terça-feira, 20 de maio de 2014

CIDADE DOS ESQUECIDOS - SEGUNDA VISITA


Por Andrea Dip

A segunda visita foi ao Juquery. “Há cinco anos, quando assumimos, o bicho pegava. Há dez, ele morava.” A frase é de Maria Alice Scardoelli, diretora técnica da divisão de saúde do Núcleo Assistencial II e do Departamento Psiquiátrico II do hospital. Foi ela que nos guiou em duas horas de caminhada pelos 1.927 hectares de terreno. Conta que chegou areceber ameaças de morte de funcionários “cronificados” – aqueles que, de tantos anos trabalhando na instituição, são resistentes às mudanças.

O primeiro lugar que visitamos foi o que restou do prédio principal, que pegou fogo em dezembro de 2005. Ficaram de pé apenas a estrutura externa e o busto de Franco da Rocha, primeiro médico a dirigir o hospital. Viraram cinzas mais de cem anos de história do Juquery, que se encontravam nos arquivos. Foi o terceiro incêndio no complexo, desde a década de 1970. O primeiro nos arquivos do cemitério, o segundo durante as investigações da Assembléia, e esse agora. A perícia ainda está investigando as causas do fogo. 

Entramos, finalmente, em uma ala feminina de “agudos” – a dos pátios. Quando as enfermeiras nos viram, trataram logo de tirar uma mulher do chão. “Quando eu chego é igual batida policial, eles vão arrumando tudo”, diz Maria Alice. E dá bronca nas enfermeiras. O dormitório impressiona. Enorme, repleto de camas de ferro. Algumas vimos mais nem sequer um único paciente em toda a visita. Claro que não entramos na área de agudos, “perigosa, com pacientes em surto” – os tais grandes pátios que não me deixariam ver. Apenas um paciente nos pedindo cigarro pela grade. De resto, nada. Ninguém.

CIDADE DOS ESQUECIDOS - PRIMEIRA VISITA

Andrea Dip


Antes de eu ir aos hospitais, coordenadoras do Fórum Paulista da Luta Antimanicomial me fizeram re-
comendações: “Não precisa visitar muitos manicômios. Eles são sempre iguais. Têm grandes pátios, onde provavelmente não vão te deixar entrar, e as pessoas são iguais. Elas ficam iguais. A institucionalização faz isso.

A pele é amarela, queimada pelo sol forte que tomam nos pátios, e pela medicação, que mexe com a melanina. O cheiro das pessoas é o mesmo. Um cheiro forte, também causado pelos remédios. Os dedos são queimados pelas xepas de cigarros. Alguns babam e parecem robôs, têm tiques, esses tomam Haldol. Sabe o estereótipo de louco? Não é a doença, é o efeito colateral da medicação.

Não vá sozinha, pelo menos no primeiro, porque você vai ficar muito impressionada. E boa sorte”. Fui para a primeira visita. 

Hospital Psiquiátrico Pinel, no bairro de Pirituba, em São Paulo. Confesso que fui receosa, sem saber direito do que ter medo. 

Por fora, o prédio da recepção parece cenário de um filme sobre o tema. Amarelo, antigo, janelões. Fomos bem recebidos (eu e o fotógrafo) pelo psiquiatra Eduardo Guidolin, que dirige há três anos o hospital. Sua sala fica no fi nal de um grande corredor esverdeado, tal qual meu sonho. 

Ele conta que o Pinel tem hoje três programas “bem distintos um do outro”.  Um com catorze vagas para adolescentes e cinco para crianças; o segundo para “agudos”, só homens adultos em crise, com 38 leitos, “com média de in-ternação de 25 dias”; e o terceiro programa é o de moradores, pessoas que estão há vinte, trinta anos internadas e já perde-ram o vínculo social e familiar. São os chamados “crônicos”, a maioria dos hóspedes dos manicômios. Renato Del Sant, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas, explica: “Os familiares lidam muito bem com doenças físicas como Aids, câncer. 
Mas a doen-ça mental mexe com o emocional da família. Ninguém agüenta mais do que uma semana ou duas ao ver um parente demenciando, ou psicótico. A família pede ‘pelo amor de Deus, interna meu parente’! 

E o povo com baixos recursos sociais e econômicos, chega do trabalho às 10 da noite, às 4 tem que acordar, e tem aquele parente gritan-do que vai se matar. Aí, a família acaba abandonando, ou em algum hospital ou na rua”. 

Um exemplo dado pelo próprio Eduardo Guidolin é o de uma mulher que estava rodando de manicômio em manicômio havia mais de vinte anos. “Ela teve um filho e pouco tempo depois teve um surto psicótico e foi internada. 

O pai foi informado de que ela sofrera psicocirurgia e havia morrido. Ninguém foi atrás do corpo. Então, ela foi parar na Bolívia, não se sabe como, e veio para o Pinel repatriada. Conseguimos achar a família no interior de São Paulo e a estamos devolvendo pra eles.” Os pacientes crônicos do Pinel ficam em pequenas casas, onde teriam maior autonomia. “Esses pacientes escolhem se querem comer frango ou carne, por exemplo. Porque tantos anos de internação deixam a pessoa sem autonomia; alguém sempre escolhia o que ela ia comer, vestir”, explica o psiquiatra. 

Terminada a entrevis-ta, fomos conhecer o hospital. Ao que parece, o governo do Estado não nega verbas ao Pinel. Salão de jogos com mesa de sinuca e pebolim novíssimos. O doutor Guido-lin ia, molho de chaves na mão, nos mostrando as ins-talações, que mais pareciam pertencer a um spa. 

Sala de cinema com telão e televisão gigante. “Eles assistem fi lmes toda quinta-feira, às 15 horas.” Olhei no relógio. 15h40. Era quinta-feira. Nem sinal de que alguém tives-se passado por ali. 

Comecei a desconfiar que o estado de conservação das instalações não se dava por zelo, e sim por falta de uso. 

Abrem-se as portas da biblioteca – também trancada a chave e de luzes apagadas. “Os internos têm acesso livre às áreas de lazer e oficinas”, diz o diretor, enquanto tranca novamente a biblioteca. 

Conhecemos a área de crianças, alguns dormitórios, o refeitório e comecei a reparar em outra coisa estranha. Exceto uma área em que entramos rapidamente, onde havia cinco ou seis pessoas maltrapilhas – inclusive uma mulher sem as calças, sentada no chão, “paralítica ela não gosta da cadeira de rodas, prefere o chão” –, não senhoras dormiam o sono da tarde. Uma, na contraluz da única janela, brincava de boneca. 

