sábado, 18 de junho de 2011

A Dor crónica, a Culpa e a Adicção: Uma triangulação indesejada





Na maioria dos casos, quando uma família ou relacionamento de intimidade romântico (casal/parceiros) é afectado, pelas consequências negativas da Adicção activa, sejam substancias psicoactivas licitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas, jogo, sexo, distúrbio alimentar, shoplifting, codependência, ocorrem dinâmicas (atitudes e comportamentos) disfuncionais, entre os seus membros, que afectam o equilibro da relação, dos limites, dos papeis e dos afectos. Todos, sem excepção, são afectados pela dor aguda e adoptam uma postura defensiva no relacionamento uns aos outros, por ex. através da culpa. Procura-se um culpado pelo problema. Por ex. alguém na hierarquia famíliar é culpado. Um mais do que outro, alguém tem de ser culpado e “castigado” pela causa do problema e pelas suas consequências. É perfeitamente legítima esta turbulência.


Sabemos que a dor é comum a todos os seres vivos. É um mecanismo de sobrevivência. Funciona como um sistema de alerta que é accionado quando algo está errado e possa comprometer a integridade física e/ou emocional. Se não sentíssemos dor não estaríamos vivos. Podemos classificar a dor em duas categorias1Dor Aguda é consequência do trauma, do ferimento, do insulto e pode ser reciclada, de duração limitada, através de um efeito curativo e transformador de competências (experiencia empírica). Aprende-se com isso, a vida continua 2.Dor Crónica persiste no tempo para além do fortuito produzindo sofrimento frequentemente intolerável capaz de assumir diversos tipo de manifestações físicas e/ou psicológicas. A Dor Crónica compromete seriamente a qualidade de vida.

E quando a Adicção activa persiste, no seio das relações entre as pessoas, apesar dos esforços em contrário? Quando a dor aguda se transforma em dor crónica? O papel da dor crónica é insidioso no círculo familiar ou na relação de intimidade romântica, é uma componente central do relacionamento, fazendo uma analogia com um filme de longa-metragem ou peça dramática. A dor crónica revela-se mais difusa para os indivíduos não adictos que apresentam os seus próprios sintomas e mecanismos disfuncionais. A preocupação fulcral é atenuar a dor e/ou encontrar curas. Existe um infindável numero de emoções na família ou parceiro/a, dependendo do papel e do relacionamento. Estas emoções controlam as atitudes e os comportamentos por ex. através da frustração, do ressentimento, autopiedade, vergonha e do isolamento social.

Todos se culpam pela causa do problema, mas adoptando perspectivas diferentes, seja individualmente ou em subgrupos. Adopta-se a atitude de “braço de ferro” onde cada um procura “lançar culpas” para controlar a situação e aliviar-se do peso da dor, com as melhores das intenções evocando valores morais e as mais variadas soluções.

A Dra Claudia Black refere que “ A família é um organismo complexo composto por diversas partes que compõem o todo”. Este todo, complexo, funciona quando as partes estão sintonizadas. Nos comportamentos adictivos activos a dor crónica exige alterações e adaptações, em muitos casos radicais, sacrificando o equilíbrio das relações. Conheço uma família desesperada que pensou que resolvia o problema de adicção do filho se fossem morar para outra zona do país, um caso de um casal que decidiu casar, com a aprovação dos pais, pensando que resolviam o problema da adicção de um deles. Este tipo de “soluções mágicas” e ineficazes fazem parte do imaginário, das fantasias e são uma consequência da dor crónica. A solução/cura a qualquer custo.

Os culpados e a dor crónica
A culpa saudável está relacionada com a quebra de regras, limites, papeis, afectos e valores morais impostos pelos tais organismos complexos; família e/ou relação romântica de forma funcionar em equilíbrio. De forma implícita e ou explicita todos são responsáveis por manter esse equilíbrio, caso contrario aquele que quebrar as regras pode ser imediatamente acusado, com afirmações do tipo “Porque é que fizeste isso? A culpa é tua.” Ou “Como foste capaz de fazer uma coisa destas? Magoaste-me…” “ Achas que aquilo que fizeste está certo? Nunca mais te vou perdoar…”

Parece existir uma tendência generalizada e uma predisposição moral para culparmos os outros. Acreditamos que se encontrarmos o culpado os problemas serão resolvidos e estaremos a controlar a situação. Na Adicção, a minha experiencia profissional diz que não é bem assim. E quando o suposto culpado não o único responsável e pode estar a ser o “bode expiatório”? Quando o culpado não assume a culpa e nega as evidências? Quando o suposto culpado não consegue resolver o problema em questão, pelo contrário ainda o piora? Estão criadas as condições para a dor crónica e a culpa generalizada.

Nos comportamentos adictivos existem situações particulares onde a dor crónica e a culpa podem assumir uma proporção desmesurada e disfuncional, capaz de interferir e usurpar todas as referências positivas e talentos nas relações (ex. desconfiança, codependência, ressentimento, violência). Chamo de culpa generalizada, quando as pessoas se centram somente no(s) problema(s), e atacam as pessoas, em vez de se centrarem nas soluções e nas responsabilidades de cada um. A culpa generalizada está presente na dor crónica e pode revelar-se um entrave à recuperação, em vez de ser uma ferramenta para a mudança, é uma arma de acusação, humilhação e controlo. Porque é que se culpa de uma forma excessiva, mesmo quando o resultado não surte o efeito desejado? Será que a responsabilização, ao invés da culpa generalizada e do facilitismo, controlo será o veículo para a mudança? Ao culpar estaremos a purgar a pena, em nós mesmos, e desejamos ouvir promessas que suavizem a dor crónica?

A Recuperação da culpa generalizada
Defina o seu papel na relação e a responsabilidade de cada um. A relação é um trabalho de equipa. Qual o limite da culpa saudável?

Na Adicção não existem culpados e a culpa não é a solução.

Quebre a Regra do Silêncio (não fala, não sente e não confia). Procure verbalizar e esclarecer melhor o seu problema, com objectividade e com pessoas significativas. Não ataque as pessoas.

Oiça (activo) a experiencia e a perspectiva dos outros. Evite ficar defensiva/o e o isolamento social. Você não é um caso único.

Assuma que precisa de fazer adaptações na relação, nos papéis e limites. Seja honesta/o com os seus sentimentos, por ex utiliza esta expressão com frequencia “Se realmente gostasse de mim, nunca farias uma coisa destas”.

Não minimize ou maximize. Monitorize a autopiedade e o ressentimento.

Recue perante a irresistível tentação para controlar o outro. Estará a agir nos seus sentimentos de inadequação, rejeição, baixa auto estima.



