sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Clínica para dependentes químicos, em Monte Alegre,MG, é fechada


A Polícia Militar (PM) de Monte Alegre de Minas, cidade que esta à 70 quilômetros de Uberlândia, fechou no fim da tarde de hoje (16) uma clínica para dependentes químicos que fica às margens da BR-365. A PM chegou até o local após prender um homem de 26 anos que teria roubado uma moto.
O suspeito  informou aos policiais que morava na clínica e eles foram até lá. Chegando no local encontraram diversas irregularidades além de droga.
Fonte: MEGAMINAS

GELÉIA GERAL - Clínicas, SUS e dependentes químicos

No que diz respeito à criação de Clínicas para dependentes químicos está faltando seriedade e respeito. Estamos sendo desrespeitados, enquanto Nação, enquanto sociedade, enquanto Justiça, enquanto Poderes constituídos, enquanto família e como cidadão. O nível de desrespeito é assombroso e os governos, federal, estadual e municipal, irmanados, deveriam possuir juntas fiscalizadoras para coibir abusos. Para que se crie uma clínica é preciso ter em conta o principio de que " quem não tem competência não se estabelece". Nestes últimos anos, em que foi fomentada uma crise de pânico social  em torno do crack, principalmente, são muitas as chamadas "clínicas" que estão voltadas para a exploração deste novo "mercado". O pior é que, além dos crimes praticados, maus tratos, torturas, humilhações e falta de tratamento, ainda querem o dinheiro do SUS.
...
O caso de Amy Winehouse foi tratado de nodo leviano, por muita gente... ela era drogada em recuperação, logo, o raciocínio insano, de uma sociedade mal criada e muito mal educada, deduziu que a mesma teria morrido de overdose de drogas. Tinha gente que até parecia estar na casa dela, pois contava, detalhadamente, como Amy morreu. Sabiam até quem foi o fornecedor das drogas. Sinceramente, quem depender destes juízes, com juízos medíocres, insanos, levianos e irresponsáveis, estará sujeito a condenações absurdas. 

Enquanto o adicto reeduca-se, ou é educado pela aprendizagem dos doze passos, os cidadãos tidos como sãos, honestos, conscientes e consequentes, demonstram desonestidade, mente fechada, má vontade, falta de princípios, péssimos sentimentos, desonestidade e por ai vai. Quem sabe um dia, os doze passos, adaptados para a área educacional, em todos os níveis, do ensino fundamental à universidade, não venha nos redimir de tantos erros ?  seria valioso para que pudéssemos ter um novo ser social, dotado de uma nova consciência e, consequentemente, uma sociedade sóbria, serena e sabia. 

Voltando ao caso de Amy, é bom que se diga que a abstinência mata do mesmo modo que uma overdose, sendo, pois, imperativo, que clínicas voltadas para dependentes químicos, tenham em seus quadros, profissionais de saúde qualificados. No momento em que a inteligência que cria, cotidianamente, mais ciência e tecnologia, que consegue verbas para empreender guerras, patrocinando a morte, que nos permite estarmos conectados com o mundo inteiro, não possa, esta mesma inteligência, defender novos moldes de vida e equacionar problemas que parecem sem solução, como é o caso de "em nome da vida" cometerem absurdos, como, por exemplo o das internações involuntárias e compulsórias quando não indicadas por um profissional qualificado e competente. Ainda existe e anda esquecida a sonoterapia, que poderia ser utilizada em casos extremos e assistida por profissionais da área de saúde, para, uma vez semi-desintoxicado, o "dependente" tivesse chance de manifestar seu desejo e a própria vontade de buscar recuperação, sem traumas, sem correntes, sem algemas, sem bicho de sete cabeças, ou, como se dizia outrora, sem bicho papão. São raros os casos de pessoas que, submetidas a internamentos involuntários e/ou compulsórios, realmente sejam recuperados. A maioria ou sai louca, alguns quase lobotomizados, enquanto outros saem com raiva, ódio, fúria e rancor daqueles que em nome "da vida" mataram o que havia de humano "neles" (DQs).

