domingo, 19 de junho de 2011

Internação - Carta de um interno aos filhos


Interior de São Paulo...

Queridos filhos,

Antes de tudo deixo claro que não fujo, nem me furto em continuar me tratando. Sinto-me recuperado e estou certo de que o amor que vocês têm por mim é um fator a mais que me proporciona melhoras, em meu estado de saúde. O amor ,quando verdadeiro, é um santo remédio.

Quando estive internado em VS, em 05/01/2010, onde permaneci por 45 dias. Sai e fiquei limpo por quase um ano. Fui tratado da maneira mais civilizada possível, sem qualquer ato de violência física, ou psicológica. O tratamento lá obedece ao modelo do Minnesota (EUA) e até existe um filme, 28 dias, estrelado por Sandra Bullock, que retrata tal modelo. Refiro-me a VS para que se recordem que em momento algum pedi para sair de lá, tentei fugir, ou manifestei qualquer tipo de insatisfação. Esta internação foi voluntária. Infelizmente recaí... Com tal recaída vocês acabaram descobrindo, em São Paulo, uma clínica que para vocês era seria fantástica. 

Como minha boa fé e a minha confiança em vocês é irrestrita, logo que L. veio me falar em me internar, topei de imediato, sem qui-pro-có algum. Confiança ilimitada. Pegamos o avião e tomamos o rumo de Guarulhos e, após tomarmos o avião da AVIANCA, horrível, mas o único que atenderia a urgência que me foi sugerida... Chegamos em Guarulhos por volta das 17 horas e, logo em seguida, L. e E. quiseram me "empacotar" e "despachar" direto para a clínica, que fica no interior de São Paulo, em uma região muito fria. 

Estávamos no final do outono e sou super friorento. Pedi que ao menos me deixassem ver o filho C., que reside em São Paulo, no que fui atendido, apesar da relutância. Confraternizamos juntos e eu era só sorriso. Estava feliz, imaginando estar indo para uma clínica de verdade. Nos perdemos na Raposo Tavares e eu ria muito e me divertia bastante. Estava feliz com vocês e sua mãe. 

Manhã seguinte, em viagem alegre e descontraída, fomos juntos para a clínica que imaginei ser um sonho, face ao que me disseram. Olhe que eu acreditei até o momento em que me vi dentro de uma gaiola, preso e detrás de grades. Senti o sabor amargo do que considerei uma regressão aos tempos medievais e, ainda assim, cria que aquilo nada significaria e o que me foi prometido, logo se concretizaria. Fui de modo voluntário  movido pela boa fé, mas qual nada, as coisas foram se revelando o contrario de tudo quanto me foi dito ou prometido. 

Será que vocês tinham conhecimento de que estavam me "depositando" dentro de uma clínica prisional, fechada, com a liberdade restrita e submetido a um regime louco, onde bíblia e pornografia se combinavam, em um pseudo-tratamento, que mais caracteriza a loucura do proprietário, deste lugar ordinário em que me enfiaram.

Logo notei que todos eram tratados como prisioneiros e o modo em que, os "vigias" (GAP´s), falavam, como, por exemplo: - "onde está a chave da carceragem?", não me deixava dúvida de que estava enjaulado, no inferno, sem ter lido uma tabuleta com os dizeres de Dante Aligheri: "Ó vós que entrais, perdei toda esperança". 

No terceiro dia, um interno tentou fugir, foi capturado, apanhou e foi levado a um quartinho, onde foi amarrado e imobilizado. Este interno já estava acostumado com maus tratos, mas aquela violência e a naturalidade de tal pratica violenta, me preocupou, afinal estou acima dos 50 anos, fragilizado e morrendo de frio e sem estar adaptado ao regime insano da casa. 

Os GAP´s não passam de INTERNOS, em tratamento, desviados de uma terapia inexistente, para servirem a casa, como agentes repressores e o fazem de graça, como escravos, pois trabalham de graça; há quem diga que no final de tudo, teriam um pró-labore. Será? Estes GAP´s, todos ex-usuários de drogas, especialmente, crack, abusam dos companheiros e pegam roupas para troca, tirando vantagem dos indefesos. São subornáveis e, de tal sorte, podem até facilitar o acesso de drogas na clínica. Houve um suborno de um interno para poder ficar 10 minutos em um quarto com uma garota. 

Ai se iniciava meu pesadelo e decidi lhe escrever, escondido, esta cartinha, tentando lhe revelar o erro que cometeram me trazendo para uma clínica, sem pé nem cabeça e que considero muito louca. Vocês me puseram em local errado. Não creio que me enganaram, creio que fomos todos enganados. Não sou marginal para viver confinado. Vivo com minha movimentação restrita ao interior de uma casa, de fachada exterior bonita, mas, cujo interior, deixa a desejar. Em momentos de "folga" chego até um avarandado em redor da casa, para espichar as pernas, mas é impossível efetuar uma caminhada. 

Durmo na parte baixa de um beliche, que denominei "balança mas não cai" e o "meu" quarto é chamado de "passagem", sem privacidade alguma e por onde todos os internos circulam. Dá pra entender um quarto destes?

O frio e o vento gélido, associados, me deixam em apuros. Não tenho roupas adequadas e o frio dói no osso. Sou um baiano que adora o clima baiano e agora estou só e impotente, dentro de uma clínica que considero demoníaca. 

O outono, ainda não é inverno, tem sido torturante e tudo se agrava com as frentes frias sucessivas. Uso todas as minhas camisas, uma por cima da outra, quatro meias e uma calça de tergal e gemo de frio, a mão parece ter saído de um congelador e dói... Terrível este fim de mundo para onde me trouxeram, como se eu estivesse vindo pra um pedaço do paraíso. Será que sabiam disso e me enganaram? custo acreditar!

Perdoem minha caligrafia, escrevo com pressa. Aqui vivo em um regime totalitário, medieval, onde prevalece a lei do talião (lembrar o tapa na cara dado em Gilbert, um excepcional). 