Titãs - É Preciso Saber Viver



MODELO MINNESOTA



Minnesota é um dos estados americanos menos conhecidos no Brasil. Está localizado ao norte dos Estados Unidos, possui uma agricultura dinâmica, onde faz muito frio e é povoado por imigrantes do norte da Europa. Minnesota  não foi o primeiro lugar a ter um centro de tratamento baseado nos 12 Passos de AA, mas foi de lá que um modelo específico se desenvolveu, modelo esse que predomina nos Estados Unidos até hoje e que está rapidamente se espalhando por outros países.
Não há uma boa explicação do porque isto aconteceu em Minnesota e não em outra localidade mais urbana.
Quando a organização de Alcoólicos Anônimos foi fundada, em 1935, sentiu-se a necessidade de um local para internar os alcoólatras que estavam sofrendo e queriam parar de beber.

História de Tratamento de Dependência Química e a Metodologia de Vila Seren

Dependência química e sua definição

O termo popular usado atualmente é dependência química, que "trata o álcool e outras drogas como dois lados de um mesmo problema".[1]      
        
A definição de alcoolismo é cercada de controvérsia.  "Beber a ponto de prejudicar-se" é uma norma prática sensata e comum, mas costuma ser difícil determinar a disfunção real que varia com a quantidade, a proporção, o propósito e as circunstâncias práticas.  A quantidade de bebida que poderia colocar no ostracismo um ítalo‑americano pode ser normal para uma pessoa de origem irlandesa; o que pode pôr em perigo o emprego de um motorista de ônibus, pode não constituir uma ameaça para o trabalho de um profissional não qualificado.[2]

A dependência química  pode ser vista a partir dos aspectos: 1) biomédico, 2) genético ou 3) psicossocial.[3]  Cada abordagem tem seus proponentes dependendo do ponto de vista profissional e comercial.  Assim, consenso não é esperado, mas a Organização Mundial de Saúde, na sua “Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10” elaborou a definição e normas mais respeitadas e utilizadas junto com diretrizes diagnósticas:

A síndrome da dependência é um conjunto de fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos, no qual o uso de uma substância ou uma classe de substâncias alcança uma prioridade muito maior para um determinado indivíduo que outros comportamentos que antes tinham mais valor.  Uma característica descritiva central da síndrome de dependência é o desejo (freqüentemente forte, algumas vezes irresistível) de consumir drogas psicoativas (as quais podem ou não ter sido medicamentos prescritos), álcool ou tabaco.  Pode haver evidência de que o retorno ao uso de substâncias após um período de abstinência, leva a um reaparecimento mais rápido de outros aspectos da síndrome, do que ocorre com indivíduos não dependentes.[4]

Dependências não Químicas



Sexo Patológico

O Ambulatório de Tratamento do Sexo Patológico do PROAD iniciou suas atividades em 1994, como parte de um projeto piloto de tratamento de dependências não-químicas, ao lado do programa dedicado ao tratamento do jogo patológico. Desde então, aproximadamente 90 pacientes já foram atendidos no serviço, seja diretamente para tratamento de seu descontrole sexual ou como voluntários de pesquisas realizadas neste campo.

Atualmente, o ambulatório oferece tratamento psicoterápico individual e em grupos, atendimento grupal breve e processual, abordagens cognitivo-comportamental e farmacológica se necessárias.

São atendidos dependentes de sexo parafílicos e não-parafílicos, sendo outros eventuais transtornos sexuais encaminhados a outros serviços.

No campo da produção científica, o ambulatório tem publicada a validação para o Português de uma escala para rastreamento de dependência de sexo1, uma dissertação de mestrado traçando o perfil epidemiológico de uma amostra de dependentes de sexo de São Paulo e as características da intervenção com fluoxetina, em um ensaio clínico controlado. Estão em desenvolvimento trabalhos sobre a psicodinâmica da dependência de sexo e o tratamento psicodinâmico oferecido no PROAD bem como a proposta de uma escala para avaliação de severidade de dependência de sexo.

Os interessados em agendar uma consulta de triagem ou encaminhar pacientes devem entrar em contato com o PROAD (ou orientar os pacientes a fazê-lo) pelo telefone (11) 5579-1543 ou pelo e-mailaderbalvieira@doctor.com.


O atendimento é estritamente ambulatorial e voluntário, além de gratuito.1 SILVEIRA, D.X.; VIEIRA, A.C.; PALOMO, V; SILVEIRA, E.D. Validade de critério e confiabilidade da versão brasileira de uma escala de rastreamento para dependência de sexo. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 22, no. 1 , p. 26-30 , 2000

TRATAMENTO

Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas

Tratamento

 Dentre as pessoas que usam drogas, quem deve ser tratado?

O tratamento deve ser dirigido basicamente às pessoas que se tornaram dependentes de drogas. Da mesma forma que não há qualquer sentido em propor tratamento a alguém que usa álcool apenas ocasionalmente, também não devemos falar em tratamento para usuários experimentais ou ocasionais de outras drogas.

 O que é diminuição de prejuízos relacionados ao uso de drogas?

"Prejuízos" pode ser entendido como danos, riscos, perigos. Dessa forma, diminuição de prejuízos é um conjunto de medidas dirigidas a pessoas que não conseguem ou não querem parar de consumir drogas. Essas estratégias têm por objetivo reduzir as conseqüências negativas que o uso de drogas pode ocasionar. Um exemplo seriam as campanhas orientando as pessoas a não dirigirem após consumir bebidas alcoólicas. Outro exemplo seriam os programas de troca de seringas dirigidos a usuários de drogas injetáveis. Sabemos que a forma de transmissão mais perigosa do vírus da AIDS é a passagem de sangue contaminado de uma pessoa para outra.

Nos programas de troca de seringas, são recolhidas as usadas e colocadas novas à disposição. Por meio desses procedimentos ocorre redução importante da infecção pelo vírus da AIDS, assim como de outras doenças contagiosas. Ao contrário do que se temia inicialmente, os programas de troca de seringas não induzem as pessoas a utilizar drogas injetáveis. Além disso, eles constituem uma medida de saúde pública da maior importância para o controle da epidemia mundial da AIDS.

Que tipos de ajuda terapêutica existem para os dependentes?

