINHA SOLIDARIEDADE A GILBERT !

Meditação Diária, Narcóticos Anônimos, 20 de setembro DE 2011

Coragem para modificar

"Deus, conceda-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para reconhecer a diferença."

Oração da Serenidade

Recuperação envolve mudança e mudança significa fazer as coisas de outra maneira. O problema é que muitos de nós resistimos a fazer as coisas de outra maneira; o que estamos fazendo pode não estar funcionando, mas pelo menos estamos familiarizados com isso. É preciso coragem para dar um passo em direção ao desconhecido. Como conseguimos esta coragem?

Podemos olhar à nossa volta nas reuniões de NA. Vemos outros que descobriram que precisavam mudar o que fizeram com sucesso. Isso ajuda a aquietar nosso medo de que qualquer mudança seja um desastre. Também temos o benefício da experiência deles com o que “funciona”, experiência que podemos usar para mudar, e com o que “não funciona”.

Podemos também olhar para nossa própria experiência de recuperação. Se esta experiência, até aqui, está limitada a parar de usar drogas, mesmo assim “nós fizemos” muitas mudanças em nossas vidas – mudanças para melhor. Em qualquer aspecto de nossas vidas em que tenhamos aplicado os passos sempre temos achado a rendição melhor que a negação, a recuperação superior a adicção.

Nossa própria experiência e a experiência de outros em NA nos diz que “mudar as coisa que posso” é uma grande parte do que significa recuperação. Os passos e a capacidade de praticá-los nos dão a orientação e a coragem de que precisamos para mudar. Não temos nada a temer.

Só por Hoje: Eu vou receber bem as mudanças. Com a ajuda de meu Poder Superior, eu vou encontrar coragem para mudar as coisas que posso.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, Reflexão do dia 20 de Setembro DE 2011

P.S. COMO GUIA

Procure fazer com que a sua relação com Ele seja certa e grandes eventos acontecerão a você e a muitos outros. Esta é a nossa Grande Realidade.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS PG. 177

Ter um bom relacionamento com Deus parecia ser impossível. Meu passado caótico deixara-me cheio de culpa e remorso, e eu imaginava como este "negócio de Deus" poderia funcionar. A.A. me disse que devo entregar minha vontade e minha vida aos cuidados de Deus, como eu O concebo. Sem ter nada mais para entregar, cai de joelhos e gritei: "Deus, eu não posso fazer isto. Por favor, me ajude!" Foi quando admiti minha impotência, que um raio de luz começou a tocar minha alma, e então uma disposição emergiu para deixar Deus controlar a minha vida. Com Ele como meu guia, grandes coisas começaram a acontecer e encontrei o começo da sobriedade.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

COCAÍNA CRACK



COCAÍNA CRACK

“Eu vivi com um dependente de crack durante quase um ano. Eu amava aquele dependente — que era o meu namorado — de todo o meu coração, mas já não podia aguentar mais [com] aquilo.
“O meu ‘ex’ roubava incessantemente e não conseguia largar o seu cachimbo. Penso que o crack é mais prejudicial que a heroína — uma cachimbada pode ser tudo o que é necessário para te transformar num monstro imoral.” — Audrey
“Tinha contraído um hábito em cocaína crack que me custava 2000 dólares por semana e queria desesperadamente livrar–me dessas correntes.” Jennifer
“A única coisa que tinha em minha mente era o crack. E se alguém te oferecesse alguma, atiravas–te a ela e aceitavas. É como oferecer uma fatia de pão a um homem esfomeado que já percorreu quilómetros. As coisas complicaram–se para mim quando tinha andado a fumar constantemente durante um par de semanas. Um dia decidi simplesmente que já tinha passado o suficiente — não podia continuar a viver assim e tentei cometer suicídio. Vou ter que tentar continuar a lutar. Espero que os meus instintos de sobrevivência despertem.” John
“Em sessenta anos eu nunca tinha consumido drogas e bebia apenas socialmente, mas nunca em excesso. Reformei–me como um executivo empresarial de sucesso que tinha dado um curso superior a duas filhas e que tinha merecido a minha reforma. Contudo, a minha festa de despedida foi o início de cinco anos de inferno. Foi aí que fui introduzido pela primeira vez ao crack. Durante os cinco anos seguintes perdi a minha casa, a minha esposa, todos os meus recursos financeiros, a minha saúde e quase a minha vida. Também passei dois anos na prisão.” William
“Fui introduzido ao fumo do crack, e foi aí que tudo deixou de funcionar. Tinha saído com algumas pessoas que naquela altura considerava realmente como sendo amigos muito próximos. Sabem, é verdade o que dizem sobre o crack: ‘quando ficas com aquela pedrada inicial, nunca mais voltas a chegar lá tão acima.’ Deu completamente cabo de mim. Tomou o controlo total da minha pessoa. O crack arruinou a minha reputação, a minha autoestima e o meu autorrespeito.” Dennis

Sobre Blogs

Não sei se já revelei que ao sair da Vila serena, cheio de metas, mil propósitos, projetos de reformulação de vida, planos de participação em grupos, decidi criar um blog. Me entusiasmei e criei logo nove blogs. 