Bem, tentarei resumir o que se passa aqui: tortura física e moral...reuniões onde o dono agride, com palavrões, os internos recuperandos, que pagam para serem tratados condignamente, creio. Não sei o que consta no contrato que L.L.N. assinou com a clínica.

Aqui ocorrem reuniões para que o proprietário agrida pacientes, com tapas, puxões de cabelo, ofensas morais, além de expor pacientes a execração de todos, proferindo impróperios e isto, não tem quem me convença, não faz parte de qualquer terapia. 

Será que as famílias sabem o que este louco faz com seus familiares, humilhando-os e destratando-os, além de submeter alguns a torturas físicas e psiquicas?

Há, na parte avarandada, um garrafão de água mineral, nunca lavado, que os internos enchem com água de torneira e colocam sobre o bebedouro. A casa coloca poucos copos plásticos, de modo que logo acabam e, no lugar destes, é posto um único copo plástico para todos da casa. Muitas vezes, na falta de copos, os internos pegam copos usados no lixo, infelizmente tive que me incluir neste rol. 

Ninguém faz exames, inexiste enfermeira e médico. Em 30 dias apareceu um médico psiquiatra que me prescreveu, em rápida consulta, vitamina do complexo B. Por aqui aparece uma psicóloga que se limita a ouvir e pelo que ouve, caso fosse reclamar do dono, perderia o dinheirinho que deve receber para executar seus serviços. 

Como ninguém faz exames, ninguém sabe se é, ou não, portador de doenças infecto-contagiosas. A comida era feita por internos, não havia cozinheira e fiz uma reclamação que me custou uma sessão pública de humilhação. Os horários da casa são loucos, como o proprietário da mesma. Acordamos às 7 e só tomamos o nescau matinal, agora morno, às 9 horas. O pão é da pior qualidade. No ínicio o nescau era servido frio. O horário de almoço nunca é exato. 

No escritório há apenas um contratado: um ex usuário de crack que vive eletrizado e que faz apologia a cocaína e ao crack, sempre lembrando seu tempo de ativa. Era o único funcionário do escritório. Na casa existem outros três. O cunhado do dono, um monitor da casa e um terapeuta. 

Houve uma briga (com socos) entre o monitor e o terapeuta, sendo demitido o monitor. O resto é mão de obra gratuita. Como denominar o trabalho habitual gratuito? 

A casa é regida pelos adictos que tomam conta dos adictos, isto é, internos cuidando de internos enjaulados. Nossos familiares pagam para trabalharmos na casa do dono da clínica, todos os dias. O mesmo não dispões de funcionários para qualquer tipo de serviço. Apenas verifico um sujeito estranho que, vez em quando, aparece e joga cloro na piscina, que é mal limpa e quase ninguém usa devido ao tempo gélido. 

Imagine o lucro que o dono tem em não contratar ninguém, usando os serviçõs dos internos, como laborterapia? encargos sociais, necas ! 

A administração de remédios é muito louca e há casos de internos que além do seu medicamento, tomam o medicamento de outro interno, como ocorreu com Iraild... Certa feita me obrigaram a tomar um medicamento diferente...

Os telefonemas recebidos podem ser arbitrariamente cortados e ninguém pode contar, ou falar nada, que deponha mal contra a pseudo clínica. Não pude concluir minha conversa com L. Do mesmo modo não pude terminar outras ligações tendo sido punido após uma destas ligações.

Quanto ao quarto que durmo, na verdade, é mais uma passagem de internos e dos vigias GAP´s, todos adictos. 

Aqui nada é como anunciado pela Internet. Peço-lhes que me tirem daqui, deste inferno, e podem me levar para outra clínica de verdade, onde inexistam algozes e a cultura não seja a da violência. É um pedido de socorro, de pai e esposo. Nunca pedi socorro a vocês na vida como peço agora. Por favor me atendam.
Beijos do pai e esposo,
L.

A carta não foi lida, a esposa não apareceu na visita e os filhos foram na conversa fiada do dono da espelunca luxuosa. Não fosse a presença amadurecida do pai da vítima, o remetente da carta estaria sendo submetido a toda sorte de maus tratos e não estaria sendo objeto de recuperação alguma. São cerca de 50 internos submetidos a tratamento desumano. Até quando familiares vão ignorar familiares adictos, jogando-os em clínicas desta natureza? Este lugar infernal acabou sendo denunciado pelo autor desta carta, ao Ministério Público, OAB, ANVISA... Depois de severa investigação, a casa dos horrores foi fechada. Os filhos e esposa compactuavam com o dono do lugar, acreditando no que o mesmo dizia. Contudo, na saída do queixoso, houve um conluiu dos filhos com o "pastor", para manterem o pai preso, mesmo cientes de tudo o que lhe foi relatado, em um tete a tete com o pastor. Deus é justo e verdadeiro e a verdade foi restabelecida por ação da justiça. 

CRIME EM FAMÍLIA, Clínicas do terror - Internações, pense duas vezes antes de internar!

Depois da publicação do tópico referente aos cuidados que as pessoas devem ter antes de internar seu familiar em uma clínica, notadamente aquelas que atendem a tratamentos involuntários, recebemos alguns e-mails que robustecem nossa orientação. Algumas pessoas descrevem que foram internadas involuntariamente, sem laudo médico, sem serem interditadas, sem o aval do Ministério Público e, ao mesmo tempo recebemos informações de que o Estado de São Paulo permite estes tipos de internações e isto não nos foi possível verificar. Parece-nos um ato de violência, onde pessoas podem terminar sendo sepultadas vivas e o Ministério Público, Secretarias de Saúde, Ministério da Saúde, irmanados, precisam coibir abusos cometidos nestas clínicas. Temos, em mãos, cartas em que internos denunciam arbitrariedades cometidas pelos proprietários de clínicas que oferecem uma fachada bela e, no interior destas, pratica-se tudo, do cárcere privado a diversas modalidades de tortura. Estamos meditando sobre se publicamos, ou não, estas cartas. O que é mais grave são denuncias de trabalho escravo e trabalhos forçados. Uma ironia, certamente, pois os pacientes pagam para serem mal tratados. São Paulo, São Paulo, que Deus não permita tamanhas atrocidades em teu santo solo, eu tuas santas cidades.


