terça-feira, 4 de maio de 2010

Crack: depoimentos dramáticos de ex-viciados



Minha intenção ao reproduzir cartas e depoimentos e textos neste blog não é de me apropriar de nada, o meu objetivo é elastecer a malha que se constrói no mundo inteiro para uma nova consciência da questão das drogas e os maleficios que as mesmas causam aos usuários. 
É importante lermos estes depoimentos, como é importante citarmos a fonte de onde o colhemos. 
Se multiplicarmos a teia anti-drogas e conseguirmos atingir um número muito maior de pessoas, sem nos determos a faixas etárias, grupos sociais, étinicos, religiosos e políticos, estaremos ampliando o horizonte, mais otimista, para quem quer vencer a prolifração de drogas e a autodestruição que está em curso crescente, na atualidade.

Drogas como o crack já chegou a classe alta e não se restringe mais à classe média. 

Esta droga diabólica é o "beijo da morte" e só os que a utilizaram podem revelar como é a vida de um viciado em crack, a pior das drogas, no momento. 
Estão surgindo outras novas drogas, não se iludam, mais letais que estas que levam pessoas ingênuas, curiosas muitas vezes, a experimentar e a partir daí transformar-se em um prisioneiro, fisgado que foi, caindo numa armadilha infernal. 
Então ler o que as pessoas que usaram esta droga e outras, com menor poder de viciar e causar dependência química, é importante. 

Assim sendo, passo a transcrever o que pude coletar no site 


que recomendo seja visitado e lido. E que propaguem as idéias corretamente sem cair nos equívocos de propagandas anti-cientificas, como acontece na Bahia. Certas propagandas só ajudam a aumentar o número de vítimas dessa droga infernal, além de fomentar um aumento da violência. Então vamos lá:

 
Drogas





Confissões de quem
saiu do inferno
O crack, antes usado apenas por marginais e menores
de rua, agora chega à classe média. 
Depoimentos
dramáticos dos que conseguiram abandonar o vício

Leandro Narloch

 




                                                                                


 O CRACK
Ao chegar ao Brasil, no começo dos anos 90, o crack se tornou um flagelo entre marginais, mendigos e menores de rua. São esses os personagens que aparecem deitados nas calçadas, como molambos, nas cracolândias que floresceram em áreas degradadas das grandes cidades. 

Como custa pouco, menos de 5 reais a dose, a droga disseminou-se entre os desvalidos. 

Agora, a sedução perversa do crack começa a fazer vítimas também na classe média. Lastimavelmente, esta realidade talvez tenha sido o elemento motivador da luta que ora se empreende no combate efetivo a esta droga tão devastadora.
   
O consumo do crack entre a população mais abastada ainda não transparece nas pesquisas dos órgãos de saúde porque, na tabulação dos dados, ele está quase sempre na mesma classificação da cocaína, da qual é uma versão inferior e mais tóxica. Mas, na avaliação dos médicos que cuidam dos viciados em drogas nos hospitais e clínicas de recuperação, tanto públicas quanto particulares, não há dúvida de que o crack subiu degraus na escala social. 

O contingente de pessoas que usam crack no país ainda é bem menor do que aquele que usa maconha ou cocaína. Mas as pequenas pedras brancas têm um efeito tão devastador, e viciam tão rapidamente, que em muitas instituições já respondem pela maioria das internações de pacientes.

"O crack está por trás de 80% das nossas internações", diz o psiquiatra Marcelo Machado, do centro Recanto Paz, em Pernambuco, onde o tratamento de seis meses custa 8 000 reais. "Estudantes de faculdades particulares, advogados, publicitários e até médicos são as novas vítimas dessa substância", afirma o médico Luiz Alberto Chaves de Oliveira, presidente do Conselho de Drogas e Álcool de São Paulo e diretor da clínica Vitória, em Embu, na Grande São Paulo, que cobra em média 9.000 reais por mês por uma internação. 

A seção gaúcha da Organização Amor-Exigente, uma rede de 500 grupos espalhados pelo país que dá apoio a famílias de dependentes, contabiliza que, em 2003, o crack representava 25% dos pedidos de ajuda entre álcool, cocaína e maconha. Hoje, ele está por trás de 73% dos chamados. 

No Centro Terapêutico Viva, um dos maiores do interior de São Paulo, localizado em Piedade (14.000 reais por quatro meses de tratamento), os pacientes devastados pelo crack chegam a 95% dos internos.

