Blog dedicado aos adictos que não querem morrer nas garras da adicção e a todos aqueles que vivenciam e vivenciaram problemas relacionados com dependência química. É mais um espaço independente, aberto para codependentes, membros das irmandades A.A., ALA-NON, N.A. NAR-ANON, profissionais da área de saúde e outros grupos de auto-ajuda. É destinado a quem vive um dia de cada vez. Só Por Hoje é nosso lema!
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
SINTONIA FINA: Por trás da ação na Cracolândia, eleições e especu...
SINTONIA FINA: Por trás da ação na Cracolândia, eleições e especu...: Juliana Sada A ação da prefeitura e do governo de São Paulo na chamada Cracolândia completa oito dias sob intensa contestação. Promot...
Dependência de nicotina
Drauzio Varella
Nicotina é uma droga que anda com péssimas companhias. Pouco contribui para as doenças causadas pelo cigarro, deixa o serviço sujo por conta das centenas de substâncias tóxicas resultantes da queima do fumo, inaladas ao mesmo tempo.
É ela, entretanto, a responsável pela dependência química que escraviza o usuário. Não existisse nicotina nas folhas de fumo, o cigarro daria tanta satisfação quanto fumar um pé de alface.
Na coluna de hoje, leitor, vou explicar porque 80% dos que tentam livrar-se dessa droga fracassam já no primeiro mês de abstinência e porque míseros 3% permanecem abstinentes depois de um ano.
O cigarro é um dispositivo projetado para administrar partículas de nicotina dispersas na fumaça. Absorvida nos alvéolos pulmonares, a droga cai na circulação e chega ao cérebro em velocidade vertiginosa: 6 a 10 segundos.
Sabe Deus por que capricho, os neurônios de algumas áreas cerebrais possuem pequenas antenas (receptores) às quais a nicotina se liga. A ligação com os receptores abre canais na membrana desses neurônios, através dos quais transitarão diversos neurotransmissores, substâncias que interferem com a intensidade dos estímulos que trafegam de um neurônio para outro.
Um deles é a dopamina, mediador associado às sensações de prazer e à compulsão que nos faz repetir as experiências que as proporcionaram, sejam sexuais, gustativas ou induzidas artificialmente por drogas psicoativas como cocaína ou maconha.
A nicotina induz prazer e reduz o estresse e a ansiedade. O intervalo entre as tragadas é ajustado na medida exata para controlar a excitação e o humor. Fumar melhora a concentração, a prontidão das reações e a performance de algumas tarefas. A simples manipulação do maço, o gosto, o cheiro e a passagem da fumaça pela garganta são suficientes para trazer bem estar ao dependente.
A razão mais importante para esses benefícios é o simples alívio dos sintomas da síndrome de abstinência. Das drogas conhecidas, nenhuma causa abstinência mais avassaladora: irritabilidade, agitação, mau humor, ansiedade crescente e anedonia, a incapacidade de sentir prazer.
A exposição repetida dos neurônios à nicotina dispara o mecanismo de tolerância ou neuroadaptação, por meio do qual o número de receptores aumenta em suas membranas. Como consequência, para experimentar o mesmo prazer do principiante o cérebro passa a exigir doses cada vez mais altas. Negar-se a fornecê-las é cair no inferno.
A repetição diária de crises de abstinência alternadas com a felicidade de ficar livre delas leva o cérebro a associar os efeitos agradáveis da nicotina com certos ambientes, situações e momentos específicos. Esse conjunto de fatores é responsável pelo condicionamento que obriga a acender mecanicamente um cigarro antes mesmo da necessidade consciente de fazê-lo.
Estados de humor desagradáveis, ansiedade e irritação de qualquer origem são lidos pelo cérebro como falta de nicotina e urgência para fumar.
Estudos realizados com irmãos gêmeos mostram elevado grau de predisposição genética envolvido na aquisição da dependência, nas características dos sintomas de abstinência e até no número de cigarros fumados por dia.