Que neste momento importante, nossos altos dirigentes levem em consideração, não o apoio político da igreja de pastores, que investe em clínicas como se estivessem investindo em lupanares, ou na criação de casas mal assombradas, mas no objetivo fundamental, norteador de propósitos superiores que diz respeito à plena recuperação de dependentes químicos, vitimas que são de quem produz, armazena, transforma e distribui entorpecentes e narcóticos, para uma rede criminosa dentro da nossa e de outras sociedades, contrariando a tese, senso comum, de que é o viciado quem patrocina o tráfico, como se fossemos todos burros e tapados e não conhecêssemos o que é o crime organizado e o que são meios de produção. 

Alcoólicos Anônimos, Reflexão Diária, 26 de Agosto de 2011

DANDO ADIANTE
Embora soubessem que para se manterem sóbrios precisavam ajudar a outros alcoólicos, este motivo tornava-se secundário. Foi superado pela felicidade que sentiam ao dedicar-se ao próximo.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS PG. 172

Para mim, estas palavras referem-se a uma transferência de força pela qual Deus, como eu o concebo, entra em minha vida. Pela prece e meditação, eu abro canais, e logo estabeleço e melhoro meu contato consciente com Deus. Através da ação recebo então a força de que preciso para manter minha sobriedade a cada dia. Mantendo minha condição espiritual, presenteando alguém com o que tão gratuitamente me tem sido dado, eu me concedo um indulto diário.

Narcóticos Anônimos, MEDITAÇÃO DIÁRIA , 26 de agosto 2011

Saindo da rotina

"Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente."

O Décimo Passo diário nos mantém em constante base espiritual. Embora cada membro faça perguntas diferentes, descobriu-se que algumas perguntas são úteis para quase todos. Duas perguntas-chave do Décimo Passo são: “Estou em honesto contato comigo mesmo, com minhas ações e meus motivos? E rezei pela vontade de Deus para mim e pelo poder de realizá-las?” Estas duas perguntas, respondidas honestamente, nos tornarão mais atentos ao nosso dia.

Quando focalizamos os nossos relacionamentos, podemos perguntas: “Machuquei alguém hoje, direta ou indiretamente? Preciso fazer reparações a alguém como resultado de minhas ações, hoje?” Mantemos nosso inventário simples se nos lembrarmos de nos perguntar: “Onde foi que eu errei? Como posso agir melhor da próxima vez?”

Membros de NA muitas vezes descobrem que seus inventários incluem outras perguntas importantes. “Fui bom para mim, hoje? Fiz algo para alguém sem esperar nada em troca? Reafirmei minha fé em um Poder Superior amoroso?”

O Passo Dez é um passo de manutenção do Programa de NA. O Décimo Passo nos ajuda a continuar a viver confortavelmente em recuperação.

Só por hoje:
Eu vou me lembrar de rever meu dia. Se machuquei alguém, farei reparações. Pensarei sobre como posso agir de maneira diferente.

Crédito: Narcóticos anônimos

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Na paz de Deus e com Deus!