O crack é a cocaína em forma de pedra, feita para fumar em cachimbos. 

Os traficantes misturam a droga com outras substâncias, como o bicarbonato de sódio. "Para aumentarem o volume, adicionam também cal e anestésicos como a lidocaína", informa o delegado Luiz Carlos Magno, do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) de São Paulo. A mistura é fervida e depois filtrada, transformando-se em pequenas pedras brancas do tamanho de uma pipoca. 

Quando queimada num cachimbo, a pedra emite pequenos estalos – daí o nome "crack". Ao ser fumada, a droga atinge os pulmões e entra na corrente sanguínea instantaneamente, chegando ao cérebro em poucos segundos – ao contrário da cocaína em pó, que leva cerca de dez minutos para fazer o trajeto. O efeito também é muito mais forte. 

O crack bloqueia a absorção natural da dopamina, o neurotransmissor que dispara no cérebro a sensação de prazer. Com excesso da substância entre os neurônios, surge uma sensação imensa de euforia e onipotência. Quando o efeito passa, vem a depressão – e, com o uso freqüente, as reações paranóicas. Como a dopamina é o principal regulador do sistema de prazer e recompensa, o crack vicia rapidamente.

Para quem tem dinheiro no bolso, o crack é ainda mais perigoso. São comuns os casos de viciados que pagam a droga com bens roubados da família ou forçam os pais a pagar suas dívidas com os traficantes alegando que correm risco de vida. 

Muitas vezes, quando as fontes que financiam a droga secam, o viciado recorre a outras práticas ilícitas. "Eu, que sempre estudei em colégios particulares, de repente me vi assaltando com uma faca na mão para comprar pedras", diz o estudante de marketing L., 21 anos, de Fortaleza, livre do vício há um ano e dois meses. "O mais impressionante é que, ao assaltar, não pensava estar fazendo algo errado. Lutar para conseguir pedras parecia tão natural e correto como procurar comida para saciar a fome", ele completa.

Sob o domínio do crack, muitos viciados se isolam e viram – mesmo que temporariamente – indigentes. Ao contrário do que ocorre com a maconha ou a cocaína, o crack torna impossível manter relações com o círculo de amigos, no trabalho ou em casa. 

A degradação se dá em poucas semanas. Primeiro, o viciado emagrece rápido, já que a cocaína inibe o apetite e provoca náuseas diante da comida. Depois, passa dias sem dormir e perde até mesmo a vontade de tomar banho. Esquece-se de que existem horários e regras. 

Como o crack age como anestésico, queimam-se a boca e o nariz ao fumar, sem que se perceba. "É comum que as mulheres dependentes se prostituam por qualquer valor só para comprar as pedras, contraindo doenças sexuais rapidamente", diz a médica Solange Nappo, professora de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que estudou as práticas de oitenta viciadas em crack de São Paulo. 

Um levantamento da Universidade Estadual de Campinas, feito no ano passado, mostrou que 7% dos usuários de crack têm o vírus HIV – índice dez vezes maior que o da população em geral.

"É verdade que o crack é a droga preferida de mendigos e prostitutas, mas isso acontece também porque ele transforma estudantes e trabalhadores comuns em mendigos e prostitutas", afirma Solange.

À medida que o consumo de crack progride, chega a fase das reações paranóicas. O viciado acha que está sendo perseguido e tem pensamentos obsessivos – vem daí o apelido de "nóias" que esses dependentes carregam. 

Quando passou por isso, a estudante paulista de psicologia M., 31 anos, livre da droga há três, não conseguia manter as janelas de casa abertas. Diz ela: "Eu realmente achava que estavam me espionando pela janela ou pelas frestas da porta. Também ouvia sirenes da polícia e passava horas rastejando, procurando no chão e no meu carro algum resto de pedra que pensava ter derrubado". 

Com sentimentos psicóticos, os viciados se tornam mais desconfiados e se enfurecem com maior facilidade, protagonizando cenas de violência gratuita. 

Passada a depressão que se segue à paranóia, chega o melhor momento de largar o vício. 

"Quando me vi na favela, sem pedras e depois de ter vendido até os brinquedos do meu filho para comprar crack, saí correndo para a casa da minha mulher. Corri uns 10 quilômetros descalço, com bolhas no pé, e disse a ela que precisava de ajuda", conta F., corretor de imóveis de Belo Horizonte, que passou três anos consumindo a droga.

