sábado, 9 de abril de 2011

O Anonimato - Vivendo as Nossas Tradições

O Anonimato - Vivendo as Nossas Tradições

“Em nossas Doze Tradições, temos nos colocado contra quase todas as tendências do mundo "lá fora". Temos negado a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e o direito de dizer quais deverão ser nossos membros. Abandonamos a beatice, a reforma e o paternalismo. Recusamos o generoso dinheiro de fora e decidimos viver à nossa custa. Queremos cooperar com praticamente todos, mas não permitimos que nossa sociedade seja unida a nenhuma. Não entramos em controvérsia pública e não discutimos, entre nós, coisas que dividem a sociedade: religião, política e reforma. Temos um único propósito, que é o de levar a mensagem de A.A. para o doente alcoólico que a deseja. Tomamos essas atitudes, não porque pretendemos virtudes especiais ou sabedoria; fazemos essas coisas porque a dura experiência nos tem ensinado que A.A. tem que sobreviver num mundo conturbado como é o de hoje. Nós também abandonamos nossos direitos e nos sacrificamos, porque precisamos e, melhor ainda, por que quisemos. A.A. é uma força maior do que qualquer um de nós; ele precisa continuar existindo ou milhares de alcoólicos como nós certamente morrerão".
Bill W.

Eis porque, plenamente solidário com os elevados propósitos e princípios que regem a nossa Irmandade, sentimo-nos verdadeiramente feliz em poder, mais uma vez, earrow2 com vocês, desta feita, para dialogarmos sobre o controverso tema O Anonimato - Vivendo as Nossas Tradições, por sinal, assunto central da 39ª Conferência de Serviços Gerais de A.A., realizada na cidade de New York, no período de 23 a 29 de abril de 1989, reunindo servidores dos E.E.U.U./Canadá.

É oportuno ressaltar que todo cuidado foi tomado para que o nosso trabalho não se confunda com outras interpretações, de modo que, ao inserirmos breves e concisas noções sobre o tema enfocado, o fizemos na certeza de que, aqueles que as aceitarem, terão uma verdadeira compreensão do que fazem e porque o fazem.

Assim, faz-se necessário dizer que, pela simplicidade do trabalho, é bom de se ver que a sua finalidade outra não é senão a de subsidiar e orientar e, por isso mesmo, não dispensa a complementação eficiente de companheiros mais experientes, que vivenciam, com dedicação e zelo, o programa de recuperação oferecido por nossa instituição.

Por isso, imbuído, somente, da intenção de poder ser útil, alimentamos a esperança de que os conceitos aqui expostos sejam resposta para as dúvidas que se nos apresentam no dia-a-dia de nossa recuperação.

Desse modo, para que o tema enunciado seja desenvolvido, faz-se mister a conceituação do que venha a ser Anonimato, razão que nos leva a tentar esclarecer, sem a pretensão descabida da elucidação do termo. Será, assim, este trabalho, um lembrete aos companheiros, para que o tema levantado seja, posteriormente, aprofundado e enriquecido com experiências outras e saberes os mais diversos, sempre visando a ajudar ao alcoólico que sofre.

De uma forma geral, Anonimato é o artifício usado por aquelas pessoas que não querem ser identificadas. Para nós AAs, esse termo tem uma conotação mais abrangente, haja visto que representa o maior símbolo de sacrifício pessoal, a maior proteção que a Irmandade pode ter, a chave espiritual para todas as nossas Tradições e para todo o nosso modo de vida.
Escrevendo sobre o Anonimato, Bill W. diz em certo trecho:

"Começamos a perceber que a palavra anônimo tem para nós uma grande significação espiritual. De maneira sutil, mas vigorosamente, lembramo-nos de que devemos colocar os princípios antes das personalidades; que renunciamos à glorificação pessoal em público; que. nosso movimento não apenas prega, porém pratica uma verdadeira humildade".

Foi dentro desse princípio, de ajudar anonimamente, que Bill W. recusou o título de Doutor Honoris Causa que lhe fora oferecido por uma Universidade Norte americana; nesse mesmo passo, Bill W. renunciou a grande soma de dinheiro a ele oferecida por companhias cinematográficas norte-americanas, para filmar a sua vida; foi esse mesmo Bill que, recusando o prestígio pessoal, não permitiu que o seu retrato fosse estampado na capa da revista "Times", quando de uma reportagem que ele solicitara sobre Alcoólicos Anônimos.

De outro lado, temos a clássica história envolvendo Bill, Dr. Bob e alguns de seus amigos. Conta-nos Bill que, "quando se soube com toda a segurança que o Dr. Bob estava para morrer, alguns de seus amigos sugeriram que se erguesse um monumento ou mausoléu em sua homenagem e à sua esposa Ane - algo digno de um fundador e de sua esposa. Naturalmente, esse era um tributo muito espontâneo e natural. O comitê chegou inclusive a mostrar-lhe um esboço do monumento proposto. Contando-me a esse respeito, o Dr. Bob sorriu e disse:

"Deus os abençoe”. "Eles têm boa intenção, mas pelo amor de Deus, Bill, que sejamos enterrados, tanto você como eu, da mesma maneira como são todas as pessoas."

O que nos deixa perplexo, é o fato do nosso co-fundador haver escrito há 35 anos atrás a realidade do mundo moderno. Em seu artigo: "Por que o A.A. é Anônimo" ele diz entre outras coisas:

"Como nunca, a luta pelo poder, prestígio e riqueza, está arrasando a civilização - homem contra homem, família contra família, grupo contra grupo, nação contra nação. Quase todos aqueles envolvidos nessa violenta competição declaram que seus objetivos são: a paz e a justiça para eles mesmos, para seus semelhantes e para suas nações. "Dê a nós o poder", eles dizem, e faremos justiça: dê a nós a fama, e daremos nosso grande exemplo; dê a nós o dinheiro, e ficaremos satisfeitos e felizes. As pessoas do mundo inteiro acreditam profundamente nisso e atuam de acordo com isso. Nessa espantosa bebedeira seca, a sociedade parece earrow2 entrando num beco sem saída. O sinal "pare" está claramente marcado. Ele anuncia "desastre".
Por isso, no mesmo artigo, ele acrescenta:

"Quando o primeiro grupo de A.A. tomou forma, logo começamos a aprender muita coisa sobre o sacrifício e suas resultantes. Descobrimos que cada um de nós tinha que fazer sacrifícios pelo bem earrow2 comum. O Grupo, por sua vez, descobriu que deveria renunciar a muitos de seus próprios direitos para garantir a proteção e bem-earrow2 de cada membro, bem como de A.A. como um todo. Esses sacrifícios tinham que ser feitos ou A.A. não poderia continuar a existir."

