quarta-feira, 6 de março de 2013

Alcoólicos Anônimos, Reflexão do dia

 6 de Março de 2013

A IDEIA DA FÉ

Não permita que preconceitos contra termos espirituais levem-no a deixar de perguntar honestamente o que eles significam para você.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS 
P. 69

A ideia da fé é algo difícil de engolir quando, medo, dúvida e raiva sobejam dentro e em volta de mim. Às vezes, a simples ideia de fazer algo diferente, algo a que não estou acostumado a fazer, pode eventualmente tornar-se um ato de fé se a fizer regularmente, sem discutir se á a coisa certa a fazer Quando um dia está ruim e tudo está dando errado, uma reunião ou uma palestra com outro bêbado muitas vezes me distrai, o bastante para me persuadir de que nem tudo é tão impossível, tão esmagador como eu tinha pensado. Da mesma maneira, ir à uma reunião ou conversar com outro companheiro alcoólico é um ato de fé; acredito que estou detendo minha doença. Estas são as maneiras pelas quais movo-me lentamente para uma fé num Poder Superior.

Sou um Adicto?


Só você pode responder a esta pergunta. Isto pode não ser fácil. Durante todo o tempo em que usamos drogas, quantas vezes dissemos “eu consigo controlar”. Mesmo que isto fosse verdade no princípio, não é mais agora. As drogas nos controlavam. Vivíamos para usar e usávamos para viver. Um adicto é simplesmente uma pessoa cuja vida é controlada pelas drogas.

Talvez você admita que tenha problema com drogas, mas não se considere um adicto. Todos nós temos idéias preconcebidas sobre o que é um adicto. Não há nada de vergonhoso em ser um adicto, desde que você comece a agir positivamente. Se você pode se identificar com nossos problemas talvez possa se identificar com a nossa solução. As perguntas que se seguem foram escritas por adictos em recuperação em Narcóticos Anônimos. Se você tem alguma dúvida quanto a ser ou não um adicto, dedique alguns momentos à leitura das perguntas abaixo e responda-as o mais honestamente possível.

Alguma vez você já usou drogas sozinho?
Alguma vez você substituiu uma droga por outra, pensando que uma em particular era o problema?
Alguma vez você manipulou ou mentiu ao médico para obter drogas que necessitam de receita?
Você já roubou drogas ou roubou para conseguir drogas?
Você usa regularmente uma droga quando acorda ou quando vai dormir?
Você já usou uma droga para rebater os efeitos de outra?
Você evita pessoas ou lugares que não aprovam o seu consumo de drogas?
Você já usou uma droga sem saber o que era ou quais eram seus efeitos?
Alguma vez o seu desempenho no trabalho ou na escola foi prejudicado pelo seu consumo de drogas?
Alguma vez você foi preso em conseqüência do seu uso de drogas?
Alguma vez mentiu sobre o quê ou quanto você usava?
Você coloca a compra de drogas à frente das suas responsabilidades?
Você já tentou parar ou controlar seu uso de drogas?
Você já esteve na prisão, hospital ou centro de reabilitação devido a seu uso?
O uso de drogas interfere em seu sono ou alimentação?
A idéia de ficar sem drogas o assusta?
Você acha impossível viver sem drogas?
Em algum momento você questionou sua sanidade?
O consumo de drogas está tornando sua vida infeliz em casa?
Você já pensou que não conseguiria se adequar ou se divertir sem drogas?
Você já se sentiu na defensiva, culpado ou envergonhado por seu uso de drogas?
Você pensa muito em drogas?
Você já teve medos irracionais ou indefiníveis?
O uso de drogas afetou seus relacionamentos sexuais?
Você já tomou drogas que não eram de sua preferência?
Alguma vez você usou drogas devido a dor emocional ou “stress”?
Você já teve uma “overdose”?
Você continua usando, apesar das conseqüências negativas?
Você pensa que talvez possa ter problema com drogas?
Sou um adicto?

Esta é uma pergunta que só você pode responder. Descobrimos que todos nós respondemos “sim” a um número diferente de perguntas. O número de respostas positivas não é tão importante quanto aquilo que sentíamos e a maneira como a adicção tinha afetado nossas vidas. Algumas destas perguntas nem ao menos mencionam drogas. A adicção é uma doença traiçoeira que afeta todas as áreas de nossas vidas, mesmo aquelas que a princípio não parecem ter muito a ver com drogas. As diferentes drogas que usávamos não eram tão importantes quanto os motivos pelos quais usávamos ou o que elas faziam conosco. Quando lemos estas perguntas pela primeira vez, assustou-nos pensar que poderíamos ser adictos. Alguns de nós tentaram livrar-se desses pensamentos dizendo:

“Ora, essas perguntas não fazem sentido.” ou “Eu sou diferente. Eu sei que tomo drogas, mas não sou um adicto. O que tenho são problemas emocionais/familiares/profissionais.” ou “Eu estou apenas passando por uma fase difícil.”  ou “Eu serei capaz de parar quando encontrar a pessoa certa/o trabalho certo, etc.!”

Se você é um adicto, precisa primeiro admitir que tem problema com drogas antes de fazer qualquer progresso no sentido da recuperação. Estas perguntas, quando respondidas honestamente, podem lhe mostrar como o uso de drogas tem tornado sua vida incontrolável. A adicção é uma doença que, sem a recuperação, termina em prisão, instituições e morte. Muitos de nós vieram para Narcóticos Anônimos porque as drogas haviam deixado de fazer o efeito que precisavam. A adicção leva nosso orgulho, auto-estima, família, entes queridos e até mesmo nosso desejo de viver. Se você não chegou a esse ponto com sua adicção, não precisa chegar. Descobrimos que nosso inferno particular estava dentro de nós. Se você quer ajuda, pode encontrá-la na Irmandade de Narcóticos Anônimos.

