sexta-feira, 11 de maio de 2012

Passarinho na Gaiola

Bom dia!

Dia 12 de maio, amanhã, completa um ano que fui para um pseudo-clínica em São Paulo, convencido de que estava indo me tratar. Fui feliz da vida. Pegamos um voo de última hora. pela AVIANCA, em um daqueles modelos de avião da GOL, que andavam caindo por demasiado. O ronco do motor era incomodo, mas o sabor e a alegria de estar indo buscar algo melhor pra mim, me deixava motivado e contente.

Tive uma pequena decepção depois que descemos em Guarulhos, por volta das 18 horas. Já estava escuro e não estava frio. A decepção foi a mudança repentina que meu filho e esposa demonstraram com a pressa de se livrarem de mim, logo.

Percebi a mudança e disse que só iria após ver meu filho, residente na capital. Vai, não vai. Ligam para o pastor que me pareceu um cara mais ou menos. Até então, não sabia o que me era reservado. Mulher e filho e pastor acordaram que eu iria pela manhã do dia seguinte.

Alugamos um carro e fomos para Sampa. O GPS do carro estava mais perdido do que cego em tiroteio. Pior é que eu estava ensinando o caminho certo sem conhecer porra nenhuma. Só de lembranças passadas.

Demorou, mas chegamos a um restaurante, ponto de encontro. Passava das 22 horas quando meu outro filho chegou. Eu estava tão animado que mais parecia um bobo e era. Mas um bobo desconfiado, pois não percebia a correspondente alegria em ninguém. Saímos tarde do restaurante.

Pegamos o rumo da Raposo Tavares. O filho mais velho estava com muita pressa e passava pelos quebra-molas feito um alucinado e eu me pipocava de rir. Fazia gozação. Depois ele se perdeu e eu estava gostando de ficar rodando de carro, na madrugada, como perdidos na noite fria.

De tanto rir, acabei descontraindo meus benfeitores.  Tarde e verificando que a noite estava meio sinistra e por não termos achado vaga naquelas espeluncas de beira de pista, tomamos o rumo de São Roque, que me pareceu muito bonitinha. O Hotel era ótimo.

Tudo certo na portaria, fomos para o quarto, onde esculhambamos um pouco. Estava muito feliz, mesmo sabendo que iria passar meu aniversário dentro de uma "clínica".

Não cheguei a tomar banho. Sofro um frio medonho em São Paulo e temia sair de um banho quente para pegar uma corrente fria... O resultado seria aquela hipotermia que se assemelha a uma convulsão. Detesto ter calafrios. Transar no frio, sem aquecimento interno, deve ser uma proeza. E minha mala que eu não fiz e que mal sabia o que nela continha? Não havia roupas para o frio que me aguardava.

Amanheceu e já passava das dez da manhã e o café já estava encerrado. Conversei com uma copeira e ela foi condescendente permitindo que tomássemos o café... Estava no alto-astral!

Dai não custou muito e pegarmos a pista. Na ida me veio aquela sensação de quando chegamos em Guarulhos... sensação que me deixou frustrado, decepcionado, pois mais parecia que eu era um pacote, ou embrulho, que devia ser despachado urgentemente. Logo me recompus. Voltei a sorrir. Enfim, chegamos!

O pastor sorridente (que cara de pau!) nos recepcionou com um sorriso largo. Tinha uma luneta em um dos olhos.

Fomos até o escritório, onde conversamos bastante. Sabe, jogador de futebol, dizia um treinador baiano, a gente conhece pelo arriar das malas.

Aquele sujeito, dito pastor, me irritou algumas vezes pelo simples fato de ter um linguajar chulo, rasteiro, pornográfico e desrespeitoso. Depois ele disse uma merda: -"aqui nós tratamos a falta de vergonha".

Interiormente pensei: filho da puta! Bem, chegou o momento da despedida, abraços e beijos e o adeus final, além da promessa da mulher: "daqui a um mês venho lhe visitar, antes disso lhe telefono". Fui e eles foram.

No caminho, descendo, me bateu aquela tristeza peculiar ao momento da separação. Quase uma saudade.