Toda a Irmandade tem conhecimento de que o Anonimato foi o tema que mais preocupou os nossos co-fundadores, haja vista a maneira errônea como tem sido interpretado pela maioria. A prova disso está no fato ocorrido quando de sua última mensagem enviada aos companheiros que lhe prestavam solidariedade, por ocasião dos seus 36 anos de sobriedade. Já sem forças, Bill pediu a Lois - sua esposa - que o representasse, lendo aos companheiros solidários a seguinte mensagem:

“... meus pensamentos hoje são cheios de gratidão para com a nossa Associação, pelo sem número de bendições que nos tem dado a graça de Deus. Se me perguntassem qual dessas bendições era responsável por nosso crescimento como associação e mais vital para nossa continuidade, eu diria: “O Conceito do Anonimato””.

Feitas estas considerações, resta-nos à luz da literatura e experiências pessoais, vivenciadas no dia-a-dia de nossa recuperação, entrar no ponto axial do tema proposto, cuja essência está inserida nas 11ª e 12ª Tradições, in verbis:

“11ª Tradição - Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção. Cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.”

12ª Tradição - O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades”.

Embora, as 11ª e 12ª Tradições sejam completamente distintas, jamais poderão ser analisadas separadamente, haja vista que, ambas se completam para mostrar ao grande público, que Anônimos somos nós - membros de A.A. - e não a irmandade de Alcoólicos Anônimos. Portanto, a irmandade pode e deve ser divulgada, nós não. Enquanto a 11ª Tradição diz respeito ao Anonimato Pessoal, a 12ª encerra, pura e simplesmente, a Tradição do Anonima¬to.

Dissecando, então, o conteúdo dessas Tradições (11ª e 12ª), verifica-se com facilidade que a 11ª Tradição faz referência a preservação do Anonimato Pessoal, única e exclusivamente em termos de mídia, o que significa dizer, que não existe Anonimato em nossas relações interpessoais.

De outro lado, ao nos lembrar da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades, a 12ª Tradição visa demonstrar, de forma explícita, que a “substância do Anonimato é o sacrifício”, e que, é através desse sacrifício que devemos procurar vencer as paixões e submeter a nossa vontade individual em prol de toda uma coletividade.
Ante as razões apresentadas, é fácil concluir que:
1. Quando um membro se identifica, como A.A., nas suas relações interpessoais, está, apenas, dando abertura ao seu Anonimato, o que, aliás, deve ser feito, sempre que possível, visando a ajudar ao alcoólatra que sofre. Se essa identificação ocorre em termos de mídia, aí está havendo a quebra da Tradição do Anonimato, o que, por sua vez, deve ser evitada sob pena de colocar as personalidades acima dos princípios.
2. De outro lado, quando o membro identifica outra pessoa como seu companheiro de A.A. está, não só ferindo os princípios da irmandade, como também, quebrando a Tradição do Anonimato.

Portanto, ao assumirmos a responsabilidade de levar a mensagem salvadora ao alcoólatra que sofre, devemos sempre ter em mente o seguinte:
a) A informação pública é orientada pela Tradição; entretanto, a informação pessoal, muito mais eficiente, depende da vontade de cada membro.
b) NosNosso trabalho será bem mais eficiente se deixarmos que os outros nos recomendem.
c) Não há Anonimato nas nossas relações interpessoais.
d) Por princípio, não há quebra de Anonimato, mas, simplesmente, abertura do Anonimato. Quando existe a quebra, não é do Anonimato, mas da Tradição do Anonimato, o que são duas coisas bem distintas.

Assim, procurando deixar o leitor bem familiarizado com o tema, nas suas mais diversas formas e aspectos, condensamos, dentro do possível, o que segue abaixo:
Anonimato Pessoal: Deve ser mantido na Imprensa, no Rádio, na Televisão e no cinema, da seguinte forma:
a) Na Imprensa - evitar fotografias e dá apenas o primeiro nome e a inicial do sobrenome.
b) No Rádio - dá o nosso primeiro no¬me e a inicial do sobrenome.
c) Na Televisão e no Cinema - aparecemos de costas ou de perfil, usando um jogo de luz e sombras que nos permita apenas transmitir nossas silhuetas. Aqui também só usaremos o primeiro nome e a inicial do sobrenome.
d) Nas Correspondências - nos casos pessoais, devemos evitar a sigla “A.A.” nos envelopes; em outras ocasiões tomamos as seguintes precauções:
- De companheiro para companheiro é uma correspondência normal, desde que tomemos os cuidados acima.
- De grupo para grupo - é também uma correspondência normal, podendo inclusive ser usadas as iniciais "A.A.".
- De companheiro para grupo - evitamos o nosso nome e endereço no envelope, tendo em vista que o grupo está identificado como sendo de A.A.
- De grupo para companheiro - usamos apenas o primeiro nome com a inicial do sobrenome do companheiro.
e) Nas Reuniões - dependendo de sua natureza - aberta ou fechada -, tomamos os cuidados seguintes:
- De caráter fechado - não há anonimato, tendo em vista que a ela têm acesso somente membros de A.A.
- De caráter aberto - usamos apenas o primeiro nome, se o orador é membro de A.A.; se for não -A.A., usamos o nome completo, inclusive com sua profissão e posição social.
- De pessoas falecidas - seguimos orientação dos familiares que, por certo, saberão do desejo do falecido quando vivo.
- De pessoas celebres - a identificação de pessoas como membros de A.A., cabe a elas próprias, sejam célebres ou não.
Anonimato das Listas Confidenciais - as listas é que não deveriam existir, pois nenhum benefício traz ao alcoólatra ou ao grupo.
Anonimato da Doença - alcoolismo, como doença, é assunto da medicina.
Anonimato de Grupos - não deverá existir, pois seu único objetivo é ajudar ao alcoólatra que sofre.
Anonimato da Irmandade - não existe, haja visto que anônimos são seus membros.

Ao fim, se nenhum de nós desperdiçarmos publicamente nosso valor, ninguém possivelmente irá explorar A.A. para benefício pessoal. O Anonimato não é apenas algo para nos salvar da vergonha e do estigma alcoólico; seu propósito mais profundo é, na verdade, manter nossos egos tolos, sob controle, evitando que corramos atrás do dinheiro e da fama pública à custa de Alcoólicos Anônimos.

Com efeito, ainda em seu artigo “Por que Alcoólicos Anônimos é Anônimo”, Bill afirma:

“... o temporário ou aparentemente bom pode muitas vezes não ser aquilo que é sempre o melhor. Quando se trata da sobrevivência de A.A., nem o nosso melhor será bom o suficiente.”