O tempo médio de internação dos 466 pacientes que agora estão no hospital é de 25 anos e nove meses. A idade média é de 57 anos e oito meses. E, talvez o mais triste, ape-nas 19 por cento  recebem visitas de familiares. Os pacientes crônicos são vítimas do que Franco Basaglia, precursor da reforma psiquiátrica italiana, chamou de “duplo da doença mental”, tudo o que se sobrepõe à doença como resultado do processo de institucionalização. A perda da cidadania, da subjetividade e da autonomia, a distorção dos valores familiares – os funcionários da instituição é que se tornam a família –, a aceitação da incapacidade e da loucura. E a família, que ia visitar de vez em quando, começa a ir cada vez menos.

“A família sente raiva, sente vergonha, e aí sente culpa por ter sentimentos feios e acaba abandonando”, explica Myrna Coelho, psicóloga que trabalhou no Manicômio Judiciário, também no município de Franco da Rocha. Grande parte desses pacientes do Juquery está sendo en-caminhada para outros tipos de instituição, como os asilos fi lantrópicos. “Se o indivíduo é esquizofrênico, cardíaco e teve um acidente vascular cerebral, o menor problema dele é ser esquizofrênico. Então nós o transferimos para outro lu-gar, que atenda melhor às necessidades dele”, diz a doutora Maria Alice. “Nós não vamos desativar o complexo, porque aqui temos serviço de clínicas gerais que atende a comunidade de Franco da Rocha, como obstetrícia e pronto-socorro. 

O que muda é que não vamos mais ter internações longas, a cada paciente crônico que sai, o leito é fechado”, explica.  

Tanto é que várias áreas estão sendo reformadas. Inclusive para internação de agudos. Seguindo a visita, conheci dona Mercedes – para nunca mais esquecer. Ela toma conta de uma ala que prepara para a desinternação, onde os pacientes têm quarto próprio e ajudam nas tarefas. 

Dona Mercedes trabalha no Juquery há mais de trinta anos e diz que já viu de tudo. Entrou na pior época, em plena ditadura militar, e quase foi exonerada após libertar sessenta homens do pátio – que fi cava tran-cado – para que pudessem freqüentar todo o complexo. “O diretor falou que, se um fugisse, eu iria ser exonerada. Nenhum fugiu”, conta orgulhosa.

A “casa” de dona Mercedes é colorida. Tudo limpo, cheio de plantas. “Ela é minha arma secreta”, confidencia Maria Alice. “Não tem pepino que ela não resolva.” Dona Mercedes chama a atenção de um homem que está sentado num canto, descalço. Diz pra ele sentar no sofá com os outros. “Vicio de pátio”, me explica. “Eles chegam sem querer pôr sapato, só querem ficar no chão. Eu dei um chinelo para ele e ele me devolveu. Amanhã dou de novo, ele fica cinco minutos e me devolve. Uma hora, ele volta a usar sapato. A gente tem que ensinar tudo de novo. Comer com talheres, usar sapato, escolher a comida,”. Os “filhos” de dona Mercedes são felizes, simpáticos, e saem pra ir ao banco, por exemplo.

Como seu João (nome fictício), um senhor negro muito simpático e sorridente que me mostrou orgulhoso seu quarto, suas coisas. Torcedor do Corinthians, o emblema do time está em tudo. No armário, fotos da fa-mília. “Quem são?”, pergunto. “Minha família.” “Eles vêm te visitar?”, arrisco. “Às vezes vêm... meu irmão às vezes vem”, diz, fechando o sorriso. E logo muda de assunto. Conta que foi promovido a assistente do seu médico, e me mostra o ventilador do doutor que guardou com cuidado, sua pri-meira tarefa. Ao deixarmos dona Mercedes, faço o pedido: “Doutora, queremos conhecer o cemitério”. 

“Vou ter que pedir ajuda de alguém, porque nunca fui lá”, confessa Maria Alice. O clima pesa quando pronuncio a palavra “clandestino” para a diretora técnica do Juquery, doutora Maria Tereza Gianerini Freire. “Não é clandestino. Nunca foi. Era apenas um lugar para enterrar os pacientes que não tinham mais contato com a família, e que iam ser enterrados como indigentes em outro cemitério. Mas hoje ele está desativado”, diz com rispidez.

A estrada que liga o hospital ao cemitério é de terra. Cheia de curvas, com o mato alto. Ao avistarmos a infinidade de túmulos brancos e algumas cruzes azuis sob o mato alto, Maria Alice exclama: “Que lindo!” Dou um sorriso amarelo. Lindo? É a coisa mais macabra que já vi na vida. Cruzes quebradas, mato crescendo de dentro dos sepulcros. Lembro do depoimento da doutora Cristina. Estão todos ali. Só Deus sabe o que passaram.

Meditação do Dia - Narcóticos Anônimos

TERÇA, 20 DE MAIO DE 2014

Sair do isolamento

"Damos por nós a fazer coisas que nunca pensámos fazer, e a gostar de fazê-las." 
Texto Básico, p. 113

A adicção activa manteve-nos isolados por muitas razões. No início evitávamos a família e os amigos, para que eles não descobrissem que andávamos a usar. Alguns de nós evitavam todas as pessoas que não fossem adictas, temendo os jogos moralistas e as repercussões legais. Deitámos abaixo quem tivesse vidas "normais", com famílias e passatempos; chamávamos-lhes "caretas", acreditando que nunca iríamos conseguir gozar os prazeres simples da vida. Por fim acabámos por evitar até outros adictos, pois não queríamos dividir as nossas drogas. As nossas vidas estreitaram-se, e as nossas preocupações ficaram confinadas à manutenção diária da nossa doença. Hoje as nossas vidas estão muito mais preenchidas. Apreciamos as actividades com outros adictos em recuperação. Temos tempo para as nossas famílias. E descobrimos muitas outras coisas que nos dão prazer. Que mudança em relação ao passado! Podemos viver a vida tão intensamente como as pessoas "normais" que antigamente desprezávamos. A alegria voltou às nossas vidas, uma dádiva de recuperação.

Só por hoje: Posso encontrar prazer nas rotinas simples da vida.


Fonte: http://www.na-pt.org/sph.php

domingo, 18 de maio de 2014

Meditação Diária - NARCÓTICOS ANÔNIMOS

DOMINGO, 18 DE MAIO DE 2014.


Amigos e reparações – mantendo a simplicidade


Fizemos reparações diretas a tais pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo pudesse prejudicá-las ou a outras.

Em todo relacionamento nem sempre lidamos com as coisas da maneira que esperávamos. Mas as amizades não têm que terminar quando cometemos erros; pelo contrário, podemos fazer reparações. Se estivermos sinceramente dispostos a aceitar as responsabilidades envolvidas na amizade e fizermos as reparações que devemos, estas amizades podem sempre se tornar mais fortes e ricas do que nunca.