O comportamento das mulheres fumantes é mais influenciado pelo condicionamento e pelos estados de humor negativos; o dos homens, mais pelos estímulos farmacológicos da droga. Os homens regulam as doses de nicotina inaladas com mais precisão e conseguem parar de fumar com menos sofrimento.
Primariamente, a nicotina é metabolizada por uma enzima do fígado (CYP2A6). Pessoas nas quais essa enzima apresenta atividade reduzida, mantém a droga mais tempo em circulação e tendem a fumar menos. Metabolizadores rápidos precisam fumar mais, apresentam sintomas de abstinência mais intensos e encontram maior dificuldade para largar do cigarro.
Droga maldita. Não conduz a nenhum nirvana, não desperta fantasias psicodélicas nem traz sensação de felicidade plena. O que faz o fumante cair nas garras do fornecedor é o condicionamento associado à sucessão dos sintomas de abstinência aplacados imediatamente pelo cigarro seguinte. Fumar se torna condição sine qua non para sobreviver com dignidade.
Fonte: Drauzio Varella
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Abstinência também mata
De acordo com o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, é raro, mas a abstinência pode matar.
“Durante a abstinência, a pressão pode aumentar, a pessoa pode ter taquicardia, tremores, ficar ansiosa, suar frio”, diz Andrade. “O grau máximo da abstinência é chamado de delirium tremens, em que o paciente passa a ter crises convulsivas.” O Delirium tremens pode ocorrer quando uma pessoa interrompe o consumo de álcool depois de beber por muito tempo. A falta de alimentação também pode agravar a situação. Segundo o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, é mais comum em pessoas que tomam entre 4 e 5 doses de vinho ou até oito doses de cerveja por dia - durante vários meses. De acordo com Ana Cecília Marques, da Associação Brasileira do Estudo do Álcool e Outras Drogas, em torno de 5% dos pacientes podem desenvolver essa síndrome de abstinência grave.
Entre os sintomas, os pacientes podem sentir medo, sofrer alucinações, convulsões, dores no peito, febre e vômito. Em geral, esses sinais aparecem a partir de 72 horas após a retirada total do álcool do organismo. Estudos sugerem, porém, que eles podem ocorrer entre 7 e 10 dias após a última dose ingerida. Depois desse período, os sintomas pioraram progressivamente. “Quando essas pessoas param de beber, acontece um ‘caos químico’ no sistema nervoso central. Além de alucinações e convulsões, o paciente também apresenta alterações no sistema cardiovascular e no sistema respiratório”, diz Ana Cecília Marques. “Antes, o cérebro do paciente havia desenvolvido uma tolerância ao álcool. Sem ele, tudo deixa de funcionar como deveria. A pessoa pode morrer por falência.”
Arthur Guerra de Andrade explica que, em casos de crise de abstinência séria, o paciente deve procurar um serviço de emergência, onde será atendido numa Unidade de Terapia Intensiva que tratará os sintomas com medicamentos anticonvulsivos, calmantes, entre outros. Sem a ajuda de um médico, segundo Ana Cecília Marques, dificilmente o paciente sobrevive.
Para quem deseja parar de beber, os médicos indicam a interrupção total da bebida alcóolica. A decisão, porém, deve ser acompanhada de perto por um especialista, capaz de controlar sintomas de uma possível complicação, como é o caso da síndrome de abstinência grave. O pai de Amy, Mitch Winehouse, disse que sua filha lutava contra o álcool havia anos e, quando morreu, estava completando três semanas sem beber. O resultado do inquérito sobre a morte da cantora britânica deve ser conhecido no dia 26 de outubro.
Almas Mortas de Pedro Khima
Se um outro que não este rosto me vingar,
Se em algo mais a nova rota falhar.
Ver para além de mim,
Sem me livrar de mim.
Se uma mentira fosse um prazer carnal,
Quanto eu perdi.
Se por rasteira do silêncio me engoliu,
Se por acasos do mistério sorriu.
Ter o ciúme em mim,
Ter o ladrar em mim.