Existem diversos modelos de ajuda a dependentes de drogas: tratamento médico; terapias cognitivas e comportamentos; psicoterapias; grupos de auto-ajuda (do tipo Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos); comunidades terapêuticas; etc. Em princípio pode-se dizer que nenhum desses modeles de ajuda consegue dar conta de todos os tipos de dependências e dependentes. Se alguns podem se beneficiar mais de um determinado modelo outros necessitam de diferentes alternativas. É  muito difundido o modelo que utiliza ex-dependentes de drogas como agentes "terapêuticos" já que uma pessoa que passou pelo mesmo problema pode ajudar o dependente a se identificar com ela e compreender melhor seus problemas. É importante, porém observarmos que os efeitos positivos de uma abordagem dependem essencialmente da capacitação técnica dos profissionais envolvidos.

Os especialistas em dependência vêm realizando pesquisas nos últimos anos para determinar que tipos de dependentes se beneficiam mais de um ou de outro tipo de ajuda. Entretanto deve-se destacar que as abordagens medicopsicológicas (que associam ao mesmo tempo os recursos da medicina e da psicologia) têm se mostrado mais eficazes na maior parte dos casos.

O que vai ser tratado?

A maioria dos modelos de tratamento focaliza principalmente a dependência da droga. Embora esse seja realmente o ponto central que leva a pessoa a procurar tratamento, os dependentes freqüentemente apresentam outros problemas associados ao uso abusivo de drogas. É extremamente importante que esses transtornos recebam a devida atenção, pois se não forem também tratados haverá uma grande probabilidade de a pessoa voltar a ser dependente. Por exemplo, dependente de drogas que também apresenta depressão (o que é muito freqüente!) deverá receber tratamento não apenas da dependência mas também da depressão. Se o tratamento for dirigido apenas para a dependência, sua depressão não tratada provavelmente o levará a abusar de drogas novamente.

Quais os transtornos psiquiátricos mais associados às dependências?

A depressão é o transtorno que mais se associa ao abuso e à dependência de drogas. Outros transtornos freqüentemente encontrados entre os dependentes são o transtorno de ansiedade, o obsessivo-compulsivo, os de personalidade e, mais raramente, alguns tipos de psicoses. Mais recentemente descobriu-se que indivíduos com transtornos neurocognitivos (de aprendizagem) estão mais propensos a se tornarem dependentes de drogas. Esses podem se manifestar através de problemas de atenção, memória, concentração ou linguagem, entre outros. A grande dificuldade decorre de, com muita freqüência, esses sinais não serem identificados nem pelos familiares nem pela escola, podendo estar presentes desde a mais tenra idade. Exemplificando, muitos jovens considerados rebeldes, preguiçosos, desinteressados, vagabundos ou indisciplinados, na verdade podem apresentar um transtorno específico de aprendizagem ou de atenção. É importante ressaltar que esses transtorno prejudicam profundamente a auto-estima e o desenvolvimento das crianças e dos jovens, atrasando ou até mesmo impossibilitando o uso de suas potencialidades. 

Se fossem diagnosticados de modo correto, esses distúrbios poderiam ser facilmente tratados, evitando assim as conseqüências drásticas que ocorrem quando não são identificados. Como exemplo disso, muitos dependentes de drogas que apresentavam transtorno de atenção, quando o problema foi adequadamente tratado, pararam de consumir drogas.

 Os dependentes de drogas devem ser internados para tratamento?

Na maior parte dos casos, o tratamento do dependente de drogas não requer internação. Nos raros casos em que é necessária, ela deve ser decidida com base em critérios claros e definidos, estabelecidos por um especialista. A internação de um dependente de drogas sem necessidade pode levar até mesmo a um aumento do consumo. O aumento do consumo após uma internação indevida pode se dar por diversas razões, como sentimentos de revolta de um dependente ainda não suficientemente convencido da necessidade de ajuda.


Como é o tratamento das dependências químicas?




O tratamento da doença da dependência é bastante simples, na verdade, desde que o paciente já tenha se conscientizado de sua doença e realmente esteja disposto a entrar em recuperação, apesar das dificuldades envolvidas. Simples, no entanto, não quer dizer fácil, e se o paciente não está disposto a enfrentar o tratamento de frente, não conseguirá a recuperação.
O tratamento é impossível, no entanto, quando o paciente não está ainda realmente convicto da necessidade de tratamento. Por maior que seja a boa vontade de familiares e amigos, no entanto, ninguém pode ajudar o paciente independente do desejo real deste.
Uma vez que o paciente esteja desejando o tratamento, o primeiro passo é a abstinência total de qualquer droga potencialmente causadora de dependência, mesmo que o paciente não seja um usuário costumaz ou "descontrolado" da droga. O tratamento da Dependência Química não é somente parar de beber ou de usar outras drogas, mas, enquanto continuar usando qualquer droga, com qualquer freqüência, o paciente não estará em recuperação.
.Invariavelmente, os primeiros dias sem a droga são difíceis, pois o corpo e a mente do dependente exigem a droga. Os sintomas de abstinência real, física, têm curta duração: em 5 a 10 dias, o corpo já esqueceu da droga. Qualquer sintoma de abstinência depois do 10° dia de abstinência total são de natureza psicológica ou sintomas de algum distúrbio físico ou mental desenvolvido durante o uso da droga e não percebido durante a ativa.
Na primeira semana de abstinência do álcool, que pode ser muito grave, ou quando o dependente de qualquer droga desenvolva sintomas psiquiátricos potencialmente ameaçadores ou muito desconfortáveis, o médico geralmente entrará com medicação. Esta medicação não é para o resto da vida, mas para um período de tempo variável. Um psiquiatra acostumado a tratar dependentes químicos pode empregar o esquema de suporte medicamentoso mais adequado ao caso.
O paciente deve entender que a medicação é somente uma muleta química para os primeiros tempos, e não o tratamento. Tampouco deve esperar que o remédio lhe resolva todos os problemas. Mesmo com o esquema mais adequado, ainda podem persistir sintomas. A medicação evita que um quadro grave não se desenvolva e retira os sintomas mais grosseiros. Desde o primeiro comprimido, o dependente deve entender que não deve substituir a droga de abuso pela droga médica, e que medicação não pode resolver problemas de vida.
Qualquer medicamento para o dependente deve ser NÃO-INDUTOR DE DEPENDÊNCIA, em qualquer fase do tratamento. O paciente e sua família devem estar atentos a este fato. Uma única exceção é o alcoolista, que pode precisar de medicação calmante NA PRIMEIRA SEMANA DE ABSTINÊNCIA SOMENTE.
Algumas vezes, o paciente alcoolista tem risco ou desenvolve quadros de abstinência graves, ou está com a saúde tão debilitada pelo álcool que se espera complicações físicas. Nestes casos, ele necessitará de uma internação para desintoxicação. Esta internação é idealmente realizada em hospital clínico, e deve ser de curta duração (5 a 7 dias, em média). Muitos destes pacientes necessitam medicação IV ("soro").
Em alguns casos, apesar da medicação, o paciente tem dificuldade de se manter longe da droga. Nestes casos, é sugerido ao paciente que considere uma internação em hospital psiquiátrico, para que consiga vencer os primeiros tempos de abstinência. Esta internação é mais longa, geralmente oscilando entre 30 a 90 dias.
Em outros casos ainda, o paciente, mesmo em abstinência, apresenta algum transtorno mental mais grave, por exemplo, com risco de suicídio ou confusão mental. Nestes casos, também se sugere a internação em hospital psiquiátrico.
Freqüentemente, familiares e amigos bem intencionados querem internar o paciente contra sua vontade. Os benefícios desta atitude são questionáveis. Embora realmente uma minoria dos pacientes internados "à força" acordem para a necessidade de tratamento após um período de afastamento forçado da droga, geralmente estas internações involuntárias são pouco efetivas.
Se o paciente apresenta grave transtorno mental, que, na opinião do médico e de seus familiares, limite sua capacidade de decidir por si mesmo, a internação involuntária pode ser realizada, sempre de acordo com a lei. Nestes casos, no entanto, não se trata de uma internação psiquiátrica para tratamento da Dependência Química, mas do transtorno mental relacionado a ela ou não.
Desde o primeiro dia de tratamento, o paciente deve estar consciente de que precisará de tratamento não-medicamentoso pelo resto de sua vida, se desejar a recuperação. Este tratamento pode ser feito em grupos de mútua ajuda (como os AA - Alcóolicos Anônimos e os NA- Narcóticos Anônimos) ou em grupos de apoio à abstinência em serviços de tratamento especializado em dependência química. Não importa como o paciente deseja fazer seu tratamento, a grupoterapia é fundamental.
Vencida a abstinência inicial, o paciente provavelmente já estará sem medicação, a não ser que algum quadro psiquiátrico se desenvolva que necessite de medicação não-indutora de dependência. Recomeçará, aos poucos, a remontar sua vida sem a droga.
Muitas vezes, a ajuda psicoterapêutica individual pode auxiliar o paciente nesta remontagem de vida. No entanto, somente a psicoterapia individual, sem o suporte grupal, dificilmente dá bons resultados. O paciente deve procurar um psicoterapeuta acostumado a tratar de dependentes químicos.
Finalmente, alguns pacientes necessitam de tratamentos mais prolongados em uma instituição, devido à grave situação psicossocial em que se encontram, que lhes impede de manter a abstinência e a recuperação na grande sociedade. Para estes pacientes, é recomendado o ingresso em uma Comunidade Terapêutica.
Os familiares do dependente, ou seja, todas aquelas pessoas que vivem em intimidade com o paciente, também necessitarão de orientação e tratamento específico.