Fazer reparações é simples. Nos aproximamos da pessoa que prejudicamos e dizemos: “Eu estava errado”. Algumas vezes evitamos chegar a este ponto, nos esquivando de admitir nossa própria responsabilidade no assunto. Mas isto frustra a intenção do Nono Passo. Para fazer reparações efetivas, temos que ser simples: admitimos nossa parte e deixamos acontecer.

Vai haver momentos em que nossos amigos não aceitarão nossas reparações. Talvez precisem de tempo para pensar no que ocorreu. Se for este o caso, temos que lhes dar este tempo. Na realidade, nós é que estávamos no erro, não eles. Fizemos nossa parte; o resto está fora de nosso alcance.

Só por hoje eu quero ser um amigo responsável. Eu vou lutar para manter a simplicidade quando fizer reparações.

Fonte : NASP-RGSP

REFLEXÃO DIÁRIA - ALCOÓLICOS ANÔNIMOS


DOMINGO, 18 DE MAIO DE 2014.


LIBERDADE PARA SER EU MESMO


Se trabalharmos com afinco nesta fase de nosso desenvolvimento, ficaremos surpreendidos antes de chegar à metade do caminho. Vamos conhecer uma nova liberdade e uma nova felicidade.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Minha primeira verdadeira liberdade é a liberdade de não precisar beber hoje. Se realmente desejá-la, praticarei os Doze Passos, e através deles me chegará a felicidade desta liberdade - às vezes rapidamente, outras vezes lentamente. Seguir-se-ão outras liberdades, e fazer seu inventário será nova alegria. Tive uma nova liberdade hoje, a liberdade de ser eu mesmo. Tenho a liberdade de ser melhor do que jamais fui.

Fonte: http://www.aa.org.br/reflexao-diaria

sábado, 17 de maio de 2014

Meditação do Diária - Narcóticos Anônimos

SÁBADO, 17 DE MAIO DE 2014.

"Defeitos"
"Prontificámo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de carácter." 

Sexto Passo

Depois de fazermos um Quinto Passo, muitos de nós passam algum tempo a examinar "a natureza exacta das nossas falhas" e o papel que tiveram na construção das nossas personalidades. Como é que seria a nossa vida sem, por exemplo, a arrogância? Claro que a arrogância manteve-nos afastados das outras pessoas, impedindo-nos de nos divertirmos e de aprendermos com elas. Mas a arrogância também nos ajudou, levantando o nosso ego quando enfrentávamos uma baixa auto-estima. O que é que iríamos ganhar se a nossa arrogância fosse removida, e com que apoio é que ficaríamos sem ela? Sem a arrogância estaríamos a um passo de sermos devolvidos ao nosso lugar próprio no mundo. Seríamos capazes de apreciar, de igual para igual, a companhia das outras pessoas, a sua sabedoria e os seus desafios. O nosso apoio e a nossa orientação viriam, se assim escolhêssemos, do cuidado oferecido pelo nosso Poder Superior; e uma "baixa auto-estima" deixaria de constituir um problema. Um por um, examinámos assim os nossos defeitos de carácter e descobrimos que são todos defeituosos - afinal, é por isso que se chamam defeitos. E estávamos inteiramente prontos a deixar que Deus removesse todos eles? Sim.

Só por hoje vou examinar profundamente todos os meus defeitos de carácter, a fim de descobrir se estou pronto para que o Deus da minha concepção os remova.


Fonte: http://www.na-pt.org/sph.php


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Abuso de drogas é uma doença crônica, diz neurocientista



IARA BIDERMAN - colaboração para a Folha de S.Paulo

1008534A neurocientista e psiquiatra Nora Volkow, 53, foi a primeira mulher a assumir a direção do Nida (instituto nacional dos EUA para o abuso de drogas), em 2003. Eleita pela revista "Time" uma das cem pessoas mais influentes do mundo, foi pioneira no uso da tomografia para investigar o efeito das drogas.

Neurocientista e psiquiatra Nora Volkow, primeira mulher a dirigir o Nida e pioneira no uso de tomografia para estudar vício em droga

Publicou mais de 400 artigos, mostrando que a dopamina tem um papel fundamental em todas as dependências -das drogas ilícitas ao vício em jogos ou compulsão alimentar- e reforçando a ideia de que a dependência é uma doença crônica, que deve ser tratada como tal.

Volkow nasceu no México, na mesma casa em que seu bisavô, o revolucionário russo Leon Trotsky, foi assassinado. Na última quarta-feira (24), esteve em São Paulo, onde realizou uma palestra na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Leia a seguir trechos da entrevista que a cientista concedeu à Folha.

FOLHA - Como a sra. define a dependência?
NORA VOLKOW - É uma doença crônica e reincidente, que envolve mudanças no cérebro que levam ao consumo compulsivo de drogas apesar de suas consequências devastadoras. A decisão inicial de usar uma droga é voluntária, mas seu uso crônico pode precipitar mudanças cerebrais que comprometem os sistemas de recompensa, motivação e mesmo o livre-arbítrio.

FOLHA - Qual a diferença entre os mecanismos que levam ao vício em drogas e os que levam a outras dependências, como jogo compulsivo?
VOLKOW - Temos evidências de que os mecanismos cerebrais de dependências comportamentais, como jogo compulsivo, são similares aos produzidos por drogas. As substâncias psicoativas interferem nos mecanismos de recompensa, controlados pelo neurotransmissor dopamina. A maioria das drogas aumenta exageradamente a produção de dopamina, o que sobrecarrega o sistema de motivação e afeta circuitos cerebrais como a memória, a tomada de decisões e a motivação. O jogo compulsivo interfere nos mesmos circuitos cerebrais.

FOLHA - O que as tomografias nos contam sobre a dependência?
VOLKOW - Poder monitorar o cérebro em atividade nos permitiu realmente "ver" as mudanças associadas à dependência e seu risco. As tecnologias de imagem são instrumentos poderosos para combater o estigma, ainda muito difundido, de que abandonar o vício é uma questão de vontade. Demonstrar que [a dependência] é uma doença pode levar a uma enorme mudança na visão que médicos, políticos, o público em geral e muitos cientistas têm do vício e do dependente.

FOLHA - São essas evidências que levam a sra. a defender que o dependente não seja criminalizado?
VOLKOW - Não é meu papel dizer à sociedade como lidar com o status legal desses indivíduos, mas posso usar o conhecimento que tenho para informar os responsáveis pelas políticas públicas que a dependência é um distúrbio médico e que os tratamentos para ela funcionam. Pesquisas mostram que tratamentos feitos dentro do sistema prisional reduzem o abuso de drogas e a volta à prisão, o que pode ser uma forma de acabar com o círculo vicioso de abuso de droga e problemas com a justiça criminal.