“Estávamos buscando uma resposta quando estendemos a mão e encontramos Narcóticos Anônimos. Viemos à nossa primeira reunião de NA derrotados e não sabíamos o que esperar. Depois de assistirmos a uma ou várias reuniões, começamos a sentir que as pessoas se interessavam e queriam nos ajudar. Embora pensássemos que nunca seríamos capazes, as pessoas na Irmandade nos deram esperança, insistindo que poderíamos nos recuperar. Entre outros adictos em recuperação, compreendemos que não estávamos mais sozinhos. Recuperação é o que acontece em nossas reuniões. Nossas vidas estão em jogo. Descobrimos que, ao colocarmos a recuperação em primeiro lugar, o programa funciona. Enfrentamos três realidades perturbadoras:

Somos impotentes perante adicção e nossas vidas estão incontroláveis;
Embora não sejamos responsáveis por nossa doença, somos responsáveis pela nossa recuperação;
Não podemos mais culpar pessoas, lugares e coisas por nossa adicção. Devemos encarar nossos problemas e nossos sentimentos.


A principal arma da recuperação é o "adicto em recuperação.”

Crédito: http://www.cbrna.com.br/a-irmandade/sou-um-adicto.html

MEDITAÇÃO DIÁRIA, NARCÓTICOS ANÔNIMOS


                                            Narcóticos Anônimos = Grande São Paulo

06 de março de 2013

"Como resultado dos Doze Passos, não sou capaz de me agarrar às velhas maneiras de enganar a mim mesmo."

Todos nós racionalizamos. Algumas vezes sabemos que estamos racionalizando, admitimos que estamos racionalizando; entretanto, continuamos a nos comportar de acordo com nossas racionalizações! A recuperação pode se tornar muito dolorosa quando decidimos que=, por uma razão ou outra, os princípios simples do programa não se aplicam a nós.

Com a ajuda de nosso padrinho e de outros em NA, podemos começar a olhar as desculpas que usamos para nosso comportamento. Achamos que alguns princípios não se aplicam a nós? Acreditamos que sabemos mais do que todo mundo em Narcóticos Anônimos, mesmo aqueles que tem estado limpos por muitos anos? O que nos faz pensar que somos tão especiais?

Não há dúvida que podemos racionalizar com êxito nosso caminho por algum tempo em nossa recuperação. Porém, mais cedo ou mais tarde, temos que honestamente encarar a verdade e começar a agir de acordo. Os princípios dos Doze Passos nos guiam para uma vida nova em recuperação. Nela, há pouco espaço para a racionalização.

Só por hoje eu não posso trabalhar os passos e também continuar enganando a mim mesmo. Eu vou examinar minhas racionalizações, revelá-las a meu padrinho/madrinha e me livrar delas.

terça-feira, 5 de março de 2013

Meditação do Dia - Narcóticos Anônimos


TERÇA, 05 DE MARÇO DE 2013

Do despertar violento ao despertar espiritual

"Quando surge uma necessidade de admitirmos a nossa impotência, podemos tentar primeiramente procurar formas de reagir contra ela. Tendo esgotado todas essas formas, começamos a partilhar com outros e encontramos esperança." Texto Básico, p. 93 

Por vezes ouvimos dizer nas nossas reuniões que "despertares violentos levam a despertares espirituais". Que espécie de despertares violentos é que temos em recuperação? Um deles poderá ocorrer quando um parte indesejável do nosso comportamento, que julgávamós bem escondido, é subitamente revelado para que todos possam ver. Ou quando o nosso padrinho ou madrinha nos informa de que, tal como qualquer outro, temos de trabalhar os passos se quisermos recuperar e manter-nos limpos. A maioria de nós detesta ver as nossas capas retiradas; não gostamos de ficar nus à vista de todos. A experiência traz uma forte dose de humildade. A nossa primeira reacção a tais revelações é normalmente o choque e a raiva, mas no entanto reconhecemos a verdade quando a ouvimos. O que estamos a experimentar é um despertar violento. Esses despertares revelam muitas vezes barreiras que nos impedem de progredir espiritualmente na nossa recuperação. Uma vez expostas essas barreiras, podemos trabalhar os passos para começar a removê-las das nossas vidas. Podemos começar a experimentar a cicatrização e a serenidade que constituem o prelúdio de um renovado despertar do espírito.

Só por hoje: Vou reconhecer os meus despertares violentos como oportunidades de crescimento em direção ao despertar espiritual.

Crédito: www.na-pt.org

Maiores são os poderes de DEUS

O último post que escrevi, intitulado "E agora José?", já faz algum tempo. O José poderia ser qualquer adicto que cai na desventura de voltar ao caminho da insanidade das drogas, de se deixar levar, esquecendo que sua recuperação exige manutenção diária.

Hoje volto a escrever sobre outro tipo de inconveniente que um adicto pode padecer em determinados locais. Um deles é a extorsão, que é muito em certos meios e o adicto sofre, de tal modo, tantas extorsões que acaba se deixando levar pelo medo, desespero e outros sentimentos que o levam a viver um pesadelo surreal.

Pagar pelo não deve, sob  ameaças e todo tipo de pressão. Em certos locais é muito comum o "aperto de mente" que leva o adicto a entrar em desespero total. Perde a paz e vive intranquilo, inseguro, passa a ver fantasmas. Sente que lhe falta proteção, apoio e que ninguém quer lhe dar ouvidos, prevalecendo versões mentirosas de quem explora o mercado ilegal drogas.

Por se encontrar em situação já descrita no artigo acima referido, "E AGORA JOSÉ", um ser humano pode viver pesadelos dantescos. O universo das drogas é um mundo louco, onde prevalece a lei da selvageria. Em situação de risco, sob ameaça, o adicto vive seu drama particular que o leva ao desespero total. Um sujeito despreparado pode ser levado a cometer loucuras neste estado desesperador. Teme recorrer a ajuda policial, a família lhe vira as costas e o ser humano adoecido não sabe o que fazer. 