E conclui:

“Agora nos damos conta de que cem por cento do anonimato diante do grande público é tão vital para a vida de A.A., como cem por cento de sobriedade o é para a vida de cada membro em particular”.

J. Costa
(Vivência - Out/Dez 89)



CARTA ABERTA A MINHA FAMILIA

CARTA ABERTA A MINHA FAMILIA

Sou um usuário de drogas. Preciso de ajuda.

Não resolvam meus problemas por mim. Isto somente me faz perder o respeito por vocês.

Não censurem, não façam sermões, não repreendam, não culpem ou discutam, esteja eu drogado ou sóbrio. Isto pode fazer vocês se sentirem melhor, mas só vai piorar a situação.

Não aceitem minhas promessas. A natureza da minha doença me impede de cumpri-las, mesmo que naquele momento tencione fazê-las. As promessas são meu único meio de adiar a dor. E não permitam mudanças de acordos. Se um acordo foi feito, mantenham-se firme nele.

Não percam a paciência comigo. Isto destruirá vocês e qualquer possibilidade de me ajudarem.

Não permitam que sua ansiedade por mim faça vocês fazerem o que eu deveria fazer por mim mesmo.

Não encubram ou tentem poupar-me das consequências do meu uso de drogas. Isto pode diminuir a crise, mas fará a minha doença piorar.

Sobretudo, não fujam da realidade como eu faço. A dependência de drogas, minha doença, torna-se pior enquanto eu persistir no uso.

Comecem agora a aprender, a compreender e a fazer planos para a sua RECUPERAÇÃO. Procurem o Nar-Anon, grupos que existem para ajudar as famílias daqueles que abusam das drogas.

Preciso da ajuda - de um médico, de um psicólogo, de um conselheiro, e de um adicto em recuperação que encontrou a sobriedade em Narcóticos Anónimos, e principalmente de Deus. Eu não posso ajudar a mim mesmo.

Seu usuário.

Anônimo

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Reescrevendo a própria vida

Bem, depois dessa fartura de material para estudo sei que o meu dever de casa não será mais um bicho de 7 cabeças. Destrincharei um montão de coisas, aproveitarei a boa leitura que farei dos artigos postados, que irei imprimir, para escrever algo mais coerente sobre minha experiência particular sobre este meu envolvimento com a questão das drogas. Terei que reescrever meu inventário moral [não é todo mundo que gosta dessa idéia não, mas é fundamental escrever...Vou deixar meus pruridos de pequeno burguês e vou me despejar na escrita]. A leitura completa é fundamental em tudo. Nada de leitura parcial, pois devo fazer a releitura do meu próprio ser... um balanço da minha vida, com honestidade. boa vontade e mente aberta, né?!  

SPH

Hasta Siempre, Baby !

Dependentes da dependência - Final

Família
Dependentes da dependência
Familiares podem alimentar a dependência química de seus membros sem mesmo saber disso, apenas para - emocionalmente - esconder as próprias psicopatologias e conflitos existenciais

Por José Antonio Mariano

 
No Filme Quando um homem 
ama uma mulher, uma mãe revive 
um trauma do passado e passa a 
beber, colocando seu casamento 
em risco


É quase isto que o codependente busca: ele usa o dependente como um canal de comunicação, ou como um “anexo”, ao seu recontato com algo superior. É por isso que ele faz do usuário seu deus particular, para o qual faz confluir todas as suas energias e todo o seu sentido de realização. E é por isso que quando fracassa – porque ele, não o dependente, fracassa – tem tanta predisposição em recomeçar. Sem contar, obviamente, que isso o recompensa na medida em que é reconhecido por todos e por tudo graças à sua resistência, persistência e fortaleza. Puro teatro. Esse deus que ele, o co-dependente, elegeu, não o irá resgatar. O abusador de SPAs continuará a ser o centro do seu mundo, o que leva à conclusão de que, sem ser o centro do seu ser, o co-dependente pede emprestada a centralidade do outro. E mais uma vez, por causa disso, fica evidente por que o co-dependente não “pode” deixar o dependente parar de usar drogas. Se isso acontecer, tanto ele como a família terão de lidar com as próprias dificuldades. E a isso eles não estão dispostos.

CUIDADO ESPECIAL
Tratar o co-dependente, para vários especialistas, é muito mais difícil que tratar o próprio dependente. É por isso que quando o usuário vai a tratamento, é fundamental que também a família vá. Segundo Campos e Ferreira (2007), “o primeiro passo a ser tomado pelo codependente é ele aceitar que não é tão forte como pretende ser, ou como os outros gostariam que fosse. Deve deixar que a realidade atue e lhe mostre caminhos, e, a partir daí, ele não precisará mais fugir daquilo que está ali, na sua frente, para ser visto e vivido. Um segundo passo é filiarse a algum grupo de apoio, no qual interagirá com pessoas que sofrem dos mesmos males que ele mas estão conseguindo mudar o rumo da própria vida, graças ao apoio que recebem. Um terceiro passo é procurar terapia com profissionais do ramo que tenham experiência de cuidar de pessoas co-dependentes. E um quarto passo a ser tomado por co-dependentes que necessitem tratamento contra depressão, ansiedade, síndrome do pânico é procurar um bom psiquiatra e se medicar, tentando voltar a ter a mesma capacidade anterior aos fatos que geraram sua co-dependência”.

Sintomas da Co-dependência


• Dificuldade de estabelecer e manter relações íntimas sadias e normais, sem depender muito do outro.
• Congelamento emocional. Mesmo diante dos absurdos cometidos pela pessoa problemática o co-dependente mantém-se com a serenidade própria dos mártires.
• Baixa auto -estima.
• Perfeccionismo. Da boca para fora o co-dependente professa um perfeccionismo que, na realidade, gostaria que a pessoa problemática tivesse.


• Necessidade obsessiva de controlar a conduta de outros. Palpites, recomendações, preocupações, gentilezas quase exageradas fazem com que o codependente esteja sempre supersolícito com quase todos (Esta é uma forma de ele mostrar que sua solicitude não se restringe à pessoa problemática).
• Condutas pseudocompulsivas. Se o co-dependente paga as dívidas da pessoa problemática diz “nunca sei bem por que faço isso”, que não consegue se controlar.
• Sentir-se responsável pelas condutas de outros. Na realidade ele se sente responsável pela conduta da pessoa problemática, mas para que isso não motive críticas, ele aparenta ser responsável também por todos.