A dependência química é uma enfermidade reconhecida pela Organização Mundial de Saúde. 

Ainda não há tratamentos ou remédios que impeçam que o dependente tenha recaídas. 

Nas clínicas, o viciado geralmente toma antidepressivos ou ansiolíticos e passa por sessões de auto-ajuda para que consiga escapar da "fissura", a vontade de voltar à droga. 

"Em média, apenas 30% dos dependentes de crack permanecem na abstinência por mais de um ano", calcula o psiquiatra André Malbergier, do Hospital das Clínicas de São Paulo. 

A internação, pelo menos, afasta o viciado dos pontos de compra de crack e alivia temporariamente o tormento constante pelo qual passam seus familiares. 

Nos centros de internação involuntária, como o paulista Viva, de Piedade, muitas vezes os dependentes chegam amarrados – último recurso usado pela família para conduzi-los ao tratamento. Como numa prisão, agentes de segurança vigiam portões e muros de 4 metros de altura.

Os jovens que conseguem sair do vício são os que percebem que estão muito doentes e têm de se tratar. 

"O viciado já dá um passo à frente quando sabe que precisa de ajuda", diz a médica Cláudia de Oliveira Soares, que lida com dependentes químicos há catorze anos. 

A força de vontade e o apoio familiar são essenciais quando o dependente volta para casa. Diz o dentista C., de São Paulo, livre da droga há três anos: "Durante oito ou nove meses, não passei um minuto sozinho. Percebi que precisava dos outros e ainda preciso. Um dia você decide se livrar do crack, mas permanece dependente a vida toda. O pesadelo do crack não tem fim".

 







Apagão ao volante

"A ficha caiu quando sofri um acidente de carro. Estava virada, sem dormir, fazia quatro dias. Peguei o carro para ir comprar crack, mas não andei nem 100 metros e sofri um apagão. Dormi ao volante. Fiquei cinqüenta dias com os dois braços enfaixados e o rosto cheio de feridas por causa dos estilhaços do vidro. Já havia sido internada algumas vezes, mas sempre soube que voltaria à droga. Fazia meus pais pagar minhas dívidas dizendo que, do contrário, seria morta pelos traficantes. Em troca, eu ficava um tempo na clínica de recuperação. De uma delas, fugi pulando o portão. Com o acidente, percebi que tinha de me livrar daquilo. Agora estudo, luto para recuperar a guarda dos meus filhos e quero montar um grupo de apoio só para mulheres dependentes. Elas precisam perder o medo de procurar ajuda."
M., 31 anos, estudante de psicologia de São Paulo, livre do crack desde 2005

 






O salário virou fumaça

"Ainda hoje tenho pesadelos nos quais estou fumando crack. Acordo assustado e com raiva de mim mesmo. Não quero passar por aquilo de novo. Na fase pior, gastava todo o meu salário com a droga. Eu, que sempre ganhei tudo do bom e do melhor de meus pais, cheguei a roubar as coisas de casa para fumar crack. Vendi até Tupperware em troca de pedras. Quando meu pai disse que não me queria mais em casa, decidi pedir ajuda. Fiquei mais de um ano numa clínica de recuperação. Nesse tempo, percebi que o meu maior vício não eram as drogas, e sim pensar só em mim. Para me livrar do crack, tive de virar outra pessoa. Hoje, penso que o meu crescimento pessoal só é relevante se eu ajudar os outros a crescer. Consegui, assim, voltar para a casa dos meus pais, para o meu trabalho e estou namorando firme. Aos poucos, reponho os aparelhos eletrônicos que tirei de casa."
Fabio Bakun Nóbrega de Albuquerque, representante comercial do Recife, 29 anos, em abstinência desde 2006.