Poxa, estes últimos dias ando bem ocupado. Hoje cortei o cabelo. Não é uma questão de vaidade, mas de cuidar de mim, vez que andei muito pouco preocupado com minha aparência. Verdade: agora ando preocupado como vou me "exibir", "aparecer", "me mostrar" (palavras da minha infância que tinham um cunho pejorativo, mas é esta a sensação que me vem à cabeça quando vou sair). Tenho que me mostrar de um modo que não é novo, mas antigo, de antes da drogadição. Um antigo renovado. Roupa, sapato, cabelo, unhas cortadas, ligeiramente perfumado... Faço isto, na verdade, por mim, como um desafio, vez que sou muito mais a essência do que a aparência. Compreendo o quanto é importante saber se apresentar em público, ou em lugares públicos, de modo decente, sóbrio e, de certa forma, elegante e simples. Não posso mudar a cabeça das pessoas. Estava com a cabeleira em um estado que eu já reprovava. Na drogadição não me preocupava sequer em fazer a barba. Faço sempre, nessa minha recuperação. Tive, evidentemente, uma noite de provação difícil por conta de uma certa crença religiosa. Creio em Deus, no Deus que, quase todas as religiões afirmam,"nos criou à sua IMAGEM e semelhança". Esta pequenina frase representa algo de muito importante, enquanto argumento, para os que vivem falando que não devemos "adorar imagens". Eu adoro pessoas que nunca vi através de fotografias. Eu tenho ídolos e ícones e são todos humanos. Uso camisas contendo foto de, por exemplo, Che Guevara. Então eu adoro o meu próximo, adoro meus semelhantes, adoro os seres humanos e por adora-los posso ter em minha casa uma miniatura de qualquer imagem, indispensável é a de Cristo. Para recordar de determinados santos posso comprar alguma imagem e guarda-las em casa. O que importa não é a imagem em si, mas a fé que cada um tem dentro de si. Posso ter uma foto de Jesus Cristo guardada em qualquer lugar. Ora, se DEUS nos fez a imagem e semelhança dele, por que haveria de execrar esta obra fenomenal do criador? Discutir a virgindade de Nossa Senhora acho um desrespeito. Não vou contar aqui e agora, só se houvesse algum pedido, a historia de uma criatura que engravidou virgem, teve um filho e continuou sendo virgem. Eu fui o único cara que acreditou nesta mulher e apostou na virgindade dela e ganhei no final. Era uma mãe VIRGEM. Se alguém quiser saber como, posso contar, mas nada tem a ver com drogas. Então essas discussões infrutíferas dos reformistas que já não são os mesmos dos tempos de Lutero, Calvino e outros, me parecem descabidas. Se eu fosse um sujeito rigoroso pregaria o evangelho de CRISTO. Começaria dizendo aos que vivem do dizimo dos pobres que deem a CESAR O QUE É DE CESAR e a DEUS O QUE É DE DEUS. Isso ninguém quer fazer. Mas essas "religiões" distanciadas dos propósitos dos seus fomentadores estão por ai, em cada quarteirão existe uma e até mais de uma, como o tráfico também. Uns prometem a salvação, os outros a destruição e ambos convivem lado a lado. Faz um bocado de tempo que não frequento qualquer igreja e não sou contra que quem quer que seja frequente, apenas peço a quem vive perto de mim que mantenha seu senso reflexivo e crítico vivos. A religião católica, em minha vida, muito me ensinou depois que passou a ser celebrada em português do Brasil, não mais em Latim, pois nada entendia, salvo as frases que poderiam ser consideradas verdadeiros clichês. Não estou sendo intolerante, mas descrente com certas religiões que absorvem para si inúmeras pessoas de bem. O fato de ver a mulher falando como se tivesse sofrido uma lavagem cerebral me deixou atônito e eu fiquei muito triste. Já fiquei bom. Ontem não deu para ler quase nada. Postei o que podia. Fiquei até as quatro da madrugada em atividade, pensando em escrever, mas todo dividido, fazendo arte com fotografias, retocando imagens, pensando em outros blogs e em outras atividades. Enfim, estou voltando e voltei com dois blogs que sigo enfeitados com o perfume de mulher, com poesias do gênero que nos deixa embasbacado. Escrevo sempre de improviso e não sou de revisar nada. Quando posso reviso, mas, de modo geral não tenho tempo. Tenho que ler muito, tenho que ter pressa pois tenho que dar conta de tantas coisas que ninguém pode imaginar.
Poxa, escrevi tanto para dizer que conheço muitas manifestações da adicção, dessa doença traiçoeira. Bem sei que a minha recuperação é como subir uma ladeira íngreme. Não é fácil, dá cansaço, da trabalho, muitas vezes falta folego. O caminho da recaída é descer esta mesma ladeira. É fácil recair. Então sei que minha tarefa é difícil, mas o sabor de chegar ao topo da ladeira que conduz a sobriedade não tem preço.  Então tá, estou firme na luta, em bom estado de saúde e vivendo só por hoje. Quando arrumar uma folga escrevo algo que seja interessante. Por hoje eu vivo só por hoje. Minha meta traçada para este dia foi concretizada e meu sentimento é de paz. 