• Sensação de incapacidade. Nunca tudo aquilo que fez ou está fazendo pela pessoa problemática parece ser satisfatório.
• Constante sentimento de vergonha, como se a conduta extremamente inadequada da pessoa problemática fosse, de fato, sua.
• Dependência da aprovação externa, até pela própria auto-estima.
• Dores crônicas de cabeça e das costas como somatização da ansiedade.
• Gastrite e diarréia crônicas, como envolvimento psicossomático da angústia e do conflito.
• Como resultado final, tem-se a depressão.


José Antonio Mariano é psicanalista e jornalista especializado em saúde mental. Contato: marianopsi@i12.com


Dependentes da dependência III

CONTINUAÇÃO... Parte III

José Antonio Mariano é psicanalista e 
jornalista especializado em saúde mental. 

O uso de substâncias psicoativas contribui 
para a desestruturação da personalidade do 
dependente e da família

FUGA PARA DENTRO DE SI MESMO

Trata-se de uma pessoa com a qual todas se condoem. Vive melancólica, acabrunhada, sempre contando a última que seu dependente aprontou. Não consegue disfarçar uma ponta de orgulho de tudo o que vem sofrendo, o que, não percebido pelos ouvintes, soa como fortitude. Orgulha-se de estar sempre à disposição de outros dependentes, numa atitude típica de fuga para dentro de si mesma já que não consegue auxiliar o próprio ente querido. Apresentase como uma vítima da situação, reforçando o caráter dependente e algumas vezes marginal do usuário de drogas, já que o pensamento vigente comum é “como alguém (o usuário) pode maltratar tanto uma pessoa tão boa como essa?”. O que fica claro nesse tipo de comportamento é que há interação e troca na relação entre o dependente e seu co-dependente. Há, provavelmente, na história dos dois, permissividade, violência, arrogância, falta de limites...

Tome-se como exemplo o pai permissivo e ausente. O filho, sem limites, sem proteção, sem aceitação no seio da família, procurará um grupo que o aceite. Mais tarde, lá na frente, esse pai tentará recuperar o que deixou para trás tornando-se resignado e com uma presença “opressiva-ausente”. Sua ausência “opressiva-ausente” se caracteriza pela constante necessidade de tentar controlar o uso de drogas pelo filho, com o exercício de uma “suave opressão”, que parece até um cândido cuidado, mas na verdade é uma tentativa de recuperação da ausência de tempos atrás. Talvez mesmo uma tentativa de recuperação de uma “potência paterna” não exercida. Existem pais que, autoritários na infância do filho, e por causa de sua incompetência – fruto de sua imaturidade, auto-imagem, autoconfiança e auto-estima rebaixadas, originadas também de traumas de sua infância –, tentam minimizar os efeitos deletérios exercidos sobre o filho na infância, agindo, no mínimo, com leniência.

O que ocorre de mais perverso nessa situação, que obviamente é profundamente emocional, é a não reconstrução do dependente. O co-dependente, “dependendo da dependência do dependente”, agindo como age, não permite – emocionalmente – que este se trate e tampouco ache o equilíbrio. Há, por parte do codependente, o medo terrível de que, com a parada do uso de drogas do dependente, ele, o co-dependente, cesse seu papel. Se o usuário conseguir efetivamente cessar o uso, o pretenso cuidador não terá mais como usá-lo como vitrine de seu narcisismo enrustido, de seu egoísmo. Dessa forma, o cuidador boicota todos os esforços do dependente em parar o uso, seja pagando suas dívidas, seja acobertando seus deslizes, seja levando-o para clínicas reconhecidamente sem condições de tratá-lo, seja passando a mão em sua cabeça para contar aos outros como sua vida é sofrida apesar de todos os seus esforços.


Para Jung, o princípio do mal prevalecente 
no mundo conduz as necessidades espirituais

BUSCA ESPIRITUAL

A família, por si só, pode ser um fator exponencialmente perigoso para o dependente. Dizer “o doente é ele” é comum nas famílias, que constituem um empecilho poderoso para recuperação do dependente. A exemplo dos casos apresentados, a família disfuncional não admite sua desestruturação e deposita no dependente todos os seus traumas. As doenças presentes na família – alcoolismo do pai, depressão da mãe, drogadição dos filhos – não são reconhecidas. Quando um sintoma ou outro aparece, o que se depreende é que a causa seja o usuário. E não é. Os “defeitos” por assim dizer, já existiam e só esperavam uma válvula – o dependente que expressou sua dependência – para explodirem. Assim, é fácil entender por que 50% dos pacientes dependentes químicos que saem de centros de tratamento voltam a usar drogas três meses depois e 70%, seis meses depois. O que ocorre é que a família, com todas as suas disfunções, alimenta emocionalmente a dependência do usuário para ele continuar disfuncional e não mudar nada.

O que se pergunta é o que busca o dependente, com seu abuso crônico de drogas, e o co-dependente, com sua dependência do dependente. Uma das explicações mais instigantes e intrigantes está com Jung. O controvertido e sempre estimulante psicólogo suíço trocou cartas com Bill Wilson, o fundador do AA–Alcoólicos Anônimos. Em resposta a uma missiva de Wilson, Jung diz (em 30 de janeiro de 1961): “Estou firmemente convencido de que o princípio do mal prevalecente no mundo conduz as necessidades espirituais, quando negadas à perdição, se ele não for contrabalançado por uma experiência religiosa ou pelas barreiras protetoras da comunidade humana. O homem comum desligado dos planos superiores, isolado de sua comunidade, não pode resistir aos poderes do mal, muito propriamente chamados de demônio. Mas o uso de tais palavras nos leva a tais enganos que temos de nos manter afastados delas, tanto quanto possível. (...). Veja você, “alcohol” em latim significa “espírito”, e você, no entanto, usa a mesma palavra tanto para designar a mais alta experiência religiosa como para designar o mais depravador dos venenos. A receita então é “spiritus” contra “spiritum”.