Se uma mentira fosse um prazer carnal,
Como eu caí,
E o mundo pedi em voz de quem perdeu.
Sobe e rasga o sonho,
Diz-me que tudo é mentira,
É fantasia,
Uma sombra para não mais lembrar,
Vá se lá saber.
Se de alma morta de inveja se vingou,
Se de arma sóbria de sentido matou.
Sem duvidar de mim,
Sem respirar por mim.
Se uma mentira fosse um prazer carnal,
Como eu caí,
E o mundo pedi em voz de quem perdeu.
Se em algo mais a nova rota falhar.
Ver para além de mim,
Sem me livrar de mim.
Se uma mentira fosse um prazer carnal,
Quanto eu perdi.
Se por rasteira do silêncio me engoliu,
Se por acasos do mistério sorriu.
Ter o ciúme em mim,
Ter o ladrar em mim.
Se uma mentira fosse um prazer carnal,
Como eu caí,
E o mundo pedi em voz de quem perdeu.
Sobe e rasga o sonho,
Diz-me que tudo é mentira,
É fantasia,
Uma sombra para não mais lembrar,
Vá se lá saber.
Se de alma morta de inveja se vingou,
Se de arma sóbria de sentido matou.
Sem duvidar de mim,
Sem respirar por mim.
Se uma mentira fosse um prazer carnal,
Como eu caí,
E o mundo pedi em voz de quem perdeu.
O Paradoxo de Nossos Dias
O paradoxo de nossos dias é que temos prédios cada vez mais altos, mas nossa auto-estima é cada vez mais baixa; estradas largas, mas pontos de vista estreitos; gastamos mais, mas temos menos; e quanto mais compramos, menos apreciamos o que já tínhamos.
Temos casas maiores, e famílias menores; mais conveniência, mas menos tempo; mais diplomas, mas menos bom senso; maior conhecimento, mas menor julgamento; mais especialistas, e mais problemas, mais remédios, e menos bem-estar.
Bebemos muito, comemos mais ainda, gastamos sem ponderação; rimos muito pouco, dirigimos muito rápido, ficamos zangados tão facilmente; ficamos acordados ate tarde, quando muitas vezes precisamos levantamos cedo; lemos pouco, assistimos muita televisão, e quase não oramos.
O paradoxo de nossos dias é que multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Falamos muito, amamos raramente, e odiamos freqüentemente. Aprendemos a como sobreviver, mas não viver; adicionamos anos a nossa vida, e não vida aos nossos anos.
Somos capazes de ir para a lua e voltar, mas temos dificuldade de atravessar a rua para conversar com o nosso vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não o espaço interior; fazemos coisas maiores, que muitas vezes não são as melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dividimos o átomo, mas não nosso preconceito.
Escrevemos mais, e aprendemos menos; quanto mais planejamos, menos executamos. Aprendemos a correr, mas não a esperar; temos rendas maiores, muitas vezes com uma moral menor; temos cada vez mais computadores, mas menor comunicação verdadeira entre nós; nos tornamos especialistas em quantidade, mas deficientes em qualidade.
Estes são tempos de “fast-food” e digestão demorada; homens grandes, e caráter pequeno. Tempos de paz mundial, mas guerra doméstica; mais entretenimento, mas menos alegria.
O paradoxo de nossos dias é que construímos casas cada vez mais belas, quando ao mesmo tempo destruímos nossos lares. Vivemos dias de viagens cada vez mais rápidas, fraldas descartáveis, moralidade sem valor, relacionamentos de uma noite; e que para sobreviver a tudo isso alguns tomam pílulas que agem de diferentes formas: algumas alegram, outras acalmam, e algumas outras matam.
Vivemos em um momento que nos preocupamos muito com a nossa vitrine, quando muitas vezes não temos nada no estoque; um momento em que você pode tanto fazer a diferença, ou simplesmente fingir que nada está acontecendo …
(Escrito por Dr. Bob Moorehead. Traduzido e adaptado por Kleber O. Gonçalves.)