Meditação do Dia, Narcóticos Anônimos, 25 de agosto de 2011


O Nono Passo - recuperar a vida 
"Estamos a libertar-nos dos destroços do nosso passado." 
Texto Básico, p. 48 

Quando iniciamos o Nono Passo, chegamos a uma fase emocionante da nossa recuperação. Os danos causados nas nossas vidas são aquilo que começou por levar muitos de nós a procurar ajuda. Temos agora uma oportunidade para limpar essa destruição, reparar o nosso passado, e recuperar as nossas vidas. Passámos imenso tempo e despendemos imenso esforço a preparar este passo. Quando chegámos a NA, encarar a destruição do nosso passado era provavelmente a última coisa que queríamos fazer. Começámos a fazer isso em privado, através de um inventário pessoal. Abrimos depois o nosso passado ao escrutínio de alguns poucos escolhidos, em quem confiávamos: nós próprios, o nosso Poder Superior, e uma outra pessoa. Olhámos para os nossos defeitos, fonte de grande parte do caos nas nossas vidas, e pedimos que todos esses defeitos de carácter fossem removidos. Por fim fizemos uma lista das reparações necessárias para remediar os nossos erros - todos os nossos erros - e dispusemo-nos a fazê-las. Temos agora a oportunidade de fazer reparações - de nos libertarmos da destruição do passado. Tudo aquilo que temos feito até agora em NA trouxe-nos até este ponto. Nesta fase da nossa recuperação, o Nono Passo é exactamente aquilo que queremos fazer. Com os Doze Passos e a ajuda de um Poder Superior, estamos a limpar os destroços que durante tanto tempo impediram o nosso progresso; estamos a ganhar liberdade para viver.

Só por hoje: Vou aproveitar a oportunidade de recuperar a minha vida. Vou experimentar a libertação dos destroços do meu passado.


Exame toxicológico em Amy Winehouse revela que ela não usou drogas antes de morrer; morte pode ter sido causada por abstinência

23/08/2011
Assim que a morte de Amy Winehouse foi confirmada, no dia 23 de julho, o mundo inteiro foi categórico na explicação: foi overdose. Fãs, a imprensa e até mesmo a família dela apostou no motivo mais óbvio para o triste fim da cantora inglesa. Nesta terça-feira pela manhã, veio a surpresa: de acordo com um laudo toxicológico divulgado por familiares de Amy, ela não tinha droga ilícita alguma em seu corpo, no momento de sua morte Os exames mostraram apenas uso de álcool, mas não foi possível determinar a causa exata da morte prematura da britânica, aos 27 anos. 

Pois se as drogas não mataram Amy, qual teria sido a causa? Adriana Talarico, psicóloga da Clínica Maia de recuperação de dependentes químicos, conta que a desintoxicação de cocaína, droga da qual Amy era dependente, é muito complicada. "Há episódios de alucinação, grande instabilidade emocional, depressão e até mesmo agressividade. Além disso, existe um grande risco de arritmia cardíaca, o que poderia levar a um ataque do coração ou acidente vascular cerebral (AVC)", explica.O psiquiatra Sabino Ferreira, que atende dependentes químicos há mais de 35 anos, explica como é a abstinência. "A dependência da droga não é apenas psicológica, mas também física. Isso significa que o organismo precisa daquela substância e, na falta dela, pode entrar em colapso, a chamada crise de abstinência."O médico afirma ainda que uma crise deste tipo pode, sim, levar uma pessoa à morte. "É muito comum a pessoa em desintoxicação ter convulsões que podem provocar uma lesão por queda ou até asfixia com vômitos. A morte por abstinência é muito semelhante à morte por overdose", completa o médico.Os profissionais lembram que não se deve tentar abandonar o vício por drogas sem ajuda especializada. "Em hipótese alguma uma pessoa deve tentar uma desintoxicação sem acompanhamento médico, porque as consequências podem ser trágicas. É preciso abandonar o vício, mas somente em situação controlada", afirma Ferreira. Já o resultado do inquérito policial sobre a morte de Amy Winehouse não deve ficar pronto antes de 23 de outubro, segundo a rede BBC. Se ele será ou não conclusivo, só esperando para saber.


ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, Reflexões Diárias, 25/08/2011, A DÁDIVA DE VINCULAR-SE


Libertai-me da escravidão do ego, a fim de servir melhor a Vossa vontade.

Muitas vezes, no meu estado alcoólico, bebia para estabelecer um vínculo com os outros, mas conseguia somente estabelecer a escravidão da solidão alcoólica.

Através da maneira de vida de A.A. tenho recebido a dádiva de vincular-me com aqueles que chegaram antes de mim, com aqueles que estão chegando agora e com aqueles que ainda virão. Por esta dádiva preciosa de Deus, sou eternamente grato.

Polícia fecha clínica após denúncia de tortura


O centro de recuperação Recanto da Luz, situado na cidade de Ituverava (SP), foi fechado pela polícia após denúncias de que os pacientes estavam sendo torturados pela equipe profissional do serviço.
A operação policial, que aconteceu no dia 28 do mês passado, também deteve em flagrante três funcionários, segundo relatou o telejornal EPTV.
A denúncia partiu de um paciente que, após conseguir fugir da clínica de reabilitação, se dirigiu imediatamente à delegacia do município para relatar os maus tratos sofridos. No estabelecimento, foram encontrados algemas, pedaços de pau e marcas de sangue em camas e paredes.
De acordo com a EPTV, a delegada responsável pelo caso, Cristina Bueno de Oliveira, informou que os pacientes eram "levados para outras clínicas, a fim de que lesões fossem curadas e depois retornavam”.
Fiscalização
A nova resolução da ANVISA (RDC 29) - que normatiza o funcionamento dos serviços de internação para usuários de álcool e outras drogas -, estabelece que estes centros, também conhecidos como Comunidades Terapêuticas, sejam fiscalizados de acordo com a legislação sanitária local, no entanto, estes serviços também poderão ser avaliados pelo Ministério da Saúde.
Avaliação Nacional
No dia 28, o ministério instituiu uma força-tarefa que fará auditoria nos serviços de internação para pacientes com transtorno mental em todo país.
A decisão foi motivada após pesquisa que apontou elevado índice de morte de pacientes nos hospitais psiquiátricos de Sorocaba (SP).
De acordo com o Ministério da Saúde, além dos mais de 30 mil leitos de psiquiatria disponíveis, a rede de atenção à saúde mental conta também com mais 2.000 leitos nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), nas Casas de Acolhimento Transitório (CATs) e nas Comunidades Terapêuticas.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Meditação do Dia, Narcóticos Anônimos, 24 de agosto de 2011