"SE O DEPENDENTE DEIXAR DE USAR DROGAS, TANTO ELE COMO A FAMÍLIA TERÃO DE LIDAR COM AS PRÓPRIAS DIFICULDADES. E PARA ISSO ELES NÃO ESTÃO DISPOSTOS"

Co-dependência: o transtorno e a intervenção em rede

Co-dependência, expressão que originalmente designava a relação entre cônjuges alcoólatras, hoje expressa uma situação mais ampla e institucionalizada na qual, em linhas gerais, alguns favorecem sistematicamente a manutenção da dependência de outros, que tendem a permanecer imaturos. É com este enfoque que trabalha Maria Aparecida Zampieri. Ela apresenta a fundamentação científica de sua visão de co-dependência como um transtorno de personalidade, e sua proposta é que ele seja oficialmente reconhecido e classificado como tal. No livro, a autora mostra critérios para diagnóstico e sugere formas de intervenção em rede, com exemplos de aplicações e de resultados. Ela aborda os mais variados casos, como dependência conjugal, familiar, grupal, social, institucional e sexual. Em sua argumentação, lança mão de conceitos da neurofisiologia, do Psicodrama – de Moreno aos autores contemporâneos –, da teoria sistêmica e da física, matérias que ela domina graças a sua ampla formação. Profissionais das mais diversas categorias das áreas de saúde e relações humanas se beneficiarão deste livro preciso e original. “Enfim, ler para crer. Com o aval seguro e incontestável de Maria Aparecida Junqueira Zampieri, nossa querida Tina, luz de Rio Preto a iluminar com o novo vãos ainda obscuros e inexplorados do Psicodrama”.

Crédito: link de Ciência & Vida, click AQUI!


Dependentes da dependência, parte II


Os tipos de co-dependentes

Salvador ou consertador – a auto-estima destas pessoas passa a depender da capacidade de ajudar ou “salvar” outras pessoas, especialmente as “vítimas”, aquelas que não querem se responsabilizar pelos próprios problemas.
Agradadores – estão sempre preocupados em agradar, pois não acreditam que as pessoas com as quais convivem possam achá-los interessantes – com base numa auto-estima negativa os agradadores estão sempre se achando inoportunos ou impróprios.
Inadequados ou perdedores – sentem-se como os agradadores – imperfeitos, “defeituosos”, “errados” – mas desistiram de fazer qualquer esforço para agradar. Ao contrário, envolvem-se em situações difíceis ou desastrosas apenas para confirmar o papel de perdedores.
Perfeccionistas – acreditam que serão amados ou reconhecidos apenas se forem “perfeitos”. Perfeccionistas são extremamente críticos e severos consigo mesmos e com os outros, o que gera relacionamentos conflituosos e estressantes.
Superempreendedores – são escolhidos como “heróis” da família, aqueles que irão encobrir as dificuldades, humilhações e derrotas do passado através de grandes feitos – tornaremse cientistas renomados, empresários de sucesso, artistas conhecidos. Têm compulsão pelo trabalho, e pouco tempo para si e para os outros.
Narcisistas – são extremamente inseguros e apresentam baixa auto-estima, que encobrem com uma fachada de autoconfiança elevada e com a grande capacidade que têm de manipular e iludir os agradadores, “inadequados” e superempreendedores. Não aceitam ser questionados ou criticados, e precisam ser sempre o centro das atenções.



Famílias disfuncionais usam os filhos para preencher as próprias necessidades emocionais


CO-DEPENDENTES DEPENDENTES
É aqui que a Co-dependência merece nosso foco. Originalmente, o termo “co-alcoólatra” foi designado para caracterizar a mulher do alcoólatra, a qual, na década de 1970, passou a fazer reuniões paralelas à do marido no AA – Alcoólicos Anônimos. Nelas, as mulheres perceberam possuir um denominador comum: toda a sua vida familiar girava em torno do dependente. De acordo com Sergio Nicastri, Coordenador do Programa Álcool e Drogas do hospital Albert Einstein, temendo perder o controle do sujeito subordinado, o co-dependente chega até a comprar ou pagar o vício do dependente. “Daí a necessidade de tratar tanto o alcoólatra como a sua família”, explica. São dependências paralelas. Da mesma maneira que um dependente desenvolve uma ligação com a droga que não consegue controlar, o co-dependente estabelece uma relação de sujeição com o outro que não consegue controlar, como explica Jorge Jaber, especialista em dependências químicas.

"O CO-DEPENDENTE MANTÉM UMA RELAÇÃO DE SUJEIÇÃO COM O OUTRO QUE NÃO CONSEGUE CONTROLAR, COMO O VICIADO COM A DROGA"

Ziemer diz que nas famílias disfuncionais, em que os pais usam seus filhos para preencher as próprias necessidades emocionais, as crianças logo aprendem que sentimentos positivos sobre elas mesmas (auto-estima) dependem do estado de humor dos adultos à sua volta. “Esse tipo de relacionamento, gradativamente, vai minando a autoconfiança da criança, estabelecendo as bases para um indivíduo dependente, inseguro, ‘escravo’ das necessidades e desejos alheios.” Segundo ele, crianças extremamente obedientes, desejosas de agradar, que facilmente cedem aos desejos alheios, são freqüentemente avaliadas como “crianças exemplares”. Ao contrário, aquelas que não se deixam moldar a este padrão são rotuladas de “ruins”, “más” ou “egoístas”, podendo receber todo tipo de ameaças e castigos. “Na verdade, há vários tipos de co-dependentes [veja quadro Os tipos de co-dependentes], e um dos mais comuns, pouco reconhecido, é o ‘salvador’”, acrescenta.

DEPENDENTE SALVADOR 
O “salvador”, como bem diz Ziemer, depende da capacidade de ajudar ou “salvar” outras pessoas, especialmente as “vítimas”, aquelas que não querem se responsabilizar pelos próprios problemas. Esse co-dependente se apresenta como uma pessoa que se dedica a ajudar outros dependentes. Dá palestras sobre o tema, exemplifica o seu sofrimento, recebe elogios e consideração dos outros, está sempre atento (e ao telefone) para auxiliar as famílias de dependentes (e aos próprios), possui uma história de significativas perdas laborais, familiares, sociais; está vinculado a centros de tratamento onde é sempre considerado e estimado; tem sempre uma história triste para contar a respeito de si mesmo e de seu familiar “viciado”; está, invariavelmente, atrás do seu dependente, freqüentando clínicas de recuperação e mostrando sempre seu lado bom e sofredor. Ele é sempre muito bem-visto por sua “capacidade” de estar resignadamente ao lado do seu ente querido.
A figura do cuidador é sempre muito
bem-vista por sua capacidade de estar 
resignadamente ao lado do seu ente querido


É preciso, entretanto, olhar além disso. O co-dependente neste caso, que não se julga codependente, possui, como já relatado, a autoestima no pé. Ao legar sua agenda de vida ao dependente, passa a estar sujeito a ele. Ballone reforça a afirmação: “Os profissionais com prática no exercício da clínica psiquiátrica sabem das dificuldades existenciais dessas pessoas co-dependentes; parece que os co-dependentes ficaram órfãos, de uma hora para outra, perdidos e sem propósito de vida; não é raro que passem elas, as pessoas co-dependentes, a apresentar problemas semelhantes àqueles dos antigos dependentes de que cuidavam; uma expressão que representa bem a maneira como o co-dependente adere à pessoa problemática é atadura emocional; diz-se que existe atadura emocional quando uma pessoa se encontra atrelada emocionalmente a coisas negativas ou patológicas de alguém que o rodeia”.