Existem outras situações inusitadas, de dívidas reais, contraídas em estado de insanidade total. Para fazer uso da droga de sua preferência o adicto termina selando compromissos que jamais deveria selar.

Depois de ter dado a palavra (e a palavra deve ser honrada), acontece, por exemplo, uma greve inesperada de vigilantes que impede os bancos de funcionar... a greve  não é de bancários (outra loucura que pode resultar em ações indenizatórias pelos prejudicados) e o compromisso que ele dava como certo resolver a contento não pode ser concretizado. Não lhe cabe qualquer parcela de culpa, mas a divida tem que ser paga de qualquer maneira e um novo tipo de pesadelo passa a desorganiza-lo, sem que lhe caiba qualquer culpa. Passa a viver outro dilema: o de ter dinheiro para honrar a dívida e não poder sacar o mesmo por conta de uma greve. Sem poder honrar seu compromisso, por não ter acesso ao seu dinheiro, vive o drama de obter dinheiro de qualquer maneira para quitar seu débito. O dinheiro existe e se acha em sua conta bancária. Mas o banco não o atende e não existe nenhum tipo de sensibilidade de parte de quem trabalha nos bancos. O que fazer agora? 

O sujeito não dorme, mal come, sai por ai fazendo bobagens, a auto estima já em baixa chega a um nível perigoso.

O sujeito procura ajuda, expõe sua situação, mas ninguém quer lhe abrir as portas para ajuda-lo, minorando sua dor. O pior é que de um lado e do outro, os extremos se tocam e todos se nivelam, tornam-se semelhantes. O adicto sente que sua vida não vale um centavo e só sente o sabor desalentador da indiferença de quase todos e ele nota que vive submerso pelo desprezo e horror. Evangélicos e cristãos desaparecem. Aonde residem as irmandades e a misericórdia? Tende piedade de nós, Senhor, é o que clama.

Aquele espírito fraterno, aquela solidariedade humana, some do seu caminho. Dinheiro é algo que pode unir e desunir, dependendo das circunstâncias. O lar torna-se palco de um drama, onde quem sofre mesmo é o adicto, mergulhado em um mar de incompreensões. Irmãos, cônjuge, parentes, amigos, somem, ou adquirem feições de um traficante quando ligam o botão do foda-se para o adicto necessitado. Emergem sentimentos primitivos inferiores e aquela benevolência desaparece de cena. É como se dissessem, em flagrante contradição: agora morra!

De um lado e do outro ninguém quer saber de quem sofre nas garras do "credor" e a usura pelo dinheiro governa as ações. A insensatez mostra sua cara. Nesse momento o adicto manifesta o seu desejo de viver e só vê a cara da morte em sua frente. O rosto desfigurado do que há de humano em nós é o retrato falado da situação. Que drama !

O adicto, luta, mas chega o momento em que desabafa e diz: - vocês não diferem em nada dos traficantes. Minha vida não vale nada para vocês. A vida que dizem querer salvar do mundo das drogas, só evidencia uma mentira estampada em cada face e vocês não querem salvação alguma para mim, estão me entregando à morte...

No mundo em que todos conjugam o verbo manipular, em todas as pessoas, do singular ao plural, a manipulação vira um jogo sujo e só o adicto fala a verdade. 

O FODA-SE soa e ecoa na mente de quem padece o horror de viver tamanho drama. Presságios e mau agouros atormentam e torturam a mente desalentada e carregada de tristeza. Vem aquele sentimento horrível do adicto dizer: - se é para morrer, morrerei, nada espero de quem deveria esperar qualquer sentimento bom... A "humanidade", nestas horas é desumana. O "mundo" da esperança vira desespero e o jeito é encarar a morte. O jeito é sair, beijar o pai e a mãe como se fosse a última despedida. O fundo musical que lhe vem à mente é da composição de Chico Buarque, intitulada CONSTRUÇÃO... o adicto é como o operário que vai morrer "atrapalhando o tráfego", atrapalhando tudo. Mas pai é pai e mãe, eles sabem quando um filho mente e quando fala a verdade. Deus parece interceder e a salvação surge: Fez-se LUZ em meio as TREVAS.

Em todo drama vivido havia muitas pedras no caminho do adicto, que passa a ser a "verdadeira" droga.

Os familiares invertem tudo e fazem do humano, uma droga desumana. Procedem como os vendedores da morte. O drama não se encerra. A paz que o adicto sonha e quer, agora é pura raiva para a família, exceto para quem nele acredita, como aquele bom samaritano que sacou cem reais da carteira e disse: vá lá, cara, e pague aquela dívida de merda. Esse foi, além de amigo, um irmão. A ele, aos pais e ao poder superior fica a gratidão eterna.

O adicto sabe das marolas que se transformarão em maremotos, das ventanias que viram tempestades em copos d´água e, esta gente fria, insensível, contraditória, indiferente, ainda vai priorizar o dinheiro, acima de tudo, esquecendo o que aprendeu com suas respectivas religiões. O Cristo deles é o demônio e o verdadeiro Cristo está do lado daquele que é considerado o pecador: o adicto! 

Mais uma lição de vida: o mundo está cheio de Pilatos e aquele papo de salvação é papo furado. Existe algo "inconsciente" na cabeça dos "salvadores", algo que só Freud poderia explicar. Dizem querer lhe querem vivo e salvo das drogas, mas, na verdade estão lhe entregando à morte. Que loucura!

Porém, maiores são os poderes de Deus!  Esta é a lição de moral que o adicto pode extrair do seu drama particular. Deve ter em mente que é preciso mudar de vida, mudando a si mesmo.