Vi umas grades, arrodeamos e passamos por uma porta dessas que se assemelham aquelas de cadeia. Depois que entrei o rapaz foi muito rápido em trancar o portão. Puseram minha mala sobre uma mesa de ping-pong, revistaram, tiraram o que acharam por bem tirar e me deram o que restou. Até ai não fazia frio. Era tarde e só fui almoçar no jantar.

Que decepção aquela merda toda que eu ia reparando. Um estranho no ninho, totalmente desambientado e sem me dar conta de um ranço que paulistas tem com os baianos. Olhava tudo, tudo... Logo depois do jantar tive que colocar várias camisas, uma sobre a outra e o tempo ainda era suportável. Dias piores viriam.

Disseram-me que durante três dias eu estaria no "axé". Significa dizer que não teria que fazer tudo o que os demais faziam e que poderia até fumar uns cigarros enquanto o resto ficava no confinamento. Mas eu já tinha manjado tudo e os meus olhos eram de investigação, do tipo de quem procura um ponto vulnerável para fuga.

Logo percebi o regime carcerário em que estava metido. Bem, vou parando por aqui, só por hoje. Depois, talvez, continue contando algo mais. Só queria lembrar que amanhã faz um ano de um outro tipo de inferno que passei. Agora muita alegria e paz no coração é o que desejo a todos.

s/rev

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Meditação do Dia, Narcóticos Anônimos - Quinta, 10 de Maio de 2012

Prontificarmo-nos inteiramente

"...olhamos bem para o que estes defeitos estão a provocar nas nossas vidas. Começamos a ansiar por nos vermos livres deles." 
Texto Básico, p. 39


Prontificarmo-nos inteiramente a que os nossos defeitos de carácter sejam removidos pode constituir um longo processo, que muitas vezes demora toda uma vida. O nosso estado de prontidão cresce em proporção directa à nossa consciência desses defeitos e à destruição que eles provocam. Podemos ter dificuldade em ver a devastação que os nossos defeitos estão a provocar nas nossas vidas e nas vidas daqueles que nos rodeiam. Se for esse o caso, faríamos bem em pedir ao nosso Poder Superior que revelasse essas falhas que impedem o nosso progresso. À medida que deixamos ir os nossos defeitos e vemos a sua influência a diminuir, descobrimos que um Deus amantíssimo substitui esses defeitos por qualidades. Onde antes tínhamos medo, encontramos coragem. Onde antes éramos egoístas, encontramos generosidade. As nossas ilusões sobre nós mesmos irão desaparecer para darem lugar à honestidade e à auto-aceitação. Sim, prontificarmo-nos inteiramente significa que iremos mudar. Cada novo nível de prontidão traz novas dádivas. A nossa natureza básica muda, e depressa descobrimos que a nossa prontidão não é mais movida apenas pela dor, mas por um desejo de crescer espiritualmente.

Só por hoje: Vou aumentar o meu estado de prontidão tomando-me mais consciente dos meus defeitos.

Reflexões Diárias, AA -, quinta-feira, de 10 maio de 2012


Afinal, livre 

Outra grande dádiva que podemos esperar por confiar nossos defeitos a outro ser humano é a humildade – uma palavra frequentemente mal compreendida… representa um claro reconhecimento do que e quem somos realmente, seguido de um esforço sincero de ser aquilo que poderíamos ser.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES

Sabia do fundo de meu ser que se quisesse ser alegre, feliz e livre para sempre, tinha de compartilhar minha vida passada com outra pessoa. A alegria e o alívio que senti após fazer isto estão além de qualquer descrição. Quase que imediatamente após fazer o Quinto Passo, me senti livre da escravidão do ego e da escravidão do álcool. Esta liberdade permanece após 36 anos, um dia de cada vez.
Descobri que Deus podia fazer por mim o que eu não podia fazer sozinho.

REFLEXÕES DIÁRIAS p. 139

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ao companheiro de Moçambique: Força !