M., 31 anos, estudante de psicologia de São Paulo, livre do crack desde 2005

 




Choro e desespero

"O conjunto de som e DVD do meu carro valia 7 000 reais. Um dia, troquei-o por 300 reais de crack. Como minha família é de classe média alta, não precisei fazer dívidas quando me enterrei nessa droga, mas roubei CDs, filmadora, todos os eletrônicos de casa. Quando você está louco de crack, não se importa com nada disso. O que importava era sair correndo para comprar pedra. Até essa época, eu nunca tinha visto meu pai chorar. Uma noite, quando cheguei transtornado em casa, ele me chamou num canto e desabou no choro. Perguntava: ‘O que eu preciso fazer pra você parar com isso?’. Foi ali que decidi parar de usar crack. Tive de romper com todos os amigos que me levavam à droga e passei quase um ano inteiro indo à faculdade e voltando para casa sem olhar para os lados. Hoje, eu e meu pai, que também é dentista, trabalhamos juntos no mesmo consultório."
C., dentista de São Paulo, 25 anos, livre da droga há três

Sem droga e sem crédito
"Meu sonho sempre foi trabalhar na empresa do meu pai, uma metalúrgica no interior de São Paulo que ele fundou há quarenta anos. Mas, quando cursava a faculdade de administração, comecei a cheirar muita cocaína. Ao conhecer o crack, foi amor à primeira vista. Quando minha família começou a controlar meu dinheiro, evitando que eu comprasse mais cocaína, decidi partir para o crack. No início, tinha medo de ficar como os mendigos que aparecem na televisão. Misturava crack com maconha pensando que assim o cigarro ficaria mais fraco. Um mês depois, já estava na droga pura. Como meu pai tinha crédito na cidade e todos me conheciam, conseguia dinheiro com facilidade. Quando perdi o crédito, me bateu um desespero e aceitei ser internado. Desde então, venho tentando largar a droga, mas com recaídas. A última foi há seis meses. Independentemente de quantos tombos a droga me deu, preciso me levantar e tentar de novo."
Thiago Pires de Camargo, administrador de empresas de Santa Bárbara d’Oeste (SP), 30 anos, longe do crack há seis meses.


 

Carta de um ex-drogado

Rio de Janeiro - RJ, 06 de outubro de 2009.
Caro Amigo,     
Essa Carta resume todas as lutas e sofrimentos que passei durante os últimos 10 anos como usuário de drogas. Ela foi escrita com o objetivo de prevenir outras pessoas, especialmente adolescentes e jovens, para evitarem esse caminho de dor e tristezas.      Meu primeiro contato com as drogas iniciou quando eu tinha apenas 12 anos de idade e cursava o Ensino Fundamental. No intervalo das aulas, um amigo se aproximou com um papo sorrateiro me estimulando a experimentar um cigarrinho de maconha.  A princípio achei aquilo um pouco estranho, mas ele argumentava que aquilo não fazia mal, e que depois quando eu quisesse poderia simplesmente parar de fumar. Assim, sem muitos questionamentos acabei entrando na dele.  Confesso que aquele primeiro contato com a erva foi bem legal. E, desse contato inicial, foram cerca de dois anos usando continuamente com os amigos, especialmente, nos intervalos das aulas.  Com o tempo o consumo foi-se tornando mais freqüente, até que num determinado dia não tinha mais tanta graça fumar maconha com os amigos da escola. Depois de certo tempo de uso contínuo a maconha perde efeito, e passei a querer uma quantidade cada vez maior. Isso me levou a querer experimentar uma coisa diferente, algo mais forte e desafiador. Foi aí que teve início minha derrocada.      Aos 15 anos de idade já era um usuário dependente. E, antes de completar os 16 anos comecei a vender cigarros de maconha e papelotes de cocaína para outras pessoas, tornando-me assim mais um traficante na escola.      Com o tempo passei a ser dominado pelos narcóticos. Por vezes permanecia sem consumir e os efeitos da abstinência me torturavam de tal forma que acaba retornando ao uso recorrente.      Nessa fase conseguia ficar algumas semanas sem fumar maconha, mas a falta da cocaína me dava uma depressão gigantesca, o que me fazia sentir apatia, sonolência, dores musculares e até pensar em suicídio.  Ficava o tempo todo irritado, nervoso e era grande o meu entorpecimento intelectual. Não tinha rendimento nenhum nos estudos e passei a ter um comportamento agressivo em casa, na escola e na rua também.  Aos 18 anos apresentava um quadro de dependência crônica, pois estava consumindo álcool, cigarros e outras diversas drogas de forma desregrada. Dessa forma, com o uso sistemático acabei sofrendo diversos efeitos colaterais, chegando ao caso extremo de sofrer problemas circulatórios e respiratórios. Foi assim que num dado momento tive uma overdose.      Poucos usuários sobrevivem à uma overdose sem sequelas graves. Tenho plena convicção que só sobrevivi por pura sorte, e por ter contado com apoio de amigos e familiares que me internaram numa clínica especializada para tratamento de drogados.  Dessa forma, passei 4 anos em tratamento que envolveu a aplicação de técnicas psicológicas e educativas para a consecução de uma abstinência das drogas a longo prazo.      Tudo isso foi muito duro e, hoje, aos 22 anos, vejo com tristeza que perdi parte de minha vida. Isso me faz querer atuar de forma intensa para que outras pessoas não passem pelo mesmo sofrimento que tive.       Por isso, fiz essa Carta, para aconselhar todas as pessoas a não se embrenharem nessa vida. Os traficantes não são amigos de ninguém; eles não têm escrúpulos e só pensam no lucro sujo do tráfico. Eles não se importam se a sua vida vai para o buraco, pois só querem o seu dinheiro.   Tenha certeza disso, meu amigo, os traficantes não se preocupam com a sua saúde, por isso fecham os seus olhos para as coisas boas da vida e te guiam para o abismo.      Se você não estiver atento, vai acabar com sua vida, tornando-se mais uma vítima do narcotráfico.  Diga não às drogas !!!    
 Joaquim Cruz