O inusitado revela a alma de muita "piedosa" gente, gente que propaga o quanto "sofreu" por causa de você, caro adicto. O espírito Cristão reina em muito poucos corações, esta é a revelação e você relembra que "Jesus é o caminho, a verdade e a vida"... Siga seu caminho, na paz do Senhor. Viva sua própria salvação, ame mais a si mesmo e, decididamente, não cometa mais o mesmo erro esperando resultados diferentes. Aprenda de uma vez que a insanidade não é algo que só acontece dentro de você. Ela pode reinar em volta do seu ser, sem egocentrismo.  O mundo não parou nos anos cinquenta do século passado. O crime é organizado, vê se aprende!


Leia : É o Golpe da Dívida

segunda-feira, 4 de março de 2013

Oração para dormir – Santo Anjo do Senhor…

Anjo da Guarda


Quando eu era pequenininha

E minha mãe já tinha ido para o céu

Todas as noites, antes de dormir,

Colocava as mãozinhas em palma

E rezava bem baixinho:


Este quadro do anjo com as crianças é uma das boas lembranças que tenho da minha infância…

Lembro-me de um em especial: o anjo bem atrás de duas crianças atravessando a ponte.

Todas as casas tinham um quadro de Anjo da Guarda para proteger as suas crianças…

Eu já me sentia protegida, só de olhar para o quadro – uma cena muito forte e sensível.

Hoje, as crianças têm outras visões ou referências sobre proteção, talvez mais reais e menos românticas.

Acredito que, naquela época, tínhamos uma fé muito ligada às experiências cotidianas.

Em maio, as mulheres católicas que tomavam conta das Igrejas, preparavam as crianças para os eventos de Coroação

de Nossa Senhora e, quando era a minha vez, eu nem dormia de tanta ansiedade.

Saudades da “Tia Amelinha” – irmã da minha mãe – que cuidava de providenciar vestidos de anjos, com plumas

e coroas de rosas, cheias de brilhos (vestidos de seda e flores de tecido, em várias cores, que deixavam a

gente cheia de indecisão – que cor escolher? – Rosa claro,  ou mais escuro, azul de todos os tons, roxos, lilaz, branco… tantas cores!!!)

As asas eram tão grandes e lindas que parecíamos capazes de voar!!!

Em Conceição do Mato Dentro, na Igreja da Matriz,

disputávamos colocar a Corôa na cabeça de Nossa Senhora da Conceição

- era a coroação mais importante do mês de maio.

(-Psiu!!! a gente não podia nem piar e nem se mexer – ficávamos quietinhas e concentradas).

Não me recordo de garotos coroando Nossa Senhora – hoje refleti sobre isso. Não mesmo…

Decorávamos os versos e o côro: (era tanta responsabilidade que a gente até tremia):

“Como um elo, de ouro, elo d’ouro de neve…

Bem de leve… leve, leve …

Caem as bênçãos  lá dos céus…”

É Maria, que acesa, num luar de um sorriso,

Nananinããã… Nos ensina a grandeza, De um Deus no Paraíso!!!”

Eu era muito pequena e não me lembro mais de algumas palavras…

Sonhos? Não, saudades de uma infância bem vivida e muito saudável…

Postado por: Delza Maques

Crédito: Bendito Assunto

Juiz singular pode analisar morte por dívida de droga

COBRANÇA ILEGAL

Por André Luis Melo

Atualmente as mortes decorrentes de cobrança por dívida de droga já correspondem a 80% dos homicídios e ainda são julgadas pelo júri. Mas é possível mudar a interpretação do tipo penal e remeter a competência para o juiz singular, pois deixaria de se aplicar o artigo 121 do Código Penal e passaria a se aplicável o artigo 157, parágrafo 3º (latrocínio) ou artigo 158, parágrafo 2º, do CP (extorsão seguida de morte).

O latrocínio é o roubo seguido de morte ou lesão grave, mediante violência anterior ao roubo ou concomitante ao ato de subtração. A proximidade entre latrocínio e homicídio é muito latente. Tanto que apenas em 1984 o STF pacificou que latrocínio não era crime contra a vida (competência do júri), mas sim crime contra o patrimônio (competência do juiz singular). Antes era julgado pelo júri, como ocorreu no caso clássico dos Irmãos Naves, pois era caso de latrocínio (morte para roubar) e hoje seria julgado pelo juiz singular, conforme súmulas do STF a seguir:

Súmula 610
Crime de Latrocínio — Homicídio Consumado Sem Subtração de Bens
Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não se realize o agente a subtração de bens da vítima.
J. 17/10/1984 - DJ de 29/10/1984, p. 18114; DJ de 30/10/1984, p. 18202; DJ de 31/10/1984, p. 18286.

Súmula 603
A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do Tribunal do Júri.
Data de Aprovação: Sessão Plenária de 17/10/1984 DJ de 29/10/1984, p. 18113;

Ocorre que não há uma vedação para que a violência seja posterior ao roubo, uma vez que depende muito da ação, pois o crime de roubo embora crime instantâneo, a modalidade vem sendo aperfeiçoada pelos bandidos, o que acaba implicando em outros parâmetros de análise do fenômeno, como nos assaltos a bancos que podem durar dias e apenas ao final ocorrer mortes.

A separação entre homicídio e latrocínio na prática é complexa e depende do desígnio subjetivo do agente. Por exemplo, se furtou e depois de consumado o crime resolveu matar, temos furto mais homicídio em vez de latrocínio. No caso das drogas, se o devedor paga, não morre. Mas, caracteriza subtração, pois a dívida era ilegal, pois a droga é ilícita, assim como dívida de jogo de bicho.

Por outro lado, hoje o tipo mais comum de morte é a decorrente de cobrança de dívidas de drogas. Em uma leitura aprofundada é possível extrair que as mortes neste caso inserem-se no contexto de crime patrimonial, pois o objetivo maior não era matar ( crime contra a vida), mas sim receber uma dívida. Logo, se pagasse não morreria. A vida ceifada foi apenas um meio de se tentar cobrar a dívida e manter o poder territorial dos traficantes.