Hoje o mundo moderno tende a tratar enfermos adictos através do tratamento ambulatorial. Infelizmente há muitos casos em que familiares procuram se livrar do seu familiar abandanondo-o em outro Estado Federativo do Brasil e São Paulo está servindo como bola da vez. Até quando as autoridades vão ficar de braços cruzados? Religião com drogadição também não nos parece uma boa combinação, quando imposta. O respeito a Deus, conforme cada qual o concebe é muito importante.
Outro detalhe que vem chamando a atenção são a quantidade de meses que certas clínicas estão oferecendo como se o tempo largo tivesse valor terapêutico. Vale ressaltar que existem centenas de casos de usuários que pareciam não ter retorno à sobriedade e este retorno ocorreu sem internamento, sem igreja, salvo pela disposição particular destes felizardos que conseguiram sair do mundo das drogas, na raça e pela força de vontade. De resto, quase todas as clínicas apontam que sem AA e NA dificilmente alguém consegue manter-se em recuperação. Vale observar que nenhuma clínica vai oferecer CERTIFICADO DE GARANTIA a quem quer que seja, de modo que é muito bom pensar duas vezes antes de ir no embalo da onda de internações. Há quem pregue internações caseiras, mas isto é outro assunto que merece atenção. Chega de dogmatismos e viva aos que conseguem se libertar e aos médicos, psicólogos e demais profissionais que cuidam do tratamento de seus pacientes na modalidade ambulatorial. Ai está, senhor MINISTRO DA SAÚDE DO GOVERNO DO BRASIL, algumas informações que merecem apreciação.

Caio Fernando Abreu




Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? 
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!

De volta pra casa



Depois de algum tempo ausente, estamos voltando com o mesmo ânimo e propósito. Esperamos que continue participando e nos dando o privilégio da sua companhia. Alguns companheiros se foram e para eles deixamos consignada nossa eterna gratidão.

Recuperação e recaída


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Recuperação e recaída 

Reproduzido do Narcóticos Anônimos Livreto Branco Tradução de literatura aprovada pela Irmandade de. Copyright © 1976, 1986 por Serviços Mundiais de Narcóticos Anônimos, Inc. Todos os direitos reservados. 


Muitas pessoas pensam que a recuperação é apenas uma questão de não usar drogas. Eles consideram uma recaída um sinal de fracasso completo, e longos períodos de abstinência um sinal de sucesso total. Nós nos programa de recuperação de Narcóticos Anônimos descobriram que essa percepção é simplista demais. Depois um membro tiver tido algum envolvimento com a nossa comunhão, uma recaída pode ser uma experiência impressionante que traz uma aplicação mais rigorosa do programa. Da mesma forma que temos observamos alguns membros que se mantêm abstinentes por longos períodos de tempo, cuja desonestidade e auto-engano que os impedem de desfrutar completamente a recuperação e aceitação no seio da sociedade.

Reflexão do dia 19 de Junho REGENERAÇÃO EM A.A.


Tal é o paradoxo da regeneração em A.A.; a força nascendo da fraqueza e da derrota completa; a perda de um vida antiga como condição para encontrar uma nova.
A.A. ATINGE A MAIORIDADE PG. 41
Milhares de reveses por causa do álcool não me dera coragem de admitir minha derrota. Acreditava que era minha obrigação moral conquistar meu ïnimigo-amigo". Na minha primeira reunião de A.A., fui abençoado com um sentimento de que estava tudo bem admitir a derrota para uma doença que não tinha nada a ver com a minha "fibra moral"/ Instintivamente soube que estava na presença de um grande amor, quando entrei pelas portas de A.A. Sem nenhum esforço de minha parte, fiquei consciente de que amar a mim mesmo era bom e correto, como Deus pretendia. Meus sentimentos me libertaram, enquanto meus pensamentos tinham me mantido na escravidão. Eu sou grato.


sábado, 18 de junho de 2011

A Dor crónica, a Culpa e a Adicção: Uma triangulação indesejada





Na maioria dos casos, quando uma família ou relacionamento de intimidade romântico (casal/parceiros) é afectado, pelas consequências negativas da Adicção activa, sejam substancias psicoactivas licitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas, jogo, sexo, distúrbio alimentar, shoplifting, codependência, ocorrem dinâmicas (atitudes e comportamentos) disfuncionais, entre os seus membros, que afectam o equilibro da relação, dos limites, dos papeis e dos afectos. Todos, sem excepção, são afectados pela dor aguda e adoptam uma postura defensiva no relacionamento uns aos outros, por ex. através da culpa. Procura-se um culpado pelo problema. Por ex. alguém na hierarquia famíliar é culpado. Um mais do que outro, alguém tem de ser culpado e “castigado” pela causa do problema e pelas suas consequências. É perfeitamente legítima esta turbulência.


Sabemos que a dor é comum a todos os seres vivos. É um mecanismo de sobrevivência. Funciona como um sistema de alerta que é accionado quando algo está errado e possa comprometer a integridade física e/ou emocional. Se não sentíssemos dor não estaríamos vivos. Podemos classificar a dor em duas categorias1Dor Aguda é consequência do trauma, do ferimento, do insulto e pode ser reciclada, de duração limitada, através de um efeito curativo e transformador de competências (experiencia empírica). Aprende-se com isso, a vida continua 2.Dor Crónica persiste no tempo para além do fortuito produzindo sofrimento frequentemente intolerável capaz de assumir diversos tipo de manifestações físicas e/ou psicológicas. A Dor Crónica compromete seriamente a qualidade de vida.