AL-ANON GRUPO VISÃO / ES

AL-ANON GRUPO VISÃO / ES

OS GRUPOS FAMILIARES AL-ANON SÃO UMA ASSOCIAÇÃO DE PARENTES E AMIGOS DE ALCOÓLICOS QUE COMPARTILHAM SUA EXPERIÊNCIA, FORÇA E ESPERANÇA, A FIM DE SOLUCIONAR OS PROBLEMAS EM COMUM. O ALCOOLISMO É UMA DOENÇA QUE ATINGE TODA A FAMÍLIA. O AL-ANON NÃO ESTÁ LIGADO A NENHUMA SEITA, RELIGIÃO OU MOVIMENTO POLÍTICO. NÃO EXISTEM TAXAS PARA SER MEMBRO. PROPÓSITO AL-ANON: PRESTAR AJUDA A FAMILIARES E AMIGOS DE ALCOÓLICOS.

DIVULGANDO !

Força !

 

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domingo, 6 de maio de 2012

Estou voltando

Bom dia! tenham um ótimo domingo. Ando me divertindo no facebook, sem medo de ser feliz. Brinco de flertar, não é nada sério. minha vida não está do jeito que gostaria que estivesse, mas tudo se resolve. Não vou ficar esperando que mulher venha me dar a mão. Quero viver em paz, colocando tudo no eixo. Isso não é difícil, mas requer tempo. Moro, por enquanto com meus pais e minha querida filha, que é um amor de garota. Hoje deve estar prestando exame em Brasilia. Acredito nela. No dia 2 deste mês, sai sozinho e dormi sozinho em um hotel de terceira. Ninguém acredita, mas é verdade. Nada de piriguete. Tomei diversas cervejas, mas não fiquei bêbado. Errei. Meu problema maior não é o álcool, mas não posso e nem devo beber. Foi uma recaída, sim, mas de outro nível. Estou inteiro. Cortei cabelo, fiz minhas unhas.Hoje volto a fazer a barba e tomar um bom banho. Pretendo cantar no chuveiro e, assim, do meu modo, só, ou acompanhado, vou vivendo minha vida. Não fiz voto de castidade, não sou padre, nem santo. Se continuar nessa, com cara de viúvo virgem, vou correr atrás, sem dúvida. Desejava assistir o show de Chico Buarque, mas os preços estão salgados demais. Ainda não pretendo ir ao cinema, nem a praia. Vou encarando, de frente, meus problemas, ciente de que em minha volta há aquele lance de fofoquinhas, da estigmatização, mas eu não ligo porque todo mundo tem defeito. Essa gente que se acha perfeita tem pés de pavão. Sei que macaco não olha para o rabo e a sociedade local, falso moralista, vivencia o problema com drogas em seus lares, ou em lares de parentes. Buscam esconder, mas todo mundo sabe. Cada qual com sua cruz. Sei dar respostas diretas ou indiretas a quem me lança farpas, muitas vezes até ignoro. Não perco minha serenidade.

Estou regressando. Fiquei satisfeito em verificar novos seguidores do Blog. Agradeço a todos. Fiquei triste em ver que tem gente que também parou de postar e, também, por saber que alguém recaiu, mas recaídas fazem parte da doença. Nada de abatimentos. É preciso reagir. Sei que é preocupante, mas quando acaba a grana sempre retornamos, mais ou menos inteiros. Quem entra em reggae não pode dar noticias e isso eleva o nível de preocupação.

Na paz, com amor, carinho e dialogo as coisas tendem a melhorar. Quem usa, sai em busca de prazer; é chato dizer isto, mas é uma realidade. O codependente tem que aceitar isso e tentar fazer com que o lar se transforme em um ambiente feliz e prazeroso; parece fácil, mas não é. Tudo é complicado, mas o exercício de habilidades pode ir transformando tudo. Creio na recuperação de todos.

Existem casos, e não são poucos, de dependentes que largaram tudo, da noite para o dia, sem que ninguém entendesse como este milagre aconteceu, não havia igreja, grupo de auto ajuda, apoio familiar, simpatias, nada, nada e o processo de libertação aconteceu. São muitos os casos que já testemunhei. Não estou livre de recair, mas com o facebook vou fazendo minha higiene mental, exercitando a mente, interagindo.

Sei que adotar um hobby seria muito bom. Adoro fotografia, mas tô fodido devido minhas insanidades. Tenho que recompor-me financeiramente.