A depressão e o uso de drogas
São Paulo, 19/2/2007
Por Leandro Fortino
DEPRIMIDOS PROCURAM ALÍVIO NAS DROGASFerramentas feitas por macacos há 4.300 anos foram achadas na Costa do Marfim. Achado é a mais antiga evidência preservada de comportamento primata e o primeiro sítio arqueológico não-humano descobertoA depressão pode levar o adolescente ao consumo de álcool e drogas. É o que mostra um recente estudo feito pelo psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes) da Unifesp, com 400 adolescentes, entre 14 e 19 anos, com problemas com álcool e drogas.
Intitulado "Depressão na Adolescência e o Consumo de Drogas", o trabalho mostrou que 44% desses jovens apresentavam alguma doença depressiva. Ou seja, quase a metade deles. O estudo constatou também que 77% desses 44% já tinham um transtorno de depressão antes mesmo de começar a usar drogas ou álcool.
"O fato de eles procurarem álcool ou droga tinha a ver com a necessidade de diminuir os sintomas de depressão, que eles tinham, mas não sabiam que estavam doentes. Usando álcool e drogas, isso melhorava um pouco", explica o médico, lembrando que o alívio é apenas momentâneo e acarreta complicações na doença.
É o caso do suicídio, cuja possibilidade cresce muito quando há o encontro da depressão com o álcool e as drogas.
"Se o adolescente estiver deprimido, aumenta 2,5 vezes o risco de ele se matar. Mas, se a depressão levá-lo a se tornar dependente de álcool ou de drogas, o risco aumenta 50 vezes", alerta Silveira.
Segundo o psiquiatra Marcos Tomanik Mercadante, o risco de dependência de álcool e de drogas secundário a um quadro de depressão é alto. "Você tem um moleque que está irritado e, quando fuma maconha, se sente melhor. Além da depressão, ele pode passar a ter uma dependência por maconha, cocaína ou álcool, principalmente", diz Mercadante.
Para a psiquiatra Lee Fu I, quando se fala em drogas desencadeando quadros depressivos, não seria, no primeiro momento, depressão, mas, sim, uma relação emocional-comportamental com a droga.
"O problema é que, quando a depressão se soma à dependência, temos duas patologias. Quanto mais doenças se somam, mais complicado é o tratamento e é maior o comprometimento do indivíduo", diz.
A psicóloga Leila Tardivo explica que a relação depressão-consumo de drogas é uma via de mão dupla. "A depressão pode levar ao consumo de drogas assim com as drogas podem desencadear a depressão. Você quer correr o risco?", pergunta.
Fonte:Instituto de Psicologia
Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade. Tanto horror perante os céus?
É verdade: Recaí. Não havia porque mentir. Tropeçei e cai. Estou vivo e de pé e cabeça erguida. Reconheço que errei e de nada adianta querer culpar quem quer que seja. Sou responsável por mim.
Neste momento lembro algo que escutei outro dia:
Fulano de tal está internado. O contrato dele de 06 meses venceu. A irmã, que vive distante dos pais e que não dá qualquer assistência ao mesmo quer renovar o contrato. Motivo: o pai do cidadão deu, oralmente, uma serie de casas ao mesmo e, para "proteger" o patrimônio do irmão, a irmã afastada decidiu renovar o contrato. Assim distante, com o pai em idade avançada e, com a probabilidade de vir a óbito, antes do filho, fica preservado o bem do irmão, enquanto a "boa" irmã assegura ao seu "cativo" a devida proteção.
O cuidado maior não é a saúde do adicto, mas o que ele poderá receber de herança, de modo antecipado, ou não. Casos semelhantes a este são inúmeros e é muito triste verificar a quantidade enorme de pessoas internadas em péssimas condições de saúde, inclusive com necessidade de fazer cirurgia.
São pessoas que deixam de ter direitos, que vivem o inferno do claustro, confinados e retidos em sua liberdade de ir e vir. São seres capazes que estão submetidos determinados a viver, contrariados, uma outra modalidade de loucura.