E quando a Adicção activa persiste, no seio das relações entre as pessoas, apesar dos esforços em contrário? Quando a dor aguda se transforma em dor crónica? O papel da dor crónica é insidioso no círculo familiar ou na relação de intimidade romântica, é uma componente central do relacionamento, fazendo uma analogia com um filme de longa-metragem ou peça dramática. A dor crónica revela-se mais difusa para os indivíduos não adictos que apresentam os seus próprios sintomas e mecanismos disfuncionais. A preocupação fulcral é atenuar a dor e/ou encontrar curas. Existe um infindável numero de emoções na família ou parceiro/a, dependendo do papel e do relacionamento. Estas emoções controlam as atitudes e os comportamentos por ex. através da frustração, do ressentimento, autopiedade, vergonha e do isolamento social.

Todos se culpam pela causa do problema, mas adoptando perspectivas diferentes, seja individualmente ou em subgrupos. Adopta-se a atitude de “braço de ferro” onde cada um procura “lançar culpas” para controlar a situação e aliviar-se do peso da dor, com as melhores das intenções evocando valores morais e as mais variadas soluções.

A Dra Claudia Black refere que “ A família é um organismo complexo composto por diversas partes que compõem o todo”. Este todo, complexo, funciona quando as partes estão sintonizadas. Nos comportamentos adictivos activos a dor crónica exige alterações e adaptações, em muitos casos radicais, sacrificando o equilíbrio das relações. Conheço uma família desesperada que pensou que resolvia o problema de adicção do filho se fossem morar para outra zona do país, um caso de um casal que decidiu casar, com a aprovação dos pais, pensando que resolviam o problema da adicção de um deles. Este tipo de “soluções mágicas” e ineficazes fazem parte do imaginário, das fantasias e são uma consequência da dor crónica. A solução/cura a qualquer custo.

Os culpados e a dor crónica
A culpa saudável está relacionada com a quebra de regras, limites, papeis, afectos e valores morais impostos pelos tais organismos complexos; família e/ou relação romântica de forma funcionar em equilíbrio. De forma implícita e ou explicita todos são responsáveis por manter esse equilíbrio, caso contrario aquele que quebrar as regras pode ser imediatamente acusado, com afirmações do tipo “Porque é que fizeste isso? A culpa é tua.” Ou “Como foste capaz de fazer uma coisa destas? Magoaste-me…” “ Achas que aquilo que fizeste está certo? Nunca mais te vou perdoar…”

Parece existir uma tendência generalizada e uma predisposição moral para culparmos os outros. Acreditamos que se encontrarmos o culpado os problemas serão resolvidos e estaremos a controlar a situação. Na Adicção, a minha experiencia profissional diz que não é bem assim. E quando o suposto culpado não o único responsável e pode estar a ser o “bode expiatório”? Quando o culpado não assume a culpa e nega as evidências? Quando o suposto culpado não consegue resolver o problema em questão, pelo contrário ainda o piora? Estão criadas as condições para a dor crónica e a culpa generalizada.

Nos comportamentos adictivos existem situações particulares onde a dor crónica e a culpa podem assumir uma proporção desmesurada e disfuncional, capaz de interferir e usurpar todas as referências positivas e talentos nas relações (ex. desconfiança, codependência, ressentimento, violência). Chamo de culpa generalizada, quando as pessoas se centram somente no(s) problema(s), e atacam as pessoas, em vez de se centrarem nas soluções e nas responsabilidades de cada um. A culpa generalizada está presente na dor crónica e pode revelar-se um entrave à recuperação, em vez de ser uma ferramenta para a mudança, é uma arma de acusação, humilhação e controlo. Porque é que se culpa de uma forma excessiva, mesmo quando o resultado não surte o efeito desejado? Será que a responsabilização, ao invés da culpa generalizada e do facilitismo, controlo será o veículo para a mudança? Ao culpar estaremos a purgar a pena, em nós mesmos, e desejamos ouvir promessas que suavizem a dor crónica?

A Recuperação da culpa generalizada
Defina o seu papel na relação e a responsabilidade de cada um. A relação é um trabalho de equipa. Qual o limite da culpa saudável?

Na Adicção não existem culpados e a culpa não é a solução.

Quebre a Regra do Silêncio (não fala, não sente e não confia). Procure verbalizar e esclarecer melhor o seu problema, com objectividade e com pessoas significativas. Não ataque as pessoas.

Oiça (activo) a experiencia e a perspectiva dos outros. Evite ficar defensiva/o e o isolamento social. Você não é um caso único.

Assuma que precisa de fazer adaptações na relação, nos papéis e limites. Seja honesta/o com os seus sentimentos, por ex utiliza esta expressão com frequencia “Se realmente gostasse de mim, nunca farias uma coisa destas”.

Não minimize ou maximize. Monitorize a autopiedade e o ressentimento.

Recue perante a irresistível tentação para controlar o outro. Estará a agir nos seus sentimentos de inadequação, rejeição, baixa auto estima.



Titãs - É Preciso Saber Viver



MODELO MINNESOTA



Minnesota é um dos estados americanos menos conhecidos no Brasil. Está localizado ao norte dos Estados Unidos, possui uma agricultura dinâmica, onde faz muito frio e é povoado por imigrantes do norte da Europa. Minnesota  não foi o primeiro lugar a ter um centro de tratamento baseado nos 12 Passos de AA, mas foi de lá que um modelo específico se desenvolveu, modelo esse que predomina nos Estados Unidos até hoje e que está rapidamente se espalhando por outros países.
Não há uma boa explicação do porque isto aconteceu em Minnesota e não em outra localidade mais urbana.
Quando a organização de Alcoólicos Anônimos foi fundada, em 1935, sentiu-se a necessidade de um local para internar os alcoólatras que estavam sofrendo e queriam parar de beber.