FOLHA - E qual é sua opinião sobre a descriminalização da maconha?
VOLKOW - Tenho de me ater aos fatos. Não sabemos exatamente o que aconteceria nessas circunstâncias, mas sabemos que, quando uma droga se torna mais disponível, o uso cresce. É o que acontece com o tabaco e o álcool.

FOLHA - Quais são os melhores tratamentos disponíveis?
VOLKOW - Os mais eficazes envolvem o uso personalizado de medicamentos e terapias comportamentais. Em particular, a dependência a opiáceos pode ser tratada com bastante sucesso. Para as dependências severas, necessitamos de um sistema de cuidados crônicos, com a consciência de que recaídas são comuns e devem ser rapidamente tratadas.

FOLHA - E quais são as perspectivas de novos tratamentos?
VOLKOW - Graças à ciência básica, particularmente na área de genética, estamos identificando novos alvos para os medicamentos. Outra abordagem é o uso de medicamentos aprovados para outros usos, mas que podem ser úteis para tratar dependência. As técnicas de imagem cerebral também estão abrindo novas oportunidades terapêuticas. Por exemplo, uma técnica chamada neurofeedback pode permitir que a pessoa freie voluntariamente áreas específicas do cérebro para controlar a compulsão.

Crédito/Fonte : UNIAD

NEUROCIÊNCIA E DEPENDÊNCIA QUÍMICA: MECANISMOS DE AÇÃO DAS DIFERENTES DROGAS DE ABUSONEUROCIÊNCIA E DEPENDÊNCIA QUÍMICA: MECANISMOS DE AÇÃO DAS DIFERENTES DROGAS DE ABUSO



INTRODUÇÃO


O entendimento das bases neurofisiológicas da dependência química continua desafiando os pesquisadores. De acordo com estudos, o sistema dopaminérgico vem sendo considerado como o mais importante no que se refere ao uso abusivo de substâncias, sendo a via dopaminérgica mesocorticolímbica a mais referida. Juntamente com a dopamina, outros neurotransmissores em conjunto parecem colaborar para a atividade da via dopaminérgica com o chamado “sistema de recompensa”. Incluem-se à dopamina, por exemplo: o ácido gama-aminobutírico (GABA), o glutamato, a serotonina e os peptídeos opióides. Além de atuar sobre o sistema de recompensa, o sistema dopaminérgico apresenta importante função sobre o sistema motor, além de funções refinadas de cognição e memória. Já o sistema opióide é responsável pelo componente hedônico (de prazer) do sistema de recompensa cerebral além de estar relacionado também à dor e ao processamento das emoções. 

Quando observamos os mecanismos de ação das diferentes drogas de abuso verificamos que todas apresentam uma relação direta ou indireta com um ou mais destes neurotransmissores.

Mecanismos de ação das diferentes droga de abuso 


Cocaína 

A cocaína se liga aos transportadores de dopamina (DAT), serotonina (5-HTT) e noradrenalina. Entretanto, os efeitos subjetivos e comportamentais desta substância são geralmente atribuídos à sua ação sobre o sistema dopaminérgico. Acredita-se que 50% de ocupação de transportador de dopamina seja necessário para que um indivíduo perceba os efeitos da substância e que, para a sensação de euforia, pelo menos 60% dos sítios de DAT devem estar ocupados. Nas três vias de administração – aspirada, injetada e fumada (crack) - a ocupação de DAT é superior a 60% . 

A cocaína per se provoca efeitos deletérios indiscutíveis, mas quando é ingerida concomitante ao álcool, leva a formação de um metabólito conjugado chamado cocaetileno. Esse metabólito apresenta propriedades psicoativas importantes e uma meia-vida muito maior do que se a cocaína e o álcool fossem ingeridos separadamente e seu acúmulo leva rapidamente a um quadro de intoxicação.


Metanfetamina e Ecstasy (MDMA -3,4-metilenodiox,metanfetamina)

As drogas classificadas como derivados anfetamínicos podem atuar no Sistema Nervoso Central (SNC) de formas distintas. Seu alvo principal são as monoaminas cerebrais: dopamina, serotonina e noradrenalina. Assim, farmacologicamente são classificadas como agonistas indiretos pois não atuam específicamente sobre receptores monoaminérgicos pós-sinápticos mas, indiretamente da seguinte forma: 

1º ?Impedem a recaptação dos neurotransmissores através do bloqueio competitivo do transportador de dopamina e noradrenalina e em altas doses, também de serotonina;

2º Inibem a atividade das enzimas de metabolismo (monoaminoxidase - MAOA e MAOB); 

3º Estimulam a liberação do neurotransmissor independente de Ca++ (ou seja independente da despolarização do botão sináptico). 


Maconha 

O principal componente psicoativo da maconha é o ?9-tetrahidrocanabinol (THC). Seu mecanismo de ação do THC ainda não foi completamente elucidado, mas acredita-se que ele atue no SNC através de receptores canabinóides CB1 e CB2. As áreas cerebrais com maior densidade de receptores CB1 são o córtex frontal, núcleos da base, cerebelo e hipocampo. Estudos com animais têm demonstrado que o THC e a anandamida (canabinóide endógeno mais estudado), aumentam a concentração de dopamina no estriado e no sistema mesolímbico5 . 

Nicotina 

A nicotina é a principal substância do cigarro responsável pelos efeitos psicoativos e pela dependência de tabaco. No entanto, há milhares de compostos químicos na fumaça do cigarro e alguns deles podem contribuir para os efeitos comportamentais e tóxicos do tabaco. Nicotina é um agonista direto em receptores colinérgicos nicotínicos onde age acetilcolina endógena e estão amplamente distribuídos no SNC. Os receptores nicotínicos implicados na ação da Nicotina6 estão localizados no sistema dopaminérgico mesocorticolímbico. 

Álcool 

Os mecanismos pelos quais o álcool atua no cérebro assim como as alterações cerebrais produzidas pelo seu consumo crônico ainda não estão compreendidos sendo que a maioria dos estudos indica a participação dos sistemas dopaminérgicos, serotoninérgicos e principalmente gabaérgicos. 
O sistema de recompensa associado ao uso do álcool, além dos neurônios dopaminérgicos da área tegmental ventral e núcleo accumbens, inclui também estruturas que usam o ácido gama-aminobutírico (GABA) como transmissor, tais como o córtex, cerebelo, hipocampo, colículos superiores, inferiores e a amígdala. 