Só por hoje 




A última vez que ouvi falar deste texto, ele estava pendurado no espelho da casa de banho de um homem que travava uma luta solitária consigo mesmo, dia após dia, hora após hora, minuto após minuto. Homem enorme, digo eu por entre as miúdas contrariedades da vida. Agora gostava de estender aqui a minha admiração a todos aqueles que, todos os dias se levantam para guerrearem o bicho. E esses sabem bem este texto de cor.


" 1- Só por hoje, vou procurar viver unicamente o dia presente, sem tentar resolver de uma vez só todos os problemas da 
minha vida. Durante 12 horas posso fazer qualquer coisa que me assustaria se eu pensasse que tinha de a fazer por uma vida
inteira. 
2- Só por hoje vou estar feliz. A maior parte das pessoas é tão feliz quanto se dispõe a sê-lo. 
3- Só por hoje, vou tentar ajustar-me à realidade e não tentar adaptar tudo aos meus próprios desejos. Vou aceitar a minha 
sorte como ela vier e vou moldar-me a ela. 
4- Só por hoje, vou tentar fortalecer o meu espírito. Estudarei e vou aprender alguma coisa útil. Não vou manter o meu 
espírito ocioso. Vou ler alguma coisa que exija esforço, pensamento e concentração. 
5- Só por hoje, vou exercitar a minha alma de três maneiras: vou fazer um favor a alguém sem que se note e, se alguém se aperceber disso, esse facto não conta; vou fazer pelo menos duas coisas que não me apetece só por exercício; não vou mostrar a ninguém os meus sentimentos de dor, poderei estar magoado mas não revelarei a minha dor. 
6- Só por hoje, vou ser agradável. Vou apresentar-me aos outros da melhor maneira possível: vou vestir-me bem, falar baixo,
 agir delicadamente, não farei críticas, não vou ter nada de negativo que dizer aos outros, não vou tentar melhorar nem 
controlar ninguém, excepto a mim próprio. 
7- Só por hoje, vou ter um programa. Pode ser que eu não o siga a rigor, mas vou tentar. 
Vou evitar duas pragas: a pressa e a indecisão. 
8- Só por hoje, vou ter uma meia hora tranquila só para mim e descansar. Durante essa meia hora, em determinado momento, 
vou procurar ter uma melhor perspectiva da minha vida. 9- Só por hoje não vou ter medo. Muito em especial não vou ter medo 
de apreciar a beleza e de acreditar que aquilo que eu der ao mundo, o mundo me devolverá. 


Concedei-me Senhor 
serenidade 
para aceitar as coisas que não posso modificar, 
coragem para modificar aquelas que posso, 
e sabedoria para distinguir umas das outras."



CUIDADO COM CLÍNICAS DE INTERNAÇÃO


Conselhos: antes de você buscar internar alguém em clínicas de reabilitação, recuperação e restauração leia o texto abaixo...

Com a pandemia das drogas cresceu imensamente o número de clínicas voltadas para tratar dependentes químicos. Muitas destas clínicas, principalmente as denominadas como sendo “abertas” são mais fáceis de serem fiscalizadas pela família dos adictos. Ainda assim é importante que se busque bons e fidedignos referenciais. Já as clínicas “fechadas”, estas sem dúvida, são, de modo geral, muito mais próximas do que retrata o filme “Bicho de Sete Cabeças” protagonizado pelo personagem vivido pelo ator Rodrigo Santoro.

Se a clínica localiza-se no estado de São Paulo é imperativo que a família estude, com muito cuidado, aonde vai internar seu familiar dependente químico, isto porque, no estado de São Paulo, existem clínicas do tipo fechadas que precisam ser fechadas pelo Ministério da Saúde, se é que o Ministério possui o poder de fiscalizar e fechar locais que indevidamente recebem a denominação de clínica.