História de Tratamento de Dependência Química e a Metodologia de Vila Seren

Dependência química e sua definição

O termo popular usado atualmente é dependência química, que "trata o álcool e outras drogas como dois lados de um mesmo problema".[1]      
        
A definição de alcoolismo é cercada de controvérsia.  "Beber a ponto de prejudicar-se" é uma norma prática sensata e comum, mas costuma ser difícil determinar a disfunção real que varia com a quantidade, a proporção, o propósito e as circunstâncias práticas.  A quantidade de bebida que poderia colocar no ostracismo um ítalo‑americano pode ser normal para uma pessoa de origem irlandesa; o que pode pôr em perigo o emprego de um motorista de ônibus, pode não constituir uma ameaça para o trabalho de um profissional não qualificado.[2]

A dependência química  pode ser vista a partir dos aspectos: 1) biomédico, 2) genético ou 3) psicossocial.[3]  Cada abordagem tem seus proponentes dependendo do ponto de vista profissional e comercial.  Assim, consenso não é esperado, mas a Organização Mundial de Saúde, na sua “Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10” elaborou a definição e normas mais respeitadas e utilizadas junto com diretrizes diagnósticas:

A síndrome da dependência é um conjunto de fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos, no qual o uso de uma substância ou uma classe de substâncias alcança uma prioridade muito maior para um determinado indivíduo que outros comportamentos que antes tinham mais valor.  Uma característica descritiva central da síndrome de dependência é o desejo (freqüentemente forte, algumas vezes irresistível) de consumir drogas psicoativas (as quais podem ou não ter sido medicamentos prescritos), álcool ou tabaco.  Pode haver evidência de que o retorno ao uso de substâncias após um período de abstinência, leva a um reaparecimento mais rápido de outros aspectos da síndrome, do que ocorre com indivíduos não dependentes.[4]

Dependências não Químicas



Sexo Patológico

O Ambulatório de Tratamento do Sexo Patológico do PROAD iniciou suas atividades em 1994, como parte de um projeto piloto de tratamento de dependências não-químicas, ao lado do programa dedicado ao tratamento do jogo patológico. Desde então, aproximadamente 90 pacientes já foram atendidos no serviço, seja diretamente para tratamento de seu descontrole sexual ou como voluntários de pesquisas realizadas neste campo.

Atualmente, o ambulatório oferece tratamento psicoterápico individual e em grupos, atendimento grupal breve e processual, abordagens cognitivo-comportamental e farmacológica se necessárias.

São atendidos dependentes de sexo parafílicos e não-parafílicos, sendo outros eventuais transtornos sexuais encaminhados a outros serviços.

No campo da produção científica, o ambulatório tem publicada a validação para o Português de uma escala para rastreamento de dependência de sexo1, uma dissertação de mestrado traçando o perfil epidemiológico de uma amostra de dependentes de sexo de São Paulo e as características da intervenção com fluoxetina, em um ensaio clínico controlado. Estão em desenvolvimento trabalhos sobre a psicodinâmica da dependência de sexo e o tratamento psicodinâmico oferecido no PROAD bem como a proposta de uma escala para avaliação de severidade de dependência de sexo.

Os interessados em agendar uma consulta de triagem ou encaminhar pacientes devem entrar em contato com o PROAD (ou orientar os pacientes a fazê-lo) pelo telefone (11) 5579-1543 ou pelo e-mailaderbalvieira@doctor.com.


O atendimento é estritamente ambulatorial e voluntário, além de gratuito.1 SILVEIRA, D.X.; VIEIRA, A.C.; PALOMO, V; SILVEIRA, E.D. Validade de critério e confiabilidade da versão brasileira de uma escala de rastreamento para dependência de sexo. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 22, no. 1 , p. 26-30 , 2000

TRATAMENTO

Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas

Tratamento

 Dentre as pessoas que usam drogas, quem deve ser tratado?

O tratamento deve ser dirigido basicamente às pessoas que se tornaram dependentes de drogas. Da mesma forma que não há qualquer sentido em propor tratamento a alguém que usa álcool apenas ocasionalmente, também não devemos falar em tratamento para usuários experimentais ou ocasionais de outras drogas.

 O que é diminuição de prejuízos relacionados ao uso de drogas?

"Prejuízos" pode ser entendido como danos, riscos, perigos. Dessa forma, diminuição de prejuízos é um conjunto de medidas dirigidas a pessoas que não conseguem ou não querem parar de consumir drogas. Essas estratégias têm por objetivo reduzir as conseqüências negativas que o uso de drogas pode ocasionar. Um exemplo seriam as campanhas orientando as pessoas a não dirigirem após consumir bebidas alcoólicas. Outro exemplo seriam os programas de troca de seringas dirigidos a usuários de drogas injetáveis. Sabemos que a forma de transmissão mais perigosa do vírus da AIDS é a passagem de sangue contaminado de uma pessoa para outra.

Nos programas de troca de seringas, são recolhidas as usadas e colocadas novas à disposição. Por meio desses procedimentos ocorre redução importante da infecção pelo vírus da AIDS, assim como de outras doenças contagiosas. Ao contrário do que se temia inicialmente, os programas de troca de seringas não induzem as pessoas a utilizar drogas injetáveis. Além disso, eles constituem uma medida de saúde pública da maior importância para o controle da epidemia mundial da AIDS.

Que tipos de ajuda terapêutica existem para os dependentes?

Existem diversos modelos de ajuda a dependentes de drogas: tratamento médico; terapias cognitivas e comportamentos; psicoterapias; grupos de auto-ajuda (do tipo Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos); comunidades terapêuticas; etc. Em princípio pode-se dizer que nenhum desses modeles de ajuda consegue dar conta de todos os tipos de dependências e dependentes. Se alguns podem se beneficiar mais de um determinado modelo outros necessitam de diferentes alternativas. É  muito difundido o modelo que utiliza ex-dependentes de drogas como agentes "terapêuticos" já que uma pessoa que passou pelo mesmo problema pode ajudar o dependente a se identificar com ela e compreender melhor seus problemas. É importante, porém observarmos que os efeitos positivos de uma abordagem dependem essencialmente da capacitação técnica dos profissionais envolvidos.