No caso em que existem interesses em jogo, tais internações não são legais. Seria ideal que existissem mecanismos eficazes de amparo a estas pessoas. Seria ideal que clínicas não virassem depósitos de seres humanos, seria ideal que familiares não cometessem o crime de abandono de incapazes. Como sofrem estes seres indefesos e desamparados que estão no limite das suas faculdades mentais, beirando a loucura.
Em nome da vida decidem qual deverá ser o destino alheio. Que tipo de vida buscam defender e proteger?
Privar outrem da liberdade é fácil demais e está ficando tão fácil que qualquer um pode se tornar vitima desse sistema louco e absurdo que encontra justificativa no uso de drogas. Acautelem-se seres humanos inteligentes, basta usar qualquer droga, perder o controle, para cair na rede da insensatez e do oportunismo. Para lucrar e se ver livre de alguém existem clínicas e só é preciso contar uma estória, acionar o "resgate" e pronto. Uma loucura. São filhos internando pais, geralmente alcoólicos, só para se verem livres do mesmo e, ao mesmo tempo, tutelarem os bens dessas vitimas fragilizadas sob todos os aspectos. Não tem quem socorra estas pessoas que, invariavelmente, são chamadas de manipuladoras. Não há comissões de direitos humanos, não haverá ministérios públicos, nem procuiradores, nem ninguém que aceite abraçar a causas de adictos desamparados e desassistidos pela lei. Só Deus poderá julgar estas ações nefastas.
A ética está sendo derrotada e uma doença chamada adicção vem sendo utilizada para "prender" seres humanos que não possuem sequer direito de defesa e ninguém que possa escuta-los. São seres incomunicáveis, dopados, ou não, e submetidos a toda sorte de humilhações, incluindo o trabalho escravo que é intitulado como "laborterapia". Haja "LABORTERAPIA" para camuflar um novo tipo de escravidão. Como é confortável para um familiar achar que enjaulando alguém está fazendo o melhor possivel. Só me cabe lembrar o grito do poeta dos escravos: Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade. Tanto horror perante os céus?
O cuidado maior não é a saúde do adicto, mas o que ele poderá receber de herança, de modo antecipado, ou não. Casos semelhantes a este são inúmeros e é muito triste verificar a quantidade enorme de pessoas internadas em péssimas condições de saúde, inclusive com necessidade de fazer cirurgia.
São pessoas que deixam de ter direitos, que vivem o inferno do claustro, confinados e retidos em sua liberdade de ir e vir. São seres capazes que estão submetidos determinados a viver, contrariados, uma outra modalidade de loucura.
No caso em que existem interesses em jogo, tais internações não são legais. Seria ideal que existissem mecanismos eficazes de amparo a estas pessoas. Seria ideal que clínicas não virassem depósitos de seres humanos, seria ideal que familiares não cometessem o crime de abandono de incapazes. Como sofrem estes seres indefesos e desamparados que estão no limite das suas faculdades mentais, beirando a loucura.
Em nome da vida decidem qual deverá ser o destino alheio. Que tipo de vida buscam defender e proteger?
Privar outrem da liberdade é fácil demais e está ficando tão fácil que qualquer um pode se tornar vitima desse sistema louco e absurdo que encontra justificativa no uso de drogas. Acautelem-se seres humanos inteligentes, basta usar qualquer droga, perder o controle, para cair na rede da insensatez e do oportunismo. Para lucrar e se ver livre de alguém existem clínicas e só é preciso contar uma estória, acionar o "resgate" e pronto. Uma loucura. São filhos internando pais, geralmente alcoólicos, só para se verem livres do mesmo e, ao mesmo tempo, tutelarem os bens dessas vitimas fragilizadas sob todos os aspectos. Não tem quem socorra estas pessoas que, invariavelmente, são chamadas de manipuladoras. Não há comissões de direitos humanos, não haverá ministérios públicos, nem procuiradores, nem ninguém que aceite abraçar a causas de adictos desamparados e desassistidos pela lei. Só Deus poderá julgar estas ações nefastas.