Opióides 

Os opióides modulam a liberação de neurotransmissores como a acetilcolina, serotonina, noradreanlina, além de outros peptídeos, como a substância P. O locus coeruleos, responsável pela maior parte da produção de noradrenalina no SNC, apresenta-se estimulado na síndrome de abstinência a opiáceos, o que provoca os típicos sintomas de estimulação simpática. 
O sistema de recompensa aos opiáceos, além das estruturas antes mencionadas inclui também áreas que usam como neurotransmissores opiáceos endógenos, tais como o núcleo arqueado, a amígdala, o locus coeruleos e a área cinzenta periaquedutal dorsal.


Os sobreviventes do rock


Embora excessos e excentricidades, astros do rock que honraram a trindade sexo, drogas e o ritmo seguem na ativa.

O ideal cantado por Lobão de viver 10 anos a mil do que mil anos a 10 já era. A atitude de artistas que costumavam beber vodka no café da manhã, tomar doses de ácido lisérgico como se fossem balinhas de Tic Tac, entrar com carros dentro de piscinas, incendiar guitarras no palco e jogar aparelhos de TV pelas janelas de hotéis cinco estrelas deu lugar a roupas justas com uma duvidosa combinação de cores, cabelos estrategicamente espetados e desalinhados, e ao meigo gesto do coraçãozinho com as mãos.

A rebeldia, irreverência e contestação próprias do autêntico espírito do rock mudaram para uma atitude pacata, responsável e com carência crônica de criatividade. A geração que viveu na pele a santíssima trindade “sexo, drogas e rock n’ roll, hoje vê seus filhos entoarem o mantra “punheta, Smirnoff Ice e Restart”.

Os ídolos também são outros: Restart dita as tendências de comportamento para milhares de jovens e, mesmo fora do cenário musical, personagens como Harry Potter e o vampiro sensível da saga Crepúsculo fazem o mesmo. O fenômeno do “bom mocismo” de hoje está presente até em algumas celebridades musicais da velha guarda, como Bono Vox, do U2. Além de emprestar a sua imagem para causas sociais, o vocalista da banda irlandesa é casado (e se mantém fiel) há mais de 30 anos com a mesma mulher, algo que um cara como Gene Simmons, vocalista do Kiss, que já declarou ter transado com mais de 4 mil mulheres, provavelmente acharia um absurdo.

Na década de 80, Cazuza já reclamava que seus heróis morreram de overdose. E de fato, ícones geniais como o guitarrista Jimi Hendrix, Jim Morrison (vocalista do The Doors), a cantora Janis Joplin, Keith Moon (baterista do The Who), Bon Scott (vocalista do AC/DC) e John Bonham (baterista do Led Zeppelin), para citar apenas alguns, deixaram este planeta de forma trágica, mas que também os imortalizou no Valhalla da música mundial.

Em terras brasileiras, Raul Seixas foi outro artista que detonou o corpo até morte, assim como os excessos do próprio Cazuza lhe garantiram um final idêntico.

Depois deles, o movimento grunge dos anos 90 também criou seus mártires, com as mortes de gênios perturbados como Kurt Cobain (Nirvana) e Layne Staley (Alice in Chains).

No caso do rock, a massificação imposta por bandas pré-fabricadas por produtores musicais que ocupam quase todo o espaço na mídia pode ser um dos motivos. Para o músico, jornalista e crítico musical Kid Vinil, “o herói do Brasil”, ex-vocalista da banda Magazine, nos anos 80 a mídia abraçou espontaneamente a causa do rock nacional e havia menos concorrência com outros gêneros, como pagode e sertanejo, que ele carinhosamente chama de praga.

“Existe um jogo de interesses muito grande na indústria da música no Brasil e o rock é considerado um subgênero. Os jovens muitas vezes não se ligam no que está rolando de novo nos EUA e na Europa, porque as rádios simplesmente não tocam”, O músico, que atualmente faz shows com a banda Kid Vinil Xperience, emenda dizendo que “o espírito do rock sobrevive mesmo é no circuito alternativo, com bandas como Velhas Virgens, Matanza e Dead Fish”.

No entanto, para a alegria de muitos e a perplexidade de todos, nem só de cadáveres célebres vive o rock n’ roll. Alguns artistas que já chegaram a colocar os dois pés na cova e fizeram de tudo para ficar no imaginário dos fãs como jovens ídolos eternos falharam na missão e continuam vivos até hoje! Veja alguns casos interessantes de sobrevivência que desafiam a ciência.


Keith Richards, 67

“Não tenho problema com drogas. Tenho problemas é com a polícia”

Highlander master no quesito sobrevivência, um dos músicos que melhor personifica a imagem do guitar hero em todos os tempos, o guitarrista dos Rolling Stones continua respirando (e tocando) mesmo depois de décadas de consumo desenfreado de álcool e de todos os tipos de drogas já inventadas na humanidade.

Sempre com um cigarro aceso na boca, Keiht Richards protagonizou histórias bizarras que se tornaram lenda por falta de comprovação, como a de ter trocado todo o seu sangue para se livrar do vício de heroína na década de 70 e a de ter cheirado as cinzas do próprio pai pra ficar ainda mais chapado. “Amadora”: este foi o seu singelo comentário ao saber da morte de Amy Winehouse por overdose, em julho deste ano.

Iggy Pop, 64 

“Uma vez agarrei uma dona na platéia e a comi. Quando os Stooges subiam no palco, você sabia que alguma coisa podia acontecer”    

O ex-vocalista dos Stooges parece ter sido mumificado pelo conjunto de todas as substâncias ilícitas que tomou ao longo da vida, já que mantém um inacreditável vigor atlético até hoje. Entre as façanhas do Iguana – para os íntimos – estão episódios como rolar com o corpo sobre vidro quebrado, vomitar durante as suas performances no palco e ter inventado o morshe (pular do palco em cima do público). 

Paul MacCartney, 69 

“O negócio era bom demais para jogar na privada, então eu resolvi levar comigo”

Quem vê atualmente o eterno Beatle com toda sua elegância e sobriedade, um legítimo lord britânico que recebeu a honraria das mãos da própria rainha da Inglaterra, mal suspeita o que ele aprontou na chamada fase psicodélica dos Beatles. O uso de álcool, maconha, LSD e cocaína chegaram a ser fonte de inspiração para diversas composições na época, como Day Tripper e Lucy in the sky with diamonds. Em 1980, ele não conseguiu entrar no Japão para um show, porque foi preso com 225 gramas de maconha na bagagem. Resultado: passou 10 dias na cadeia e foi proibido de ir ao país do sol nascente por uma década.