sábado, 1 de maio de 2010

SEGUNDO E TERCEIRO PASSO

Segundo Passo


Após quebrar todas essas negações/mecanismos de defesa, nós temos que dar um segundo passo, que é justamente um passo relacionado com a auto-estima.

Não sei se vocês já perceberam que nos passos de A.A. / N.A., eles promovem o dependente e o familiar. Por que o familiar deixou ter nome, não é? Não é mais fulano de tal ou o cicrano de tal, é aquela louca mãe de fulano. O D.Q. deixou de ter nome: é o pipador, o bombeiro, o nóia, o pudim de cachaça... Ele deixou de ter nome, na rua quem bebe, bebe porque é sem vergonha; quem se droga se droga por que é marginal, essa é a nossa realidade. Dentro dos passos de AA / NA existe uma promoção.

O segundo passo diz: Viemos a acreditar que um poder maior do que nós poderia devolver-me a sanidade, ou a saúde. Nós só podemos devolver a saúde para quem? Para quem não há tem, quem não tem saúde é um doente, isso faz parte da sabedoria popular. Em 1935 a organização americana de saúde considerou o alcoolismo como doença, em 1977 a OMS (organização mundial saúde) considerou a dependência química como doença, dependência de outras substâncias que alteram uma ou mais funções no cérebro.

Então 30 anos antes da medicina o A.A. entrou com a sabedoria popular, então ele é promovido de sem vergonha para doente, de marginal para doente, de louca para doente. Por que nós não podemos aproveitar essa promoção e agarrar isso de todas as formas para que a gente possa ter um outro direcionamento de vida?

Porque a pergunta que se faz: onde foi que eu falhei para que acontecesse isso comigo? Onde foi que eu  errei para que não pudesse controlar o álcool ou a droga? Aí começo a atribuir: bem não consigo controlar  porque estão misturando alguma coisa na cachaça, não consegui controlar porque a droga não é pura.

Na realidade é um processo orgânico, chamado tolerância, esse processo orgânico simboliza o seguinte: hoje para você obter determinado efeito você toma uma dose, amanhã para obter o mesmo efeito você tem que tomar duas doses, depois de amanhã três doses, isso é chamado de tolerância.

No momento em que se instala a dependência a tendência dessa tolerância é de queda. Muitas vezes você vê isso no alcoólatra: ele está trêmulo de manhã, tomou uma... Passa a tremedeira, mas também fica ruim, chapado. Eu conheci pessoas que morreram de overdose e que não chegaram a usar uma grama de cocaína.

Então existe todo esse processo físico de tolerância, essa tolerância pode ser simbolizada por um pico ascendente de consumo e quando se instala a dependência, a tolerância vai caindo; pois da fase de uso inicial até a instalação da dependência existe o prazer físico, mas a partir do pico mais alto será só a manutenção da dependência, onde o D.Q. vai usar para não experimentar a síndrome de abstinência.

E o que é síndrome de abstinência? É o desconforto causado pela ausência da droga/álcool, podendo variar de insônia, tremores, alucinações até morte neuronal.

E se tratando de uma doença eu tenho que estar atento a questão da auto-estima, não houve falha nenhuma, não houve erro nenhum de minha parte e sim a predisposição orgânica em desenvolver a tolerância pela droga / álcool que culminou com a instalação da dependência. Esse processo é um processo seletivo. Existem estudos científicos que comprovam a existência de um componente genético nesse processo.