Procurar a vontade de Deus 

"Aprendemos a não rezar por coisas específicas." 
Texto Básico, p. 53 

Na nossa adicção activa, não costumávamos rezar pelo conhecimento da vontade de Deus para nós e pelas forças para realizá-la. Pelo contrário, a maior parte das nossas orações eram para que Deus nos tirasse dos problemas em que nos havíamos metido. Julgávamos que os milagres iam acontecer a nosso pedido. Esse tipo de pensamento e essa forma de rezar mudam quando começamos a praticar o 11º Passo. A única saída para os problemas que nós próprios criámos é rendermo-nos a um Poder superior a nós mesmos. Em recuperação aprendemos a aceitar. Através das nossas orações e meditações, procuramos o conhecimento da forma como deveremos lidar com as circunstâncias das nossas vidas. Paramos de lutar, largamos as nossas próprias ideias sobre como as coisas deverão passar-se, pedimos conhecimento, e escutamos as respostas. Estas não costumam vir como um raio de luz acompanhadas por um rufar de tambores. As respostas, quando surgem, são acompanhadas de uma sensação tranquila de segurança, de certeza de que as nossas vidas estão na boa direcção, de que um Poder superior a nós mesmos está a guiar-nos no nosso caminho. Temos uma escolha. Podemos passar o nosso tempo todo a lutar para que as coisas corram como queremos, ou podemos render-nos à vontade de Deus. A paz pode ser encontrada na aceitação dos altos e baixos da vida. 

Só por hoje: Vou largar as minhas expectativas, procurar a orientação do meu Poder Superior, e aceitar a vida.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Igrejinhas, ou eu fiquei chato, só por hoje?!

Hoje, só por hoje, percebo que algo me deixou fora do tom. Dei inicio a meu tratamento ambulatorial. Antes de inicia-lo, mediante contato com um professor da Faculdade de Medicina e seus respectivos alunos. Algo me deixou impaciente e um pouco nervoso, em cota controlável e administrável, sem necessidade de uso de medicamento. Talvez isso tenha me acontecido por causa de um papo que minha codependente estava mantendo com uma outra codependente. Deram para conversar sobre igreja, a mesma igrejinha que eu, adicto em recuperação, passei a detestar por entender que ela é a cara do E.M. dando aula em um determinado vídeo, que ficava exposto no youtube. Igreja festiva, cheia de hipocrisia, que o próprio Lutero, Calvino e outros reformistas condenariam se estivessem vivos. Igreja de sabichões. Na verdade nunca gostei dessa modalidade de Igreja que vive debatendo a virgindade da santa, que questiona a "adoração" de imagens e outros papos sem a menor relevância. Papo para entreter "trouxas". Detesto o fanatismo com que adeptos dessas igrejinhas passam a se comportar, raras exceções. Isso foi um acontecimento que modificou meu humor: ver minha codependente como uma droga fanatizada por uma droga de fanáticos! Alie-se isto ao atraso no atendimento. O dia estava sobrecarregado. Vi muita gente sendo atendida. Gente de diversas faixas etárias e de classes sociais diferentes. Todos com um mesmo problema e todos querendo se ver livre das drogas. Entrei na sala de aula desconfortável, externei meu sentimento mas não tentei justifica-lo. Sai e, depois do papo da igreja a codependente parece que havia me injetado uma droga chamada nervosismo, em dose minuscula. Eu desejava que este dia fosse todo ele um dia alegre e ainda escrevo sob o impacto de bobagens. Eu credito essa minha irritabilidade com a tal da "igrejinha", conforme a denomino, por conta de um diabólico pastor, que nada mais era do que uma droga travestida de religiosidade. Então a figura abominável do pastor, dono de clínica, me desestabilizou o humor, funcionou como uma droga, pois alterou minha psique. Dai veio a sensação incômoda de ter que esperar cerca de duas horas um atendimento. Não adiantava oração da serenidade, mas soube me dominar. Já disse que é sem chance para drogas, mas elas se apresentam sob diversas formas e maneiras e a doença é traiçoeira. Então hoje aprendi o quanto é importante saber me dominar e segurar o lelê, na boa. Fui ao shopping, onde almoçei. depois fui ao dentista e, dai fiz um lanche para retornar pra casa de onde escrevo este post que é muito mais uma partilha. Tenho metas e planos que não podem se realizar como num toque de mágica. Não parei de sonhar. Estou vivo, só por hoje. Sabe, a última coisa que eu desejava a alguém intimo era ficar nessa conversinha de "igrejinhas". Sinceramente, não consigo me ver nessa onda lunática. Não quero debater sobre religião. Sei que existem os bons e os maus exemplos, os bons e maus caracteres. Já me imaginei usando bandana de pirata e colocando uns adereços diferentes pelo corpo, como anéis de caveiras... ficaria ridículo. Pois é como se a esposa estivesse trajando vestes desta natureza. Eu mudei tanto e eu acho que ela pirou... O que fizeram com a cabeça dela? o que ela deixou que fizessem com o pensamento dela? porque se permitiu essa manifestação horrorosa que funciona como uma mutilação na alma de alguém? Entrego ao meu Poder Superior e peço muita paciência dentro de mim para segurar mais essa droga que me apareceu na vida e que eu não posso mudar e tenho que aceitar, esperando que ela mude por conta própria. Sim, eu sabia que ela andava indo numa igreja, acreditando... Ela é capaz de acreditar em macumba, umbanda, espiritismo e o diabo a quatro, basta colocarem minhocas na cabeça dela. Se alguém, algum dia, me pegar lendo horóscopo, pode dizer pra mim, que estou com a mente fraca. Eu vi e senti uma mulher fraca e olhando para ela, senti minha fraqueza: era como se eu estivesse lendo horóscopo. Só por hoje é hora de acordar, há males bem piores.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