O Só Por Hoje me impressionava. Coloquei algo nele para contabilizar a quantidade de pessoas que estariam online e fiquei estarrecido: eram mais de 20 mil pessoas quase que ao mesmo tempo. Chamei minha irmã que entende um pouco de blogger e ela pipocou de rir.Foi em cima: você copiou o script, ou termo parecido, de algum blog que tem esta alta frequência. Tente verificar. Verifiquei e mudei. De animado fiquei um pouco decepcionado. Dai em diante fui me esforçando para melhorar e tudo era tão devagar que, por vezes, dava vontade de deixar essa idéia de lado. Mas decidi encarar. Dos nove blogs, criei mais quatro, depois mais dois, depois mais um e quase todos estes são secretos e não quero que ninguém saiba que são criações minhas. Também criei sites e depois os abandonei por achar os blogs mais fáceis de trabalhar. 

Coloquei um montão de coisas: gadgets, banners, relógio e um montão de coisas desnecessárias. Nenhum dos blogs que possuo tem um toque profissional. Nele estão registrados os bons e os maus momentos por que passei. Hoje, lendo uma companheira de blog, notei que ela também se encanta com essas coisas do mundo da estatística e escolhi - dentre todos - 5 blogs para verificar como andam. Evidente que o SPH ganha dos demais, contudo 2 blogs tentam chegar perto e têm boa audiência. O que pude contabilizar, nos cinco blogs QUE GOSTO MAIS,  foi o seguinte; 2566 posts, 99.252 visitas e 146.310 visualizações de página, o que ainda é muito pouco. Preciso melhorar muito e para tanto tenho que aprender mais sobre blogs. Esqueci de fazer o apanhado de onde os blogs são acessados e o que posso dizer é que muita gente em Portugal, EEUU, Alemanha, Dinamarca, Rússia, Japão, China, Colômbia, Venezuela, México e muitos outros países do mundo acessam estes blogs e fico admirado. Acho estranho a França ter pouca participação. Ainda assim tem um alto índice de rejeição o que se justifica pelo fato de não saber colocar um link para ser aberto em outra aba, ou janela, fazendo com que o leitor permaneça presente no blog. isso gera e eleva o grau de rejeição. Se conseguir fazer isto a rejeição cai e muito. Ainda não tive saco de aprender como fazer para que as coisas melhorem. por enquanto me dou por satisfeito.

Meditação Diária, Narcóticos Anônimos, 19 de setembro de 2011

Irmandade

"Em NA as nossas alegrias se multiplicam ao compartilharmos os bons dias; aliviamos as nossas tristezas ao compartilharmos os maus dias. Pela primeira vez nas nossas vidas não precisamos vivenciar nada sozinhos."

IP Nº 16, “Para o recém-chegado”

Quando usamos os passos e as outras ferramentas de nosso programa para trabalhar nossas dificuldades, nos tornamos preparados para apreciar as alegrias de viver limpo. Mas nossas alegrias passam rapidamente se na as partilharmos com os outros, enquanto dificuldades não partilharmos podem custar a passar. Na Irmandade de Narcóticos Anônimos frequentemente multiplicamos as alegrias e dividimos nossos fardos, partilhando uns com os outros.

Nós adictos experimentamos prazeres em recuperação que, algumas vezes, só outro adicto pode apreciar. Companheiros entendem quando falamos a eles da satisfação que sentimos ao restabelecer relacionamentos abalados, do alívio que experimentamos por não ter que usar drogas para passar este dia. Quando partilhamos estas experiências com adictos em recuperação e eles nos respondem com histórias semelhantes, nossa alegria é multiplicada. O mesmo princípio se aplica aos desafios que encontramos como adictos em recuperação. Partilhando nossos desafios e permitindo que outros membros de NA partilhem sua força conosco, nosso fardo é aliviado.

A irmandade que temos em Narcóticos Anônimos é preciosa. Partilhando juntos, aumentamos as alegrias e diminuímos os fardos da vida em recuperação.

Só por Hoje: Eu vou partilhar minhas alegrias e meus fardos com outros adictos me recuperação. Eu também vou partilhar os deles. Eu sou grato pelos laços fortes da irmandade em Narcóticos Anônimos.

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