Acontece que atualmente 80% das mortes violentas são por crimes decorrentes de cobrança de dívidas de drogas. No entanto, a cobrança de dívida de droga é cobrança de uma dívida ilícita, ou seja, de produto ilegal, logo caracteriza subtração e insere-se em uma espécie imprópria de roubo, conforme texto do artigo 157 do CP:

Roubo
Art. 157 — Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena — reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa.
§ 3º — Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de 7 (sete) a 15 (quinze) anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, sem prejuízo da multa.

O crime de latrocínio é tecnicamente uma qualificadora do crime de roubo. Nem existe este termo “latrocínio” no Código Penal, o qual foi adotado pela doutrina. Muito pouco se reflete sobre o alcance do mesmo. No entanto, o crime conhecido como latrocínio consuma-se tanto com a morte, mesmo sem subtração; assim como com a subtração, mesmo sem a morte.

Um dado relevante é que a pena mínima do latrocínio é de 15 anos, enquanto a do homicídio qualificado é de 12 anos. A pena máxima para ambos é de 30 anos.

No caso do latrocínio o fato de não se ter recebido a dívida ilegal ou não ter obtido o objetivo patrimonial não inibe a consumação em razão da morte da vítima.

O crime de morte por cobrança de dívida de drogas normalmente tem uma execução similar, ou seja, um ou dois autores, em uma moto preta aproxima-se da vítima, chama a mesma pelo nome, provavelmente fazem a última cobrança, não recebem, atiram várias vezes e fogem. Em regra, não há testemunhas.

É conhecido como crime preterdoloso, no qual a morte não era o objetivo principal, mas também não foi um acidente. Ou seja, algo muito comum de ocorrer na cobrança de dívidas de droga.

Há várias hipóteses que há mortes dolosas que não são julgadas pelo júri como genocídio, terrorismo, latrocínio e outras, pois a morte foi apenas um meio para se consumar outro crime, ou seja, não são tecnicamente homicídios.

Ainda que se entenda que a cobrança ilegal não seja “subtração”, então a mesma caracteriza a extorsão qualificada prevista no artigo 158:

Art. 158 — Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Pena — reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º — Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço até metade.
§ 2º — Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior.

Na doutrina, diferencia-se roubar como “tomar” e extorquir como “obrigar a entregar”. Na prática, é difícil diferenciar um do outro em muitos casos, exceto em alguns casos como nas chantagens. No novo Código Penal há tendência em unificar estes delitos (roubo e extorsão). Contudo, se os autores estão exigindo o pagamento de uma dívida indevida (drogas), então caracteriza constranger mediante violência para obter indevida vantagem econômica.

O ideal seria que o legislador criasse a figura penal do traficocídio (morte para cobrar dívidas de drogas). Mas, como isto não acontece, ressalta-se que é possível classificar como latrocínio.

Por exemplo. Num júri gasta-se, no mínimo, um dia de julgamento, além do terror causado nos jurados, pois não está julgando um par, mas um agressor protegido por organização criminosa. Além disso, teve uma fase anterior no juízo singular. No latrocínio é possível fazer de três a cinco audiências de julgamentos por dia (se incluir manhã e tarde).

Portanto, considerando que a dívida de droga é ilícita, trata-se de subtração ou constrangimento através de indevida cobrança para obter vantagem econômica indevida, e se ocorrer violência, principalmente seguida de morte, então está caracterizado o latrocínio (art. 157, §3º, segunda parte, do CP) ou então 158, parágrafo 2º, também do CP, e não homicídio, logo o caso deve ser julgado pelo juiz singular e não pelo júri, o que agilizaria os julgamentos e combateria a impunidade, reduzindo as mortes futuras, sendo uma eficiente política criminal preventiva.

André Luis Melo é promotor de Justiça em Minas Gerais, professor universitário e mestre em Direito.

Revista Consultor Jurídico, 16 de novembro de 2012

Meus olhos: Carl Rogers


A Família e Transtornos Emocionais



É dispensável relacionar aqui as situações familiares bizarras e extremas, capazes de prejudicar o bom desenvolvimento emocional de seus membros, incluindo os filhos, cônjuge, netos, sobrinhos e até o cachorro da casa. Normalmente essas situações dizem respeito ao alcoolismo, drogadicção, histerias de várias formas, violência doméstica, chantagens emocionais, enfim, toda sorte de excessos capazes de perturbar o bom andamento das coisas familiares. 


Pode parecer estranho mas, de fato, o que interessa considerar aqui é o exercício da maldade, tortura e crueldade. Mas não se trata da maldade, tortura e crueldade clássicas e francas. Aí ficaria muito fácil diagnosticar a dinâmica familiar deturpada. Mas não, o que nos interessa é o exercício da maldade, tortura e crueldade exercidas velada e dissimuladamente. Esse tipo disfarçado de crueldade e maldade inclui toda espécie de chantagens emocionais, cerceamentos de liberdade, desrespeito, omissões e opressões que familiares dirigem uns contra os outros de forma surda, calada e, muitas vezes, socialmente irreprimível. 

Família de Alta Emoção Expressa

O termo Alta Emoção Expressa foi adotada, inicialmente, para indicar características de famílias que favoreciam a recaída dos sintomas de pacientes em tratamento psiquiátricos /psicoterapicos. Hoje em dia, podemos empregar o termo para designar famílias que favorecem o desenvolvimento de estados emocionais desconfortáveis.

Esse tipo de família onde existem pessoas capazes de gerar ansiedade e mal estar emocional em outros familiares, constitui aquilo que chamamos de Família de Alta Emoção Expressa.

Agressões Emocionais são aquelas que, independentemente do contacto físico, ferem moralmente. A Agressão Emocional, como nas agressões em geral, depende do agente agressor e do agente agredido. Quando não há intencionalidade agressiva e o agente agredido se sente agredido, independentemente da vontade do agressor, a situação reflete uma sensibilidade exagerada de quem se sente agredido.