28 Dias - Trailer



Limpo, só por hoje

Há 3 meses e 10 dias, ou 102 dias. Pra quem não acreditava a caravana vai levando a chama da recuperação de tal sorte que sequer ouço os latidos dos descrentes intolerantes. Bem sei que a estrada é longa e que tenho muito para caminhar, mas, o que importa mesmo é que eu já botei meu pé na estrada e é pra lá que eu vou, "pra onde houver sol" e torço por todos os que estão começando e recomeçando. O importante não é a queda, mas saber se levantar. Cair, todos caem. Estou satisfeito porque minha terapia sou eu quem traça na linha dos 12 passos. Depois de amanhã é que entro no eixo concreto da terapia ambulatorial, com um psiquiatra renomado. Confesso que tem sido fácil. A fase mais difícil superei quase sozinho. Bateu em mim aquele estalo da recuperação total, nascida do querer, do desejar, do estar com vontade, determinado e obstinado, como quem quer vencer uma maratona que não tem podium, não tem prêmio e o que conquistarei será a vida plena, com sobriedade. Não sou um cara fraco, como muita gente dizia, era apenas um cara que não estava decidido, estava naquele circulo vicioso de quem esqueceu que existem outras maneiras de se levar e viver a vida e que aquele caminho era pura degradação

domingo, 21 de agosto de 2011

A droga do vizinho

Eu bem lhe avisei que seus papos sobre física quântica, discussões filosóficas, a briga entre Sartre e Camus, seu gosto por arqueologia, seu exagerado naturalismo, seu gosto por Jean-Luc Godard, Bernardo Bertolucci, Ingmar Bergman, sua apologia a Glauber e a Terra em Transe, sua filiação ao Partido Verde, esse seu gosto por música erudita mesclada com Lupcinio e Noel Rosa, não poderia dar bons resultados. Aquele seu vizinho paranóico, que só fala sobre drogas e violência urbana, que prega cadeia para usuário, sem saber que dois, dos seus quatro filhos, são viciados, e aquelas provocações que ele vinha fazendo a você, quanto ao seu desejo constante de viver distante da cidade e viver próximo à natureza, nos altos picos e mais badaladas trilhas do momento era um sinal de que ele sabia que você era um canabiano. Foi ele quem fez a cabeça do seu pai, depois de provar pra ele que você gostava mesmo era de marijuana, depois indicou a ele aquela clínica onde o único doente era o proprietário, que dizia ter cura até para gays. Seu pai, sua mãe, fãs de Datena, com uma cabeça miúda, sugestionáveis, detonaram tudo que haviam poupado para lhe retirarem o sabor da erva, que o pastor dizia ser do diabo e você insistia em dizer que era da natureza... Isso tudo sem falar das aulas que tomava para tocar bandolim. Agora, cara, que está escancarado o vício dos filhos do seu vizinho no mundo do crack, você diz que não tá nem ai?! Porra, velho, você deveria cobrar do seu pai que também aconselhasse seu vizinho, nos mesmos moldes morais com que ele defendeu sua internação. Sabe, cara, eu compreendo você e sei que não quer se tornar um mau caráter, um falso moralista, como foi o seu vizinho, que nada mais era que um mexeriqueiro. Só em saber que você continua cheio de razão, mantendo os mesmos gostos de antes, eu lhe admiro. Mas, ao menos você poderia oferecer ajuda ao seu "bom" vizinho e dizer a ele que a redução de danos recomendaria aos filhos dele a utilização de sua droga... Quanta ironia o destino nos prega ! Fique em paz, brother e se cuide.