Os especialistas em dependência vêm realizando pesquisas nos últimos anos para determinar que tipos de dependentes se beneficiam mais de um ou de outro tipo de ajuda. Entretanto deve-se destacar que as abordagens medicopsicológicas (que associam ao mesmo tempo os recursos da medicina e da psicologia) têm se mostrado mais eficazes na maior parte dos casos.

O que vai ser tratado?

A maioria dos modelos de tratamento focaliza principalmente a dependência da droga. Embora esse seja realmente o ponto central que leva a pessoa a procurar tratamento, os dependentes freqüentemente apresentam outros problemas associados ao uso abusivo de drogas. É extremamente importante que esses transtornos recebam a devida atenção, pois se não forem também tratados haverá uma grande probabilidade de a pessoa voltar a ser dependente. Por exemplo, dependente de drogas que também apresenta depressão (o que é muito freqüente!) deverá receber tratamento não apenas da dependência mas também da depressão. Se o tratamento for dirigido apenas para a dependência, sua depressão não tratada provavelmente o levará a abusar de drogas novamente.

Quais os transtornos psiquiátricos mais associados às dependências?

A depressão é o transtorno que mais se associa ao abuso e à dependência de drogas. Outros transtornos freqüentemente encontrados entre os dependentes são o transtorno de ansiedade, o obsessivo-compulsivo, os de personalidade e, mais raramente, alguns tipos de psicoses. Mais recentemente descobriu-se que indivíduos com transtornos neurocognitivos (de aprendizagem) estão mais propensos a se tornarem dependentes de drogas. Esses podem se manifestar através de problemas de atenção, memória, concentração ou linguagem, entre outros. A grande dificuldade decorre de, com muita freqüência, esses sinais não serem identificados nem pelos familiares nem pela escola, podendo estar presentes desde a mais tenra idade. Exemplificando, muitos jovens considerados rebeldes, preguiçosos, desinteressados, vagabundos ou indisciplinados, na verdade podem apresentar um transtorno específico de aprendizagem ou de atenção. É importante ressaltar que esses transtorno prejudicam profundamente a auto-estima e o desenvolvimento das crianças e dos jovens, atrasando ou até mesmo impossibilitando o uso de suas potencialidades. 

Se fossem diagnosticados de modo correto, esses distúrbios poderiam ser facilmente tratados, evitando assim as conseqüências drásticas que ocorrem quando não são identificados. Como exemplo disso, muitos dependentes de drogas que apresentavam transtorno de atenção, quando o problema foi adequadamente tratado, pararam de consumir drogas.

 Os dependentes de drogas devem ser internados para tratamento?

Na maior parte dos casos, o tratamento do dependente de drogas não requer internação. Nos raros casos em que é necessária, ela deve ser decidida com base em critérios claros e definidos, estabelecidos por um especialista. A internação de um dependente de drogas sem necessidade pode levar até mesmo a um aumento do consumo. O aumento do consumo após uma internação indevida pode se dar por diversas razões, como sentimentos de revolta de um dependente ainda não suficientemente convencido da necessidade de ajuda.


Como é o tratamento das dependências químicas?




O tratamento da doença da dependência é bastante simples, na verdade, desde que o paciente já tenha se conscientizado de sua doença e realmente esteja disposto a entrar em recuperação, apesar das dificuldades envolvidas. Simples, no entanto, não quer dizer fácil, e se o paciente não está disposto a enfrentar o tratamento de frente, não conseguirá a recuperação.
O tratamento é impossível, no entanto, quando o paciente não está ainda realmente convicto da necessidade de tratamento. Por maior que seja a boa vontade de familiares e amigos, no entanto, ninguém pode ajudar o paciente independente do desejo real deste.
Uma vez que o paciente esteja desejando o tratamento, o primeiro passo é a abstinência total de qualquer droga potencialmente causadora de dependência, mesmo que o paciente não seja um usuário costumaz ou "descontrolado" da droga. O tratamento da Dependência Química não é somente parar de beber ou de usar outras drogas, mas, enquanto continuar usando qualquer droga, com qualquer freqüência, o paciente não estará em recuperação.
.Invariavelmente, os primeiros dias sem a droga são difíceis, pois o corpo e a mente do dependente exigem a droga. Os sintomas de abstinência real, física, têm curta duração: em 5 a 10 dias, o corpo já esqueceu da droga. Qualquer sintoma de abstinência depois do 10° dia de abstinência total são de natureza psicológica ou sintomas de algum distúrbio físico ou mental desenvolvido durante o uso da droga e não percebido durante a ativa.
Na primeira semana de abstinência do álcool, que pode ser muito grave, ou quando o dependente de qualquer droga desenvolva sintomas psiquiátricos potencialmente ameaçadores ou muito desconfortáveis, o médico geralmente entrará com medicação. Esta medicação não é para o resto da vida, mas para um período de tempo variável. Um psiquiatra acostumado a tratar dependentes químicos pode empregar o esquema de suporte medicamentoso mais adequado ao caso.
O paciente deve entender que a medicação é somente uma muleta química para os primeiros tempos, e não o tratamento. Tampouco deve esperar que o remédio lhe resolva todos os problemas. Mesmo com o esquema mais adequado, ainda podem persistir sintomas. A medicação evita que um quadro grave não se desenvolva e retira os sintomas mais grosseiros. Desde o primeiro comprimido, o dependente deve entender que não deve substituir a droga de abuso pela droga médica, e que medicação não pode resolver problemas de vida.
Qualquer medicamento para o dependente deve ser NÃO-INDUTOR DE DEPENDÊNCIA, em qualquer fase do tratamento. O paciente e sua família devem estar atentos a este fato. Uma única exceção é o alcoolista, que pode precisar de medicação calmante NA PRIMEIRA SEMANA DE ABSTINÊNCIA SOMENTE.
Algumas vezes, o paciente alcoolista tem risco ou desenvolve quadros de abstinência graves, ou está com a saúde tão debilitada pelo álcool que se espera complicações físicas. Nestes casos, ele necessitará de uma internação para desintoxicação. Esta internação é idealmente realizada em hospital clínico, e deve ser de curta duração (5 a 7 dias, em média). Muitos destes pacientes necessitam medicação IV ("soro").
Em alguns casos, apesar da medicação, o paciente tem dificuldade de se manter longe da droga. Nestes casos, é sugerido ao paciente que considere uma internação em hospital psiquiátrico, para que consiga vencer os primeiros tempos de abstinência. Esta internação é mais longa, geralmente oscilando entre 30 a 90 dias.
Em outros casos ainda, o paciente, mesmo em abstinência, apresenta algum transtorno mental mais grave, por exemplo, com risco de suicídio ou confusão mental. Nestes casos, também se sugere a internação em hospital psiquiátrico.
Freqüentemente, familiares e amigos bem intencionados querem internar o paciente contra sua vontade. Os benefícios desta atitude são questionáveis. Embora realmente uma minoria dos pacientes internados "à força" acordem para a necessidade de tratamento após um período de afastamento forçado da droga, geralmente estas internações involuntárias são pouco efetivas.
Se o paciente apresenta grave transtorno mental, que, na opinião do médico e de seus familiares, limite sua capacidade de decidir por si mesmo, a internação involuntária pode ser realizada, sempre de acordo com a lei. Nestes casos, no entanto, não se trata de uma internação psiquiátrica para tratamento da Dependência Química, mas do transtorno mental relacionado a ela ou não.
Desde o primeiro dia de tratamento, o paciente deve estar consciente de que precisará de tratamento não-medicamentoso pelo resto de sua vida, se desejar a recuperação. Este tratamento pode ser feito em grupos de mútua ajuda (como os AA - Alcóolicos Anônimos e os NA- Narcóticos Anônimos) ou em grupos de apoio à abstinência em serviços de tratamento especializado em dependência química. Não importa como o paciente deseja fazer seu tratamento, a grupoterapia é fundamental.
Vencida a abstinência inicial, o paciente provavelmente já estará sem medicação, a não ser que algum quadro psiquiátrico se desenvolva que necessite de medicação não-indutora de dependência. Recomeçará, aos poucos, a remontar sua vida sem a droga.
Muitas vezes, a ajuda psicoterapêutica individual pode auxiliar o paciente nesta remontagem de vida. No entanto, somente a psicoterapia individual, sem o suporte grupal, dificilmente dá bons resultados. O paciente deve procurar um psicoterapeuta acostumado a tratar de dependentes químicos.
Finalmente, alguns pacientes necessitam de tratamentos mais prolongados em uma instituição, devido à grave situação psicossocial em que se encontram, que lhes impede de manter a abstinência e a recuperação na grande sociedade. Para estes pacientes, é recomendado o ingresso em uma Comunidade Terapêutica.
Os familiares do dependente, ou seja, todas aquelas pessoas que vivem em intimidade com o paciente, também necessitarão de orientação e tratamento específico.