Havendo intencionalidade do agressor, o mal estar emocional produzido por sua atitude independe da eventual sensibilidade aumentada do agente agredido e outras pessoas submetidas ao mesmo estímulos, se sentiriam agredidas também.

O simples silêncio pode ser uma agressão violentíssima. Isso ocorre quando algum comentário, uma posição ou opinião é avidamente esperado e a pessoa, por as vez, se fecha num silêncio sepulcral, dando a impressão politicamente correta de que “não fiz nada, estava caladinho em meu canto…”. Dependendo das circunstâncias e do tom como as coisas são ditas, até um simples “acho que você precisa voltar ao seu psiquiatra/psicologo” é ofensivo ao extremo, assim como um conselho falsamente fraterno, do tipo “não fique nervoso e não se descontrole”.

As atitudes agressivas refletem a necessidade de uma pessoa produzir alguma reação negativa em outra, despertar alguma emoção desagradável. As razões dessa necessidade são variadíssimas e dependem muito da dinâmica própria de cada família.

Podem refletir sentimentos de mágoa e frustrações antigas ou atuais, podem refletir a necessidade de solidariedade emocional não correspondida (estou mal logo, todos devem ficar mal), podem representar a necessidade de sentir-se importante na proporção em que é capaz de mobilizar emoções no outro…. enfim, cada caso é um caso.

Crédito:http://oitosete.wordpress.com/page/3/

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

FALSAS CRENÇAS A RESPEITO DA RECAÍDA




A recaída não significa forçosamente que o adicto falhou, mas que tropeçou e tem mais para aprender.


Esta brochura examina falsas crenças que se têm sobre a recaída e oferece àqueles que recaem encorajamento e apoio quando uma recaída tem lugar.

Caso esteja em recuperação de uma doença ligada à adicção, a palavra recaída pode ser assustadora. Pode ter recaído. Sem dúvida deve ter sido informado da possibilidade muito real de que isso ocorra. E pode ter assistido, impotente, à recaída de outras pessoas de quem gosta e que talvez nunca mais tenham voltado a ter uma vida sóbria e estável.

É correto preocupar-se com a possibilidade da recaída, mas quanto mais souber sobre ela e quanto melhor a compreender, menos ameaçadora será para si. Há muitas ideias erradas acerca da recaída. As pessoas acreditam nessas ideias erradas e, em consequência, agem como se elas fossem verdadeiras. Como resultado, as pessoas com tendência para recair estão sujeitas à incompreensão e ao abuso não intencional por parte dos outros. 

FALSAS CRENÇAS É QUALQUER COISA QUE VOCÊ ACREDITA SER VERDADEIRA E SEGUNDO A QUAL AGE COMO SE FOSSE VERDADEIRA QUANDO, NA REALIDADE, É FALSA.

Muitas pessoas que têm tendência para recair acabam por acreditar em muitas coisas em relação a si próprias, que não têm qualquer verdade. Castigam-se com essas falsas crenças e, culpando-se, tornam a sua situação pior. Essas pessoas fazem escolhas, baseadas nessas ideias e, por vezes, as escolhas são destrutivas.

Recentemente, contaram no noticiário a história de um rapaz que se matou por ter tido um resultado positivo num teste de AIDS. Depois da sua morte, descobriram que o resultado positivo tinha sido um erro e que, afinal, não tinha a tão temida doença. A sua crença errada o levou a fazer uma escolha errada.

Todos nós temos noções erradas e atitudes perigosas a respeito de muita coisa. As falsas crenças sobre a recaída podem ter consequências destrutivas. O primeiro passo para prevenir a recaída é compreender o que ela é, e o que não é. O segundo passo consiste em pôr em causa as suas próprias ideias a respeito dela. Se tiver tendência para a recaída, as suas crenças erradas podem levá-lo à morte ao impedi-lo de procurar a ajuda de que precisa. Se você for um conselheiro ou um membro de A.A. que tenta ajudar as pessoas com tendência a recair a manterem-se sóbrias, as suas atitudes erradas podem alimentar o processo de recaída e empurrar essas mesmas pessoas para a próxima bebida. Não que essa fosse a sua intenção, mas por causa da sua informação errada.

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Reflexões Diárias, ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

 
12 de Fevereiro de 2013

A FONTE DE NOSSOS PROBLEMAS

Egoísmo, egocentrismo! Acreditamos que esta é a fonte de fonte de nossos problemas.



Comentários de um membro...

Como surpreende a revelação de que o mundo e tudo que contem, pode continuar muito bem com ou sem a minha participação! Que alivio saber que as pessoas, lugares e coisas estarão muito bem sem meu controle e direção. E como é inexplicavelmente maravilhoso vir a acreditar que existe um Poder Superior mim, separado e independentemente de mim mesmo. Acredito que o sentimento de separação que experimento entre eu e Deus um dia desaparecerá. Enquanto isso, a fé deve servir como estrada para o centro de minha vida.

Meditação Diária Narcóticos Anônimos • Comitê de Serviço de Área • São Paulo •


12 de fevereiro de 2013
Vivendo o momento

"Lamentávamos o passado, temíamos o futuro e não sentíamos grande entusiasmo pelo presente."
Texto Básico, pág. 8

Até experimentarmos a melhora que acontece quando trabalhamos os Doze Passos, sem dúvida não poderíamos encontrar uma situação tão verdadeira quanto a citada acima. A maioria de nós chegou a NA de cabeça baixa, com vergonha, pensando no passado e desejando voltar atrás e mudá-lo. Nossas fantasias e expectativas sobre o futuro podem ser tão extremas que, em nosso primeiro encontro amoroso com alguém, já estamos pensando no advogado que vamos contratar para o divórcio. Quase todas as nossas experiências nos levam a lembrar o passado ou começam a projetar o futuro.