A ética está sendo derrotada e uma doença chamada adicção vem sendo utilizada para "prender" seres humanos que não possuem sequer direito de defesa e ninguém que possa escuta-los. São seres incomunicáveis, dopados, ou não, e submetidos a toda sorte de humilhações, incluindo o trabalho escravo que é intitulado como "laborterapia". Haja "LABORTERAPIA" para camuflar um novo tipo de escravidão. Como é confortável para um familiar achar que enjaulando alguém está fazendo o melhor possivel. Só me cabe lembrar o grito do poeta dos escravos: Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade. Tanto horror perante os céus?
s/revisão
É a realidade !
| Drogas - “É baixa a taxa de recuperação” |
Zero Hora - RS - 14/04/09
Com 35 anos de experiência, o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos, coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, defende a “erradicação do consumo de álcool entre adolescentes” como forma de combater a epidemia de crack.
– Nunca tratei um paciente, independentemente de crack, cocaína, maconha, que a primeira droga na vida dele não tenha sido álcool – diz, em entrevista concedida a ZH: Zero Hora – O que representa uma mãe, desesperada, matar um filho? Sérgio de Paula Ramos – É um marco. Tínhamos primeiro uma situação preocupante de consumo de álcool. Depois, que Porto Alegre era a capital brasileira onde os adolescentes mais consumiam maconha. Mais tarde, começou o uso de cocaína, ecstasy e surgiu o crack de forma avassaladora. Nós tínhamos a famosa foto da mãe algemando o seu filho no pé da cama. Agora, uma mãe matando seu filho por desespero. Vamos ter de decidir se ficamos debatendo o caso da mãe que matou o filho ou se pensamos o que está havendo com a nossa cidade, o nosso Estado, os nossos jovens. ZH – O que que deve ser feito? Ramos – Uma política responsável sobre álcool. Erradicar o consumo de bebida alcoólica por adolescentes. Devemos pegar como uma questão de honra de que, na minha cidade, menor de idade não bebe álcool. ZH – Ele era dependente de crack. O que tem a ver o álcool? Ramos – Pergunte para a família dele qual a primeira droga que ele ingeriu e com que idade. Fecho que é bebida alcoólica e com idade entre 12 anos e 15 anos. Com 35 anos de trabalho nesta área, nunca tratei um paciente, independentemente de crack, cocaína, maconha, que a primeira droga na vida dele não tenha sido álcool. Se você consegue adiar a iniciação ao álcool, reduz a taxa de alcoolismo e o envolvimento com outras drogas. Criaria um cenário urbano mais clean, menos droga. O segundo foco é a Lei Seca, cuja fiscalização deve ser retomada. Acho que poderá haver até um resgate da cidadania. ZH – Por que uma coisa está encadeada na outra? Ramos – Há muitas teorias para a escalada da droga. Existem pessoas que são atraídas parcialmente pelo desafio. O álcool me deu um barato, mas dizem que a maconha é melhor, então vou experimentar. Olha, o legal é a cocaína, o ecstasy, e acabam experimentando a cocaína. E, por fim, o crack. ZH – Como o senhor avalia as políticas públicas no Estado voltadas ao combate dessa epidemia? Ramos – Inexistem. Tenho assistido a tímidas iniciativas e a muito discurso. Você não consegue resolver uma epidemia de crack criando 500, 600, mil leitos. Os tratamentos para dependentes de crack graves são pouco eficazes e ninguém tem dinheiro para abrir tanto leito. Você tem de segurar o touro pelo chifre muito antes do crack entrar em cena. ZH – O senhor conhece alguém que tenha se recuperado do vício do crack? Ramos – Há dois anos, eu falei que não tinha recuperado ninguém. Hoje, recuperei uma meia dúzia. Mas é baixa a taxa de recuperação. É uma dependência química muito suscetível a recaídas. |
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