Vou cuidar mais do meu nariz !

Abstinência de cocaína e crack

Como lidar com a síndrome de abstinência de cocaína e crack
por Danilo Baltieri

Tenho um filho que é dependente químico há 15 anos, começou usando maconha e hoje usa cocaína e crack, faz acompanhamento psiquiátrico há 14 anos e não se ajuda, mas aceita os internamentos e toma a medicação, rouba tudo dentro de casa. Estou desesperada, não sei o que fazer já se internou 18 vezes

Resposta: Casos difíceis são bastante comuns e desafiantes em toda a área médica. E a Síndrome de Dependência de Cocaína/Crack não é diferente. Apesar das perdas e prejuízos sociais, familiares, laborais evidentes relacionados ao consumo da cocaína, o dependente muitas vezes não consegue lidar adequadamente com a intensa fissura pela substância, o que o leva imediatamente à busca pela droga.
Pelo visto, o seu filho foi internado dezenas de vezes, sem grande sucesso. As internações em hospitais psiquiátricos, hospitais gerais e comunidades terapêuticas são uma das formas de tratamento, mas não são as únicas.

Além disso, como a Síndrome de Dependência de Cocaína/Crack é uma doença crônica, o paciente deverá estar inserido em alguma forma de tratamento durante tempo bastante prolongado.

Na verdade, os pacientes devem continuar se tratando, sejam em ambulatórios especializados, grupos de mútua ajuda, hospitais-dia, centros de atenção psico-social (CAPS-AD), após as internações.

Mais ainda, sendo a internação uma das formas de tratamento preconizadas, existem várias diferentes modalidades de internação e indicações específicas para este tipo de tratamento. A internação não deve funcionar como uma espécie de “descanso” para a família, porque o dependente que freqüentemente causa problemas para todos, ficará “fora” por um tempo. Nem tampouco, a internação pode ser feita sem adequada supervisão e recomendação médica especializada.

O seu filho precisa ser rigorosamente avaliado por médico especialista em dependências químicas, afim de que o diagnóstico e, conseqüentemente, uma conduta terapêutica sejam adequadamente estabelecidos. Desta forma, este insucesso crônico dos tratamentos até então propostos para ele poderá ser efetivamente averiguado.

Muitas vezes, durante internações, os familiares acabam não sendo adequadamente inseridos no tratamento e não recebendo adequadas orientações sobre quais as melhores formas de manejo do familiar problemático. Isso é um grave problema de algumas das formas de ajuda propostas.

Existem vários serviços destinados ao tratamento de dependentes químicos espalhados pelo país. Recomendo, inicialmente, uma consulta a um profissional médico especializado em dependências químicas, como freqüentemente existem nos Centros de Atenção Psico-Social (CAPS-AD). Uma avaliação do seu filho poderá determinar qual a melhor forma de tratamento.

Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

"Internação não deve funcionar como uma espécie de “descanso” para a família, porque o dependente que freqüentemente causa problemas para todos, ficará “fora” por um tempo"

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