No começo é difícil viver o momento. Parece impossível que nossas mentes possam parar. Temos dificuldade em divertir-nos. A cada momento percebemos que nossos pensamentos não estão focalizados no que está acontecendo agora. Podemos orar e pedir a um Deus amoroso que nos ajude a sair de nós mesmos. Se lamentamos o passado, fazemos reparações vivendo diferentemente hoje: se tememos o futuro, trabalhamos para viver responsavelmente hoje.

Quando trabalhamos os passos e rezamos cada vez que descobrimos que não estamos vivendo o presente, vamos notar que esses momentos não estão ocorrendo tão frequentemente como costumavam acontecer. Nossa fé vai nos ajudar a viver só por hoje. Teremos horas, até mesmo dias, quando nossa total atenção estará focalizada no momento presente, não no passado que lamentávamos ou no futuro que temíamos.

Só por Hoje: Quando eu vivo plenamente cada momento, eu me abro para as alegrias que, de outra maneira, poderiam me escapar. Se eu estou tendo problemas, eu vou pedir ajuda a um Deus amoroso.

Crédito :CSA-SP

domingo, 3 de fevereiro de 2013

E agora José?


É, companheiro, sei que foi, mais uma vez, em busca de uma aventura errante. Logo você, companheiro, ciente que a insanidade é cometer os mesmo erros esperando resultados diferentes? Que insistência burra, cair outra vez nessa armadilha!

E você é levado:  você se joga e vai... Quando vai, esquece que a volta é triste, mais triste que a partida. Ir e estar, é terrível; é um mundo diferente, que não é o seu, mas persiste no cometimento de erros!

Esqueceu que deve evitar a primeira dose, que deve evitar pessoas, lugares e hábitos, por auto-proteção, auto-defesa na sua recuperação que exige manutenção diária e permanente? Esqueceu que é um adicto, que aprendeu a viver um dia de cada vez, na base do só por hoje?

Esqueceu que entregou sua vida e suas vontades a um poder maior que você, o seu Poder Superior, e retoma dele as rédeas do seu rumo, em seu egocentrismo? 

Esqueceu que na drogadição você só vale o que tem? E quando não tem, você ainda está sob efeito e vai querer usar, entra numa louca compulsão e comete uma sucessão de besteiras, não é verdade?

E quando você vai obtendo alguma noção da realidade, já se passaram uns dias... tenta sair fora e ai, mais e mais, a sua triste estado e condição (humana) vai lhe chegando à mente. Você começa a pensar e raciocinar e a verificar o cometimento de tantos erros. Bate a depressão. Vem o desejo de voltar para casa, mas você se sente um lixo, está um caco! Fraco, mal alimentado, intoxicado...

Cansado, sem dormir e, ainda assim reluta. Pinta aquele quadro de sentir vergonha de si mesmo. De andar pelas quebradas com aquela sensação triste de que todos lhe observam com os olhos da comiseração e senso crítico. Serve de referência para muita gente, pois enxergam em você o que não devem ser. É deplorável!

Você quer voltar e não tem nada nos bolsos, ou nas mãos, é o próprio vazio. Um liso, leso e louco, arrependido, envergonhado, vivendo outros tipos de inquietações; apreensivo, com ansiedade e relutante, com medo de estabelecer contato com a família vai procrastinando o inevitável, por receio. E sua felicidade agora é triste!

Digo felicidade porque encontrou alguém que se identifica com você, que sente pena, mas resolve lhe dar a mão. Você sente que é um Dante no Inferno, tendo do lado, um miraculoso Virgílio, enviado de Beatriz. Quanta coisa lhe passa pela cabeça, numa retrospectiva das suas loucuras? 

Quer o aconchego de casa, mas só lhe restam as pernas para caminhar uma quilometragem grande de volta para casa. Que inferno!

O corpo lhe pesa tanto! está fraco e caminha sentindo o peso do esqueleto humano que lhe resta. Os pés lhe doem e tudo mais é dor. Você pensa em Deus e fica repetindo pedidos de ajuda, naquela angústia do "oh, meu Deus, me ajude"!

Quantas sensações lhe ocorrem e o medo volta, mas é um outro tipo de medo, o de saber que vai ter que voltar a enfrentar a família e o medo de voltar aos mesmos lugares, sozinho, para quitação de débitos insanos, contraídos com gente que vê em você o alvo ideal para obter lucro, para lhe arrancar dinheiro. Agora você se sente em uma sinuca, pois sabe que ninguém pode lhe substituir e o máximo que podem fazer é lhe ajudar, mas você já não merece ajuda, outro erro que codependentes cometem, vez que o mundo atual é boca de se foder, é barra pesada... Lá de onde saiu, existe uma cidade, contra você, caso não cumpra as obrigações contraídas. Você não quer mais se desfazer do que possui e vive o desespero de quem está em um beco sem saída, não é verdade?

Pede compreensão e ninguém quer lhe compreender, não é o que lhe ocorre? Tudo que disser e contar, em seu libelo de defesa, será visto como mais uma sucessão de mentiras de um manipulador. Você será isso, e, talvez por isso, pela inadequação de todos, muita gente se afunda. A inteligência não preside mais nada. Tudo é doença e as decisões são doentias, porque resultam de pensamentos doentios. Não há evolução para quem não aceita tantas verdades. Que situação! você  pensa consigo mesmo... São os efeitos colaterais do uso se manifestando, lentamente, na medida em que vai regressando ao mundo real. E agora o que vai fazer?

Pois é, meu companheiro, volte a seguir a programação. Ainda existe uma instabilidade emocional dentro de você. É verdade que em sua solidão, tudo parece loucura e não existe mais diálogo. Seu drama agora é viver o próprio monologo que trava consigo mesmo, com sua consciência e tudo é amargo no seu regresso. Co-dependentes lhe voltam as costas e, sorte sua, alguém lhe entenda e lhe estenda a mão. "Que merda", você repete, tanto quanto "o que foi que eu fiz?".