"AS CRIANÇAS LOGO APRENDEM QUE OS SENTIMENTOS POSITIVOS SOBRE ELAS MESMAS (AUTOESTIMA) DEPENDEM DO ESTADO DE HUMOR DOS ADULTOS À SUA VOLTA"

O salvador talvez seja o mais “patológico” dos co-dependentes. Isso porque projeta todas as suas frustrações e incompletudes no dependente. Para todos, parece que o co-dependente é um cuidador extremoso, dedicado e empenhado. Emocionalmente, entretanto, é um predador que usa a patologia do ente querido para se desvencilhar das próprias dificuldades, não enxerga suas limitações e ganha o reconhecimento das pessoas, o que mostra a distorção de sua auto-imagem e de sua autoconfiança. Ele se vale da doença do dependente para sobreviver. Seu papel, totalmente disfuncional, que “se pretende prender” unicamente à tarefa de se dedicar à recuperação do dependente, é, na verdade, fazer do dependente seu modo de viver e de conviver, não com o dependente, mas consigo mesmo. Emocionalmente ele acredita que está empenhado em cuidar do dependente, mas o que sobrevém mesmo é sua necessidade de ser reconhecido e ser aceito por esse “desprendimento”.

Família: Dependentes da dependência

Buscamos os melhores artigos para ver se ao menos, com a leitura dos mesmos, de alguma forma, de algum modo, seremos capazes de mudar qualquer coisinha, aparentemente boba, que so faz destrroçar vidas, estraçalhando seres humanos que precisam de ajuda. Espero que o texto abaixo transcrito sirva para ajudar alguém a ajudar o próximo, a melhor compreender o que se passa dentro da gente. Eu, por exemplo, procuro o auto-conhecimento, pois, só através dele, poderei conhecer meus semelhantes. Muitas vezes escrevo na escuridão, agravada pela minha miopia, mas não deixo de escrever, nem de pensar e busco sempre pensar na paz, na união, na harmonia, na alegria, na felicidade e no prazer de ver pessoas que se afastam, uma das outras, quando, com um pouco mais de sabedoria, poderiam estar vivendo e convivendo em perfeito entrosamento, sem se deixar impregnar por falsos valores que não ajudam em nada a esconder a realidade proveniente da adicção e da co-dependência, além da intromissão de terceiros que só opinam como se fossem algozes. Ser algoz é a solução mais fácil para os que não pensam, para os radicais, os extremistas e os que combatem o terror com aterrorizantes comportamentos. No fundo de tudo você acaba descobrindo que a vida é bela, que tolerar faz parte do jogo de paciência que envolve todos nós, no emaranhado mundo que envolve drogas... Ah, ALCOOL é droga. Não pense que ao ingerir um copinho de cerveja não está fazendo uso de uma das piores drogas. Feito isto, vamos ao texto abaixo:

Família
Dependentes da dependência
Familiares podem alimentar a dependência química de seus membros sem mesmo saber disso, apenas para - emocionalmente - esconder as próprias psicopatologias e conflitos existenciais

Por José Antonio Mariano

O dependente químico é a lata de lixo da família. Por mais contundente e até irresponsável que pareça essa afirmação, ela confirma uma realidade que é percebida, na esmagadora maioria das vezes, quando a dependência química (DQ) se instala no lar. Como tudo conflui para a “cura” do dependente, toda a dinâmica da família se ajusta a esta demanda. Sobressaem, desse modo, as fugas, as revelações de incompletudes, frustrações, autopiedade, sensações de finitude e desvalorização no que pode ser chamado “Self familiar”. Há rasgos de “vazios emocionais”, caracterizados pela desrealização, despersonalização dos membros, e toda a agenda das pessoas da casa se modifica. Revolta e medo predominam. Entretanto, nenhum desses aspectos essenciais desta disfuncionalidade familiar é bem observado, porque são camuflados pelo sentimento de que o dependente está sendo acompanhado em sua doença e pela idéia de que a família luta com desespero para tirá-lo dessa condição. É a Co-dependência em ação.
A Co-dependência não está restrita a um membro da família, mas pode acometer um em especial. Sua conceituação é ampla, mas geralmente designa, segundo Roberto Ziemer, mestre em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) e terapeuta formado pelo Grof Transpersonal Center, Califórnia, EUA, uma pessoa que “perdeu sua alma ou sua verdadeira identidade. É uma maneira de sobreviver a situações dramáticas e crescer em ambientes inseguros e dolorosos”. Já Geraldo José Ballone, médico psiquiatra, professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP) durante 21 anos, diz que a Co-dependência “é um transtorno emocional, definido e conceituado por volta das décadas de 1970 e 1980, relacionado aos familiares dos dependentes químicos – de cocaína, álcool, maconha, ecstasy –, marcado por um jogo patológico e por outros problemas de compulsão. “São pessoas que têm baixa autoestima, intenso sentimento de culpa e não conseguem se desvencilhar da pessoa dependente”.
Outras definições de Co-dependência incluem a necessidade imperiosa de controlar coisas, pessoas, circunstâncias, comportamentos e situações na expectativa de dominar suas próprias emoções; uma condição emocional, psicológica e comportamental que se desenvolve como resultado da prática e da exposição prolongada do indivíduo a regras opressivas, que impedem a expressão aberta de sentimentos e a discussão direta de problemas pessoais e interpessoais; comportamentos aprendidos de derrota ou “defeitos” de caráter que resultam em diminuição da capacidade de iniciar relações afetivas ou mantê-las; doença psicológica e comportamental cuja característica principal é a falta absoluta de identidade própria e de auto-estima. Percebe-se, portanto, uma característica presente em todas as definições: a auto-estima rebaixada do pretenso “cuidador”. Ele está, na verdade, tentando se salvar, não tanto salvar o dependente.
No Brasil, 11,2% da população é dependente de álcool
ÁLCOOL NO BRASIL 
Para entender a Co-dependência e suas diversas manifestações, é preciso compreender sua dimensão epidemiológica. E essa dimensão está no abuso e dependência de substâncias psicoativas (SPA) no Brasil e no mundo. Apesar da ênfase de Antonio Maria Costa, diretor executivo do escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (Unodoc) – “Os dados mais recentes que colhemos mundialmente mostram que a dependência de drogas tem diminuído” –, o fato é que, anualmente, 4,8% da população mundial entre 15 e 64 anos usa drogas, segundo dados divulgados em 2007. São cerca de 200 milhões de pessoas. De acordo com o relatório, mais da metade consome drogas pelo menos uma vez por mês e aproximadamente 25 milhões são dependentes químicos. “As drogas consideradas mais problemáticas no mundo são os opiáceos – principalmente a heroína –, consumidos especialmente na Ásia e na Europa; a segunda é a cocaína”, atesta Costa. Na América do Sul, a cocaína é a droga que mais leva à busca de tratamentos por dependência. “Na África, a maior demanda por tratamento decorre do uso da Cannabis em forma de erva (maconha) ou resina (haxixe)”, afirma.