Existem modelos horríveis de clínica cujas existências ainda se acham amparadas por uma legislação que carece, urgentemente de revisão. Certas “clínicas” deveriam ser denominadas como centros de castigo e de torturas a dependentes químicos e o Ministério da Saúde deveria ter um espaço aberto para que “clínicas”, que funcionam de modo inadequado, sem o proposito verdadeiro de buscar recuperar seus pacientes, utilizando-se de PROPAGANDA ENGANOSA, enquanto serve-se da boa fé das famílias que, no desespero acabam caindo no conto de verdadeiros vigaristas, proprietários de espeluncas com fachada de clínica, tipo “filó, filó, por dentro molambo só”. Não se deve levar em conta a religião, pois, muitas vezes, valendo-se da bíblia e do santo nome de Deus, determinadas clínicas mais se assemelham ao inferno, enquanto utilizam o nome de Deus em vão. Pesquisar se há queixas e reclamações via internet é importante; verificar ações judiciais contras “clínicas” e, sempre levar em consideração que as clínicas abertas, ainda que deixem a desejar, são muito melhores que as denominadas como “fechadas”. Também é importante não comprar gato por lebre. Existem “clínicas de fachada”, onde até trabalho escravo existe, além dos trabalhos forçados, denominados como LABORTERAPIA. Clínicas que ocultam celas, quarto e quartinhos, como cárcere privado merecem especial atenção. A exploração do trabalho humano por determinadas clínicas de recuperação precisam ser coibidas pelo Ministério Oúblico Federal. Celas de isolamento, ou aquelas que mantém pacientes em cárcere privado merecem investigação oficial e liberdade assegurada, para que os seus pacientes as denunciem, amparadas e protegidas pelo Ministério Público ou instituição competente, capaz de assegurar ao denunciante proteção a sua integridade física e mental. Deve-se ter em conta, também, o tempo da internação, evitando-se exageros que só visam reter a abstenção, enquanto a terapia inexiste ou é ineficaz. Também é imperativo alertar que o tempo de internamento nada assegura ao dependente químico quanto a sua “cura” vez que a adicção é uma doença, reconhecida pela Organização mundial de Saúde e que é considerada “incurável, progressiva e fatal”, porém tratável e controlável desde que tratada com seriedade. Inexiste CERTIFICADOS DE GARANTIA no final de qualquer internamento, ou clínica. Tenha cautela com aquelas que prometem maravilhas.

O Governo Brasileiro, através dos poderes competentes, deveria criar uma comissão ou departamento para fiscalizar clínicas que não passam de empreendimentos empresariais e que não possuem em seus quadros funcionários capacitados e, muitas vezes, servem-se da mão de obra gratuita dos próprios pacientes, que recebem a denominação de GAP (grupo de apoio ao paciente). Estes grupos, constituído por internos que acabam trabalhando gratuitamente, muitas vezes, funcionam como centros repressivos. São internos reprimindo internos e inviabilizando qualquer tentativa honesta de recuperação.

Às famílias deveria ser permitido o acesso livre às clínicas suspeitas de serem manipuladas por seus proprietários e que funcionam como meras “indústrias”, que visam unicamente o lucro, sendo permitido aos familiares escutarem, honestamente, os seus adictos, sem ameaças ou medos, com amparo judicial se for o caso e que, em caso de exageros e abusos, os seus responsáveis sejam indiciados judicialmente. Desconfiem de clínicas que dificultem o acesso da família ao paciente, ou que não permitam ao mesmo liberdade de expressão, ou que tenham seus telefonemas sob escuta. Clínicas que estabelecem punições precisam ser radicalmente investigadas, afinal, não estamos mais na Idade Média. Não importa e nem interessa quem seja o dono de uma clínica que abusa e viola direitos humanos. Fica, aqui, este alerta aos poderes públicos.

Deve-se ter em conta que não se deve internar um familiar em clínicas, cujos modelos são condenados, e que mais funcionam como centros repressores. É importante que se tenha referenciais honestos, fidedignos... ADICTOS SOFREM MUITO EM DETERMINADAS CLÍNICAS, infelizmente.

No mais, quem ama cuida e se cuida deve sempre estar presente, participando do tratamento do familiar internado. Até porque, clínica alguma pode recuperar um familiar sem o correspondente tratamento, ou aconselhamento, dos seus co-dependentes.

Este alerta serve para você, leitor, que tem algum familiar internado, principalmente no Estado de São Paulo. Procure, urgentemente, saber do seu familiar internado e assegure ao mesmo total liberdade para que o mesmo possa falar o que ocorre em determinadas clínicas. Garanta a integridade do seu familiar e m tratamento honesto e humano.

Seria de bom tom que o MINISTÉRIO DA SAÚDE do Governo do Brasil estivesse sempre atuando na fiscalização rigorosa de clínicas, dando segurança aos depoentes internos caso os mesmos, embora desacreditados, ofereçam denúncias merecedoras de investigação.

Clínica sem corpo técnico gabaritado, sem terapeutas, sem enfermeiros e sem médicos, que se utilizam da mão de obra gratuita dos internos, merecem ser verificadas e, se for o caso, FECHADAS e o seu quadro de pessoal merece inspeção do Ministério do Trabalho, para verificação de trabalhos forçados e do trabalho escravo, além de muitas outras irregularidades.

sábado, 28 de maio de 2011

OXI : a droga que virou epidemia

Conexão Repórter - OXI : a droga que virou epidemia - 25/05/11 - parte 1/4

 

Conexão Repórter - OXI : a droga que virou epidemia - 25/05/11 - parte 2/4

  


Conexão Repórter - OXI : a droga que virou epidemia - 25/05/11 - parte 3/4


 


Conexão Repórter - OXI : a droga que virou epidemia - 25/05/11 - parte 4/4


segunda-feira, 23 de maio de 2011


Oxi pode matar 30% dos usuários em apenas um ano


Fonte: Programa Fantástico - 22/05/2011




"Uma droga mais devastadora do que o crack invade as ruas das cidades por todo Brasil.


O crack apareceu nos anos 80 nos Estados Unidos. Nós não tomamos nenhuma medida preventiva. Sequer educamos as crianças. O que aconteceu? A primeira cracolândia se estabeleceu em São Paulo e a droga se espalhou pelo Brasil inteiro. As estimativas são de que existam 1,2 milhão de usuários de crack pelo país. É uma epidemia. Agora surge o oxi. Uma preparação mais bruta, mais barata da cocaína e ainda mais destruidora do que o crack. É difícil prever o que vai acontecer? Nós vamos assistir passivamente à disseminação do oxi pelo Brasil inteiro? Nós não vamos fazer nada?  