É tudo tão parecido, companheiro! Você sai do mundo do uso das,  para entrar noutro mundo, onde você é a droga, que não produz os mesmos efeitos da droga que utilizou. Está como quem tá numa encruzilhada, sem saber o rumo que irá tomar e percebe a cilada em que se encontra, não é mesmo, cara? Vai enfrentar muita resistência e incompreensão e, ai é que você descobre que, quando você mais precisa de amor e compreensão, tudo lhe falta.

Agora é você e as circunstâncias, nesse novo e tão velho mundo da outra ponta da insanidade, que não é apenas a sua, mais aquela que se soma a sua culpa e tantas coisas mais, que bem sabe como é que é. Os extremos se tocam. Isso lhe castiga quando lhe vem à cabeça a canção feita do poema de Carlos Drummond de Andrade: "E Agora Jose?"

Agora você é uma equação matemática: a equação dos seus problemas pode estar em você, como pode estar nas mãos dos seus co-dependentes.

Que seu Poder Superior lhe ajude, é o que lhe desejo, de coração. Deus é pai, não é padrasto. Você faz o "mea culpa", mas ninguém sabe que porra é um "mea culpa". Você está sereno? Claro que gostaria, mas nessas situações, as apreensões são maiores. Tudo é incerto e o que não pode fazer é cometer asneiras. Mantenha-se centrado e focado e si mesmo, é o que posso lhe dizer. Seja forte e mesmo que todos desistam, nunca desista de você, nem de viver. Ainda que tudo lhe pareça incerto e conspire contra!

Cair é próprio da doença, a recuperação é responsabilidade totalmente sua e, não seria preciso dizer, mas digo: sozinho ninguém consegue e, será, que tem alguém que compreende isso, no seio da família e que se exercite na prática?

"O segredo está na próxima"... e mais será revelado


Foi ouvindo que aprendi, foi falando que dividi. Aqui a doença sai pela boca e a recuperação entra pelo ouvido!"

Doses de recuperação diárias...

Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi que co-dependência era uma doença mental, espiritual e física, e que eu não precisava ingerir nenhuma substância para ficar insana, as substâncias químicas estavam dentro de mim, e sendo elas, desencadeadas em doses cavalares se tornavam tóxicas...

Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi o que era manipulação, e aprendi que eu, com toda minha prepotência, minha auto-piedade e meu jeitinho "senhora sabe tudo" era também uma mestre em manipulação.

Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi que, usar o programa para fazer o outro sofrer funcionava, mas de uma maneira destrutiva para mim e para o outro, essa atitude só afastava o outro da real recuperação e afastava ainda mais eu de mim mesma!

Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi, que os "12 passos" são um programa de vida e não apenas um roteiro para que eu conseguisse tudo que queria.

Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi que não terei tudo que desejo, mas que eu posso valorizar a conquista de mais um dia serena e sã!



Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi a deixar o orgulho de lado e a pedir ajuda. Aprendi que ajudar outras pessoas me faz melhor e que minhas boas ações não precisam ser enaltecidas, elas valem somente para mim e não para que eu seja "vangloriada" pelos outros. Aprendi que a melhor boa ação é aquela que ninguém fica sabendo.


Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi que eu posso amar o outro de uma forma incondicional e mesmo assim não me envolver psicologicamente em seus problemas, aceitação é diferente de envolvimento emocional.


Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi que posso ter sempre duas escolhas em relação ao que me incomoda: Aceitar ou mudar a mim mesma. Só podemos modificar a nós mesmos aos outros só podemos amar.

Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi que não adianta decorar o programa, os doze passos foram feitos para serem praticados, exercitados, e principalmente, vividos diariamente!


Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi que temos dois ouvidos e uma boca, e foram feitos assim para ouvirmos mais, atentando-se sempre para os dois lados da situação e falarmos menos de uma forma direta, reta e assertiva, pois palavras ditas não voltam à boca!

Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi que eu posso transmitir aqui, no blog ou em uma conversa, todos os milagres que eu alcancei e como os alcancei e mesmo assim estarei sendo rasa em minha forma de levar a mensagem do 12º passo, que a melhor forma de praticá-lo é realmente tendo uma nova maneira de viver. Aprendi que não posso obrigar ninguém a buscar sua recuperação no programa, uma vez eu ouvi: "As reuniões são realmente para os que querem e não para os que precisam!"

Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi que não existe curativo melhor para um coração partido, uma alma dilacerada e uma mente perturbada que um abraço! Aprendi que nenhuma palavra precisa ser dita, e se você não tiver nada a falar, um simples, singelo e forte abraço, dado por alguns segundos e por até alguns minutos dizem mais que um discurso de horas!!!

Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi que meu Poder Superior se manifesta nas pessoas as quais eu jamais imaginaria pedir ajuda. Aprendi que meu Poder Superior tem um senso de humor único comigo, da mesma forma que eu tenho um típico senso de humor com a vida. Descobri que meu Poder Superior se manifesta nas pessoas, mas pode também se manifestar num outdoor, num semáforo vermelho, numa música de rádio, ou até mesmo num graduado palestrante da TV.

Foi ouvindo : "O segredo está na próxima"! Que aprendi que eu sempre encontrarei as respostas, desde que mantenha minha mente aberta! Que esse programa é tão perfeito que cada um, se mantiver a mente aberta, consegue encontrar as respostas as quais foi buscar. Talvez não no mesmo dia, ou na mesma reunião, pois, foi ouvindo : "O segredo está na próxima"...

Que eu continuei voltando, buscando o segredo e encontrando eu!

Amo Vocês Incondicionalmente...

( ...e mais será revelado, funciona! )


Crédito do texto (reformatado) e das fotos, (reposicionadas): Blog Procurando Eu  (Cuja visita e leitura de textos é recomendável, principalmente para co-dependentes, que aceitam e para os que não admitem a própria condição)

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