David Bowie, 64
"Eu sou uma estrela instantânea, basta adicionar água e agitar”

O camaleão do rock é outra figura do rock que está viva até hoje por milagre. Literalmente louco por álcool, sexo, maconha e cocaína, nos anos 70 costumava promover constantes orgias à la Calígula e inventou uma bizarra dieta alimentícia à base de pimenta, leite e cocaína, aliás, tema de Ziggy Stardust, um dos seus hits mais conhecidos. Em 1976, rodou nos Estados Unidos por posse de meio quilo de maconha, que ele serenamente chamou de “um baseadinho”. Porém, escapou de ficar guardado 15 anos, por conta da retirada das acusações. Na década de 90 conseguiu finalmente ficar limpo das drogas, depois de ter usado até bruxaria para se livrar do vício.

Steven Tyler, 63

"Eu cheirei meu Porsche, eu cheirei meu avião, eu cheirei minha casa"

Para o líder do Aerosmith, beber uma garrafa inteira de whisky durante um show era fichinha. Foram mais de 30 anos contínuos usando álcool e drogas em geral, especialmente cocaína. Em entrevista recente, contou que num determinado momento da sua vida, a fissura era tamanha que ele escondia umas carreiras atrás da bateria durante os shows, senão nem terminava a apresentação. Já passou por oito internações em clínicas de reabilitação e confessou ter torrado mais de US$ 20 milhões apenas com drogas.

Ozzy Osbourne, 62

“Acho que estou ficando louco. Mas enfim, enquanto estiver aproveitando, tudo bem”

Sem conseguir compreender como uma pessoa “normal” continua viva por seis décadas, depois de ter usado tanto álcool, cigarro e nada menos do que 42 tipos de drogas diferentes, o roqueiro disse que pretende doar o seu corpo à ciência após a morte. Essa longevidade sobrenatural lhe rendeu um novo emprego: hoje em dia, ele assina a coluna “Pergunte ao Dr. Ozzy”, publicada num jornal britânico, na qual ele dá dicas de saúde aos leitores. O material já foi compilado em livro e acaba de ser publicado no Brasil sob o título “Confie em mim, eu sou o Dr. Ozzy”, pela Editora Benvirá.

Crédito/Fonte: areaH

Slash: "larguei drogas e bebida por não ser mais divertido"

Quem conhece o histórico desse cara não acreditava na recuperação dele!

O ex-guitarrista do GUNS N' ROSES - cujo nome real é Saul Hudson - admite que ele foi puxando o freio de sua forma de se divertir porque tentar ficar bêbado ou chapado começou a se tornar um "inconveniente" muito grande.

Ele explica: "Abandonar a bebida aconteceu gradualmente. Não é mais tão divertido. Com drogas e bebida você está sempre perseguindo alguma lembrança de quando você teve um momento realmente bom, o que é difícil de ser re-criado. E minha tolerância é tão alta, que eu precisava beber tanto, ou usar tantas drogas para fazer valer a pena, que acabou se tornando um inconveniente."

Conforme já publicamos, o roqueiro de 44 anos também abandonou o vício em 60 cigarros por dia após ter sido confrontado com a morte de sua mãe, Ola, que faleceu por câncer de pulmão em agosto passado, após ter admitido que foi o único vício dele durante sua doença.

Ele explica: "Eu fumei durante a coisa toda. Eu me sentava com ela no hospital e logo já saía para fumar. Sua doença foi tão súbita, o sofrimento durou 7 meses e eu estive lá o tempo todo."

"A cada cinco minutos eu precisava de um cigarro - se tornou um vício. Mas então eu fiquei doente com um caso severo de pneumonia. Eu não pude fumar por duas semanas, então resolvi tentar parar, mas estou achando difícil."


Fonte:   whiplash   Declaração feita por Slash e publicada em 26/04/2010.

Meditação Diária - Narcóticos Anônimos


Sexta-feira, 16 de Maio de 2014.

A vontade de Deus nosso Poder Superior

A vontade de Deus para nós torna-se a nossa a própria verdadeira vontade

Os Doze Passos são uma passagem para nosso despertar espiritual. Este despertar toma a forma de um relacionamento que se desenvolve com um Poder Superior amoroso. A cada passo, fortalecemos este relacionamento. Ao continuar a trabalhar os passos, o relacionamento cresce, tornado-se cada vez mais importante em nossas vidas.

No decorrer do trabalho dos passos, tomamos a decisão pessoal de deixar que um Poder Superior amoroso nos oriente. Esta orientação está sempre disponível; precisamos apenas de paciência para buscá-la. Freqüentemente, esta orientação se manifesta na sabedoria interior que chamamos de nossa consciência.

Quando abrimos nosso coração a ponto de sentir a orientação de nosso Poder Superior, experimentamos uma tranqüila serenidade. Esta paz é o farol que nos guia através de nossos sentimentos tumultuados, oferecendo uma direção clara quando nossas mentes estão inquietas e confusas. Ao buscar e seguir a vontade de Deus em nossas vidas, encontramos o contentamento e a alegria que, freqüentemente, se afasta de nós quando atuamos só por nossa conta. O medo ou a dúvida pode nos contaminar quando tentamos levar adiante a vontade de nosso Poder Superior, mas aprendemos a confiar no momento de clareza. Nossa maior alegria consiste em seguir a vontade de nosso Deus amoroso.

Só por hoje eu vou procurar fortalecer meu relacionamento com meu Poder Superior. Sei por experiência que o conhecimento da vontade de meu Poder Superior me oferecerá um sentido de clareza, orientação e paz.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Eles defendem a descriminalização das drogas


Surpreendendo a sociedade, sete ex-ministros da Justiça entregam manifesto ao STF no qual explicam por que o usuário não deve ir para a cadeia, mas especialistas alertam para o perigo de facilitar o acesso às substâncias ilícitas

Nathalia Ziemkiewcz e Suzana Borin



O movimento Viva Rio colheu assinaturas de sete ex-ministros da Justiça, dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Todos são favoráveis à descriminalização das drogas: Tarso Genro, Márcio Thomaz Bastos, Nelson Jobim, José Gregori, Aloysio Nunes Ferreira, José Carlos Dias e Miguel Reale Jr. Eles acreditam que tirar o usuário de entorpecentes do âmbito penal, como fizeram outros países, trará uma política mais efetiva de combate ao narcotráfico e ao tratamento da dependência. Na semana passada, a carta foi entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), que já estava com o debate em relação à maconha na pauta deste semestre. Com o posicionamento de juristas desse porte, plantou-se novamente a polêmica.