“O oxi é um tipo de crack adulterado. Fundamentalmente todos eles vêm da pasta base de cocaína. É fundamentalmente você colocar nesta pasta base ou querosene, ou gasolina ou cal. E você vai transformar de uma forma muito tosca, com uma tecnologia muito tosca, um subproduto do crack, mais adulterado, que tem as características de ser mais barato, mais poderoso, e mais de fácil acesso para o usuário”, explica Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Unifesp. 

O oxi entrou no Brasil há sete anos pelas fronteiras que o Acre faz com a Bolívia e o Peru. Ficou restrito ao norte do país até este ano, quando se espalhou por diversos estados. A primeira apreensão de oxi na cidade de São Paulo foi em março deste ano de 2011. É possível que o oxi já existisse antes?

“Eu acredito firmemente nisso. É muito provável que esse produto já estivesse em circulação pelo menos naquela região da cracolândia há mais tempo”, acredita Wagner Giudice, diretor do Denarc.

Quando você fuma o oxi, o querosene provoca náuseas, vômitos, tosse, sensação de sufocamento, tremores e até convulsões. Os vapores de cal irritam os olhos, provocam perda parcial da visão e cegueira. O oxi queima por onde passa. Boca, garganta, brônquios e pulmões ardem. Você pensa que está fumando cocaína, mas na verdade está se envenenando com querosene e cal.

“Quando ele vai ser queimado fica o resíduo da não queima de parte da querosene. A fumaça que sai é a fumaça que vai ser inalada. Querosene, cal. E nós temos o resíduo que sobra, uma espécie de uma graxa. O cheiro de combustível pela queima do querosene. A sobra é esse líquido oleoso, conhecida como oxi ou oxidado porque ele fica realmente oxidado”, explica um delegado.


“Eu acredito que o oxi pode alcançar muito rapidamente os consumidores de crack. O crack alcançou mais de 90% das cidades brasileiras por ser uma droga conhecida como barata. O oxi é mais barato do que o crack”, acredita Wagner Giudice, diretor do Denarc.


“Fizeram uma pesquisa de um ano com cerca de cem usuários e constataram que, em um ano, 30% desses usuários acabaram morrendo em razão dos efeitos dessa droga lá no Acre. Hoje, o oxi chega em uma zona onde o pessoal já está com graves problemas de saúde. A maioria dos que estão na Cracolândia sofre de AIDS, sofre de tuberculose, e, por incrível que pareça, sarna, em razão da promiscuidade que eles estão vivendo. Então o oxi entrando em um campo desses realmente vai causar mais malefícios”, alerta Reinaldo Corrêa, delegado do Denarc.


Marcos Antônio é um usuário de oxi e crack em tratamento. A dependência o fez roubar objetos da família e morar na Cracolândia.


“Passei três noites lá. Eu vi crianças de 7 anos de idade na fissura, ameaçando pessoas para dar um trago. Por ele ser muito barato, está entrando como uma avalanche no mercado. Lá na Cracolândia você compra trago por R$ 0,50. A gente se sente uma escória, a gente se sente um verme ali”, conta Marcos. “Vi que eu precisava me internar no momento em que vi meus filhos abandonados. Tenho duas filhas adolescentes.”


Uma droga devastadora como o oxi destruirá um número incalculável de usuários e famílias. Dependência química não é caso de polícia. É doença que precisa ser enfrentada com medidas preventivas e assistência médica para tratamento dos dependentes. Estamos diante de uma tragédia anunciada: o oxi. Ainda dá tempo para reagir. "


domingo, 8 de maio de 2011

Quem avisa, amigo é "o golpe da dívida"


Meu camarada,
Mais uma vez invado este espaço para lhe dar toques que servem para todos os que usam drogas. Hoje, entretanto, gostaria de me reportar a uma droga, potencialmente letal, perigosíssima, que é o crack e o "mundo" em que, viciados nesta droga, andam. 

Pois é meu camarada, você bem sabe o que é frequentar ambientes de viciados em crack. São pessoas que poderiam ser produtivas, mas, infelizmente, fazem parte do grande contingente de excluídos da nossa sociedade dividida em classes. 

Sem teorizarmos, ou tratarmos da sociologia dos excluídos, e respeitando o universo dos pobres viciados nesta droga, ordinária e diabólica, gostaria de pintar um quadro, que pode variar, mas que é lugar comum em todos os ambientes: pessoas em situações degradantes, constrangedoras, misturadas e, todas, em transe paranoico. 

Transe que também deveria ser melhor estudado por estudiosos e profissionais que se dedicam ao exame do crack. 

Há uma espécie de transe hipnótico, camarada. Alguma substância, ainda não suficientemente estudada, que permite fortalecer as sugestões feitas por traficantes, fazendo-as funcionarem quase como uma "ordem". É apenas uma sugestão que funciona, levando viciados a trocarem bens de valor, por uma droga infernal, que nada vale, salvo para os traficantes e o usuário viciado.

Você, camarada, já percebeu que em dado momento você entra em transe "hipnótico" e, em uso da droga, fica muito vulnerável a tantas subordinações...

Sabe, companheiro, tenho pena de ver um viciado em crack furtando objetos do lar, para levar a um traficante que só irá lhe causar prejuízos. Isto, camarada, sem contar com as sujeiras que podem lhe aplicar, como, por exemplo, o golpe da dívida, existente, ou inexistente, pouco importa.

Vão lhe arrancar dinheiro, extorquindo-o em seu estado de desorientação mental e, isto, geralmente ocorre quando os traficantes também usam a mesma droga. 

Donde ele vai tirar o "lucro" da droga usada? De você e outros otários. Vai lhe furtar, vai lhe enganar, vai mentir, vai forjar, vai falsear e vai levar o falso testemunho de outros dependentes da droga, contra você, que já é vítima de tantas "armações".

Se é traficante que tem patrão, ele não poderá quebrar o patrão e sempre vai querer justificar-se perante o mesmo, alegando que A, B e C, devem a ele e que não pagaram. O patrão, geralmente, acredita no falso testemunho, nesta mentira deslavada.

Pura MALANDRAGEM, que leva inocentes a pagarem um elevado preço por se enfurnarem em meios dantescos, para fazer uso de uma porcaria de droga. 

Bem sei que existem viciados que contraem dívidas. Tem os que pagam e os que se viram para pagar e os que não conseguem pagar. Mas, em todas as situações o traficante usuário é um manipulador, um "quebrão", que usa a droga e perde o controle do que tem a pagar ao patrão e acaba jogando a própria responsabilidade    nas costas de inocentes úteis. Compreendeu?

"Patrão" burro não sabe que entregar queijo para um rato, ou mandar raposas tomar conta do seu galinheiro, é prejuízo. Será que existe "PATRÃO" BURRO? 
  