Só por hoje 




A última vez que ouvi falar deste texto, ele estava pendurado no espelho da casa de banho de um homem que travava uma luta solitária consigo mesmo, dia após dia, hora após hora, minuto após minuto. Homem enorme, digo eu por entre as miúdas contrariedades da vida. Agora gostava de estender aqui a minha admiração a todos aqueles que, todos os dias se levantam para guerrearem o bicho. E esses sabem bem este texto de cor.


" 1- Só por hoje, vou procurar viver unicamente o dia presente, sem tentar resolver de uma vez só todos os problemas da 
minha vida. Durante 12 horas posso fazer qualquer coisa que me assustaria se eu pensasse que tinha de a fazer por uma vida
inteira. 
2- Só por hoje vou estar feliz. A maior parte das pessoas é tão feliz quanto se dispõe a sê-lo. 
3- Só por hoje, vou tentar ajustar-me à realidade e não tentar adaptar tudo aos meus próprios desejos. Vou aceitar a minha 
sorte como ela vier e vou moldar-me a ela. 
4- Só por hoje, vou tentar fortalecer o meu espírito. Estudarei e vou aprender alguma coisa útil. Não vou manter o meu 
espírito ocioso. Vou ler alguma coisa que exija esforço, pensamento e concentração. 
5- Só por hoje, vou exercitar a minha alma de três maneiras: vou fazer um favor a alguém sem que se note e, se alguém se aperceber disso, esse facto não conta; vou fazer pelo menos duas coisas que não me apetece só por exercício; não vou mostrar a ninguém os meus sentimentos de dor, poderei estar magoado mas não revelarei a minha dor. 
6- Só por hoje, vou ser agradável. Vou apresentar-me aos outros da melhor maneira possível: vou vestir-me bem, falar baixo,
 agir delicadamente, não farei críticas, não vou ter nada de negativo que dizer aos outros, não vou tentar melhorar nem 
controlar ninguém, excepto a mim próprio. 
7- Só por hoje, vou ter um programa. Pode ser que eu não o siga a rigor, mas vou tentar. 
Vou evitar duas pragas: a pressa e a indecisão. 
8- Só por hoje, vou ter uma meia hora tranquila só para mim e descansar. Durante essa meia hora, em determinado momento, 
vou procurar ter uma melhor perspectiva da minha vida. 9- Só por hoje não vou ter medo. Muito em especial não vou ter medo 
de apreciar a beleza e de acreditar que aquilo que eu der ao mundo, o mundo me devolverá. 


Concedei-me Senhor 
serenidade 
para aceitar as coisas que não posso modificar, 
coragem para modificar aquelas que posso, 
e sabedoria para distinguir umas das outras."



CUIDADO COM CLÍNICAS DE INTERNAÇÃO


Conselhos: antes de você buscar internar alguém em clínicas de reabilitação, recuperação e restauração leia o texto abaixo...