Por aqui, um estudo epidemiológico de Carlini, Galduróz, Noto e Nappo (2002) estimou em 11,2% da população, cerca de 5 milhões de pessoas, os dependentes de álcool, em 2001, no Brasil. O sexo masculino apresentava uma porcentagem maior quanto à dependência de álcool, para todas as faixas etárias estudadas. No Estado de São Paulo, estudo realizado pelo Centro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas– Cebrid (2000) em 24 de suas maiores cidades, identificou que 6,6% da população era dependente de álcool. O preocupante é que, dois anos depois, houve aumento da incidência do alcoolismo na mesma população pesquisada, conforme artigo de Galduróz e Caetano (2004), constatando-se aumento significativo para 9,4% de dependentes. Esse mesmo estudo aponta um fato inquietante: no Brasil, 5,2% dos adolescentes (de 12 a 17 anos) já são dependentes, e a tendência é esse número aumentar.

No Brasil, o álcool é a substância mais consumida entre os jovens. A idade de início de uso tem sido cada vez menor, o que aumenta o risco de dependência futura. O uso de álcool na adolescência está associado a uma série de comportamentos de risco, os quais resultam, em números cada vez mais elevados, em acidentes de trânsito, violência sexual, participação em gangues, morte violenta, queda no desempenho escolar, dificuldades de aprendizado, prejuízo no desenvolvimento e estruturação das habilidades cognitivo-comportamentais e emocionais. O consumo de álcool causa modificações neuroquímicas, com prejuízos na memória, aprendizado e controle dos impulsos. Os profissionais que lidam com adolescentes devem estar preparados para avaliar adequadamente a possibilidade do uso abusivo ou dependência de álcool nesta faixa etária. Além do álcool, o uso de outras SPAs, como cocaína, maconha, crack, ecstasy, merla (junção de folhas de coca a produtos químicos – pode ser fumada sozinha ou misturada no cigarro comum e no de maconha), contribui para a desestruturação da personalidade do dependente – e da família.



Hasta la vista, Baby !


QUARTO PASSO.

Será que você tem fôlego para leituras ? o artigo abaixo reproduzido, do ENTRE SEM BATER , é um ótimo estimulante para o desenvolvimento mental e espiruitual e se presta a tanta diferente gente que só lendo para entender o que busco dizer. Recomendo que imprima o texto, caso seja uma pessoa apressada, pois irá adquirir ótimos conhecimentos com a leitura do quarto passo. Tenha calma e concentre-se na leitura. Vá devagar, mas vá:


SEMINÁRIO SOBRE OS DOZE PASSOS DE A.A.

QUARTO PASSO.

“FIZEMOS MINUCIOSO E DESTEMIDO INVENTÁRIO MORAL DE NÓS MESMOS”.
Por: Emílio M.

01. O que, como entendi e pratiquei o Quarto Passo. Relato aqui a minha experiência pessoal e destaco alguns tópicos da literatura de A.A. e outras que considerei pertinentes. (Enumero os parágrafos para facilitar os debates nos Seminários).

02. Fazer o inventário de uma empresa é fácil. Até posso pagar um especialista para tal. Empenhar-me em meu próprio inventário, prefiro o termo pessoal ao moral, não é tão difícil, mas requer muito empenho pessoal. Ninguém poderá fazer isto por mim. Todavia posso pedir orientação para companheiros que já realizaram o seu. E estando muito bem alicerçado nos três Primeiros Passos, estou pronto para uma fascinante viagem, um mergulho profundo no meu passado. Em A.A. nada é obrigatório, mas o inventário pessoal, corajoso, destemido e minucioso é indispensável. Sem ele, qualquer empreendimento pode falir. A sobriedade, também esta é a pior falência que conheço.

03. Fui dotado de instintos naturais como: sexual, segurança material, social, fome, etc. Para viver bem e ser feliz, e não para sofrer com a deturpação dos mesmos. O álcool corrompe, potencializa e exacerba os instintos naturais, causando os defeitos de caráter ou pecados capitais. Identifico e tento dominá-los ou serei por eles dominado. Os defeitos de caráter são como o álcool, podem escapar ao meu controle.

04. “Contudo, estes instintos, tão necessários para a nossa existência, freqüentemente excedem bastante suas funções específicas. Fortemente, cegamente e muitas vezes simultaneamente, eles nos impulsionam, dominam e insistem em dirigir nossas vidas. Nossos anseios pelo sexo, pela segurança material e emocional, e por posição importante na sociedade, nos tiranizam com freqüência. Quase deturpados desta forma, os desejos naturais do homem causam-lhe grandes problemas aliás, quase todos os problemas que existem. Nenhum ser humano, por bom que seja, fica livre destas dificuldades. Quase todo problema emocional grave pode ser considerado como um caso de instintos deturpados. Quando isso acontece, nossas grandes qualidades naturais, os instintos, tornam-se empecilhos físicos e mentais. Suponhamos que uma pessoa ponha o desejo do sexo acima de tudo. Em tal caso, o impulso imperioso pode destruir sua oportunidade de obter a segurança material e emocional e também seu prestígio na comunidade. Outra pessoa poderá desenvolver tamanha obsessão pela segurança financeira que só quer se dedicar a amealhar dinheiro. Indo ao extremo, poderá se converter em avarento, ou mesmo em um recluso que se nega a conviver com a família e com os amigos. Cada vez que um ser humano se torna um campo de batalha para os instintos, não pode ter paz”.