No mais sinto-me bem. Desejo a todos sucesso, muita serenidade e compreensão. E quem se achar derrotado vai acabar descobrindo que há um caminho de volta. O número de codependentes esclarecidos ainda é diminuto, louvo as codependentes, dos diversos blogs que acompanho, são mulheres guerreiras e que não se deixam vencer pela frouxidão, fugindo da luta. Isso é muito bonito.

Esse post é mais para justificar minha ausência e para dizer que estou vivo, com cara de sujeito "normal", mais brincalhão e irreverente; sei que vou vencer com a ajuda de Deus. O mundico das drogas não é meu mundo, não me identifico.

Bem, finalizo acenando com meu regresso gradual. Sinto saudade de acompanhar leituras agradáveis, nem sempre alegres, mas, mesmo assim, agradáveis porque humanas, isso me ajuda a compreender melhor o ser humano, que existe de um lado e do outro. Feito isto, despeço-me desejando a todos vibrações positivas de força, fé e esperança. Vamos vencer esta luta, com fé em Deus, que é justo e misericordioso. Aquele abraço em todos e todas. Fui!


Meditação do Dia, Domingo, 06 de Maio de 2012, Narcóticos Anônimos


Já estamos a divertir-nos?

"Com o tempo, conseguimos acalmar-nos e apreciar a atmosfera de recuperação." 
Texto Básico, p. 63


Imaginem o que aconteceria se um recém-chegado entrasse numa das nossas reuniões e desse de caras com um grupo de pessoas tristonhas agarradas em desespero às suas cadeiras. Esse recém-chegado iria certamente assustar-se, balbuciando, "E eu que julgava que talvez pudesse largar as drogas e ser feliz." Graças a Deus, os nossos recém-chegados costumam dar de caras com um grupo de pessoas amigas e sorridentes, relativamente satisfeitas com as vidas que encontraram em Narcóticos Anónimos. Que grande dose de esperança que isso oferece! Um recém-chegado, cuja vida tem sido demasiado séria, é fortemente atraído por uma atmosfera de riso e de descontracção. Quando se vem de um lugar onde tudo é levado a sério, onde o desastre nos aguarda a cada esquina, é um alívio bem-vindo entrar numa sala e encontrar pessoas que não costumam levar-se muito a sério, prontas para algo de maravilhoso. Aprendemos a levar as coisas menos a sério. Rimo-nos do absurdo da nossa adicção. As nossas reuniões - essas salas cheias dos sons vivos e felizes de café a ser feito, de cadeiras a serem arrumadas, do riso de adictos - são os locais onde primeiro recebemos os nossos recém-chegados e lhes mostramos que, sim, agora estamos a divertir-nos.

Só por hoje: Posso rir de mim próprio. Consigo aceitar uma piada. Vou levar as coisas menos a sério e divertir-me hoje.

Fundo do Poço

 

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Hannah Arendt

O Perdão e a Promessa

Se não fôssemos perdoados, eximidos das consequências daquilo que fizemos, a nossa capacidade de agir ficaria por assim dizer limitada a um único acto do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre as vítimas das suas consequências, à semelhança do aprendiz de feiticeiro que não dispunha da fórmula mágica para desfazer o feitiço. Se não nos obrigássemos a cumprir as nossas promessas não seríamos capazes de conservar a nossa identidade; estaríamos condenados a errar desamparados e desnorteados nas trevas do coração de cada homem, enredados nas suas contradições e equívocos - trevas que só a luz derramada na esfera pública pela presença de outros que confirmam a identidade entre o que promete e o que cumpre poderia dissipar. Ambas as faculdades, portanto, dependem da pluralidade; na solidão e no isolamento, o perdão e a promessa não chegam a ter realidade: são no máximo um papel que a pessoa encena para si mesma.

Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'


Crédito: Citador

domingo, 8 de abril de 2012

NA - Narcóticos Anônimos

Meditação do Dia
Domingo, 08 de Abril de 2012

Felicidade
"Passamos a conhecer a felicidade, a alegria e a liberdade." Texto Básico, p. 103

Se alguém te parasse hoje na rua e te perguntasse se eras feliz, o que é que dizias? "Bom, ah, deixe-me ver... Tenho uma casa, comida no frigorífico, um emprego, o meu carro trabalha... Sim, acho que sou feliz", poderia ser a tua resposta. Aqueles são exemplos exteriores de coisas que muitos de nós tradicionalmente associam à felicidade. Por vezes esquecemo-nos, todavia, de que a felicidade é uma escolha; não há ninguém que possa fazer-nos felizes. A felicidade é aquilo que encontramos no nosso envolvimento com Narcóticos Anónimos. É na verdade enorme a felicidade que vamos buscar a uma vida concentrada em servir o adicto que ainda sofre. Quando colocamos o serviço acima dos nossos próprios desejos, descobrimos que estamos a retirar o foco sobre nós próprios. Como resultado disso, vivemos uma vida mais feliz e harmoniosa. Ao servirmos os outros, as nossas necessidades são mais do que preenchidas. Felicidade. O que é que é na realidade? Podemos pensar na felicidade em termos de contentamento e de satisfação. Estes dois estados de alma parecem surgir quando menos nos esforçamos por eles. À medida que vivemos só por hoje, transmitindo a mensagem ao adicto que ainda sofre, encontramos contentamento, felicidade, e uma vida com um profundo sentido.

Só por hoje: Vou ser feliz. Vou encontrar a minha felicidade ao servir os outros.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Agressividade e autodestrutividade


"Conter a agressividade é, em geral, nocivo e conduz à doença (mortificação). Uma pessoa num acesso de raiva, com frequência demonstra como a transição da agressividade, que foi impedida, para a autodestrutividade, é ocasionada pelo desvio da agressividade contra si própria: arranca os cabelos ou esmurra a face, embora, evidentemente, tivesse preferido aplicar o tratamento a outrem."
FREUD

O que fizemos ?


Meditação do Dia

QUINTA, 05 DE ABRIL DE 2012


Identificação
"Alguém, finalmente, conhecia os pensamentos loucos que tive e as coisas loucas que fiz." II Basic Text, p. 175 
Um adicto sente-se por vezes completamente único. Temos a certeza de que mais ninguém usou drogas como nós, ou teve de fazer as coisas que nós fizemos para arranjá-las. Se acharmos que mais ninguém nos compreende realmente, estaremos a colocar obstáculos que nos impedirão de recuperar durante muitos anos. Mas uma vez chegados às salas de Narcóticos Anónimos, começamos a perder aquela sensação de sermos "os piores" ou "os mais loucos". Ouvimos outros membros partilharem as suas experiências. Descobrimos que os outros já caminharam o mesmo percurso tortuoso que nós, e mesmo assim conseguiram entrar em recuperação. Começamos a acreditar que a recuperação também está ao nosso alcance. À medida que progredimos na nossa própria recuperação, o nosso pensamento por vezes ainda é insano. Mas descobrimos que quando partilhamos os tempos difíceis que possamos estar a atravessar, há outros que se identificam, partilhando a forma como lidaram com essas dificuldades. Não importa quão distorcidos possam parecer os nossos pensamentos, encontramos esperança quando os outros se identificam connosco, sugerindo-nos as soluções que eles próprios encontraram. Começamos a acreditar que podemos sobreviver àquilo que estivermos a atravessar, a fim de prosseguirmos na nossa recuperação. A dádiva de Narcóticos Anónimos é a de aprendermos que não estamos sós. Podemos largar as drogas e manter-nos limpos partilhando com outros membros a nossa experiência, a nossa força, e mesmo os nossos pensamentos loucos. Quando o fazemos, abrimo-nos às soluções que os outros encontraram para os mesmos desafios que nós enfrentamos.

Só por hoje: Sinto-me grato por poder identificar-me com outros. Hoje vou escutar quando alguém partilhar a sua experiência, e vou partilhar também a minha.


Desculpas

Peço desculpas por ter postado um desabafo em que faço revelações de cunho pessoal. No post eu manifesto diversas características da minha doença. Preciso rever tudo, com calma. Deixar o que devo deixar e cortar o que pode ofender. Peço desculpas ao "Tamo Junto", enquanto agradeço a solidariedade. 

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