Os ex-ministros argumentam que a política de repressão não reduziu os índices de violência ou a quantidade de usuários. Para eles, é preciso mudar o eixo da questão, tratando o usuário, não do ponto de vista da segurança, mas da saúde pública. Miram-se no exemplo de países como Portugal, em que a prisão de infratores foi substituída por oferta de tratamento médico (leia na pág. 62). Assim, os investimentos e esforços policiais focariam apenas no combate aos traficantes. Mais do que isso, eles afirmam que não se pode tolher o direito individual. Da mesma forma que beber ou fumar são escolhas pessoais, a despeito dos malefícios à saúde ou à sociedade, injetar heroína ou cheirar cocaína também são. A rigor, defende o atual governador Tarso Genro (RS), quem consome droga na intimidade de seu lar não faz mal a ninguém.


No Brasil, a discussão se dá em terreno pantanoso. Nossa legislação não tipifica quantidades de drogas para classificar alguém como usuário ou traficante. Fica a critério do policial que fez a abordagem e do juiz, de acordo com os antecedentes do detido e as circunstâncias do flagrante. Se uma pessoa é pega com “pequena quantidade” não pode ser presa, mas terá sua ficha criminal suja. “Na prática, o que acontece: o pobre é tido como traficante e segue para a cadeia; a classe média e alta, como usuária”, diz Paulo Gadelha, presidente da Fiocruz e da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, que encabeça a campanha “Lei de Drogas: É Preciso Mudar”. O movimento reclama que essa indefinição técnica transformou milhares de usuários em presidiários. Uma lógica que abarrota ainda mais o sistema penitenciário do País. Dados recentes dão conta de que um terço da população carcerária está presa por tráfico de drogas.

Do outro lado, os críticos dos ex-ministros rebatem que o direito individual não pode estar acima do direito coletivo. O uso de entorpecentes está ligado a diversos episódios de violência e dramas familiares. Transtornos mentais decorrentes do uso de drogas são a segunda causa de internações em hospitais públicos psiquiátricos. A aposta é de que a descriminalização facilitaria o acesso às substâncias ilícitas, uma vez que 75% da população já experimentou bebida alcoólica, enquanto apenas 9% fumou maconha, segundo a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). Além disso, afirma o médico Ronaldo Laranjeiras, da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo, suprimir o status de crime levaria aos mais jovens a ideia de que consumir drogas não é arriscado ou perigoso.





A reforma desejada pelos projetos de lei em tramitação no Congresso, inclusive, assume seu caráter contraditório, pois permite o uso das drogas, mas proíbe a venda. Como liberar a demanda restringindo a oferta? Parece ingênuo, sob essa ótica, acreditar que a medida liquidaria com a produção e a distribuição das drogas – também relacionadas ao tráfico de armas e à corrupção policial. “Esses ex-ministros se omitiram criminosamente quando ocuparam o cargo e não investiram em programas e tratamentos para dependentes”, diz Laranjeiras. Para o médico, não é preciso abdicar do controle penal sobre o usuário para aprimorar a rede de saúde e prevenção ou endurecer contra o tráfico. Pronto para ser votado pelo plenário da Câmara, o projeto do deputado Osmar Terra (PMDB-RS) defende aumentar a pena para traficantes, a possibilidade de internação involuntária de usuários a pedido da família e a isenção fiscal às empresas que empregarem dependentes químicos em recuperação.

Outro ponto contra a opinião dos ex-ministros e entidades: replicar modelos que funcionaram em outros países não significa vislumbrar um futuro bem-sucedido por aqui. O juiz Luís Gustavo Barbosa de Oliveira, da 3ª vara de entorpecentes do Distrito Federal, vai mais longe e se baseia em estatísticas para discordar dos ex-ministros. Diz que apenas 5% da população é usuária de drogas, segundo a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas; e 76% dos brasileiros apoiam a proibição ao consumo, de acordo com uma pesquisa do Datafolha. “Governo e entidades têm se mobilizado para assegurar a prevalência do interesse de uma inexpressiva minoria em detrimento do bem-estar da grande maioria”, afirma Oliveira.




ONU sugere pela primeira vez a descriminalização do consumo de drogas


A ONU admite em um documento elaborado para uma reunião na próxima semana em Viena que os objetivos na luta mundial contra as drogas não foram cumpridos até agora e sugere pela primeira vez a descriminalização do consumo de entorpecentes.

"A descriminalização do consumo de drogas pode ser uma forma eficaz de 'descongestionar' as prisões, redistribuir recursos para atribuí-los ao tratamento e facilitar a reabilitação", afirma um relatório de 22 páginas do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), ao qual a Agência Efe teve acesso.

A UNODC não quis fazer comentários à Efe sobre o conteúdo do documento, mas várias fontes diplomáticas especializadas em política de drogas concordaram que é a primeira vez que o organismo menciona a descriminalização de forma aberta.

A descriminalização do consumo pessoal, já aplicado em alguns caso no Brasil e vários países europeus, supõe que o uso de drogas seja passível de sanções alternativas ao encarceramento, como multas ou tratamentos.

No caso específico do Uruguai foi legalizada a compra e venda e o cultivo de maconha, e estabelecida a criação de um ente estatal regulador da droga.

Em qualquer caso, a descriminalização não representa uma legalização nem o acesso liberado à droga, que segundo os tratados só pode ser usada para fins médicos e científicos, mas não recreativos. Portanto, o consumo seguiria sendo sancionável (com multas ou tratamentos obrigatórios), mas deixaria de ser um delito penal.

A UNODC assegura no relatório que "os tratados encorajam o recurso a alternativas à prisão" e ressalta que se deve considerar os consumidores de entorpecentes como "pacientes em tratamento" e não como "delinquentes".


O papel da escola e do professor na prevenção das drogas - Artigo Científico

A dependência de drogas não é apenas uma relação de causa e efeito, está ligada a diversas variáveis que interagem entre si tornando cada caso singular. Com os jovens, a dependência não pode ser explicada como uma forma de delinqüência nem como um problema restrito a causas físicas e orgânicas, deve-se considerar todo o contexto, incluindo a família, a escola e os amigos. 

Parece difícil oferecer aos jovens uma sociedade sem drogas, mas é possível a construção de uma família, uma escola e uma sociedade mais preparada para enfrentar os problemas relacionados ao seu uso. Neste sentido, os educadores devem apostar na prevenção ao uso de drogas e suas conseqüências e dar apoio aos estudantes.

No Simpósio Internacional do Adolescente, foi apresentado trabalho que propôs programas de prevenção oferecidos a professores de escolas públicas, por meio de uma parceria com o Ministério de Educação e Cultura, Secretaria Nacional Antidrogas e Universidade de Brasília. 

A proposta deste projeto foi um modelo de educação voltada para a saúde, baseada nas relações do adolescente com os sistemas onde está inserido como a família e a escola, em três conceitos fundamentais: saúde integral do adolescente; prevenção e promoção de saúde, e saúde mental. A proposta pedagógica quer disponibilizar informações fundamentais à comunidade escolar para diminuir os fatores de risco e reforçar os fatores de proteção relacionados ao uso de drogas.