Com a pandemia das drogas cresceu imensamente o número de clínicas voltadas para tratar dependentes químicos. Muitas destas clínicas, principalmente as denominadas como sendo “abertas” são mais fáceis de serem fiscalizadas pela família dos adictos. Ainda assim é importante que se busque bons e fidedignos referenciais. Já as clínicas “fechadas”, estas sem dúvida, são, de modo geral, muito mais próximas do que retrata o filme “Bicho de Sete Cabeças” protagonizado pelo personagem vivido pelo ator Rodrigo Santoro.

Se a clínica localiza-se no estado de São Paulo é imperativo que a família estude, com muito cuidado, aonde vai internar seu familiar dependente químico, isto porque, no estado de São Paulo, existem clínicas do tipo fechadas que precisam ser fechadas pelo Ministério da Saúde, se é que o Ministério possui o poder de fiscalizar e fechar locais que indevidamente recebem a denominação de clínica.

Existem modelos horríveis de clínica cujas existências ainda se acham amparadas por uma legislação que carece, urgentemente de revisão. Certas “clínicas” deveriam ser denominadas como centros de castigo e de torturas a dependentes químicos e o Ministério da Saúde deveria ter um espaço aberto para que “clínicas”, que funcionam de modo inadequado, sem o proposito verdadeiro de buscar recuperar seus pacientes, utilizando-se de PROPAGANDA ENGANOSA, enquanto serve-se da boa fé das famílias que, no desespero acabam caindo no conto de verdadeiros vigaristas, proprietários de espeluncas com fachada de clínica, tipo “filó, filó, por dentro molambo só”. Não se deve levar em conta a religião, pois, muitas vezes, valendo-se da bíblia e do santo nome de Deus, determinadas clínicas mais se assemelham ao inferno, enquanto utilizam o nome de Deus em vão. Pesquisar se há queixas e reclamações via internet é importante; verificar ações judiciais contras “clínicas” e, sempre levar em consideração que as clínicas abertas, ainda que deixem a desejar, são muito melhores que as denominadas como “fechadas”. Também é importante não comprar gato por lebre. Existem “clínicas de fachada”, onde até trabalho escravo existe, além dos trabalhos forçados, denominados como LABORTERAPIA. Clínicas que ocultam celas, quarto e quartinhos, como cárcere privado merecem especial atenção. A exploração do trabalho humano por determinadas clínicas de recuperação precisam ser coibidas pelo Ministério Oúblico Federal. Celas de isolamento, ou aquelas que mantém pacientes em cárcere privado merecem investigação oficial e liberdade assegurada, para que os seus pacientes as denunciem, amparadas e protegidas pelo Ministério Público ou instituição competente, capaz de assegurar ao denunciante proteção a sua integridade física e mental. Deve-se ter em conta, também, o tempo da internação, evitando-se exageros que só visam reter a abstenção, enquanto a terapia inexiste ou é ineficaz. Também é imperativo alertar que o tempo de internamento nada assegura ao dependente químico quanto a sua “cura” vez que a adicção é uma doença, reconhecida pela Organização mundial de Saúde e que é considerada “incurável, progressiva e fatal”, porém tratável e controlável desde que tratada com seriedade. Inexiste CERTIFICADOS DE GARANTIA no final de qualquer internamento, ou clínica. Tenha cautela com aquelas que prometem maravilhas.

O Governo Brasileiro, através dos poderes competentes, deveria criar uma comissão ou departamento para fiscalizar clínicas que não passam de empreendimentos empresariais e que não possuem em seus quadros funcionários capacitados e, muitas vezes, servem-se da mão de obra gratuita dos próprios pacientes, que recebem a denominação de GAP (grupo de apoio ao paciente). Estes grupos, constituído por internos que acabam trabalhando gratuitamente, muitas vezes, funcionam como centros repressivos. São internos reprimindo internos e inviabilizando qualquer tentativa honesta de recuperação.

Às famílias deveria ser permitido o acesso livre às clínicas suspeitas de serem manipuladas por seus proprietários e que funcionam como meras “indústrias”, que visam unicamente o lucro, sendo permitido aos familiares escutarem, honestamente, os seus adictos, sem ameaças ou medos, com amparo judicial se for o caso e que, em caso de exageros e abusos, os seus responsáveis sejam indiciados judicialmente. Desconfiem de clínicas que dificultem o acesso da família ao paciente, ou que não permitam ao mesmo liberdade de expressão, ou que tenham seus telefonemas sob escuta. Clínicas que estabelecem punições precisam ser radicalmente investigadas, afinal, não estamos mais na Idade Média. Não importa e nem interessa quem seja o dono de uma clínica que abusa e viola direitos humanos. Fica, aqui, este alerta aos poderes públicos.

Deve-se ter em conta que não se deve internar um familiar em clínicas, cujos modelos são condenados, e que mais funcionam como centros repressores. É importante que se tenha referenciais honestos, fidedignos... ADICTOS SOFREM MUITO EM DETERMINADAS CLÍNICAS, infelizmente.

No mais, quem ama cuida e se cuida deve sempre estar presente, participando do tratamento do familiar internado. Até porque, clínica alguma pode recuperar um familiar sem o correspondente tratamento, ou aconselhamento, dos seus co-dependentes.

Este alerta serve para você, leitor, que tem algum familiar internado, principalmente no Estado de São Paulo. Procure, urgentemente, saber do seu familiar internado e assegure ao mesmo total liberdade para que o mesmo possa falar o que ocorre em determinadas clínicas. Garanta a integridade do seu familiar e m tratamento honesto e humano.

Seria de bom tom que o MINISTÉRIO DA SAÚDE do Governo do Brasil estivesse sempre atuando na fiscalização rigorosa de clínicas, dando segurança aos depoentes internos caso os mesmos, embora desacreditados, ofereçam denúncias merecedoras de investigação.

Clínica sem corpo técnico gabaritado, sem terapeutas, sem enfermeiros e sem médicos, que se utilizam da mão de obra gratuita dos internos, merecem ser verificadas e, se for o caso, FECHADAS e o seu quadro de pessoal merece inspeção do Ministério do Trabalho, para verificação de trabalhos forçados e do trabalho escravo, além de muitas outras irregularidades.

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