Então para isso eu preciso voltar a acreditar num Deus, acreditar em mim, num Deus que eu digo seria um poder superior a nós, porque aí entram também os papéis que nós vivemos dentro da dependência. 

Nós vivemos um papel muito comum, nós não vivemos o papel de Deus, nós vivemos o papel de irmão de Deus, tanto o D.Q. quanto o familiar; o familiar "chega perto de Deus e bate no ombro de Deus e diz : Deus tira ele do meio daquelas companhias que está levando ele para o buraco"; dando conselhos a Deus na cara dura, ou não? O dependente é a mesma coisa, chega perto de Deus e diz: Deus modifica minha mãe, meu pai, modifica fulano, Deus me ajuda arrumar dinheiro, eu estou sem dinheiro para pagar o bar, o traficante; sempre dando conselhos a Deus; tanto o DQ quanto o familiar. 

É esse o papel que nós temos que abandonar para podermos caminhar com nossas próprias pernas e aí entra o...


Terceiro Passo



O terceiro passo é um passo de decisão. Só que a partir de agora nós não podemos tomar uma decisão, somente uma decisão isolada, nós temos que tomar uma decisão em conjunto com uma ação, porque se não nós vamos ficar parados da mesma forma que nós estávamos há algum tempo atrás.

Eu decidi um monte de coisas e não coloquei nada em prática, tanto o D.Q. quanto o familiar..., é aquela história: amanhã eu paro..., amanhã eu faço. Para aqueles que estão dentro da programação de A.A. / N.A., NARANON / ALANON, o terceiro passo é isso: tomar uma decisão é colocar em ação, aquilo que eu posso fazer hoje, eu faço, o que eu não posso eu vou colocar no meu arquivo e deixar para quando chegar o momento. O terceiro passo é uma forma fácil de trabalhar a ansiedade..., se deixar a ansiedade um pouquinho de lado para ver qual é a nossa realidade. A realidade do familiar é que ele tem um elemento / pessoa doente dentro de casa que precisa de ajuda, a realidade do familiar e que ela está tendo comportamentos que não são próprios de uma pessoa da idade dela e que ela familiar precisa de ajuda também. A realidade do dependente é que eu / ele precisa de ajuda, e nessa hora eu não posso escolher a cor da bóia, eu estou me afogando e não sei nadar. Se jogarem uma bóia branca em digo, não eu não quero a bóia branca, eu quero a amarela. Não é hora de escolher o tipo de ajuda que eu posso receber, eu tenho que me agarrar nessa ajuda de AA / NA.

Esse tipo de procedimento, essa decisão juntamente com a ação traz de volta o direito de eu pensar o que é bom para mim e o que não é bom para mim; o que eu tenho condições de fazer agora e o que eu não tenho condições de fazer agora. 


Esse processo nós temos que começar a cultivar, nós temos que começar de alguma forma já colocar em pratica.

Esse terceiro passo é o passo da estruturação, é o passo que eu preciso pensar aquilo que eu tenho para decidir, eu não posso decidir pelo impulso, eu não posso decidir pelo simples fato da birra; eu quero fazer e fim de papo; não saber nem porque quer fazer; é próprio de um comportamento infantilizado que muitas vezes o familiar tem e o dependente também tem; fazer birra chega ao ponto muitas vezes dessa birra se refletir dentro de salas de mútua ajuda: 
- onde já se viu o fulano ir com a camisa do São Paulo na reunião, se apegando a coisinhas tão pequenas somente para não se focalizar dentro da sua própria recuperação. 


É uma maneira delas se olharem no espelho de costas, ela quer se enxergar no espelho, mas vira as costas para o espelho, porque dentro da sala, dentro de um grupo de mútua ajuda é necessário que eu passe a olhar para as pessoas para que as pessoas percebam como é que eu estou me sentindo e eu possa também perceber de que forma que eu possa estar ajudando estas pessoas, para que isso também possa - essa decisão e ação possam ser cultivadas com mais facilidade eu preciso de um...
"Não somos responsáveis pela nossa doença, mas somos responsáveis pela nossa recuperação"


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Reunião virtual- GRUPO ESPERANÇA DE NARCÓTICOS ANÔNIMOS

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