05. A doença, alcoolismo é um problema social e não moral, mas bêbado eu cometia imoralidades. Este Passo não visa o estudo da moral, mas do autoconhecimento que é o melhor investimento para uma vida. “Conheça-Te A Ti Próprio!”; Propôs Sócrates. Eu ouso acrescentar: “ e melhore!”
“Conhece-te a ti mesmo... e conhecerás o universo de Deus! Quando conheceres a verdade sobre ti mesmo e a tua semelhança com o Criador, nada mais te atemorizará; e poderás caminhar com os teus próprios pés”.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

SPH


Anônimo disse...
Só por hoje me sinto melhor que antes; conforta-me saber que não preguei a desunião; revelei que nada de material me interessa; que humildade não é humilhação; que por os pés no chão, desnudados, me faz sentir melhor o chão e, assim, me sinto conectado à terra, sem devaneios;
Só por hoje me sinto contente por ter aconselhado alguém a ser mais compreensivo, mais flexivel, menos arrogante;
Só por hoje peguei o telefone para ajudar a unir pessoas e não a separar alianças sagradas;
Só por hoje não desagreguei, não joguei ninguém contra alguém...Só por hoje não cometi nehum ato de maldade, ou fui mesquinho.
Só por hoje percebi que o melhor da vida está em saber amar o próximo, como se este fosse eu próprio. 
Só por hoje não gerei solidão, não propaguei, como um papagaio, repetições enfadonhas, de textos mal interpretados. 
Só por hoje posso reconhecer o que me faz bem e o que me faz mal e, por isso mesmo, aprendi a reconhecer quem causa mal e quem faz o bem. Só por hoje eu fui inteiro, preguei a harmonia total. Só por hoje eu não me envolvi em discussões alheias, nem troquei o fel por o mel, sujando o relacionamento entre seres humanos, ou desfazendo a vida conjugal de quem quer que seja. 
Só por hoje eu sou feliz em saber que fazendo o bem, ao próximo, estou fazendo bem a mim mesmo. Só por hoje, resolvi dizer o que sinto e o que sinto é algo maior que eu, que você, que nós... Só por hoje eu me sinto mais eu mesmo, sem disfarce, sem o "sujeito oculto", sem interesses pérfidos... 
Só por hoje sinto a presença de Deus mais perto de mim e de quem dele precisa, bem mais que eu.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Renato Russo, Legião Urbana












Só Por Hoje
Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu espero conseguir
Aceitar o que passou o que virá
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz

Hoje já sei que sou tudo que preciso ser
Não preciso me desculpar e nem te convencer
O mundo é radical
Não sei onde estou indo
Só sei que não estou perdido
Aprendi a viver um dia de cada vez

Só por hoje eu não vou me machucar
Só por hoje eu não quero me esquecer
Que há algumas pouco vinte quatro horas
Quase joguei a minha vida inteira fora

Não não não não
Viver é uma dádiva fatal!
No fim das contas ninguém sai vivo daqui mas -
Vamos com calma !

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu não vou me destruir
Posso até ficar triste se eu quiser
É só por hoje, ao menos isso eu aprendi


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Titãs - Os cegos do Castelo

    
Os Cegos Do Castelo
Titãs
Composição : Nando Reis


Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim
Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim

Obs:  "A música fala do vício em cocaína injetável, os "espinhos que só causam dor". Os cegos do castelo são os companheiros de droga, aprisionados.
A segunda parte se refere aos efeitos colaterais da droga, a aversão ao sol e o provável assassinato do viciado.
A recuperação se dá pela construção de um novo lar, na rotina diária, como dizem as últimas estrofes"



domingo, 3 de abril de 2011

Prece: Poesia de Fernando Pessoa:



Somos quem Podemos Ser- Engenheiros do Hawaii



Engenheiros do hawaii - Era um garoto que como eu amava os beatles e os ...



Meu camarada, estou de volta para lhe dar algumas idéias, falou ? Sabe, sua geração é aquela "das antigas" que pregava a paz e o amor, do façamos amor, não a guerra, do é proibido proibir, do sexo livre, de um sonho de liberdade, de um tempo marcado pelo Rock an Roll, , de muitas loucuras, dos cabelos longos, da marijuana, que era um bicho de sete cabeças, fruto da histéria criada e fomentada pela propaganda ultra conservadora estadunidense, fortemente marcada pela lei seca e, contraditóriamente pelo alcoolismo. Compreendo o quanto havia de belo na geração anos 60/70, mas acabou, my friend!

Tudo mudou. Em alguns aspectos mudou para melhor, noutros para muito pior. A banda podre da nossa civilização gerou podres poderes, você conheceu o que é uma ditadura, passou por ela, cortou muitas ondas... Também mudou para melhor e, passado tanto tempo algo lhe tocou o corpo "a alma e o coração". Você é fera ferida, cara! 

Mas, meu camarada, você não ê palmatória do mundo, apenas deve fazer a sua parte em busca de uma humanidade mais humana. Não espere nada de bom de quem quer que seja e lembre-se que do céu, só a chuva e o sereno, além de raios e outras turbulências, e o que DEUS DÁ. 

Tempo bom, tempo ruim, cara! aceite a realidade e saiba viver com sobriedade."Louvando o que bem merece, deixe o que é ruim de lado", não deixe que lhe cortem o coração, nem queira ser um remendado coração... ainda que arrebentado, moído e dilacerado, você pode ser feliz. Ponha essa idéia na cabeça, seja feliz por fora e por dentro, nada de lhe enxergarem como um céu de brigadeiro enquanto é mera água de março. Sem auto-piedade. boa vontade, honestidade, mente aberta, com muita fé e esperança você vai chegando perto da própria libertação. Acorde e cante : sou livre, estou livre, assim sou, assim serei, livre com sobriedade!

Agora, meu camarada, acabe com essa compulsão. Deixe de se enfiar nas malocas, no breu das tocas, do mundo que não é o seu, do "não tem nada haver consigo", compreendeu? Viva e deixe viver e pare, definitivamente, de se permitir surtar, de se deixar levar, de fraquejar, de deixar que a insanidade lhe tome a posse das suas faculdades mentais, ou que qualquer droga lhe altere a personalidade. Veja se se toca meu chapa. Curta a vida numa boa. Saia dessa de auto-destruição. Cuide-se, recupere-se e lute para não recair. Reze, creia, ocupe a mente, trate-se, deixe os que desejam lhe ajudar funcionar como um poder maior... como um PODER SUPERIOR HORIZONTAL e entregue sua vida e suas vontades a um poder superior vertical. Anime-se, Deus lhe manda um forte abraço e uma legião de anjos da guarda para lhe guiarem pelas veredas do bem. Todo mundo sabe, cara, que você é do bem ! então tá...Força, raça e muita Fé.
FUI !


Estrela não tem flor


Se buscas uma flor

Que vive nas estrelas

Nunca chegarás a te-la

Pois estrela não tem flor

Apenas com poesia posso ter qualquer flor, não importa onde ela habite...

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