O golpe da divida consiste em lhe convencer de que, aquela dívida paga, não foi paga, e que você deve quita-la, urgentemente, sob pesadas penalidades. Esta modalidade é utilizada por traficantes que fazem uso da droga, vale repetir, o que constitui uma quebra de conduta adotada por traficantes não usuários. 

Os "chefões" sabem muito bem disso e porque consentem nessa "quebra de conduta" e dão queijo para ratos para tomarem conta, ninguém sabe.

O traficante viciado tanto vende, quanto consome, de modo que passa a extorquir os viciados mais susceptíveis ao medo. Isso virou lugar comum, camarada, e você não tem para onde correr, pois a palavra do traficante, perante o chefão, tem "valor" (para os que não ousam pensar de modo racional) . 

Mas saiamos dos golpes e vamos nos ligar naquele ambiente patético de "noiados", onde sempre pinta aquele quadro de esquizofrênia coletiva, induzido pela droga, que merece um estudo científico mais acurado, também. Pessoas com olhares perdidos, amedrontados, outros sobressaltados, como se estivessem esperando acontecer algo de ruim a qualquer momento. Evidente que tem os "calmos", que mantém as aparências, não é mesmo?  Será que você, camarada, não percebe que esta na hora de fazer algo certo em sua vida, afastando-se desses ambientes, evitando o uso, hábitos, pessoas e lugares da ativa?

Mas,meu camaradinha, será que já estão lhe vendendo OXI como crack? Quero dizer: você não está comprando gato por lebre, não é mesmo, ou está "se passando"?

Tudo é possível, crack é droga de otário!

CUIDADO, pois é exatamente isto que está ocorrendo: você esta usando uma nova droga, similar e muito pior que o crack, inclusive mais barata, com efeitos semelhantes, porém muito mais graves para sua saúde. 

Você saberia distinguir uma droga da outra ? Oxi tem fumaça escura, o crack fumaça mais clara. Ambas não prestam, não servem. Uso este espaço para alertar os incautos. 

Se ligue camarada, o viciado é sempre uma vitima, portanto saia dessa enquanto há tempo. Em outro  momento falarei porque o crack tornou-se uma droga difícil de ser combatida. 

As pessoas não sabem que isso vem ocorrendo, de modo que não lhe resta outra saída senão tomar uma decisão de ir se libertando deste mundo que não é seu. Refiro-me ao mundo das drogas. 

O mundo está cheio de astúcia, portanto, não deixe que lhe usem, nem lhe apliquem golpes. 

Hoje escrevo com dificuldade, pois, onde me encontro, há pouca luminosidade, mas o que não falta é inteligência do poder superior a atuar. Luz, é isso que muita gente precisa, quando estão mergulhados nas trevas. Luz, muita luz... O resto é cena de cinema: "luz, câmara e ação", camarada! 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Tolerância e Dependência


Dependência alcoólica, Valdomiro






Tolerância e Dependência 

A tolerância e a dependência ao álcool são dois eventos distintos e indissociáveis. A tolerância é a necessidade de doses maiores de álcool para a manutenção do efeito de embriaguez obtido nas primeiras doses. Se no começo uma dose de uísque era suficiente para uma leve sensação de tranqüilidade, depois de duas semanas (por exemplo) são necessárias duas doses para o mesmo efeito. Nessa situação se diz que o indivíduo está desenvolvendo tolerância ao álcool. Normalmente, à medida que se eleva a dose da bebida alcoólica para se contornar a tolerância, ela volta em doses cada vez mais altas. Aos poucos, cinco doses de uísque podem se tornar inócuas para o indivíduo que antes se embriagava com uma dose. Na prática não se observa uma total tolerância, mas de forma parcial. Um indivíduo que antes se embriagava com uma dose de uísque e passa a ter uma leve embriaguez com três doses está tolerante apesar de ter algum grau de embriaguez. O alcoólatra não pode dizer que não está tolerante ao álcool por apresentar sistematicamente um certo grau de embriaguez. O critério não é a ausência ou presença de embriaguez, mas a perda relativa do efeito da bebida. A tolerância ocorre antes da dependência. Os primeiros indícios de tolerância não significam, necessariamente, dependência, mas é o sinal claro de que a dependência não está longe. A dependência é simultânea à tolerância. A dependência será tanto mais intensa quanto mais intenso for o grau de tolerância ao álcool. Dizemos que a pessoa tornou-se dependente do álcool quando ela não tem mais forças por si própria de interromper ou diminuir o uso do álcool. 
O alcoólatra de "primeira viagem" sempre tem a impressão de que pode parar quando quiser e afirma: "quando eu quiser, eu paro". Essa frase geralmente encobre o alcoolismo incipiente e resistente; resistente porque o paciente nega qualquer problema relacionado ao álcool, mesmo que os outros não acreditem, ele próprio acredita na ilusão que criou. A negação do próprio alcoolismo, quando ele não é evidente ou está começando, é uma forma de defesa da auto-imagem (aquilo que a pessoa pensa de si mesma). O alcoolismo, como qualquer diagnóstico psiquiátrico, é estigmatizante. Fazer com que uma pessoa reconheça o próprio estado de dependência alcoólica, é exigir dela uma forte quebra da auto-imagem e conseqüentemente da auto-estima. Com a auto-estima enfraquecida a pessoa já não tem a mesma disposição para viver e, portanto, lutar contra a própria doença. É uma situação paradoxal para a qual não se obteve uma solução satisfatória. Dependerá da arte de conduzir cada caso particularmente, dependerá da habilidade de cada psiquiatra.

Drogas para todos os gostos, DR. ERCY SOAR


Existe na sociedade contemporânea um padrão “aditivo”, ou seja, que induz à dependência? Pode-se falar em dependência a outras “drogas” que não as químicas, como jogo, comida e sexo, nos mesmos termos em que pensamos as dependências químicas? A comercialização de quais drogas deve ser criminalizada, e de quais deve ser liberada? E o consumo? Qual o peso relativo dos fatores sociais e dos individuais nas dependências? Existe uma relação entre transtornos narcísicos e o uso abusivo de drogas? Como se articulam os quadros de abuso de substâncias e os demais transtornos mentais?