A proposta da Organização Mundial de Saúde é de a saúde na adolescência ser abordada como um todo, pois falar em saúde do adolescente é considerar a interação com o ambiente onde está inserido e que o influencia. Isso porque a adolescência é uma fase em que são adquiridos novos hábitos que poderão ser saudáveis ou não, sendo um momento fundamental para falar sobre prevenção, visando à promoção da saúde. 

As várias emoções que invadem o adolescente podem deixá-lo sem condições de lidar com seus sentimentos e conflitos que mudam constantemente, como o humor instável, ora eufórico, ora deprimido sem motivo, ora surpreendentemente impulsivo ou agitado, e assim por diante. Devido a grande instabilidade, ele precisa de compreensão e apoio. É necessário então observá-lo de perto e sempre, pois mesmo momentos passageiros de desequilíbrio podem resultar em conseqüências desastrosas, como tentativa de suicídio, consumo de drogas e práticas de violência.

O comportamento dos jovens é, em grande parte, ocasionado pelas pressões psicológicas e sociais pelas quais estão passando. Pesquisas mostram que os jovens não estão apenas iniciando cada vez mais cedo o uso de drogas, como também estão apresentando um consumo maior e casos de dependência precoce. Sabe-se que o abuso de álcool tem efeito na pessoa que o consome e em todos que o cercam, como os acidentes de trânsito provocados por motoristas que beberam álcool demais. 

Para orientar e fornecer material para os educadores, o projeto – que contou com a equipe do Programa de Estudos e Atenção às Dependências - Prodequi,– promoveu um programa de prevenção, na forma de ensino à distância. O material pedagógico, que procura reproduzir situações do cotidiano escolar construído a partir da experiência da equipe de professores autores do projeto, foi apresentado em 16 vídeos transmitidos pela TV Escola e complementados por dois volumes impressos contendo dois módulos cada um. Este mesmo material está sendo atualmente utilizado em oficinas com atividades grupais e comunitárias de formação de multiplicadores envolvendo outros educadores. Futuramente pretende-se explorá-lo também com os jovens e com os pais.


Fonte: OBID/SENAD

A família e o uso de drogas


As drogas estão presentes na sociedade e têm sido alvo da atenção de muitas famílias, seja pela preocupação com aqueles que não usam ou pararam de usar, ou com os que fazem uso.

A família tem um importante papel social e pode contribuir na prevenção do uso, na busca de ajuda e no apoio ao tratamento de quem está tendo problemas com o consumo. Refletir sobre o uso de drogas no contexto social tendo como foco a família é importante para se buscar melhores formas para lidar com esta questão. Há drogas prejudiciais à saúde e outras que são necessárias, a exemplo dos medicamentos. E preciso parar e refletir.


Família ou famílias?

Antes de pensar sobre as drogas é fundamental refletir sobre o que é família. Diferentemente do passado, a família não é vista hoje apenas como aquele grupo constituído por pai, mãe e filhos. Até algum tempo atrás, não poderia ser considerada “família” aquela que estivesse fora deste padrão.

Não há famílias “direitas” e famílias incompletas e sim diferentes possibilidades de organização familiar. Existem aquelas formadas por mãe e filhos, pai e filhos, somente os irmãos, avós e netos, tia e sobrinhos e por aí vai. O mais importante não é de quais membros é composta e sim a qualidade das relações, pois a família é a referência com a qual as pessoas se identificam, mantêm relações afetivas e de cuidado, aprendem constantemente sobre a vida, vivem no mesmo espaço físico ou estão próximas. O olhar deve ser direcionado, portanto, para os laços de afeto e de cuidado.

Nos dias atuais ainda está presente a ideia de que famílias ‘desestruturadas’ (fora do padrão) são a maior causa dos problemas com o uso de drogas. É comum se relacionar o uso de drogas a filhos de pais separados. Não existe nenhuma comprovação de que este seja um facilitador do uso. Afirmativas como esta se mostram preconceituosas e poucos sensíveis à realidade de cada família com suas potencialidades, fragilidades e possibilidades de superação a partir dos recursos que possuem. Importam mais os vínculos afetivos estabelecidos e a confiança entre os membros.

O que facilita o uso de drogas?

Não existe ‘receita’ que mostre uma forma de evitar o uso indevido de drogas nem uma combinação de fatores que irá, necessariamente, alcançar determinado resultado. Não se pode afirmar que um adolescente filho de pais que vivem juntos, que frequenta a escola e tira boas notas não será um usuário de drogas. Pode ser e pode não ser. As generalizações são arriscadas e podem estar equivocadas. É indispensável conhecer cada realidade.

Estabelecer regras fixas para saber se um comportamento vai acontecer é inadequado, mas é possível identificar possibilidades, circunstâncias sociais ou características da pessoa que a tornam mais vulnerável ao uso de drogas. São fatores que, ao estarem presentes, aumentam a probabilidade (possibilidade) do uso de drogas. Estes fatores, chamados fatores de risco, podem estar na própria pessoa, em sua família, na escola, no trabalho, no bairro onde mora, na mídia, na sociedade. Eles estão inter-relacionados e interferem no comportamento da pessoa de uma forma integrada e não isoladamente.

São exemplos de fatores de risco: autoestima baixa, ansiedade, insegurança, pais (ou responsáveis) que abusam das drogas, relações autoritárias na família, ambiente escolar desmotivador, falta de regras claras sobre o uso de drogas, desvalorização na escola ou no trabalho, fácil acesso às drogas, publicidade incentivadora do consumo, para citar alguns.

Há como evitar o uso indevido de drogas?

O mundo das certezas não existe, mas há situações que podem ser aliadas da prevenção.

Já foram identificadas circunstâncias que tornam menos provável o uso de drogas. São os fatores de proteção que, assim como os fatores de risco, podem estar na própria pessoa, em sua família, no trabalho, na escola, na comunidade, na mídia, na sociedade e atuam de forma inter-relacionada. São menos vulneráveis ao uso pessoas autônomas e com boa autoestima, que acreditam nos próprios potenciais, sabem fazer escolhas com responsabilidade, lidam com suas frustrações como aprendizados, têm adultos de referência que dialogam sobre a vida, que mantêm uma relação de autoridade sem autoritarismo, acesso a informações sobre as drogas, envolvimento em atividades sociais solidárias, acesso ao trabalho e ao lazer.

Para quem tem medo de que o (a) filho (a) use drogas

Ter medo de que o filho venha a ter problemas com o uso de drogas é compreensível. O consumo de drogas implica em riscos com relação à saúde física e mental, aos relacionamentos, ao desempenho escolar, à segurança, dentre tantos outros. 
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