O problema das drogas coloca a sociedade diante de muitas questões, a maior parte delas sem respostas definitivas. Em seu livro Drogas, por que as pessoas usam?, Francisco Baptista não apenas responde a algumas delas como traça um amplo painel sobre as drogas e seu consumo no Brasil. O autor não faz distinção entre as substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas, desde que sejam capazes de produzir dependência e causar danos significativos à saúde. Assim, inclui entre as drogas discutidas a cafeína, o tabaco, o álcool, os tranqüilizantes e os remédios psicoestimulantes, usados de maneira indiscriminada no Brasil, principalmente como inibidores de apetite.
O abuso de drogas não pode ser explicado através de fórmulas esquemáticas ou causalidades lineares. Não há culpados isolados nem causas únicas. Como tudo que se passa no campo da conduta humana, existem múltiplos fatores envolvidos. No entanto, não se pode fechar os olhos para o fato de que a sociedade contemporânea vem se caracterizando por níveis inéditos de produção, venda e consumo de substâncias psicoativas, e que as pessoas, principalmente os jovens, lançam-se numa corrida desenfreada em busca de novas sensações, de prazeres imediatos, de estados alterados de mente, como numa frenética fuga da realidade.
O narcisismo cultural da contemporaneidade está na base de uma mentalidade consumista, de uma insatisfação permanente, e de um vazio existencial que busca alívio no consumo de substâncias que, num primeiro momento, podem trazer sensação de prazer, mas que cobram um alto e crescente preço pela manutenção deste mesmo prazer. Com o tempo, pouco ou nada dele resta, senão a necessidade compulsiva de aliviar a falta da própria droga. Entre aqueles que buscam ajuda psiquiátrica e psicoterápica, não é raro observar casos de uso e abuso de drogas como uma tentativa desesperada de preencher o vazio existencial, aliviar a insegurança ontológica, ou amenizar sintomas de outros transtornos mentais associados.
Os sintomas ansiosos que levaram Fernando a me procurar inicialmente estavam associados a um uso crescente de maconha. Ele buscava alívio para suas angústias na maconha, que, por sua vez, acabou por desencadear várias crises de ansiedade. Na medida em que se tratou, com remédios e com terapia, diminui significativamente o consumo, tendo passado longos períodos em abstinência.
Outro paciente, um jovem de 19 anos que apresentava problemas de conduta e uso de maconha, cocaína e ecstasy, quando iniciou o tratamento revelou vários sintomas sugestivos de psicose. Ele vinha usando essas drogas desde há anos, e tinha uma história familiar importante de pessoas com esquizofrenia e transtorno bipolar de humor. Já existem muitas evidências científicas de que a exposição precoce às drogas, mesmo que exclusivamente a maconha, aumenta em praticamente dez vezes o risco de desenvolver psicoses. Felizmente, este jovem tem conseguido manter-se afastado das drogas, ciente de que disto depende sua saúde mental.


Há hoje uma larga produção artística, principalmente nas artes cênicas, sobre este tema. Poucos filmes, entretanto, impressionaram-me tanto quanto “Réquiem para um Sonho”, do diretor novaiorquino Darren Aronofsky. São histórias paralelas de quatro personagens. Enquanto um jovem, e sua namorada, vão se enredando nas teias da dependência à heroína, sua mãe, abandonada em casa, torna-se dependente de substâncias prescritas por médicos para emagrecer. Durante o dia toma anfetaminas e à noite tranqüilizantes, para dormir. Entre uns e outros, consome de forma igualmente compulsiva os programas populares da TV americana, até ver-se dentro deles, conduzida por delírios e alucinações resultantes do abuso das substâncias. No filme evidencia o problema da dependência a substâncias lícitas, como os remédios, e a outras formas de anestesiamento mental, como pode ser a televisão.
O Brasil, segundo noticiado recentemente, já é um dos países do mundo onde mais se consomem os tranqüilizantes, prescritos muitas vezes de forma irresponsável pelos próprios médicos. O medicamento clonazepam, mais conhecido pelo nome comercial Rivotril®, já é o segundo remédio mais vendido nas farmácias do Brasil. É uma situação grave, levando-se em conta que só pode ser comercializado mediante receita médica. Este é um potente tranqüilizante que, quando usado corretamente, pode ser um valioso instrumento no tratamento de transtornos psiquiátricos. Entretanto, sua prescrição continuada e indiscriminada pode trazer efeitos indesejáveis a curto e longo prazos, entre os quais uma importante dependência química.
Vivemos numa sociedade que é indutora de dependências de toda natureza, que incluem o jogo, os videogames, a Internet, a televisão, passando pelo sexo e pela comida, até uma gama enorme de substâncias que atuam no cérebro. A mídia exerce um papel importante nesse problema, possivelmente muito mais como indutora do uso do que como veículo de educação e prevenção. Ainda não existem estudos definitivos quanto à eficácia das campanhas contra as drogas. E há pelo menos um estudo mostrando que as leis que restringem os locais onde se pode fumar são mais eficazes entre os adolescentes do que aquelas fotos horríveis estampadas nos maços de cigarro.
Ainda assim, não se pode negar de que o conjunto de ações, que abarcam os campos da legislação, tributação, educação e repressão, têm contribuído decisivamente para um decréscimo do consumo de cigarros no Brasil. Uma pesquisa recente do INCA (Instituto Nacional do Câncer) mostrou que, em 1989, 33% dos brasileiros maiores de 18 anos fumavam. Hoje essa proporção é de 18%, tendo ocorrido uma queda de 45%.
Enquanto não existem divergências sobre a necessidade de severo combate ao tráfico de drogas, o mesmo não se pode dizer quanto à maneira de lidar com o consumo. Francisco Baptista é enfático ao criticar a criminalização do consumo, atitude que em sua opinião só reforça a crença de que o usuário é malandro, vagabundo, ou pessoa sem caráter. Esta perspectiva na maioria das vezes só acarreta danos ao próprio usuário, além de significar uma restrição à liberdade individual. O tema da descriminação do consumo, de fato, é bastante sensível e polêmico. As experiências de outros países têm mostrado resultados contraditórios e inconclusivos.
A atual epidemia de crack, que tem ganhado – ainda que tardiamente – algum espaço nos noticiários, impõe a busca de soluções urgentes. Tem-se assistido inclusive em telejornais o desespero de famílias em busca de ajuda para jovens seriamente afetados pelo abuso dessa substância destrutiva. A sociedade organizada e o poder público precisam oferecer respostas urgentes ao problema. O governo já estaria dando um passo importante se destinasse mais verbas para o setor da saúde mental, que sofre de muitas deficiências nesta e em outras áreas. São necessários programas específicos de tratamento no Sistema Único de Saúde, a criação de clínicas especializadas e a ampliação no número de leitos psiquiátricos em geral, e para o tratamento dos dependentes químicos.

Ilustração: cena de Réquiem para um sonho.

Crédito: POLYPHRENIA
Crédito da foto: BLOG DEPENDÊNCIA GERAL

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